Sou Anellize, tenho 17 anos, e vivo em um reino chamado Anserviel. Muito cheio de peculiaridades, mas bem moderno. Diferente do que muitos estão acostumados, aqui são as mulheres quem governam, independente de serem casadas ou não. Somente elas têm o poder de liderar o reino.
A história do nosso reino começa a séculos atrás. Argio _ nome do antigo pequeno povoado, que fundou Anserviel _ era uma terra fértil, cheia de rios por perto, uma terra ótima para poder viver. Cercada por montanhas de um lado e por um mar violento de outro, se tornava um lugar de difícil acesso. Os poucos que enfrentavam as montanhas, chegavam ao vilarejo bastante cansados e fracos. Os que enfrentavam o mar, só 60% chegavam vivos, mas não significa que chegavam bem. Com o tempo o povoado de Argio foi ficando conhecido pela riqueza que aqui existia, e logo Argio foi ficando enorme.
Levantou-se um líder, o Yamancel _ homem do bem, mas com ideias radicais para a época _ Ele se coroou rei e se casou com uma mulher chamada Ana. O casal teve somente uma filha, a Ansérvia. Yamancel idolatrava-a muito, sua filha era como uma deusa para ele. Quando Ansérvia completou 15 anos, seu pai mudou o nome do reino para Anserviel, em homenagem a sua amada e idolatrada filha. Pouco antes de Ansérvia completar 18 anos, ele criou um decreto que a proibia de se casar _ o que ele queria com isso era dar todo o poder nas mãos de sua filha, independente de qualquer coisa _ E quando Ansérvia fez 19 anos, ele a coroou rainha. Ansérvia estava totalmente preparada para liderar, pois era o que o pai mais a ensinava. Ela liderou sozinha por 2 anos sem a ajuda do pai. Mas com 21 ela queria abdicar da coroa para poder se casar, pois estava completamente apaixonada. Claro que Yamancel não concordou, e deixou que a casasse, mas que ele não seria nada além de marido dela, não teria direito de liderar o reino mesmo se tornando rei.
Ansérvia foi responsável por criar bastantes leis, mas que ao longo do tempo foram adaptadas até chegarem ao modelo que seguimos hoje. Depois de sua morte, todos lutamos para manter o seu legado.
Nossa patriarca queria que somente as mulheres fossem líderes em tudo _ da mesma forma que o pai dela queria que ela lidera-se _ Mas com o passar do tempo só o fato de que as mulheres lideram o reino não mudou.
Como aqui é hierarquia, quando os reis tem uma filha, ela sendo a primogênita herda o trono. Ao completar 19 anos de idade, ela é coroada a rainha. Quando os reis não conseguem ter uma filha e somente tem filhos, eles estão sujeitos a escolher uma esposa em especial, cuja a mesma vira rainha e lidera o reino.
Estamos no 36° reinado. A atual rainha casou-se com o filho único dos antigos reis. A atual rainha, a Haab, tem um único filho com o seu ex marido e antigo rei, o Marcus. Eles se separam a alguns anos e ambos já tem uma nova família. Porém ela continua liderando o reino sozinha. O filho dela, o príncipe Maian, acabou de completar 18 anos, o que significa que ele deve arrumar uma esposa para se casar e serem coroados. A escolha da esposa é total dele, sem nenhuma seleção com milhares de belas moças. Mas isso não significa que ele pode se casar com qualquer uma, ela tem que cumprir pré-requisitos estabelecidos.
As jovens do reino estão a mil. Todas querendo ser a nova rainha. Mas nnão é assim tão fácil.
[...]
Minha irmã, a Antonielle, está preste a completar 19 anos. Ela já quis muito ser rainha, não falava de outra coisa, mas deixou de lado sua obsessão pelo reinado aos poucos. Minha irmã tem olhos azuis, cabelo curto, da cor castanho bem claro. Ela é muito vaidosa, liga muito para aparência. A amo muito, mas brigamos bastante. Ela não tem nenhum namorado, não que eu saiba, provavelmente quer o príncipe encantado dela.
Eu por outro lado, sonho em ser uma soldada, uma guerreira de batalha, desejo muito fazer parte do exército real. Treino diariamente para que eu consiga entrar no exército.
