Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Lobisomem > Não me deixe, minha companheira
Não me deixe, minha companheira

Não me deixe, minha companheira

Autor:: AlisTae
Gênero: Lobisomem
"Ahh!" Ela, que odiava aquele homem, só conseguia gemer. As mãos do homem percorreram todo o corpo dela. Ela engasgou quando ele começou a abrir o zíper de seu vestido. Em segundos, ela ficou com as costas e a cintura nuas. "Não me toque... hummm!" O homem moveu os dedos sobre as costas nuas dela enquanto ela pressionava sua cabeça contra um travesseiro, os toques causando arrepios na sua espinha. "Eu vou fazer você esquecer dos toques, beijos e tudo mais dele. Toda vez que você tocar outro homem, tudo o que conseguirá pensar será em mim." ---- Ava Adler era uma ômega nerd. Os outros zombavam dela porque achavam que ela era feia e pouco atraente. Ela amava secretamente um bad boy, Ian Dawson, o futuro Alfa de uma matilha. Porém, Ian não se importava com regras ou leis e só gostava de flertar com garotas. Ava não sabia da arrogância de Ian até que seu destino se entrelaçou com o do jovem, que a negligenciou e a machucou profundamente. O que aconteceria quando Ava se tornasse uma beldade capaz de conquistar qualquer garoto? Ao vê-la, Ian se arrependeria de suas decisões? E se ela tivesse uma identidade secreta que ele ainda não tivesse descoberto? E se a situação mudasse e Ian implorasse para ela não deixá-lo?

Capítulo 1 Ei, nerd

Ponto de vista de Ava:

"Vão embora, Ava! Vá com sua mãe, senão vão matar vocês duas!", meu pai gritou para mim, seus olhos repletos de medo enquanto ele encarava o outro lado da floresta.

"N-não", murmurei entre soluços, olhando para ele deitado no chão.

"Minha garotinha, cuide sempre da sua mãe." Se esforçando, ele tentou se sentar, suas pernas todas cobertas de sangue.

"Angela, não perca mais tempo e fuja daqui com Ava", ele disse à minha mãe, que estava ajoelhada na frente dele aos prantos.

"Como posso deixá-lo aqui desse jeito, Hector?", ela gritou, angustiada.

Nesse momento, ouvimos sons de galhos e folhas sendo pisoteados.

Estávamos no meio de uma guerra com vários lobos lutando entre si.

"Vão embora. Eu não posso me transformar para proteger vocês duas por causa dos meus ferimentos. Angela, ao menos salve a nossa filha", meu pai repetiu para ela.

Ao ver que uma matilha de lobos se aproximava de nós, minha mãe se levantou, me pegou em seus braços e correu na direção oposta comigo.

Enquanto corria, ela sussurrou no meu ouvido com a voz embargada: "Não olhe para trás."

Com meus braços em volta do pescoço dela num abraço apertado, fui tomada por uma curiosidade súbita que me fez olhar para a cena atrás de nós.

Então, eu vi dois lobos pularem em cima do meu pai.

Arregalei os olhos. Meu choque foi tão grande que os fechei logo em seguida, e gritei: "Pai!"

Quando abri os olhos outra vez, percebi que estava no meu quarto.

"Estava sonhando de novo", murmurei, levando uma mão à testa. Me sentei e respirei fundo.

Meu corpo todo estava encharcado de suor, mas, sinceramente, isso nem tinha sido um pesadelo de verdade. Era apenas um vislumbre de momentos do meu passado, os quais jamais seria capaz de esquecer.

Meu pai morreu numa guerra quando eu tinha apenas cinco anos de idade.

Embora fosse um guerreiro na matilha, suas pernas foram dilaceradas antes que ele pudesse se transformar, deixando-o indefeso.

Sem ter outra escolha, minha mãe precisou fugir da nossa matilha comigo e procurar abrigo em outra.

O Alfa e a Luna da nova matilha foram gentis o suficiente para nos deixar ficar. Desde então, temos vivido na Matilha das Sombras Místicas.

"Ava, você vai se atrasar!"

