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Nos Braços do Vor - Amante do Mafioso Russo

Nos Braços do Vor - Amante do Mafioso Russo

Autor:: Lanny Domiciano
Gênero: Romance
Quando Alina, uma jovem determinada a escapar das dificuldades de sua vida modesta, cruza o caminho de Nikolai Volkov, um poderoso e impiedoso líder da máfia russa, sua vida muda para sempre. Sem saber, ela se vê envolvida em um perigoso jogo de poder, traição e desejo. Nikolai, um "Vor v zakone", governa seu império com mãos de ferro e coração de pedra, mas a inesperada atração por Alina começa a ameaçar seu controle frio e calculista. À medida que os dois se aproximam, Alina é sugada para o sombrio e fascinante mundo da máfia russa, onde luxos perigosos e inimigos implacáveis a cercam. Entre a lealdade à sua própria vida e a paixão por um homem que representa tudo o que ela deveria temer, Alina precisa decidir se está disposta a pagar o preço de ser a amante de um mafioso. No submundo de Moscou, amor e lealdade podem custar mais caro do que a vida.

Capítulo 1 Alina

A vida em Moscou era como um quebra-cabeça onde as peças nunca se encaixavam. Eu nasci e cresci aqui, mas, mesmo depois de tantos anos, ainda me sentia uma estranha, como se a cidade fosse uma força implacável, disposta a esmagar qualquer um que não se conformasse com suas regras. Moscou não perdoava. E, apesar de seu brilho e esplendor, seu coração era feito de aço e concreto, frio e cruel.

Trabalhava como garçonete em um restaurante na Tverskaya, uma das principais ruas da cidade, onde a riqueza e a miséria coexistiam lado a lado. Eu via todos os dias os homens de terno, as mulheres de casacos caros e perfumes intensos, passando por mim sem nem sequer um olhar. Eles riam, brindavam, faziam negócios e me ignoravam como se eu fosse invisível. Era uma rotina exaustiva, mas, de alguma forma, eu me agarrava à esperança de que algum dia conseguiria escapar dessa vida que parecia me prender como uma gaiola de ouro.

O inverno em Moscou era especialmente implacável. Às vezes, o frio parecia um lembrete cruel de que eu não pertencia àquela cidade. E, mesmo trabalhando dentro do restaurante aquecido, o vento congelante que entrava toda vez que a porta se abria parecia invadir cada célula do meu corpo, como se quisesse me alertar de que, aqui, eu sempre seria uma intrusa.

Minha jornada no restaurante começava cedo e terminava tarde. Cada cliente que eu atendia parecia levar consigo um pedaço da minha energia, e a cada sorriso que eu forçava, sentia como se estivesse me distanciando dos meus sonhos, do pouco que restava de quem eu queria ser. Observava as pessoas, cada uma com suas histórias, seus mistérios, e me perguntava o que as trazia até aqui, o que as mantinha tão atreladas àquele estilo de vida. Às vezes, achava que eles, assim como eu, estavam presos em suas próprias prisões invisíveis, apenas com correntes diferentes.

Naquela noite, depois de mais um turno exaustivo, decidi andar um pouco antes de voltar para casa. Moscou à noite era uma mistura de beleza e perigo, como uma armadilha traiçoeira pronta para capturar os desprevenidos. O brilho das luzes contrastava com as sombras, e cada esquina parecia esconder segredos sombrios, histórias que nunca seriam reveladas. Caminhei pelas ruas frias, deixando o vapor de minha respiração se misturar com o ar gelado. Eu sentia o silêncio daquela cidade que nunca dormia, e, de alguma forma, era reconfortante, como se o peso do dia finalmente estivesse se dissipando.

Passando por uma rua pouco movimentada, percebi uma movimentação estranha ao longe. Dois homens estavam encostados em um carro preto, em uma postura tensa. Eu sabia que Moscou tinha suas próprias regras, e havia lugares onde certas coisas simplesmente não deveriam ser questionadas. Mas havia algo nesses homens que me chamou a atenção. Pareciam estar esperando alguém, os rostos cobertos por gorros e cachecóis, os olhos sempre alertas. Eu estava a uma distância segura, mas senti um calafrio percorrer minha espinha.

Continuei andando, tentando parecer o mais indiferente possível, mas não consegui evitar olhar para trás mais uma vez. E foi aí que o vi.

Nikolai Volkov.

