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Noivo de Aluguel

Noivo de Aluguel

Autor:: Lady Darkness
Gênero: Romance
Evelyn Lawrance é uma renomada estilista, dona da marca exclusiva de roupas a "The Lawrance's" e da loja/ateliê a "Compouser Lawrance's", é considerada pelos funcionários como apreciadora da sutileza da moda, visionária e talentosa em suas criações, vestindo ao longo dos anos celebridades e artistas. Há um ano é também consultora de moda em uma coluna na revista "Vogue" chamada "Compouser: a arte de se vestir." Sua vida parecia perfeita até descobrir que o homem que dizia ama-la a enganava de vil, a ludibriava todo esse tempo. Após o desastre de sua vida amorosa resolve focar apenas no trabalho. Em meio a alta procura na sua empresa por consultoria devido ao eventos da moda mais badalado o New York Fashion Week, realizando seu sonho de estrear no evento apresentando uma coleção de sua autoria da moda primavera verão. Mas não contava com um pequeno detalhe, o evento era em prol da Família, o convite era destinado a um casal, ou seja, a mentirinha sobre estar noiva renderia muita dor de cabeça. Agora ela precisa correr contra o tempo e achar um noivo convincente que aceite fingir ser apaixonado por ela, nem que precise pagar por isso. Roger Campbell é um advogado corporativo com uma cartela de clientes extensa da elite de Manhattan, trabalha em uma grande firma "Kesslers e Associados" de Nova York. O tipo de homem que não foge de uma aposta, quando descobre que Ste a mulher do seu melhor amigo está gravida ele a convence a apostar se seria um menino ou uma menina, como Will tem uma filha ele está crente que será mais uma menina linda em sua vida, mais uma afilhada para mimar. Mas ele não contava que perderia a aposta e teria que fazer tudo que Ste quisesse por um ano, ele já mais imaginara onde essa aposta iria levá-lo!!!!!

Capítulo 1 One

Stephany Miller

A ansiedade tomava conta de mim desde o momento que descobri que estava grávida do meu primeiro filho e sinto aquele friozinho na barriga que representa o medo por não saber se serei uma boa mãe.

A notícia veio em um momento maravilhoso para nós e não me arrependo de tudo que vivemos e aonde chegamos, confesso que cada dia me vejo mais apaixonada por meu marido.

Will está com os dedos entrelaçados aos meus, esperando a obstetra nos chamar. Nem eu ou ele temos preferência se é menino ou menina e embora minha sogra e até minha mãe digam que é uma menina, ainda tenho aquela pontinha de esperança que seja menino.

Meu marido até insinuou que se não for uma menina podemos tentar mais um pouco ou até mesmo adotar uma menina, mas sei que se adotarmos, meu marido irá se empolgar.

Meus sogros receberam a notícia com muita felicidade e já prometeram que vão mimar demais o netinho ou netinha. Mal entrei no quarto mês de gestão e já querem planejar todo o quarto do bebê sem ao menos saber o sexo. Acredito que ele ou ela quer que seja uma surpresa, porque a cada ultrassom que faço, ele esconde de nós.

Meu marido está radiante com a ideia de ser pai mais uma vez e nosso casamento é regado de amor e felicidade. Will está se saindo muito melhor do que imaginei que seria como bom marido e pai.

Mariana veio morar conosco assim que voltamos da lua de mel, somos amigas e ela me chama de mãe, o que me deixa feliz. Sem contar sua empolgação em ganhar uma irmãzinha e não sei como dizer que pode não vir o que ela tanto deseja.

Mas a empolgação maior é do padrinho, aceitei a ideia do Will em chamar Roger para ser padrinho, embora ele seja nada comum é um homem maravilhoso que faz de tudo pela afilhada e sei que será um bom padrinho para o nosso filho.

Neste momento, ele está na nossa casa esperando que dê a notícia sobre o sexo do bebê. Há duas semanas ele chegou em casa com um ursinho de pelúcia vestido de fada, mesmo eu tendo avisado que ainda não sabíamos o sexo.

Me lembro bem do dia.

***

Reviro os olhos ao ver aquele presente, isso só colocaria mais ideia na cabeça de Mari.

E se não vier o que ela tanto deseja?

Mesmo não sendo capaz de impedir que ela fique triste, sei que irá entender.

A mãe dela já avisou que se depender dela não terá mais filhos, porque nunca estragaria o corpo por causa de um filho, o que deixou Mari desolada e isso me aborrece.

Por que que uma mãe pensa assim dos filhos?

- É lindo, Roger, mas já avisei inúmeras vezes que ainda não sabemos se é menina!

Ele dá de ombros enquanto abro a porta.

Mariana vêm correndo o abraçar e o vejo rodopiar a menina no ar, não posso negar que mesmo sendo um safado, será um bom pai.

- Mas, eu sou o padrinho vidente e não erro nunca! - se gaba, o que só durou até Will entrar na sala e ir até seu amigo.

- Que mentira deslavada, Roger! Sabemos muito bem que você erra tudo que diz ter certeza!

Eles se cumprimentam.

Will vem em minha direção e beija meus lábios.

- E se o amor da minha vida disser que não é para fazer alarde, você deve obedecer.

Roger faz uma careta e começamos a rir.

- Mari, porque não leva o tio Roger para ver sua nova coleção de boneca enquanto preparamos um delicioso café. - Mal termino a frase e ela o arrasta em direção a escada.

- Conheço este olhar, meu amor, mas você sabe como ele é!

Entrelaçamos nossos dedos e vamos até a cozinha. Maria estava de folga e iria preparar algo para nós.

- Sim, mas fica colocando ideias na cabeça da Mari. Já pensou se não for uma menina, o que vamos fazer? Não quero magoar minha doce menina - digo me desvencilhando dele, indo pegar o suco e depois as frutas. - Pegue os pães, a torta e as torradas, irei pegar algo para passar no pão e depois me ajude a pegar os talheres, pratos e copos.

Will vem até a geladeira onde estava e retira gentilmente a jarra da minha mão.

- Você está muito mandona, mas já disse que não pode carregar peso e nem se estressar. Irei falar com Roger, mas até lá irá se sentar naquela cadeira enquanto arrumo tudo. - Beija meus lábios.

Sei que seu cuidado é zelo, medo que algo aconteça comigo ou com o bebê, o tornando protetor demais.

Respiro fundo, vou até a cadeira, me sento e fico vendo-o preparar tudo.

- Quanto a decepcionar Mari, não acredito que seja possível, ela quer tanto uma criança que não vai se importar se será menino ou menina e se for o caso podemos adotar duas meninas.

Arregalo os olhos com sua decisão, pois sei que ele o fará só para ver sua filha feliz e será uma grande responsabilidade adotar.

- Duas? Não acha que está exagerando um pouco?

Ele nega balançando a cabeça.

