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Noivado Desfeito, Coração Partido

Noivado Desfeito, Coração Partido

Autor:: Arcadia
Gênero: Moderno
A festa de noivado deveria ser meu coroamento. João Carlos, o imperador do Carnaval, prometeu-me o mundo, o título de Rainha da Unidos de Vila Rica. Eu, Maria, a Folha de Lótus, flutuava em um sonho de luxo e amor. Então, Sofia irrompeu, uma mulher em prantos, balbuciando sobre promessas e um filho. "Eu sou a mãe do seu filho!", ela gritava. O sorriso dele sumiu, e ele, meu noivo, rasgou o vestido dela, humilhando-a publicamente. Mas o horror apenas começara. João Carlos, então se virou para mim, seus olhos frios me analisando como se eu fosse um objeto. "Você não será mais a Rainha, o seu lugar não é no topo, você será a madrinha de bateria, um prêmio de consolação", ele cuspiu. A humilhação me atingiu como uma onda, roubando meu ar. Naquela mesma noite, ele me empurrou contra a parede e ordenou a seus seguranças: "Ela precisa aprender uma lição sobre respeito, mostrem a ela." Um tapa, seguido pela dor e pela visão turva. Sofia, a ex-noiva, se aproximou, com um falso ar de preocupação, seus olhos brilhavam de triunfo. Ela me manipulava, me vendo sofrer, e então vi, perto do olho dela... uma marca de nascença vermelha, idêntica à minha. Essa coincidência gelou minha espinha, mas a dor e a raiva eram mais fortes. Eu não precisava de sua pena. Eu era a peça principal de um sacrifício orquestrado. Eles pensaram que me quebraram, mas apenas despertaram a mulher que eu não sabia que existia. A Folha de Lótus estava morta. Maria nascia das cinzas, pronta para a guerra.

Introdução

A festa de noivado deveria ser meu coroamento.

João Carlos, o imperador do Carnaval, prometeu-me o mundo, o título de Rainha da Unidos de Vila Rica.

Eu, Maria, a Folha de Lótus, flutuava em um sonho de luxo e amor.

Então, Sofia irrompeu, uma mulher em prantos, balbuciando sobre promessas e um filho.

"Eu sou a mãe do seu filho!", ela gritava.

O sorriso dele sumiu, e ele, meu noivo, rasgou o vestido dela, humilhando-a publicamente.

Mas o horror apenas começara.

João Carlos, então se virou para mim, seus olhos frios me analisando como se eu fosse um objeto.

"Você não será mais a Rainha, o seu lugar não é no topo, você será a madrinha de bateria, um prêmio de consolação", ele cuspiu.

A humilhação me atingiu como uma onda, roubando meu ar.

Naquela mesma noite, ele me empurrou contra a parede e ordenou a seus seguranças: "Ela precisa aprender uma lição sobre respeito, mostrem a ela."

Um tapa, seguido pela dor e pela visão turva.

Sofia, a ex-noiva, se aproximou, com um falso ar de preocupação, seus olhos brilhavam de triunfo.

Ela me manipulava, me vendo sofrer, e então vi, perto do olho dela... uma marca de nascença vermelha, idêntica à minha.

Essa coincidência gelou minha espinha, mas a dor e a raiva eram mais fortes.

Eu não precisava de sua pena.

Eu era a peça principal de um sacrifício orquestrado.

Eles pensaram que me quebraram, mas apenas despertaram a mulher que eu não sabia que existia.

A Folha de Lótus estava morta.

Maria nascia das cinzas, pronta para a guerra.

Capítulo 1

A festa de noivado era o evento do ano, e eu, Maria, era o centro de tudo, a futura esposa de João Carlos, o empresário mais poderoso do carnaval carioca.

Ele me prometeu o mundo, me prometeu o título de "Rainha do Carnaval" de sua escola de samba, a Unidos de Vila Rica.

Eu, que antes era apenas "Folha de Lótus", uma passista talentosa, acreditei em cada palavra.

O salão de festas da sede da escola estava lotado, a música da bateria enchia o ar e o champanhe corria solto, todos me olhavam com uma mistura de admiração e inveja, eu usava um vestido branco, deslumbrante, um presente de João Carlos, um símbolo da promessa que ele me fez.

