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O Anseio Dele, Meu Coração Desfalecente

O Anseio Dele, Meu Coração Desfalecente

Autor:: Gay Parodi
Gênero: Moderno
Eu estava morrendo de uma doença terminal, mas meu marido, Rodrigo, achava que era só mais um dos meus joguinhos para chamar a atenção dele. Ele me odiava, convencido de que eu o havia traído anos atrás por dinheiro. Enquanto eu desabava em agonia, implorando para que ele me levasse ao hospital, ele agarrou meu queixo e sussurrou as palavras que despedaçaram meu mundo. "Eu nunca vou te perdoar. Eu espero que você... morra." Ele então me deixou no chão frio e correu para o hospital para ficar com seu verdadeiro amor, Carla, minha melhor amiga. Era com ela que ele se preocupava, era o coração dela que também estava falhando. Ele nunca soube que a "traição" que ele tanto desprezava foi, na verdade, meu sacrifício para salvar sua família da ruína. Ele nunca soube da profundidade do meu amor, um amor tão absoluto que nem mesmo sua crueldade conseguiu apagar. Então, quando os médicos me disseram que eu era perfeitamente compatível, fiz minha escolha final. Eu realizaria o desejo dele e daria meu coração para a mulher que ele amava.

Capítulo 1

Eu estava morrendo de uma doença terminal, mas meu marido, Rodrigo, achava que era só mais um dos meus joguinhos para chamar a atenção dele. Ele me odiava, convencido de que eu o havia traído anos atrás por dinheiro.

Enquanto eu desabava em agonia, implorando para que ele me levasse ao hospital, ele agarrou meu queixo e sussurrou as palavras que despedaçaram meu mundo.

"Eu nunca vou te perdoar. Eu espero que você... morra."

Ele então me deixou no chão frio e correu para o hospital para ficar com seu verdadeiro amor, Carla, minha melhor amiga. Era com ela que ele se preocupava, era o coração dela que também estava falhando.

Ele nunca soube que a "traição" que ele tanto desprezava foi, na verdade, meu sacrifício para salvar sua família da ruína. Ele nunca soube da profundidade do meu amor, um amor tão absoluto que nem mesmo sua crueldade conseguiu apagar.

Então, quando os médicos me disseram que eu era perfeitamente compatível, fiz minha escolha final. Eu realizaria o desejo dele e daria meu coração para a mulher que ele amava.

Capítulo 1

Meu corpo doía, cada músculo protestando enquanto eu me forçava a sair da cama. O chão estava gelado sob meus pés descalços. Uma dor aguda e lancinante no meu abdômen me fez ofegar, me curvando por um momento antes de me endireitar, agarrando a beirada da mesa de cabeceira.

A luz da manhã, fraca e impiedosa, entrava pela janela, pintando meu reflexo no vidro. Meu rosto estava pálido como um fantasma, sombreado pelas olheiras escuras. Eu parecia frágil, a um sopro de me quebrar.

Então, eu ouvi.

Passos pesados e deliberados descendo as escadas.

Rodrigo.

Um nó familiar se apertou em meu peito, uma mistura de medo e uma esperança desesperada e tola. Respirei fundo, reunindo a pouca força que me restava. Minha mão tremeu ao alcançar a maçaneta. Era agora ou nunca.

"Rodrigo?" Minha voz era um sussurro fraco, quase inaudível, como se pronunciar seu nome consumisse minha última energia.

Ele parou no meio do caminho, ao pé da escada. Seu olhar, mais frio que qualquer manhã de inverno em Curitiba, percorreu meu corpo. Não havia calor, nenhum lampejo de reconhecimento pela mulher com quem se casou. Apenas uma avaliação fria e clínica. Parecia que ele estava olhando através de mim, não para mim.

"Você... você quer tomar café da manhã?", perguntei, minha voz baixa, quase suplicante.

Por um segundo fugaz, uma pequena faísca de esperança se acendeu dentro de mim. Talvez, apenas talvez, ele se abrandasse. Talvez ele me enxergasse.

Mas a luz em seus olhos se apagou rapidamente, substituída por aquela máscara familiar e impenetrável. Ele se virou, sem dizer uma palavra, e caminhou em direção à porta da frente. O som de seus passos ecoou na casa silenciosa, cada um uma martelada em meu coração já ferido.

A rejeição me atingiu como um soco no estômago. Meu peito se contraiu, uma dor familiar e agonizante se espalhando por mim. Assim que ele alcançou a porta, um impulso desesperado surgiu.

