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Nos Braços do CEO

Nos Braços do CEO

Autor:: J.C. Rodrigues Alves
Gênero: Romance
Kathleia cresceu na sombra da irmã, precisando sempre buscar a atenção com seus pais, que sempre preferiam a outra irmã. Com o sumiço repentino da irmã e a morte do pai, acabou recaindo sobre seus ombros a responsabilidade de cuidar da mãe. Investigadora da Narcóticos, prefere passar boa parte do seu tempo em investigações fora do país, do que ao lado da mãe. Tudo muda após uma ligação do México, informando que sua irmã havia sido assassinada. Querendo desvendar o assassinato, Kathleia finge ser sua irmã, descobrindo aos poucos a vida dupla que a irmã tinha, enquanto é ´puxada aos poucos a uma teia de mentiras e traições.

Capítulo 1 Prólogo

- Obrigado por vir.

Ergo um dos cantos da boca num pequeno sorriso, os olhos fixos no copo quase vazio de Mezcal, desviando o olhar em seguida para o tabuleiro de xadrez.

Ele se senta do outro lado da mesa, olhando com curiosidade o tabuleiro com às peças postas.

A pouca iluminação da boate, impedia que visse com clareza os traços do meu acompanhante, que tirava rapidamente um gravador e um bloco de notas da maleta de couro.

-Que tal começarmos do início, Sra. Martínez?

Viro o restante do líquido do copo na boca, apoiando o queixo nas mãos, movendo uma peça preta.

-Já levou um tiro, Sr. Rodriguez?

Ele ergue às sobrancelhas surpreso pela pergunta.

-Não, senhora.

-De imediato não se sente nada, somente uma pressão, como se algo tivesse empurrado com muita força o local onde o projétil entrou. Ou seja, primeiro sente o impacto do projétil. Em seguida o sangue começa a jorrar, e sente uma dormência, causada pela falta de irrigação sanguínea no local. Só depois vem a dor, como se tivesse sido perfurado por um espeto – Pego o pequeno copo de tequila na frente dele, virando na minha boca, usando a garrafa ao lado para encher novamente o copo – A primeira vez que me deram um tiro, acreditei que iria morrer...

Capítulo 2 1

- Aguenta firme.

Respirava pelos meus lábios entre abertos, enquanto o sangue se acumulava no meio da minha clavícula.

Sara pressionava com força o ferimento, na tentativa de conter o ferimento.

Por de baixo das pálpebras notava o desespero tomando conta de seu corpo lentamente e neste momento, tive a impressão de estar na linha tune da vida e da morte.

Dizem que quando estamos à beira da morte temos alucinações, particularmente acredito que nos reencontramos com nossos entes queridos e que a morte não é o fim.

Afirmo isto, pois um pouco distante de nós, vi meu pai, falecido há quinze anos.

Suas fisionomias continuavam às mesmas e o leve sorriso em seus lábios de alguma forma dizia que ficaria tudo bem.

Perco a consciência em alguns momentos, indo e vindo a todo instante. O olhar preocupado de Sara estava sempre presente e apenas se afastou quando uma dupla de enfermeiros, empurrou a maca que estava para dentro de uma sala.

Apago.

Quando abro novamente meus olhos, a luz branca sob minha cabeça, tremula minha visão. Os médicos ao meu redor estavam concentrados, conversando entre si, enquanto os aparelhos ligados ao meu corpo fazem barulho.

Noto meu pai num canto da sala, observando tudo atentamente, seus olhos preocupados seguiam os movimentos dos médicos.

E novamente apago, cedendo a inconsciência.

Forço meus olhos a se abrirem, aperto-os com força, no intuito de melhorar a visão embaçada e notar a figura feminina empoleirada na poltrona à frente da cama.

O ferimento abaixo do meu ombro lateja, me lembrando o motivo pelo qual estava em um quarto de hospital.

Sara se espreguiça, concentrando o olhar em mim ao abrir os olhos.

-Até que fim acordou.

Ela levanta, colocando os cabelos loiro com mechas claras e escuras desgrenhados atrás das orelhas, vestida em um vestido fino florido e jaqueta.