- Quanto a adotar, não tenho nada contra, mas vamos com calma, meu amor, é muita responsabilidade ter mais um filho, sendo que o nosso nem veio ao mundo ainda.

Will termina de cortar os pães e os coloca no prato.

- Sim, será, mas vamos pensar nisso quando descobrirmos o sexo do bebê!

Will findava a discussão e mesmo que possa falar algo, ele não iria mudar de ideia. Confesso que a ideia é tentadora, afinal podemos adotar e dar amor e tudo que as crianças precisam.

***

Voltamos para a sala e me sento na cadeira esperando que eles desçam.

Algum tempo depois eles descem e se sentam comigo.

Naquele momento, entendi que nada faria Roger mudar de ideia, então haveria apenas uma solução que faria com que tudo mudasse e ele parasse de pôr ideias na cabecinha da minha menina.

Sirvo suco para Mari e um pedaço de pão.

- Mamãe, eu quero muito uma irmãzinha, mas se vier um menino eu irei amá-lo do mesmo modo!

Sorrio docemente com sua resposta e sei que ela o amará, sim, mas temo que seja decepcionante ainda mais após a mãe dela dizer que jamais dará um irmão a ela.

- Eu sei, meu anjo, nunca duvidei da menina maravilhosa que tenho! - Olho para Roger e tento fazê-lo parar com isso. - Você diz que é uma menina, mas não sabemos ainda e daqui duas semanas teremos uma consulta. Quem sabe eu descubro o sexo do bebê, mas até lá estará proibido falar o que será ou não...

- Por quê? Está com medo de eu estar certo?

- Está confiante demais para o meu gosto!

Roger sorri maliciosamente como se tivesse algo em mente.

- Estou sim, tanto que para acabar com isso proponho uma trégua, não quero que meu amigo me mate por estressar sua esposa grávida.

Isso era verdade e ele sabe, ainda mais depois de Will olhar feio para ele.

- Então sugiro uma aposta, se for uma menina você me deixará mimá-la com tudo que o padrinho dela tem direito.

- Agora se for um menino, você fará tudo que eu quiser por um ano e eu já tenho o que quero em mente.

Já faz um tempo que desejo expandir os negócios, Will me ajudou e muito com as mídias. Agora havia solicitações de várias mulheres que queria começar com o ramo de acompanhantes homens e Roger é apropriado em todos os quesitos.

- Devo lembrar a senhora Blackwell que é uma mulher casada e muito bem-casada!

Reviro os olhos com seu comentário.

- Não é nada disso, se ele perder será treinado por mim e por meus associados a ser um bom funcionário.

Havíamos decidido que não contaríamos a Mariana sobre algumas coisas da minha profissão até pelo menos ela ter idade suficiente.

- Você está maluca, Ste?

Observo que Roger quase se engasga com a minha ideia e começo a rir da sua reação.

- Está com medo de perder?

A sua pose de perplexo muda e ele se torna o macho alfa que não gosta de ser chamado de medroso.

- Nem um pouco, apostado e espero que saiba perder!

Começamos a rir e Mari encarava o padrinho.

- Dindo, acho que você está lascado!

O riso rolou solto naquele momento e embora não tivesse a ideia de apostar, ela veio em uma boa hora.

.

Os pensamentos daquela tarde se esvaem quando a secretária nos chama dizendo que é a nossa vez, ela nos leva para o consultório e fecha a porta ao sair. Apertamos a mão da doutora Melanye e ela me entrega a roupa para trocar, pois faltava pouco para saber como meu bebê estava.

Vou até o banheiro, me troco, saio em direção a maca e me deitei com a ajuda de Will.

- Em todos meus anos de obstetra nunca vi um pai tão zeloso e amoroso que vem em todas as consultas!

A doutora parecia orgulhosa e sorrio para Will.

- É meu segundo filho e estou empolgado demais!

A doutora se senta ao meu lado, eleva a camisa rosa, passa o gel gelado no meu ventre e aquele arrepio transpassa meu corpo. Logo ela coloca o aparelho e olho para a tela vendo meu bebê.

- Ali está o bebê, ele está crescendo com saúde conforme os seus exames. Quer ouvir os batimentos?

Balanço a cabeça e mal posso conter as lágrimas que começam a rolar.

O som do coração do bebê pulsando ecoa pela sala, Will entrelaça nossos dedos e os leva até os lábios os beijando.

- Nosso bebê é lindo, meu amor!

Will está tão emocionado quanto eu e a doutora começa a explicar tudo que precisamos saber sobre a entrada do segundo semestre de gestação, inclusive tudo que devo comer e fazer.

- Bom, agora vamos tentar ver se hoje ele nos revela se é um menino ou uma menina?

Mordo o lábio, não importa o que venha, sendo repleto de saúde já será o suficiente.

- Sim, queremos e falo mais por meu marido, já que ele já está empolgado em começar a preparar o quarto do bebê!

A doutora sorri e começa a alisar o aparelho no meu ventre.

Após algum tempo olhando para a tela diz:

- Vocês estão com sorte, ele tirou as mãozinhas da frente e posso dizer que vocês terão um lindo menino!

Will segura firme minha mão e agradece.

- Meu amor, será um menino!

Mordo o lábio e mal contenho a alegria de saber que agora somos uma família completa.

A doutora me libera para me vestir e após me dar as receitas saímos do consultório. Iriamos para casa, mas antes preciso comprar algo tendo em vista que Roger está na nossa casa com Mari, ansioso para saber se acertou.

Na loja de bebês compro um lindo body escrito "Sou o principezinho do padrinho", nada melhor que um presente para revelar que será um menino, mas pedi que embrulhassem em papel rosa para deixar Roger bem feliz antes de ver o presente real.

Nos últimos dias conversei com Will sobre a possibilidade de adotar uma menina, agora que sei que teremos um menino, quero mais uma menina na nossa vida e não me importa como ela seja, desde que possamos dar todo o amor do mundo.

Saímos da loja e quando entramos em casa vejo os dois de pé aguardando a notícia. Nada digo, apenas estendo o presente a Roger, que já fica todo convencido que será uma menina, mas após abrir o pacote e ver que será um menino, ele sorri feliz.

- VOU SER PADRINHO DE UM MENINO! - grita feliz e puxa Will para um abraço, enquanto Mari vem até mim e me abraça dizendo:

- Eu já te amo muito e serei a melhor irmã do mundo. Ajudarei em tudo!

Meus olhos enchem de lágrima e abraço minha filha.

- Oh, meu amor, eu sei que vai! - Volto minha atenção a Roger e concluo: - Você começa na agência na segunda-feira e me diga o melhor horário, pois será um treinamento muito longo...

Começamos a rir.

Roger vem até mim e me abraça.

