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Nos Braços da Maldição - Casamento Forçado

Nos Braços da Maldição - Casamento Forçado

Autor:: Melissa Mel
Gênero: Romance
Isabella Whitmore e Alexander Beaumont III foram obrigados a casar por causa de uma maldição ancestral que condena suas famílias à união... ou à morte. Mas o que começa como uma sentença logo se transforma em uma batalha de vontades, desejo incontrolável e segredos obscuros. Enquanto lutas de poder, traições familiares e perigos iminentes ameaçam separá-los, a química entre eles queima intensamente, levando-os a descobrir que o verdadeiro risco pode ser se entregar ao amor. Quando uma conspiração mortal coloca suas vidas em xeque, Isabella e Alexander terão que decidir: lutar contra a maldição... ou sucumbir ao destino? Mergulhe em uma trama de paixão proibida, humor ácido e segredos sombrios. Até onde você iria para desafiar o destino?

Capítulo 1 Prólogo

Nos Braços da Maldição - Casamento Forçado

Prólogo:

A sala cheirava a madeira polida e vinho caro, uma mistura sufocante que só reforçava o quanto eu odiava estar ali. As vozes ecoavam ao meu redor, abafadas por risos calculados e conversas que exalavam pretensão.

Meus dedos apertavam o copo de cristal com tanta força que temi vê-lo estilhaçar. Talvez fosse uma boa desculpa para desaparecer no meio daquela multidão. Mas eu não podia. Não quando sentia o maldito olhar dele. Atravessando a sala como uma lâmina afiada, ele me observava. Eu sabia exatamente onde estava sem sequer precisar encará-lo diretamente. Era irritante, invasivo e... absolutamente inevitável.

Tentei desviar o foco. Fixei meus olhos no lustre cintilante acima de mim, nos vestidos extravagantes que passavam ao meu lado, mas a verdade era que a tensão no ar me sufocava.

Maldição. Era nisso que eu pensava o tempo todo. Uma maldição ridícula que ninguém além dos meus pais parecia levar a sério, pelo menos até eu ser arrastada para uma reunião de "família" meses atrás, onde tudo me foi jogado na cara.

"Você precisa se casar antes de completar trinta e cinco anos", meu pai disse, como se fosse algo trivial.

"Se não fizer isso, você morre", minha mãe completou, como quem avisa sobre uma previsão de chuva.

Eu ri. Naquele momento, achei que fosse uma piada de mau gosto. Mas então, vieram os documentos, as histórias, os relatos de "coincidências" envolvendo gerações anteriores. Gente que simplesmente... não chegou aos 35. Gente que desafiou a tradição, que se recusou a obedecer.

E agora, aqui estou eu. Vestida como uma maldita boneca de porcelana, participando de um evento social organizado pelos meus pais para me aproximar do meu "destino".

Saí da sala principal, tentando recuperar o fôlego. O jardim parecia uma boa ideia. Lá fora, o ar era mais fresco, e a música da festa soava distante. Caminhei entre as flores perfeitamente podadas, admirando a tranquilidade da noite, até que...

- Você sempre invade propriedades alheias ou isso é algo exclusivo desta noite?

A voz grave e carregada de sarcasmo veio de algum lugar à minha direita. Virei-me imediatamente, apenas para encontrar um homem alto, encostado de forma despreocupada em uma árvore. Ele usava um terno perfeitamente alinhado, e o sorriso em seus lábios era insuportavelmente arrogante.

- Desculpe, mas eu não sabia que o jardim estava reservado para egos inflados. - Retruquei, cruzando os braços.

Ele riu baixo, como se minhas palavras fossem uma piada sem graça.

- Ah, então você também tem língua afiada. Interessante. Pena que isso não compensa sua óbvia falta de direção.

Arqueei as sobrancelhas, indignada. - Falta de direção? Eu estou exatamente onde quero estar. Já você, parece perdido na tentativa de impressionar.

- Impressionar você? Nem nos meus piores pesadelos.

A troca de farpas continuou por alguns minutos, cada um tentando ser mais mordaz que o outro. Mas havia algo nele que me incomodava mais do que suas palavras. Era a forma como me olhava, como se já soubesse algo que eu não sabia.

Finalmente, decidi que já tinha perdido tempo demais.