Pude ouvir minha mãe gritar lá debaixo.

"Sim, mãe! Já estou indo", respondi alto o bastante para ela me escutar.

Corri para o banheiro, tomei um banho e me arrumei para a universidade.

Como estava no meu ano de caloura, não queria acabar indo parar na lista negra do professor por chegar atrasada.

Pronta, dei uma olhada rápida em mim mesma no espelho.

Eu usava um vestido branco, bem soltinho, com o cabelo preso em um rabo de cavalo baixo. Meus óculos grandes escorregaram até a ponta do nariz, então os ajeitei de volta ao lugar.

A verdade era que não havia nada de errado com a minha visão, mas eu gostava de usar óculos grandes para esconder meu rosto e minhas emoções atrás deles. Embora as lentes fossem transparentes, eles me ajudavam a disfarçar meus sentimentos.

Além disso, como não queria chamar atenção, eu nunca me maquiava e também preferia usar vestidos simples, longos e soltinhos.

Graças à minha aparência e as notas altas que eu tirava, as pessoas costumavam a me chamar de "nerd", e talvez eu fosse realmente uma.

Mesmo que esse rótulo tivesse me feito sofrer bullying durante o ensino fundamental, hoje, eu o encarava como um elogio.

Depois de descer as escadas, abracei minha mãe e me sentei para tomar café da manhã com ela.

Ela era a pessoa mais importante da minha vida, e meu maior sonho era estudar muito e me estabelecer para dar a ela uma vida feliz.

"Ava?"

Virei-me para minha mãe. "O que foi, mãe?"

"Semana que vem, você faz dezoito anos, e logo encontrará seu companheiro. Antes disso, não quero que você se envolva com mais ninguém. Você sabe como viemos parar nessa matilha. Você é uma Ômega, e não temos um homem em nossa família para protegê-la, querida."

Não pude deixar de olhar para o rosto preocupado da minha mãe, que temia pela minha segurança em meio a uma matilha cheia de Alfas.

"Não se preocupe, mãe. Eu prometo que não vou me envolver com ninguém, nem me meter em problemas. Pode acreditar em mim. Sempre evito chamar atenção."

"Minha filha, não vejo a hora de você finalmente encontrar o seu companheiro. Quando ele aceitá-la, poderei morrer em paz."

Depressa, eu me levantei da cadeira e corri para abraçá-la. "Mãe, por favor, não fale assim."

Ela não só nunca se casou de novo, como também dedicou sua vida inteira a mim, portanto eu não suportava vê-la sofrer.

Depois de tranquilizá-la, eu saí de casa, fui até o ponto de ônibus e peguei um.

Levei cerca de vinte minutos para chegar à universidade e me deparar com o letreiro em negrito e itálico na entrada: Universidade das Sombras Místicas.

Caminhando em direção ao prédio do meu departamento, eu passava pelos alunos enquanto meus olhos vagavam em volta.

Esta era a melhor universidade da matilha, a qual apenas os filhos dos ricos podiam se matricular.

No entanto, eu tive a sorte de ser admitida após receber uma bolsa de estudos.

Era impossível não notar as outras garotas me olhando com nojo.

Uma delas passou por mim, e fez questão de esbarrar no meu ombro.

"Nerd maldita."

Ao ouvi-la, abaixei a cabeça e fui direto para a minha sala.

Lá, minha amiga, Abigail, acenou para mim. Fui até ela e me sentei ao seu lado.

Dos únicos três amigos que eu tinha, Abigail era a mais próxima e, como nossos horários eram os mesmos, podíamos passar mais tempo juntas.

Assim que o professor entrou na sala, a aula começou. Por mais que eu tentasse me concentrar na matéria, duas garotas fofoqueiras atrás de nós me distraíram com seus sussurros.

"Você viu o Ian hoje?", uma garota perguntou.

"Não, o que eu perdi? Não me diga que ele tirou a camisa, exibindo aquele tanquinho gostoso, e eu não vi!"

"Nossa, vou ter um treco só de pensar nisso, mas não. Ouvi alguns amigos dele falando sobre a festa de Luke."

