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Não Há Razão No Amor...

Não Há Razão No Amor...

Autor:: MelSouza
Gênero: Romance
Miguel Belucy, um homem desacreditado no amor, após ter seu coração partido se tornou um homem cético, que não acredita em mais nada, principalmente no amor. Mas toda essa situação muda no momento que ele conhece a Maia, sua paciente que irá fazer seu coração bater mais forte e descobrir novos sentimentos.

Capítulo 1 Paciente...

Miguel Belucy...

Tinha acabado de terminar o turno no hospital Belucy, o dia tinha sido corrido e cansativo e como de costume fui para o prostibulo mais requisitado da cidade. Aprendi que sentimentos não duram para sempre e que não devemos colocar tanta expectativa em outras pessoas, sempre conte com você mesmo! Pessoas mentem, elas traem e normalmente nunca ligam para o que se sente quando o que elas querem estão acima de tudo.

Minha família não consegue entender por que não conseguir seguir em frente, mas o que eles não sabem é que eu seguir só que não conheci ninguém a ponto de me apaixonar e nem quero não tenho pressa para me iludir novamente e esperar que partam meu coração. Por que se apaixonar é exatamente isso deixar que o outro te quebre.

Há três anos minha vida estava totalmente arquitetada terminei a faculdade de medicina e comecei a trabalhar no hospital da família, tinha a mulher perfeita do meu lado, ou melhor, achei que tinha. Estava completamente apaixonado em outras palavras cego pela Ana nos, conhecemos na faculdade e desde então começamos a namorar a mulher ideal para qualquer homem e me considerava com muita sorte por tê-la.

Um dia antes do casamento descobrir sua traição. Não a peguei na cama transando com ninguém, o que li foi muito pior. Fui enganado feito de palhaço. Acabei vendo um e-mail para um remetente estranho e acabei lendo. Ela só iria se casar comigo por causa da fortuna dos meus pais a pedido de um amante. Desde o inicio fui um bilhete premiado aquilo me quebrou completamente não queria acreditar.

Analisei os quatros anos da minha vida ao lado dela. Nossa como fui cego, tão cego que não o via o quanto as suas declarações eram falsas, como suas viagens a trabalho eram desculpas para se encontrar com o seu amante. Sair de seu apartamento calmo e arquitetei tudo em um plano para o dia seguinte, podia escolher terminar como o fraco idiota que eu fui ou recuperar um pouco da dignidade que perdi como homem.

Finalmente o dia do casamento, a cerimônia estava pronta, fingir que estava tudo bem que realmente não sabia de nada ate o padre perguntar se eu a aceitava como minha esposa a olhei vendo a mulher que acreditava amar e disse não o que deixou todos surpresos e sair daquela farsa, sem olhar para trás a única coisa que ninguém sabia ou desconfiava é que estava totalmente destruído como homem e pessoa. Admito que foi difícil no início, mas nada com o tempo e sim ele cura tudo, passei a frequentar o prostíbulo evitando encontros desagradáveis e satisfazendo as minhas necessidades somente.

Estaciono o carro entrando na área vip, olhando para minha acompanhante a Ashley é linda, alta, esbelta seus cabelos loiros que iam até os ombros o rosto fino. Estava dançando no meio da boate, rebolando, me seduzindo como soubesse que estava a olhando, e claro isso me excitava o suficiente para não olhar para nenhuma outra. Meu celular começou a tocar e fiquei surpreso com a ligação, era do hospital sair de perto do barulho atendendo o telefonema. Será que tinha algum problema com um dos meus pacientes?

– Miguel, desculpe te incomodar a essa hora sei que hoje não é o dia de seu plantão, mas até agora o seu irmão não chegou. - Disse Luiza. A enfermeira do hospital.

– Como assim não chegou? Já ligaram pra ele? - Perguntei preocupado.

- Sim, mas só esta dando caixa. E temos uma emergência. - Informou agoniada.

