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O Acidente e a Conspiração: Meu Marido e Minha Irmã

O Acidente e a Conspiração: Meu Marido e Minha Irmã

Autor:: Ebony Bruna
Gênero: Moderno
Acabei de assinar os papéis do divórcio. O meu ex-marido, Pedro, parecia aliviado. Ligou à minha irmã, Sofia, para lhe dizer que estava feito. Ela tinha acabado de ter alta do hospital, depois de uma cirurgia ao joelho. Pedro e Sofia, o meu ex-marido e a minha irmã mais nova. A razão de tudo isto: o acidente da Sofia e a sua necessidade de sangue raro. Quando Pedro me ligou, desesperado, pedindo-me para doar sangue, eu, grávida de sete meses, recusei. O médico tinha sido claro: doar podia provocar um parto prematuro. Mas Pedro não aceitou. "Escolhe, Lara. É a tua irmã ou esse... feto." Feto. Chamou feto ao nosso filho, o filho que tanto tínhamos tentado ter. Ele avisou: se não fosse, nunca mais me queria ver. Escolhi o meu filho. No dia seguinte, Sofia recebeu o sangue de outra cidade, a cirurgia correu bem. Mas Pedro bloqueou-me. Uma semana depois, chegaram os papéis do divórcio pelo correio. Quando regressei a casa, a minha mãe revelou que Pedro tinha vindo buscar as suas coisas. Com a Sofia. Eles não só levaram o que era dele, como esvaziaram o quarto do meu bebé. Levaram o berço, as roupinhas, os brinquedos. Sofia disse à minha mãe que eu não precisava das coisas do "filho dele" . Fui traída pelo homem que amava e pela minha própria irmã. Chamei-os, cheia de raiva, mas as suas palavras foram mais cortantes. "As escolhas têm consequências", disse Sofia. "Tu abandonaste-me." Mas a facada final veio depois. No dia da minha mudança, Pedro atualizou o estado no Facebook: "Numa relação" com Sofia. Com fotos deles beijando-se. Eles eram amantes há anos. Usaram um acidente e a minha gravidez para me trair e ficar juntos. Tudo tinha sido uma mentira. Não me tinham tirado apenas o marido, roubaram-me a dignidade. Mas se eles pensam que podiam roubar o meu filho, estão enganados. Eu tinha um plano. Algo que eles nunca iriam esquecer. Isto não era o fim, era o começo. E a eles, eu daria a notícia que mereciam.

Introdução

Acabei de assinar os papéis do divórcio.

O meu ex-marido, Pedro, parecia aliviado.

Ligou à minha irmã, Sofia, para lhe dizer que estava feito.

Ela tinha acabado de ter alta do hospital, depois de uma cirurgia ao joelho.

Pedro e Sofia, o meu ex-marido e a minha irmã mais nova.

A razão de tudo isto: o acidente da Sofia e a sua necessidade de sangue raro.

Quando Pedro me ligou, desesperado, pedindo-me para doar sangue, eu, grávida de sete meses, recusei.

O médico tinha sido claro: doar podia provocar um parto prematuro.

Mas Pedro não aceitou. "Escolhe, Lara. É a tua irmã ou esse... feto."

Feto. Chamou feto ao nosso filho, o filho que tanto tínhamos tentado ter.

Ele avisou: se não fosse, nunca mais me queria ver.

Escolhi o meu filho.

No dia seguinte, Sofia recebeu o sangue de outra cidade, a cirurgia correu bem.

Mas Pedro bloqueou-me. Uma semana depois, chegaram os papéis do divórcio pelo correio.

Quando regressei a casa, a minha mãe revelou que Pedro tinha vindo buscar as suas coisas.

Com a Sofia.

Eles não só levaram o que era dele, como esvaziaram o quarto do meu bebé.

Levaram o berço, as roupinhas, os brinquedos.

Sofia disse à minha mãe que eu não precisava das coisas do "filho dele" .

Fui traída pelo homem que amava e pela minha própria irmã.

Chamei-os, cheia de raiva, mas as suas palavras foram mais cortantes.

"As escolhas têm consequências", disse Sofia. "Tu abandonaste-me."

Mas a facada final veio depois.

No dia da minha mudança, Pedro atualizou o estado no Facebook: "Numa relação" com Sofia.

Com fotos deles beijando-se.

Eles eram amantes há anos.

Usaram um acidente e a minha gravidez para me trair e ficar juntos.

Tudo tinha sido uma mentira. Não me tinham tirado apenas o marido, roubaram-me a dignidade.

Mas se eles pensam que podiam roubar o meu filho, estão enganados.

Eu tinha um plano. Algo que eles nunca iriam esquecer.

Isto não era o fim, era o começo.

E a eles, eu daria a notícia que mereciam.

Capítulo 1

Quando saí do escritório do advogado, o sol do meio-dia queimava a minha pele. O papel do divórcio na minha mala parecia pesado, quase a rasgar o couro.

Dentro do carro, liguei o ar condicionado no máximo. O frio fez-me tremer. Olhei para o meu reflexo no espelho retrovisor. Estava pálida, com olheiras profundas.

Peguei no telemóvel e liguei ao meu, agora, ex-marido, o Pedro.

A chamada foi atendida quase instantaneamente.

"Já assinaste?"

A voz dele era fria, sem qualquer emoção.

"Sim," respondi, a minha voz a falhar um pouco. "Está feito, Pedro. Estamos divorciados."