"Espere!", gritei, correndo para frente. Meus dedos se fecharam na manga do seu terno caro.

A dor aguda em meu estômago se intensificou, e eu mordi o lábio com força para impedir que um grito escapasse. O gosto metálico de sangue inundou minha boca, mas eu mal registrei.

"Me solta, Helena!", sua voz era um rosnado baixo, carregado de veneno. Ele puxou o braço, tentando me afastar.

Meu aperto vacilou, mas eu não consegui soltá-lo completamente. Meus dedos se agarraram à ponta do paletó, um esforço desesperado e final. Eu estava me segurando por um fio, assim como nosso casamento.

"Por favor, Rodrigo", sussurrei, minha voz trêmula, cada palavra uma luta. "Eu... eu acho que preciso ir para o hospital."

As palavras saíram à força. Eu odiava pedir qualquer coisa, especialmente a ele. Ele sabia que eu era autossuficiente, ferozmente independente. Isso não era um truque. Não era um apelo manipulador por atenção. Se eu estava pedindo, significava que algo estava realmente errado.

Ele se virou, seus olhos se estreitando. "Onde dói?"

Um pingo de alívio, rapidamente seguido por uma nova onda de náusea. Apontei vagamente para a parte inferior do meu abdômen, gotas de suor brotando na minha testa.

Ele zombou, um som áspero e sem humor. "Ainda fazendo seus joguinhos, Helena? Ainda atuando para conseguir pena?" Suas palavras foram como um balde de água gelada despejado sobre minha cabeça, me congelando por inteiro.

Antes que eu pudesse reagir, sua mão disparou, agarrando meu queixo, forçando meu rosto para cima para encontrar seu olhar desdenhoso. Seu aperto era doloroso.

"Sabe de uma coisa?", sua voz era perigosamente baixa, um sussurro arrepiante que prometia danos irreversíveis. "Eu nunca vou te perdoar. Por nada que você fez. Eu espero que você... morra."

O mundo girou. Meu sangue gelou, cada célula do meu corpo gritando em protesto. Eu não conseguia parar de tremer, um tremor violento que começou no meu âmago e se espalhou pelos meus membros.

Ele soltou meu queixo, seus olhos vazios de emoção. Sem outro olhar, ele entrou em seu escritório e a pesada porta de carvalho se fechou com um estrondo, cortando a última fresta de esperança, me deixando sozinha no vasto e silencioso corredor.

A dor no meu abdômen explodiu, me jogando de joelhos. Eu ofeguei, lutando por ar, agarrando meu estômago como se para me manter fisicamente inteira. Minha visão embaçou, lágrimas se misturando com o suor.

Com a mão trêmula, procurei meu celular no bolso. Meus dedos, dormentes e desajeitados, de alguma forma conseguiram discar o número de emergência.

Mais tarde naquela manhã, Rodrigo ouviu o lamento fraco de uma ambulância se afastando. Era um som distante, quase imperceptível, facilmente ignorado. Ele estava perto da janela de seu escritório, o telefone pressionado contra a orelha, o rosto impassível. Ele presumiu que era apenas mais um dos teatros de Helena, uma tentativa desesperada de manipulá-lo, talvez para colocar as mãos em seu dinheiro agora que a família dela estava à beira da falência.

Ele se lembrou da "traição" dela no passado, quando sua família enfrentou a ruína. Ele acreditava que ela o havia abandonado naquela época, procurando pastos mais verdes. Isso era apenas mais do mesmo. Ela era uma interesseira, uma oportunista.

Eu estava sentada em um banco estéril de hospital, as luzes fluorescentes zumbindo acima de mim, lançando um brilho forte no envelope branco em minha mão. Meu nome, Helena Almeida, estava impresso de forma nítida na frente. Eu sabia o que continha antes mesmo de abrir.

As palavras do médico ecoavam em minha cabeça: "Doença terminal. Estágio avançado."

O mundo inclinou. Era um pesadelo. Tinha que ser. Rasguei o envelope, meus olhos percorrendo o laudo, procurando por um erro, um erro de digitação, qualquer coisa que contradissesse a verdade horrível. Mas estava lá, claro e inegável.

"Não", sussurrei, minha voz falhando.

Levantei-me do banco, a dor no estômago agora uma pontada surda em comparação com a agonia em meu peito. Corri para outro médico, um especialista cujo nome eu tinha ouvido. Implorei por um novo exame, uma segunda opinião. Ele concordou, seus olhos cheios de uma pena que eu não suportava.

