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O Acidente e a Ambição

O Acidente e a Ambição

Autor:: Kennan Parish
Gênero: Moderno
O telefone tocou no meio da noite, rasgando o silêncio. Era o Hospital Central: meu pai, o Dr. Alves, sofrera um acidente grave e estava em coma. No hospital, o cheiro de antisséptico sufocava. Minha esposa, Ana Clara, chegou impecável, seu abraço frio. Então, ela sussurrou a verdade chocante: o motorista era João, seu primo, meu pai o acolheu como filho. A raiva me consumiu, mas quando peguei o telefone para chamar a polícia, ela me deteve. "Não", disse Ana Clara, friamente. "João está prestes a fechar um grande projeto para a minha família. Um escândalo arruinaria tudo." Ela me olhou com desprezo: "Você depende de mim, Ricardo. Se insistir nisso, nosso casamento acaba. E mais, eu posso cortar cada centavo." O sangue gelou. Minha independência financeira era uma ilusão. No dia seguinte, todas as minhas contas estavam congeladas. Eu havia perdido tudo. Desesperado, sentei na sala de espera do hospital. Meu telefone tocou. Era o advogado do meu pai. "Seu pai transferiu uma patente para você, Senhor Ricardo. Uma invenção revolucionária avaliada em milhões." Uma chama de esperança se acendeu. O jogo havia virado.

Introdução

O telefone tocou no meio da noite, rasgando o silêncio.

Era o Hospital Central: meu pai, o Dr. Alves, sofrera um acidente grave e estava em coma.

No hospital, o cheiro de antisséptico sufocava.

Minha esposa, Ana Clara, chegou impecável, seu abraço frio.

Então, ela sussurrou a verdade chocante: o motorista era João, seu primo, meu pai o acolheu como filho.

A raiva me consumiu, mas quando peguei o telefone para chamar a polícia, ela me deteve.

"Não", disse Ana Clara, friamente. "João está prestes a fechar um grande projeto para a minha família. Um escândalo arruinaria tudo."

Ela me olhou com desprezo: "Você depende de mim, Ricardo. Se insistir nisso, nosso casamento acaba. E mais, eu posso cortar cada centavo."

O sangue gelou. Minha independência financeira era uma ilusão.

No dia seguinte, todas as minhas contas estavam congeladas. Eu havia perdido tudo.

Desesperado, sentei na sala de espera do hospital.

Meu telefone tocou. Era o advogado do meu pai.

"Seu pai transferiu uma patente para você, Senhor Ricardo. Uma invenção revolucionária avaliada em milhões."

Uma chama de esperança se acendeu. O jogo havia virado.

Capítulo 1

O telefone tocou no meio da noite, o som agudo rasgando o silêncio do apartamento. Ricardo atendeu, a voz sonolenta. Do outro lado da linha, a voz de um enfermeiro do Hospital Central soou urgente e grave.

"Senhor Ricardo? Seu pai, Dr. Alves, sofreu um acidente grave. Ele foi trazido para a emergência, o estado dele é crítico."

O sono de Ricardo desapareceu instantaneamente, substituído por um gelo que se espalhou por suas veias. Ele se vestiu às pressas, o coração martelando contra as costelas. Ele dirigiu até o hospital de forma automática, a mente vazia de tudo, exceto o nome do pai.

No corredor estéril do hospital, o cheiro de antisséptico enchia o ar. Um médico se aproximou com uma expressão sombria.

"Seu pai sofreu um traumatismo craniano severo. Ele está em coma profundo. Fizemos o que foi possível, mas as próximas horas são cruciais."

Ricardo sentiu o chão sumir sob seus pés. Ele se apoiou na parede, a respiração curta. Ele olhou através do vidro da UTI e viu seu pai, um cientista renomado e um homem que sempre fora cheio de vida, agora imóvel em uma cama, cercado por máquinas que apitavam ritmicamente. Aquele som era a única coisa que o mantinha de pé.

Ele passou horas ali, um zumbido constante em seus ouvidos, até que sentiu uma mão em seu ombro. Era sua esposa, Ana Clara. Ela estava impecavelmente vestida, como sempre, seu rosto bonito contorcido em uma máscara de preocupação.

"Querido, eu soube assim que pude. Como ele está?"

Ricardo mal conseguiu falar. Ele apenas balançou a cabeça.

Ana Clara o abraçou, mas o abraço parecia frio, calculado. Eles ficaram em silêncio por um tempo, até que ela se afastou e olhou para ele com seriedade.

"Ricardo, eu sei quem causou o acidente."

Ele a encarou, chocado. "Quem? A polícia disse que o motorista fugiu."

