Mayra Reis
- Christian, seu voo para Moscou está marcado para a semana que vem. - Aviso. - Hoje você janta com senhor Rivas.
Olhei as informações no meu tablet. Christian afrouxa a gravata em seu pescoço.
- Tem como desmarcar?
Olhei para ele e inclino a cabeça para o lado, dando o meu sorriso mais doce.
- Tem um motivo em especial?
- Mayra, não me olha assim. - Christian senta em sua cadeira. - Esse homem é chato demais e não quero terminar minha segunda-feira de mau-humor. - Não respondo. Seu argumento não era motivo plausível. - Por favor, May. Libera-me dessa. - Continuo em silêncio. Ele suspira. - Ok, reservo uma mesa com dois lugares naquele restaurante que você gosta.
Sorri. O sorriso grande e meigo. Porque sou muito fofa, às vezes.
- É, posso desmarcar seu compromisso com o senhor Rivas.
- Eu não deveria ter que subornar. - Cerra os olhos. - Você trabalha para mim.
- Não é suborno. - Finjo estar ofendida e colo a mão contra o peito. - Você está apenas me compensando pelos meus ótimos serviços e cuidados com você. É bem capaz que eu te conheça bem mais que sua própria mãe.
Christian concorda. Sou Mayra Reis, vinte e cinco anos. Atualmente sou assistente de Christian Hill, o CEO de uma empresa multinacional. Cuido tanto da sua vida profissional como pessoal também. Muitas coisas são preciso passar por mim antes de chegar a Christian, vejo o que é importante e o que pode esperar. Assim, mantenho a vida de Christian nos eixos. Quando ele me permite, é claro. Porque trabalhar com ele não é tão fácil quanto parece, ainda mais estando no cargo que ele está.
Christian Hill é dono de uma grande empresa de arquitetura e possui várias filiais pelo mundo. Sua empresa é muito procurada por ter uma equipe ótima e eficiente. Com seus vinte e sete anos, Christian conquistou o que queria. Ser conhecido pelo mundo com o seu trabalho. Ele é um ótimo chefe e justo com todos. Sua riqueza não acaba por aqui.
Christian foi esperto em investir seu dinheiro em negócios muito lucrativos e se tornando sócio de outros. Quando o assunto é dinheiro, sua mente é brilhante e ele me ajudou muito quando comecei a investir.
Qual é o grande problema? Falei que sou assistente pessoal dele também, não é? Christian é mulherengo! Além do trabalho, ele ama mulheres. Resta para mim, cuidar para que seu nome não esteja em sites de fofoca diariamente, não deixar ele virar pai, lembrar das alimentações, cuidar para ele lembrar que ainda tem uma família... Sou praticamente a babá desse homem.
Cuidando tanto da vida profissional que não é nada fácil, mas sua vida pessoal dá mais trabalho ainda. Christian chama atenção, é aquele hétero top, mas não é idiota como um.
Não se preocupem, ganho muito bem para isso. Christian me beneficia muito bem como o jantar nesse restaurante caro que gosto. Sim, eu me proveito dos benefícios de ter um chefe como ele. E não me sinto culpada.
Sua influência me garantiu ir em lugares bem legais.
Além de tudo somos melhores amigos. Em dois meses que trabalhamos juntos, Christian assumiu que não conseguiria mais viver sem mim. Não querendo me gabar mais sou boa no que faço.
Tenho que ser, Christian não é um cliente fácil. Estou trabalhando com ele há quatro anos. Sim, com vinte e um anos mostrei do que sou capaz. Sou exigente demais e bem chata em relação a tudo. Então mirei o freio do Christian já que ele é bem acelerado. Somos uma dupla implacável e o equilíbrio em nossas vidas.
- Tenho que concordar com você, minha linda Mayra. - Passa a mão pelo queixo. - Eu já te pedi em casamento hoje?
Revirei os olhos.
- Não começa, Christian. Você me paga bem demais, não se preocupe.
Christian sempre falava sobre casar comigo, assim se recebesse uma proposta melhor de trabalho não deixaria ele.
Ele rir.
- Então vamos trabalhar.