– Estou indo pra ir. – Afirmo, desliguei o celular tentando ligar para o Fernando eu não podia acreditar nisso! Nem parecia que era o primogênito, dirigir o mais rápido possível para chegar até o hospital. Com certeza ele me escutaria quando o encontrasse.

Cheguei ao hospital entrando no elevador, não demorei em encontrar a Luiza ao lado de uma maca, tinha uma senhora que não parava de chorar me aproximei ficando surpreso com que estava vendo.

- Ainda bem que chegou. - Comentou a enfermeira aliviada. Olhei para garota deitada apesar de ser negra seu rosto estava totalmente pálido a não ser pelo batom vermelho que usava que contornava os seus lábios perfeitamente. Seus cabelos castanhos ondulados estavam soltos e usava um vestido de veludo com o decote perfeito que parecia que era uma segunda pele em seu corpo curvilíneo. E não podia negar que era a mulher mais linda que tinha visto em minha vida. Parecia uma pintura.

– Licença. – Peço senhora chorosa que provavelmente devia ser mãe da minha linda paciente. Devia parar de pensar nisso. Ela me concedeu passagem. Segurei sua mão vendo que a pulsação estava normal, respiro aliviado, tirei os scarpins de seus pés e sorrir de lado reparando como eles eram tão pequenos, realmente pés femininos suas unhas pintadas de um azul escuro, parei de prestar atenção nos pés da garota antes que parecesse um maluco. Entreguei os sapatos a Luiza procurando um pouco do meu foco e da minha ética profissional!

– A sala esta pronta.– Fala a Luiza abrindo a porta deixando dois funcionários do hospital entrar com a maca um deles a pegou no colo e meu instinto gritou por posse mesmo não tendo nenhum direito. O que estou sentindo? O que merda está acontecendo?

Seguimos para sala onde a trocaram em seguida foi colocada na maquina de ressonância e logo foi diagnosticado um pequeno inchaço no abdômen em seu quadrante, abrir mais a imagem vendo que o inchaço esta localizado na região acima do umbigo.

– Preciso de exames. – Exigir olhando para Luiza.

– Desconfia de algo? – Perguntou ela.

– De muitas hipóteses, faça o exame mais rápido possível e os quero ainda hoje. – Afirmo preocupado. Tenho uma necessidade enorme de fazê-la ficar bem.

– Doutor Belucy você deveria informar aos familiares estão bastante preocupados. – E de fato estavam mesmo. Assenti seguindo para a recepção onde encontrei a senhora que não parava de chorar agarrada a uma garota. Devia ser sua filha. Ou algum familiar.

– Boa noite. – Disse chamando atenção pra mim.

– Como ela está? O que aconteceu? – Perguntou a mesma ainda aflita.

– Ainda esta desacordada, mas tudo indica que ela ficará bem. É apenas um inchaço no abdômen. – Informei.

– E por que ela ainda não acordou? – Perguntou angustiada.

– É um dos sintomas causados quando for retirado ela ira acordar. – Explico. Enquanto não ocorresse a cirurgia, ela permaneceria desacordada, e queria entender exatamente o que estava provocando isso, mas é claro que não podemos abrir tudo para família apenas baseado em achismos.

– Meu Deus! – Exclamou voltando a chorar. Era triste sempre ver familiares sofrerem junto com o paciente.

– Senhora fique calma a sua filha ficará bem, tem a minha palavra. – Afirmo convicto, por que faria de tudo para ver minha paciente bem.

– Obrigado. – Agradece. Troquei mais algumas palavras, aliviando o sofrimento da mãe e da irmã da paciente. Também sentia aflição pelos familiares dos doentes, mas agora entendia o que é passar por isso a preocupação palpável. Voltei para o quarto onde a encontrei dormindo estava com o tubo de soro preso em seu braço entre outros. Atrevi a tocar em seu abdômen e de fato o inchaço é imperceptível.

- Já foi aplicado o medicamento no soro? – Pergunto.

– Sim, já pedi os exames ao laboratório. – Respondo.

