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Nunca Mais Te Largar

Nunca Mais Te Largar

Autor:: Gong Zi Qian Yan
Gênero: Romance
O meu telemóvel vibrou, iluminando o quarto escuro com a notícia do meu diagnóstico final: cardiomiopatia terminal. No ecrã da televisão, vi-a. Fiona, a mulher que amava em segredo desde que me lembrava de existir, a sorrir ao lado de um cantor pop, Hugo Contreras. O anel de noivado no dedo dela era o mesmo que eu tinha desenhado para lhe oferecer no aniversário dela. A traição abriu uma ferida mais profunda que a própria doença. Quando tentei confessar-lhe a verdade da minha sentença, ela chamou os meus sentimentos de "doentios" e acusou-me de ter "problemas mentais" . Mais tarde, o noivo dela orquestrou um relatório médico falso, que me declarou perfeitamente saudável, apenas um manipulador a fingir uma doença para chamar a atenção. A rejeição dela, a sua crença nas mentiras dele, a certeza de que eu era um fardo, levaram-me ao limite. No dia do meu aniversário, o dia do casamento dela, eu entrei numa cápsula de criopreservação. Pedi-lhes que nunca me descongelassem, deixando uma carta que selava a minha despedida. Ela não fez o pedido, não comeu o bolo. Ela estava na lua de mel. Mas a minha súbita e completa evaporação fez algo nela. Encurralada por Hugo, ela descobriu a verdade. O que se seguiria? Uma vida de arrependimento ou uma derradeira tentativa de redenção?

Introdução

O meu telemóvel vibrou, iluminando o quarto escuro com a notícia do meu diagnóstico final: cardiomiopatia terminal.

No ecrã da televisão, vi-a. Fiona, a mulher que amava em segredo desde que me lembrava de existir, a sorrir ao lado de um cantor pop, Hugo Contreras.

O anel de noivado no dedo dela era o mesmo que eu tinha desenhado para lhe oferecer no aniversário dela.

A traição abriu uma ferida mais profunda que a própria doença.

Quando tentei confessar-lhe a verdade da minha sentença, ela chamou os meus sentimentos de "doentios" e acusou-me de ter "problemas mentais" .

Mais tarde, o noivo dela orquestrou um relatório médico falso, que me declarou perfeitamente saudável, apenas um manipulador a fingir uma doença para chamar a atenção.

A rejeição dela, a sua crença nas mentiras dele, a certeza de que eu era um fardo, levaram-me ao limite.

No dia do meu aniversário, o dia do casamento dela, eu entrei numa cápsula de criopreservação.

Pedi-lhes que nunca me descongelassem, deixando uma carta que selava a minha despedida.

Ela não fez o pedido, não comeu o bolo. Ela estava na lua de mel.

Mas a minha súbita e completa evaporação fez algo nela.

Encurralada por Hugo, ela descobriu a verdade.

O que se seguiria? Uma vida de arrependimento ou uma derradeira tentativa de redenção?

Capítulo 1

O telemóvel vibrou sobre a mesa de cabeceira, a tela iluminando o quarto escuro com a notícia do meu diagnóstico: cardiomiopatia dilatada em fase terminal. O médico tinha sido direto, sem rodeios, o que, de certa forma, eu agradeci. Não havia tempo para eufemismos.

Ainda a processar a sentença, o meu olhar foi atraído pela televisão ligada sem som no canto do quarto. Um programa de celebridades exibia fotos do noivado do ano. E ali estava ela, Fiona Murray, a minha tutora, a mulher que eu amava em segredo desde que me lembrava de existir.

Ela sorria, um sorriso contido que eu conhecia bem, ao lado de um cantor pop qualquer chamado Hugo Contreras. O anel de noivado no dedo dela brilhava sob as luzes dos flashes. O meu coração, já fraco, falhou uma batida.

Fui eu que desenhei aquele anel. Era para ser o meu presente de aniversário para ela.

A traição era uma ferida aberta, mais dolorosa que a própria doença. Sem esperança, peguei no portátil. Uma busca rápida levou-me a uma organização suíça controversa, a "Aevitas". Ofereciam um programa experimental de "animação suspensa" para doentes terminais. Uma oportunidade de pausar o tempo, de escapar à dor.

Sem hesitar, preenchi o formulário de contacto. Era uma decisão drástica, irreversível, mas o que mais me restava?

A porta do quarto abriu-se de rompante. Era Fiona, acabada de chegar a casa, já passava da meia-noite. O seu rosto estava tenso, os olhos frios como gelo.

"Liam, ainda acordado? Já te disse para não me esperares."

A voz dela era cortante, sem qualquer vestígio de calor.

"Eu só queria..."

"Não importa o que querias," interrompeu-me ela. "A minha relação com o Hugo é a única coisa que importa agora. E estes teus sentimentos por mim... são doentios. Tens de parar com isto."

Cada palavra dela era um golpe. Doentios. Era assim que ela via o meu amor.

Engoli em seco, a garganta a arder. "Feliz aniversário atrasado, Fiona."

Sabia que seria o último que lhe daria.

Ela pareceu surpreendida por um momento, mas a sua expressão endureceu novamente.

"Vai dormir."