E assim começamos o dia. Como diariamente, essa segunda não foi diferente, chegou muito trabalho. Pedidos para construções e reformas também. Reviso cada documento para poder decidir qual aceitaremos. Os que chegam em mim são projetos grandes e pessoas importantes, essas das quais teremos um benefício a mais. Como um desafio, grande prédio de futuras empresas, pessoas com grande influência que possa nos deixar nos holofotes. Esse último são os que Christian menos gosta.
A maioria dessas pessoas se acham demais. Infelizmente, mesmo não gostando disso, nos ajuda no marketing e mais experiência. Vou até à sala do Christian novamente. Tenho o passe livre por motivos óbvios. Bati na porta e ele liberou a minha entrada.
- Não sei porque você ainda bate na porta.
- Educação, Christian. Recebi educação. - Coloco alguns papéis em sua mesa. Ele entra na minha sala sem bater. É diferente quando ser é o chefe. - É preciso manter seu jantar de hoje.
Christian faz uma careta.
- Por quê?
- O senhor Rivas é sócio do senhor Gomes, eles estão para abrir um shopping juntos. - Aponto para um documento. - Aqui está o pedido. Será um prédio bem grande. Eles querem com urgência. Sete meses.
Christian olha com atenção os papéis e volta a me olhar chocado.
- Querem um prédio desse tamanho em sete meses? Eles pensam que faço mágica?
- É possível se não pegar nenhuma outra construção grande nos próximos meses. - Tento ser positiva. - E focamos nossa equipe toda lá. Revisaremos nos turnos e fazer horas extras.
- Mayra...
Apoio minhas mãos na mesa.
- É uma grande chance de atrair mais atenção para a empresa. Batemos muitos recordes nos últimos anos e dessa vez não será diferente. Confio em você.
Christian respira fundo ainda me olhando. Está pensando no assunto e estou torcendo para que ele diga sim.
- Sabe que perdeu a sua reserva no restaurante.
Sorri.
- Terei outras oportunidades.
Christian balançou a cabeça de um lado para o outro e riu, porque sabia que estava certa.
- Ok, ok. Agora sai daqui. - Agitou a mão no ar. - Você deveria está cuidado de mim e não arranjando mais trabalho.
Paro na porta e sorri. É claro que tinha um proposito maior.
- Mas estou cuidando de você. Estou te mantendo longe das suas mulheres interesseiras.
Christian me olhou com raiva e saí saltitando dali. Volto para minha sala e continuei meu trabalho. Hoje terei um encontro e passo o resto do dia pensando nisso. Não quero parecer desesperada, mas estou torcendo para que tudo dê certo. Estou em uma fase da minha vida que quero ter um relacionamento sério, quero criar momentos sólidos com alguém.
Está tão difícil.
Comecei até parando de levar trabalho para casa e tentar me esforçar um pouco mais na minha vida pessoal. Um tempo depois, quando acaba o expediente, encontro com o Christian no elevador.
- Que sorrisinho é esse no seu rosto?
- Nada. - Desconversei.
- Eu te conheço, May. - Me cutuca e olho ele com raiva. Não gosto de ser cutucada e ele sabe disso. - Me conta. Sou seu melhor amigo! Você não pode ficar me escondendo as coisas.
- Tá bom. - Me rendo. - Vou ter um encontro hoje.
- Ah, é? E quem é o sortudo da vez? - Christian encosta na parede do elevador.
- Ele é contador. Um ano mais velho e mudou para Nova York há pouco tempo.
- Hum, então está fresco. - Bati em seu braço e ele ri. - O que foi? Tem poucas chances de competição.
Suspirei. Espero que não tenha competição.
- Ei, May! Não pense demais. - Christian me abraça de lado e beija minha cabeça. - Vai dar certo.
- Você falou o mesmo na última vez.
- Agora é diferente.
Saímos do elevador.
- Por quê?
- Não sei. - Dá de ombros. - Confia. E usa vestido. - Christian vai até seu carro e eu vou para o meu. Lado a lado. - Aquele vermelho que realça seus seios.
- Christian!
Ele riu.
- Tenho certeza que ele não vai resistir a você. - Abre a porta do carro. - Você fica gostosa demais naquele...