– Ótimo. – Quero resolver o mais rápido possível.

Por hoje seria tudo o que poderia fazer, olho para o relógio e já marcavam mais de meia noite deveria ir para casa e descansar, mas meu irmão decidiu sumir o jeito seria cobrir o seu turno e encarar o meu em seguida. Sentia expectativas para o dia que ela finalmente acordasse e se eu tivesse sorte o meu rosto seria o primeiro a ser visto por ela assim que acordasse. Na verdade o desaparecimento do Fernando não me incomodava tanto assim, graças a isso encontrei algo para ocupar minha mente.

Por muito tempo não me sinto dessa maneira, e isso me inquieta, eu não acredito, ou melhor deixei de acreditar que ainda fosse possível sentir qualquer coisa apenas olhando para alguém.

Ouço batidas desesperadas na porta o que foi estranho caminho até a porta encontrando a mãe da paciente. Eu sei que parece estranho esse interesse imediato, mas é como se a já conhecesse. Meu corpo sentia isso de uma maneira inexplicável, parece pegadinha do destino.

– Posso ver minha filha doutor? – Pergunta. Ainda está preocupada. Aflita. Mas as lágrimas já haviam sumido, era um bom sinal.

– Claro, qualquer coisa que venha precisar é só me chamar. – Respondo.

– Mais uma vez obrigado. – Agradece.

– Estou fazendo meu trabalho, não precisa agradecer. Qualquer coisa é só chamar. – Respondo. Ela balança a cabeça concordando.

Recebo a fixa da paciente Maia Bittencourt, tinha apenas dezoito anos embora não parecesse fisicamente, uma menina com corpo de mulher. Continuei analisando não tinha alergia a nenhum medicamento o que facilita bastante sua recuperação! Ainda fiquei abismado com sua idade parecia uma mulher, mas ainda é uma menina.

Fui em direção alguns quartos para ver se todos os pacientes estavam bem , não percebi as horas passarem voltei para minha sala, sentei em minha cadeira. Nunca entendi muito bem o por que meu pai ter se formado em medicina depois de tanto tempo, meu avô deixou um império nas industrias de construções antes de morrer, tudo na vida dele mudou completamente quando ele viu seu pai morrer por negligencia médica daquele dia em diante, meu pai largou tudo para ser medico, abriu um hospital com muita força de vontade e dinheiro. Acabei escolhendo a mesma profissão o Rafael tomou a presidência da Industrias Belucy, tenho uma família amável e unida. O que me deixou de pé após a perda da única mulher que amei. Sentei-me melhor na cadeira, fechei os olhos e me entreguei ao cansaço.

Acordei pela manha com a movimentação do hospital, espreguicei-me levantei da cadeira ate que a porta foi aberta por meu irmão invadindo minha sala, sua expressão estava séria e parecia que tinha esquecido os bons modos.

– O que você esta fazendo aqui? – Perguntou alterando o tom de voz. E era assim que o Fernando agia, sempre com sete pedras na mão, principalmente comigo.

– Não está claro? – Indago me espreguiçando. Tinha passado a noite cobrindo seu turno.

– Miguel não me provoque! – Exclamou abusivo, como sempre. Não esperava por outra atitude de qualquer forma.

– Além de trabalhar aqui? Tive que chegar cedo para cobri seu turno. Mais uma vez fazendo o meu e o seu trabalho. – Respondo tranquilamente. Esses embates sempre aconteceram e continuam acontecendo, não por mim, mas por ele.

– Não precisava ter vindo, eu não te chamei. – Retrucou. Como ele podia se achar certo?

– Claro que não, você é um irresponsável. – Afirmo. Poderia ter tido ao menos avisado a outro médico se não me queria aqui. Se não conseguia esboçar um mero obrigada para mim.

– Como sempre bancando o mais velho. – Acusou com desdém. Sorrio com ironia.

– Eu tenho responsabilidades que pelo visto o oposto de você. - Rebati cruzando os braços acima do peito.

