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O Anel Partido

O Anel Partido

Autor:: Flossi Housley
Gênero: Romance
O anel de diamante em meu dedo parecia pesar toneladas, um fardo de promessas despedaçadas. Meu noivo, Daniel, herdeiro de uma fortuna, deveria estar ao meu lado, mas seus risos vinham de um canto distante, onde Isabela, a mulher que se insinuava entre nós, o envolvia em segredos e toques "acidentais". A gota d'água veio do jeito mais cruel: no nosso aniversário de cinco anos, ele chegou em casa tarde, com o perfume dela impregnado, justificando que a ajudava com um "problema urgente", enquanto a vela do meu jantar especial derretia, levando com ela a última chama da minha esperança. Naquela festa de gala, ver Daniel e Isabela tão à vontade, sem se importar com minha presença, foi uma humilhação insuportável, um golpe final na minha dignidade. Para o mundo, éramos o casal perfeito, mas por trás da fachada, Isabela reinava, e eu era a tola que tentava ignorar trincas que viravam abismos. Com a voz surpreendentemente firme, tirei o anel e o entreguei a ele, declarando o fim do nosso noivado. Seu sorriso zombeteiro e o aviso: "Você vai se arrepender, não é nada sem mim", foram um veneno, mas também uma libertação. Então, um choque: o ataque ao meu ateliê de joias e uma mensagem de Isabela confirmando a destruição, como se zombasse da minha dor. Mas a tristeza deu lugar a uma fúria fria. Eles achavam que me quebrariam, mas eu decidi lutar. Com as mãos trêmulas, mas a mente clara, apaguei a tela do celular – um adeus à minha vida antiga. Eu não precisava do dinheiro dele, apenas da minha liberdade. Aquela noite, nasceu uma nova Sofia, pronta para partir para longe, reconstruir-me e provar que era muito mais do que Daniel jamais poderia imaginar.

Introdução

O anel de diamante em meu dedo parecia pesar toneladas, um fardo de promessas despedaçadas.

Meu noivo, Daniel, herdeiro de uma fortuna, deveria estar ao meu lado, mas seus risos vinham de um canto distante, onde Isabela, a mulher que se insinuava entre nós, o envolvia em segredos e toques "acidentais".

A gota d'água veio do jeito mais cruel: no nosso aniversário de cinco anos, ele chegou em casa tarde, com o perfume dela impregnado, justificando que a ajudava com um "problema urgente", enquanto a vela do meu jantar especial derretia, levando com ela a última chama da minha esperança.

Naquela festa de gala, ver Daniel e Isabela tão à vontade, sem se importar com minha presença, foi uma humilhação insuportável, um golpe final na minha dignidade. Para o mundo, éramos o casal perfeito, mas por trás da fachada, Isabela reinava, e eu era a tola que tentava ignorar trincas que viravam abismos.

Com a voz surpreendentemente firme, tirei o anel e o entreguei a ele, declarando o fim do nosso noivado. Seu sorriso zombeteiro e o aviso: "Você vai se arrepender, não é nada sem mim", foram um veneno, mas também uma libertação.

Então, um choque: o ataque ao meu ateliê de joias e uma mensagem de Isabela confirmando a destruição, como se zombasse da minha dor.

Mas a tristeza deu lugar a uma fúria fria. Eles achavam que me quebrariam, mas eu decidi lutar. Com as mãos trêmulas, mas a mente clara, apaguei a tela do celular – um adeus à minha vida antiga. Eu não precisava do dinheiro dele, apenas da minha liberdade.

Aquela noite, nasceu uma nova Sofia, pronta para partir para longe, reconstruir-me e provar que era muito mais do que Daniel jamais poderia imaginar.

Capítulo 1

Sofia sentiu o tecido caro do vestido de festa roçar em sua pele, uma sensação que deveria ser de luxo, mas que agora parecia uma fantasia mal ajustada. A música alta do salão ecoava em sua cabeça, mas o único som que ela realmente ouvia era o riso de Daniel, seu noivo, vindo de um canto mais afastado. Ele estava com Isabela. Claro que ele estava com Isabela.