Ele pegou o microfone, o sorriso largo no rosto, e o salão ficou em silêncio, todos esperando o anúncio oficial do nosso noivado.

"Meus amigos, minha família da Vila Rica," ele começou, a voz ressoando pelo salão, "hoje é uma noite especial, a noite em que apresento a vocês a minha futura esposa, a próxima rainha da nossa escola, Maria!"

Os aplausos explodiram, e eu sorri, sentindo meu coração bater forte de felicidade, ele me puxou para perto, beijou minha testa e eu senti o cheiro do seu perfume caro, o cheiro do poder.

Foi nesse exato momento que a porta do salão se abriu com força.

Uma mulher entrou, caminhando com uma determinação que calou a todos, era Sofia, a ex-noiva de João Carlos, todos sabiam quem ela era.

"João Carlos," a voz dela era um lamento, cheia de lágrimas, "como você pôde fazer isso comigo? Você me prometeu, você disse que me amava."

João Carlos soltou minha mão, seu rosto se transformou, o sorriso desapareceu, substituído por uma máscara de fúria fria.

Ele caminhou lentamente até Sofia, o silêncio no salão era tão denso que se podia ouvir a respiração de cada um.

"Sofia," ele disse, a voz baixa e perigosa, "o que você está fazendo aqui? Você não é bem-vinda."

"Eu vim buscar o que é meu," ela choramingou, apontando para mim, "essa mulher roubou meu lugar, eu sou sua noiva, a mãe do seu filho."

O salão inteiro prendeu a respiração, eu senti o chão desaparecer sob meus pés, filho? Que filho?

João Carlos riu, uma risada curta e sem humor.

"Você é uma mentirosa, Sofia, e agora, todos vão saber a verdade."

Ele agarrou a alça do vestido dela, um vestido caro, elegante, e com um puxão violento, rasgou o tecido, expondo a lingerie dela para centenas de pessoas.

Sofia gritou, um grito de humilhação pura.

"Ajoelhe-se," ele ordenou, a voz como um chicote.

Ela hesitou, mas o olhar dele a fez obedecer, ela caiu de joelhos no chão, soluçando.

Ele se virou para a multidão chocada, o microfone ainda na mão.

"Esta mulher não é nada, ela tentou me enganar, mas eu não sou um tolo."

Então, ele se virou para mim, seus olhos frios me analisando como se eu fosse um objeto.

"E você, Maria," ele disse, a voz cheia de desprezo, "você não será mais a Rainha, o seu lugar não é no topo."

Ele caminhou até mim, seu rosto a centímetros do meu, eu podia sentir o ódio emanando dele.

"Você já está acostumada com o show business, não é? Não vai se importar, a partir de hoje, você será a madrinha de bateria, um prêmio de consolação."

A humilhação me atingiu como uma onda, roubando meu ar, de noiva e rainha a madrinha de bateria, um rebaixamento público, uma bofetada na cara na frente de todos que me admiravam.

As pessoas começaram a cochichar, os olhares de admiração se transformaram em pena e zombaria.

Eu olhei para João Carlos, o homem que eu amava, e vi um monstro.

Mas eu não chorei, não gritei, eu apenas assenti com a cabeça, uma aceitação fria tomando conta de mim.

Ele sorriu, satisfeito com minha submissão.

"Ótimo, agora saia da minha frente."

Eu me virei e caminhei para fora do palco, cada passo uma tortura, sentindo os olhares em minhas costas.

Enquanto eu passava, Sofia, ainda de joelhos, levantou a cabeça, os olhos vermelhos de choro, ela me olhou e, por um instante, eu vi um brilho de triunfo em seu olhar.

Naquele momento, eu entendi, aquilo tudo era um teatro, e eu era a peça principal do sacrifício.

Mais tarde, naquela mesma noite, a festa continuou, mas a alegria tinha desaparecido, o ar estava pesado.

Eu estava em um canto, tentando ser invisível, quando João Carlos se aproximou, o cheiro de álcool forte em seu hálito.

"O que é essa roupa ridícula que você está usando?", ele cuspiu as palavras, olhando para o meu vestido agora manchado de champanhe. "E essa sua voz, sempre tão irritante, cale a boca e fique quieta no seu canto."

Eu não tinha dito uma palavra.

