"Rachel, sua puta. VÁ PARA O INFERNO!"
Na cama king-size, o rosto do homem era a personificação da fúria. Seu olhos negros ardiam de ódio. As veias salientes em sua testa e seus braço inchavam à medida que ele estrangulava a mulher de pescoço delgado.
Ela ainda estava meio grogue, mal havia acordado, porém rapidamente notou que havia algo de errado acontecendo. Ela não conseguia respirar!
Rachel Bennet arregalou os olhos, ainda meio sonolenta. Um par de mãos lhe agarrava a garganta, impendindo-a de respirar. O medo, o pânico e a confusão a dominavam.
Seus pulmões clamavam por oxigênio. Então, ela entrou em modo de sobrevivência. Levou as mãos aos gorgomilos, tentando desvencilhar-se de seu agressor.
O homem, todavia, não se deteve. Muito pelo contrário, começou a apertar com mais força, fazendo o rosto dela ficar em um vermelhão, turvando sua visão.
Blam!
A porta se abriu de supetão e o mordomo irrompeu cômodo adentro. Diante daquela cena, seu rosto empalideceu, mas ele não tinha um minuto sequer a perder. Ele correu para a cama e agarrou o braço do perpetrador, gritando: "Senhor Sullivan! Senhor Sullivan! Por favor, solte-a! Você vai matá-la desse jeito!"
"É o que ela merece!" Cuspe voava junto com suas palavras, ele espumava de raiva e portava um olhar maníaco.
O mordomo sabia que não era páreo para a força do malfeitor, portanto ajoelhou-se diante da cama e pôs-se a implorar por misericórdia. "Senhor Sullivan, por favor! Pense em sua avó! Ela vai se revirar na tumba se você cometer uma atrocidade dessas!"
Avó?
Diante daquele apelo, Victor Sullivan relaxou sua mão de leve.
Rachel aproveitou a chance e se escafedeu de lá rastejando. Todavia, acabou batendo suas costas na cabeceira e ficou lá curvada em posição fetal, observando Victor com puro temor em seus olhos arregalados.
Vendo a mudança na atitude de Victor, o mordomo continuou tentando persuadí-lo. "Muita calma nessa hora, Senhor Sullivan! É hoje que sai a papelada do divórcio. Você nunca mais a verá! Poupe-a, por favor, em nome de sua mãe. Você se recorda daquela vez que a mãe dela salvou sua avó? Por favor, acalme-se!"
As palavras do criado bastaram para trazer Victor de volta à realidade. Ele saiu da cama e vestiu o pijama em silêncio. Assim que terminou, ele deu meia-volta e se pronunciou, com uma voz fria como gelo.
"Vou dizer a Ivan para enviar os documentos da separação para cá. É só assinar e depois sumir daqui e nunca mais voltar. Não quero te ver na minha frente nem pintada de ouro."
Lançou-lhe um último olhar carregado de cólera e depois deixou o recinto, seguido do mordomo.
A portão bateu tão forte que chegou a machucar os tímpanos de Rachel. Ela se escondeu embaixo das cobertas, ainda em estado de choque. Estava pálida como um fantasma, e o coração parecia que ia sair pela boca.
Ela abaixou a cabeça e analisou seu corpo. Estava nua e coberta de hematomas. Pobre de sua pele imaculada.
Até agora, mal havia sentido dor alguma, pois a adrenalina ainda corria solta em suas veias. Entretanto, agora que o pior havia passado, a dor começou a dominá-la por completo. Tudo doía.
Rachel não conseguiu encontrar nenhuma roupa feminina no armário. Só camisas masculinas e ternos pretos.
Ela pegou uma camisa e uma calça de terno e os vestiu. As calças eram ridiculamente grandes para ela, que arrastavam no chão.
Não bastasse a dor no corpo, agora uma dor de cabeça vinha a assolar. E caminhou gemendo até o sofá e se sentou. Depois, inclinou a cabeça para trás e fechou os olhos. Memórias que não pertenciam a ela começaram a inundar seus sentidos.
Logo após, ela reabriu os olhos. As lembranças pertenciam à ex-proprietária deste corpo, uma mulher chamada Rachel. Depois de desvendar silenciosamente as coisas em sua mente, ela finalmente chegou a duas conclusões.
Ela havia renascido, de Shelia Davis a Rachel Bennet.
