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Nunca te amei, era só um tapa-buraco

Nunca te amei, era só um tapa-buraco

Autor:: Li Zi Hai Shi Xing
Gênero: Moderno
Por cinco anos, eu paguei pela arte dele, pela vida dele e por sua semelhança impressionante com um fantasma. Caio Mendes era meu substituto cuidadosamente selecionado, um corpo quente para preencher o espaço deixado pelo homem que eu havia perdido. Então, meu mundo desmoronou. Minha família adotiva encontrou a filha biológica, e minha herança desapareceu da noite para o dia. Fui cortada, exilada. Foi quando o ouvi rindo. "Ela está sem grana", ele debochou. "Qual o sentido? Ela tinha sua utilidade, mas isso acabou." Ele chamou nossos cinco anos de "conveniência" e zombou da pasta de casamento que eu havia feito em segredo. Em um jantar da empresa, ele beijou outra mulher na frente de todos, depois me deixou para trás quando passei mal, acusando-me de ser cruel. Ele até a trouxe para minha casa, deixando-a usar minhas roupas. Eu suportei tudo, uma clareza fria se instalando sobre mim. Então, quando ele finalmente se ajoelhou, com o anel na mão, implorando por uma segunda chance, eu nem hesitei. "Eu nunca te amei", eu disse, puxando minha mão. "Você era só um tapa-buraco."

Capítulo 1

Por cinco anos, eu paguei pela arte dele, pela vida dele e por sua semelhança impressionante com um fantasma. Caio Mendes era meu substituto cuidadosamente selecionado, um corpo quente para preencher o espaço deixado pelo homem que eu havia perdido.

Então, meu mundo desmoronou. Minha família adotiva encontrou a filha biológica, e minha herança desapareceu da noite para o dia. Fui cortada, exilada.

Foi quando o ouvi rindo. "Ela está sem grana", ele debochou. "Qual o sentido? Ela tinha sua utilidade, mas isso acabou."

Ele chamou nossos cinco anos de "conveniência" e zombou da pasta de casamento que eu havia feito em segredo. Em um jantar da empresa, ele beijou outra mulher na frente de todos, depois me deixou para trás quando passei mal, acusando-me de ser cruel.

Ele até a trouxe para minha casa, deixando-a usar minhas roupas.

Eu suportei tudo, uma clareza fria se instalando sobre mim.

Então, quando ele finalmente se ajoelhou, com o anel na mão, implorando por uma segunda chance, eu nem hesitei.

"Eu nunca te amei", eu disse, puxando minha mão. "Você era só um tapa-buraco."

Capítulo 1

Eu paguei pela arte dele, pela vida dele e por sua semelhança impressionante com um fantasma. Não era um segredo, não de verdade, mas era o tipo de verdade não dita que todos sussurravam pelas minhas costas.

Por cinco anos, Caio Mendes foi meu substituto cuidadosamente selecionado.

Cada exposição em galeria, cada terno sob medida, cada jantar luxuoso... era o meu dinheiro. O ateliê dele, escondido em um loft descolado na Vila Madalena, também era meu. Era uma gaiola de ouro que eu construí, não para ele, mas para mim.

As pessoas zombavam de mim, claro. Eu ouvia os risinhos, os sussurros condescendentes em bailes de caridade e exposições de arte. "Ela está comprando um namorado", diziam. "Que patético."

Eu nunca me importei.

A opinião deles não significava nada quando eu tinha recursos infinitos. A fortuna da minha família era vasta, um poço aparentemente sem fundo que me permitia ditar minha própria realidade, para anestesiar a dor que se instalara no fundo dos meus ossos anos atrás.

"Eu posso fazer o que eu quiser", eu costumava dizer a mim mesma, encarando o perfil perfeito dele, uma imagem espelhada daquele gravado em minha memória.

Mas então, o chão sumiu sob os meus pés.

A filha biológica perdida da família Almeida Prado, um nome sussurrado em tons baixos por décadas, foi encontrada. De repente, meu mundo cuidadosamente construído começou a desmoronar. Minha herança, antes garantida, não era mais minha. Meus pais adotivos, sobrecarregados por sua recém-descoberta conexão biológica, desajeitadamente me empurraram para o lado.

Eu estava sendo exilada. Londres. A filial europeia da empresa. Um afastamento educado, mas firme, da vida que eu sempre conheci.

A notícia me atingiu com força. Andei pelos corredores familiares do ateliê de Caio, o lugar onde eu tinha investido tanto de mim, sentindo um vazio estranho. Meus passos eram suaves no piso de cimento polido, em direção ao escritório dos fundos, onde eu sabia que Caio geralmente cuidava de seus "negócios".

A voz dele, baixa e conspiratória, vazou pela porta entreaberta.