Ela apertou a taça de champanhe com tanta força que seus nós dos dedos ficaram brancos, uma tentativa inútil de conter a tremedeira que ameaçava tomar conta de seu corpo. Todos ali, toda a elite da cidade, viam Daniel e Sofia como o casal perfeito, herdeiros de fortunas que se uniriam em um casamento de conto de fadas. Ninguém via a rachadura que se aprofundava a cada dia, a sombra de Isabela que pairava sobre tudo.

"Eles formam um belo par, não acha?" uma voz conhecida disse ao seu lado. Era uma das amigas de sua mãe, com um sorriso que não alcançava os olhos.

Sofia forçou um sorriso de volta, um movimento que doeu em seus músculos faciais.

"Sim, Daniel é sempre o centro das atenções."

Ela não precisava olhar para saber o que estava acontecendo. Sabia como Isabela se inclinava na direção dele, o jeito que sua mão "acidentalmente" tocava o braço dele, os segredos sussurrados que faziam Daniel sorrir de um jeito que ele não sorria mais para ela. A familiaridade entre eles era uma ofensa, uma traição silenciosa que acontecia bem debaixo de seu nariz.

A memória do dia anterior a atingiu com força. O aniversário de casamento deles. Cinco anos juntos. Ela havia preparado um jantar especial, decorado o apartamento com as flores favoritas dele, esperando por uma noite que pudesse, talvez, consertar as coisas. Daniel chegou tarde, com o cheiro do perfume de Isabela impregnado em seu casaco. Ele disse que estava ajudando-a com um "problema urgente".

"Você sabe como a Isa é," ele disse, com uma naturalidade que a destruiu. "Ela não tem mais ninguém."

Naquele momento, olhando para a vela solitária derretendo na mesa de jantar, Sofia sentiu um pedaço de si mesma se apagar. A esperança que ela guardava com tanto cuidado finalmente se extinguiu. O jantar ficou intocado.

Agora, na festa, a realidade era ainda mais cruel. Daniel e Isabela não se escondiam mais. Eles estavam ali, para todos verem, e a indiferença de Daniel em relação à presença de Sofia era a confirmação final. A humilhação queimava em seu rosto.

De repente, o som de vidro se quebrando cortou a música. Um garçom havia tropeçado, derrubando uma bandeja cheia de taças. Por um instante, todos os olhares se voltaram para a confusão. Todos, exceto os de Daniel. Seus olhos, que um dia foram seu porto seguro, estavam fixos em Isabela, garantindo que ela estava bem, seu corpo posicionado como um escudo protetor. Ele nem sequer olhou na direção de Sofia.

Aquele pequeno gesto foi o estopim. A taça de champanhe ainda em sua mão, Sofia caminhou decidida na direção deles. A música pareceu diminuir, o mundo se afunilando naquele pequeno círculo de traição.

"Daniel," ela disse, sua voz surpreendentemente firme.

Ele se virou, a surpresa em seu rosto rapidamente substituída por uma irritação mal disfarçada. Isabela se encolheu atrás dele, o rosto pálido, uma imagem de fragilidade que Sofia sabia ser uma completa farsa.

"Sofia, o que foi? Não vê que estou ocupado?"

"Ocupado?" A palavra saiu com um escárnio que ela não tentou esconder. "Sim, eu vejo. Mas nosso noivado acabou."

Ela tirou o anel de diamante do dedo, o anel que ele havia lhe dado em uma praia em Capri, com promessas de um amor eterno. O metal estava frio em sua palma. Ela não o jogou, não fez uma cena dramática. Simplesmente abriu a mão de Daniel e colocou o anel ali.

"Eu não quero mais isso," ela disse, olhando diretamente nos olhos dele. "E não quero mais você."

Daniel olhou para o anel em sua mão, depois para o rosto dela, a confusão dando lugar à raiva.

"Você está louca? Fazer uma cena aqui?" ele sibilou, sua voz baixa e ameaçadora.

"A cena?" Sofia riu, um som sem alegria. "A cena é você, Daniel. É vocês dois. Eu só estou encerrando o espetáculo."

Ela se virou para ir embora, mas a voz de Daniel a parou.

"Você vai se arrepender disso, Sofia. Você não é nada sem mim."

