Casada há cinco anos, eu nunca imaginei que passaria fome.
Meu marido, Marcos Costa, pegava todo o meu salário, me dando apenas mil e quinhentos reais por mês, para o que ele chamava de "gastos pessoais" .
Mas a realidade era que esse dinheiro mal dava para o almoço e o transporte.
Recentemente fui promovida e, para celebrar, decidi convidar meus colegas para um café, pagando com meu "pagamento de afeto" .
Trezentos e sete reais.
Meu celular tocou, era Marcos, furioso: "Trezentos e sete reais de café, Sofia Mendes, você enlouqueceu? Cancele agora mesmo!"
A voz dele era tão alta que todos em volta me olharam, constrangidos.
Tentei explicar, mas ele zombou: "Uma simples funcionária, achando que é a chefe? Cancele isso!"
As palavras dele me humilharam profundamente.
Pouco depois, o entregador do café entrou, me xingou e jogou café quente no meu corpo.
"Reembolso total, é isso? Me ameaçando, é isso?"
Tentei pagar, mas a transação foi recusada, meu saldo era zero.
Em seguida, uma mensagem de Marcos: "O café estava bom? 😉😉"
Marcos havia cancelado o pagamento e ainda por cima me roubado o dinheiro que restava!
Tive que pegar um empréstimo para pagar o entregador, que ainda cuspiu perto de mim ao sair.
Ao voltar ao escritório, recebi outra mensagem dele: "Feliz com a promoção e o aumento de salário? Ainda vai comemorar?"
Naquele momento, vi a assistente de Marcos, Camila Lima, postar uma foto no Instagram com uma bolsa de luxo e a legenda: "Hehe, o chefe me mima demais!"
Na foto, um pedaço de roupa íntima e as costas musculosas de Marcos.
Uma dor dilacerante tomou conta de mim.
Cinco anos de casamento, e eu era uma piada.
Marcos ainda me ligou, furioso, por eu ter "bisbilhotado" a vida dele.
"Não é só porque eu cancelei uns cafés seus, precisa fazer tanto drama? Ok, eu já restaurei seu limite, não me incomode sempre com essas pequenas coisas!"
Eu não era mais a Sofia de antes.
"Marcos Costa, na sua opinião, eu sou muito estúpida?"
Sua resposta foi: "Querida, se você se sentir cansada, aguente mais alguns anos e depois pare. Eu vou te sustentar no futuro, seja boazinha."
Logo depois, ouvi a risada de Camila: "Morri de rir, a Sofia Mendes deve estar toda emocionada agora, não é?"
"Irmão, isso não é dar um tapa e depois um doce? Deixando-a tão obediente e boazinha!"
Meu coração estava calmo.
Eu não queria mais Marcos.
Eu não queria mais esse casamento que me esgotava.
No dia seguinte, fui ao banco, cancelei meu cartão e peguei um novo.
Nunca mais entregaria meu destino nas mãos de ninguém.
Fiz cópias de um acordo de divórcio e fui até a empresa de Marcos.
Encontrei Camila na recepção, me provocando, dizendo que estava grávida.
Ela me atacou com a bolsa e Marcos, ao invés de me defender, me jogou no chão.
"Sofia Mendes, tente tocar nela!"
Com um nó na garganta, tirei os papéis da minha bolsa e joguei no rosto dele.
"Não, Marcos Costa. Eu quero o divórcio."
Casada há cinco anos, eu nunca imaginei que chegaria ao ponto de não ter dinheiro nem para almoçar.
O problema não era meu salário, eu tinha um bom emprego e ganhava bem, mas todo mês, no dia do pagamento, meu marido Marcos Costa pegava meu cartão.
A desculpa era sempre a mesma: economizar para comprarmos nossa casa.
Ele ativou uma função no meu celular chamada "pagamento de afeto", com um limite de mil e quinhentos reais por mês.
"Querida, todas as despesas da casa são por minha conta", ele dizia com um sorriso. "Esses mil e quinhentos são só para seus gastos pessoais, para você comprar o que quiser."
