Karen
Já fazia alguns meses que eu entrei para a Red Angel, uma agência de acompanhantes de luxo. Larguei o meu emprego de secretária pois com aquele salário eu mal conseguia comprar alimentos.
Eu não conseguia nem mesmo pagar as contas acumuladas, isto sem falar na minha faculdade e no colégio interno de Gabriel.
Eu queria muito ter condições de pagar tudo, de ter condições de pagar alguém para cuidar dele, para todas as noites eu poder estar com ele. Se a falta de nossos pais doía em mim, para ele o sofrimento era ainda maior.
Removi a maquiagem pesada revelando uma pele cansada e pálida deixando a água escorrer pelo meu corpo, dizem que o dinheiro de acompanhante de luxo se ganha fácil, na verdade é o dinheiro mais difícil que já ganhei na vida. Eu não poderia recusar este trabalho, estava cheia de dívidas e com o meu irmão pequeno para criar. Após a morte dos nossos pais o que nos restou foi muita tristeza, saudades e muitas contas para pagar. E quitar todas elas com o meu trabalho de secretária, era impossível, eu estava ao ponto de desistir dos estudos.
Uma amiga da faculdade me ajudou, me apresentou para a dona da agência Red Angel, na qual ela trabalha.
No início eu não queria, estava fora dos meus princípios. Mas tudo caiu por terra, quando o conselho tutelar me ameaçou. E eu poderia perder a guarda de Gabriel, eu estava deixando-o sozinho para trabalhar. E estávamos passando necessidade.
Minha amiga pagou algumas das minhas contas do mês e me explicou que nem sempre precisava fazer sexo com os clientes. E mesmo que o cliente quisesse, eu poderia negar e ir embora se eu não me sentisse confortável.
Poderíamos escolher com quem queríamos nos encontrar e decidir se aceitar ou não alguma proposta.
E foi assim comecei a trabalhar na Red Angel, nem sempre era fácil. Mas comecei a ganhar o suficiente. Consegui pagar a minha faculdade e o colégio interno de Gabriel, uma escola bem cara e conceituada.
Eu não estava extremamente feliz, mas estava conseguindo devagar alcançar os meus objetivos. Mas agora estou sofrendo as consequências de uma suspensão por três meses, por ter me envolvido com um dos funcionários da Red Angel. Quebrando assim, uma das regras da Mary, a proprietária. O pior é que eu nem sentia nada por aquele babaca, que fez um drama, dizendo para a Mary, que ele estava indo embora por minha culpa, sendo que ele estava indo para Nova Iorque trabalhar. Por estar afastada, eu estava acabando com a pouca reserva que eu tinha para pagar as contas acumuladas.
E trabalhar por conta própria era mais complicado. O telefone tocou me tirando de meus pensamentos.
-Alô?
- Olá, Karen. Eu devia te ignorar por mais alguns meses. Mas digamos que a sorte sorriu para você. Então, não me decepcione.
Mari me explicou que um poderoso empresário estava oferecendo pagar muito por uma semana comigo. E seria em Portofino, na Itália. E quando ela me falou a cifra do pagamento, o meu coração fez um salto. Isto poderia pagar meus últimos meses de estudo. Me dando a oportunidade de deixar a Red Angel assim que eu conseguisse outro trabalho, no que vou me formar.
O que me chamou a atenção, foi o fato dela dizer que ele descartou o sexo do contrato. Pois, ele queria apenas desfilar comigo.
Isso me deixou pensativa. Mas o fato de ganhar todo este dinheiro e sem prestações sexuais, me fez aceitar.
Mary me avisou que nos encontraríamos no dia seguinte para comprar tudo o necessário para a viagem.
- Karen. Ele te escolheu entre tantas. Então espero que não me decepcione. É a primeira vez dele, conosco. E devemos mantê-lo como cliente.
Me escolheu pelo meu perfil, por minha foto, e não queria sexo. Parecia muita sorte, até demais. - pensei comigo.
- Mary, eu vou dar o meu melhor para não te decepcionar.
- Eu espero que você dê mais do que o seu melhor, Karen. Ele é um cliente que eu quero conquistar para sempre. O tipo de homem de família tradicional que provavelmente vai se casar com alguma do seu nível social, mas vai sempre querer algo a mais fora do casamento perfeito. O tipo de cliente perfeito, então cuide bem dele.
- Tudo bem. Ele exigiu algo?
- Na verdade, ele dispensou o nosso contrato habitual da agência. Ele mesmo redigiu o seu próprio contrato. Ele deixou claro que dispensa o sexo, quer sigilo, obviamente. Ele vai pagar tudo, suas roupas, malas, viagem. Ele quer que você leia o contrato e se quiser incluir algo, poderá. Ele quer que eu envie para ele em seguida.