- Aproveite sua noite, senhor arrogância. Eu tenho uma festa para voltar.

- Espero que sua noite melhore, senhorita destempero. Embora eu duvide muito.

Dei as costas, segurando a vontade de responder, e voltei para o salão. Ainda me sentia irritada pela troca de palavras, mas precisava colocar um sorriso no rosto. Não podia demonstrar fraqueza, não diante das pessoas que me observavam.

Foi então que meus olhos encontraram os de meus pais, e o mundo ao meu redor pareceu parar. Eles estavam de pé, conversando com alguém. Um homem. Um homem alto, de terno impecável, com um sorriso irritante estampado no rosto.

- Querida, venha conhecer Alexander Beaumont, - minha mãe chamou, com uma animação exagerada.

Alexander Beaumont. Meu futuro marido.

O destino tinha um humor terrível.

Capítulo 1: "O Último Aviso"

(Narrado por Isabella Whitmore)

A mansão Whitmore tinha uma capacidade única de sufocar, especialmente quando cheia de Whitmores. Meu pai gostava de chamá-la de "nosso legado", como se mármore frio e lustres extravagantes fossem algo para se herdar com orgulho. Para mim, ela era uma prisão de paredes douradas, um lugar onde decisões eram tomadas sem consulta e expectativas eram empurradas goela abaixo.

Naquele dia, a sala de reuniões brilhava com uma luz exagerada, cortesia do lustre barroco que pendia no centro. Eu estava sentada na ponta da longa mesa de madeira escura, olhando para os meus pais, que ocupavam as duas cadeiras no topo, como reis prestes a sentenciar um prisioneiro.

Minha mãe, com seu coque impecável e um colar de pérolas que parecia uma extensão natural de seu pescoço, me encarava com uma mistura de ansiedade e determinação. Meu pai, ao lado dela, tinha o rosto fechado como sempre, os dedos tamborilando no braço da cadeira.

- Isabella, precisamos conversar seriamente - começou minha mãe, a voz delicada como seda, mas afiada como uma navalha.

Já não gostei do tom. Quando minha mãe usava aquela voz, significava que algo estava prestes a ser imposto. Cruzei os braços e encostei-me na cadeira, tentando parecer relaxada, mesmo com a sensação crescente de que estava prestes a ser atingida por um caminhão.

- Fico impressionada com a seriedade de vocês - respondi, com um sorriso falso. - É sobre o vestido horrível que você me fez usar na festa de ontem ou sobre a ideia de eu me casar antes de completar trinta e cinco anos?

Minha mãe respirou fundo, ignorando meu sarcasmo, enquanto meu pai pigarreava.

- Isabella, essa não é uma conversa para brincadeiras.

- Eu não estou brincando. Vocês estão, com essa história de "maldição".

Minha mãe trocou um olhar tenso com meu pai antes de continuar:

- A questão é simples. A tradição existe por um motivo. E você precisa aceitá-la.

Ergui uma sobrancelha, inclinando-me para frente.

- Aceitar uma maldição absurda que vocês tiraram de um livro de terror barato? Ah, claro, eu já deveria ter marcado a data no calendário.

Meu pai bateu a mão na mesa, fazendo o som ecoar pela sala.

- Basta, Isabella! Isso é sério.

Olhei para ele, meu humor ácido se desfazendo lentamente. Quando meu pai usava aquele tom, não era brincadeira. Mas isso não tornava as palavras mais fáceis de engolir.

Por mais que quisesse continuar debochando, algo no fundo da minha mente começou a se contorcer. Eu odiava admitir, mas havia uma parte de mim, a parte que acreditava em contos de fadas e finais trágicos, que temia que eles estivessem certos.

Eu me lembrei das histórias que eles contaram naquela reunião há meses. De como tios, primos e até irmãos dos primogênitos das famílias Whitmore e Beaumont morriam tragicamente antes dos trinta e cinco anos, caso se recusassem a seguir o pacto. A lista de nomes era longa, detalhada e terrivelmente convincente.

Mas isso não significava que eu tinha que aceitar.

- Então, vocês estão dizendo que eu tenho que casar com um completo estranho para evitar... morrer? É isso?

Minha mãe suspirou, e meu pai respondeu com a paciência de quem já teve essa conversa mil vezes.