"Meu Deus! Não posso perder isso por nada."

Eu encarava o projetor, mas meus pensamentos estavam voltados para a fofoca delas. Afinal, elas falavam do garoto mais gato da universidade, que era ninguém menos do que Ian Dawson, filho único do principal Alfa dessa matilha.

Entretanto, diferente do pai, que era muito rigoroso com regras e regulamentos, Ian era um encrenqueiro.

Em outras palavras, ele era o cara mau que todo garoto temia, e o mulherengo que toda garota desejava.

"Ian Dawson não namora ninguém. Ele só acredita em aventuras de uma noite", minha melhor amiga, Abigail, sussurrou no meu ouvido.

Me virei para encará-la, e ela acrescentou com um sorriso malicioso, dizendo: "Sua garotinha ingênua, não dê ouvidos a essas fofocas."

"Eu estava apenas..."

"Querida, eu te conheço muito bem, mas me deixe te contar uma coisa. Ele está à espera da companheira. É por isso que ele não namora", ela murmurou. "Palavras dele."

Desviando minha atenção dela, tentei me concentrar na aula em vez de responder a ela, mas não conseguia mentir para o meu coração.

Eu não sabia o motivo, mas sempre que via aquele garoto, sentia meu coração bater mais forte.

Depois da aula, Abigail e eu caminhamos devagar até os nossos armários, e nesse meio-tempo, recebi uma mensagem de outro amigo meu, o Luke.

Eu não tinha outros amigos do sexo masculino além dele, e isso era porque ele era o único que nunca tinha me maltratado.

"Quem te mandou mensagem?", Abigail perguntou.

"O Luke. Ele está nos chamando para a quadra de basquete."

"Vai na frente, eu chego em dez minutos. Preciso fazer uma coisa antes."

"Está bem."

Ao deixar o prédio, fui direto para a quadra de basquete, que ficava um pouco longe.

Quando cheguei, percebi que havia muitos meninos saindo da quadra porque tinham acabado de terminar o treino.

"Ei, nerd", um garoto me provocou, rindo.

Então, abaixei a cabeça para tentar evitá-lo, mas acabei ouvindo alguns assobios também.

Tive a sensação de que não tinha sido uma boa ideia vir para cá sozinha, até porque mesmo que houvesse muitas garotas na quadra, elas só serviam para pegar no meu pé.

Sem tirar meus olhos do chão, comecei a andar depressa até que bati com a cabeça num peitoral bem firme.

Meu olhar, então, subiu pelas coxas fortes e o short preto do garoto, desviando em seguida para sua regata e braços tatuados. Seu corpo era impecável.

Devagar, ergui minha cabeça e meu olhar petrificou em seu rosto.

Com seus cabelos escuros e molhados, ele tinha um par de olhos misteriosos, o queixo perfeitamente esculpido e um piercing em uma de suas sobrancelhas grossas.

Algo nele gritava perigo, e eu sabia que devia fugir dali, principalmente porque todo mundo dizia que ele era um risco para a vida de qualquer um.

Todavia, meu coração, que batia mais rápido do que um corredor no meio de uma maratona, queria outra coisa.

Ao encará-lo, não tive dúvidas de que ele era o homem mais bonito que já vi.

Eu só recuperei mesmo os sentidos quando o vi franzir a testa com um semblante feroz, o que me fez dar um passo para trás com medo.

Não pude deixar de gaguejar: "Eu... eu sinto muito, Ian."

Capítulo 2 Cabra-cega

Com a testa franzida, ele me encarou antes de murmurar num tom grave: "Que seja."

Em seguida, passou por mim e se afastou.

Fechei os olhos para me lembrar do cheiro da sua colônia atraente. Só então me dei conta de que essa era a primeira vez que havíamos nos falado.

"Ei, Nerd! O que está fazendo sozinha aqui? Por acaso, achou que algum de nós iria achá-la uma bela garota solitária?" Um garoto parou para me provocar, mas eu não rebati.