Os resultados voltaram os mesmos. Uma doença terminal. Confirmado.

"Quanto... quanto tempo eu tenho?", perguntei, as palavras mal saindo como um sopro. Minha garganta estava apertada, meus olhos ardendo.

O especialista, um homem gentil de olhos suaves, ajoelhou-se diante de mim. Ele pegou minha mão, seu toque surpreendentemente quente. "Faremos tudo o que pudermos, Helena. Não vamos desistir."

Suas palavras foram um bálsamo, mas não podiam apagar o fato frio e duro. Eu desmoronei, novas lágrimas escorrendo pelo meu rosto. "Tudo o que podem?", solucei, o som cru e quebrado. "É terminal. É... acabou."

Minha doença não estava apenas matando meu corpo; era uma metáfora cruel para o meu casamento, para tudo o que eu havia me apegado. Era um fracasso do qual eu não podia escapar, uma morte que eu não podia evitar. Assim como ele, estava me destruindo, lenta e dolorosamente.

Capítulo 2

A casa estava imersa em um silêncio sufocante, cada sombra alongada e ameaçadora na penumbra. Eu estava sentada sozinha na sala de estar, uma figura solitária diminuída pelos móveis caros que me pareciam estranhos. O ar estava pesado, denso com palavras não ditas e ressentimento crescente.

Faróis cortaram a escuridão lá fora, fatiando a grande janela panorâmica, um flash momentâneo que anunciava sua chegada. Meu coração, já uma coisa machucada, deu um salto doloroso.

A porta da frente se abriu, deixando entrar uma rajada de ar frio da noite, e Rodrigo entrou. Sua mão foi para o interruptor de luz, e a sala foi instantaneamente inundada por um brilho ofuscante e indiferente. Ele me viu, sentada ali, mas seu olhar se desviou, já focado nas escadas, sua intenção de desaparecer no andar de cima era clara.

"Rodrigo." Eu disse seu nome, um apelo desesperado em minha voz, na esperança de prendê-lo a este momento, a mim.

Ele não parou. Seus passos não vacilaram, nem mesmo diminuíram. Ele continuou se movendo, um fantasma em sua própria casa, me deixando lutando em seu rastro.

Minhas mãos se fecharam em punhos apertados, as unhas cravando em minhas palmas, a dor uma distração bem-vinda da dor mais profunda. Levantei a cabeça, um sorriso frágil e determinado em meus lábios.

"Eu quero o divórcio."

Seus passos vacilaram. Ele parou. Lentamente, ele se virou. Iluminado pela luz forte do teto, sua silhueta era formidável, inflexível. Ele parecia menos um homem e mais uma estátua imponente e inacessível.

Meus olhos traçaram os ângulos agudos de seu rosto, a mandíbula forte, os olhos frios e distantes. Dez anos. Dez anos eu o amei, me dediquei a ele. Dez anos de sacrifício, de esperar por um amor que nunca floresceria. Era hora de deixar ir. Eu não deveria mais sobrecarregá-lo.

"Isso é mais um dos seus joguinhos, Helena?", sua voz era monótona, carregada de um desprezo mal disfarçado. "Alguma nova tática para conseguir o que quer?"

Levantei-me do sofá, movendo-me com uma nova determinação. Minha mão foi para minha bolsa, tirando os papéis do divórcio cuidadosamente dobrados. Meus dedos roçaram na forma familiar do frasco de analgésicos lá dentro. Por um momento, meu olhar se demorou ali, um reconhecimento silencioso da batalha constante que se travava dentro do meu corpo. Então, fechei a bolsa, colocando-a deliberadamente na mesa de centro, optando por esconder minha vulnerabilidade por enquanto.

Caminhei em sua direção, o documento assinado estendido como uma oferta de paz, ou talvez uma rendição.

"Estou te libertando, Rodrigo", eu disse, forçando um tom leve, quase alegre, que rachou nas bordas. Meu sorriso parecia quebradiço, frágil. "Não quero mais te prender."

Um pensamento amargo passou pela minha mente: Se eu soubesse desde o início que seu coração pertencia a outra pessoa, eu nunca teria me casado com você.

Seus olhos piscaram para a linha da assinatura, então ele arrancou os papéis da minha mão. Ele não os leu. Em vez disso, ele os bateu contra meu ombro, os papéis farfalhando com um desdém irônico.

"Tentando conseguir uma fatia maior dos bens agora, é?", ele zombou, seus lábios se curvando em nojo.

Eu congelei, a acusação uma ferida nova. "Não", sussurrei, minha voz quase inaudível. "Eu não quero seu dinheiro."