A que habitava este corpo antes dela era uma garota inútil, loucamente apaixonada por Victor. A mãe dela adoeceu e morreu há algum tempo e seu pai era a escória da escória.
Houve uma batida na porta.
O som despertou Rachel de seu devaneio. Uma voz indiferente surgiu lado da porta. "Posso entrar?"
Ela rapidamente enrolou a bainha da calça, e apressou-se em atender. Um homem alto e sem sal jazia diante dela, portando uma pilha de papéis.
"Ivan." Após rapidamente vasculhar suas memórias, ela encontrou o nome dele.
Permanecendo impassível, Ivan Chavez entregou-lhe os documentos e uma caneta. "Senhor Sullivan me pediu para levá-la para fora daqui depois que você assinar a papelada do divórcio."
Rachel olhou para os documentos, lembrando-se do que o mordomo havia dito antes. Hoje era o dia que marcava o fim do matrimônio entre Victor e Rachel, mas também era bodas de algodão.
Caramba, ele preparou a papelada em menos de uma hora! Victor devia realmente odiar Rachel.
Ela pegou o acordo e começou a folhear as páginas, assinando claramente "Rachel Bennet" nos lugares necessários. Levou menos de trinta segundos.
"Pronto", Rachel proferiu, devolvendo-lhe os papéis e a caneta.
Ivan ergeu as sobrancelhas e a fitou com espanto. Não esperava que fosse tão fácil. Quando Victor lhe pediu para trazer o acordo, ele explicara a Ivan que Rachel não queria assiná-lo, então talvez ele tivesse que usar a força.
"Tem certeza que não quer ler primeiro?", Ivan indagou, antes de aceitar a papelada de volta.
Rachel ergueu as sobrancelhas e categoricamente afirmou: "Não."
"Não está nem a fim de saber com o que você vai ficar agora com a separação?" Ivan estava franzindo a testa agora, parecendo cada vez mais confuso.
Rachel ergueu as sobrancelhas enquanto levantava as calças. Ela sorriu para Ivan. "Não precisa. Só tem duas possibilidades. Ou eu estou atolada em dívidas agora e logo vou à falência, ou não vou receber nenhum centavo dele. Tenho certeza de que Victor reuniu uma equipe de advogados excepcionais para trabalhar na melhor opção para ele."
Os olhos de Ivan escureceram. Ele pegou os papéis do divórcio e declarou: "Só o que senhor Victor quer, é que você parta sem levar nenhum dos bens dele."
"Bem, não se esqueça de agradecer-lhe então, depois que eu for." Rachel estava vagando e andando. Era a antiga ocupante deste corpo que amava Victor, não ela. Ela não estava nem aí para ele.
Não estava a fim de ter um brutamontes como marido. Um homem que estrangularia a própria esposa até a morte. Ela recebera uma segunda chance, e faria de tudo tirar o melhor proveito dela.
Ivan avistou as marcas na garganta de Rachel.
"Quer que eu chame um paramédico?"
Rachel ficou confusa por um momento. Então ela se lembrou dos hematomas em volta do pescoço e ergueu a mão para tocá-los. A lembrança do incidente voltou com tudo e ela teve que balançar a cabeça para desvencilhar-se do horror.
"Não, obrigada. Estou bem. Não foi nada", ela retrucou, dando de ombros.
"Então, por favor, faça suas malas." Ivan estava de volta ao tom habitual agora: frio e profissional.
Ela assentiu e saiu do quarto de Victor descalça, ainda segurando as calças. O trajeto até seu quarto era longo. Victor odiava tanto Rachel que a colocou para dormir em um quarto do outro lado da mansão, a fim de não esbarrar com ela no corredor.
Depois de quase dois minutos, ela chegou lá.
O cômodo originalmente era um depósito, mas depois do casamento, Rachel se mudou para lá. Ela empurrou a porta estreita e a atravessou agilmente.
O quarto era minúsculo. Continha apenas uma cama, uma penteadeira, e uns móveis que estavam tão próximos que mal tinha espaço para caminhar.
Rachel não tinha muitos pertences. Só uns cosméticos sobre o toucador e algumas mudas de roupa. Nada mais. Ela se trocou e pôs o resto de suas coisas na bagagem.