Na verdade, eu nunca discutia com ninguém, por medo de que isso pudesse encorajá-los a me intimidar ainda mais ou até inventar mentiras sobre mim para o reitor, o que poderia causar problemas para minha mãe.

Com exceção das três pessoas que queriam mesmo o meu bem, eu evitava ao máximo interagir com os outros.

"Robin, pare com isso e venha logo. Estamos sem tempo para as suas besteiras", Ian disse, um pouco mais à frente.

Ao me virar na direção dele, percebi que ele olhava para o garoto ao meu lado.

O tal Robin, então, caminhou na direção dele e disse: "Você não devia ter me interrompido. Eu estava tirando sarro daquela nerd."

"Chega de besteiras." Ian seguiu adiante, deslizando os dedos pelos seus cabelos molhados.

"Por que Ian poupou essa garota?", sussurrou uma das meninas à minha volta.

No entanto, eu permanecia com os olhos grudados nas costas de Ian até ele desaparecer da minha vista.

"Ava!"

Quando me virei, vi Luke acenando para mim e fui até ele.

Meu amigo era um dos melhores alunos do terceiro ano, o mesmo que Ian estava.

"Eu estava te esperando", disse Luke, segurando uma bolsa esportiva sobre o ombro.

Ele era o capitão do time de basquete "Chamas Vermelhas" enquanto Ian comandava o time adversário "Diamante Negro".

"Eu esbarrei numa pessoa e acabei me atrasando", respondi.

"Você comentou que precisava de ajuda com estatística, não foi?"

"Ah, sim!"

"Vamos para a biblioteca então."

"Ótima ideia, vou mandar uma mensagem para Abigail nos encontrar lá."

"Tá."

Em seguida, fomos juntos para a biblioteca, o lugar onde nos conhecemos.

Alguns meses atrás, como Luke era um aluno exemplar, e eu estava com dificuldades para resolver alguns problemas de matemática, ele se ofereceu para me ajudar a estudar. Depois disso, ele conheceu minhas amigas, e ficamos todos muito próximos, embora ele também tivesse outros amigos.

Chegamos ao nosso lugar de estudos e, mais tarde, Abigail se juntou a nós.

Junto dela, Debra, minha outra amiga, apareceu também. Além de ser um doce de menina, Debra era elegante e andava sempre na moda.

"Vou dar um festão hoje à noite", comentou Luke.

"Onde?" Debra não escondeu sua curiosidade.

"Na casa de hóspedes da minha família."

"Está bem, gostei."

Virando-se para mim, Luke insistiu: "Você precisa vir hoje à noite."

Olhei para ele, atordoada. "O quê? Você sabe que não posso ir à festas."

"Por que não? Eu falo com a tia Angela."

"Não, não, ela não vai permitir. Além do mais, também estou sem vontade..."

Ao ouvir isso, Abigail se intrometeu na conversa e garantiu: "Luke, pode deixar que eu vou levá-la comigo."

Com isso, eles acabaram conseguindo me convencer.

-

À noite, Abigail foi até a minha casa.

Eu já estava vestida com uma camiseta preta e uma calça jeans larga o suficiente para não marcar as curvas do meu corpo.

"Querida, por favor, vista algo mais interessante. Não é que tenha algo de errado com a sua roupa, mas você devia colocar um vestido de festa", aconselhou Abigail, abrindo meu armário para verificar as opções.

Ela se virou para mim com um olhar decepcionado.

"Você não tem nenhum vestido de festa."

"Eu disse... Festas não são minha praia. É melhor mesmo eu não ir."

"Espere, não! Não foi isso o que quis dizer. Você é minha melhor amiga, e eu só falei aquilo porque queria vê-la toda produzida. Mas esqueça minhas palavras. Você está bem assim."

Não pude deixar de rir do pânico que tomou conta dela.

Puxando meu cabelo para trás em um rabo de cavalo baixo, deixei duas mechas grossas caírem na frente do meu rosto para cobri-lo e então coloquei meus óculos.

"Você tem noção do quão bonita é? Por que fica se escondendo desse jeito?", Abigail perguntou.