Isto me deixou mais que apreensiva. Mas o dinheiro e a promessa de liberdade deste trabalho valeriam risco. - Pensei.
- Por favor, me envie a cópia dos seus documentos por e-mail. Preciso enviar para ele, para os trâmites da viagem. Até amanhã.
- Vou te enviar, até amanhã e obrigada pela oportunidade.
- Não agradeça a mim, por mais que eu te adore, Karen, regras são regras, eu te deixaria em punição, mas ele escolheu você. Na verdade, ele exigiu que fosse você ou não fecharia negócio. Ele está pagando três vezes mais. Ele está pagando um valor bem acima do que pedimos. Você realmente está com sorte, até amanhã.
- Mesmo assim, obrigada. Até amanhã.
Ela desligou o telefone, meu coração ainda estava acelerado. Ele me escolheu, exigiu que fosse eu. Qual será o fetiche?
Eu nem mesmo sabia como ele era. Mas tentei não pensar sobre, afinal no dia seguinte Mary me mostraria uma foto dele e falaríamos mais sobre ele.
Respirei fundo, precisava me acalmar.
Eu fui para a cozinha, preparei um chá e liguei para Gabriel, para contar da viagem. Para ele e outras pessoas próximas, eu falava que trabalhava como aeromoça em voos particulares de ricos excêntricos.
Peguei o celular e liguei para a escola de Gabriel. Após falar com a secretária, eles passaram a chamada para o quarto dele.
- Karen, como estou feliz que você ligou!
- Oi, meu amor. Eu queria ouvir a sua voz. Estou com muitas saudades.
- Hoje eu venci o no campeonato de futebol e no judô eu estou classificado para as olimpíadas da escola. Estou feliz, Karen.
- Uau! Meu campeão! Parabéns, estou orgulhosa de você. Nós nos veremos assim que eu voltar de viagem.
- Para onde você voará desta vez?
Meu coração apertou, mas ele era muito criança para entender o que eu fazia. E, de certa forma, desta vez eu realmente estava indo voar.
- Vou para Portofino, na Itália. Mas assim que eu voltar, vou correndo te ver e vou trazer presentes.
- Vou ficar contente em te ver. Eu gosto dos presentes, mas gosto muito mais de você.
Segurei as lágrimas. Eu queria muito poder ter condições de pagar alguém para tomar conta dele enquanto eu trabalhava. Mas antes eu precisava pagar todas as nossas contas acumuladas e arrumar outro trabalho. E assim ter condições de bancar todas as despesas da casa e dos estudos de Gabriel. Ele dependia de mim.
Respirei fundo e tentei mostrar a ele que estava feliz.
- Eu te amo muito, garotinho lindo. Eu também fico muito feliz em te ver, em breve estaremos juntos.
- Eu vou esperar! Boa Viagem, irmãzinha. Vou jogar com os meus amigos. Te amo.
- Obrigada! Se divirta, querido. E lembre-se que eu te amo mais que tudo. Eu te ligarei em breve. Beijos.
Ele fez barulhos de beijos no telefone e desligou. Eu enxuguei as lágrimas em meu rosto e tentei restar otimista para o amanhã.
Era isto, se no contrato, as exigências do cliente fossem suportáveis a minha partida para a Itália já seria amanhã, ao lado de um perfeito desconhecido.
No dia seguinte...
Eu já estava com os meus pés doloridos de tanto caminhar. O meu carro não funcionou e tive que correr para a estação. Mary marcou comigo na frente de uma loja cara da avenida principal. Eu já conseguia ver seus cabelos claros presos em um rabo de cavalo elegante e suas roupas de grife adornando o seu corpo perfeito. Ela se girou lentamente, sorrindo para mim.
- Bom dia, senhorita atrasada.
- Bom dia, me desculpe pelo atraso. Lamento ter feito você me esperar. Meu carro quebrou outra vez.
- Tudo bem, Karen. Consigo ver o quanto está abatida e acredite, vai ficar tudo bem. Mas devo te alertar que o nosso cliente, o senhor Dante, não suporta atrasos.
- Isto não vai acontecer.
Eu respondi, tentando buscar um pouco de ar para os meus pulmões.
- Vamos entrar, pois estamos atrasadas. O dia está apenas começando.
Entrei na loja com ela e por uma hora escolhemos vestidos, sapatos, variados acessórios e lingeries.
Mary estava quase todo o tempo no telefone enviando fotos para ele de cada roupa que eu vestia. E ele respondia o que ele gostava ou não. A única coisa que ele não deu palpites foi para a lingerie.