Virei-lhe as costas, escondendo as lágrimas que teimavam em cair. O meu mundo tinha desabado em poucas horas. A notícia da doença, o noivado, a rejeição cruel dela. Tudo se acumulava, um peso insuportável no meu peito.

Na manhã seguinte, o anúncio oficial do noivado estava em todos os portais de notícias. As fotos de Fiona e Hugo sorridentes inundavam a internet. No mesmo instante, recebi um email da Aevitas, confirmando a minha elegibilidade para o programa. O contraste era brutal. A felicidade dela, a minha sentença final.

Tentei ligar-lhe, uma última tentativa desesperada de ouvir a sua voz, de encontrar um pingo de compaixão.

A chamada foi para o correio de voz. Tentei outra vez. E outra. Na quarta tentativa, ela atendeu, a sua voz cheia de impaciência.

"O que é que queres, Liam?"

"Eu só... queria desejar-te felicidades. A ti e ao Hugo." A minha voz saiu embargada, fraca.

Houve uma pausa do outro lado da linha. Senti o seu ceticismo, a sua desconfiança. "Obrigada."

A resposta foi fria, distante.

Reuni as últimas forças que tinha. "Quando é o casamento?"

"No teu aniversário," respondeu ela, sem hesitar. "Daqui a um mês."

Desliguei a chamada. A resposta dela foi o golpe final. O dia do meu nascimento seria o dia da minha morte simbólica. O dia em que a mulher que eu amava se casaria com outro homem.

Capítulo 2

Um flashback rápido invadiu a minha mente. Eu tinha seis anos. As manchetes dos jornais anunciavam o acidente de carro que matou os meus pais. Fiona, a melhor amiga da minha mãe e minha madrinha, apareceu no orfanato alguns dias depois. Ela ajoelhou-se à minha frente, os seus olhos, naquela altura, cheios de uma tristeza genuína e calor.

"Vou cuidar de ti, Liam. Prometo."

E ela cumpriu. Naquela primeira noite na sua casa enorme e vazia, eu não conseguia parar de chorar. Apontei para o céu escuro através da janela do meu novo quarto.

"Eu quero uma estrela. A minha mãe dizia que as pessoas que morrem viram estrelas."

No dia seguinte, Fiona trouxe-me um certificado oficial de uma organização de astronomia. Tinha comprado e batizado uma estrela com o meu nome. "Agora tens a tua própria estrela, Liam. Ela vai olhar por ti para sempre."

Naquela altura, Fiona era a minha estrela, a minha única fonte de luz e segurança.

Voltei ao presente. Olhei pela janela do meu quarto. O céu estava nublado, sem estrelas visíveis. A minha estrela, tal como Fiona, tinha desaparecido.

O telemóvel tocou. Era o diretor da Aevitas.

"Senhor Gordon, precisamos que venha à nossa clínica local para alguns exames preliminares. É um procedimento padrão."

"Exames?" A minha voz era um sussurro melancólico. "Para quê? Já não há nada para salvar."

"Compreendo o seu sentimento, senhor Gordon," disse o homem com uma voz calma e profissional. "Mas os dados que recolhemos agora são cruciais para otimizar o processo de criopreservação e aumentar as chances de uma reanimação bem-sucedida no futuro."

"Futuro..." Repeti a palavra, vazia de significado para mim. "Está bem. Eu vou."

Não tinha forças para discutir. A esperança era uma chama que se tinha extinguido.

Depois dos exames, entregaram-me uma pasta com documentos e um folheto brilhante sobre o processo. "Animação Suspensa: Uma Ponte para o Futuro". Por um instante, o meu coração acelerou. Um futuro onde talvez eu pudesse reencontrá-la? A ideia foi esmagada quase imediatamente. Ela estaria casada, feliz. Eu não teria lugar nesse futuro.

Quando cheguei a casa, a porta estava aberta. Hugo Contreras estava na sala, de camisa desabotoada, a dar ordens à empregada como se fosse o dono da casa. Fiona estava ao seu lado, e ao ver-me, a sua expressão tornou-se ainda mais fria.

"Hugo vai mudar-se para cá," anunciou ela, sem rodeios. "É melhor que te habitues."

Senti-me um intruso na minha própria casa. Subi as escadas, o coração a pesar uma tonelada. A pasta com os documentos da Aevitas escorregou-me das mãos, espalhando os papéis pelo chão.

Fiona estava logo atrás de mim. Os seus olhos fixaram-se no título do folheto. "Animação Suspensa?"

O pânico apoderou-se de mim. Ela não podia descobrir. Não agora.

"É... é pesquisa," gaguejei, apanhando os papéis apressadamente. "Para uma nova composição. Uma ópera trágica."

Ela olhou-me, os olhos semicerrados, a desconfiança estampada no seu rosto. "Uma ópera trágica? Liam, não tentes usar a morte para me manipular. Eu conheço-te."

"Não estou a manipular ninguém!" A minha voz subiu de tom, misturada com desespero.

"Estás a mentir," acusou ela, a sua voz um chicote. "Tens algum problema mental, Liam? Estás a tornar-te cada vez mais estranho."

A acusação dela deixou-me sem palavras, a dor a apertar-me o peito. Ela não acreditava em mim. Para ela, eu era apenas um mentiroso com problemas mentais.

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