- Acho bom você entrar nesse carro agora ou vou jogar meu salto na sua cara.
Christian riu mais e me mandou beijo antes de entrar no carro para ir embora. Quando nos conhecemos, Christian não poupou elogios a mim e pensei que não seria nada bom trabalhar com ele. Recusei todas as suas investidas. Não foi nada fácil e cheguei a ter sonhos bem quentes.
Admito!
Controlar pensamentos não é fácil, mas vivo em um eterno aprendizado.
Mayra Reis
Christian é lindo demais. A genética da família Hill é ótima. Ele tem pegada e demonstra isso em um simples abraço. Meu amigo fica muito sensual quando passa a mão pelo seu cabelo e sem mesmo está tentando conquistar alguém. Seu rosto sério me encanta mais, sei diferenciar quando realmente está à vontade com seus sorrisos ou quando ele está "atacando".
E seu cabelo, nada muito grande e mantém um topete, mas é muito macio. Esse idiota não passa nada, nada comparado a mim que preciso ir ao salão de tempos e tempos. Seus músculos se contraem deixando uma visão ótima a cada movimento que faz.
E aqueles olhos? MEU DEUS...
Christian faz questão de usar roupa justa. Adora chamar atenção e sabe que consegue com facilidade. Um dos benefícios de trabalhar com ele e ser sua amiga, é que poderia ser isso várias e várias vezes. Ok, trabalhar com Christian me proporciona uma vista ótima de se ver.
Seu cabelo é bem preto e está precisando de um corte. Preciso anotar em sua agenda. Ligo meu carro e dou partida. Christian tem a pele bronzeada devido ao sol e do bronzeamento artificial que faz, porque um tempinho longe fica bem branco. Igual um papel. Gosto muito de zoar ele sobre isso.
Como sou brasileira e tenho a pele um pouco mais escura, fico bronzeada com mais facilidade. Uma coisa que Christian adora é ir para o Brasil. Voltando para sua descrição. Seus olhos são castanhos escuros e ele faz questão de olhar em seus olhos quando alguém fala. É uma das suas táticas para conseguir a mulher que quer. Seu olhar é muito acolhedor e dá vontade de falar mais e mais para manter seu olhar.
No começo foi realmente difícil, mas encontramos nosso ritmo. Temos uma ótima amizade e conseguimos construir bem. Hoje em dia somos ótimos amigos e contamos um com o outros para tudo. Em casa corro para tomar meu banho. Não quero me atrasar e espero que Christian esteja fazendo o mesmo. Depois do banho me sento de frente à minha penteadeira e faço uma maquiagem leve. Na escolha da roupa confio no palpite do Christian e coloco meu vestido vermelho.
Que dê tudo certo.
Coloco meu salto e arrumo meu cabelo. Decido deixar solto mesmo com algumas ondas. Pego minha bolsa e antes de sair de casa ligo para Christian.
- Estou de frente ao restaurante agora. - Responde assim que atende.
- Obrigada por me poupar de te dar um sermão. - Sorri.
Tenho certeza que revirou os olhos.
- Ok. Agora vai para seu encontro.
- Tá bom. Tenha uma boa noite, Chris. Qualquer coisa me liga.
- Você também. Cuidado, May.
Despedi e desliguei. Respiro fundo e saio de casa. Preferi ir de táxi. O restaurante é bem bonito por fora e me encantei quando entrei. Um ambiente bem tranquilo e agradável. Falei com a recepcionista e ela me levou até a mesa. Estou nervosa, mas consigo me controlar bem e não demonstrar. Uma das coisas que aprendi com Christian é controlar minhas emoções na frente dos outros. Marcos se levantou e me aproximei.
- Boa noite, Mayra. - Beija minha bochecha e me abraça. - É bom conhecê-la.
- Boa noite, Marcos. - Sorri para ele. - Digo o mesmo.
Nos sentamos e fizemos nossos pedidos. Ele é russo e suas características não mentem. Seu sotaque é bem carregado.
- Me diz o que te traz em Nova York? - Mordi minha língua depois que fiz a pergunta.