Sara Rodriguez havia se tornado minha amiga no instante em que coloquei meus pés no departamento da narcóticos. Uma mulher simples e reservada que com a morte dos pais, mortos pelo Cartel Gimenez, quando ainda morava na Colômbia, teve que morar com seus avós paternos, a quem lhe tinha grande gratidão.

Entretanto, com a morte dos avós anos mais tarde e sem mais nenhum parente próximo, não hesitou em ir para a América, na tentativa de conseguir sobreviver e conseguiu por parte, após se dedicar completamente a narcóticos.

- ...há quanto tempo...?

-Dois dias – Ela me interrompe - Tem sorte de não estar morta – Seu tom calmo denunciava que estava irritava – O médico cirurgião disse que a bala se alojou acima do seu coração. O que passou na sua cabeça em ir atrás daqueles traficantes!?

-Estavam fugindo e consequentemente matariam você.

-Tinha tudo sob controle – Ela rebate, diminuindo ainda mais os olhos estreitos, cruzando os braços sob o peito.

Franzo o cenho ao tentar me mexer e sentir os pontos repuxando a pele costurada.

-Não contou para minha mãe que estou no hospital, não é?

-E tentá-la matar do coração como tentou fazer comigo? Não, eu não contei – Sara enche os pulmões de ar, soltando os braços - Vou chamar o médico.

A observo prender o cabelo no alto da cabeça antes de sair do quarto.

Sara continuaria irritada pelas próximas horas, seu jeito de continuar a dizer que fui imprudente e por certa parte, sabia que havia sido.

Há alguns meses estávamos infiltradas no Cartel Rivas que abastecia regularmente pontos de drogas em Los Angeles e outras cidades fora do país.

Rick Ross, era o líder, a não ser pelas mulheres que o cercava e o luxo, passaria despercebido. Então, após entrarmos em uma de suas festas altamente protegidas e tendo como principal aperitivo a cocaína, atraímos sua atenção e logicamente tivemos acesso livre à mansão.

Perto de um ano, já tínhamos provas o suficiente para conseguir a prisão de Ross, só não esperávamos que ele tivesse alguém na narcóticos e que o avisaria da prisão.

Ross teve tempo de planejar sua fuga e de brinde levaria Sara.

Não hesitei em nenhum momento em ir atrás de Sara, não usando apenas o argumento de que era minha parceira, mas por ser minha amiga desde que havia entrado para a narcóticos.

Havia pedido reforço, só não saberia se conseguiriam chegar a tempo. Foi quando fui atrás de Ross em uma pista particular de voo e o próprio atirou em mim. Preciso ressaltar, que meses mais tarde o mataria, por roubar uma de minhas cargas de cocaína.

Sara volta com o médico, permanecendo afastada enquanto o mesmo avaliava o ferimento perto do meu ombro.

O médico acabou por dizer o que já sabia: teria que ficar no hospital pelos próximos vezes, não intuito de fazer alguns exames e me manter em observação caso houvesse alguma complicação.

Capítulo 3 2

- Vai ficar bem? – Sara pergunta, após estacionar o carro na frente de casa, uma semana depois.

Tiro o cinto de segurança, assentindo com um suspiro.

-Vou ficar bem, nos vemos amanhã – Abro a porta, segurando a mala de mão.

-Qualquer coisa me liga, está bem?

Sorrio em concordância.

-Sim, senhora – brinco, fechando a porta.

Sara dá partida quando vou em direção à porta, procurando á chave certa para a fechadura.

Suspiro profundamente ao entrar no vestíbulo, sendo recebida pelo silêncio, constatando que minha mãe deveria estar no bingo.

Subo os degraus da escada em direção ao meu quarto, ouvindo às madeiras rangerem embaixo dos meus pés, abrindo a segunda porta do lado esquerdo.

Dona Rosa, como costumava carinhosamente chamá-la, mantinha meu quarto impecável, mesmo na maioria das vezes não estando em casa devido ao trabalho; Não somente meu quarto, mas também a casa toda, mesmo durante estes últimos anos sendo apenas eu e ela.

Desde que comecei a entender o mundo, tinha meus pais como o final de um conto de fadas, no qual acreditava veemente que viveriam para sempre, mesmo com os conflitos no cotidiano, ainda éramos vistos como uma família feliz, pelo menos era assim que pensava.