Ele não disse nada, apenas me encarou, seu olhar frio e incrédulo. O silêncio se estendeu, denso com sua desconfiança.

Três anos atrás, quando sua família enfrentou a ruína, eu desapareci por um curto período, retornando com uma solução que ele se recusava a acreditar que pudesse ser inocente. Ele ouviu rumores, me viu com outro homem - Gustavo Neves - um homem cuja família poderosa poderia ter salvado a sua. Ele concluiu que eu era uma mulher calculista, vendendo-me por riqueza.

Ele se lembrou de como seu pai o forçou a se casar comigo, um movimento que ele ressentia profundamente, convencido de que fora obra minha. Seu ódio por mim só havia aumentado desde então.

Seus olhos estavam cheios de um desprezo arrepiante. "Suma daqui, Helena."

Abri os braços, bloqueando seu caminho. "Estou te libertando, Rodrigo", repeti, uma sinceridade desesperada em minha voz agora. "Não quero nada. Eu até assino um acordo pré-nupcial, se você quiser. Uma garantia."

Ele me olhou, uma expressão estranha, quase divertida, em seu rosto. "Existe outra pessoa", ele disse, sua voz suave, quase lírica, mas cada palavra era um caco de gelo perfurando meu coração. "E eu pretendo me casar com ela, com toda a pompa e circunstância que ela merece."

Minha respiração engasgou. O ar saiu dos meus pulmões em uma corrida dolorosa.

"E eu não posso fazer isso", ele continuou, sua voz endurecendo, "enquanto ainda estiver enredado com você."

A porta da frente bateu com força, ecoando pela casa oca. Ouvi o chuveiro ligado em seu banheiro, um jato constante de água fria. Ele provavelmente estava tentando lavar a presença persistente de mim. Seus nós dos dedos estavam brancos, cerrados com tanta força que pareciam sem sangue. Ele também estava sofrendo, à sua maneira, embora eu soubesse que não era por mim.

Virei-me, meu olhar caindo sobre os papéis do divórcio espalhados no chão. Lentamente, me abaixei e os peguei, alisando as dobras. Estava feito.

Meu telefone tocou, um som estridente na casa silenciosa. Era minha mãe. Sua voz estava frenética, engasgada com lágrimas. "Seu pai... ele está doente, Helena! Em estado grave!"

Corri para o hospital. Lá, a verdade me atingiu com a força de um maremoto. O negócio da minha família estava à beira do colapso, cambaleando à beira da falência. Assim como o de Rodrigo estivera, anos atrás.

Suas palavras, suas acusações de mais cedo, de repente fizeram um sentido arrepiante. Ele sabia. Ele sempre soube.

Capítulo 3

"Você tem que pedir dinheiro a ele, Helena!", o aperto da minha mãe no meu braço era feroz, suas unhas cravando na minha carne. Seus olhos, geralmente tão calculistas, agora estavam arregalados de pânico. "Ele nos deve isso! Seu pai está morrendo!"

Eu recuei, puxando meu braço. Meu rosto estava frio, minha voz desprovida de emoção. "Ele me odeia, mãe. Ele não vai nos dar um centavo."

Tapa!

O estalo agudo ecoou no corredor estéril do hospital. Minha bochecha ardeu, uma sensação de queimação se espalhando pelo meu rosto. Minha mãe me encarou, seus olhos ardendo de fúria. "Inútil! Você é uma completa inútil!"

Meus lábios tremeram, mas nenhum som escapou. Um frio amargo se infiltrou em meu coração. Lembrei-me de outra época, três anos atrás, quando outro homem havia ameaçado tudo.

Retrospectiva

Gustavo Neves. Ele me interceptou, seu rosto uma máscara de charme sinistro. "Eu tenho provas", ele ronronou, "do caso da sua mãe. Um escândalo que destruiria sua família e a reputação de Rodrigo por associação."

Então, a oferta. "Deixe o Rodrigo. Rompa publicamente seu noivado. Em troca, eu fornecerei os fundos para salvar o negócio da família dele. E o seu."

Eu vi Rodrigo então, abatido e desesperado, lutando para manter sua família à tona. Seus ombros, geralmente tão largos e confiantes, estavam curvados com o peso da responsabilidade. Meu coração doía ao vê-lo tão quebrado.

Se deixá-lo, se ser mal compreendida, significasse salvá-lo, então que assim fosse. Meu amor por ele era absoluto. Eu assumiria qualquer dor, qualquer infâmia, se isso significasse sua sobrevivência.

