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O Acordo - O resgate de Aiden.

O Acordo - O resgate de Aiden.

Autor:: Nalva Martins
Gênero: Romance
Melissa Jones saiu do interior de Nova Jersey para estudar direito em Nova York e apesar de não ser uma nerd, a garota é bem concentrada nos estudos e sonha em ser uma das melhores na sua profissão, e assim poder ajudar o seu pai com as causas da vida marinha. Aiden não teve uma vida muito fácil e para realizar o sonho de estudar direito ele precisa fazer alguns corridas de carro muito perigosas e assim ter como pagar as mensalidades da sua faculdade, e garantir um seu futuro. Contudo, alguns tropeços fazem as suas notas caírem drasticamente e ele vai precisar de ajuda para reerguê-las. Ela quer se enturmar e ter paz para estudar melhor. Ele é o garoto popular que pode ajudá-la com algumas dificuldades. Um acordo entre dois desconhecidos pode levá-los para caminhos inesperados. Mas quem será o primeiro a cair nas ciladas do coração?

Capítulo 1 1

Mel

Sol, mar, águas límpidas, animais marinhos para salvar, amigos da escola... Ah que saudade disso tudo, de casa, dos meus pais! O mundo universitário às vezes pode ser cruel para uma garota de interior como eu. Do lado masculino o que importa é o meu corpo e as curvas que ele tem, mas do lado feminino a concorrência é tão grande que elas chegam a passar por cima de qualquer um como um trombudo trator desgovernado. Mas a verdade é que não tenho interesse de agradar ninguém aqui. No entanto, para sobreviver na Campbell University é necessário enfrentar algumas batalhas ou encontrar algum refúgio. E sério, um refúgio para a primeira semana de aula até que não seria tão ruim. Penso assim que ponho os meus pés dentro do campus e percebo todos os olhares caírem em cima de mim como se eu fosse uma estrela de Hollywood, mas não se engane, não é exatamente esse pensamento que eles têm de mim. Meu nome é Melissa Jones, mas algumas pessoas mais próximas me chamam de Mel. Como mencionei eu moro no interior... morava... por tempo determinado... eu acho. Enfim, eu sou de Cape May em Nova Jersey. Um paraíso lindo e aconchegante que eu amo de paixão. Lá é um antigo balneário de férias e é um patrimônio histórico nacional também, além das belas arquiteturas vitorianas. Entretanto, fui praticamente forçada pelos meus pais a vir para Nova York para concluir os meus estudos e ser alguém na vida. Palavras do meu pai, o Senhor Samuel Jones. E falando no meu pai, ele é biólogo e como temos muitas praias em Cape May por muitas vezes o ajudei a salvar alguns animais a beira da morte por conta da poluição de alguns turistas babacas, na maioria deles, jovens visitando os pontos turísticos da cidade. Bufo quando percebo um grupo de meninas metidas a besta vindo em minha direção e eu sei, consigo sentir nos meus ossos que elas não estão querendo me dar as boas-vindas a esse lugar.

- Vê se olha por onde anda, garota estupida! - Uma delas diz debochadamente após bater propositalmente em mim e derrubar todos os meus livros no chão. No ato, as suas amigas riem e os estudantes ao redor parecem se divertir com isso. Engulo um xingamento. Me entendam, eu não sou de levar desaforos para casa. A minha mãe costuma dizer que sou como um bicho do mato quando o assunto é me defender, mas ela me pediu para me comportar aqui ou serei tachada como selvagem pelo resto do ano. Mundo universitário é uma grande merda mesmo!