Eu me virei para ela com um sorriso. "Não estou me escondendo, apenas sou assim."

Abigail tirou seu casaco preto e comprido e o ofereceu para mim.

"Pode usá-lo."

"Não precisa", respondi, admirando seu vestido roxo, que caía como uma luva nela.

Ignorando minhas palavras, ela colocou o casaco sobre os meus ombros.

"É só um casaco, e você precisa usá-lo, senão, vai acabar pegando um resfriado."

Depois de vestir o casaco, eu me olhei no espelho.

"E você?", perguntei.

"Eu não preciso dele." Ela piscou um dos olhos para mim.

Saímos da minha casa e entramos no carro de Abigail, que era rica o suficiente para ter um veículo como esse só para si.

O pai dela era um empresário bem-sucedido, portanto comprar um carro caro para a filha não era nada de mais para ele.

Ainda assim, Abigail nunca me tratou com superioridade.

Durante o trajeto, fiquei recostada no meu assento, admirando a paisagem lá fora pela janela.

Cerca de uma hora depois, chegamos na casa de hóspedes de Luke, a qual já se via lotada de carros estacionados do lado de fora.

Assim que entrei no lugar, fui recebida por uma fumaça espessa e música alta. Conforme atravessávamos pela multidão, segurei a mão de Abigail com força.

Impressionantemente, a casa toda havia sido transformada numa boate com pessoas bebendo cerveja em copos vermelhos aqui e ali, enquanto outras tinham as garrafas nas mãos.

Alguns garotos e garotas também conversavam, mexendo-se ao som da música.

"Ava, Abigail!"

Debra, linda e deslumbrante como sempre, veio até nós, e deu um grande abraço em Abigail e em mim.

"Estou tão feliz que você veio! Devo admitir que Abigail faz milagres. Como ela convenceu sua mãe?"

"Minha mãe não estava em casa", eu revelei.

"Ei! Não precisava ter dito isso. Era para ter feito com que pensassem que eu sou um gênio", Abigail murmurou.

Não pudemos deixar de rir juntas.

"Vamos procurar o Luke. Ele deve estar na beira da piscina", Abigail sugeriu.

Como já era a terceira vez que Abigail vinha a esse lugar, ela liderou o caminho até a piscina.

"Lá está ele!" Ela apontou, encontrando Luke na primeira vista.

Comigo logo atrás, ela caminhou até ele, que estava conversando com um grupo de garotos.

No entanto, algo chamou minha atenção, fazendo-me parar no meio do caminho ao notar alguns rapazes e garotas torcendo por alguma coisa.

Quando me virei, vi um garoto usando uma venda preta.

E para minha surpresa, esse garoto era Ian Dawson!

Ele usava uma calça jeans preta e um colete escuro aberto, que deixava à mostra as tatuagens em seus braços e parte do torso, tornando-o ainda mais atraente.

As garotas riam enquanto ele se movia, aproximando-se delas, pronto para pegá-las a qualquer momento. Parecia que estavam brincando de cabra-cega.

Os amigos dele também bebiam e se divertiam, como se o verdadeiro desafio fosse pegar uma garota específica.

De repente, arregalei os olhos quando vi Ian vindo na minha direção.

Dei alguns passos para trás, mas ele continuava avançando.

Ao perceber que ele já estava perto demais, eu me virei, porém, antes que pudesse fugir, senti uma mão agarrar o meu pulso e me puxar para o seu peitoral firme.

Na mesma hora, todo mundo à nossa volta ficou em silêncio.

Eu estava chocada demais com a proximidade entre nós dois.

Só de me encostar nele, meu corpo petrificou.

Com uma risada, ele mordeu o lábio inferior como se pudesse ouvir as batidas aceleradas do meu coração.

Nesse momento, meus olhos pousaram em sua boca, notando um sinalzinho que ele tinha no meio do lábio inferior.

Para mim, essa tinha sido a coisa mais bonita que já vi.

Devagar, ele ergueu a mão para tirar a venda, mas no momento em que me viu, seu sorriso desapareceu.

"Você?"