Essa simples pergunta me faz sentir como se estivesse entrevistando ele para uma vaga de emprego. Talvez esteja pensando demais no trabalho. Estou pensando em dar errado antes mesmo de tentar fazer dar certo.
- Consegui um emprego em uma empresa daqui. Queria um novo ambiente e Nova York me pareceu bem legal. - Sorriu. - Você é daqui?
- Não, eu nasci no Brasil. Com 15 anos vim morar aqui. - Explico. - Minha mãe resolveu casar de novo.
- Ah, entendo.
Nossos pedidos chegaram e ficamos em um clima bem agradável. Estou gostando demais em conversa com ele. Marcos confessou ser um pouco tímido, mas que está se esforçando demais. Ele se esforçou tanto que até me deu uma cantada. Rimos tanto e isso foi o que me encantou mais nele. A sua vontade de me fazer rir. Porque a sua cantada foi muito ruim.
Por vezes, ambos falamos sobre o trabalho. Foi um pouco difícil sair desse assunto. Reclamo que Christian é louco por trabalho, mas não fico muito atrás.
- Você trabalha para Christian Hill? Ouvir dizer que ele não é muito fácil de lidar.
- Christian não é esse monstro que as pessoas acham. - ri. - Ele sabe lidar bem com as pessoas e criar uma personalidade para lidar com cada uma. Na posição que ele está não pode dar bobeira.
Muitos se aproximam por interesse e outros que têm sua amizade acham que podem se aproveitar com isso.
- Isso é verdade. - Marcos concorda comigo. - Deve acabar sendo solitário.
Me seguro para não rir. Marcos me olha com curiosidade.
- Ele não se importa muito com isso. - Me limito a dizer.
Não posso expor a vida de Christian assim, mas sua cama e seu pênis não sofrem de solidão. Christian não liga para isso, ele gosta da vida que vive e sabe aproveitar cada momento. Aprendi muito com ele. Continuamos a conversar.
- Olha, seria bom ter mais tempo com você. - Marcos diz olhando no relógio em seu pulso.
Ele tem outro compromisso? Pego meu celular na bolsa. Havíamos acabado de sair do restaurante. Arregalei os olhos vendo a hora, dez da noite. Passamos duas horas lá dentro. Estou chocada com isso. Conversamos tanto que não vimos o tempo passar.
- O tempo passou tão rápido. - Comento.
Continuo sem acreditar. Meus últimos encontros não passaram de uma hora no máximo. Parecia que só queriam companhia para comer e pronto. Confesso que foi bem menos que uma hora. Cada um para sua casa e sem uma ligação no outro dia, por isso estou tão frustrada com esses meus encontros a cegas, mas esse saiu melhor do que imaginava.
- Tenho um vinho ótimo no meu apartamento. - Marcos falou chamando a minha atenção.
Olho para ele e ergui uma sobrancelha. Cadê o Marcos tímido? Que seja! Nada de timidez aqui. Gostei disso.
- Vou adorar.
[...]
No dia seguinte chego atrasada no trabalho. Enquanto ando às pressas pelo corredor, tento arrumar meu cabelo. Arrumei-me às pressas hoje. Sair da casa do Marcos e precisei correr para meu apartamento precisava trocar de roupa antes de vir trabalhar. O trânsito não me ajudou, fazendo chegar mais atrasada ainda. Quando o trânsito nos ajuda? Nunca. Ainda bem que deixo minhas roupas para trabalho muito bem organizada.
- Olá, senhorita Reis. - Christian me cumprimenta. - Está atrasada, não acha?
Está escorado na parede de braços cruzados e está sério. Muito sério. Sério demais. O que será que aconteceu? Será que foi a reunião? Não começamos o dia muito bem hoje. Já estou me punindo por chegar atrasada desde que acordei. Perdi uma reunião agora de manhã. Mordi o lábio e fiz a cara mais inocente possível. Teria que apelar o máximo que conseguisse.
- Desculpa.
Christian cerra os olhos em minha direção.
- Acho bom que sua noite tenha sido muito boa, porque me abandonou na reunião de hoje. - Me aproximo dele. - Aquele tal de Fernando não fez uma boa apresentação.