Eu só descobriria mais tarde, mas naquele momento, ele era apenas um homem imponente, com uma aura de poder e mistério que parecia envolver tudo ao seu redor. Ele saiu de um carro com um passo firme, sua figura alta e os traços marcantes destacando-se na luz fraca da rua. Usava um casaco escuro que parecia fazer parte da escuridão ao seu redor, e seu olhar era frio e penetrante, como se nada pudesse escapar de sua observação. Ele parou por um momento, avaliando o ambiente ao seu redor, e quando seus olhos passaram por mim, senti um choque, como se tivesse sido exposta, vulnerável.

O tempo pareceu parar. Eu sabia que deveria desviar o olhar, continuar andando e não me envolver em algo que claramente não era para mim. Mas algo nele me prendeu. Havia uma intensidade em seu olhar, uma força silenciosa que me deixava sem reação, como se estivesse diante de algo perigoso e fascinante ao mesmo tempo. Mesmo de longe, eu podia sentir o magnetismo que ele exalava. Ele era alguém que não precisava de palavras para impor respeito. Sua presença era suficiente.

Nikolai trocou algumas palavras com os homens e, depois, desapareceu em um prédio ao lado. A cena durou apenas alguns segundos, mas foi o suficiente para gravar sua imagem em minha mente. Havia algo nele que me atraía, um enigma que eu queria decifrar. Eu sabia que aquele tipo de curiosidade podia ser perigoso, especialmente em uma cidade como Moscou, mas, naquele instante, não me importei. O que eu poderia perder, afinal?

Voltei para casa com a imagem de Nikolai gravada na mente. Algo em mim havia mudado, como se o encontro casual tivesse plantado uma semente de inquietação que agora crescia a cada segundo. Passei a noite pensando nele, tentando entender por que aquele homem, que eu nunca havia visto antes, conseguia mexer tanto comigo. Era um misto de fascinação e temor, uma sensação que eu não conseguia explicar.

Nos dias que se seguiram, tentei esquecer o que vi, mas a verdade é que Moscou nunca me pareceu a mesma depois daquela noite. Cada esquina, cada rosto, cada som parecia carregado de segredos. Era como se eu tivesse sido puxada para uma parte da cidade que eu sempre ignorei, uma realidade que existia nas sombras e que agora começava a se revelar. Eu não sabia o que aquilo significava, mas sentia que, de alguma forma, estava destinada a descobrir.

Talvez fosse apenas minha imaginação, ou talvez algo realmente estivesse mudando em minha vida.

Capítulo 2 Alina

Naquela semana, Sergei, o dono do restaurante, nos chamou em uma reunião apressada e anunciou com entusiasmo: nosso restaurante havia sido escolhido para fornecer o buffet em um evento de caridade importante. Alguns funcionários ficaram empolgados, animados com a chance de trabalhar em um ambiente de alta classe e, quem sabe, fazer contatos com clientes mais generosos e influentes. Eu, por outro lado, me limitei a forçar um sorriso. Esse tipo de evento significava, para mim, mais trabalho e um cansaço ainda mais intenso.

Além disso, sabia que o reconhecimento sempre acabava nas mãos de Sergei.

Mesmo sem toda a empolgação, não pude evitar uma pontinha de curiosidade. Era uma chance rara de ver de perto aquele mundo de glamour e riqueza que eu sempre via à distância, de espiar por uma fresta o que seria viver cercada de luxo.

O evento foi marcado para uma noite gelada em uma mansão nos arredores de Moscou, um daqueles casarões que pareciam existir apenas em filmes. Me vesti com meu uniforme habitual de garçonete - um avental preto simples sobre uma blusa branca impecavelmente passada, o cabelo preso em um coque baixo - e peguei o primeiro táxi que passou. O caminho até o local foi uma eternidade, com o motorista se perdendo duas vezes, o que só aumentou meu nervosismo. Eu não podia chegar atrasada; Sergei não perdoaria.

Quando finalmente cheguei à mansão, fui surpreendida pelo tamanho do lugar. A fachada era imponente, com colunas brancas e amplas janelas. Parecia um palácio, e, por um instante, me senti ainda menor e mais insignificante, uma peça qualquer em meio a tanta opulência. Respirei fundo e entrei no salão.

Lá dentro, tudo era ainda mais luxuoso do que eu imaginava. O salão era decorado com lustres de cristal que lançavam um brilho dourado sobre os convidados. As paredes estavam adornadas com tapeçarias e obras de arte, cada peça mais cara que tudo o que eu tinha ou poderia ter. As pessoas estavam vestidas como personagens de uma ópera, cada uma em um traje mais extravagante do que o outro, suas vozes em conversas baixas, risadas contidas e olhares avaliadores.