Ele me agarrou pelo braço, a força dele me machucando, "Você me entendeu? Você é a madrinha de bateria agora, comporte-se como tal."

"Sim, João Carlos," eu sussurrei, a voz trêmula.

Ele me empurrou contra a parede, dois de seus seguranças se aproximaram, com olhares vazios.

"Ela precisa aprender uma lição sobre respeito," João Carlos disse a eles, "mostrem a ela."

Um dos seguranças me segurou enquanto o outro me deu um tapa no rosto, a dor foi aguda, mas a humilhação foi pior.

"Isso é para você aprender o seu lugar," João Carlos disse, antes de se virar e ir embora, como se nada tivesse acontecido.

Sofia se aproximou, o rosto agora composto, um falso ar de preocupação.

"Maria, meu Deus, você está bem?", ela disse, a voz suave como seda. "Eu não queria que isso acontecesse, eu só queria o que é meu por direito."

Ela tentou tocar meu rosto, mas eu recuei.

"Não me toque," eu disse, a voz fria como gelo.

"Coitadinha," ela continuou, ignorando minha recusa, "você não entende, João Carlos é um homem complicado, você precisa ser forte."

Ela estava fingindo compaixão, mas seus olhos diziam outra coisa, ela estava se deliciando com a minha dor, manipulando a situação para me ver sofrer ainda mais.

Eu olhei para ela, a mulher que tinha orquestrado minha queda, e vi uma marca de nascença vermelha perto do seu olho direito, exatamente como a minha.

Naquele instante, um calafrio percorreu minha espinha, mas a dor e a raiva eram mais fortes.

"Eu não preciso da sua pena," eu disse, olhando diretamente em seus olhos.

Ela sorriu, um sorriso sutil e venenoso.

"Veremos."

Naquela noite, a dor da traição se misturou com a humilhação física, mas por baixo de tudo isso, uma semente de vingança começou a brotar.

Eu aceitei meu destino, mas apenas na superfície, secretamente, meu plano já estava em andamento.

João Carlos e Sofia pensavam que tinham me quebrado, mas eles apenas despertaram a mulher que eu não sabia que existia.

A Folha de Lótus estava morta, e Maria estava nascendo das cinzas, pronta para a guerra.

Capítulo 2

Os dias que se seguiram foram um inferno constante, João Carlos parecia ter um prazer sádico em me humilhar.

A preparação para o desfile de carnaval estava a todo vapor, e eu, como madrinha de bateria, era forçada a participar de todos os ensaios.

"Essa roupa está horrível, Maria! Você parece uma prostituta barata!", ele gritava na frente de toda a bateria.

"Sua voz me irrita! Cante mais baixo! Ou melhor, não cante!", ele ordenava durante os ensaios de samba-enredo.

Cada palavra era um golpe, mas eu suportava em silêncio, meu rosto uma máscara de indiferença.

Sofia estava sempre por perto, fingindo me consolar.

"Não ligue para ele, Maria. Ele só está estressado," ela dizia, colocando a mão no meu ombro. "Por que você não tenta usar algo mais... discreto? Talvez ele te deixe em paz."

Seus conselhos eram veneno disfarçado de mel, cada sugestão era calculada para me fazer parecer pior, para me colocar em situações ainda mais humilhantes.

A noite do desfile técnico na avenida se aproximava, e o plano de João Carlos para mim era a crueldade final.

"Você não vai desfilar no chão, Maria," ele anunciou em uma reunião. "Você vai em um carro alegórico."

Um murmúrio percorreu a sala, desfilar em um carro alegórico era uma honra, mas eu sabia que com João Carlos, havia uma armadilha.

"Você será o destaque do carro 'O Sacrifício da Inocência' ," ele continuou, um sorriso cruel nos lábios. "Amarrada e amordaçada, representando a pureza subjugada pelo pecado."

O choque foi geral, até mesmo alguns de seus diretores mais leais pareceram desconfortáveis.

Sofia, no entanto, aplaudiu a ideia.

"Que genial, meu amor! Uma metáfora poderosa! Maria ficará perfeita nesse papel."

Eu senti meu estômago revirar, era a humilhação suprema, ser exibida como um animal enjaulado para toda a cidade ver.

"Eu não vou fazer isso," eu disse, a voz baixa, mas firme.

Foi a primeira vez que eu o desafiei abertamente.