– Da próxima vez...

– Não vai haver próxima vez. – Afirmo levantando da minha cadeira. Ele tinha esquecido o principal fundamento desse hospital. Ele sorriu ironicamente.

– Da minha vida cuido eu. – Disse.

– Não estou nem ai pra sua vida, me preocupo com o bem estar dos pacientes. – Rebato.

– É claro, esqueci que você não tem vida depois que a vadia da Ana acabou com a sua não é irmãozinho! – Exclamou.

– Engraçado que você queria essa vadia. Lembra? – Pergunto. Sua expressão muda e acho realmente que ele vai vim pra cima.

– Tenha um bom dia. – Respondo saindo. Fernando e eu nunca nos demos muito bem e nunca conseguir entender o motivo, mas cheguei a um ponto que cansei ter um bom relacionamento dando um dane-se a isso. Se ele não gostava de mim o problema era todo dele. Nunca fiz nada que justificasse essa sua atitude.

Como sempre o assunto Ana vinha a tona. Muitos acham que ainda sou apaixonado pela Ana, mas isso mudou há muito tempo, só que a dor que ela causou foi o suficiente para não querer sentir nada por mais ninguém.

Sair da minha sala encontrando o meu pai conversando com um dos cirurgiões cumprimentou-me e seguiu. Estava indo encontrar a minha paciente, até que encontrei a Luiza.

– Os exames. – Falou ela me entregando dois envelopes.

- Obrigada. - Agradeci. Voltei para minha sala vendo o primeiro resultado e mostrava o que já sabia, o segundo mostrava que essa massa apenas um cisto teríamos que tira-lo o mais rápido antes que crescesse e o caso se complicasse mais. Faríamos uma cirurgia hoje. Fui ate o quarto da paciente adormecida. Minha paciente adormecida.

– Bom dia doutor Miguel. – Falou uma garota mais velha que a minha paciente, devia ser a irmã dela. A mesma que estava com a mãe dela tentando acalmá-la.

– Bom dia e a senhora Bittencourt? – Pergunto.

– Pedir pra ela descansar um pouco, já que passou a noite inteira aqui. – Respondeu. Aproximei da cama, olhando para pequena mulher tão indefesa. E tão linda. O que tinha acontecido?

– Aliás preciso da permissão dos familiares para fazermos a cirurgia. – Digo, lembrando do que eu de fato vim fazer aqui.

– Minha mãe logo vai chegar. – Responde. A porta abriu revelando a enfermeira, assim que me viu entrou.

– Luiza marca uma cirurgia para as três da tarde. – Peço ainda olhando para minha paciente. O que tinha nela que me chamava tanta atenção? E por que eu me sentia tão responsável por ela?

– Os pacientes da manhã chegaram! - Exclamou. A acompanhei, seguir para meu consultório atendendo alguns pacientes já que a maioria vinha me entregar os resultados de exame e era um alívio ver que tudo estava bem. O dia passou voando fui até o refeitório ou lanchonete como muitos chamam precisava comer alguma coisa e rápido, depois de uns quinze minutos a Luiza veio me informar que estava tudo pronto para cirurgia. Seguir para ala cirúrgica conversar com o Beto que me ajudaria e me preparar para cirurgia.

– Já está tudo pronto. – Afirmou assim que me viu. Os enfermeiros junto a ele seguiram para o quarto onde a Maia já se encontrava, fui para o banheiro terminar os últimos preparos. Depois de aplicarmos os devidos cuidados, a anestesia poderíamos começar.

...

Capítulo 2 Tentativa...

Miguel Belucy...

Ainda bem a operação tinha sido um sucesso, os enfermeiros a levaram para seu quarto sabia que não demoraria muito para que ela acordasse e estava mais que ansioso por isso. Toda essa ansiedade não deveria fazer parte de mim, do médico sim. Mas não dessa maneira pessoal.

– Boa noite. – Desejei parando enfrente aos familiares.

– Como foi? Ela está bem? – Perguntou a mãe aflita.