"Pronto. Já estou de saída. Até nunca mais, Ivan! Adeus!", Rachel despediu-se em uma voz despreocupada e indiferente, arrastando sua mala pelo corredor.
"Rachel, aonde você acha que vai?" De repente, as portas do elevador se abriram, revelando uma mulher de terno. Seus saltos altos estalaram no chão de mármore, o som nítido e curto, combinando perfeitamente com sua voz afiada.
Rachel parou para olhar para a mulher que se aproximava dela.
"Alice?" Alice Jenkins era sua meia-irmã, uma puta de duas caras.
Diante de Rachel, Alice sorria. "Irmãzinha, você está se mudando?"
Rachel revirou os olhos e lhe respondeu com um sorriso falso. "Depois de tanto tempo sem nos vermos, você continua fazendo perguntas idiotas, não é? É óbvio."
Alice ficou lívida com sua resposta. Contudo, manteve a compostura e logo retomou sua expressão inocente.
"Caramba, eu só me preocupo com você. Só isso. Que ignorância."
Até parece.
Que hilário. É claro que ela estava só de deboche.
Ivan então resolveu interpelar, com o rosto desprovido de expressão. Só queria lembrá-la: "Senhora Sullivan, temos que ir. Logo mais senhor Sullivan estará de volta."
Os cantos de sua boca se contraíram. Ela apontou para Alice e declarou a Ivan: "Estou tentando partir, mas tem uma anta bloqueando meu caminho. Será que ela morde?"
Ivan ficou sem palavras.
Alice debulhou-se em lágrimas de crocodilo. "Rachel, eu só vim ver como você estava, pois sabia que seu divórcio ia sair hoje. Por isso saí mais cedo do trabalho, só para vir te consolar, caso você estivesse deprimida. Como... Como é que você pode me tratar desse jeito? Eu sou sua irmã."
"Feche a matraca. Eu lá tenho cara de anta, para te ter como irmã?" Rachel afastou-se rapidamente de Alice e se virou para Ivan novamente. "Ivan, vamos?"
Sua expressão severa se desfez momentaneamente, pois suas têmporas doíam. Ele não teve outra escolha a não ser ordenar a Alice: "Senhorita Jenkins, com licença, por favor."
Alice mordeu o lábio inferior. Apesar de estarem cobertos pela franja, seus olhos ardiam de ódio.
"Ivan, antas não sabem falar, nem adianta tentar", Rachel proferiu para provocá-la.
Tal comentário deixou Alice espumando de raiva. Ela cerrou os punhos e encarou Rachel.
Ao ver Alice tentando conter sua ira, Rachel inclinou um pouco a cabeça e sorriu, só para deixá-la mais fula ainda.
O sorriso arrogante no rosto de Rachel tirou Alice do sério.
'Mas que porra é essa? A Rachel que eu conheço sempre comeu na minha mão. Era grata e obediente. Desde quando ela virou essa insolente?'
"Senhorita Jenkins", Ivan irrompeu. Seu tom algo continha uma pitada de impaciência.
Alice apertou os lábios, ocultando suas suspeitas. "Ivan, não é que eu não queira que ela vá. É só que Victor me pediu para ver como as coisas estavam por aqui."
Tanto Ivan quanto Rachel ficaram surpresos diante daquela declaração.
"Victor sabia que eu estava a caminho, então pediu-me especificamente para certificar-me de que Rachel faria as malas e partiria. Ele me explicou que de acordo com a papelada do divórcio, Rachel não tem permissão para levar nenhum pertence da família Sullivan. Estou aqui apenas para garantir que ela cumpra o acordo." Alice olhou para a bagagem ao lado de Rachel.
"Então, Rachel, você poderia, por favor, abrir sua mala? Preciso verificar se você pegou alguma coisa que não lhe pertença."
Rachel franziu a testa. "Não tem nada além de minhas roupas na mala. Eu não roubei nada dos Sullivan!"
Alice pegou a bagagem e afirmou: "Eu é que vou decidir se isso é verdade ou não. Quem não deve, não teme."
Depois disso, ela colocou a bagagem no chão e a abriu.
Lá, havia uma bagunça de roupas. Pelo jeito, Rachel não estava levando nada de valioso mesmo.
Alice cerrou os dentes. Ela não esperava que Rachel estivesse dizendo a verdade. Porém não queria deixá-la se safar tão facilmente. Começou a vasculhar por entre as roupas. Era como se ela não fosse parar até encontrar uma evidência que pudesse provar que Rachel havia roubado algo dos Sullivan.