Meus pais não me apoiam, eles me vêem como uma criança, e querem que eu desista dessa ideia maluca.
Sou obrigada a treinar as escondidas com o meu melhor amigo, o Josef. Ele conseguiu entrar para o exército, por influência familiar, já que seu avô é quem manda lá, mas ele tem seus méritos. Ele sempre soube lutar e usar uma arma, por isso, ele me treina nas horas vagas, no nosso lugar secreto, que fica na floresta. Todos os dias, nós nos encontramos após seu treino, e ficamos horas lá.
Amo muito o Josef, ele é o melhor amigo que alguém poderia ter. O pior de tudo é que ele é o meu único amigo, não consigo me relacionar muito bem com novas amizades, diria que sou totalmente antissocial
- Dessa vez não serei pega! - digo disferindo um golpe no Josef.
- Você está ficando muito boa, daria uma ótima soldada.
- Eu serei, Josef. A melhor, aliás! - digo determinada e ele ri da minha forma de falar.
Estamos treinando na floresta, como sempre fazemos no final da tarde. Mas hoje o Josef está muito estranho, pensativo e tenso demais.
- Deveríamos lutar com espadas também - sugiro, torcendo para ele aceitar .
- Muito perigoso! - Josef fala ficando imóvel.
- Perigoso? - me exalto - Perigoso é isso, Josef - o acerto em cheio na cintura e ele cai no chão exagerando na atuação.
- Anie, isso doí - ele grita.
- Então vamos treinar com espadas amanhã? - dou a mão para que ele se levante.
- Onde vamos arrumar espadas? - ele pergunta já ficando em pé.
- Com o chefe do exército, seu querido avô.
O avô do Josef é o chefe do exército há uns 30 anos. Excelente, admiro muito ele, meu objetivo é conseguir o seu cargo.
- Não vamos roubar - ele diz tenso.
O Josef é aquele amigo bonitão que gosta de tudo certinho. Sempre.
Com esse par de olhos verdes, cabelo castanho escuro. Admiro ele está sozinho até hoje. Só que o considero como meu irmão mais velho.
O avô do Josef acha que namoramos, porque vivemos grudados o tempo todo e por mais que repetimos um milhão de vezes para ele que somos só melhores amigos. Nos mudamos para próximo a casa do Josef quando eu tinha 11 anos e desde então vivemos juntos por aí.
- Não é roubar, Josef. É pegar emprestado, pois você sabe que se pedir, ele não vai nos dá, não é?
- Não gosto de fazer isso, já basta treinar você aqui sem ninguém saber - ele diz meio triste.
- Você sempre faz com que eu me sinta culpada, não estou tentando te corromper - digo saindo irritada, indo embora para minha casa, pisando forte.
Ele vem correndo atrás de mim, e eu não quero que ele me alcance, então corro. Corro o mas rápido que posso. Quando me canso, subo em uma árvore, para que ele vá embora e não me siga mais.
Após alguns minutos em cima da árvore, começo a me preocupar, está escurecendo e nada do Josef aparecer - Será que me perdi? Não! Eu estou na trilha certa. Será que ele se machucou? - Resolvo descer e ir atrás dele enquanto não está tudo escuro.
Quando pulo no chão o Josef sai de trás de uma árvore me pegando de surpresa.
- Você é boa, mas não me supera - dou risada.
- Fiquei preocupada com sua demora - digo em defesa.
- Nunca desça até ter certeza, caso esteja sendo perseguida - ele me instrui.
- Vamos logo, está ficando escuro - digo.
Ele me deixa em casa e diz que depois passa aqui para me ver de novo. Ultimamente ele sempre passa as noites aqui na minha casa. Mas isso não é nada estranho, ele sempre passou mais tempo aqui do que em sua própria casa, pois sua mãe trabalha muito e seu avô também e ele acaba ficando muito tempo só em casa.
Entro para casa e subo a escada correndo, mas a minha mãe ao me ver, me chama.
- Anie? - a encaro - Onde estava, filha?
- Estava com o Josef, como sempre, mãe - falo.
- Hoje você demorou bastante, está quase na hora do jantar, vai logo tomar seu banho.
- Já estava indo fazer isso, a senhora que me interrompeu - falo sendo atrevida com ela.
- Espero que não esteja sendo grossa comigo - ela fala isso e sai em direção à cozinha.