- Os clientes desistiram?
Agora olho para ele apreensiva. Christian relaxou o corpo e isso me fez ficar aliviada, mas seu rosto continua sério.
- Não. Eles vão fechar conosco. - Sorri um pouco. - Fiquei preocupado, Mayra. Você não atendeu minhas ligações e muito menos respondeu minhas mensagens.
- Desculpa. - Peço de novo.
Fiquei tão assustada com o horário quando acordei que só pensei em chegar em casa logo para poder vir trabalhar. No caminho para casa fui respondendo suas mensagens, mas ele não deve ter visto porque estava em reunião. Christian continuou me olhando sério. Abraço ele pela cintura.
Não sou de atrasar, todos sabem disso. Precisa acontecer algo muito sério para atrasar ou falte. Sou uma pessoa que tem a vida totalmente organizada, qualquer coisa fora do lugar eu surto e me atrasar hoje está me dando nos nervos. Se tivéssemos perdido o contrato hoje, com certeza era daqui para o hospital.
Mayra Reis
- Desculpa mesmo. - Pedi novamente. - Perdi a hora, mas tive uma noite muito boa.
Christian deu um meio sorriso. Sorri, não tinha como não sorrir. Puxei ele para dentro da minha sala. Precisava conversar e ele é a melhor pessoa para isso, sentamos no sofá. Estou muito animada e ele nota. Christian não disse nada por mais que quisesse, esperava que eu dissesse algo primeiro. Não sabia bem por onde começar, então decidi ir para o óbvio.
- Eu transei! - Comemoro.
Christian riu e não me importei.
- Finalmente! - Joga as mãos para o ar. - Não sei como consegue ficar tanto tempo, May. Eu estaria surtando.
- Não sou igual a você. - Fingo olhar minhas unhas, mas logo dou um sorriso sem graça. - Sabe que estou a procura de algo sério.
Christian concorda. Não saio transando com qualquer um e não julgo Christian por fazer, ele é solteiro e faz o que quer. Tenho outras vontades no momento. Nunca fui muito namoradeira e meu jeito em si dificultava muito as coisas. Dizem que sou muito controladora e a minha loucura por limpeza não ajuda muito. Então resolvi ficar só no meu trabalho, uma coisa que minha mania dava muito bem e não era criticada.
- É ele? - Christian sabe que tenho dificuldade para me relacionar.
Meu sorriso aumentou.
- Acredito que sim.
- Usou camisinha?
- Christian! - Repreendi ele.
Sempre sou eu perguntando a ele.
- Aposto que usou o vestido vermelho, não foi? Falei que daria certo. - Seu sorriso aumenta. - Não tem erro.
- Ele não ficou olhando para meus seios.
- Você que pensa! Homem sabe disfarçar, Mayra. Você que não sabe, tenho que te ensinar mais umas coisinhas. - Deu um sorriso malicioso. - Ele se acabou nos seus... Aí!
Dei um tapa em seu braço e não poupei na força. Christian riu alisando o braço que com toda certeza doeu. Me puxou para um abraço. Retribuir o abraço apertando bem forte, Christian afasta um pouco e beija minha testa.
Nós levantamos, ainda tinha trabalho a ser feito. Mas não conseguia esconder a minha felicidade. Não foi só sexo, gostei muito de está com Marcos e acabei ficando bem a vontade com ele deixando minhas inseguranças de lado por um tempo. Coisa que só consigo com Christian. Então estou bem positiva sobre a gente e torcendo para dar certo.
- Eu disse que daria certo. - Ele repetiu.
Fiquei na ponta dos pés e beijo a sua bochecha.
- Eu nunca duvidei!
Rimos. Ele sabe que não estava muito confiante. Christian me conhece muito bem. Na parte da tarde compensei meu atraso de mais cedo. Mesmo Christian dizendo que não precisava, eu estou tão feliz que fiz com gosto.
Durante o dia troquei algumas mensagens com o Marcos, ele comentou que gostou da nossa noite de ontem e que gostaria de me ver de novo. Marcamos para nos ver amanhã à noite, mesmo com as trocas de mensagens não deixei meu trabalho de lado. O dia passou e não saí de minha sala, resolvendo tudo que tinha para resolver. Antes de Christian ir embora, ele veio à minha sala novamente.