Ok, é só a primeira quinzena de aulas e as coisas podem melhorar, certo? A minha finalidade aqui é me tornar uma boa advogada e assim ajudar o meu pai com algumas eventualidades da sua profissão, a final, não é tão fácil assim salvar a natureza. Já pararam pra pensar em quantos animais precisam da nossa ajuda exatamente agora? São muitos e de vários tamanhos, e espécies. O planeta está em guerra contra os seres humanos por causa dos nossos maus hábitos e a maioria deles nem se dão conta disso ainda. Sala amarela – B. Oh céus, até que enfim encontrei a sala de aula! O contrário das escolas da minha cidade essa sala é bem ampla e iluminada. Claro, é uma universidade, boba. E falando em sala de aula, não pude deixar de notar que estou sendo o centro das atenções aqui dentro também. O que, a minha roupa está rasgada, ou eu estou fedendo por acaso? Me pergunto olhando pra um grupo de estudantes no fundo da sala que me lembra as idiotas que derrubaram os meus livros lá fora. Pois é, elas estão no meio deles, que hilário! A pior parte são os cochichos e as risadinhas que eles dão, isso me deixa possessa. No entanto, tem um garoto... quer dizer, tem mais garotos no grupo, mas esse é... nossa, ele é lindo! Desperto da minha breve distração quando uma bolinha de papel bate na minha cabeça fazendo-me desviar os meus olhos do rapaz e eu fito um par de olhos azuis que me encaram risonhos.

- Está olhando o que, lerda? - Ah, é ela de novo, a valentona do grupo. Tenho vontade de lhe dar uma boa resposta à altura, mas decido desviar os meus olhos e me sentar em uma das cadeiras.

- Bom dia, turma! Eu me chamo Audrey Smith e na minha aula vamos ver alguns pontos bem importante dessa fabulosa profissão. Fundamentos Históricos e introdução ao estudo do direito, psicologia aplicada ao direito, teoria da argumentação jurídica e a teoria geral do processo – essa é a parte mais interessante, e entre outros. Alguém tem alguma dúvida? - Eu tenho uma dúvida. Aqui é realmente uma cidade civilizada ou uma selva de animais babacas? Meu lado irônico ralha e eu me pego rindo.

- Está rindo de que, ôh idiota?

- Ora vamos, meninas, concentração na aula! - A professora interpele. É, já consigo ver como serão os meus dias nesse lugar. A Barbie enfezada precisa de saco de pancadas e resolveu escolher a mima para pegar no meu pé. É muito foda mesmo!

Na hora de ir para o refeitório a coisa até muda um pouco de figura. O lugar está cheio de alunos e como é típico da cidade grande, os grupos são separados por nerds, patricinhas, os play boys, os bad boys e eu. Isso mesmo. Eu e eu mesma. Não é de todo ruim, agora eu tenho espaço de sobra para espalhar os meus livros e estudar enquanto como. Viu, ser simples tem as suas vantagens! E advinha o que estou lendo agora? É caro, a vida marinha ao longo dos tempos. Um livro bem interessante para a minha carreira como futura bióloga. É sério, esse mundo é simplesmente fascinante...

- Op`s! - Uma voz feminina diz após um líquido amarronzado manchar uma página do meu livro. Ok, essa é a gota d'água... digo, do café! - Me desculpe, eu não tive a intensão! - A voz trêmula me faz erguer o olhar que estava fixo na mancha e olho para a ruiva cheia de sardas nas bochechas. - É que... eu tropecei. - Então inclino a cabeça só um pouco para ver exatamente onde ela tropeçou e a conclusão que chego é, ou ela é retardada e tropeçou no nada, ou um certo alguém pôs o pé no seu caminho fazendo a catástrofe acontecer. Um piscar de olho da Barbie na mesa ao lado é a resposta para a minha dúvida. A ruiva sai correndo para outra mesa e eu... Bom, melhor fingir que nada aconteceu e quem sabe ela me deixa em paz de uma vez.

Desculpa, mãe, mas eu não tenho sangue de barata! Rosno mentalmente, seguro o livro molhado e vou até a outra mesa. O grupo de imbecis me fita com deboche, mas os meus olhos estão fixos em uma certa loira que resolveu fazer da minha primeira semana nesse lugar um inferno.

