Sofia Lima acordou no hospital, amnésica, sem memória dos últimos sete anos.
Leonor, sua melhor amiga, revelou: ela amou o irmão dela, Tiago, por todo esse tempo.
Tiago, porém, a tratava com gelidez, chamando-a de "inconveniente", uma verdade dolorosa que o diário de Sofia confirmava.
Em vez de apoio, Sofia recebeu humilhação: Tiago e a namorada Inês a insultaram publicamente.
Ele a abandonou num incêndio, salvando Inês.
No trabalho, Tiago promoveu Inês, rebaixando Sofia e seu talento.
Quando Inês plagiou o design de Sofia, Tiago mentiu publicamente em seu favor, acusando Sofia de fraude.
A dor da traição era profunda, mesmo sem lembranças.
Sofia apagou Tiago da sua vida, do seu telemóvel, de sua empresa.
Fugiu para o Porto, em busca de um recomeço total.
Encontrou David, um homem que lhe ofereceu amor e cura.
Mas o passado teimava em persegui-la.
Inês, em sua insanidade, tentou matá-los.
David, para salvar Sofia, sofreu um grave acidente.
Nesse instante, todas as memórias de Sofia voltaram.
O Tiago desesperado retornou, implorando perdão.
As memórias de sete anos de dor e humilhação estavam claras.
Será que Sofia cederia ao arrependimento dele?
Ou escolheria a paz em seus braços, deixando o passado para sempre?
Sofia Lima abriu os olhos devagar, a cabeça latejava como se tivesse sido atingida por um martelo.
Um teto branco e desconhecido surgiu à sua frente.
O cheiro de desinfetante invadiu-lhe as narinas.
"Onde estou?", murmurou, a voz rouca.
Uma enfermeira de rosto gentil aproximou-se.
"Está no hospital, menina. Sofreu um acidente de carro."
Acidente? Sofia franziu a testa, tentando lembrar-se. Nada. Um vazio.
A porta abriu-se e Leonor Vasconcelos, a sua melhor amiga, entrou apressada, o rosto pálido de preocupação.
"Sofia! Graças a Deus, acordaste!"
Leonor correu para a cama, segurando a mão de Sofia.
"Como te sentes? O médico disse que tiveste sorte."
Sofia olhou para Leonor, um leve sorriso nos lábios. "Leonor... estou bem, só um pouco confusa."
"Lembras-te do que aconteceu?"
Sofia abanou a cabeça. "Não... nada."
Leonor hesitou, mordendo o lábio. "Não te lembras... de nada mesmo? Do Tiago?"
"Tiago?", Sofia repetiu, o nome soava estranho, desconhecido. "Quem é Tiago?"
Leonor arregalou os olhos, a surpresa estampada no rosto. "Não te lembras do Tiago? Meu irmão?"
Sofia continuava a olhar para ela, confusa.
"Sofia, o Tiago... tu eras apaixonada por ele. Durante sete anos."
A revelação caiu como uma bomba no quarto silencioso.
Apaixonada? Sete anos? Por um desconhecido?
"Não pode ser", disse Sofia, a voz trémula. "Eu não me lembro dele."
Leonor pegou no telemóvel de Sofia, que estava na mesinha de cabeceira.
"Olha. O código do teu telemóvel. É o aniversário dele."
Sofia observou, incrédula, enquanto Leonor digitava os números. O ecrã desbloqueou-se.
A galeria de fotos estava cheia de imagens de um homem. Um homem bonito, de feições marcadas, mas com um olhar frio.
"Este é o Tiago?", perguntou Sofia, o coração a apertar-se inexplicavelmente.
Leonor assentiu, os olhos tristes. "Sim. E este é o teu diário digital."
Leonor abriu uma aplicação. Palavras e palavras de angústia, de amor não correspondido, de dor.
Sofia começou a ler, e embora as memórias não viessem, uma onda de tristeza profunda invadiu-a. Uma dor familiar, como um membro fantasma.
Ela sentia a dor, mesmo sem se lembrar da causa.
Lágrimas silenciosas rolaram pelo seu rosto.
"Eu... eu não quero isto", disse Sofia, a voz embargada. "Eu não quero sentir esta dor por alguém que nem conheço."
Com as mãos a tremer, começou a apagar as fotos, uma por uma. Depois, o diário.
Cada toque no ecrã era um passo para longe daquele passado desconhecido, mas doloroso.
Leonor observava, em silêncio, respeitando a decisão da amiga.
O telemóvel de Sofia tocou. Era a mãe dela, a ligar do Porto.
"Filha! Como estás? Soube do acidente. Queria que voltasses para casa, para o Porto. Tenho um rapaz ótimo para te apresentar, talvez te ajude a esquecer essas mágoas de Lisboa."
Sofia olhou para Leonor, uma nova determinação no olhar.
"Mãe", disse ela, a voz firme. "Eu vou. Compro já a passagem de comboio."
Libertar-se. Recomeçar. Era tudo o que ela queria.
No dia seguinte, Sofia ainda estava no hospital quando a porta do quarto se abriu.
Tiago Vasconcelos entrou, seguido de perto por uma mulher elegante, de sorriso calculado. Inês Moreira.
Sofia reconheceu Tiago das fotos, o homem que ela supostamente amara durante sete anos. Ele era alto, imponente, mas o seu olhar era gelado.
Inês, por outro lado, aproximou-se com uma falsa simpatia.
"Sofia, querida, que susto nos pregaste! O Tiago ficou tão preocupado."
Tiago permaneceu em silêncio, observando Sofia com uma expressão indecifrável, quase desdenhosa.
"Estou bem, obrigada", respondeu Sofia, a voz neutra, tentando esconder o desconforto que a presença deles lhe causava.
A dor fantasma no peito intensificou-se.
"Soube que perdeste a memória sobre algumas coisas", continuou Inês, os olhos a brilhar com uma curiosidade mal disfarçada. "É verdade que não te lembras do Tiago?"
Sofia sentiu o olhar de Tiago sobre si, pesado, inquisidor.
"É verdade", confirmou Sofia, encarando Inês diretamente. "Não me lembro dele."
Um leve sorriso de satisfação curvou os lábios de Inês.
Tiago finalmente falou, a voz fria como gelo. "Não faz diferença. Nunca houve nada de especial para lembrar."
As palavras dele, embora dirigidas a Inês, pareceram um golpe para Sofia, mesmo sem as memórias. A dor subconsciente reagiu.
Inês riu, um som agudo e desagradável. "Claro que não, meu amor. Tu és só meu."
Ela pousou a mão no braço de Tiago, possessiva.
Sofia desviou o olhar, sentindo uma náusea súbita.
"Inês", disse Sofia, forçando um sorriso. "És muito bonita. O Tiago tem sorte em ter-te."
Inês pareceu surpreendida pelo elogio inesperado, mas rapidamente recuperou a compostura.
"Obrigada, querida. Ele sabe disso."
A tensão no quarto era palpável. Sofia desejava que eles fossem embora.
Leonor, que tinha saído para buscar um café, voltou nesse momento.
"Tiago? Inês? O que fazem aqui?" A voz de Leonor era fria, protetora.
"Viemos ver como a Sofia estava", respondeu Inês, melosa.
"Ela está a recuperar. Agora, se me dão licença, ela precisa de descansar." Leonor foi clara.
Tiago deu um último olhar a Sofia, um misto de desprezo e algo mais que ela não conseguiu identificar, antes de se virar e sair, com Inês a reboque.
Sofia soltou o ar que nem percebera estar a prender.