"Ótimo. A Sofia vai ficar contente por saber."

Sofia. A minha irmã mais nova. A razão de tudo isto.

"Como é que ela está?" perguntei, quase por obrigação.

"A recuperar. O médico disse que a cirurgia ao joelho correu bem. Ela só precisa de descansar. Estou a caminho do hospital para lhe levar o almoço."

"Pedro..." comecei, mas não sabia o que dizer.

Ele interrompeu-me. "Olha, Lara, não vamos tornar isto mais difícil do que já é. Foi uma decisão mútua. Segue com a tua vida."

Ele desligou.

Não foi uma decisão mútua. Foi uma imposição dele.

Há duas semanas, a minha irmã Sofia sofreu um acidente de carro. Um condutor bêbado bateu-lhe por trás. Ela partiu o joelho. Precisava de uma cirurgia complicada e de muito sangue.

A Sofia tem um tipo de sangue raro, AB negativo. O mesmo que o meu. O hospital não tinha reservas suficientes.

O Pedro ligou-me, desesperado.

"Lara, a Sofia precisa de ti. Os médicos dizem que é urgente. Precisam de uma doação de sangue direta."

Eu estava grávida de sete meses.

"Pedro, eu não posso," disse-lhe, com o pânico a subir-me pela garganta. "O médico foi muito claro. Doar sangue agora é perigoso para mim e para o bebé. Pode induzir um parto prematuro."

"Perigoso? Mais perigoso do que a tua irmã morrer? Lara, é a Sofia! A tua única irmã!"

"E este é o nosso filho!" gritei, a mão a proteger a minha barriga. "O nosso filho, que tentámos ter durante anos!"

A linha ficou em silêncio por um momento. Depois, a voz dele tornou-se gelo.

"Se não vieres, não te quero ver nunca mais. Escolhe, Lara. É a tua irmã ou esse... feto."

Feto. Ele chamou ao nosso filho um feto.

Desliguei o telefone e chorei durante horas. Mas eu não fui. Não podia arriscar a vida do meu filho.

No dia seguinte, a minha mãe ligou-me. A Sofia tinha conseguido o sangue. Uma doação de emergência de outra cidade chegou a tempo. A cirurgia foi um sucesso.

Senti um alívio imenso. Mas quando tentei ligar ao Pedro, ele não atendeu. As minhas mensagens não foram respondidas. Ele bloqueou-me.

Uma semana depois, recebi os papéis do divórcio por correio.

Agora, aqui estava eu, sentada no meu carro, com o divórcio finalizado. A minha mão pousou instintivamente na minha barriga. O meu bebé chutou, como que a tranquilizar-me.

"Está tudo bem, meu amor," sussurrei. "Somos só tu e eu agora."

Liguei o carro e conduzi para casa, para o apartamento que em breve teria de deixar. O apartamento onde eu e o Pedro construímos uma vida. Onde pintámos o quarto do bebé de amarelo e montámos o berço.

Tudo isso parecia agora uma memória de outra pessoa.

Capítulo 2

A porta do apartamento abriu-se antes mesmo de eu conseguir meter a chave. A minha mãe estava ali, com uma expressão preocupada.

"Lara, finalmente! Estava a ficar preocupada. Como correu?"

Entrei e deixei a mala cair no chão. O som ecoou no silêncio do apartamento.

"Acabou, mãe. Assinei."

Ela abraçou-me com força. O seu abraço era a única coisa que me mantinha de pé.

"Fizeste a coisa certa, filha. Ele não te merecia. Nem ao teu bebé."

Afastei-me e olhei em volta. O apartamento parecia vazio, estranho. Faltavam coisas.

"Onde estão as coisas dele?" perguntei.

"Ele veio buscá-las esta manhã. Com a Sofia."

O meu coração parou. "A Sofia? Ela esteve aqui? Ela não devia estar a descansar no hospital?"

"Aparentemente, teve alta hoje. O Pedro foi buscá-la. Eles levaram tudo o que era dele. E mais algumas coisas."

Fui até ao quarto do bebé. A porta estava aberta.

O berço tinha desaparecido. A cómoda, cheia de roupas de bebé que eu tinha passado meses a escolher, estava vazia. As prateleiras, onde estavam os peluches e os livros, estavam despidas.

Eles levaram tudo.

"Não..." sussurrei. A minha respiração ficou presa. "Eles não podiam."

"A Sofia disse que, como não vais ter o bebé com o irmão dela, não precisas das coisas dele," disse a minha mãe, a voz cheia de raiva contida. "Disse que podia usá-las para o filho de uma amiga."

Virei-me para ela, incrédula. "Ela disse isso?"

A minha mãe assentiu, os olhos a brilhar de fúria. "Eu disse-lhes para irem embora. Gritei com eles, Lara. Mas o Pedro disse que tinha direito a metade de tudo, e que estava a levar a parte dele."

A imagem da minha irmã, a minha irmã mais nova que eu ajudei a criar, a supervisionar o desmantelamento do quarto do meu filho por nascer, partiu-me em pedaços.

Sentei-me no chão do quarto vazio, o choro a abalar-me o corpo todo. A minha mãe sentou-se ao meu lado, a acariciar-me as costas, sem dizer uma palavra.

Não havia nada a dizer.

O Pedro e a Sofia não me tinham deixado apenas a mim. Eles tinham tentado apagar a existência do meu filho.

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