Minha mãe é a pessoa mais autoritária que eu conheço, exige muita coisa da gente, e chega ser chato. Quer tudo do jeito dela, não me espanta o fato da Antonielle está ficando que nem ela.
Subo para meu quarto e passo pela minha irmã toda arrumada - Vai ter jantar especial hoje e eu não estou sabendo? Que droga!
- Qual o motivo da sua produção hoje, Antonielle? - olho para ela de cima a baixo.
- Nada demais, só quero está linda. Posso ou devo pedir a sua permissão? - reviro os olhos.
- Grossa! - ela dá de ombros.
- Onde estava? - ela me pergunta.
- Com o Josef - ela olha com indiferença - Mas não é da sua conta onde estávamos e nem o que estávamos fazendo.
Deixo-a no corredor, indo em direção ao meu quarto. Cada dia que passa, e o dia das apresentações chegam, ela vai ficando mais chata.
Entro no meu quarto e vou para o banheiro, tomo meu banho e lavo meu cabelo, ao terminar, me seco e vou procurar uma roupa. Não sou muito fã de vestido, mas minha mãe me obriga usá-los. Visto um longo, rodado e elegante, já que quero sair depois do jantar com o Josef.
Desço para sala de jantar e meus pais já estão se sentando. A campainha toca. Eu sei que é o Josef, mas minha irmã corre para atender. Estranho totalmente seu ato, pois ela não faz isso. Nunca.
O Josef entra e a minha irmã estampa o maior sorriso do mundo - Calma, Anellize! Não vou me precipitar, vou pensar em casualidade dela está feliz assim.
Ele me ver nas escadas parada os observando, mas ele só me dá um sorriso e vai se sentar. E eu vou logo atrás também.
Comemos, até aqui tudo normal, menos o fato da minha irmã não parar de estampar esse sorriso na cara, não que eu seja contra sua felicidade, mas ela não era assim, a não ser umas madrugadas que a encontrava toda sorridente indo para o quarto.
Não estou crendo no que eu estou imaginando. Não, não, NÃO. Isso não é possível, minha irmã gostando do Josef?
Minha irmã me tira dos meus devaneios, ela se prepara para anunciar algo.
- Pai, mãe, como vocês já estão sabendo, Anie... - ela sorri olhando para mim e pausa sua fala - eu e o Josef estamos oficialmente namorando - quase engasgo com o suco que estava bebendo.
O QUÊ? MAS COMO? Eu não acredito nisso. Olho para o Josef que desvia o olhar constrangido.
Meus pais aplaudem, eu continuo calada. Não vou fazer nada precipitado. Espero o jantar terminar, meus pais sair e então eu saio logo em seguida para a rua. Ao fechar a porta da minha casa, fico perdida - Para onde eu vou? - Saio sem rumo segurando as lágrimas. Corro tanto que só paro quando dou de cara com um lugar abandonado e caio no chão pelo impacto com a parede. Entro sem pensar duas vezes e me encosto à parede e deslizo nela como nos filmes.
Não consigo controlar e choro, choro até soluçar, de dor por causa da batida na parede e de me sentir traída pela pessoa que mais confiava. Estou tão triste, decepcionada, arrasada, que nem percebo que tem mais alguém aqui.
Percebo que não estou só, fico em alerta - Quem será que está aqui? - Vou à procura de quem quer que seja no escuro, estou com os punhos cerrados, e com medo, muito medo, mas preparada para o pior, quando dou de costa com alguém. Meu coração acelera. É agora o meu fim. Me viro em uma rapidez e o prendo com uma chave de braço. Ele tenta sair e com muito esforço consegue, fazendo com que eu caia e fique embaixo dele. Meu coração dispara mais ainda, vou morrer. A luz da lua que atravessa as janela de vidro quebrada faz com que eu consiga enxergar seu rosto e tronco. Ele é esbelto, forte como o Josef, não dá para perceber detalhes como cor dos olhos, mas esse rosto me é familiar.
Ele se levanta e me estende a mão me ajudando a levantar, aceito e fico em pé. Ele apenas me encara e diz com raiva:
- O que está fazendo aqui?
- Nada! - digo receosa, limpando a minha roupa.
- Você não devia está aqui - ele diz sério, me analisando.