A noite se estendeu em um ritmo frenético. Eu mal conseguia parar para respirar, correndo de um lado para outro com bandejas de champanhe e petiscos. Meus dedos congelavam enquanto eu segurava as taças de cristal, e o som das risadas e das conversas ecoava pelo salão como uma música orquestrada, harmoniosa e calculada. Por trás das palavras gentis, havia algo nas expressões dos convidados que eu não conseguia identificar, algo que parecia mesclado com arrogância e indiferença.

Enquanto eu servia, meus olhos vagavam pelo salão, tentando absorver cada detalhe daquela noite. Foi então que o vi. Nikolai Volkov. Mas aquele rosto não me era estranho. Era o mesmo homem que eu havia visto dias antes, com os homens encapuzados e o olhar de aço. Ele estava ali, parado, próximo a uma das enormes janelas que davam para o jardim coberto pela neve.

Nikolai estava de terno escuro, perfeitamente ajustado ao seu corpo, exalando uma confiança que intimidava qualquer um ao redor. Seus olhos, de um tom escuro quase preto, estavam voltados para o salão, observando as pessoas com uma calma calculada, mas havia algo em seu olhar que me causava arrepios. Uma frieza que parecia observar tudo, captar cada detalhe, cada movimento, como um predador paciente.

Nossos olhares se encontraram, e senti um choque percorrer meu corpo. Ele me fitou por alguns segundos, e parecia que o tempo havia parado. Não havia expressão em seu rosto, mas seus olhos... seus olhos tinham uma intensidade que me atravessava. Fiquei imóvel, sentindo um misto de nervosismo e fascinação. Não era apenas sua aparência que chamava atenção, embora ele fosse, sem dúvida, o homem mais impressionante que eu já havia visto. Era o que ele representava: poder. Um poder sombrio, envolto em segredos, como se ele carregasse o peso de algo maior e perigoso.

Desviei o olhar rapidamente, tentando disfarçar o embaraço, sentindo o rosto queimar. Voltei a servir as taças, me concentrando nos sorrisos automáticos e nos gestos ensaiados, tentando ignorar a sensação de que Nikolai ainda me observava. Não podia me permitir perder o foco. Esses eventos exigiam perfeição, e eu precisava fazer meu trabalho de forma impecável. Mas a presença dele permanecia em minha mente, como uma sombra constante, trazendo à tona um medo que eu não conseguia definir.

A noite avançou, e o salão ficou ainda mais cheio. Todos estavam rindo, brindando, discutindo sobre investimentos, e eu passava com as bandejas, forçando um sorriso, tentando ser invisível. A certa altura, senti uma mão segurar meu braço. Meu coração disparou.

Era um dos convidados, um homem com o rosto avermelhado, provavelmente mais bêbado do que gostaria de admitir. Ele me puxou um pouco mais forte do que o necessário, aproximando-se demais.

- Você trabalha aqui? - ele perguntou, arrastando as palavras, o hálito cheirando a vodka cara.

- Sim, senhor, posso ajudá-lo com alguma coisa?

Ele sorriu, mas seu sorriso não tinha qualquer traço de gentileza. - Eu só queria que alguém tivesse uma conversa interessante comigo. Todos aqui estão tão... entediantes.

Tentei me soltar, mas ele apertou meu braço ainda mais. Senti o desconforto se transformar em medo, mas mantive o rosto sereno. Um dos seguranças do evento percebeu a situação e se aproximou, mas antes que pudesse intervir, uma voz firme e gelada cortou o ar.

- Solte-a. Agora.

Olhei para o lado e vi Nikolai parado, observando o homem com uma expressão impassível. Seus olhos eram de aço, frios e calculistas, mas havia uma ameaça silenciosa em seu tom. O homem soltou meu braço imediatamente, murmurando alguma desculpa, e se afastou, visivelmente intimidado.

Nikolai então se virou para mim, e por um momento, não soube o que fazer. Ele me observou em silêncio, e, em seus olhos, havia uma curiosidade inesperada, como se ele quisesse entender o que me havia levado até ali, naquele ambiente que claramente não era meu.

- Você está bem? - perguntou, com um tom que me surpreendeu. Ele parecia genuíno, mesmo que sua voz ainda soasse dura e controlada.

Assenti, tentando manter a compostura. - Sim, senhor, obrigada.