- Não é com um estranho. É com Alexander Beaumont.

- Ah, claro. Isso melhora muito a situação.

Meu sarcasmo não arrancou nenhuma reação. Minha mãe pegou um tablet e começou a deslizar os dedos pela tela antes de virar para mim. A foto que ela me mostrou fez meu estômago revirar.

Alexander Beaumont era tudo o que eu imaginava, alto, impecável, e com um ar irritantemente presunçoso. Ele parecia saído de uma campanha publicitária de ternos italianos, o que só piorava tudo.

- Ele voltou da França exclusivamente para cumprir o contrato - minha mãe informou, como se estivesse anunciando o horário do jantar.

- Que sorte a minha.

Ela ignorou meu comentário.

- Ele é responsável. Um homem educado e de boa reputação. O tipo de pessoa que pode colocar você na linha.

Ri alto, um som sem humor.

- Na linha? Eu não sou um trem desgovernado.

Meu pai suspirou, impaciente.

- Você está agindo como uma criança. É isso ou a morte, Isabella. Aceite a realidade.

💜🩵

Mais tarde, no meu quarto, desabafei com Ryan, meu melhor amigo e a única pessoa que não me tratava como um peão em um jogo de xadrez.

- Eles realmente disseram que você vai morrer se não casar? - ele perguntou, rindo enquanto se jogava no sofá.

- Com todas as letras.

- Isso é... genial. Quero dizer, não para você, claro.

- Ryan!

Ele levantou as mãos, como se se rendesse.

- Só estou dizendo, se isso fosse um reality show, eu assistiria.

Não pude deixar de rir, mesmo com a vontade de gritar.

- Então, qual é o plano? - ele perguntou.

- Sabotar tudo. Vou ser o pesadelo de Alexander Beaumont.

💜🩵

Dois dias depois, a confirmação de que Alex estava mesmo retornando chegou de forma prática e dolorosa, com um convite formal. A cartolina luxuosa tinha letras douradas e, claro, o brasão da família Beaumont no topo.

O convite anunciava um jantar para "celebrar a aliança ancestral entre as famílias Whitmore e Beaumont". Em outras palavras, um evento cuidadosamente planejado para me forçar a conhecê-lo oficialmente.

- Você não pode faltar - decretou minha mãe, enquanto observava o alfaiate ajustar um vestido em mim. - E, por favor, comporte-se.

- Por que você fala como se eu fosse uma criança de cinco anos?

Ela arqueou uma sobrancelha, indicando que não ia perder tempo discutindo.

Naquela noite, trancada no meu quarto, liguei para Ryan.

- Então, o príncipe encantado está voltando para reclamar sua princesa? - ele brincou, mal segurando a risada.

- Não começa.

- O que vai fazer? Vai jogar vinho nele? Escorregar "acidentalmente" com um salto e derrubá-lo na mesa?

- Todas as ideias são válidas neste ponto.

No dia do jantar, a tensão era quase tangível. Eu escolhi um vestido vermelho intenso, não porque queria impressionar, mas porque sabia que minha mãe preferiria algo "mais delicado".

Ao entrar no salão da casa dos Beaumont, o ar de sofisticação parecia sufocante. Tudo era exagerado, desde os lustres até as taças de cristal.

E então, lá estava ele.

Alexander Beaumont.

Nosso primeiro encontro cara a cara desde o jardim.

Ele estava encostado na lareira, conversando casualmente com alguém, mas assim que me viu, aquele sorriso irritante surgiu.

- Bem, senhorita destempero - ele começou, quando me aproximei. - Que prazer revê-la.

- O prazer é todo meu, senhor arrogância.

Os olhos dele brilharam, como se ele estivesse genuinamente se divertindo.

- Parece que finalmente nos apresentaram formalmente. Embora eu tenha a impressão de que já nos conhecemos o suficiente.

- Tenho certeza de que conheço o suficiente para saber que isso vai ser um desastre.

Ele inclinou a cabeça, me analisando como se eu fosse um quebra-cabeça complicado.

- Gosto de desafios.

O jantar seguiu com conversas formais entre as famílias, mas havia uma tensão subjacente em cada troca de olhares entre mim e Alex.

Quando finalmente tivemos um momento a sós, ele se aproximou.

- Eu sei que você está planejando algo, Isabella.