Só havia cosméticos e roupas na mala, mas mesmo assim ela continuou averiguando por mais de dez minutos.
"Deu?" Rachel olhou para Alice.
"Estou apenas seguindo as ordens de Victor. Estou fazendo o melhor que posso", Alice retrucou suavemente.
"Então tá. Pode ficar o dia inteiro revirando minhas roupas se quiser. Nem as quero mais." Rachel balançou a cabeça.
As contusões em seu corpo ainda não haviam desaparecido. Não queria mais ficar naquela lenga-lenga com Alice e nem queria arriscar encontrar-se com Victor e ser estrangulada mais uma vez.
Agora que havia se decidido, Rachel passou por Alice, dirigiu-se ao elevador e apertou o botão. Ivan a seguiu.
Ding!
Em pouco tempo, o ascensor chegou ao terceiro andar. As portas deslizantes se abriram lentamente. Pouco antes de Rachel poder entrar, de repente ela sentiu um calafrio. O ar esfriou de repente, fazendo a estremecer e paralizar.
A primeira coisa que viu foi um par de sapatos de couro brilhantes. Quando ela levantou a cabeça, deparou-se com o rosto distante de Victor.
"Senhor Sullivan." Ivan foi o primeiro a reagir, inclinando a cabeça respeitosamente.
"Você por acaso se esqueceu do que eu havia lhe dito de manhã, Rachel?" Victor não parecia nem um pouco feliz, e em seus ollhos havia um ar de ameaça.
Assim que o enxergou, Rachel recordou-se do estrangulamento matinal. Começou a tremer como uma vara verde, temendo uma reação violenta dele.
De pé, em posição de sentido, ela retoquiu: "Me lembro sim."
"Ah, é? Então o que diabos você está fazendo aqui ainda?", Victor inquiriu, avançando em direção a ela.
Rachel começou a recuar até suas costas encostarem na parede. Ela cerrou os olhos e preparou-se mentalmente para encará-lo.
"Pergunte para Alice. Eu estava prestes a ir embora, mas ela veio do nada e ficou atravancando meu caminho. É por isso que eu..."
Rachel estava no meio de sua explicação quando Alice a interrompeu.
"Não tem vergonha de mentir na cara dura assim, não?", ela perguntou com os olhos lacrimejantes.
"Eu não estou mentindo!" Rachel pôs-se a xingar Alice mentalmente em resposta. Se não fosse por ela, já teria se escafedido de lá e não teria que lidar com Victor agora.
Droga.
Como se estivesse prestes a chorar, Alice irrompeu: "Victor, eu não queria atrasar a partida de Rachel. Eu estava apenas seguindo suas ordens para verificar a bagagem dela. Não queria que ela roubasse nada de você. Você sabe como ela é uma mentirosa. Eu não esperava que ela fosse mentir novamente desta vez."
As palavras de Alice lembraram Victor de tudo o que Rachel tinha feito, deixando-o mais mal-humorado do que o normal. "Você honestamente acha que eu não sou capaz te matar?"
De repente, ele começou a enforcar Rachel, batendo a cabeça dela contra a parede. Ela não havia previsto sua reação, todavia mesmo assim conseguiu agarrar a mão dele por instinto. A dor vindo da parte de trás de sua cabeça a deixou tonta.
"Vic... Victor!", Rachel mal conseguiu berrar.
"Você gosta mesmo de testar minha paciência, não é?", Victor bramiu.
Rachel começou a perder a consciência, segundo a segundo. Ela não conseguia se desvencilhar das garras de Victor.
Diante daquela situação, Ivan decidiu intervir. Ele se adiantou apressadamente e o advertiu: "Senhor Victor, se algo acontecer com a senhora Rachel, aqueles desgraçados do conselho de administração vão usar isso contra você. E daí seu plano de concentração de patrimônio irá por água abaixo."
"Foda-se!", Victor rugiu. Ele estava esganando Rachel com tanta força que seus dedos em volta do pescoço dela chegaram a perder a cor.
Por mais que se preocupasse com Rachel, Ivan não se atreveu a falar novamente com Victor.
Rachel não queria morrer.