Aquelas palavras, ditas com tanto veneno, foram o golpe final. Ela não se virou. Não lhe deu a satisfação de ver suas lágrimas. Apenas continuou andando, atravessando o salão lotado, sentindo os olhares curiosos como queimaduras em suas costas.

Ao passar por uma mesa, seu olhar captou o reflexo em um balde de gelo. A imagem de uma mulher com o rosto manchado de rímel, os olhos vazios. Por um segundo, ela não se reconheceu. A dor era tão intensa que parecia ter roubado sua própria identidade.

Ela pegou o celular da bolsa e, com os dedos trêmulos, discou o número de sua mãe. Mas antes que pudesse completar a chamada, uma mensagem de Daniel chegou, vibrando em sua mão como um animal venenoso.

"Você assinou um acordo pré-nupcial, lembra? Se você me deixar, você sai sem nada. Pense bem no que está fazendo."

O ar pareceu ser sugado de seus pulmões. O acordo. O documento que seu pai insistiu que ela assinasse, uma formalidade para proteger o patrimônio da família. Daniel estava usando isso contra ela. Aquele acordo era a prova de que, desde o início, ele nunca a amou de verdade. Ele amava o que ela representava, o império que ela herdaria. O amor dela era apenas um bônus conveniente.

Ela apagou a tela do celular, o gesto simbólico de cortar o último fio que a prendia a ele. Ela não precisava do dinheiro dele. Ela precisava de sua vida de volta. O primeiro passo era sair daquele salão, daquela cidade, daquela vida que se tornara uma mentira. E ela o faria, não importava o custo.

Capítulo 2

O silêncio do seu apartamento era ensurdecedor depois do barulho da festa. Sofia fechou a porta atrás de si, o clique do trinco soando como uma sentença final. Ela se encostou na madeira fria, finalmente permitindo que o corpo tremesse, as lágrimas que segurou com tanta força agora escorrendo livremente por seu rosto.

A imagem de Daniel e Isabela juntos não saía de sua mente, um replay constante de sorrisos compartilhados, toques secretos e a cumplicidade que a excluía. Cada detalhe era uma nova facada em seu coração já ferido. Ela se lembrava de quando Daniel a olhava daquele jeito, com uma adoração que parecia capaz de mover montanhas. Onde foi parar aquele homem? Ele ainda existia ou sempre fora uma ilusão?

Ela caminhou pelo apartamento como uma sonâmbula, seus passos ecoando no chão de mármore. Tudo ali lembrava ele. O sofá onde assistiam a filmes, a cozinha onde ele tentava cozinhar para ela e sempre queimava alguma coisa, o quarto que compartilharam por cinco anos. Era um mausoléu de memórias felizes, agora manchadas pela traição.

Seu olhar caiu sobre uma foto na mesa de centro: os dois em Paris, sorrindo em frente à Torre Eiffel, os rostos iluminados pela felicidade e pelo amor inocente. Ela pegou o porta-retrato, os dedos traçando o rosto sorridente de Daniel. A dor era física, uma pressão no peito que dificultava a respiração. Com um soluço, ela virou a foto para baixo. Não conseguia mais olhar para aquela mentira.

O som de seu celular a assustou. Era ele. Daniel. A tela brilhava com seu nome. Ela encarou o aparelho, o coração batendo descontroladamente. Uma parte dela, a parte tola e machucada, queria atender, queria ouvir a voz dele, talvez uma desculpa, uma explicação. Mas a outra parte, a que acabara de nascer naquela noite, sabia que era uma armadilha.

Ela rejeitou a chamada.

Imediatamente, o celular tocou de novo. E de novo. E de novo. Uma torrente de ligações e mensagens começou a inundar seu telefone.

"Sofia, atende essa droga de telefone."

"Onde você está? Volte para casa agora."

"Não seja infantil. Precisamos conversar."

"Você não pode simplesmente acabar com tudo assim."

Ele não estava arrependido. Estava com raiva. O tom dele era de quem dá uma ordem, não de quem pede perdão. Ele não estava preocupado com ela, estava preocupado em perder o controle, em perder o prêmio que ela representava.

De repente, a campainha tocou, o som estridente cortando o silêncio. Sofia congelou. Era ele. Ele tinha vindo atrás dela. O pânico a envolveu, frio e paralisante. Ela não estava pronta para encará-lo, não ali, naquele espaço que já fora o refúgio deles.