- Já ouviu falar que café combina com uma boa leitura? - Ela me lança um olhar confuso e os outros riem debochados. - Devia experimentar - rosno enquanto rasgo a folha molhada e enfio na boca dela. Os gritos de raiva e desespero se espalham pelo refeitório e alguns estudantes fazem uma algazarra na hora. A garota tenta se afastar, porém, eu não permito e seguro firme nos seus cabelos, finalizando o meu trabalho.

Não é estranho que uma garota prefira café no almoço a suco? Esse hábito estranho veio bem a calhar agora. Santa ruiva!

- Senhorita Jones, para sala do diretor, agora! - A voz autoritária do inspetor diz me fazendo revirar os olhos. Alguém viu quem começou essa zorra toda? Então, porque eu vou para a direção e não nós? Resultado da minha ação? Uma bela advertência. A idiota é a filha do diretor. Saco!

- Ah, oi! O meu nome é Abby. Eu sou a garota que...

- Derramou o café no meu livro. Eu sei.

- Eu não fiz de propósito.

- Sei disso também. - Eu não costumo ser mal-humorada. Na verdade, na maior parte do tempo eu com uma pessoa bem divertida e adoro falar também, principalmente quando o assunto me interessa. Aí eu desando a falar, mas agora estou bem irritada com os últimos acontecimentos e fazer amizade não é uma boa opção. Eu preciso mesmo é votar para o dormitório, tomar um banho demorado e me jogar naquela cama de solteiro, e pensar no dia de amanhã. Isso me faz lembrar que eu tinha satisfação de pensar no dia seguinte. Eu tinha algumas tarefas interessantes e empolgantes para fazer, o que não é a mesma coisa aqui. - A galera gostou do que você fez com a Bernice Carter. - Bernice Carter? Esse é o nome da pedra no meu sapato? - Tá a fim de ir ao Burgers?

- Burgers é nome de cachorro. - Ela ri do meu comentário.

- Não, Burgers é o nome da lanchonete do Claus e os meus amigos se reúnem lá todas as noites.

- Lanchonete? - É, estou interessada. É melhor do que ficar trancada em um quarto pequeno com duas camas de solteiro e olhando para o teto pensando nesse dia de merda. - Eu topo! - O sorriso da ruiva cresce consideravelmente.

- Boa! Então vem! - O seu braço envolve o meu ombro e fazemos uma curva no caminho, seguindo para o lado sul da cidade.

O Burgers não é muito diferente das lanchonetes que temos em Cape May. Ela é bem pequena, mas bem aconchegante, porém, seus assentos são macios e todos ficam bem próximos das janelas. Diferente do que pensei, o grupo da Abby não se classifica como os nerds, eles estão mais para os bem feitores, se é que isso existe e assim que entrei no local, eles fizeram uma comemoração. Talvez a mamãe não estivesse tão certa assim em relação ao apelido taxativo, eu praticamente virei a heroína deles. E parece que Nova York não é tão ruim também, a final, eu encontrei uma tribo... digo, amigos.

- Essa é a Ruby, o Stan, o Dani, a Kell e o Robin. - Abby os apresenta e após pedir uma porção generosa de fritas, refrigerante e hamburguers eles iniciaram uma conversa tão animada que me esqueci completamente da droga de dia que tive. No final, todos entraram no carro do Robin e para a minha surpresa, ele estacionou bem em frente ao meu prédio.

- Ah, como você sabia?

- Do que?

- Que esse era o meu prédio?

- Na verdade, eu e a Ruby moramos nesse prédio. - Abby explica. - O Dani, a Kell e o Robin moram no prédio ao lado.

- Você mora nesse prédio?! - Ela faz um sim com a cabeça e eu sorrio. Legal, agora eu tenho amigos e vizinhos também! Isso está ficando cada vez melhor. Talvez não seja tão ruim morar e estudar em Nova York!