Peguei o dinheiro de Gustavo, salvando ambas as nossas famílias da ruína. Então, encontrei Rodrigo. Disse coisas odiosas, coisas que o cortariam profundamente, afastando-o, fazendo-o acreditar que eu era a mulher gananciosa e oportunista que ele agora pensava que eu era. Tinha que ser convincente.

Eu nunca pensei que o veria novamente, não daquele jeito. Não como meu marido.

Fim da Retrospectiva

Mas o destino tinha outros planos. No dia seguinte, o pai de Rodrigo me procurou. "Helena", ele disse, seus olhos gentis, "eu entendo a posição difícil em que você estava. Meu filho... ele precisa de uma esposa. Ele precisa de você."

Ele estava me oferecendo um caminho de volta, uma maneira de estar perto de Rodrigo, mesmo que fosse sob falsos pretextos. Inicialmente, eu recusei. Meu coração estava partido, meu orgulho em frangalhos.

Então, na manhã seguinte, minha família recebeu uma quantia substancial da família de Rodrigo. Era um arranjo, uma transação. Minha família, gananciosa e oportunista, havia me vendido.

Rodrigo, forçado a um casamento que não queria, me odiava desde então. Ele acreditava que eu havia orquestrado tudo, usando seu pai para prendê-lo.

Saí do quarto de hospital do meu pai, a dor familiar no meu abdômen se intensificando. Engoli um analgésico a seco, tentando ignorar o gosto amargo da minha própria vida.

Então eu a vi.

Parada logo na esquina, seu cabelo loiro capturando a luz forte do hospital, estava Carla Costa. Minha melhor amiga. E a mulher que Rodrigo amava.

Nossos olhos se encontraram. Desviei o olhar rapidamente, tentando escapar, evitar o confronto inevitável. Meu coração martelava no peito.

"Helena!", sua voz, doce, mas afiada, me parou.

Cerrei a mandíbula, meus dentes rangendo, mas continuei andando. Eu não podia encará-la agora.

"Oh, Helena", ela arrulhou, alcançando-me, sua mão pousando levemente em meu braço. Seus olhos, geralmente tão gentis, agora tinham um brilho de triunfo malicioso. "Ouvi dizer que sua família está falindo. Que triste."

Parei, virando-me lentamente para encará-la. "Some daqui, Carla", eu disse, minha voz fria, um contraste gritante com meu tom gentil habitual.

Um sorriso zombeteiro brincou em seus lábios. "O Rodrigo está comigo", ela sussurrou, inclinando-se mais perto, seu hálito quente contra minha orelha. "Ele esteve aqui a noite toda, preocupado com a minha condição. Estávamos falando sobre nosso futuro."

Meu coração se contorceu, uma dor crua e excruciante. Eu sabia disso, é claro. Eu sabia há muito tempo. Mas ouvir isso dela, entregue com tanta satisfação cruel, era um tipo diferente de tortura.

"Ótimo", eu disse, forçando um sorriso. Parecia que meu rosto ia rachar. "Então vocês dois podem discutir o divórcio também. Vou facilitar para ele."

Carla riu, um som quebradiço e zombeteiro. "Oh, Helena. Você não vê? Ele não vai se divorciar de você. Ele vai te manter amarrada a ele, só para te fazer infeliz." Seus olhos brilharam com um brilho predatório. "É a vingança dele, querida. Por tudo que você o fez passar."

Ela se inclinou ainda mais perto, sua voz caindo para um sussurro teatral. "Você sabia... ele nunca sequer te tocou? Ele me contou. Ele disse que você era... suja."

Uma onda de náusea me invadiu. Minha visão embaçou. Ela estava insinuando que eu estive com Gustavo, que eu estava manchada. A mentira que ele acreditava.

"Tire suas mãos imundas de mim, Carla!", rosnei, empurrando-a com uma súbita e inesperada onda de raiva.

Ela tropeçou para trás, perdendo o equilíbrio. Seus olhos, arregalados de choque fingido, encontraram os meus assim que ela atingiu o chão. Ela caiu com força, um baque surdo ecoando no corredor deserto.

Nesse momento, Rodrigo irrompeu pelas portas duplas no final do corredor, seus olhos examinando a cena. Ele viu Carla no chão, seu rosto pálido, seus lábios tremendo. E ele me viu, de pé sobre ela, minha mão ainda estendida do empurrão.

Seus olhos, quando encontraram os meus, eram mais frios que o gelo do Ártico. Ódio puro e não adulterado.

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