"Ela finalmente está recebendo o que merece", uma mulher riu. Fabi. A amiga de Caio da faculdade de artes, sempre por perto, com um ar de anjo inocente que me irritava profundamente.

Meu coração começou a bater forte contra minhas costelas, uma batida frenética contra o silêncio.

"É o carma", outra voz masculina interveio. "A Clara sempre agiu como se fosse a dona do lugar."

"Ela era a dona do lugar, Marcos", Caio disse arrastado, sua voz tingida com uma diversão fria que eu raramente ouvia direcionada a mim. "E de tudo que tem nele. Incluindo eu, aparentemente."

Inclinei-me para mais perto, a respiração presa na garganta. Meus nós dos dedos estavam brancos enquanto eu agarrava a moldura de metal fria da porta.

"Então, qual é o plano agora que o papai dela a cortou?", Fabi perguntou, sua voz escorrendo uma falsa preocupação. "Você vai mesmo aguentar a transferência para Londres?"

"Você ficou louca?", Caio debochou. "Ela está sem grana. Ou vai ficar, em breve. Qual o sentido? Ela tinha sua utilidade, mas isso acabou."

Um eco agudo e doloroso ressoou em meu peito. Utilidade.

"Quer dizer, você sempre reclamou de como ela era grudenta", acrescentou Marcos. "Sempre ligando, sempre checando. Como se fosse sua dona."

"É, e ela tinha aquela pasta inteira no Pinterest para o nosso 'casamento dos sonhos'", Fabi riu. "Como se você fosse realmente se casar com ela."

Um pavor gelado se espalhou por mim, me arrepiando até os ossos. Minha própria pasta do Pinterest. Aquela que comecei anos atrás, cheia de imagens de uma vida que eu desejava desesperadamente, uma vida que eu estava tentando recriar com ele.

Caio riu, um som áspero e desdenhoso que me rasgou por dentro. "Casar com ela? Por favor. Sempre foi só por diversão. Uma conveniência. Quer dizer, olha pra ela. Ela só queria um corpo quente para preencher um espaço. Eu nunca ia me casar com ela."

Minha visão ficou turva. O mundo girou.

E então, uma estranha e inegável sensação de alívio tomou conta de mim. Foi como se um peso sufocante tivesse sido levantado, substituído por uma clareza cortante.

Ele estava certo. Ele estava absoluta e brutalmente certo. Eu não o queria. Eu queria um substituto, um dublê para o homem que eu perdi, o homem a cuja memória eu me agarrava.

E agora, eu estava verdadeiramente livre, embora não da maneira que eu jamais imaginei. Livre da ilusão que eu havia mantido meticulosamente. Livre dele. A farsa tinha acabado, e eu estava grata por não ter me aprofundado ainda mais nesse arranjo patético.

Capítulo 2

Eu não me mexi. Nem naquele momento, nem quando as risadas cessaram, nem quando suas vozes mudaram para planejar seus próximos passos sem mim. Eu apenas fiquei ali, um fantasma no corredor, deixando suas palavras penetrarem nas partes mais profundas do meu orgulho ferido.

Quando finalmente me virei para sair, meus movimentos foram lentos, deliberados. Meu celular vibrou no meu bolso, uma vibração suave e insistente.

Era o toque especial, aquele que Caio reservava para a Fabi. Eu já o tinha ouvido vezes suficientes para reconhecê-lo, uma melodia alegre e irritante que costumava me dar um nó no estômago.

"Oi, meu bem", a voz de Caio, agora doce como mel, flutuou do escritório. Um contraste gritante com o tom insensível que ele acabara de usar para mim. "Chegou bem em casa?"

Ele prometeu que iria para lá imediatamente. Ele estaria lá em um piscar de olhos.

A urgência dele era chocante. Ele saiu correndo do escritório, quase colidindo comigo quando virei a esquina. Seu rosto, geralmente tão composto, registrou um lampejo de surpresa, depois algo parecido com irritação.

"Clara?", ele disse, franzindo as sobrancelhas. "O que você está fazendo aqui? Ainda aqui, quero dizer."

Ele pensou que eu ainda estava me agarrando. Ainda esperando por ele. Ainda esperando que ele voltasse para casa comigo, como eu sempre fazia.

Seus olhos passaram por mim, em direção à porta, depois de volta para o meu rosto com uma ponta de impaciência. Ele achou que eu estava ali para arrastá-lo, para fazê-lo perder seu encontro.

Ele costumava dizer que eu era possessiva, que o seguia como uma sombra. Era verdade, de certa forma. Eu me agarrei a ele, à ilusão que ele representava, com um desespero que agora reconhecia como doentio.

Eu apenas assenti, incapaz de formar palavras. O que havia para dizer?