Capítulo 2 2

Aiden

A vida nunca foi fácil para mim, nada veio fácil, eu tive que lutar para chegar aonde eu cheguei. E acredite, não é nada fácil quando você tem um pai alcoólatra e uma mãe omissa. Se não fosse a minha tia Lina talvez até nem existisse mais. Mas eu nunca desisti, lutei a cada dia, mesmo escutando de muitos que eu nunca chegaria a lugar nenhum. Devo muito a minha tia, mas para me tornar um advogado, preciso ir mais além e nessa parte ela não vai conseguir me ajudar. Não com um salário de costureira e ainda tendo que sustentar a casa sozinha. Contudo, uma noite eu me sentei de frente para ela e disse: estou saindo de casa, tia. Acredite, doeu como o inferno ter que vê-la chorar e me garantir uma vaga no posto de gasolina. Eu simplesmente não podia aceitar, não queria terminar os meus dias em uma bomba de gasolina e quem sabe um me tornar um alcoólatra coo o meu pai. Então arrumei as minhas malas e dirigi por horas até Nova York. Agora eu só precisava garantir o meu sustento e uma vaga na universidade. Cara, eu não sabia por onde começar até ir parar no meio de uns malucos que estavam apostando um racha. Embarquei na loucura, descolei cem dólares. Bom, encontrei um meio para seguir com a minha vida, agora eu só precisava me manter vivo até lá. Alguns meses depois, estou bem aqui na Campbell University matriculado no curso de direito e garantindo o meu futuro. E como cheguei aqui trinta dias antes de começar as aulas já estou bem enturmado com alguns alunos que fizeram o mesmo, pois eles vieram de longe para estudar.

- Aiden, tenho um novo desafio para você. E aí, tá dentro? - A propósito, o meu nome é Aiden Cole e adoro um bom desafio, melhor ainda quando ele tem uma boa remuneração. Mas não faço isso sozinho. Para encontrar os melhores e os mais bem pagos rachas conto com a ajuda de alguns bisbilhoteiros. O Kevin, é um deles e ainda tem o Ethan e o Richard que me mantém sempre em dia com o motor do carro. - Quinhentos dólares para o vencedor, cara! - Solto um assobio apreciativo para essa informação. Esse com certeza me tiraria do sufoco.

- Onde e quando?

- No próximo final de semana, no abismo da caveira, à meia-noite.

- Sério? Ouvi dizer que é uma estrada bem perigosa. - Bernice, uma patricinha que grudou em mim comenta se aproximando e logo enlaça o meu braço, deixando um pequeno beijo no canto da minha boca. Sabe o lado bom de ser um play boy? As mulheres piram e ficam na sua o tempo todo. Cara, elas te oferecem até a calcinha sem precisar pedir. Entretanto, Bernice é diferente, mas não no bom sentido. Ela é grudenta como um chiclete e está em todos os lugares ao mesmo tempo. Isso espanta toda a azaração, porém, no momento isso não me incomoda nenhum pouco, desde que ela não se sinta a minha dona e nem tente pôr uma coleira, para mim está tudo bem!

- Estou dentro!

- Esse é o meu garoto!

- Eu estive pensando, que tal sairmos para dançar essa noite?

- Essa noite não dá, Brenice. Eu tenho uma prova muito importante amanhã.

- Oh! - Ela solta um gemido manhoso. Brenice Carter é mesmo uma deusa. A garota é sexy pra caralho e tem um corpo que meu Deus, mas eu tenho um foco e não pretendo me desviar dele por nada, nem mesmo por uma loira tão linda e fogosa como essa.

- Prometo que chegaremos cedo no seu dormitório. O que me diz, hã? - Agora me fala se esse convite não é a perdição do capeta? Eu sou homem, porra e estou sedento por uma cerveja gelada e claro, terminar cama com uma garota não é de todo ruim. Mas eu tenho uma prova, porra!

- Vamos lá, Aiden, nós merecemos uma curtição depois de tanto trabalho, cara! - Ethan diz largando uma chave de rosca em cima do balcão. Me sinto tentado a aceitar, portanto, ergo um dedo em riste para todos os olhos esperançosos dentro da oficina.