– Ocorreu tudo bem, sua filha é uma garota muito forte. – Respondi a acalmando visivelmente. Como se tivesse tirado um grande peso de suas costas.

– Após a norte do pai, ela aprendeu a ser ainda mais! – Exclama. Perder quem se ama, não é fácil.

– Imagino. – Concordei.

– Posso vê-la? – Pergunta.

– Claro. – Assinto.

Seguimos para o quarto onde a Maia se encontrava seus cabelos castanhos estavam em puro desalinho, sua pele estava pálida mais ainda assim tão deslumbrante pra mim. Continuei a fazer companhia para sua mãe até que precisei fazer minha ronda noturna, ver alguns pacientes, atender outros. Meus plantões sempre foram calmos mais hoje passava disso estava tudo muito quieto. Seguir para minha sala olhando para o relógio que marcavam uma da manhã, encostei na cadeira e tentando dormir um pouco. São praticamente dias seguidos sem um descanso de verdade.

Assim que acordei fui avisar que daqui a uma hora estava de volta, fui ate o estacionamento indo até minha BMW, liguei automóvel para as ruas calmas. Cheguei em casa, precisava de um banho urgentemente.

– Chegou cedo Miguel. – Falou a França, minha segunda mãe.

– Bom dia. – Cumprimentei indo até ele.

– Nem vem me agarrar. Você esta cheirando a hospital menino! – Exclamou me fazendo sorrir.

– Não sabia que hospital tinha cheiro! – Exclamo rindo.

– Pois saiba que tem. Agora vá tomar banho e venha comer. – Mandou como sempre fazia. E eu sempre obedecia. Manda quem pode, obedece quem tem juízo! Tirei a roupa suja a jogando no cesto. Não sei o que seria de mim sem a França ela era a babá da nossa casa sempre nos tratou com um imenso carinho se tornando da família. Quando crescemos fui o mais experto de roubá-la para mim quando decidir morar sozinho. Ela nunca apoiou muito meu casamento, mas respeitava minha decisão, ela dizia que a Ana não era a mulher certa. Ela nunca esteve tão certa. Acho que ela enxergou o que eu não conseguia ver.

Sair do banho indo até o closet peguei uma calça jeans escura, sapatos italianos e uma camisa social rosa penteei os cabelos. Não podia demorar demais tinha que estar logo no hospital, queria muito encontrar a Maia. Desci para tomar meu café com uma das mulheres que mais amo. E de fato o que seria de mim sem ela?

Seguir para o hospital e sentia de novo a merda da ansiedade e nervosismo. Não sei bem ao certo quanto tempo demorei para chegar no hospital, olhei para o relógio e não passava das oito. Fui direto para o quarto da Bittencourt , sua mãe estava deitada no sofá e já devia ter providenciado uma outra cama para esse quarto. A Maia fazia o mesmo se bem que já devia ter acordado. Meu celular começou a vibrar o tirei do bolso atendendo.

– Oi, Sophia. – Atendo.

– Maninho encontrei a mulher ideal pra você! – Exclamou e pelo seu tom de voz parecia muito animada.

– Não quero conhecer ninguém, sou capacitado pra isso. – Afirmo convicto.

– Eu sei que é, mas fazer o que se sou mais rápida que essa sua capacidade. E você vai gostar da Megan. – Fala animada. Animação era seu segundo nome.

– Sophia não quero conhecer ninguém. – Tento convencê-la, mesmo sabendo da sua insistência.

– Mas vai. Só conhecer se você não gostar eu te deixo em paz, eu prometo. – Acrescenta. Eu sei bem que não vai, mas estou com pressa demais para descarregar com ela nesse momento. Tenho que fazer a checagem da Maia.

– Ok...

– Onde eu estou? – Perguntou uma voz fraca atrás de mim, virei encontrando a Maia acordada ela olhava para mão onde tinha algumas injeções perfurando sua pele. Sorrir ao vê-la. Desliguei o celular esquecendo da Soph.