Mas a realidade era bem diferente.
Esse valor mal cobria meu transporte e as refeições no trabalho, no final do mês, eu frequentemente me via em apuros, sem dinheiro para comer.
Qualquer gasto era motivo para um interrogatório.
"Comprou o quê de novo? Seu limite de hoje já estourou, não venha chorar para mim no final do mês se não tiver dinheiro para comer."
"Pegou um táxi para o trabalho hoje? Ah, que madame!"
Eu tentava me convencer de que a obsessão dele por economizar era pelo nosso futuro, por um bem maior.
Até que um dia, fui promovida.
A alegria era imensa, não só pela promoção, mas pelo aumento de salário que a acompanhava. Para comemorar, decidi convidar meus colegas para tomar um café. Eles tinham me ajudado muito, era o mínimo que eu podia fazer.
Abri o aplicativo de entrega, selecionei os cafés e paguei com o "pagamento de afeto".
Trezentos e sete reais.
Assim que a confirmação de pagamento apareceu na tela, antes mesmo que eu pudesse fechar o aplicativo, meu celular tocou. Era uma chamada de voz de Marcos.
Atendi, e a voz fria dele soou no meu ouvido.
"Trezentos e sete reais de café, Sofia Mendes, você enlouqueceu?"
"Cancele agora mesmo!"
A voz dele era tão alta que, mesmo através do fone, fez com que os colegas que tinham acabado de escolher o que queriam me olhassem, constrangidos.
Meu rosto ficou vermelho na hora.
"Não é isso, querido", expliquei em voz baixa, tentando esconder minha vergonha. "Eu fui promovida, tive um aumento. Meus colegas me ajudaram muito ultimamente, eu só os convidei para um café..."
Marcos zombou, insatisfeito.
"Hoje você gasta mais de trezentos reais em café, amanhã vai gastar dez mil num jantar?"
"Quanto você ganha? Se continuar gastando assim, não vamos comprar a casa? Não vai pagar o aluguel? Ou vai passar a segunda metade do mês sem dinheiro?"
"Uma simples funcionária, achando que é a chefe? Convidando colegas, cancele isso!"
As palavras impacientes de Marcos fizeram minha cabeça zumbir.
Toda a felicidade da promoção foi jogada por um balde de água fria.
O escritório ficou em silêncio.
Sentei-me na minha cadeira, de cabeça baixa, sem coragem de olhar para ninguém, com medo de encontrar os olhares de pena dos meus colegas.
As lágrimas caíram no teclado sem que eu percebesse.
Tentei conter o choro, minha voz saiu embargada.
"Eu já paguei, por favor, só desta vez, está bem?"
"O entregador já começou a preparar, não dá para cancelar."
"Eu pedi as limonadas mais baratas para mim, por favor, não me deixe passar vergonha na frente dos meus colegas, pode ser?"
A risada fria de Marcos veio do outro lado da linha.
"Ah, você não consegue cancelar? Eu cancelo para você."
Ele desligou o telefone sem esperar resposta.
Não sei por quê, mas um mau pressentimento tomou conta de mim, meu coração começou a bater mais forte.
Fiquei ali, sem saber o que fazer, tentando pensar em uma desculpa para dar aos meus colegas. Foi quando um homem com o rosto fechado entrou na empresa.
Ele segurava mais de dez copos de café. Seu olhar percorreu o escritório e parou exatamente em mim.
Levantei-me e fui em sua direção.
No segundo seguinte, o café quente, junto com os insultos do entregador, foi jogado sobre mim.
"Reembolso total, é isso? Me ameaçando, é isso?"
Um copo, depois outro, de café quente foi jogado no meu corpo, queimando meu rosto, meus braços, minha roupa.
"Droga, trabalhando num escritório chique e querendo café de graça? Se pode pagar, pague, se não pode, vá se ferrar!"
Alguns colegas tentaram intervir, mas as palavras do entregador os fizeram parar.
"O café já estava pronto e foi reembolsado! Não acredito, isso não vai ficar assim hoje!"
