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Nos braços do Traficante

Nos braços do Traficante

Autor:: J.C. Rodrigues Alves
Gênero: Romance
* Capítulos novos nas terças e sextas* Instagram da autora: J.C.Rodrigues Alves_escritora Quando acreditou que sua vida estava sob controle, Karina Viturino descobre uma gravidez indesejado e acaba sendo sequestrada pouco tempo depois. Levada para o Complexo da Pedreira, se encontra à mercê de um homem perigoso e poderoso, cujo o toque a faz queimar. Um home cuja obsessão e ambição não tem limites.

Capítulo 1 Prólogo

1 ano antes

Sangue.

Há sangue por toda parte. Uma poça se espalha, se multiplicando.

Há sangue nos meus pés, na minha pele, no meu cabelo. Consigo sentir o gosto, o cheiro. Está me cobrindo.

- Faz alguma coisa, porra! - Uma voz grita ao longe, me acordando do transe que me encontrava.

Meus olhos se fixam no homem deitado a minha frente, bonito por sinal. Tinha perfurações no abdomên e outras escoriações mas, o mais grave naquele momento, era os tiros que haviam entrado e não havia saído. Podendo morrer a qualquer momento.

Seus olhos esverdeados estão fixos em mim, quando começo a me mover tentando estancar o sangramento. Era muito sangue, mais sangue que havia visto na faculdade.

Ele faz uns barulhos estranhos, como se estivesse se afogando, sufocando, no próprio sangue e não duvidava disso, pois sua expressão era de dor.

- Você não vai morrer - prometo, lembrando o quê se era necessário para fazer, para reverter aquela situação.

A faculdade não ensinava na prática o quê tínhamos que fazer em uma situação como aquela. O que sabia, era o quê havia aprendido em livros. Nunca nos colocaram diante de uma pessoa com perfurações de tiros, agonizando e prestes a morrer.

A mão dele segura com força meu braço, tamanha a força que começo a sentir um pouco de dor. Meus olhos lacrimejam ao sustentar seu olhar, sentindo por alguma razão empatia por ele.

Aquele não seria o dia que ele morreria.

Capítulo 2 1

Já perdi as contas de quantas vezes vi o sol nascer e não me cansava de ver. Toda vez, era como se fosse a primeira vez.

Era incrível como nascia no horizonte, iluminando tudo com sua cor inicialmente alaranjada, se erguendo lentamente, fazendo com que a escuridão ao redor se dissipasse de uma vez.

Eu gostava de pôr do sol. Aprendi a gostar, devido minha profissão.

- Bom descanso, Dra. Karina - diz o segurança, quando passo por ele.

- Obrigada.

Aquele era o único horário no qual, o hospital estava mais vazio, mas na grande maioria das vezes, não enchia, por se tratar de um hospital particular.

Dou partida no meu carro, deixando o estacionamento. A cidade aos poucos acordava, apesar de muitas pessoas já estarem acordadas mas, para mim, o dia só começava depois que o sol dava suas caras.

Morava desde sempre no Rio de Janeiro, o cartão postal que o mundo tinha em relação aos brasileiros. Todos os olhos estavam virados para nós, tínhamos o melhor do samba, o melhor das praias e o Cristo Redentor.

Mesmo com a criminalidade alta, infelizmente, onde não só nós saíamos prejudicados como turistas, a cidade não perdia seu brilho.

Acreditava que a criminalidade em si, poderia ser resolvida, igual a super lotação nas prisões. Era só adotarmos o mesmo sistema que os americanos tinham e praticamente veríamos todos nossos problemas desaparecerem.

Até meus 17 anos, vivi ao lado dos meus pais. Meu pai era juiz criminal, até morrer de infarto aos 40 anos. Minha mãe, Laura, era cinco anos mais nova que meu pai e advogada.