- E o que faz você pensar isso?

- Seus olhos. Eles denunciam você.

Engoli em seco, tentando manter minha postura.

- Você não sabe nada sobre mim.

- Ainda não.

Ao longo da noite, Alex parecia fazer questão de me provocar. Seu sorriso constante, as respostas afiadamente ensaiadas... tudo nele parecia projetado para me desestabilizar.

Mas não era só raiva que ele despertava. Havia algo mais. Algo que eu não queria reconhecer.

Quando ele se inclinou para me cumprimentar ao final do jantar, sua mão tocou levemente minhas costas. O calor subiu por minha espinha, e odiei o efeito que ele teve em mim.

- Até breve, Isabella. - Ele sussurrou com o seu olhar azul intenso.

Eu não respondi. Apenas saí de lá o mais rápido que pude, jurando que o venceria nesse jogo.

Naquela noite, deitada na cama, minha mente não parava. O olhar de Alex, seu sorriso, suas palavras... tudo parecia uma promessa de batalha.

Se ele acha que vai mandar em mim, está muito enganado.

Mas, no fundo, algo me dizia que o destino não estava do meu lado. E isso tornava a luta ainda mais necessária.

Capítulo 2 Encontro Explosivo

Capítulo 2: "Encontro Explosivo"

(Narrado por Alexander Beaumont)

O reflexo do espelho emoldurado a ouro me encarava com uma perfeição irritante. O terno preto estava alinhado de maneira impecável, cada costura feita com uma precisão que só alguém como minha mãe conseguiria perceber. Mas, por mais que eu olhasse para o espelho, não via um homem satisfeito com o que via. Eu via apenas uma máscara, uma fachada que escondia o ódio crescente que se acumulava dentro de mim.

Eu odiava estar ali, no meu quarto de infância, vestindo o que deveria ser a roupa que representaria uma nova fase da minha vida, mas que, para mim, soava mais como uma sentença de morte. E, no fundo, eu sabia que, para os Beaumont, não era só uma tradição, era uma condenação.

"Casar ou morrer antes dos 35." A frase ressoava na minha mente, repetitiva e insuportável, como se uma corda invisível apertasse meu pescoço cada vez que eu pensava nela.

Suspirei e murmurei em voz baixa, já sabendo que minha mãe provavelmente estava por perto para ouvir.

- Perfeito. Um casamento forçado para garantir que eu sobreviva. O que mais falta, mãe? Um sacrifício humano no altar?

A porta do quarto se abriu com um rangido baixo, e minha mãe entrou sem sequer bater. A postura dela estava sempre impecável, a voz fria e implacável como uma lâmina. Ela me observou por um momento, ajustando os punhos de sua camisa de renda. Suas sobrancelhas se franziram.

- Alexander, você parece um adolescente revoltado. Não é o fim do mundo. É só um casamento. É tradição.

Eu me virei lentamente, meus olhos azuis fixando a minha mãe com uma intensidade que eu sabia que ela não iria suportar.

- Não, mãe. Isso não é tradição, isso é uma maldição. E, honestamente, prefiro lidar com a morte do que com uma esposa escolhida por um comitê de aristocratas entediados.

Ela não parecia afetada pelas minhas palavras, como sempre. Ignorou completamente meu sarcasmo e, com um movimento que parecia coreografado, ajustou a gravata do meu terno.

- A Whitmore é uma boa escolha. Jovem, bonita, criativa... Você poderia ter um casamento muito agradável se parasse de ser tão teimoso.

Eu ri, mas não havia humor em meu sorriso.

- Jovem, bonita e criativa. Ah, sim, mãe, porque isso é exatamente o que me importa quando estou prestes a ser empurrado para um altar.

Minha mãe não teve tempo de responder, porque o som do copo de conhaque sendo erguido interrompeu a tensão. Victor, meu pai, entrou na sala com um sorriso torto e uma taça na mão. Ele deu um gole e, depois de um suspiro profundo, disse:

- Você fala como se fosse o único a perder algo aqui, Alex. Nós passamos anos reconstruindo a aliança entre as famílias. Não vê isso como uma honra?

Eu o encarei, sentindo a raiva crescer dentro de mim. Ele estava completamente alheio à minha realidade, como sempre.

