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O AMOR QUE VOCÊ NÃO QUIS

O AMOR QUE VOCÊ NÃO QUIS

Autor:: A J Jamaro
Gênero: Romance
Depois de ser criada suportando o desprezo do seu pai por ser filha da empregada, ele ainda a forçou se casar com um estranho que é apaixonado pela sua irmã.

Capítulo 1 LET ME TRY AGAIN

Você viveu um grande amor que terminou meses atrás. Está só. Nada nesta mão, nada na outra. A sexta-feira vai terminando e, enquanto seus colegas de trabalho aquecem as turbinas para o fim-de-semana, você procura no jornal algum filme que ainda não tenha visto na tevê. Ao descobrir que vai passar Kramer vs. Kramer de novo, não resiste e cai em tentação: liga para o ex.

Tentar outra vez o mesmo amor. Quem já não caiu nesta armadilha? Se ele também estiver sozinho, é sopa no mel. Os dois já se conhecem de trás para frente. Não precisam perguntar o signo: podem pular esta parte e ir direto ao que interessa. Sabem o prato preferido de cada um, se gostam de mar ou de montanha, enfim, está tudo como era antes, é só prorrogar a vigência do contrato. Tanto um como o outro sabem de cor o seu papel.

Porém, apesar de toda boa intenção, nenhum dos dois consegue disfarçar o cheirinho de comida requentada que fica no ar. O motivo que levou à separação continua por ali, escondido atrás do sofá, e qualquer hora aparece para um drinque. O fim de um romance quase nunca tem a ver com os rompimentos de novela, onde a mocinha abre mão do amado porque alguém a está chantageando ou porque descobriu que ele é, na verdade, seu irmão gêmeo. No último capítulo tudo se esclarece e a paixão segue sem cicatrizes. Já rompimentos causados por incompatibilidades reais não são assim tão fáceis de serem contornados.

Toda reconciliação é precedida por uma etapa onde o casal, cada um no seu canto, faz idealizações. As frases que não foram ditas começam a ser decoradas. As mancadas não serão repetidas. As discussões serão evitadas. Na nossa cabeça, tudo vai dar certo: o roteiro do romance foi reescrito e os defeitos foram retirados do script, ficando só as partes boas. Mas na hora de encenar, cadê o diretor? À sós no palco, constatamos que somos os mesmos de antigamente, em plena recaída.

Se alguém termina um namoro ou casamento, passa um tempo sozinho e depois resolve voltar só por falta de opção, está procurando sarna para se coçar. Até existe a possibilidade de dar certo, mas a sensação é parecida com a de rever um filme. Numa segunda apreciação, pode-se descobrir coisas que não haviam sido notadas na primeira vez, já que não há tanta ansiedade. Mas também não há impactos, surpresas, revelações. Ficamos preparados tanto para as alegrias como para os sustos e, cá entre entre nós, isso não mantém o brilho do olho.

Se já não há mais esperança para o relacionamento e tendo doído tanto a primeira separação, não há por que batalhar por uma sobrevida deste amor, correndo o risco de ganhar de brinde uma sobrevida para a dor também. É melhor aproveitar esta solidão indesejada para namorar um pouco a si mesmo e ir se preparando para o amor que vem. Evite a marcha a ré. Engate uma primeira nesse coração.

Martha Medeiros

Aviso: Pedi a plataforma para retirar o livro, mas se recusaram. Então, resolvi atualizar os capítulos colocando alguns poemas para degustação.

Capítulo 2 DUAS IRMÃS

DUAS IRMÃS

As meninas foram criadas exatamente como Laura exigiu. Cresceram juntas, frequentaram a mesma escola e faziam as mesmas atividades extracurriculares. Catarina era uma criança muito bela. Loira, olhos claros e algumas sardas. Nina também era muito linda. Branca, mais branca que a Catarina, mas tinha cabelos castanhos escuros que iam até os ombros, com uma franja bem penteada cobrindo a testa e tinha lindas covinhas no rosto quando sorria. Seus olhos eram grandes e negros como os do pai.

Catarina era chorona e na maior parte do tempo estava de mal humor e fazendo birra. Sempre estava querendo algo e se fosse contrariada, dava ataques de raiva.