Foi no meio criminal que ela conheceu meu padrasto, Alex, ele sendo major da polícia da militar. Na mesma semana, ele a pediu em casamento e foram marcar a cerimônia no civil no dia seguinte, se casando um mês depois e deixando para conhecer todos os familiares tanto dele como os da minha mãe, somente no dia do casamento e desde então estavam juntos, isto quase nove anos depois.

Qualquer pessoa, diria que eram o casal perfeito. Não brigavam e Alex fazia todas as vontades da minha mãe, mesmo minha mãe não podendo aumentar nossa família, a deixando paranóica por não poder dar um filho para ele, por ter feito uma laqueadura, logo depois que nasci, temendo que outro bebê vinhesse durante seu resguardo. Essa é minha mãe, sendo minha mãe.

Enquanto eles moravam na Barra da Tijuca, eu morava no Botafogo e gostava, apesar da distância e das reclamações de dona Laura, desejando que comprasse um apartamento mais perto.

Entretanto, preferia dessa forma.

Após estacionar o carro no estacionamento subterrâneo do prédio, entro no elevador, precisando encostar minha cabeça na parede gélida ao me sentir mal.

Aquele era o oitavo dia consecutivo que me sentia daquela maneira, fora outros sintomas que estava sentindo que, inicialmente não dei muita importância mas, depois que se tornaram persistentes, eu como médica, não pude mais ignorar, me fazendo lembrar de um pequeno detalhe.

Há pouco mais de um mês, precisei usar antibióticos e acabou que os mesmos poderiam tirar o efeito do anticoncepcional. Mesmo acreditando que poderia estar com o início de alguma virose ou algo do tipo, descartei inicialmente uma possível gravidez, mesmo os enjoo e tonturas sendo frequentes.

Entro em casa, trancando a porta, antes de colocar minha bolsa sob o aparador ao lado e caminhar na direção do meu quarto, passando pela sala de estar e jantar.

No meu quarto, abro o armário do banheiro, procurando um dos vários testes de gravidez que tinha só para desencargo de consciência, como algo como aquilo acontecia e sempre na maioria das vezes, minhas suspeitas estavam erradas e depois dias depois, minha menstruação descia.

Sigo as instruções da caixa rosa que já sabia de cor, faço xixi num potinho minúsculo e mergulho a tira azul com branco, até a faixa indicativa, deixando sob o lavatório, decidindo que tomaria um banho enquanto isso.

Admitia que havia sido irresponsável. Por ser médica, devia ter lembrado deste pequeno detalhe, mas não lembrei, deixei com que o desejo falasse mais alto e liguei o foda-se para as consequências.

Inspiro e expiro profundamente, tentando acalmar a ansiedade que estava me corroendo.

Sem querer mais esperar, abro o boxe, colocando minha cabeça molhada para fora, molhando a parte que estava seca até então.

Meu coração martelava em meu peito e minha mão tremia, quando a estendi em direção da fita mergulhada na urina e a peguei, ouvindo o pulsar do meu coração em meus ouvidos.

Respiro pela boca, fixando meus olhos no resultado nítido e claro, esquecendo de respirar por alguns segundos, sentindo minhas pernas tremerem e dar indício que iriam me deixar na mão.

Havia duas riscas vermelhas. Nítidas.

Eu estava grávida e não era mais uma paranóia da minha cabeça.

Capítulo 3 2

Eu estava grávida, penso, em baixo do chuveiro, segurando a tira ainda sem acreditar.

- Merda - gemo, pressionando minhas mãos contra o rosto - Merda. Merda. Merda - repito até cansar, me sentindo a pessoa mais inconsequente do mundo.

É quando ouço meu celular tocar e imaginando que seria o segundo responsável por ter feito aquele bebê, desligo o chuveiro, jogo a tira dentro do lavatório e visto o roupão pendurado.

No aparador perto da sala, vasculho minha bolsa atrás do meu celular que, continuava a tocar, desanimando completamente ao ver a foto da minha mãe .

- Oi, mãe - digo ao atender, caminhando de volta para o banheiro, notando as pegadas que deixei no mármore branco.

- Vai dizer que esqueceu? - Fecho meus olhos, massageando as têmporas.