- Com muito orgulho farei, eu sei ganhar assim como sei perder, mas já aviso que vou mimar muito meu afilhado e claro minha afilhada igualmente, porque mesmo não sendo uma menina eu já o amo como se fosse meu filho.

Vamos para a mesa comemorar, mais tarde irei conversar com Mari sobre a ideia de adotar uma menina e ver o que ela me diz.

Agora sim posso dizer de boca cheia que minha família está completa.

Capítulo 2 Dois

Evelyn Lawrance

Sou filha única, e claro, o orgulho dos meus pais. Minha mãe não podia ter filhos e sempre me conta que ao me verem no berço do orfanato se apaixonaram por mim imediatamente.

Tive uma sorte muito grande por tê-los como pais e nunca me senti adotada e, sim, filha legítima com todo o amor que recebi.

Meu pai me contou que fui abandonada no hospital, após ganhar peso fui parar na adoção e por fim nos braços carinhosos dos meus pais. Desde pequena sentia que era diferente e mesmo meus pais não podendo me proporcionar o futuro que não tiveram, deram muito duro. Enquanto alguns pais sonham que seus filhos sejam médicos, advogados e até mesmo empresários, meus pais sempre me incentivaram a buscar meus sonhos e se fosse atrás deles que eu fosse a melhor. Só entendi o que eles fizeram por mim quando alcancei tudo que sonhei.

Hoje, me olho no espelho e vejo a mulher que me tornei.

Sou bem-sucedida na carreira que escolhi e com muito esforço e apoio da minha grande amiga, Sam, consegui abrir minha própria empresa dedicada à moda e meu intuito é a acessibilidade a se vestir bem.

A moda é uma arte onde precisamos avaliar tudo antes de nos vestir, desde a ocasião, a maquiagem, os acessórios, até mesmo as variáveis e acreditem sou a melhor no que faço.

Me tornei uma grande estilista, tanto que conseguiu ter meu nome vinculado em várias colunas sociais, sendo requisitada em grandes eventos por várias socialites e celebridades.

Comecei com um pequeno ateliê e três anos depois já possuía minha própria loja onde vendíamos peças exclusivas. Criei então minha própria marca que leva o sobrenome da minha família e isso me deixa orgulhosa, além de possuir um ateliê enorme e muita área para confecção das peças.

Minha vida particular acabou sendo esquecida pela busca dos meus sonhos, não havia encontrado nenhum homem que havia me balançado a ponto de me apaixonar e entregar meu bem mais precioso.

Sim, sou meio reservada quanto a isso e acredito que a virgindade deve ser perdida com alguém que se ame verdadeiramente.

Só que tudo mudou há um ano e meio quando conheci o homem que sou completamente apaixonada.

Ele entrou na loja procurando algo para sua mãe e soube naquele dia que era ele.

Hoje sei que ele me ama assim como o amo...

Quando avançamos o namoro, avisei que comigo era sério, ou namorávamos e em breve nos casaríamos ou não teríamos nada. Ele me respeitou naquele momento e disse que apenas me esperaria, se era isso que desejava. Aquela foi a prova de amor mais linda que tive e me entreguei de corpo e alma, porque sei que logo ele irá me pedir em casamento, só não fez ainda porque sua mãe é uma senhora com a saúde frágil e ele quer ter certeza de que ela está bem para poder comemorar junto com a gente.

Meu devaneio é quebrado quando ouço batidas, olho pelo vidro, vejo Sam eufórica acenando para mim e faço um gesto para que entre.

Logo ela abre a porta com seu jeito espontâneo e alegre de ser.

- Boa tarde, Evy, está pronta?

Olho sem entender e pergunto:

- Pronta para o que?

Ela fecha a porta e vêm até mim.

- Você aceitou ir comigo ao evento da família Gardner, a filha deles está noiva e irá se casar em breve. - Faz uma pausa e sorri docemente para mim. - Como já havíamos combinado, você iria me acompanhar porque o meu lindo maridinho está em campanha e prometi a ela que iria levar a melhor estilista que conheço - diz eufórica e me levanto rapidamente a abraçando.

- A família Gardner é muito influente, se vestir a filha deles, meu nome será visto em todos os jornais e revistas e isso me dará o passe para o "New York Fashion Week". - Dou um gritinho me imaginando nas passarelas com meus modelos exclusivos. - Mas não tenho horário em nenhum salão! - exclamo me sentindo triste porque eventos a noite precisam de um bom maquiador e um bom cabeleireiro.

- Eu sabia que iria esquecer, então marquei para nós duas e sugiro irmos agora para dar tempo de fazer tudo!

Sam se adianta pegando a minha bolsa e segura minha mão para me arrastar até o ateliê.

Meu ateliê é um lugar bem decorado para que nossas clientes se sintam bem atendidas. Tenho doze costureiras e um stylist que nos ajuda a criar modelos incríveis e únicos.

Sam, me guiou até seu vestido que estava pendurado e bem embalado, mesmo ela me falando sobre isso todos os dias, acabei esquecendo que era hoje.

- O vestido ficou deslumbrante, Evy, quero saber qual será o seu. - Seus olhos brilham e nego balançando a cabeça.

- Só irá saber quando for se arrumar lá em casa, vamos ficar linda e se tudo der certo ainda poderei ser a escolhida.

Pegamos nossos vestidos e acessórios, e saímos em direção ao salão que com toda certeza deveria ser somente da elite, já que Samantha não frequentava qualquer lugar.

***

Após nossa tarde de beleza, fomos para minha casa colocar os vestidos e os sapatos.

Após me olhar pela quarta vez no espelho me sentia linda e pronta para não perder a chance de conquistar a chance da minha vida. Estava confiante com aquele belíssimo vestido em uma tonalidade verde todo bordado, com uma fenda generosa que me deixava mais sensual, mas o maior diferencial é que além de desenhar, eu mesma confeccionei.

- Sam! - chamo sua atenção. - Você está deslumbrante nesse vestido em tonalidade prateada com vários diamantes, como disse essa cor combina e muito com você!

Ela sorri ajeitando o brinco.

Embora ela seja esposa de um renomado senador, não era como as outras, havia doçura e bondade junto com muita força, ainda mais por ser tão ousada e destemida.

- Pedi ao motorista para vir nos buscar, ele já está lá embaixo então sugiro que pegue a bolsa. Vamos!

Estava ansiosa e nervosa por este momento.

Pegamos as bolsas e descemos até o carro. O motorista abriu a porta para que entrássemos, e por mais que ela estivesse acostumada eu não estava.

Fomos conversando todo o caminho até a festa, Sam foi me contando como a princesinha da família é famosa, voltou recentemente após seu sucesso no cinema e seria anunciado seu noivado hoje para toda a sociedade.

Queria tanto que meu conto de fadas tivesse esse momento.