Quando saímos para a rua Mary, finalmente deixou o telefone.
- Eu ainda acho muito estranho tudo isso. Qual o problema deste homem, Mary?
Ela sorriu gentilmente, mas não respondeu. Ela entrou no spa que ficava a poucos metros da loja em que estávamos.
Após sermos acomodadas em uma sala de estar, ela se virou para mim.
- Ele deixou claro no contrato que não está interessado em sexo. Ele quer sua presença ao lado dele, sempre bem-vestida e maquiada.
- Tudo bem, eu prefiro assim.
Ela sorriu e abaixou a voz.
- Querida, se ele quiser sexo, duvido que você diga não. Ao menos eu não diria. Um homem bonito, um lugar maravilhoso...
O telefone dela interrompeu sua frase, ela se afastou e eu entrei para a sala de massagem. E pelas horas seguintes, eu fui preparada, unhas, cabelos, maquiagem, roupas.
O meu coração estava em angústia, mas eu sabia que era tarde demais para desistir. Horas depois, estávamos na frente do grande espelho da recepção da Red Angel.
Eu usava um vestido chique com um toque sensual na dose justa. Na bolsa, estava todos os meus pertences e o principal, o meu passaporte. Mary repassava as exigências do contrato que eu tinha acabado de assinar.
- Você tem apenas que sorrir e concordar com tudo o que ele disser quando estiverem em público. Praticamente, você terá que fingir um relacionamento emotivo com ele. Nada de sexo, dormirá no mesmo quarto que ele, mas ele não te tocará.
Mary tinha mandado que todas as roupas fossem preparadas nas malas caras que ela tinha comprado para mim. E quando o carro que ele enviou chegou na frente da Red Angel, o motorista as carregou no porta-malas.
Me despedi de Mary e segui para o meu destino. Apesar de ter me dado um boa noite amigável, o motorista restou em silêncio todo o trajeto.
No aeroporto, entramos na área vip de voos privados, um avião estava pronto na pista. O motorista me conduziu até um comissário que estava esperando na escada, ele me cumprimentou e me acompanhou até o meu assento no avião, me oferecendo tudo o possível para o meu conforto.
Eu estava terminando de fazer uma mensagem para o meu irmão, quando escutei a sua voz pela primeira vez.
- Boa noite, Karen. Seja bem-vinda.
Eu levantei o meu olhar para encontrar Dante Montallegro com seu corpo perfeito e seu olhar intenso buscando os meus. Eu tinha visto foto dele, e realmente ele era lindo, mas pessoalmente ele era um escândalo.
Os meus olhos desceram para a sua boca enquanto ele se sentava lentamente à minha frente.
- Boa noite, senhor Montallegro...
- Retire o Senhor, por favor, você deve me chamar de Dante, nada mais. -Disse enquanto dobrava lentamente a manga de sua camisa.
Eu observei os seus movimentos, seus braços definidos eram evidentes sobre o tecido caro de sua camisa.
- Me desculpe, eu estou um pouco nervosa.
Ele sorriu e me encarou com curiosidade.
- Não vai me dizer que será sua primeira vez...
Inexplicavelmente, um calor subiu por minhas bochechas e me senti uma idiota.
Que diabos! Esta situação tinha que ser mantida no controle. - Pensei enquanto tentava me recompor.
- A primeira vez dentro de um avião rumo a Itália? Sim, com certeza. E nem sei exatamente o que pretende...
- Entendo suas dúvidas depois do contrato que enviei. Então, estou disposto a discutir com você durante o voo. Vou começar te explicando o meu motivo por contratar sua agência.
Estamos indo para uma grande conferência, onde entrarei em contato com alguns clientes importantes. Mas o fato de sua presença é porque minha noiva me deixou. E ela estará nessas reuniões, Visto que a sua família, assim como a minha, é uma produtora de destilados. Ela terminou comigo e duas semanas depois, ficou noiva de outro. Eu sei que ela ainda me ama. Ela está fazendo isso de pirraça. Preciso jogar do mesmo jeito que ela, para tirá-la da zona de conforto. E fazer ela ver, que eu sou o homem certo para ela!
Ele disse tudo de forma tão natural que eu encontrei dificuldades para dizer que isto era mais louco do que eu poderia pensar. Mas, enfim, ele estava me pagando bem para ser sua namorada.
- Entendi Dante, eu serei sua namorada para passar ciúmes.
- Na verdade, noiva. Você será minha noiva. Ficamos noivos em uma romântica viagem para a Grécia.
- Noiva??