– No hospital, você desmaiou não lembra? – Perguntei aproximando-me da sua cama, olhei para seus olhos castanhos. De fato uma pintura.

– Não muito bem. – Falou ela se esforçando para ficar sentada. E ainda não podia.

– Como seu médico suponho que não faça esforço. – Digo tentando sorrir responsável e não um idiota encantado.

– Preciso sentar. – Insiste. Teimosa, isso eu já havia percebido

– Maia para seu bem permaneça deitada, passou por uma cirurgia delicada. – Alertei. Como se tivesse falando com uma menina de oito anos insubordinada.

– Ok, mas não usa esse tom de responsável como se uma fosse uma garotinha insolente. – Sibilou ainda com a voz fraca.

– Mas não é assim que você está se comportando? – Pergunto.

– Não. Mas entendi. Não posso sentar, cirurgia delicada, tudo anotado. – Acrescenta com ironia.

– Pode deixar dona idosa. Vou encaminhá-la para ala correta. – Respondi reclinando um pouco a cama para seu tronco ficar um pouco mais a vontade. Ela sorriu e amei o contorno que seus lábios formavam. Tinha um belo sorriso.

– Não seria uma má ideia. – Brincou. – Minha mãe dormiu aqui? - Perguntou a notando no sofá.

– Sim, ela te ama muito. Não saiu daqui. – Falei olhando para mesma direção.

– Eu sei, mas junta o amor com exagero e dá nisso. – Contou. A porta foi aberta revelando a Luiza ela olhou para minha paciente e depois para mim. Voltando a olhar para Maia vindo em nossa direção.

– Como se sente? – Perguntou gentil.

– Horrível. – Afirmou.

– Estou começando a achar que o exagero é hereditário. – Comentei. Ela sorriu novamente sem graça.

– O paciente do quarto oitenta e oito quer alta e não sei mais o que fazer. – Informa a Luiza.

– Estou indo, enquanto a você idosa pode deitar e ficar quietinha. Vou te fazer algumas perguntas. – Aviso. Ela parecia não muito feliz com a sua atual situação.

– Como se eu tivesse outras escolhas. – Rebate. Insolente.

– Custa fingir empolgação? – Perguntei ironicamente.

– Ebaaa! – Exclamou em puro sarcástico.

Sorrir saindo do quarto e indo para ala onde o senhor Johnson estava. E por incrível que pareça tinha plena noção que estava com um sorriso bobo nos lábios. Todos esses sinais não eram adequado.

– Bom dia. – Desejo me preparando.

– Bom dia coisa nenhuma, estou bem quero ir para minha chácara. - Afirmou.

– O senhor irá assim que estiver melhor por enquanto você irá ficar aqui. São só mais dois dias. – Explico, como sempre fazia com ele.

– Estou me dando alta, quem conhece o meu corpo sou eu. – Falou convicto. Era quase impossível não sorrir com seu jeito meio bravo.

– O médico aqui sou eu, e não aprovo então aguente mais dois dias. – Retruco usando o mesmo tom.

– Dois dias. – Resmungou aceitando. Voltando a deitar na cama nada satisfeito.

– Nenhum dia a mais. – Friso.

Capítulo 3 Conversa

Meu celular voltou a vibrar, e até já sabia quem era tinha desligado o telefonema sem nem da a mínima importância para o que ela estava dizendo. Sair do quarto do Elano indo para minha sala. Fiquei impressionado com a insistência dela se bem que já devia ter me acostumado. Era sempre assim. O mal foi ter aceitado esse seu mal costume.

– Sophia, normalmente as pessoas trabalham, sabia? – Indago.

– Eu sei muito bem disso. Já marquei com a Megan para o sábado à noite. – Conta, mas seriam em meus termos.

– Vou conhecer essa sua amiga e se eu não me interessar não adianta insistir, entendeu? – E sabia que não iria me interessar.

– Você vai gostar. – Confirmou convencidamente.

– Temos um acordo? – Pergunto.