- Meia-noite estaremos de volta aos dormitórios!

- Fechado, meia-noite! - Ethan concorda, a patricinha sorri satisfeita e eu meneio a cabeça negativamente. Onde estou com a cabeça para me desviar assim dos meus propósitos?

***

Mirage é uma das boates mais badaladas das noites novaiorquinas com todas as suas luzes vermelhas piscando e a fumaça de gelo seco dá a impressão de que estamos na melhor parte do inferno. Se é que você me entende. É aqui que a galera da faculdade se esbarra, não importa o curso, esse é o point e não importa o dia, isso aqui está sempre lotado. Ao nos aproximarmos do balcão Dana, Carly e Elisy as amigas de Brenice se aproximam e como sempre os rapazes tomam posse delas e vão para a pista de dança. Eu peço uma cerveja e sou praticamente arrastado para uma dança assim que a garrafa chega no balcão. Dança vai, dança vem, uma cerveja aqui e outra ali, e as horas se avançam sem eu perceber. A droga toda está em me deixar envolver pelo momento. Sério, quem não gosta de uma curtição?

- Que tal irmos para um lugar privado? - A garota interpelo beijando a minha boca e deslizando a sua língua para dentro da minha. Só digo que não sou de ferro, principalmente quando uma mão ousada sua segura os meus documentos por cima da calça jeans. E não pensei duas vezes. Na verdade, é nessas horas que eu não penso em nada além de lhe dar o que pede. Tudo rolou dentro do banheiro na maior cara de pau e depois disso, voltamos para as bebidas e eu me esqueci do mundo.

No dia seguinte fui acordado pelo som de Måneskin de Tom Morello que me fez abrir uma brecha de olho e após soltar um resmungo, encaro os números do relógio digital em cima do criado mudo. Rasgo um Puta que pariu, saltando imediatamente para fora da cama e no mesmo instante a minha cabeça começa a latejar. Eu sabia que não devia ter ido com eles! Merda! Tomo um banho rápido, visto a primeira roupa que vejo na minha frente e pego uma maçã na fruteira, saindo do dormitório logo em seguida. Por que eu me deixo levar por eles assim? Que droga, Aiden, essa é a sua chance, cara, que vacilo! Sabe o que me deixou puto mesmo? Foi correr feito um louco pelo trânsito agitado de Nova York, depois correr feito um doido pelos corredores da Campbell e assim que alcancei a porta da sala de aula o professor me olhou nos olhos e fechou a porta na minha cara. Um segundo. Um mísero segundo e ele não me deixou entrar. Estou fodido!

Capítulo 3 3

Aiden

- Como foi a sua prova? - Ethan pergunta assim que me acomodo em uma cadeira do refeitório. Olhar para a cara azeda dele me diz muit6o sobre o estrago de uma puta ressaca.

- Não foi - ralho bebericando o café forte e amargo, e faço uma careta no processo.

- Também não cheguei a tempo. - Ele resmunga ajeitando os óculos escuros.

- Eu sabia que não ia dar certo!

- Relaxa, cara! A gente recupera. - No fundo ele está certo. É só a primeira nota e eu posso repor sem problemas, mas não posso continuar assim.

***

Três meses depois...

Quando eu era criança tinha um certo fascínio pelas corridas de carro, mas nunca pensei que ela me daria a diretriz para construir o meu futuro. E sempre fui bom no volante, mas Nova York me proporcionou uma experiência ímpar. Eu só preciso saber onde vai rolar com antecedência o dia e a hora, estudar o local, as suas curvas e trilhas para não ter surpresas e garantir a grana. Depois cada um leva a sua parte. Ethan, Richard e Kevin dividem cinquenta por cento e a outra parte eu garanto as mensalidades da faculdade, e ainda sobra um pouco pra sobreviver. Prático, divertido e fácil. Era para ser exatamente assim, só que nesses últimos meses quase tudo desandou. Eu simplesmente dei lugar para os rachas, garanti metade das mensalidades anuais do meu curso, mas me prejudiquei feio em pelo menos três matérias.