Eu falei um pouco mais alto do que eu deveria, e ele seriamente me respondeu.
- Sim. Eu e Vivian terminamos faz dois meses e ela estava viajando para outra parte do mundo, e eu também. Então a mentira que nós dois contaremos será plausível.
- Tudo bem, você está pagando.
- Ótimo, eu preciso que você apenas concorde com tudo o que eu disser e saiba evitar responder perguntas, eu as responderei.
- Claro, você tem fotos da sua noiva?
- Apenas as do site.
Ele sorriu de maneira provocante. Ele se referia às minhas fotos do site da Red Angel, fotos em que usava uma máscara veneziana nos olhos. Onde em 90% das fotos eu estava nua. Estranhamente, um calor me percorreu o corpo se concentrando em lugares indevidos. Mas eu decidi entrar no jogo.
- Bom saber que você escolheu sua atual noiva se baseando naquelas fotos.
- Na verdade, não foi pelas fotos, foi por sua descrição no perfil. E depois conversando com a Mary, ela me disse que você está na faculdade. E que, ao contrário das outras que ali estão, você busca um futuro fora de tudo isto.
Ele me deixou sem graça, mas fiz de tudo para não demonstrar o que ele me causou. Ele calmamente continuou falando.
- Não me entenda mal, Karen. Eu gostei muito do que eu vi nas fotos. E confesso que eu pensei muito no que vi. Mas não sou o tipo de apenas sexo, não me leve a mal.
- Tudo bem. Bom de certa forma, acho fofo o seu esforço para, de alguma forma reconquistar sua amada.
Ele apenas sorriu, mas não disse mais nada, e nas horas seguintes de voo ele não tocou mais no assunto do contrato ou sua relação. Falamos de tudo um pouco e encontramos muitas afinidades e o voo foi tranquilo.
Quando o avião pousou, ele se virou para mim e puxou uma caixa de dentro de sua pequena mala.
- Precisamos contar bem esta mentira...
Ele abre a caixa e duas alianças brilharam diante dos meus olhos. Ele pegou o solitário e deslizou em meu dedo. Ele mesmo pegou a outra aliança e deslizou em seu dedo.
- Parece que estamos noivos, querido.
Ele sorriu e me ajudou a levantar da poltrona.
- Aqui começa nossa história, querida.
Ao entrar no carro que estava a nossa espera na pista, ele voltou a sua atenção para mim.
- Karen, você pode me dizer o seu nome real?
- Este é o meu nome real. A Mary deve ter enviado todos os meus documentos para você, incluindo todos os exames...
- Sim, claro, ela enviou, mas foi tudo para a minha secretária. Os exames são sempre enviados para os clientes?
- Isto faz parte da exigência da Mary, provar para todos os clientes que nos contratam a longo prazo, que somos saudáveis. E que usamos algum método anticoncepcional. Caso queiram...
- Entendi, caso queiram transar sem camisinha. E do cliente é exigido mesmo. Então, suponho que a Mary te mostrou os meus exames.
A sua voz era calma enquanto ele direcionava o seu olhar para mim. O simples fato dele estar falando de sexo comigo já me deixava estranhamente nervosa.
- Na verdade, ela mandou tudo para o meu e-mail. Eu não conferi seus exames, pois ela disse que você não queria sexo...
- E eu não quero fazer sexo com você!
Ele respondeu friamente, uma ponta de orgulho ferido me fez esquentar por completo. Mas desta vez de raiva.
- Eu também não quero fazer sexo com você.
- Ótimo, estamos entendidos. - Ele respondeu sem alguma alteração.
O telefone dele tocou e nos tirou daquele clima pesado e desconfortável. Eu tentei não prestar atenção na sua conversa. Eu respirei fundo e me concentrei na paisagem de Portofino.
Meu telefone começou a tocar insistentemente. E eu não consegui desligar. Levantei o meu olhar para Dante e ele olhou meu celular com certo ar de reprovação. Enfim, consegui desligar a chamada.
Ele seguiu falando por alguns segundos e depois desligou. Ele pegou uma grande caixa que estava entre nós e me entregou.
- Isto é para você. E seu telefone deve permanecer apenas no modo vibração. Atenda, apenas se for algo de urgência. Espero que não atenda os seus clientes enquanto estiver comigo.
As minhas mãos trêmulas abriram a caixa, enquanto o amargo descia na minha garganta. Eu já tinha sofrido algumas humilhações maiores durante o tempo que eu fazia aquele trabalho, mas algo nele me deixava extremamente sensível as suas acusações e julgamentos velados.
O que está acontecendo? Ele consegue me deixar sem jeito e extremamente irritada. Poucas horas juntos, e ele já estava me deixando desconfortável, mas do que qualquer outra pessoa já foi capaz. -Pensei.