Nina era uma criança tranquila. Estava sempre sorrindo, correndo atrás de algum bichinho, cantarolando e explorando a fazenda, perdida no seu mundinho encantado. Ela não gostava muito de brincar com sua irmã. As duas, de vez em quando, brincavam juntas. Mas a brincadeira só ia bem até que Catarina começasse a dar chiliques e culpar Nina de alguma coisa. Aí, ela tinha que ouvir as broncas de sua mãe Rosa.

- Eu já te falei mil vezes pra não incomodar a Catarina. Você não é filha da Dona Laura, entendeu? Ela só será boa até certo ponto! Se você não se comportar, ela vai te castigar! E qualquer dia desses eles vão mandar a gente embora por sua culpa!

Por isso, Nina preferia brincar sozinha com seus brinquedos ou com Bia, uma coleguinha da escola e filha do caseiro da fazenda vizinha. Lipe, o filho do vaqueiro, às vezes se juntava a elas para brincarem. Essa amizade não ficou só na infância. Tornaram-se inseparáveis.

Nina se parecia muito com o pai e isso incomodava muito Otoniel. Quando alguém lhe dizia:

- A Nina se parece muito com você!

Ele sempre imaginava que a pessoa estava dizendo:

- Nossa, você traiu mesmo a sua mulher!

A presença dela o incomodava. Toda vez que via a menina pelos cômodos da casa, sempre a repelia gritando palavras de ordem e não escondia de ninguém seu desprezo por ela. Mas ele tinha que cumprir o que havia combinado com Laura. Então, regularmente fazia seu papel de pai. Comprava para ela presentes de aniversário, dia das crianças, páscoa, Natal etc. Essas demonstrações de afeto do pai eram suficientes para ela. Mas, na verdade, os presentes que ele costumava dar a Nina eram sempre bem mais inferiores aos que ele comprava para Catarina. E ele ficava muito irritado quando Nina, mesmo recebendo brinquedos ruins, se mostrava muito agradecida e feliz. Enquanto que Catarina, nada parecia satisfazê-la. Ela sempre reclamava: "Não era esse que eu queria! "; "Não gostei!"; " Credo, que horrível!"

Mas Otoniel alimentava todos seus caprichos e fazia questão de deixar bem claro que Catarina era sua favorita. Ele suportava a presença de Nina em sua casa por respeito à sua esposa. Nina, inocentemente, não se cansava de tentar agradar o pai. Ela era estudiosa, inteligente, muito dedicada em suas tarefas. Era a primeira aluna da sua classe e suas notas eram sempre altas. Porém, Otoniel ignorava tudo o que vinha da menina. O fato de Nina ser bem mais inteligente que Catarina também o aborrecia. Ele fazia questão de elogiar a filha favorita na frente da outra, mas isso não surtia muito efeito. Nina sempre ficava feliz pela irmã. A menina, mesmo sendo rejeitada, gostava muito de ter um pai. Contudo, quando ela lhe trazia aqueles cartõezinhos de declaração de amor ao papai com coraçãozinho e outras fofurinhas, ele resmungava, amassava e jogava no lixo. Mas, no fundo, ele sabia que ela era só uma criança e estava sendo sincera. Às vezes ele parecia amolecer diante da doçura de Nina, como no dia em que lhe deu uma linda boneca de pano que a deixou muito feliz. Ela a chamava de Lara e passou a ser sua boneca favorita.

Já o relacionamento com Laura compensava toda essa indisposição com o pai. Ela realmente gostava muito de Nina. Quando ainda eram bebês, Laura chegou a trocar com Rosa os horários de mamadas das meninas, amamentando Nina por muitas vezes. Conforme dizia ela, isso era necessário para que fosse criado um vínculo entre as duas. Enquanto Rosa, por vezes, amamentava a Catarina. Ela não questionou a patroa, pois imaginou que essa troca seria muito bom pra diminuir a animosidade que fora criada entre elas.

Nina se afeiçoou muito à Laura, quem ela chamava de mãe sem nenhuma dificuldade. Laura se dedicava muito em ensinar Nina muitas coisas. Não era nada forçado o relacionamento das duas, pois Nina gostava de tudo que vinha da mãe adotiva. Enquanto Catarina se mostrava mais apegada com o pai, tomando gosto por montaria e o trato com os cavalos, Nina preferia as lições de piano, francês, aula de bordado, histórias da bíblia e outras histórias também. Laura era muito religiosa e fazia questão de passar os seus princípios para as filhas, mas Nina era a que mais se empolgava com tudo isso. Quando era bem pequena, se apaixonou pela história de Moisés. Era sua favorita. Se identificava com ela, pois era amada por uma mulher que não era sua verdadeira mãe. A história foi uma resposta a esta pergunta:

- Mamãe, porque eu tenho duas mães?