Quando chegamos a porta se abre e flashes são disparados à medida que entramos no evento. Havia inúmeras pessoas ali e combinei com Sam que ela me apresentaria a senhorita Gardner, afinal não podemos chegar a um evento sem o mínimo de decoro com os demais, antes de ir com sede ao pote de ouro.

Entramos no salão e pude notar como ele estava bem decorado, desde as janelas com cortinas de seda com fios de ouro até as mesas com uma toalha branca, todos os talheres a serem usados, e claro, um jarro de flores bem ornado com uma fita dourada. Tudo resplandecia luxo, mas era por uma boa causa, segundo as fofocas era para um centro hospitalar dedicado as crianças.

- Sam, querida, que bom que pode vir a este evento.

Uma moça veio cumprimentá-la, beijou seu rosto e percebi que seu olhar demorou demais no vestido. Sei quando apreciam meus modelos e ela estava visivelmente encantada.

- Quem foi a diva que te vestiu? - pergunta curiosa e Sam me olha sorridente.

- Minha estilista exclusiva, com ela nada tem parecido ou igual! - Aponta para mim. - Esta é Evelyn, dona do The Lawrance's.

Os olhos da moça brilham de tal forma, que ignorou a mão que eu havia estendido e foi logo para o abraço.

- Aí, meu Deus! É a própria diva em pessoa! - Ela se afasta.

Sorrio, pois é bom sentir seu trabalho ser reconhecido.

- Sim, Sam é uma exagerada, mas adoro criar conteúdo exclusivos para as clientes.

Ela pisca para mim.

- Quero seu cartão para poder já marcar um horário, quero algo exclusivo para usar no casamento da Fran!

Logo já estava sendo apresentada a todas as socialites que ficaram encantadas com minhas criações e se todas que pediram meu cartão pedissem um vestido para o tal casamento seria bem divulgada nos eventos.

Após ser arrastada de um lado para o outro finalmente o evento iniciava, amava esse tipo de evento porque era possível analisar cada roupa e saber quem foi que vestiu cada pessoa. A anfitriã apresentava os bem feitores da noite e já diziam que logo teriam os lances do leilão.

Nunca fui rica, minha família sempre foi humilde, somente recentemente com meu sucesso pude ajudar meus pais e me dar o luxo de ter algumas coisas que nunca tive.

- Evy.

Sam me chama e volto a atenção a ela.

- Após o jantar vamos buscar a sobremesa naquela mesa e lá a mãe da Fran irá apresentar a noiva, não me decepcione mocinha, pois é sua chance. É como ganhar o bilhete dourado do Willy Wonka! - Sorri.

Me sinto confiante com meu trabalho, mas isso não me impede de estar nervosa.

- Eu quero esse bilhete, não sei se o terei, mas farei por merecer porque confio no meu trabalho!

Sam bate palmas para mim.

Voltamos nossa atenção ao jantar, era servido primeiro a salada, depois teríamos cordeiro ao molho, uma carne da nossa escolha e pôr fim a deliciosa sobremesa.

Os ricos sabem dar uma festa com classe e elegância!

Tudo estava divino desde o sabor até a textura de cada prato, quando começamos a ir nestes eventos precisamos aprender que cada coisa tem seu papel, desde os garfos até as taças diferentes.

Quando Sam terminou o jantar dela, pegou o prato e fez sinal para que a acompanhasse. Nos aproximamos e a mãe de Fran vem em nossa direção trazendo a filha acompanhada por uma senhora que me olhava com muita curiosidade.

- Boa noite, senhora Gardner! - Sam tomava a dianteira para que a mãe de Fran nos apresentasse, a esposa do senador é uma mulher de respeito e opinião marcante. - Essa é a moça que falei, é o anjo que faz todas minhas roupas de todos os eventos e ela nunca deixa de me surpreender!

- Boa noite, sou Evelyn, dona do The Lawrance's, a estilista que faz as criações, sem contar que tenho um time de vários estilistas e um stylist que me ajuda a definir cada detalhe das peças que é claro são únicas.

Mal falei meu nome e Francine passou pela mãe estendendo a mão me cumprimentando.

- Ai, meu Deus, você é a Evy uma das melhores estilistas da moda. Ouvi tanto falar de você, minhas amigas e colegas de trabalho do cinema só falam de você!

Sorri pela forma como ela me conhecia, afinal era um ponto positivo para mim.

- Nem preciso pensar duas vezes, você é a estilista certa para fazer meu vestido! - Dá um gritinho e posso ver que a senhora atrás dela não aprova sua atitude.

- Olha os modos, minha doce nora!

Francine revira os olhos e a ignora.

- Bom, quero algo exclusivo e elegante ao mesmo tempo, nada muito aberto e nem muito fechado. Tem que ser algo sutil que se encaixa com meu estilo.

Sorrio para ela e digo:

- Será um prazer fazer seu vestido, posso garantir que será único e...

A sogra interrompe minha fala sem nenhuma delicadeza, mostrando todo seu veneno, é claro. Mal a conheço, não gostei dela e sei que é recíproco, mas ainda não sei o motivo, afinal, nunca a vi antes.

- Você vai se dedicar e muito para fazer este vestido, mas também quero que vista o noivo e que eles sejam o casal mais lindo do mundo. Quero profissionalismo da sua parte e não seja como as oferecidas por aí que ficam dando em cima do meu filho.

Posso sentir minhas bochechas ficarem vermelhas e tento respirar fundo.

- Não se preocupe quanto a isso, tenho um namorado, o amo muito e sei que logo ele irá fazer o pedido!

Ela sorri e posso jurar que estava debochando de mim.

- Que bom, irei chamá-lo enquanto vocês conversam! - Dá as costas enquanto Francine segura minha mão e pede desculpa.

- Minha sogra às vezes esquece a educação em casa e peço desculpa por isso!

Sorrio e nego balançando a cabeça.

- Não precisa pedir desculpa, a data especial é sua e nada e nem ninguém pode estragá-la!

Em um impulso ela me abraça e depois volta a atenção para a mãe.

- Confesso que não sabia que ela te escolheria logo de cara, mas saiba que tenho um convite exclusivo para o NYFW. Se for tão bem em nos agradar com um vestido maravilho, uma coleção somente sua será apresentada nas passarelas. - Faz uma pausa e meu sorriso era inegavelmente visível. - Embora não devesse ser um assunto para o momento, acho que poderá ser um incentivo!

- É uma honra para mim vestir sua filha, é uma chance de ouro. Garanto que sua filha terá seu dia de princesa com um vestido digno!

Era meu sonho e nada e nem ninguém iria estragá-lo.

Francine foi logo dando detalhes importantes de tudo que desejava e fui anotando mentalmente tudo que ela dizia. Sam nos guiou até a mesa e lá pudemos conversar com calma até sermos interrompidos pela sogra e seu noivo, que somente pude encarar quando ouvi a voz que tão bem conhecia.

- Meu amor, encontrou a estilista que tanto me fala?