Ele apenas balançou a cabeça, um leve sinal de aprovação, e voltou a sua atenção para o salão. Fiquei ali, por alguns segundos, tentando absorver o que acabara de acontecer. Nikolai havia me ajudado. Mas por quê? Ele não parecia o tipo de homem que interviria sem um motivo.

Passei o restante da noite em estado de alerta, ainda sentindo os olhos de Nikolai em mim a cada instante. Não olhava diretamente para ele, mas podia senti-lo, como uma presença constante. Em algum momento, precisei me apoiar em uma das paredes do salão para recuperar o fôlego, tentando acalmar meu coração que insistia em bater rápido demais.

Quando a noite finalmente acabou, eu estava exausta, mas a imagem de Nikolai continuava gravada em minha mente. Havia algo nele que me atraía e ao mesmo tempo me aterrorizava. Senti que havia algo mais, algo que ele escondia, uma força sombria que eu não conseguia ignorar.

Eu não sabia o que o futuro reservava, mas algo me dizia que aquele encontro havia mudado tudo.

Capítulo 3 Nikolai

A vida nunca me ofereceu opções fáceis, nem abriu portas por gentileza. Para chegar onde estou hoje, cada passo foi meticulosamente calculado, cada gota de sangue derramada, um investimento necessário. Meu nome é Nikolai Volkov, o vor de Moscou. Para muitos, isso significa ser o chefe da máfia russa, um título que inspira respeito e medo. Mas para mim, ser o vor é mais do que isso. É uma sentença, um fardo que carrego com orgulho e ressentimento. Porque a verdade é que o poder não vem sem custo, e o que mais custa é o passado que deixamos enterrado.

Nesta cidade, todos sabem quem eu sou e o que eu faço. Moscou respira a meu comando. Ela é uma amante traiçoeira, que exige controle constante, vigilância constante. Cada esquina, cada negócio, cada rosto que cruza o meu caminho tem um propósito que se relaciona, de alguma forma, com o império que construí. E enquanto cuido de manter essa cidade em linha, em casa, levo um casamento tão gelado quanto as ruas de Moscou no inverno.

Meu casamento com Viktoria é uma conveniência estratégica, algo que eu e ela compreendemos. Viktoria não me ama, e eu... tampouco me permito amar alguém. Nosso vínculo é forjado a partir de interesses mútuos e benefícios calculados. Ela é filha de um ex-chefe do governo que me ofereceu vantagens políticas quando tudo começou. Casar-me com ela foi uma maneira de solidificar meu poder, de me tornar inquestionável. Ela sabe de minha vida, de meus negócios, mas há uma frieza entre nós que nem o álcool ou as noites silenciosas conseguem aquecer. E para mim, isso é conveniente. Sentimentos são fraquezas que não posso me permitir.

Hoje à noite, enquanto caminho pelas ruas de Moscou, sinto o peso de cada decisão que me trouxe até aqui. Visto meu terno preto e saio, como faço todas as noites, inspecionar meus negócios. As pessoas nas ruas evitam meus olhos, afastam-se, como se minha presença fosse um aviso. E, em certo sentido, é. Viktor, meu braço direito, me segue, atento como sempre. Ele é o único em quem confio para estar ao meu lado, silencioso e letal.

- Senhor, o problema com os negócios no sul parece estar piorando - Viktor diz enquanto caminhamos. - Ouvi dizer que estão pensando em atrair novos investidores.

Suspiro, sentindo a familiar frustração crescer. Sempre há aqueles que acreditam que podem desafiar a autoridade do vor, achando que um novo dinheiro, uma nova aliança, vai lhes dar alguma vantagem. Uma ilusão. Moscou não perdoa quem brinca com o poder. Eu os ensinarei, um por um, o que significa se opor aos Volkov.

O Jantar e a Visita

Chego ao restaurante que funciona como fachada para um dos meus negócios. Lá, um grupo de homens me aguarda. São investidores, alguns com rostos familiares, outros estrangeiros que estão aprendendo o que significa negociar em solo russo. Sentado à mesa, observo o ambiente. A comida é farta, o vinho é caro, mas o verdadeiro valor daquela sala está no silêncio que ela impõe. Cada palavra que dizem é cuidadosamente calculada, cada olhar, medido. Moscou não é lugar para amadores, e minha presença ali os lembra disso.

Enquanto as discussões continuam, percebo um olhar nervoso vindo de um dos homens, um novo rosto que claramente não entende as regras do jogo. Ele tenta argumentar sobre lucros, propor uma reestruturação de contrato. Sorrio, um sorriso vazio que é suficiente para silenciá-lo. Não há espaço para negociações quando o assunto é o império Volkov.