– Temos chato. – Concordou. Respiro aliviado. Tínhamos um acordo.

– Preciso trabalhar. – Respondi desligando o aparelho.

Sair da minha sala indo ver alguns pacientes antes que esse hospital realmente começasse a ficar uma loucura. Nem percebi o dia passar, estava tão focado que perdi a hora, tinha que ver a Maia.

Já tinha aceitado que a Bittencourt tinha mexido comigo, por alguma obra do destino me sentir atraído por ela desde o primeiro momento, eu reconheço é insano, mas essa vontade de ficar perto dela já é maior que qualquer coisa. Essa preocupação exagerada. Cheguei perto da porta quando escuto risadas, ela estava com alguém e ao invés de entrar diretamente fiquei escutando a conversa. Nada ético para um médico. Mas era meu nome que eu havia escutado.

– Você é uma sortuda! – Falou uma garota devia ser a irmã dela.

– Claro, estou em um hospital usando esse lindo traje, meus cabelos parecem o mesmo de uma vassoura usada, estou com essa agulha no pulso e ate há pouco tempo estava com um tubo. Sortuda deve ser pouco! – Comentou ironicamente.

– Estou falando do seu medico, Miguel Belucy. – Disse.

– Thoebe! – Exclamou em tom repreendendo.

– Ele é um gostoso, viu aqueles olhos? O cabelo claro? E o corpo físico! Ele parece um dos atores daquele filme 300. E você é uma sortuda sim. – Afirmou. Esperava que a Maia pensasse a mesma coisa. Era a opinião dela que eu queria saber.

– Sim ele é lindo concordo e deve ter uma namorada. – Responde.

– Tenho certeza que não tem. – Comenta segura.

– Ah é? E como tem tanta certeza? – Perguntou.

– Se ele tivesse uma namorada ela estaria aqui cortando as asinhas das assanhadas! – Exclamou fazendo a Maia cair na risada e esse som fez com que fizesse o mesmo. Sorrir como um idiota encantado.

– Das assanhas iguais a você né! –Rebateu.

– Que seja! Como você pode ser minha irmã em? – Perguntou.

– Já me fiz muito essa pergunta. – Brincou.

– O babaca do meu cunhado perguntou se você esta bem. – Informou a Thoebe. Como assim a Maia tinha namorado?

– Não sei por que ele me traiu. – Resmungou. Pelo visto não. – Você tem sorte ficou com o irmão certo o Evans é um cara ótimo. Já o Jheremy não vale nada. – Completa. Pelo visto não sou o único que teve decepções no ramo relacionamento.

– Eu sei meu namorado é incrível mesmo. – Concordou.

– Modesta você. – Mencionou.

– Mas falando serio ainda gosta do Jheremy? - Perguntou. Gostava? Fiquei ainda mais atento.

– Isso é serio? Você sabe que não. Quem ama não trai nunca. –Esclareceu.

– Sabia, aliás nunca achei que você realmente o amasse. - Ressaltou. - Nunca demonstrou, nem sofrer você sofreu. – Completa. Nem todo sofrimento é mostrado, tem pessoas que sentem tanto, mas não aparentam.

– Existe um sentimento chamado amor próprio. - Lembrou. E estava certa.

– Por que não investe no medico? – Perguntou Thoebe. Ótimo conselho.

– Enlouqueceu? – Perguntou.

– Você gostou dele que eu sei. – Afirmou com humor na voz e não escondendo a animação.

– De fato você enlouqueceu. – Conclui.

– Está vendo você fica toda nervosinha. Agora só resta saber se é recíproco! – Exclamou. Sorrir com a conversa e já estava na hora de interferir antes que a Maia se irritasse mesmo. Abrir a porta esperando alguma resposta dela e como imaginei tudo que tinha ali era silêncio.

– Como esta se sentindo? – Perguntei acabando com o Silêncio.

– Vou melhorar assim que tirarem isso de mim. – Falou mostrando a mão com as injeções. Incomodava mesmo, muitos pacientes reclamavam que coça bastante.