- Sobre o jantar de ontem, Rivas queria diminuir o prazo e eu ameacei romper o contrato. - Christian diz e senta no sofá. - Ele lembrou com quem estava falando e parou de encher o saco.
Eu ri imaginando a cena. Christian é um amor de pessoa com algumas pessoas, a maioria conhece o seu mau-humor. Tem pessoas que são abusadas. Quando ele está estressado é melhor sair de perto e até eu mesmo tenho em vista ficar longe. Realmente o melhor conselho que dou é não estressar ele, mas também as pessoas fazem sua caveira sem necessidade alguma. Christian reconhece seu valor e não é puxa o saco de ninguém e muito menos gosta que façam com ele.
- Ok. Vou preparar uma reunião com os melhores engenheiros e arquitetos da empresa. - Aviso. - Também vou ver as melhores equipes para começarmos logo.
O tempo escolhido é pouco, mas estou confiante que podemos resolver esse desafio. Já foi nos dado tantos e não decepcionamos.
- Não duvido do seu potencial. - Ele se levanta. - Vou me aliviar agora à noite. - Revirei os olhos, ele riu. - Vamos jantar amanhã?
- Não vai dar. Vou me encontrar com Marcos...
- Já vai me trocar?
Olho para ele sorrindo. Mesmo convivendo muito com Christian no trabalho, fora dele não era diferente. Sempre estávamos fazendo alguma coisa juntos. Temos muitas histórias para contar. A nossa amizade parece ter uns dez anos de tantas coisas que já fizemos juntos.
- Você sabe que meu coração é todo seu. - Christian vive me falando isso quando quer algo. Então fiz o mesmo.
Faz cara de tédio, sabendo que estou usando suas palavras contra ele.
- O que você quer? - Christian perguntou.
- Tenho planos para esse final de semana. Você consegue não se meter em confusão?
Não quero ter que sair de algum momento com Marcus para resolver algum problema do Christian. Não é ele que está necessitado aqui. Muitas vezes preciso acordar de madrugada para cuidar dele, às vezes Christian parece um adolescente rebelde do que um adulto de vinte e sete anos. Christian coloca as mãos na cintura.
- Pelo visto, Mayra, eu não estou incluído nos seus planos de final de semana.
- Não, não está. - Confirmo.
Esse final de semana não quero ver nem a sombra dele. Espero que não aproveite esse momento para aprontar. Christian me olha com raiva. Sei que estar fazendo cena. Como falei, ele é um amor de pessoa e tenta ser assim o máximo possível, mas tem pessoas que parece que nasceu para testar sua paciência. Christian é dramático, ele pega sua pasta.
- Vou ver o que posso fazer por você, Mayra.
Eu sorri.
- Te amo! - Gritei.
Ele para na porta e pisca para mim antes de sair. Aproveito esse final de semana para poder conhecer melhor Marcos. Sorri ao pensar nele. Nossa noite foi tão boa ontem. Ele é gentil, simpático, legal... Será que encontrei o pai dos meus filhos? Falta pouco para meus vinte e seis anos e estou louca para ter uma família. É um sonho antigo, falar verdade, mas tive muito problema com meus controles e decidi deixar esse sonho de lado.
Tenho focado tanto no trabalho. É ruim chegar em casa e encontrar aquela solidão. Tenho me sentido assim ultimamente. Minha família é bem grande e tenho sentido falta. Não sei se é coisa passageira, mas no momento sentia muita vontade de ter uma família. Acredito que esteja preparada.
Serei uma boa mãe. Tive uma criação incrível, mesmo com os meus pais separados eles se dão muito bem e não acabou o carinho que sentiam um pelo outro. Tenho uma ótima relação com meu pai mesmo tendo vindo morar aqui em Nova York com minha mãe, sempre ia visitar ele nas férias. Amor e carinho não faltou nessa família. Minha família é bem unida e sempre estamos ajudando mutualmente menos estando longe.