Caminhamos em silêncio em direção ao elevador, a tensão entre nós espessa e sufocante. O pé dele batia impacientemente no chão polido. Ele continuava olhando para o relógio, depois para mim, como se desejasse que eu desaparecesse.

"Olha, eu preciso ir", ele disse de supetão, sua voz afiada. "A Fabi está com problemas de novo. O proprietário dela está implicando com o aluguel, e ela acabou de brigar com o pai."

Ele tinha aquele olhar preocupado, o que costumava me enganar, me fazendo pensar que ele realmente se importava. Agora, parecia apenas uma atuação.

"Você pode pegar um táxi, né?", ele perguntou, sem esperar por uma resposta. Não era uma pergunta. Era uma dispensa. "Te vejo mais tarde."

As portas do elevador se abriram, e ele sumiu em um instante, o carro preto elegante acelerando para longe do meio-fio. Eu o observei partir, uma risada amarga borbulhando na minha garganta.

Ele nunca, nem uma vez, me ofereceu uma carona naquele carro. Em cinco anos.

Mas ele estava correndo para salvar sua "caloura" de artes em apuros, a mesma caloura que ele frequentemente buscava em aulas noturnas, a mesma caloura que agora estava convenientemente sem-teto e, aparentemente, ocupando o espaço em seu coração que eu um dia pensei ser meu.

Capítulo 3

Eu disse o endereço ao motorista, minha voz monótona, desprovida de emoção. O caminho para casa foi um borrão. Quando abri a porta do meu apartamento, uma melodia suave vinha da sala de estar.

Fabi estava lá, aninhada no meu sofá, cantarolando junto com uma música no alto-falante inteligente. Meu apartamento. Meu sofá. E em suas mãos, cuidadosamente embalada, estava a caneca de cerâmica que eu pintei com tanto esmero para o Heitor anos atrás. Aquela que eu guardava em um armário trancado, tirando-a apenas no aniversário dele.

Ela estava bebendo nela, uma mancha de chocolate em sua bochecha, um leve rastro de chantilly em seu queixo. Meu coração se apertou no peito, um nó frio e duro.

Caio estava inclinado sobre ela, limpando gentilmente o chocolate de seu rosto com o polegar. Suas cabeças estavam próximas, uma imagem de felicidade doméstica que gritava traição.

Eu simplesmente coloquei minha bolsa no chão, o baque suave ecoando no silêncio repentino.

Então, caminhei até lá, arranquei a caneca da mão dela e a atirei contra a parede oposta. Ela se estilhaçou em cem pedaços, espalhando cacos de cerâmica e restos de chocolate quente pela parede branca imaculada.

Fabi gritou, se escondendo atrás de Caio como uma criança aterrorizada. Seus olhos, arregalados e inocentes, encheram-se de lágrimas.

O rosto de Caio escureceu. "Clara! Que porra foi essa?", ele exigiu, sua voz carregada de veneno. "Você está louca? Ela não fez nada!"

"Ela é só uma criança, Clara!", ele gritou, colocando-se entre nós, protegendo Fabi com seu corpo. "Ela não comeu o dia todo. Eu só a trouxe para casa porque ela não tinha para onde ir!"

Ele acenou com a mão de forma desdenhosa para os cacos. "E por isso? Uma caneca estúpida e velha? Que diferença faz?"

Fabi espiou por trás dele, sua voz trêmula. "E-eu sinto muito, Clara. Eu não sabia que era... especial. Eu só a vi e achei bonita. Eu posso te comprar outra. Eu prometo!"

Ela então passou por Caio, pegando sua pequena mochila. "E-eu vou embora agora", ela choramingou, e então saiu pela porta, desaparecendo na chuva forte que acabara de começar a cair. Uma saída dramática. Uma performance perfeita.

Caio me fuzilou com o olhar, seu rosto uma máscara de fúria e decepção. "Está feliz agora?", ele cuspiu as palavras, sua voz baixa e perigosa. "Ela é alérgica a álcool, e você acabou de mandá-la para aquela tempestade, chateada e sozinha!"

Ele marchou em direção à porta, sem sequer olhar para trás, sem notar o tremor em minhas mãos, ou a forma como meu peito de repente se apertou com uma dor familiar e sufocante. Ele apenas bateu a porta, me deixando em pé em meio aos destroços.

Caminhei até os cacos da caneca, um único fragmento maior contendo os últimos vestígios do chocolate quente. Eu o peguei, ignorando as bordas afiadas, e o levei aos lábios. Estava frio, amargo.

Liguei para o serviço de limpeza. Eles estariam aqui em uma hora.

Então, caminhei para o meu quarto, o silêncio do apartamento pesado ao meu redor, e caí em um sono profundo e sem sonhos.

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