Observo-o também, vejo que suas vestes são sofisticadas, deve ser filho de algum rico por aqui, mas não consigo me lembrar de onde o conheço.
- Você também não deveria está aqui - falo.
- É, não mesmo - diz com uma grosseria saindo.
- Ei, espera - falo e ele olha para trás.
- Fala, senhorita - diz com desdém.
- Quem é você? - pergunto, pois não consigo me lembrar.
- Alguém que você não vai querer saber - grosso! Devia ter batido nele quando tive a chance.
Tento achar a porta por onde entrei, desejando sair logo desse lugar. Depois de uns minutos encontro, saio e ao fechar a porta encontro o rapaz sentado na calçada. Olho para ele, que parece está preocupado com alguma coisa, triste talvez. Resolvo me sentar ao lado dele. Por que fiz isso? Eu não sei.
- Qual o seu problema, garota? - ele pergunta depois de um longo período em silêncio.
- Eu tenho muitos problemas e quais são os seus? - pergunto na inocência.
- Eu não te conheço e não quero ser grosso com você.
- Mais grosso você quer dizer, não é? - digo rindo. De duas ou uma, eu sou muito cara de pau, ou eu sou tapada. Fico com tapada.
- Não me enche, garota - diz sem olhar para mim, ele evita contato visual.
- Sabia que você é um tremendo de um babaca?
- E você é irritante, não ver que eu quero ficar só? - ele diz gritando.
Odeio que gritem comigo, só os meus pais podem. Fico tão brava que dou um soco certeiro no olho dele. Ele cai para trás com o impacto e me bate um arrependimento e vontade de sair correndo. Ele toca o seu olho, parece que está sentindo muita dor - meu Deus, machuquei ele.
- Você é louca? - ele pergunta exaltado.
- Grita comigo de novo, babaca, que eu vou arrebentar a sua cara - digo para manter a pose e saio às pressas, indo em direção para minha casa, antes que ele resolva vim para cima de mim também.
Não costumo ser tão brava assim, a ponto de bater nos outros, mas esse cara me tirou do sério - Que grande babaca esse rapaz - Sei que não devia ter batido nele, mas ele me irritou, eu estou muito brava, e chateada com o Josef, tinha que descontar essa raiva. Creio que nunca mais o verei, e se voltarmos a nos ver, nós nos manteremos longe um do outro para não rolar uma briga novamente ou fingimos que nunca nos vimos antes.
Estou bem próxima de casa, e vejo o Josef se despedindo da minha irmã com beijos. Eles parecem tão íntimos. Isso para mim é como um tiro. Eu nunca os vi com essa intimidade toda.
Depois que eles saem eu entro para casa. Tento entrar sem fazer muito barulho, não quero que meus pais briguem comigo.
- Anellize? - meu pai me chama.
Droga, fui pega. Sou muito azarada. Será que dá para piorar?
- Oi - respondo tímida.
- Última vez que você chega tarde em casa, ok mocinha? Amanhã você vai para loja e sem discussão.
- Mas pai... - ele me ignora.
Dá para piorar sim! Subo com mais raiva ainda para meu quarto. Não gosto de ficar na loja, pois é um tédio, só gente esnobe vai lá.
O meu pai tem uma joalheria no centro, a maioria das joias são confeccionadas por ele, e são lindas. Já a minha mãe trabalha na administração da produção de dinheiro junto com a mãe do Josef. Temos uma boa condição de vida.
Acabo de chegar em casa - na casa do meu pai para ser mais específico - entro devagar para não fazer barulho e acordar todo mundo.
- Onde estava, filho? - pergunta meu pai.
Fui pego. Que droga, e agora?
- Fui dá uma volta, pai - digo.
- Ah, bom! - diz me analisando - O que é isso no seu olho, filho? Andou brigando? - pergunta ficando irritado.
- Não, bati na porta antes de sair, não tinha noção que ia ficar assim.
Não vou contar para meu pai que conheci uma garota doida e que a mesma me deu um murro. Isso é vergonhoso demais para mim.
- Está pensando em quem, que fica todo distraído assim? - tudo ele acha que tem mulher no meio.
- Ninguém! - falo e peço licença para subir para meu quarto.