Faz dois anos que minha mãe e meu padrasto voltaram para o Brasil. Meu padrasto é nascido e criado em Nova York e ama demais esse lugar, mas minha mãe estava sentindo muita falta da sua família e sua cidade, ele decidiu ir sem pensar duas vezes. Tenho uma relação ótima com meu padrasto também.
É meu segundo pai e é uma pessoa maravilhosa. Agora só eu fiquei aqui e se depender do Christian não vou embora nunca. Somos tão amigos que ele já foi até passar as férias no Brasil na casa de minha família. Todos gostam muito dele. Assim como me dou muito bem com a família de Christian.
[...]
Finalmente chegou o final de semana. Parece que quanto mais queremos algo mais demora para acontecer. Mas finalmente chegou esse dia. Nessa última semana vi Marcos umas duas vezes e trocamos diversas mensagens. Estamos nos dando muito bem. Era até difícil de acreditar. Para falar a verdade, até agora não estou acreditando. A nossa sintonia é ótima e ele comenta muito sobre isso. Temos nos ajudado bastante, porque ele é outro que adora trabalhar. Marcos sempre está me fazendo sorrir e eu fico cada vez mais à vontade com ele.
Realmente estou me dando bem com um homem que não seja o Christian? Eu sempre parava para me perguntar isso. Várias vezes no dia. Parecia que nunca iria acontecer. E parece que finalmente está acontecendo.
Passei tanto anos evitando alguém na minha vida que quando finalmente iria conhecer, parecia mais uma entrevista de emprego. Muitos sabiam que trabalhava com Christian e queria se aproveitar disso. Tenho me controlado o máximo para não falar de trabalho e ele fez o mesmo. Estamos em uma sintonia ótima e estamos ajudando um ao outro nesse requisito. Tem dado muito certo. Acredito que sairei daqui bem relaxada e pronta para mais uma semana de trabalho.
- Você está muito linda hoje. - Marcos me beija.
- Obrigada.
Escolhemos um resort para passar o final de semana. Assim podemos nos conhecer melhor e ficar longe do trabalho. Ficar longe do trabalho era o principal e rimos muito disso. Gostei muito da ideia e fiquei contando os dias. Reconheço que posso estar criando muita expectativa e indo de cabeça nesse possível relacionamento, mas estou querendo dar o melhor de mim a cada momento.
Quero que ele saiba que estou disposta a tentar. Dois dias, mas seria ótimo. De mãos dadas vamos para a área da piscina. Esse lugar é lindo demais. Tiramos algumas fotos juntos e ele insistiu para tirar uma minha deitada na espreguiçadeira. Não sou a pessoa mais fotogênica do mundo e evito tirar fotos de corpo.
Mas Marcos insistiu tanto que acabei tirando essa foto.
- Sou muito sortudo. - Ele diz, após tirar a foto.
Fiquei com vergonha e sorri sem graça. Ele veio me mostrar a foto. Uma coisa que não podia negar: eu realmente fiquei bem na foto. Nem dar para reparar nos meus quilos a mais. Marcos é bom nisso. Ele parecia ter uma certa prática para tirar fotos.
- Você deveria ser fotógrafo em vez de contador. - Brinquei.
Ele riu.
- Na adolescência tirar fotos era um hobby para mim. - Marcos senta comigo na espreguiçadeira. - Eu passava horas fazendo isso.
- E não faz mais?
- Não tanto. Faço às vezes, mas é difícil. - Ele passa o braço pelo meu ombro. - Não é mais tão divertido como antes.
- Ah, entendo. Mas fique sabendo que você é ótimo.
Ele sorriu e beijou minha bochecha.
- Obrigado, mas sabemos que a modelo ajudou.
Se ele diz, eu não iria negar. Acho que ele deveria fazer mais fotos, parece está feliz e leve quando tira fotos. Tiramos mais algumas fotos para registrar o momento e principalmente da paisagem, uma coisa que ele confessou foi que gosta de tirar fotos de paisagens. Peguei o celular admirando as fotos que ele tirou. E não foi surpresa alguma que ficaram muito boas. Esse lugar é perfeito. Hoje é o primeiro dia e já quero ficar mais cinco.