Capítulo 3 Presa da noite

Aparentemente em choque, Ian soltou minha mão na mesma hora.

Uma gargalhada preencheu o ambiente, mas bastou um olhar severo dele para que todos se calassem.

"Eu não queria te atrapalhar, mas..." Parei de falar assim que seu olhar se voltou para o meu.

Por conta dos seus olhos escuros, eu não conseguia mais me mover ou falar de tão fascinada que estava.

"O que exatamente você está fazendo aqui?", ele questionou entre os dentes.

A pergunta me pegou de surpresa.

Antes que pudesse responder-lhe, outra voz surgiu atrás de mim.

"Fui eu quem a convidou. Ela é minha amiga."

Virei-me, aliviada ao ver Luke vindo em meu resgate, com Abigail em seu encalço.

Luke segurou minha mão e perguntou: "Você está bem?"

Sem dizer uma única palavra, eu apenas meneei a cabeça.

"Desde quando você faz amizade com nerds?", Ian perguntou num tom descuidado, o que me deixou magoada.

Abaixei a cabeça, tentando esconder minhas emoções atrás dos meus óculos.

"Não fale assim dela, Ian. Ela não fez nada para você, então pare de ficar pegando no pé dela desnecessariamente."

As palavras de Luke fizeram Ian franzir a testa.

"O quê? Pegando no pé dela? Você acha que eu não tenho nada melhor para fazer da minha vida?"

"Ian, deixa pra lá e vamos beber", Ronald Solace, seu melhor amigo, sugeriu.

"Sim, é melhor continuarmos a festa. Não estou a fim de discutir também."

Luke soltou um suspiro enquanto olhava para Ian, que meneou a cabeça antes de voltar sua atenção para mim.

Meus óculos me permitiam vê-lo de relance, mas assim que nossos olhos se encontraram, eu desviei o olhar rapidamente.

Com um revirar de olhos, ele deu as costas e voltou para seus amigos.

Luke, então, se virou para mim e disse: "Me desculpe."

Ergui a cabeça para encará-lo. "Pelo quê?"

"Por você quase ter se perdido na festa. Eu devia a ter recebido na entrada."

"Está tudo bem."

"Você não queria chamar atenção, mas bastou vir à minha festa para isso acontecer. A culpa é minha."

Ao olhar em volta, percebi que algumas pessoas ainda me encaravam, seus olhos cheios de julgamento.

Ainda assim, eu disse a Luke que não precisava se preocupar comigo, então ele apresentou a mim e Abigail a alguns de seus amigos.

Assim como ele, seus amigos eram pessoas decentes e gentis, que não me julgaram com base na minha aparência.

Luke conversava com seus amigos, e eu estava sentada num sofá perto deles.

Nesse momento, Abigail decidiu dançar e veio até mim para me persuadir a acompanhá-la nessa diversão.

Mas já havia tido emoções fortes o bastante por um dia, e não queria chamar mais atenção. Portanto, não concordei em acompanhá-la.

Meus olhos seguiram até a piscina, pousando novamente em Ian. Por que me sentia sempre tão atraída por esse cafajeste?

Que sentimento era esse?

Eu não era do tipo de garota que se envolveria com um cara desses, tampouco era como as outras com que ele já havia dormido.

Ele sempre passava a noite com garotas que estavam desesperadas para serem usadas por ele, como se apenas ir para cama com ele pudesse agregar algo à reputação delas.

Percebi que ele olhava para alguém enquanto tomava um gole de sua bebida e, quase instantaneamente, desviei o olhar para a garota em questão.

Fiquei espantada ao vê-la tirar o vestido, revelando um biquíni branco que a deixava praticamente nua, seduzindo Ian.

Nesse instante, todos começaram a assobiar e torcer a favor dessa garota, que lançou uma piscadela a Ian antes de mergulhar na piscina.

Poucos minutos depois, algumas outras garotas se juntaram a ela na água.

Ian sorria para a garota, seu olhar fixo nela como se ela fosse sua presa da noite.

Por algum motivo que eu não sabia explicar, isso fez meu coração doer.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022