- Escuta o ronco desse motor! - Richard fala chamando a minha atenção e um sorriso largo se abre nos meus lábios.

- O que você fez? - Kevin questiona interessado e logo estamos ao redor do carro.

- Um bom mecânico jamais revela os seus segredos. Mas posso garantir que podemos entrar em uma corrida maior.

- E consequentemente mais arriscada. - Ethan ralha.

- Cara, com esse motor nem mesmo a polícia consegue chegar perto. - Ergo uma mão para o alto e Richard bate nela.

- É isso aí, de olho no prêmio maior! - Comemoro e a galera se anima.

- Soube que levou pau na matéria de Argumentação Jurídica. A Senhora Smith não vai facilitar, você sabe disso, não é?

- Eu sei. Terei que ver outro meio de recuperar.

- Vamos, estamos em cima do horário. - Richard puxa a porta da garagem para fechar e montamos em nossas motos.

Se enturmar na Campbell não foi tão difícil. Primeiro, o meu jeito de play boy me ajudou bastante, depois, o fator herói dos rachas me fez ser visto por todos com bons olhos e ainda tem a Brenice, a garota mais popular do lugar. Com esse título é fácil conseguir o que quero e quando quero. Menos a recuperação do meu currículo acadêmico, claro. Para esse eu tenho duas alternativas: esquecer os próximos finais de semana e meter a cara nos livros noite adentro ou comprar um gabarito. Essa segunda opção está fora de cogitação. Se eu quero ser um bom advogado, terei que jogar limpo comigo mesmo e aprender a matéria. Que grande merda hein, Aiden? Assim que estacionamos as motos no pátio, vamos para o nosso ponto de encontro que fica bem próximo as portas largas da faculdade. Não entendo por que s meninas gostam tanto desse espaço, mas não contestamos e sempre nos encontramos no mesmo lugar. Assim que nos veem, as meninas pulam os braços dos meus amigos, porém, não a loira. Ela sabe que eu não goto de certas exibições. Portanto, Brenice apenas se aproxima calmamente e beija calidamente a minha boca. Momentos depois, sinto uma leve cotovelada na lateral do meu corpo e a minha garota faz um gesto de cabeça para um quarteto que se aproxima da entrada. Melissa Jones se tornou um alvo de Brenice desde o primeiro dia de aula e acredite, ainda não entendi o porquê. Deve ser essas coisas de meninas que os homens não conseguem decifrar. A garota tem uma beleza sutil, um sorriso genuíno e é bem empolgada também, mas o que é mais impressionante nela são as habilidades com as notas. Porra, é isso! E se eu a pagasse para me ajudar? Se ela se disponibilizasse nos finais de tarde, eu não precisaria sacrificar os meus finais de semana e ainda teria a chance de retornar para a minha rota. Ao aproximar-se um par de olhos negros encaram os meus e um sorriso brota nos lábios rosados, porém, em uma fração de segundos ela tropeça e vai ao chão espalhando todos os seus livros pela passarela de concreto e só então percebo que Brenice propositalmente colocou o pé no seu caminho. A galera dispara em uma gargalhada alta e espalhafatosa chamando a atenção dos outros estudantes que também disparam a rir. Contudo, eu trinco o maxilar. Do meu canto, observo os seus amigos a ajudarem e eles entram no prédio.

- Eu não entendo por que faz essas coisas - comento e os deboches param. Brenice envolve o meu rosto com as suas mãos e fita os meus olhos com um sorriso estendido em sua boca.

- Porque é divertido!

- É ridículo! - rebato chateado e ela ergue as sobrancelhas.

- Aun, ficou peninha? - Ela faz um som meigo e arrasto.

- Não é isso. É que... deixa pra lá! Vamos as aulas vão começar - aviso me afastando.

- Amor, não fica assim! - Brenice resmunga vindo atrás de mim. No entanto, não lhe dou atenção e entro na sala de aula.

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