- Honra? Vamos chamar as coisas pelo nome, pai. Isso é uma troca de poder. E, honestamente, eu preferia estar em qualquer outro lugar.

Victor não parecia impressionado. Ele deu outro gole em sua taça e falou, sem tirar os olhos de mim.

- Você não tem escolha, filho. A Whitmore já foi informada. Eles sabem muito bem o que está em jogo.

Passei o resto da tarde deitado na cama, o olhar perdido no teto branco do meu quarto, tentando organizar meus pensamentos. Eu sentia a pressão de todos os lados. Meus pais. A tradição maldita. A maldição que estava prestes a me engolir. Eu não sabia se conseguia sobreviver a isso. Cada respiração era uma lembrança do que estava por vir.

Por mais que eu tentasse negar, a verdade era que eu não tinha escolha. Eu sabia que a maldição não era uma invenção para me assustar. Eu a vira acontecer, com meus próprios olhos. Meu primo mais velho, Henry, morreria antes de completar 35 anos. Ele ignorou a tradição, e a morte o encontrou de forma misteriosa, rápida. O corpo dele, frio e sem vida, foi uma lembrança indesejada do que aconteceria comigo se eu desobedecesse.

Mas, por mais real que fosse a ameaça, havia uma parte de mim que se rebelava contra a ideia de ceder a ela. A minha vida sempre foi minha. Sempre escolhi o meu próprio caminho, e agora estava sendo empurrado para um destino que eu não queria. Eu era um homem de controle, e controlar minha vida era o único poder que eu ainda possuía.

E depois havia ela. Isabella Whitmore. A mulher que, pelo simples fato de existir, já complicava tudo. Desde o primeiro momento em que a vi no jardim, com aquele olhar desafiador e a língua afiada, eu soubera que ela seria uma dor de cabeça. Eu sabia que o casamento seria um desastre. Mas, ao mesmo tempo, algo nela me intrigava.

Ela era insuportável. Mas, por algum motivo, isso só tornava a situação mais interessante. Não era o tipo de mulher submissa que as famílias de nossa classe esperavam. Ela tinha uma chama dentro de si que, se soubesse direcionar, poderia até mesmo me fazer sorrir... por um breve momento.

Minha porta se abriu de novo, desta vez com uma entrada mais leve, e Pierre, meu melhor amigo, entrou com um sorriso travesso no rosto.

- Você está com essa cara de quem quer matar alguém. Isso é encantador, sabia? - ele disse, se jogando no sofá de couro.

Eu ignorei, ajustando o relógio no meu pulso com precisão.

- O que você quer, Pierre?

Ele se espreguiçou, um sorriso irreverente nos lábios.

- Só vim oferecer meu apoio emocional. Afinal, você está prestes a encontrar sua alma gêmea.

Eu o olhei com um olhar mortal, e ele logo percebeu o perigo das palavras que havia dito.

- Se você disser "alma gêmea" mais uma vez, eu quebro sua mandíbula.

Pierre riu e ergueu as mãos, como se se rendesse.

- Relaxa, Alex. Quem sabe essa Isabella seja exatamente o que você precisa.

Eu rolei os olhos, tentando controlar a raiva.

- O que eu preciso, Pierre, é uma solução para escapar disso.

Ele se levantou do sofá e passou a mão nos cabelos.

- Boa sorte com isso. Agora, vá sorrir para sua noiva.

A noite chegou mais rápido do que eu esperava. O salão dos Beaumont estava imerso em luz suave, com lustres imponentes que refletiam em cada superfície. O ar estava carregado de formalidade, de sorrisos falsos e conversas vazias. Não era o tipo de ambiente em que eu me sentia confortável.

Mas lá estava ela.

Isabella Whitmore.

Ela estava de pé perto da entrada, com um vestido vermelho que, ao contrário do que minha mãe esperava, não era nada sutil. O tecido caía sobre seu corpo de maneira hipnotizante, moldando-se perfeitamente às suas curvas. Quando ela me viu, seus olhos brilharam com uma mistura de desprezo e reconhecimento. Eu não consegui evitar o sorriso que surgiu nos meus lábios.

- Senhorita destempero. Que prazer revê-la. - disse, com a voz cheia de ironia.

Ela me olhou como se estivesse pronta para me matar ali mesmo.