Tento não perder a pose, mas sei que meu corpo todo iria me entregar, afinal, mal sinto minhas pernas.

- Sim, esta é a Evy, a estilista! - Fran diz.

Respiro fundo e mesmo com o desejo de jogar a taça de vinho na cara dele, finjo meu maior sorriso e estendo a mão.

- Boa noite, senhor? - pergunto seu nome fingindo não o conhecer.

Ele tenta manter sua pose, mas sua sogra deve ter percebido.

- Chrystopher King.

Pego um cartão da bolsa e entrego a ele.

- Bom, ligue para o meu ateliê e marque um horário com o Lucca, ele irá fazer seu terno como merece. - Volto minha atenção a Fran e pergunto: - Acredito que logo começará o leilão e será impossível conversarmos sem que sejamos expulsas, mas pode ir na segunda-feira no primeiro horário me ver.

- Que tipo de profissional não atende sábado e domingo? - a sogra pergunta destilando veneno e resolvo responder a altura.

- Eu não abro o ateliê aos finais de semana aos clientes porque no sábado é dia de criação e reunião com a equipe, já domingo é dia de ficar com a família ou namorado! - Percebo que ela não esperava essa resposta e Fran intervém.

- Marcado!

Fran se despede dizendo que estava animada demais e mal podia esperar para começarmos. Segura o braço de Chrys e se afastam enquanto fico parada olhando para o nada, sei que ele partiu meu coração.

- Meu filho não é para você, apenas a usou para logo poder descartá-la... Você não tem berço e nem é nobre, isso a torna inferior ao meu filho, então sugiro que não estrague o futuro dele, isso se ainda o ama... Não deixe que esse momento constrangedor acabe com isso, mesmo não se casando com você ainda pode ter uma boa vida sendo amante dele.

Eu nunca fui tão ofendida em minha vida, por isso respiro fundo e digo:

- Seu filho é um canalha que não merece o amor da Francine, ele nos enganou e não o verei nunca mais. Ele me ofendeu de todas as maneiras possíveis e não irei perder a cabeça com um mulher mal-amada como você! - Dou as costas e vou até o banheiro, pois preciso me recompor antes que Sam volte e tenha que contar o que descobri.

Eu nunca pensei que seria enganada dessa forma, pego a bolsa e retiro o celular. Localizo o contato dele, bloqueio e depois deleto. Ele partirá meu coração, mas jamais me faria perder meu sonho por causa de mentiras.

Tenho que pensar em um modo de contar a verdade para Francine, mesmo que perca minha chance não posso jamais faltar com minha dignidade e verdade com quem está me ofertando tanto. Sei que a sogra dela ficará de olho e precisarei de toda ajuda do meu time.

Respiro fundo me apoiando na beirada da sacada, pude olhar a lua e não noto que Chrys veio atrás de mim, até ouvir sua voz me chamando. Afirmo que a raiva que estou sentindo dele não cabe em meu peito.

- Evy, olha para mim!

Respiro fundo e giro os calcanhares o encarando.

- Meu amor, queria te contar tudo, mas não tive coragem.

- Não teve coragem? - pergunto incrédula e desvio do seu toque. - Você jura amor eterno a mim e está noivo de outra... Uma moça boa que está apaixonada por você. Você está apenas a usando! - Meus olhos marejam e sinto que vou borrar a maquiagem por um canalha que nem ao menos merece.

- Minha empresa está falindo, Evy, preciso de dinheiro! - Tenta se explicar e isso me deixa irritada.

- Não tente se explicar, você não pode justificar mau caráter com necessidade!

Ele revira os olhos.

- Não precisa agir assim, apenas seis meses casado e estarei livre, já pensei em tudo e ela até assinou tudo que pedi, meu amor!

Como pude me enganar tanto em relação a ele.

- Você mentiu para mim, disse que sua mãe era doente e até ela melhorar não podíamos noivar, mas hoje descubro que além de gozar de saúde é uma bruxa mal-amada! - Cruzo os braços e ele me encara incrédulo.

- Não fale assim da minha mãe, ela é a que mais me apoia!

Só então ousei olhar para o lado, vi Francine nos encarando, engoli em seco e me aproximei dela.

- Eu soube apenas agora a pouco que ele nos enganava, iria contar em um momento mais apropriado! - Tento explicar, mas Chrys interfere me empurrando para o lado, tanto que quase caio.

- É tudo mentira, não acredite nela... Ela está com inveja!

Mal posso acreditar no que ouvia, ele estava a pouco quase me pedindo para ser a outra e agora fala que sou mentirosa. Apenas respiro fundo porque após esta mentira eu iria estar acabada.

- Chrys, eu não sei o que é pior... Enganar nós duas ao mesmo tempo ou tentar me fazer acreditar que sou tola o suficiente para fingir que não ouvi toda a sua confissão!

Arregalo os olhos e em seguida respiro aliviada.

- Eu olhei de relance e vi como olhou para a estilista, não era um olhar desconhecido, mas, sim, muito surpreso. Agora vai continuar mentindo?

- Eu te amo, Fran! - diz se ajoelhando aos seus pés. - Foi um erro e não significou nada!

- Faça um favor a si mesmo, saia da minha frente e não espere eu falar com o papai ou você será humilhado na frente de todos! - exclama e vêm para o meu lado entrelaçando nossos braços. - Nunca gostei dele de verdade, nem o sexo era tão bom assim. Nós duas fomos enganadas e acredito que seremos grandes amigas! - Me puxa para dentro do salão, mas fomos impedidas por uma mão forte que me segurou.

- Você me fez perder muito dinheiro e não irá ficar assim, terá volta e irá sair muito caro!

Chrys me ameaça passando por nós e desaparece entre os convidados.

- Francine, eu nem sei o que dizer... Me desculpa por isso e...

Ela balança a cabeça negando.

- Não peça porque o único culpado é ele, vamos falar com meus pais para explicar tudo... - diz calmamente e seguro sua mão a fazendo me encarar.

- Você está bem mesmo?

- Sinceramente não, mas fui ensinada que nenhum problema pessoal deve intervir em nenhum evento e preciso parecer forte até chegar no meu quarto. - Respira fundo tentando manter a pose.

- Eu sinto muito, estou destruída também, mas não posso deixar que me vejam abalada - confesso.

Sei quando chegar em casa irei me acabar no sorvete e de tanto chorar.

- Vamos voltar lá para dentro e contar para minha mãe que não haverá mais casamento, mas ainda quero um vestido seu e temos muitos eventos.

Uma dama da sociedade precisa ser forte e eu seria forte ou perderia minha chance de conseguir meu convite.

Perdi um namorado, mas ganhei uma amiga. Agora precisava ganhar meu convite para tudo ter válido a pena.