E usou suas últimas forças para afastar a mão de Victor. Assim que conseguiu recuperar um pouco o fôlego, ela o encarou, e enquanto isso seus olhos foram ficando vermelhos.
"Se eu morrer aqui e agora, então morrerei como sua esposa e ainda um membro dos Sullivans. Quando você morrer, será enterrado do meu lado, e eu vou te assombrar pelo resto da sua pós-vida!"
Rachel teve dificuldade em dizer aquelas palavras, seu rosto estava vermelho devido à asfixia. As forças da mulher para lutar pela sua vida iam se esvaindo pouco a pouco. Ela sentia que estava lentamente perdendo a consciência.
"Quem você pensa que é? Você não merece ser enterrada no mausoléu da minha família." Victor parecia indiferente. "Se você morrer, vou cremar seu corpo e jogar as cinzas em uma lixeira. Uma mulher como você merece passar a eternidade no lixo!"
Rachel, mesmo sem forças começou a rir.
"Por que você está rindo?" Victor perguntou.
"Mesmo que você jogue minhas cinzas em uma lixeira, o fato de que sou sua esposa legal e faço parte de sua árvore genealógica não mudará. Você me detesta, não é? Sinto muito, mas você nunca vai se livrar de mim, mesmo que eu morra!"
Victor a encarou furioso enquanto ele reforçava o aperto, levantando-a no ar. Consequentemente, ela gritou de dor e lágrimas escorreram pelo seu rosto.
Quando ela começou a alucinar com o casal sem vergonha de sua vida anterior, o homem a soltou.
Rachel imediatamente caiu no chão. Ela sentia como se todos os ossos do seu corpo tivessem sido quebrados, e até mesmo o menor movimento a fazia gemer de dor.
"Ahem! Ahem!" Ela tossiu drasticamente e respirou fundo, procurando por ar com muita dificuldade.
Ivan olhou friamente para Rachel e abaixou sua cabeça. "Senhor. Sullivan, é tudo culpa minha. Eu não mandei ela sair a tempo. Por isso estou disposta a sofrer as consequências."
O rosto de Alice estava pálido, o medo corria em suas veias ao presenciar a cena de Victor batendo em Rachel. Ela se ajoelhou e implorou: "Victor, eu... Tudo isso é culpa minha... Eu não consegui checar a mala dela mais rápido. E por isso ela teve a oportunidade de mentir e ganhar tempo."
Rachel podia sentir um aperto doloroso no peito enquanto tossia sem parar.
"Eu não peguei nada seu." Rachel disse com uma voz rouca.
Enquanto isso, o homem pegava alguns lenços umedecidos para limpar a mão que tinha usado para enforcá-la. O nojo era evidente em seu rosto.
"Você não pegou nada? Você comprou todas as suas roupas usando meu dinheiro. Como você ousa dizer que não pegou nada meu?"
Rachel foi incapaz de refutar aquela fala. No dia do casamento de Rachel, Alice queimou todas as roupas que Rachel havia comprado. A mesma disse que suas roupas eram muito vulgares, e Victor provavelmente não gostaria de vê-la com elas.
"Tire as roupas dela e jogue-a fora!" Após esses dizeres, Victor não hesitou em ir embora levando Ivan com ele.
Alice esperou os dois saírem para começar a se dirigir para onde Rachel estava caída. Sua notória gentileza anterior havia desaparecido.
"Rachel, você se casou com Victor e dormiu com ele, mas e daí? No final das contas, ele te expulsou! Você queria que ele se apaixonasse por você, não queria? Isso nunca vai acontecer! Você realmente acha que te pedi para usar maquiagem pesada e engordar porque Victor gosta? Isso é hilário. Eu não consigo acreditar que você realmente caiu nessa. Nenhum homem vai gostar de uma mulher gorda e idiota como você! Eu estava manipulando você. Eu só queria que ele te odiasse ainda mais!"
O rosto de Rachel ficou mais pálido ainda. Quando ela ouviu o que Alice disse, não se incomodou nem em encarar a mulher. Ela foi indiferente às palavras de Alice e não pareceu se importar com a provocação.
Alice cerrou os dentes de raiva ao ser ignorada por aquela mulher. "Por que você está olhando assim para mim?"
"Aff! Você é tão patética." Rachel riu, ignorando a imensa dor que sentia.