- Senhor arrogância. Não me diga que vai continuar me perseguindo.

Eu sorri ainda mais. A troca de farpas que se seguiu foi inevitável, mas não havia como negar que a tensão entre nós era quase palpável. Cada palavra parecia carregada, como se ambos estivéssemos jogando um jogo cujas regras ainda não compreendíamos.

Durante o jantar, cada vez que nossos olhares se cruzavam, havia uma eletricidade que eu não sabia como lidar. Eu não queria estar lá. Ela também não. Mas havia algo em seu olhar, algo em seu sorriso desafiador, que me prendia. Eu não sabia o que era, mas não conseguia parar de provocá-la.

Quando ficamos a sós no jardim, a noite estava fria e a atmosfera densa. Eu me aproximei dela, sentindo a adrenalina correr em minhas veias.

- Você me odeia tanto assim?

Ela cruzou os braços, desafiadora.

- Você é insuportável.

Eu sorri, me aproximando ainda mais. - E você é fascinante.

O silêncio entre nós dois foi carregado, o tipo de silêncio que anunciava uma batalha prestes a começar. O que aconteceria depois? Eu não sabia. Mas algo me dizia que essa batalha ainda estava longe de terminar.

Ela se virou e caminhou para dentro da casa, sem olhar para trás. Mas, mesmo assim, eu não pude deixar de sorrir.

"Ela é insuportável", pensei comigo mesmo. "E, ao mesmo tempo, impossível de ignorar."

A batalha entre nós dois estava apenas começando. E, honestamente, eu mal podia esperar.

Capítulo 3 Tensão no Escritório

Capítulo 3: "Tensão no Escritório"

(Narrado por Isabella Whitmore)

O som do salto dos meus sapatos ressoava pelos corredores da Whitmore Corporation como um lembrete irritante da minha pontualidade forçada. Normalmente, eu chegaria quinze minutos atrasada com um café na mão e um sorriso no rosto, mas hoje não era um dia normal. Meu pai havia me intimado a comparecer a essa reunião estratégica, e ele tinha o hábito de tornar tudo que envolvia sua presença insuportável.

O ambiente carregava o cheiro inconfundível de dinheiro e poder, uma mistura de couro caro, café fresco e perfume de grife. As paredes do escritório eram de um branco reluzente, decoradas com quadros abstratos que provavelmente custaram mais do que meu carro. Cada detalhe gritava perfeição e controle, características que meu pai achava essenciais para o sucesso.

Assim que entrei na sala de conferências, notei os olhares curiosos e discretos da equipe, uma mistura de admiração e desconforto. Eu sabia o que eles pensavam:

"Lá vem a filha do chefe, atrasada como sempre." Mas hoje eu não vinha atrasada. Não era novidade que minha reputação como "criativa desorganizada" circulava pelos corredores da empresa. Mas eu estava ali para provar que, apesar da bagunça, eu entregava resultados.

Pelo menos, era o que eu planejava... até vê-lo sentado à cabeceira da mesa, como se fosse o dono do lugar.

Alexander Beaumont.

Ele vestia um terno azul-marinho impecável, com a gravata levemente afrouxada, como se quisesse demonstrar uma rebeldia calculada. Seus olhos tão azuis percorreram a sala com calma, mas se fixaram em mim por tempo demais. O sorriso que ele me lançou era uma mistura de sarcasmo e desafio, e eu já sabia que aquele dia seria um desastre.

- Isabella Whitmore - ele disse, com a voz baixa e carregada de ironia. - Que prazer finalmente trabalhar com você.

Prazer? Ele não fazia ideia do quanto eu queria socar aquele sorriso arrogante.

Meu coração acelerava a cada segundo, não por causa do encontro, mas pelo misto de raiva e ansiedade que aquele homem despertava em mim. Ele era a personificação de tudo que eu desprezava, perfeccionista, metódico e com uma autoconfiança que beirava a arrogância.

Enquanto eu me sentava à mesa, tentando manter a compostura, meus pensamentos eram um turbilhão. Como ele ousava invadir o único espaço em que eu tinha algum controle? Meu pai já não tinha feito o suficiente ao anunciar esse casamento absurdo?