- Não, já estava quase saindo.

- Estou esperando você. Não demore.

- Está bem.

Desligo, vendo meu plano de fingir que não existia ir por água a baixo.

Entrando no meu quarto, vou para o closet, vestindo o mais rápido que podia uma calça legging preta e uma blusa folgada com um top por baixo.

Dona Laura gostava de correr todas as manhãs na praia e fazia questão que a acompanhasse, já que a maioria dos meus plantões eram de noite, o quê me dava o dia inteiro.

No elevador, ponderava a ideia de contar ou não para ela que seria avô. Não tinha dúvida alguma que vibraria de alegria, porém me encheria de perguntas que não podia lhe responder.

Como explicaria quem era o pai daquele bebê?

Como teria aquele bebê?

Mesmo tendo uma vida financeira estabilizada, não queria ser mãe solteira.

Por não estar prestando atenção, quase bati duas vezes o carro, acabando por culpar a confusão que estava meus pensamentos.

O trânsito estava intenso, como de costume.

Mesmo por estarmos no meio da semana, havia pessoas nas praias, banhistas e pessoas que só estavam ali para se exercitar.

Depois de algum tempo, consigo estacionar, levando comigo só a chave do carro e o celular em uma pochete, encontrando minha mãe perto de um quiosque se alongando.

- Oi, bebê - diz me dando um breve abraço - Como você está?

- Estou bem - Olho ao redor, começando a me alongar - E você?

- Perfeitamente bem - Ela se inclina para um lado - Fez turno de quantas horas?

- 12 horas.

- Está passando muito tempo dentro daquele hospital. Está começando a ficar pálida.

Forço um sorriso amarelo, imaginando que minha palidez vinha do fato de estar grávida.

Dona Laura começa a correr num ritmo moderado pelo calçadão de Copacabana. Mesmo fazendo exercícios regularmente, naquele dia me sentia excessivamente cansada e sem ânimo para ir até o final do calçadão e voltar.

Pelo menos, ela não tinha escolhido correr na areia.

A cada passo que dava, a vontade de contar que estava grávida, só crescia. Guardar aquela informação para mim, era demais, não sabia o quê fazer, muito menos como lidar com aquela situação.

Mas contive novamente a vontade de dizer que nossa família iria crescer, mas não do jeito que queria, me dando um irmãozinho ou irmãzinha.

Menos de 100 metros depois, estava começando a desistir da ideia de correr naquela manhã, suando mais do que deveria, sentindo meu corpo amolecer a cada passo que dava.

- Tenho uma coisa para contar - dizemos ao mesmo tempo. Minha mãe para,se mantendo correndo no mesmo lugar.

- Fala você primeiro - digo me apoiando nos joelhos, tentando recuperar o fôlego e juntando coragem para dizer o quê precisava ser dito.

- Estou grávida - diz correndo ao meu redor, parando na minha frente. Em seu rosto havia um largo sorriso, brilhante, mostrando os dentes brancos enfileirados - Não é a melhor notícia que poderíamos receber este ano?

- Como assim, grávida, mãe? Você fez...

- Consegui reverter! - diz quase pulando de alegria - Achei que não poderia mas, depois de alguns exames, o médico disse que só haviam amarrado minhas trompas.

Fixando meus olhos no vazio, tentei imaginar minha mãe aos 44 anos grávida. Grávida. E não consegui.

Parecia ser apenas mais uma piada de mal gosto da parte dela, mas pelo jeito que sorria, tanto com a boca, quanto como os olhos. Aquela notícia estava longe de ser uma piada de mal gosto.

Ela realmente estava grávida.

- Karina? - Ela chama após alguns segundos. Minha visão se torna embaçada, quando tento focar no rosto dela e no segundo seguinte, sinto como se meu corpo fosse desligado da tomada.

Meu corpo tomba para o lado e minha cabeça bate no chão. Tento a todo custo manter meus olhos abertos, ouvindo minha mãe aos gritos, pedindo ajuda.

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