Ela tinha certeza de que havia sofrido uma lesão interna. Pois apenas o ato de falar era tão doloroso que ela sentia como se seus órgãos estivessem sendo torcidos.
Mas ela não podia se dar ao luxo de mostrar nenhum sinal de fraqueza. Pois se Alice percebesse, ela iria se divertir ao torturá-la. Aquela mulher era má por natureza.
"O que você disse?" Os olhos de Alice se arregalaram tamanha surpresa. Quando Rachel zombou dela, ela se sentiu provocada.
"Eu disse..." Rachel respirou fundo para aliviar a dor em seu peito e continuar a frase. "Que você está vivendo uma vida miserável e ridícula, e que você é a pessoa mais patética que eu já conheci! Ser chamada de bastarda deve fazer você se sentir inferior, não é? Você sempre tentou ao máximo roubar tudo o que era meu, desde que éramos crianças. E tudo porque eu sou a filha legítima da família Bennet, e você é apenas uma bastarda imunda. Você é sempre desagradável!"
"Vadia! Cala essa boca!" Alice gritou enraivecida. Parecia que Rachel tinha atingido seu ponto fraco.
Rachel sorriu ironicamente e disse: "Nesses últimos dois anos, eu confiei em você, e ainda assim você me enganou e tirou vantagem do meu desejo de chamar a atenção de Victor. Você me fez de boba, e eu acabei fazendo coisas estúpidas na frente dele, fazendo com que ele me odiasse. No começo, ele era indiferente a mim, mas depois começou a me odiar. E agora, ele tem tanto nojo de mim que nem sequer tem vontade de me olhar. Você deve estar orgulhosa dessa conquista, não é?"
Alice cerrou os punhos, encarando Rachel com ódio no coração. "Bem, a culpada é você, que é burra e acreditou no que eu disse."
"Você está certa. Eu realmente fui burra." Rachel admitiu. Ela se sentiu envergonhada pelo que havia feito nos últimos dois anos.
Apesar de ser filha de uma família rica e poderosa, ela viveu sua vida de forma patética. Como ela acabou assim?
"Que bom que você consegue se ver como realmente é." Alice disse, e seu olhar fez parecer que ela tinha finalmente vencido a disputa.
"Eu quase acabei de morrer, e isso foi suficiente para me trazer de volta à realidade. Até porque não sou tão estúpida como você." Rachel tentou se levantar, se apoiando nas mãos, pois queria ter certeza de que não tinha nenhum osso quebrado. No entanto, a dor era tão insuportável que ela acabou caindo mais uma vez.
O suor começou a escorrer pela sua testa enquanto ela gemia de dor e suas mãos estavam sendo pressionadas contra o chão duro. Era possível ver as veias nas costas das mãos dela, pois ela estava reunindo toda a força que tinha para tentar se levantar.
O rosto de Alice se fechou.
"Seu fim está próximo, Rachel. Como você se atreve a falar assim comigo? Não se esqueça, você não é mais a esposa de Victor e, também não faz mais parte da família Sullivan! A avó dele está morta agora, então não tem mais ninguém para te proteger. Se você tem um cérebro nessa sua cabeça oca, você deveria se ajoelhar e me implorar para convencer nosso pai a deixar você voltar para casa!"
Quando Alice mencionou a avó de Victor, um olhar distante surgiu no rosto de Rachel.
Foi a avó de Victor que escolheu Rachel para ser a esposa dele. Mas pouco tempo depois que ela entrou na família Sullivan, ela morreu devido a uma doença. A avó costumava proteger Rachel quando ela ainda estava viva. E durante esse tempo, Rachel viveu uma vida digna na casa da família Sullivan.
"Alice, você acha que poderá se casar com Victor e ficar com parte do Grupo Sullivan após o divórcio?"
Alice levantou a cabeça, orgulhosa ao responder. "Se você conseguiu isso, então eu também vou."
"Você não pode..." Rachel disse em um tom fraco, mas firme. "Por que você está tão confiante de que Victor vai concordar em se casar com você? Só porque ele também é um bastardo? Você acha que é boa o suficiente para ser sua esposa?
Sua mãe é uma amante, uma destruidora de lares! Ao contrário de você, Victor nasceu antes mesmo de seu pai se casar. E a mãe dele nunca fez nada para prejudicar o casamento dele depois!
Você nunca vai ser merecedora de ser a esposa de Victor." Rachel afirmou.