Ela correu para o quarto, trancando a porta. As batidas na porta da frente se tornaram mais fortes, mais insistentes.

"Sofia! Eu sei que você está aí! Abre essa porta!" A voz de Daniel estava abafada pela madeira, mas a fúria era clara.

Sofia se encolheu no chão, as mãos sobre os ouvidos, tentando abafar o som. Cada batida era uma agressão, uma violação do seu último santuário. Ela fechou os olhos com força, rezando para que ele fosse embora.

Então, o celular em sua mão vibrou novamente. Não era Daniel. Era uma mensagem de um número desconhecido. Com o coração ainda acelerado, ela abriu.

Era uma foto. Uma foto de seu ateliê de joias, o lugar que ela construiu com tanto esforço, seu único espaço verdadeiramente seu. Na foto, a porta de vidro estava estilhaçada. E ao lado da foto, uma mensagem de texto simples.

"Seu namoradinho ficou bem irritado. Acho que você exagerou na dose, querida."

O sangue de Sofia gelou. Isabela. Só podia ser ela. A crueldade, o prazer em vê-la sofrer. Isabela estava com Daniel, observando-o destruir a única coisa que importava para Sofia, e ainda tinha a audácia de provocá-la.

Uma nova onda de raiva, pura e gelada, substituiu o medo. A tristeza deu lugar a uma determinação feroz. Eles não iriam destruí-la. Eles não iriam tirar tudo dela. Daniel podia ter o dinheiro, a influência, a sociedade ao seu lado. Mas Sofia tinha a si mesma. E isso, ela decidiu naquele momento, seria o suficiente.

Ela se levantou do chão, as pernas ainda um pouco trêmulas, mas a mente clara. Ignorando as batidas na porta, ela abriu o notebook sobre a escrivaninha. Começou a pesquisar passagens de avião. Qualquer lugar. Longe. Um lugar onde Daniel não pudesse encontrá-la, onde ela pudesse respirar e se reconstruir, pedaço por pedaço.

Ela encontrou um voo para Oaxaca, no México, partindo na manhã seguinte. Um lugar conhecido por sua arte, sua cultura vibrante e sua distância de tudo o que a estava sufocando. Sem hesitar, ela comprou a passagem só de ida.

Depois, abriu o armário. Em uma caixa de sapatos velha, no fundo, estava o dinheiro que ela guardava, economizado de suas próprias vendas, um pequeno fundo de emergência que sua avó sempre a aconselhou a ter. "Nunca dependa de um homem para nada, minha querida," a voz de sua avó ecoou em sua mente.

Ela começou a fazer uma pequena mala. Apenas o essencial. Roupas, seus cadernos de desenho, as ferramentas básicas de joalheria que conseguia carregar. Cada peça que colocava na mala era um passo para longe de Daniel, um passo em direção a si mesma.

As batidas na porta finalmente pararam. Sofia esperou, o coração na garganta, mas o silêncio permaneceu. Ele tinha ido embora. Por enquanto.

Ela olhou ao redor do quarto, para a vida que estava deixando para trás. Doía. Doía como o inferno. Mas a dor da partida era menor do que a dor de ficar e se ver definhar lentamente.

Na manhã seguinte, muito antes do sol nascer, Sofia saiu do apartamento silenciosamente, carregando apenas uma mala e sua bolsa. Ela não olhou para trás. Ao passar pelo seu ateliê na rua de baixo, viu a porta estilhaçada, os cacos de vidro brilhando sob a luz fraca de um poste. Em vez de sentir desespero, sentiu um estranho alívio. Era como se a casca de sua vida antiga tivesse sido quebrada, libertando-a.

No aeroporto, enquanto esperava o embarque, ela pegou o celular e o desligou. Depois, retirou o chip e o partiu em dois. O gesto foi libertador. Um corte final. Um adeus a Daniel, a Isabela, à mulher que ela costumava ser. Quando o avião decolou, deixando a cidade para trás, Sofia não derramou uma única lágrima. Ela olhou para as nuvens, para o horizonte desconhecido, e pela primeira vez em muito tempo, sentiu uma ponta de esperança.

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