A sala ficou em silêncio, João Carlos me olhou, surpreso por um momento, antes de sua expressão se fechar em pura raiva.

Ele riu, uma risada que gelou o sangue de todos.

"Você não vai? Ah, você vai sim, Maria," ele disse, se levantando e caminhando até mim. "Você não tem escolha."

Ele agarrou meu queixo com força, me forçando a olhá-lo nos olhos.

"Você pertence a mim, à minha escola, você fará exatamente o que eu mandar."

Sofia se aproximou, o rosto cheio de uma falsa preocupação.

"João Carlos, querido, não seja tão duro com ela," ela disse, acariciando o braço dele. "Maria, pense na escola, é pela arte, pelo espetáculo, você é uma artista, vai entender."

Ela então se virou para mim, a voz um sussurro venenoso que só eu podia ouvir.

"É melhor você aceitar, querida, ou as coisas podem ficar muito piores para você."

Naquela noite, eles me levaram para o barracão onde o carro alegórico estava sendo finalizado.

Dois seguranças me arrastaram, ignorando meus protestos.

Eles me forçaram a vestir um traje branco, simples e fino, e então me amarraram a uma estrutura no centro do carro, as cordas apertadas, cortando minha pele.

Uma mordaça foi colocada em minha boca, silenciando meus gritos.

O carro alegórico foi levado para a rua, onde uma pequena multidão já se reunia para ver os preparativos.

As pessoas apontavam, riam, tiravam fotos, eu era um espetáculo grotesco, um objeto de zombaria.

O trajeto até a sede da escola de samba foi a jornada mais longa da minha vida, o carro balançava, me jogando de um lado para o outro.

Sofia caminhava ao lado do carro, acenando para a multidão, sorrindo como se fosse a estrela do show.

De vez em quando, ela se aproximava de mim.

"Está confortável, Maria? Espero que sim, a vista daqui de baixo é ótima," ela zombava.

"Você está chorando? Que pena, a maquiagem vai borrar toda," ela dizia, fingindo limpar uma lágrima imaginária do meu rosto.

Eu fechei meus olhos, tentando me desligar do mundo, da humilhação, da dor física.

Meu corpo estava exausto, meus pulsos e tornozelos sangravam por causa das cordas.

Quando finalmente chegamos à sede da escola, eu mal conseguia me manter consciente.

Eles me desamarraram e me jogaram no chão do pátio como um saco de lixo.

Eu estava fraca, desidratada, meu corpo todo doía.

Eu olhei para o prédio da escola, o lugar onde eu vivi tantos sonhos, o lugar onde conheci João Carlos.

Uma vez, ele me carregou nos braços por este mesmo pátio, depois de um ensaio exaustivo, ele me beijou sob a luz da lua e prometeu que faríamos da Vila Rica a maior escola de samba de todos os tempos.

A lembrança agora parecia uma piada cruel, uma mentira que eu tinha engolido com tanta vontade.

Aquele amor, aquela promessa, tudo era falso, uma ilusão criada para me usar e me descartar.

Sofia se agachou na minha frente, seu rosto uma máscara de triunfo.

"Parece que você não está aguentando o show, Folha de Lótus," ela sussurrou, o veneno em sua voz mais evidente do que nunca. "Você é fraca, sempre foi."

Ela agarrou meu cabelo, forçando minha cabeça para cima.

"João Carlos está muito decepcionado com você, ele achava que você era mais forte."

De repente, ela fez uma careta e colocou a mão na barriga.

"Ai," ela gemeu, "acho que o bebê está agitado, ele deve estar sentindo a energia negativa."

Naquele momento, enquanto ela se exibia com sua gravidez, algo clicou na minha mente, a forma como ela se movia, a maneira como ela falava sobre a gravidez, parecia... ensaiado.

Uma suspeita terrível começou a se formar.

Sofia se levantou, mas tropeçou em seus próprios pés, encenando uma queda dramática.

"Ai! Minha barriga! Maria me empurrou!", ela gritou, apontando para mim.

Foi a mentira mais descarada e absurda, eu mal conseguia me mover, muito menos empurrar alguém.

Mas João Carlos, que observava de longe, correu na direção dela, o pânico estampado em seu rosto.

A armadilha estava montada, e eu tinha acabado de cair nela.

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