– Doutor Belucy quem cala consente não é? – Perguntou Thoebe. Percebi seu olhar em sua irmã, ela a estava provocando.

– Obviamente. – Respondi olhando para Maia.

– Não concordo o silencio é a melhor resposta para alguns tipos de perguntas. – Explicou.

– Ou talvez a pessoa concorde e só não queira admitir. – Insinuo.

– Concordo com isso.– Disse minha futura cunhada.

– Isso é uma conspiração? – Perguntou contrariada. Com certeza a paciente mais linda do mundo.

– Por quê? Qual é o assunto? – Perguntei a encarando.

– É que... bom. É porque...

– É por que eu perguntei se você tinha namorada, ela acha que sim e eu acho que não! – Exclamou direta. Encaro a Maia que está sem graça.

– Compreendo. – Admito.

– E quem esta certa? – Perguntou Thoebe. No mesmo instante o celular dela começou a tocar, ela saiu do quarto deixando-me sozinho com a Maia.

– Vou te fazer algumas perguntas. – Aviso parando ao seu lado.

– Tudo bem. – Concorda.

– Quando os sintomas começaram? – Pergunto.

– Eu sempre sentir dor, nessa região acho que tem alguns meses. Mas achei que iria passar, achei que era estresse. – Respondo.

– Essa massa se movimentava? – Indago.

– Não. Nunca senti. – Diz.

– Sentia desconforto ao urinar e defecar? – Perguntei novamente.

– Só na hora de urinar, ardia. – Informou.

– Tem alguma coisa que parecia diminuir o desconforto? – Pergunto.

– Era repentino não contínuo. – Explica.

– Ok, era só isso. – Precisava saber dessas informações para inserir em sua ficha.

– Não vou voltar a sentir essa dor? – Perguntou ela.

- Nunca mais. - Confirmei. A cirurgia tinha sido um sucesso.

– Então já posso ir pra casa? – Perguntou.

– Não felizmente você terá que ficar em observação, por causa da cirurgia recente. – Falei. Ela balançou a cabeça em consentimento.

– Felizmente? – Perguntou surpresa. A porta foi aberta e de novo interrompidos, a mãe dela entrou trazendo uma pequena mala de rodinhas e uma bolsa. Claro que não daria em cima dela aqui, é a minha paciente, mas deixaria claro que gosto de tê-la aqui e bem.

– Demorou dona Mariah. – Reclamou fingindo aborrecimento.

– Nem tanto dona impaciente. – Respondeu.

– E a Thoebe? – Perguntou a Maia.

– Disse que vinha mais tarde. Aliás doutor Miguel não tem problema ela trocar de roupa? – Perguntou.

– Com tanto que sejam roupas leves. Ela vai ficar alguns dias em observação. – Comento. Nada de roupas apertadas e que não fossem respiráveis.

– Quantos dias? – Perguntou minha paciente.

– Aproximadamente uns dez dias. – Respondo, percebendo que detestou saber disso, sei que ninguém quer ficar todo esse tempo em um hospital. Se perguntar a qualquer um aqui, o desejo é irem para casa.

– É muito tempo eu tenho uma prova no vestibular. –Falou ela. Então essa era sua urgência.

– Quando vai ser essa sua prova? – Pergunto.

– Quarta- feira. – Respondeu.

– Teria como remarcar? – Perguntei preocupado. Sei como o vestibular é importante.

– Não. – Afirmou aflita.

– Acompanharei você no dia da sua prova. – Não era o ideal, mas não tinha outro jeito.

– Obrigada. – Seu olhar atento no meu.

– Disponha. – Respondi a olhando. Ela sorriu mais uma vez sem graça.

– Mãe preciso de um banho. – Retrucou.

– Vou chamar a enfermeira para te ajudar. – Respondi, antes que saísse tinha que responder uma pergunta. – Diz pra Thoebe que ela tinha razão. - Disse piscando pra ela e saindo.

...

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