Subo as escadas correndo, e me tranco no quarto. Acendo a luz e encontro quem eu menos queria ver sentada na minha cama.
- O que está fazendo aqui, Antonielle? - pergunto seco.
- Eu te devo uma explicação, Maian - ela diz se aproximando de mim.
- Não, eu não quero ouvir a sua, vai embora.
- Não vou até você dizer que me entende.
- Poxa, Antonielle. Você não percebe que eu estou mal, e que fui o único prejudicado nessa história?
- Eu sei, Maian - ela se aproxima de mim - Seu olho! - ela me toca.
- Não me toque - digo tirando sua mão de cima de mim - Eu não quero você aqui.
- Não me trate assim, eu vim até aqui, porque sei que você merece uma boa explicação.
- Você não deveria está aqui. Seu namorado sabe que você visista seu ex nas caladas da noite? - pergunto totalmente irônico.
- Ele não sabe, pois ele nem sabe de você.
- Ninguém sabia, não é? - levanto os braços - Sorte a minha nunca tê-la assumido.
- Maian, vai começar brigar agora? - ela diz um pouco alto - Você está sendo infantil!
- Ah, agora eu que sou o infantil? - olho de relance.
- Está sendo sim. Deixa-me falar? - ela pede.
- Não quero ouvir você me dizendo que se apaixonou por ele, ou que já era apaixonada, só quero que vá embora, tanto da minha casa, como da minha vida, ok? - aponto para janela, que foi de lá que ela veio.
- Eu vou, mas eu realmente não queria magoar você, mas...
- Não quero ouvir mais nada - grito.
Ela sai, não devia ter gritado, mas poxa, eu amo essa garota, mesmo ela não merecendo o meu amor e olha só como ela me deixou, me trocou por outro rapaz, assim, sem mais nem menos. Nunca mais quero me apaixonar por ninguém, não vou deixar que quebrem meu coração de novo.
Me jogo na cama, sou forte, não vou chorar, mas continuo mal, ou pior agora.
Depois de um tempo, quando consigo me acalmar, levanto e vou tomar um banho - de água fria de preferência - Chego ao banheiro e dou uma olhada no espelho, e tomo um susto - ah não, meu olho está muito roxo - Não consigo acreditar, hoje meu dia não poderia ser pior. Tomo meu banho, passo uma pomada no olho, e tomo um remédio, sigo para o quarto de toalha e visto uma cueca e uma calça de moletom e me deito.
[...]
Acordo bem cedo. Tenho que ir ao centro com o meu pai para comprar um presente para minha madrasta de aniversário.
Levanto da cama e vou para o banheiro tomar um banho. Meu olho continua roxo, tenho que dá um jeito nisso. Vou até o quarto da minha irmã Lauren e peço ajuda.
Lauren só tem 12 anos e minha madrasta, a Louise, a enche de maquiagem, acho desnecessário.
Ela dá boas risadas de mim, mas me ajuda. No final das contas, até que deu pra esconder bastante e não pareço que estou todo cheio de maquiagem.
Volto para meu quarto, e pego um boné para disfarçar mais ainda, por sorte meu cabelo é meio grande. Estou me ajeitando quando meu pai me chama para irmos logo.
Entro no carro e fico em silêncio. Meu pai parece está feliz, e fica puxando assunto comigo.
- Para que esse boné, Maian?
- Esconder o olho - falo.
- Hum... Por que não usou óculos? - me senti um idiota por não ter pensado nisso - Já tem ideia do que vai comprar? - ele pergunta e eu penso no que minha madrasta gostaria de ganhar.
- Eu ainda não decidi - dou de ombros.
- Você logo mais achará.
Meu pai parou na primeira loja no centro que ele encontrou. Procurou bastante e nada lhe agradava.
- Vou procurar um vestido para a Louise em outra loja - diz saindo e me deixando só.
Fico perdido, não sei por onde começar a procurar. Então saio andando e olhando as vitrines - Roupa meu pai já está comprando, então o que eu compro? Ah, tenho uma ideia! Uma joia - Louise ama joias. Como não pensei nisso antes?!
Conheço uma joalheria aqui perto - joalheria AWA - vou logo para lá. Chego e observo o letreiro - o que significa AWA? - ignoro esse pensamento e entro na loja. Uau! Estou perdido no meio de tantas joias lindas, não sei se levo um colar, uma pulseira, um brinco ou um conjunto, estou com dúvidas, mas acho que vou levar algo para minha mãe também.