Capítulo 3 Três

Evelyn Lawrance

Minha vida mudou drasticamente após os últimos eventos, me tornei grande amiga da Francine e mesmo tendo namorado seu ex-noivo, que enganou nós duas a propósito, ela conseguiu convencer seus pais que não foi minha culpa e que merecia uma chance de mostrar todo meu potencial nas passarelas do NY Fashion Week e em breve estaria recebendo meu convite.

Meus pedidos de roupas haviam duplicado após descobrirem que estava vestindo a família Gardner e com o aumento precisei contratar mais seis estudantes de moda para me ajudarem na finalização das criações, para que assim pudesse focar na criação dos croquis para minha estreia no evento mais badalado do ramo da moda.

Embora o êxtase tomava conta do meu ser, havia ainda o término do meu namoro que não havia contado a ninguém. Decidi junto com a Fran que ninguém além de nós saberia, mas isso não impediu de Chrys cumprir sua ameaça e começar a nos perseguir, com buquês de rosas e cartas ameaçadoras, coisa que nem alertando a polícia iria resolver, então apenas ignoro a falta do que fazer daquele babaca.

Contava os dias enquanto ficava ouvindo e vendo as notícias do mundo da moda atrás de qualquer coisa que me alertasse que a seleção havia começado. Mas, como Sam sempre me diz, as notícias boas sempre chegam quando menos se espera e não deveria ser diferente no meu caso. Aguardei ansiosamente todos esses meses, não iria apressar Fran e nem a Família Gardner, por isso apenas decidi esperar.

Era mais um dia comum, com muitos pedidos e atendimentos na loja, havia vários pedidos de modelos exclusivos para eventos de todos os tipos, estava focada em ajeitar a barra do vestido da senhorita Moore quando Holly entra como um furacão no ateliê de criação e quase me fez espetar os dedos.

- CHEFINHA!

Coloco a almofada com agulhas em cima da mesa e a mão no peito, tentando acalmar meu coração que devido ao susto acelerou, antes de encará-la

- Holly quer me matar do coração? - Respiro fundo e ela apenas saltita abanando uma carta preta para mim.

- Não, chefinha, apenas fiquei eufórica quando uma moça me entregou isso e pediu para entregar para você. - Estende o papel e posso ler as letras douradas brilhantes. - O envelope com letras douradas com seu nome!

Pego entre os dedos o envelope e o abro devagar sentindo meu corpo todo estremecer enquanto todos os funcionários sobem rapidamente ao ateliê para saber o motivo da gritaria.

- Diga o que está escrito chefe, estamos curiosas! - diz Loveday, minha primeira estilista que está comigo desde o começo. - Vai, Evy, queremos pegar aquele champanhe e abri-lo hoje! - diz docemente enquanto eu lia e relia o que dizia a carta.

Sorrio antes de encarar todos e dizer alegremente:

- VAMOS PARA O FASHION WEEK!

Todos se aproximam e nos abraçamos, afinal somos uma equipe e estamos felizes com o que virá.

- O evento acontecerá em dois meses, mas haverá um coquetel em oito dias para a apresentação dos estilistas. Vocês terão lugares reservados para assistir ao desfile e receberão um crachá para acessar tudo.

- Chefinha, você merece! Aí, nem acredito que agora trabalho para uma estilista do NYFW - Lucca diz, dá um gritinho animado e abraça Brianna.

- Miga, você merece, todos nós batalhamos muito para que essa marca que tanto amamos fosse conhecida e hoje ela é - Brianna diz animada.

Eu amo minha equipe e não sei o que faria sem eles.

- Todos estão de parabéns! - diz Loveday. - Você mais do que ninguém merece isso! - Estende a mão e entrego para ela ler o resto dos dizeres, estou tão animada que tudo parece embaçado. - Olha que chique, chefa, você terá que levar um acompanhante e terá que ser seu noivo segundo a cláusula aqui, pois o tema será o amor.

- Meu noivo? - Pego o convite e releio a parte que não vi.

Como assim tenho que levar um noivo?

- Sim, pelo visto eles sabem mais do que nós! - exclama Loveday e fico sem entender nada. - Seu namorado misterioso a pede em casamento e você nem nos conta?

A pequena cláusula dizia que sem o acompanhante não poderia participar do evento tendo em vista que a maioria dos estilistas famosos eram casados.

- É uma surpresa até para mim, quero dizer, saberem de algo íntimo que nem mesmo divulguei. - Respiro fundo.

Percebo que tem um número em negrito para poder tirar dúvidas e decido ligar.

- Preparem o champanhe e peçam algo para comemorar, vou chamar a Sam e logo descerei.

- Claro, chefinha! - diz Louise.

Espero todo saírem, pego o celular e ligo para o número no cartão.

- Boa tarde, sou a estilista, Evelyn Lawrence, e gostaria de tirar uma dúvida.

O rapaz que me atendeu pergunta:

- Boa tarde, senhorita Lawrence, em que posso ajudá-lo?

- Acabei de receber meu convite, mas têm uma pequena cláusula referente a levar meu noivo e não lembro de dizer esse pequeno detalhe a ninguém! - exclamo tentando acalmar meu coração.

- Irei averiguar, um momento - pede educadamente e aguardo um momento. - Sua amiga, Francine, nos relatou o fato, pois sua vinda era incerta devido à falta de conhecimento dos organizadores sobre sua vida particular, então ela nos contou o que era um segredo a todos porque seria revelado no Natal o noivado.

Me sento ao ouvir isso, pois quase havia perdido a vaga por uma cláusula idiota, devo agradecer Francine por ter que passar a vergonha de não possuir um noivo.

- Obrigada pela informação.

- Não tem de que, mas já aviso que caso não possa comparecer com o noivo no evento de anunciação infelizmente perderá a validade do convite porque é uma cláusula da empresa que está te patrocinando. Acredito que em até três dias eles entrem em contato e enviem um contrato para que assine.

Respiro fundo.

Acredito que esse patrocinador deve ser muito bom.

- Ficarei no aguardo então. - Engulo em seco após esse tapa em meu rosto e nem sei como resolver.

Após me despedir ligo rapidamente para Francine.

- Miga, não é bem uma boa hora... - diz um tanto nervosa.

- Como vou arrumar um noivo em menos de 16 dias? - pergunto diretamente e juro que ouço Fran dizer, "amor para rapidinho, antes que goze ao telefone". Respiro fundo e tento ignorar aquela frase. - Pelo visto está ocupa, mas pode voltar para sua foda quando me ajudar a resolver isso! - exclamo em meio a um sôfrego gemido.

- Ai, miga, desculpa te fazer passar por isso, mas era a única solução que encontrei e não podia deixar você perder tudo por causa de uma cláusula idiota!

Ela tinha razão, mas deveria saber desse detalhe para saber como agir.