Laura, respirou fundo e respondeu:

- Porque você é uma criança especial! E crianças especiais são muito amadas! Então, precisam de muita gente pra amá-las! Você conhece a história de Moisés?

- Não... Quem é?

- Um menininho muito amado!

- Ele era uma criança especial?

- Sim! Muito especial!

- E ele tinha duas mães?

- Sim! Duas mães que o amavam muito! Eu vou contar pra você. Bem... No livro chamado Êxodo...

Laura contava as histórias de uma forma encantadora. Ela tinha talento para isso. Às vezes inseria músicas nos enredos e tornava tudo mais interessante. Nina ouvia tudo muito atenta e envolvida, reagindo a cada situação e fazendo perguntas em alguns momentos.

Catarina não gostava das histórias da mãe. Quando Laura arriscava envolve-la nessa brincadeira, ela sempre dormia ou interrompia a narração dizendo:

- Que chato! Vamos fazer outra coisa!

- Cala boca, Cata! Eu quero ouvir! - repreendia Nina.

A medida que o tempo foi passando e as meninas foram crescendo, Nina desistiu de conquistar o pai. Entendeu que ele nunca mudaria. Afinal de contas, ele tratava mal a maioria das pessoas. Em compensação ela e Laura foram ficando cada vez mais próximas com o decorrer dos anos.

Capítulo 3 O DESAFIO

O ano agora é 2015. As meninas estão com um pouco mais de 20 anos. Catarina ajudava o pai com os negócios da fazenda. Ela não gostava muito de lidar com a papelada e outras burocracias e nem tinha inteligência para isso. Esse trabalho era feito por outros funcionários. Catarina gostava mesmo de mexer com os cavalos. Montava muito bem e tinha se tornado campeã da prova dos tambores daquela região. Era considerada uma das moças mais belas da cidade. Alta, magra, loira, rica e muito vaidosa. Motivos que a faziam ser muito cobiçada e disputada pelos rapazes.

Ela era realmente muito bonita e muito segura de si. Isso a deixava esnobe e inacessível.

Nina era muito diferente da irmã. Era bonita também, mas tinha uma beleza distinta. Ela era muito simples e se vestia com modéstia. Na verdade, tentava ao máximo não ser comparada à Catarina. Queria evitar aborrecimentos. Sobretudo com seu pai. Nunca se deslumbrou com a fortuna dele. Nem tinha grandes ambições. Tornou-se professora. Tinha talento para lidar com crianças. Seu maior sonho era casar e constituir família. Queria ter três filhos. Já tinha até os nomes. Nina era muito espontânea e sorridente. Sua alegria era contagiante.

Fazia amizade com todos, sem distinção. Principalmente com as pessoas simples da cidade e da fazenda também. Gostava de dar atenção às elas e se envolver em suas pequenas questões. De vez em quando pegava carona na carroça de Seu Osvaldo, o senhorzinho que entregava o leite na cidade. Adorava ouvir as histórias dele. Ele tinha quase setenta anos, mas ainda era muito saudável e forte.

- Oi Nina!

- Oi Seu Osvaldo!

- Indo a pé de novo pra escola?

- É, resolvi fazer uma caminhada!

Seu Osvaldo deu uma gargalhada.

- Sobe aí! Você tem que trocar aquele carro, menina! Ele vive te deixando na mão!

- Ah, não! E qual desculpa eu vou arrumar pra pegar uma carona com o senhor?

- Ra-ra-ra! Sobe aí, então!

Agora temos um Otoniel um pouco mais velho e também mais carrancudo que antes. Laura ainda mantinha uma beleza jovial, mas também tinha sofrido a passagem do tempo. Rosa permanecia trabalhando no casarão, porém agora, por estar mais velha, sua patroa colocara uma moça chamada Tereza para ajudá-la na cozinha e nos serviços. Rosa também passou a ter um quarto melhor e se sentava para fazer as refeições junto com a família.