- Olá, bom dia, no que posso te ajudar? - ouço uma voz angelical.
Viro-me e tomo um susto, é a garota de ontem. Esse mundo é pequeno demais. Poderia está reencontrando qualquer garota desse reino, mas não essa. Para piorar ela é linda.
- Você aqui! - ela diz com desdém.
- Também não queria te ver - digo.
- O que você quer? - ela pergunta e revira os olhos.
- Quero ser um soldado do exército, mas você não pode me ajudar - digo irônico, o que ela acha que vim fazer em uma joalheria? Roubar?
- Além de babaca você é muito idiota, aqui não vende maquiagem para esconder o seu olho roxo - ela balança a cabeça com desdem.
Que ridícula, ainda zomba de mim assim.
- Eu procuro uma joia - digo - Tem alguma em especial para me mostrar?
- Não sei, quer o quê? Um colar, uma pulseira, um brinco...? - ela pergunta.
- É um presente para minha madrasta, não sei o que escolher, já que trabalha aqui poderia me ajudar.
- Não trabalho aqui.
- Mas enfim, pode me ajudar? - pergunto.
- Posso, mas não quero - que atrevida.
Nessa hora chega um homem, espero que esse me atenda, quero ir logo para casa.
- Bom dia! - apenas dou um sorriso - A minha filha já lhe atendeu? - me pergunta.
- Ah, senhor, a sua filha se recusa a me mostrar algo em especial - digo dando um sorriso para a garota que ficou emburrada.
- Filha! - ele diz grosso, ela fecha a cara.
- Vou buscar, pai - ela diz saindo.
- Sinta-se a vontade, príncipe Maian - ele diz se retirando.
A garota logo chega com as joias.
- Quer dizer que bati no príncipe Maian, ai que maravilha vou ser presa! - ela diz com desdém.
- Sua sorte que não vou fazer nada contra você - digo intimidando-a.
- Nossa, que grande babaca, como se eu quisesse sua piedade - ela revira os olhos.
Estou olhando para as joias e as vezes me pego olhando para essa garota. Está difícil escolher uma, imagine duas, são todas tão lindas.
- Anellize? - alguém chama.
A garota que estava na minha frente olha.
- Ah, você tem nome, né? - falo.
- Claro que tenho nome, seu idiota - que grossa.
A Anellize encara novamente quem a chamou, mas parece está chateada, me viro e vejo Antonielle e Josef.
- O que vocês estão fazendo aqui? - Anellize pergunta, pelo menos não sou o único cliente que ela trata mal.
- Calma, Anellize! - Antonielle fala.
- Eu estou calma. Veio caçar o que aqui? - ela pergunta.
- Que grosseira é essa, Anie - Josef diz. Vejo que eles têm alguma intimidade.
- Josef, não quero falar com você - pelo visto não sou o único que não curte esse casal.
- Anie, não fala assim comigo - ele se aproxima de Anellize.
- Some daqui você e a Antonielle, agora! - grita.
- Anie, por favor... - ela vira a cara e os ignora.
- Então, Maian, qual vai querer? - me pergunta - Eu estou trabalhando não estão vendo? Tchau!
Eles saem e ela abaixa a cabeça e parece que querer chorar, mas ela levanta a cabeça e dá um murro no balcão me assustado.
- Maian? Digo príncipe idiota - diz serena - Estou a fim de chorar, então se você puder escolher logo, eu agradeço - que sinceridade, muito raro serem tão aberto assim comigo.
- Qual você compraria se estivesse no meu lugar? - pergunto.
- Essa aqui - ela pega um anel que estava despercebido por ter a pedra clara e pequena, mas quando ela me mostra o anel, fico encantado com a beleza.
- É lindo! - digo.
- É sim! - ela confirma mais animada.
- Vou levar esse com certeza! E esse aqui também - pego outro com uma pedra enorme, ela assente e coloca os anéis em uma caixinha e ainda põe um laço para ficar mais bonito para dá de presente.
Pago e me despeço da Anellize, fico até feliz por ela está sorridente quando saio. Encontro meu pai já no carro me esperando e vamos para casa.