Fiquei um tempo olhando o celular de última geração dentro da caixa. Provavelmente eu deveria devolver no final do contrato. Parecendo ler os meus pensamentos, ele falou.
- Considere um presente meu. Por você ter aceitado o meu contrato.
- Desculpe, Dante, eu não posso aceitar.
- Não gosto de ser contrariado, Karen. Além do mais, não estamos quebrando nenhuma das regras por nós estabelecidas. E você, como minha noiva, não pode usar qualquer telefone barato na frente dos meus investidores e clientes.
Eu respirei fundo novamente e tentei me acalmar. Este homem me enlouqueceria em uma semana ao seu lado. Parecia impossível isto não acontecer.
- Tudo bem, obrigada, Dante.
Ele apenas sorriu, convencido.
Quando eu terminei de transferir os meus dados para o telefone, o carro parou na frente do hotel "A Belmond." Antes que eu pudesse organizar as minhas coisas da bolsa para sair, ele já tinha saído e estava abrindo a porta para mim.
A sua mão segurou a minha e me guiou porta adentro. Fomos recepcionados e nos levaram para a Suíte Dolce Vita.
Eu tentava prestar atenção em tudo a minha volta, no estilo antigo, mas luxuoso do hotel cinco estrelas. Mas o toque da pele quente de Dante na minha mão estava me causando arrepios. Entre uma conversa dele com o recepcionista, percebi seu olhar percorrendo o meu corpo. Quando finalmente estávamos sozinhos, eu me via sem graça, um pouco perdida. Eu observava a cama King size coberta os Lençóis brancos, eu jamais tinha dormido em algo do gênero.
- Gostou da nossa cama?
A sua proximidade me fez dar um passo para trás e seu olhar se estreitou enquanto ele sorria e me observava.
- Eu...eu pensei que teria duas camas. A suíte é enorme, tem outros cômodos e não tem outra cama.
Ele se aproximou lentamente, mas desta vez não me afastei e nem desviei o meu olhar do seu.
- Somos noivos, não podemos dormir separados, mesmo que dentro deste quarto seja somente nós dois. Mesmo assim, seria fácil descobrir que você estaria dormindo em outra cama...
- Bom, eu vi que existe um grande sofá no cômodo ao lado, posso dormir ali.
- Eu te disse que não passaremos dos beijos e em público...
Claro. No contrato, ele tinha deixado claro que eu deveria ser carinhosa e aceitar seus carinhos publicamente. E eu já temia por isto. Eu me lembrava de cada linha do contrato.
Meu coração parecia descontrolado quando ele se aproximava ainda mais. Ele alisou o meu rosto e seu olhar desceu para os meus lábios.
- Deveríamos fazer o teste, temos que ser credíveis.
Ele se aproximava e eu me perdia em seu olhar. Seus lábios deslizaram lentamente em minha bochecha e ele sorriu, se afastando.
- Respira, Karen. Você quase me convenceu que realmente estava ansiosa por um beijo meu.
Cretino provocador! - Pensei comigo.
Eu apertei as minhas unhas na palma da mão e tentei disfarçar.
- Temos que ser credíveis, palavras suas.
Ele sorriu amplamente.
- Gosto disto!
- Bom, eu vou arrumar as minhas coisas no armário, se você assim me permitir.
- Eu tenho uma proposta melhor. Vou chamar a recepção e eles enviarão alguém para organizar tudo. Basta deixarmos as malas do lado que preferimos do closet. E descemos para o restaurante do hotel. Quero muito falar com você e obviamente te exibir, querida noiva.
- Tudo bem, você é quem manda.
Os olhos deles se estreitam, e ele sorriu.
- Palavras perigosas estas. Mas enfim, tomamos um banho e saímos daqui trinta minutos, tudo bem?
- Tudo bem, perfeito para mim, eu vou separar o que preciso agora, enquanto você usa o banheiro.
- Perfeito. Karen, eu quero te dizer, beba e coma o que quiser a qualquer momento. Se não encontrar no frigobar ou na pequena cozinha do quarto, ordene para que a recepção te satisfaça. Não quero que fique me esperando para pedir algo para você. Se sentir vontade de algo, apenas ordene. Você é a minha noiva, lembre-se disto. Quero você saciada e satisfeita. Entendido?
Ele realmente parecia ter optado por seguir me provocando. Mas eu não revidaria.
- Sim, obrigada.
Ele sorriu e caminhou com a sua mala de mão para o grande banheiro. Quando ele fechou a porta, eu decidi sair para o terraço.