Otoniel criava várias raças de touro em sua fazenda. Dentre eles estavam os famosos touros de rodeio. Existia em sua fazenda um touro muito valente da raça australiana Charbray. Ele era muito bravo e nenhum peão tinha conseguido montar nele ainda. O Fazendeiro resolveu lançar um desafio oferecendo quinhentos mil reais para o corajoso que conseguisse ficar três segundos montado no bicho. A apresentação seria uma das atrações da próxima festa. A notícia se espalhou causando o maior alvoroço na cidade.

Chegara na cidade um jovem veterinário chamado Murilo Freitas. Ele e seu amigo e sócio José Roberto Viana montaram uma loja de produtos veterinários e coisas da roça. Os dois tinham feito faculdade juntos na capital. Roberto era filho da cidade, mas Murilo tinha vindo do interior de Minas Gerais. Era um rapaz bonito, branco bronzeado, corpulento, olhos claros, cabelo ondulado castanho claro, quase loiro e barba por fazer. Tinha 28 anos. Sua forma de se vestir era simples como a de qualquer comerciante, mas arriscava a vestir roupas de cowboy de vez em quando, ao prestar serviços nas fazendas, o que lhe caía muito bem. Murilo era um rapaz muito alegre e extrovertido e estava muito empolgado com sua nova fase de vida e cheio de planos para o novo empreendimento.

A festas de rodeio e vaquejada estavam se aproximando. Eram as mais esperadas do ano. Vinha gente de todos os lugares daquela região. Peões de todo país e até do exterior. Movimentava e aquecia o comércio da pequena cidade e todos já estavam se preparando para o evento, principalmente os fazendeiros. A história do touro estava causando burburinho.

Roberto chegou na loja anunciando a novidade e correu até ao computador para abrir o site da cidade para confirmar realmente se era verdade.

- Esse velho inventa moda! - exclamou ele.

Murilo que estava organizando uma das prateleiras, se mostrou curioso:

- Está falando de quem?

- O Sr. Otoniel!

A resposta lhe soou indiferente. Ele perguntou:

- E quem é Otoniel?

Roberto o olhou admirado por ele não saber de quem se tratava:

- Sr. Otoniel Montenegro! O maior fazendeiro da região! - falou ele com empolgação.

- O pai da moça mais linda da cidade! - Completou Júnior, com um sorriso abobalhado.

Júnior era o único funcionário contratado até o momento e estava meio perdido ainda, por isso trazia consigo uma flanela em mãos para sempre limpar alguma coisa. Murilo sorriu de lado, e disse:

- Moça mais linda da cidade, é? Isso muito me interessou! – Revelou ele.

Júnior, percebendo seu interesse, puxou o celular e acessou uma foto de Catarina em uma rede social e lhe mostrou. Murilo ao se deparar com a imagem, arregalou os olhos admirado.

- Ai, papai! – Exclamou ele fazendo um gesto como se tivesse recebido um golpe no coração.

Júnior sorriu e deslizou o dedo sobre a tela. Apareceu outra foto da moça ainda mais sensual.

- Ui! – Falaram os dois em coro.

- Como é mesmo o nome dela? - Perguntou ele impressionado.

- Catarina. Catarina Montenegro!

- Catarina! – Repetiu ele deslumbrado – Nome de rainha!

- Melhor não se animar! - Advertiu Roberto.

- E por que não? – Perguntou ele tranquilamente ainda sondando as fotos da moça.

- Você não conhece o pai dela! - disse Roberto.

- O velho é muito brabo! - Acrescentou Junior recolhendo o celular.

Murilo fez uma careta que mostrou que ele não se importou muito com a informação.

- E o que você estava dizendo mesmo, Beto? O que o velho aprontou? – Perguntou ele curioso.

Roberto, então revelou:

– Ele está oferecendo 500 mil reais pra quem conseguir montar por três segundos no Tsunami!

- Montar no que?

- Tsunami é o touro! - Informou Junior. - O Zeca tentou montar nele ano passado, não saiu nem do brete!

Murilo fez uma expressão de admiração, enquanto Beto lhe lançava um olhar de desafio.

- Não quer se arriscar, Murilo? – Perguntou ele animado.

- Até que não seria nada mal ganhar 500 mil!

- Deus me livre! Eu não me arriscaria nem por um milhão! - Comentou Junior

- Eu também não tenho tanta coragem! – Revelou Roberto.

Murilo cruzou os braços, analisou a imagem do touro na tela do computador e falou:

- Hum é algo a se pensar bem! É...Vamos ver quem são os homens corajosos dessa cidade, então!

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