Depois do jantar, volto ao meu escritório, onde a verdadeira ação da noite se desenrola. Dmitri, um dos antigos aliados que recentemente decidiu agir pelas sombras, aguarda amarrado a uma cadeira no centro da sala. Ele é um homem forte, mas sua postura agora é de um homem derrotado, sua respiração pesada ecoando no silêncio do lugar. Aproximo-me, observando-o em silêncio, e ele me encara, uma mistura de medo e arrependimento no olhar.

- Dmitri, por que me obrigou a fazer isso? - pergunto, com a voz baixa.

Ele balbucia algo sobre desespero, fala sobre necessidade, sobre como precisou buscar alternativas para se sustentar. Suas palavras são como veneno, tentando justificar a traição. Sinto o peso de cada justificativa inútil, cada palavra vazia que sai de sua boca. No mundo que construí, não há espaço para traição. Não há espaço para erros.

Com um aceno de cabeça para Viktor, dou o sinal. Ele puxa uma arma e a coloca na mão de Dmitri. Este é o único presente que ofereço aos que traem a família: a chance de escolher seu fim.

- Dmitri, sei que sabe o que fazer. Escolha - murmuro, cruzando os braços e observando enquanto ele, com as mãos trêmulas, segura a arma.

Ele hesita, o suor escorrendo pelo rosto, a respiração agora descompassada. Por um momento, vejo em seus olhos o mesmo pavor que me cercava quando era um garoto tentando sobreviver nas ruas de Moscou. Lembro-me do sangue, da escuridão, do medo que me forçou a endurecer, a me tornar quem sou hoje.

Mas não há piedade em meu olhar, apenas uma aceitação fria do destino que Dmitri escolheu para si. Ele finalmente levanta a arma e, com um último olhar, aperta o gatilho.

Reflexos e um Passado que Nunca Dorme

Após o som seco do disparo, deixo Viktor cuidar dos detalhes. Dmitri é apenas mais um, um exemplo do que acontece com aqueles que decidem cruzar a linha. Saio do escritório e dirijo-me para casa, o silêncio me envolvendo. Naquelas horas da madrugada, minha mente vagueia, lembrando-se de como cheguei aqui.

O passado é uma sombra que nunca me deixa. Quando era jovem, não havia proteção, não havia ninguém para me amparar. Cresci no meio de prédios decadentes e pessoas que apenas sobreviviam. Tive que lutar, tive que sangrar e fazer escolhas que ninguém deveria fazer. Não foi uma vez, mas diversas vezes que estive à beira da morte, e cada vez que me levantei, sentia que me tornava um pouco mais imune ao medo, mais ciente do que era necessário para sobreviver.

E, então, veio Viktoria. Ela também tinha cicatrizes, embora as escondesse por trás de seu rosto frio e sua elegância calculada. Nosso casamento foi uma fusão de interesses, uma transação fria, um contrato sem sentimentos. Ela nunca perguntou sobre os detalhes do que faço, e eu nunca precisei explicar. De alguma forma, isso a torna uma parceira ideal. Mas no fundo, ambos sabemos que estamos apenas jogando papéis que a sociedade exige.

Enquanto entro na casa silenciosa e vejo Viktoria na sala, sentada com um livro nas mãos, ela apenas levanta o olhar brevemente. A expressão em seu rosto não muda, mas os olhos dela me observam com uma curiosidade contida, como se quisesse perguntar, mas desistisse antes que a pergunta saísse.

- Boa noite, Nikolai - ela diz, com um tom distante.

Respondo com um aceno, sem me aproximar. Ambos somos prisioneiros desse acordo, mas prisioneiros conscientes, que conhecem as razões e aceitam o destino. Eu me dirijo ao meu escritório, onde mantenho as luzes baixas e deixo apenas o som da cidade preenchendo o silêncio.

Em Moscou, não há descanso. Cada dia traz novos problemas, novos inimigos, novas ameaças. E enquanto isso, a cidade continua sob o controle da família Volkov. Este é o meu legado, minha condenação. E, no final, enquanto a cidade dorme, eu vigio, como o guardião silencioso de um império que jamais descansará.

Enquanto olho pela janela para a vasta escuridão da cidade, sinto o peso do título de vor. É um fardo que carrego sozinho, sem espaço para arrependimentos. Aqui, no silêncio de minha solidão, sei que o amanhã trará mais desafios, mais sangue, e que cada passo que dou para manter o poder é uma escolha que me afasta de qualquer traço de humanidade que ainda possa restar em mim.

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