"Foi o João", ela disse em voz baixa, olhando para os lados para se certificar de que ninguém estava ouvindo.

João. O primo de Ana Clara. O pupilo brilhante que seu pai havia acolhido e ensinado por anos, tratando-o como um filho. A raiva começou a borbulhar dentro de Ricardo.

"Aquele desgraçado... Eu vou matá-lo. Vou chamar a polícia agora mesmo."

Ele pegou o telefone, mas Ana Clara agarrou sua mão com uma força surpreendente.

"Não", ela disse, a voz firme. "Você não vai fazer isso."

Ricardo olhou para ela, incrédulo. "O que você está dizendo? Ele quase matou o meu pai e fugiu!"

"Pense nas consequências, Ricardo! João está no auge de sua carreira, prestes a fechar um grande projeto para a nossa família. Um escândalo agora arruinaria tudo. A reputação da minha família, os negócios... tudo iria por água abaixo."

"A reputação da sua família?", ele repetiu, a voz carregada de desprezo. "Meu pai está em coma! A vida dele vale menos que a reputação da sua família?"

"Não seja dramático", ela respondeu, a frieza em seus olhos o assustando. "Vamos cuidar do seu pai. Daremos a ele o melhor tratamento. Mas você precisa esquecer essa história de polícia. Deixe isso para lá."

Ricardo se afastou dela, o sentimento de traição começando a se instalar. "Eu não posso acreditar no que estou ouvindo. Você está me pedindo para acobertar um crime para proteger seu primo e seus negócios?"

A expressão de Ana Clara endureceu. Ela o olhou de cima a baixo, um brilho de desdém em seus olhos.

"Você depende de mim, Ricardo. Você sempre dependeu. Pense bem. Se você insistir nisso, considere nosso casamento acabado. E mais," ela fez uma pausa, a ameaça clara em sua voz, "pense em como você vai pagar por este hospital de luxo sem o meu dinheiro. Eu posso cortar tudo. Cada centavo."

O sangue de Ricardo gelou. A ameaça era real. Ele vivia à sombra dela e de sua família rica há anos. Sua independência financeira era uma ilusão.

Desesperado, ele foi até o setor financeiro do hospital no dia seguinte para tentar organizar o pagamento. Como esperado, o cartão de crédito conjunto foi recusado. Todas as suas contas havólicas sido congeladas. Ele ligou para o gerente do banco, um velho amigo da família de Ana Clara, que apenas deu desculpas vagas e disse que não podia fazer nada.

Ele se sentia encurralado, impotente. A imagem do pai na cama da UTI o assombrava. O tempo estava se esgotando.

Enquanto estava sentado na sala de espera, o celular tocou novamente. Era um número desconhecido. Ele atendeu, esperando mais uma má notícia.

"Senhor Ricardo Alves?", disse uma voz profissional. "Meu nome é Dr. Gusmão, sou do escritório de advocacia Gusmão & Associados. Eu era o advogado do seu pai."

"Sim?", Ricardo respondeu, confuso.

"Lamento muito pelo que aconteceu com seu pai. Ele me procurou algumas semanas atrás. Havia uma questão urgente que ele queria resolver. Ele fez uma transferência de titularidade de uma de suas patentes mais importantes. Ele a transferiu para o seu nome."

Ricardo ficou em silêncio, tentando processar a informação. Uma patente? Seu pai nunca havia mencionado isso.

"Que patente?", ele perguntou.

"Uma invenção revolucionária na área de biotecnologia. Ele me disse que era o trabalho de sua vida e que queria garantir que estivesse em boas mãos. Nas suas mãos."

Uma pequena chama de esperança se acendeu no peito de Ricardo. Talvez nem tudo estivesse perdido.

Com essa nova informação, ele ligou para Ana Clara. A raiva agora era fria e focada.

"Você congelou minhas contas", ele disse, sem rodeios.

Houve uma pausa do outro lado. "Eu avisei você, Ricardo", a voz dela soou irritada.

"Meu pai está em estado crítico. Ele precisa de tratamento, Ana Clara. Ele pode morrer. Você entende a gravidade disso? Você entende o que fez?"

"Não seja tão melodramático", ela zombou. "Ele vai ficar bem. E você vai superar isso. Basta fazer o que eu digo. Esqueça o João."

A frieza dela era inacreditável. A mulher com quem ele se casou, que ele pensou amar, estava disposta a deixar seu pai morrer para proteger a própria imagem. O desprezo dela pela situação, pela vida de um homem que fora como um pai para ela também, era palpável. A decepção que ele sentiu era avassaladora, um peso que o sufocava. Ele sabia, naquele momento, que a mulher que ele conhecia não existia mais, se é que algum dia existiu.