Me livro das roupas que vestia, entrando embaixo da água quente que saia do chuveiro. Minha respiração sai tremula, quando lembro tudo com exatidão.

Era mais uma das brigas que tinha com Katerina, pelo mesmo motivo de sempre: por sempre pegar no meu pé. Discutíamos na sala quando nosso pai chegou e calmamente tentou entender o motivo da discursão, ignorando completamente o pedido do médico para evitar situações de estresse.

Aquela noite era a noite de pizza na escola e antes de sairmos, prometeu que quando voltássemos colocaríamos uma pedra sob aquela desavença.

Porém, no caminho da escola, outra discursão se iniciou, mamãe tentava a todo custo nos fazer parar de discutir, em vão, até que desferi um tapa no rosto de Katerina e consequentemente ela avançou em mim.

Meu pai acabou tendo um infarto enquanto dirigia, mamãe assustada não conseguiu o controle do carro e acabamos batendo em um poste.

Lembro claramente dos gritos desesperados de mamãe ao entender o que havia acontecido.

Uma ambulância foi acionada, mas não havia mais nada que pudesse ser feito por papai e Katerina ainda estava desacordada, sendo levada às presas para o hospital, permanecendo em um coma induzido por um mês por conta de um traumatismo craniano.

Com a morte de papai e com o estado clínico de Katerina grave, mamãe praticamente evitada minha existência. Não se importando se comparecia na escola ou nas atividades extracurriculares. Perambulava pela casa sempre com lágrimas nos olhos, sempre dedicando uma parte de seu tempo à Katerina.

Deixo o banheiro enrolada em uma toalha, usando outra para secar meu cabelo. Meus olhos vão de encontro a fotografia na pequena estante ao lado da porta, tínhamos oito anos e estávamos contentes em ir pela primeira vez ao cinema.

Papai também estava sorridente e mamãe tinha um sorriso contido.

Éramos seus milagres, suas gêmeas que lutaram bravamente em uma uti neonatal, por terem nascido prematuras.

Talvez seja por isto que após a alta de Katerina, mamãe anunciou durante o jantar silencioso que iríamos para a América. Usará como argumento o fato de não podermos mais morar em Cholula, devido á todas as lembranças que a faziam lembrar de papai e por acreditar que merecíamos um recomeço.

Então em um belo dia ensolarado, cujo não havia nenhuma nuvem no céu, uma de meus dias preferidos, é claro, deixamos o México com destino a Harlem em Manhattan, onde apenas uma vendedora de imóveis nós aguardava.

Dona Rosa acreditava que era um bom recomeço e que estaríamos longe de problemas.

Só que não foi exatamente o que aconteceu.

Os meses seguintes se tornaram um inferno e tinha minha parcela de culpa.

Acabo por dormir, ainda enrolada na toalha, despertando tempo depois com barulhos vindo do andar inferior.

Esfrego meus olhos enquanto caminho em direção a cozinha, bocejando ao ver minha mãe no cômodo a frente.

-Kathléia - diz pousando o copo sobre a mesa - Não sabia que voltaria hoje para casa –Ela se aproxima me abraçando, inspiro profundamente seu perfume, ignorando a dor do contato com o ferimento abaixo do meu ombro - Está tudo bem?

-Sim. Está - digo automaticamente, me servindo de água - Foi ao bingo?

Ela assenti terminando de beber sua água.

-Deveria vir quaisquer dias deste. Iria gostar.

Sorrio levemente, sem mostrar os dentes.

-A filha da Sra. Johnson sempre vai – continua – Katerina gostava de ir a bingos.

Dona Rosa solta o ar dos pulmões, fechando os olhos por alguns instantes.

-Katerina – diz nostálgica – Ela abre os olhos, inclinando a cabeça para o lado – Vejo ela em você, mas você não é ela – diz séria.

Baixo a cabeça, engolindo em seco.

-Katerina era uma ótima filha, tirando seu comportamento estranho depois do acidente...- Ela inspira profundamente, se servindo de mais água.

-Vou preparar o jantar – digo atraindo seu olhar.

-Sabe de como gosto do meu jantar – diz dona Rosa, deixando a cozinha.

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