Do outro lado da mesa, Alexander parecia completamente à vontade, folheando os papéis como se já fosse o dono da empresa. O fato de ele ser lindo só piorava as coisas. Cada movimento calculado, cada palavra dita com aquela voz rouca, só aumentava minha irritação.

- Você chegou atrasada - ele comentou, sem nem me olhar.

Respirei fundo, tentando não explodir.

- Eu não cheguei atrasada e você está no lugar errado. Essa mesa é para quem trabalha aqui, não para turistas.

Ele finalmente levantou o olhar, e o brilho em seus olhos indicava que ele estava gostando da troca.

- Estou aqui para entender como essa empresa funciona, já que, pelo visto, vou ter que salvar sua pele em breve.

A tensão entre nós era quase palpável, e eu sabia que os outros na sala estavam desconfortáveis. Mas eu não ia deixar que ele me intimidasse.

A reunião começou, mas era impossível ignorar os olhares furtivos que Alexander e eu trocávamos. Cada comentário dele parecia uma provocação direta, e eu respondia com farpas disfarçadas de profissionalismo.

- A campanha atual precisa de mais foco - ele disse, folheando os slides com um olhar crítico. - Não é só sobre criatividade, mas sobre estratégia.

Eu cruzei os braços, levantando uma sobrancelha.

- Ah, claro. Porque estratégia é a especialidade de quem abandona o próprio negócio, não é?

A sala ficou em silêncio, e eu pude ver Sophie, minha colega de equipe, segurando o riso. Alexander apenas sorriu, inclinando-se para frente.

- Abandonar meu negócio foi uma escolha estratégica, senhorita Whitmore. Mas entendo que você tenha dificuldade em compreender isso.

Meu sangue fervia. Como ele ousava?

Ryan, outro membro da equipe, pigarreou, tentando aliviar a tensão.

- Talvez devêssemos nos concentrar nos resultados da última campanha antes de... ahn... avançarmos.

Mesmo assim, a troca de farpas continuou, cada frase nossa carregada de sarcasmo e segundas intenções.

Após a reunião, fui até meu escritório, determinada a evitar qualquer contato com Alexander. Mas, claro, ele parecia ter o talento de aparecer nos momentos mais inoportunos.

- Fugindo de mim, Isabella? - sua voz ecoou na sala enquanto ele encostava na porta, os braços cruzados.

Eu me virei, sentindo a raiva subir.

- Não tenho tempo para você, Alexander.

Ele se aproximou, e a intensidade em seus olhos me prendeu no lugar.

- Você sempre tem tempo para brigar comigo. Por que não para conversar?

Eu ri, sem humor.

- Conversar? Isso é o que você chama de invadir minha reunião e criticar tudo o que eu faço?

Ele deu um passo à frente, e eu recuei instintivamente. A proximidade era sufocante, mas não de uma forma ruim. Era como se o ar ao nosso redor tivesse mudado, ficando mais denso.

- Você gosta de me odiar, não é? - ele murmurou, a voz mais baixa.

Eu cruzei os braços, tentando manter o controle.

- Gosto de manter pessoas como você no lugar delas.

Antes que eu pudesse processar o que estava acontecendo, ele inclinou a cabeça e me beijou. Foi rápido, quase bruto, e cheio de uma raiva que parecia tão intensa quanto a minha. Quando ele se afastou, ambos estávamos sem fôlego.

- Isso foi um erro - eu disse, a voz trêmula.

Ele apenas sorriu, aquele maldito sorriso que fazia meu coração disparar.

- Talvez. Mas você não vai esquecer.

Eu queria jogá-lo pela janela. Ou talvez beijá-lo novamente.

O resto do dia foi um borrão. Cada vez que eu pensava no que havia acontecido, sentia uma mistura de raiva e... outra coisa que eu não queria admitir.

Alexander agia como se nada tivesse acontecido, e isso só me irritava mais. Mas, toda vez que nossos olhares se cruzavam, havia algo ali. Algo que nenhum de nós sabia como lidar.

Ele me olhava com aquela maldita confiança. E eu... Eu não sabia se queria gritar ou beijá-lo de novo.

Quando voltei para casa, ainda tentando processar os eventos do dia, meu telefone vibrou com uma mensagem. Era de Alexander.

"Espero que tenha gostado da nossa reunião. Ainda vamos ter muitas dessas."

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