A humilhação era insuportável. Peguei o celular tremendo, a voz não parava de tremer.
"Vou chamar a polícia, isso é difamação..."
Abri o aplicativo de entrega com as mãos trêmulas para procurar a prova, mas o aplicativo informou que alguém havia feito login em outro lugar. Quando finalmente consegui entrar, vi o histórico de conversas entre Marcos e o entregador.
A última mensagem, enviada do perfil de Marcos, era uma ameaça clara.
"Se não reembolsar, vou para o Procon! Não acredito que café não consumido não pode ser reembolsado!"
"Se você quiser ficar dez dias ou meio mês sem poder trabalhar, é só esperar!"
E logo abaixo, a confirmação do aplicativo: reembolso total bem-sucedido.
Minha cabeça explodiu, meu rosto ficou pálido.
O entregador sorriu friamente e me deu um tapa forte no rosto.
"Chame a polícia! Chame, eu não tenho nada a perder, mesmo que eu feche a loja hoje, não vou te deixar em paz!"
O tapa me jogou no chão.
Um gosto de sangue encheu minha boca, e um zumbido agudo tomou conta dos meus ouvidos.
De repente, todos os olhares no escritório se voltaram para mim.
O silêncio foi quebrado por sussurros.
"Café de graça? Que vergonha!"
"Eu sabia que a Sofia Mendes era mesquinha, mas não a esse ponto!"
"Uma pessoa assim merece ser promovida e ter aumento de salário? Que piada! Isso afeta a imagem da empresa!"
Cada palavra era uma facada.
Eu me sentia nua, exposta. A vergonha me consumia.
Engoli o sangue na boca e, segurando as lágrimas, me virei para o entregador.
"Desculpe, eu não sabia... Vou transferir o dinheiro do café para você agora."
"Sinto muito mesmo."
Ele me olhou com desprezo e mostrou o código de pagamento no celular dele.
Mordi o lábio com força e abri o aplicativo para pagar.
Digitei a senha, mas a transação foi recusada.
Saldo insuficiente.
Nesse exato momento, uma notificação de Marcos apareceu na tela.
"O café estava bom? 😉😉"
Abri o "pagamento de afeto". O saldo era zero.
Fiquei paralisada, olhando para a tela de pagamento falho. Meu coração afundou.
"Como assim? Não tem dinheiro para pagar?", o entregador gritou, impaciente. "Droga, se não tem dinheiro, por que pede? Acha que sou instituição de caridade?"
Em meio aos xingamentos, abri um aplicativo de empréstimos rápidos no celular.
Peguei quatrocentos reais.
A aprovação foi instantânea.
Paguei ao entregador.
Ao receber o dinheiro, ele cuspiu no chão perto de mim e saiu, ainda resmungando.
Olhei para o saldo restante no aplicativo de empréstimo: noventa e poucos reais.
Não consegui mais me conter.
As lágrimas caíram, grandes e quentes.
Não sei como voltei para a minha mesa. Minha mente estava em branco.
Sentia os olhares de todos sobre mim, doíam.
Meu celular vibrou de novo. Outra mensagem de Marcos.
"Feliz com a promoção e o aumento de salário? Ainda vai comemorar?"
Pela primeira vez em cinco anos, não respondi.
Fiquei sentada, com o rosto inexpressivo.
A camisa molhada de café grudava na minha pele, uma sensação pegajosa e nojenta.
Depois de um tempo que pareceu uma eternidade, levantei e fui ao banheiro.
Precisava lavar as manchas de café do meu corpo, da minha alma.
Enquanto a água fria escorria pelo meu rosto, peguei o celular.
A assistente de Marcos, Camila Lima, tinha acabado de postar uma foto no Instagram.
Na foto, ela estava sentada no sofá do escritório dele, segurando uma bolsa de luxo caríssima, sorrindo de orelha a orelha.
A legenda dizia: "Um segundo no carrinho, no segundo seguinte nos meus braços. Hehe, o chefe me mima demais!"