Capítulo 2

Ricardo desligou o telefone, o som do tom de discagem ecoando no silêncio do seu carro. Ele ficou ali, parado no estacionamento do hospital, o volante frio sob suas mãos. O rosto de Ana Clara, antes o centro de seu universo, agora parecia o de uma estranha.

Ele pensou nos dez anos de casamento. Ele a amava, ou pelo menos pensava que sim. Ele havia desistido de suas próprias ambições para apoiá-la, para se encaixar no molde que a família dela esperava. Um marido presenteável, submisso, que não ofuscaria a herdeira brilhante. E por todo esse tempo, ele se convenceu de que era amor, de que era um sacrifício válido.

Agora, a memória de cada sorriso, cada palavra de carinho dela, parecia manchada, falsa. Um frio profundo se instalou em seu coração, um frio que nada tinha a ver com a noite lá fora.

Ele dirigiu para casa, o casarão luxuoso que nunca pareceu realmente seu. Ana Clara estava na sala de estar, bebendo uma taça de vinho, parecendo perfeitamente calma.

"Você voltou", ela disse, sem olhá-lo.

Ricardo parou na frente dela, a raiva controlada fervendo sob a superfície.

"Eu quero que você pense em uma coisa, Ana Clara", ele começou, a voz baixa e tensa. "Você se lembra de como meu pai te tratava? Ele te amava como uma filha. Quando sua empresa estava prestes a falir, quem hipotecou a própria casa para te dar o capital que você precisava? Quem passou noites em claro te ajudando a desenvolver a estratégia de negócios que te tornou quem você é hoje?"

Ele não estava gritando. Sua voz era um sussurro acusador, cada palavra pesando no ar.

"Meu pai deu a você tudo. Ele acreditou em você quando ninguém mais acreditou, nem mesmo sua própria família. Ele te deu a base para construir seu império."

Ana Clara finalmente olhou para ele, o rosto endurecido.

"E o que você quer dizer com isso?", ela cuspiu.

"Eu quero dizer que você está cuspindo no prato em que comeu. O homem que te deu o mundo está morrendo em um hospital por causa do seu primo irresponsável, e sua única preocupação é proteger a imagem da sua família. Você não tem um pingo de gratidão? De decência?"

A verdade das palavras dele a atingiu. Por um segundo, ele viu um lampejo de vergonha em seus olhos, mas foi rapidamente substituído pela raiva. Ela se levantou de um salto, o vinho balançando perigosamente na taça.

"Como você ousa falar assim comigo?", ela gritou, a compostura finalmente quebrando. "Você acha que eu devo tudo a ele? Eu construí meu negócio com meu próprio suor! Você, que nunca fez nada de útil na vida, não tem o direito de me julgar!"

Ela se aproximou e, em um gesto de fúria cega, deu um tapa forte no rosto dele.

O som ecoou na sala silenciosa. Ricardo sentiu a ardência na bochecha, mas a dor física não era nada comparada à dor em seu peito. Ele a encarou, o último resquício de afeto por ela morrendo naquele instante.

Ela respirava pesadamente, o peito subindo e descendo. Vendo que ele não reagiu, ela pareceu se recompor, a máscara de frieza voltando ao lugar.

"Escute aqui, Ricardo", ela disse, a voz agora controlada, mas venenosa. "É muito simples. Você vai ao hospital amanhã e diz à polícia que foi um acidente, que seu pai caiu. E você vai retirar qualquer queixa. João vai visitá-lo, pedir desculpas, e vamos todos seguir em frente."

Ele a olhou como se ela fosse louca. A audácia, a total falta de moralidade, era de revirar o estômago.

"Você quer que eu minta? Que eu diga que meu pai, um homem saudável e ativo, simplesmente 'caiu' e entrou em coma? Você quer que o criminoso que fez isso com ele o visite como se nada tivesse acontecido?"

"Exatamente", ela confirmou, com um aceno de cabeça. "É a única maneira de resolver isso sem danos."

Ricardo balançou a cabeça lentamente, um sorriso amargo nos lábios. "Você é inacreditável."

Ele olhou ao redor da sala luxuosa, para os móveis caros, as obras de arte nas paredes. Tudo aquilo parecia oco, sem vida. Ele se lembrou de quando se mudaram para aquela casa. Ana Clara era mais doce na época, ou talvez ele apenas quisesse acreditar nisso. Ela o abraçava e dizia que eles construiriam uma vida juntos. Onde estava aquela mulher? Ela realmente existiu, ou ele a inventou em sua mente para justificar sua própria passividade?

A mulher à sua frente era uma estranha. Fria, cruel e implacável. E ele percebeu, com uma clareza dolorosa, que estava casado com um monstro.

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