- E olha que os convenci que você iria se casar em breve e por isso mudaram de casada para noiva. - Faz uma pausa e respiro fundo várias vezes. - Mas eu tenho a solução, é claro, um amigo meu usou um serviço de acompanhante muito sofisticado e eles fazem milagre, literalmente!

Sinto que estava sem tempo para pensar em outra solução.

- Contratar um noivo de aluguel? - pergunto ainda em choque com tudo isso.

- É claro, é tudo feito com sigilo e descrição... Nunca vi uma reclamação sobre eles após pesquisar muito bem sobre o trabalho prestado por eles. - Faz uma pausa. - Você só precisa entrar no site, descrever o que procura e o que precisa que eles façam, depois uma moça entra em contato para explicar como funciona.

- Tem certeza disso? - pergunto totalmente insegura com a ideia. - E se a organização descobrir? - Ouço sua respiração pesada seguida da resposta.

- Não vão, agora digita o nome The Secret World e clica no único site com este nome completo, depois é só seguir o passo a passo, eles são os melhores no que fazem e pelo que já ouvi da elite, os serviços prestados são eficazes e nunca sabe quando é real ou não.

Fran estava confiante nessa agência, embora tivesse minhas ressalvas bem gritantes. Me despeço da minha amiga e resolvo ignorar meus problemas, pois até pôr tudo em ordem preciso fingir estar bem. Devo descer, me encontrar com todos meus funcionários e comemorar o que tanto batalhei e sonhei, meu lugar de destaque e nome reconhecido mundialmente.

***

Eu ainda não acredito que estava fazendo isso, após um longo banho e pedir um jantar rápido, me sentei na frente do computador e digitei o nome da empresa que Fran havia me passado. Rapidamente surge um site e ao clicar nele sou direcionada para a página onde deveria me declarar maior de idade. Confesso que ainda estava com medo de fazer isso, mas não tenho escolha.

Há uma pequena caixa de diálogo na próxima tela onde devo detalhar o que preciso, para quando, e claro, por quanto tempo.

Preciso de um noivo perfeito por 61 dias, com idade entre 30 e 35 anos e que entenda tudo sobre moda devido ao ramo que trabalho. Um homem educado, gentil, culto e romântico que aprecie surpreender a noiva todos os dias.

Releio duas vezes a solicitação antes de clicar no enviar e meu corpo inteiro estava tremendo, mas a próxima página era apenas para escrever meu número de telefone. Apreciei muito ser sigiloso, pois ao colocar o número não apareceram números e sim vários "(xxx)xxxxxxxx".

Clico em enviar e suspiro alto. Volto minha atenção para minha porta, onde a campainha anunciava que minha comida havia chegado.

Pego meu pacote e após pagar, coloco na mesa.

Quando estava prestes a me sentar meu telefone toca, aperto o botão para iluminá-lo e aparece um número desconhecido. Como eu havia dado meu telefone no site, deveria ser eles e confesso que até foram rápidos demais.

Uma voz doce e extremamente sedutora diz:

- Seja bem-vinda a The Secret World, selecionaremos o melhor para o que deseja...

Estava nervosa com a ligação e se não desse certo?

- Boa noite, uau, vocês foram rápidos! - exclamo como um elogio.

- Obrigada, senhorita, recebi seu pedido e confesso que nossa agência não costuma trabalhar com acompanhantes masculinos, mas está em um dia de sorte porque tenho a pessoa ideal que está sendo treinada por mim pessoalmente.

Não sei se era para me sentir melhor, mas não estava funcionando.

- Devido ao aumento da demanda e procura, estamos começando a investir no ramo, garanto que somos o melhor e não possuímos nenhuma falha!

- Eu deveria ficar mais calma com a informação, mas confesso que estou muito receosa e nunca fiz isso. Uma amiga me indicou por serem o melhor.

A voz tenta me acalmar.

- Senhorita, primeiro acalme-se, segundo quero que se sente e faça o que iria fazer, vamos começar com uma breve apresentação. - Faz uma pequena pausa. - Somos uma grande empresa que trabalha no ramos de acompanhantes, mas não qualquer acompanhante, senhorita, não ofertamos sexo e, sim, qualidade, empenho e discrição. Ofertamos o que o cliente procura e muito mais caso seja do seu interesse, mas para um primeiro momento gostaria que encontrasse uma das nossas colaboradoras amanhã às 9 horas no hotel Mandarim, suíte 607, para explanar algumas questões pertinentes em como será realizado todo o trabalho, valores e a assinatura do contrato. Detalhe importante quando chegar no hotel dirá que a echarpe da moça é verde-água.

Após me explicar cada detalhe sobre como eles trabalham, ela me indaga:

- Agora confesso que há algo que me pediu, uma peculiaridade bem incomum que é entender sobre moda e gostaria de saber o motivo.

- Pelo que entendi, amanhã cedo iremos conversar sobre as cláusulas do que irei contratar e estarei lá! - afirmo antes de responder. - Eu fui convidada para um evento, ao qual, irei em dado momento apresentar minhas criações, por isso a exigência de entender de moda. Esse evento em questão começa dentro de oito dias e como foi muito bem indicada, gostaria de saber se a pessoa em questão irá estar capacitada.

- Certamente, irá detalhar amanhã para a minha colaboradora tudo que o seu noivo deve saber, desde como agir até como se portar! - Ela confirma e respiro aliviada. - Preciso alertá-la sobre algo, no meu ramo não é incomum os clientes pedirem sexo, embora sejamos profissionais e alguns aceitem isso, aviso que há uma cláusula que informa que caso aconteça o ato sexual em si, será cobrado um valor adicional de $15.000,00 dólares... Sei que para ser convincente em muitos momentos serão necessários beijos, abraços e toques, tudo isso está dentro do permitido e do valor que será pago amanhã.

- Não há necessidade de sexo, não acredito em relacionamento sem amor e não quero nada além de um noivo para cumprir com uma cláusula ridícula! - confesso antes que possa medir as palavras e tento me desculpar, mas ela não permite.

- Senhorita, tudo que disser nesses próximos dias será confidencial, como acredito que goste de homens românticos, após assinar o contrato e passar todos os seus dados seu "noivo" irá ligar, mandar presentes e ser o homem dos seus sonhos pelos próximos 61 dias.

Ouço tudo que me diz e sinto que ela passa confiança e propriedade ao falar. Concordo com tudo que diz e nos despedimos.

- Boa noite, senhorita!

- Boa noite, devo dizer que é a primeira cliente que não pede uma lista completa de como o homem deve ser fisicamente, então escolherei um a dedo como se estivesse escolhendo para mim e convenhamos eu tenho muito bom gosto...

Começamos a rir.

A moça tentou me acalmar e tornar aquela conversa mais tranquila possível.

- Espero que seja a melhor mesmo, estou disposta a tudo para poder realizar meu sonho.

- E iremos! - Finaliza a ligação.

Volto a atenção ao meu jantar que estava morno e fico repensando várias vezes como irei agir e como será essa interação, jamais precisei pagar para ter companhia e mesmo não tendo muitos relacionamentos, sempre fui romântica demais e exigia certas qualidade que prezo e que muitos homens não possuem.

***

Acordei mais cedo do que o costume, estou ansiosa pelo encontro que terei em uma hora e a pergunta que pairava em minha mente é se ela conseguiria tudo que solicitei a tempo.

Como estávamos no final da primavera e a temperatura estava um tanto quanto fria, coloco um sobretudo marrom, uma echarpe cinza, uma calça jeans e botas que combinavam com o sobretudo, deixo o cabelo solto e apenas coloco um rímel nos olhos.

Não quero parecer mais desesperada que estou e não tomei café devido ao nervosismo e ansiedade.

Resolvo colocar o endereço do hotel no GPS e em menos de 40 minutos estacionava próximo ao hotel.

Suspiro algumas vezes tomando coragem e saio do carro me dirigindo ao hotel. Cada passo que dava respirava com dificuldade, mas só fiquei mais calma quando cheguei até o hall e entrei.

Me aproximo da recepção e um rapaz diz:

- Bom dia, senhorita, seja bem-vinda ao hotel Mandarin deseja um quarto?

- Bom dia, na verdade, vim para uma reunião na suíte 607.

Ele me olha como se esperasse algo e lembro da senha.

- E a echarpe da moça é verde-água.

- Obrigada, por confirmar! - Pega a chave me orientando onde devo ir e o que deveria fazer, uma batida na porta apenas.

- Grata.

Subo de elevador até o sétimo andar e começo a procurar o quarto. Quando o localizo faço o que foi orientado. Aguardo que abram a porta e quando o fazem uma moça alta e muito elegante me recebe pedindo que entrasse. Não pude deixar de olhar que ela estava com uma gravidez adiantada devido a protuberância em seu ventre.

- Bom dia, senhorita? - a moça pergunta abrindo espaço para que eu entre e aponta as cadeiras que estavam na frente do armário com uma bela mesa de café da manhã posta.

- Evelyn Lawrance - digo ruborizando, pois me sentia tola por estar fazendo isso.

- Prazer, sou Stephany - diz com uma sonoridade impecável. Ela espera que me sente e se senta na minha frente. - Resolvi eu mesma vir para explicar em detalhes tudo e sanar todas as suas dúvidas, nos falamos ontem por telefone e irei fazer toda a intermediação com o seu "noivo". - Ela se inclina e noto uma maleta preta em cima na cadeira de onde ela retira uma pasta azul e me entrega. - Aqui está todas as especificações sobre ele, para que não seja uma surpresa no dia que se conhecerem.

- Como assim no dia que nos conhecermos?

Ela morde o lábio e sorrio em seguida.

- Bom, alguns dias antes de apresentar a quem quer que seja seu noivo, irão se encontrar para criarem um diálogo natural, uma história de amor convincente, e claro, a escolha muito importante do anel de noivado.

Estremeço só de pensar e abro a pasta para avaliar meu noivo. Percebo que ele é um deus grego de tão lindo, parecia bem afeiçoado e sedutor, inclusive posso sentir que estava molhada apenas de olhar para a foto, por isso engulo em seco.

- Ah, sim, o rapaz que apresentou aqui na foto é competente? - pergunto demonstrando nervosismo.

Ela pega o bule do café, nos serve e mostra os quitutes que estavam na mesa.

- Ele será, estou o treinando pessoalmente e a partir de hoje ele terá aulas intensas sobre moda para que ao ser questionado saber tudo que precise. - Sorri docemente. - Não importa que eu coma, afinal estou comendo por dois.

Sorrio e nego balançando a cabeça.

- Não sabia que grávidas podiam ser acompanhantes! - Tapo minha boca no mesmo momento, morrendo de vergonha da minha boca enorme.

- Não se preocupe não faço mais esse tipo de serviço, meu marido iria surtar só com a possibilidade, eu sou a dona da empresa e gosto de lidar pessoalmente de casos peculiares.

Acabei de dar uma fora justo com a dona da "The Secret World", que mico!

- Todos confundem, fique tranquila. - Ela se serve de uma fatia de uma torta enquanto pego as torradas com recheio e as provo.

- E quanto sairá estes 61 dias? Como funciona o contrato em si? - pergunto indo direto ao ponto.

Ela pega uma pasta dourada e uma caneta.

- Bom o valor será de 600.000,00 mil dólares e abrange todos os 61 dias. Caso deseje pode até fazer um teatro com o rompimento do noivado, e claro, ele sendo o culpado.

Pego o contrato, o leio completamente e o nome do noivo me chama atenção, pois eu já ouvi ou li este nome em algum lugar.

- Sobre procurar referências dele na internet pedirei que não faça, ele mesmo irá encontrá-la... Daremos um jeito de fazer montagens com fotos de vocês felizes, pois tenho os melhores técnicos da computação ao meu dispor. Em alguns dias terá um noivo amoroso e dedicado, alguma dúvida?

- Como funciona o pagamento? - ela apenas sorri e diz.

- Quando concluirmos o contrato, no dia 61 se houver da sua parte uma satisfação verídica e nenhuma reclamação fará um cheque para o seu noivo e ele levará para mim. - Após uma breve pausa ela beberica o café e pergunta: - Agora me diga, se a especificidade é ele entender de moda, ele irá em alguns eventos, mas está calculando a disponibilidade dele por um longo período, pode me explicar mais?

- Eu fui escolhida para ser uma das estilistas do NYFW, mas o tema é amor este ano e exigem um noivo... Em uma semana haverá um coquetel, onde devo exibir meu noivo e conhecer os outros estilistas. - Respiro fundo - Daqui dois meses será o NYFW com duração de nove dias, mas escolhi 61 dias porque sei que às vezes há eventos em que chamam os estilistas e eu preciso dele ao meu dispor a hora que precisar.

Ela me analisa intensamente.

- Meus parabéns pelo evento, quero que fique tranquila, pois cuidaremos de tudo. Após o primeiro contato entre vocês, apenas ele irá pedir atualizações diárias e vamos conversando durante a semana para discutir alguns detalhes.

Parecia muito justo, por isso assino o contrato devolvendo-o para ela. Continuamos a tomar o café delicioso enquanto ela me explicava mais alguns detalhes antes de se levantar e estender a mão.

- Será um prazer trabalhar com a senhorita, não se preocupe com nada...

- Eu que agradeço.

Ela se adianta se afastando.

- Sei que se sentirá mais calma esperando que saia antes, espero nos vermos em breve. - Ela se despede e se retira me deixando ali com um frio enorme na barriga e uma vontade louca de pesquisar sobre o nome que li, mas não quero quebrar nenhuma cláusula, pois o valor da multa me levaria a falência.

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