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O Arrependimento Dele, Nosso Adeus Irrevogável

O Arrependimento Dele, Nosso Adeus Irrevogável

Autor:: Eira
Gênero: Moderno
Eu sou Sofia Salles e estou pronta para escrever. Esta história será uma cirurgia emocional, crua e direta, para a mulher brasileira que anseia por aquela jornada visceral que destrói e reconstrói o coração. Vamos começar. Casei com um homem assombrado pelo fantasma do filho que perdeu. Dei a ele um novo filho, Léo, e tolamente acreditei que nosso amor poderia curar seu passado estilhaçado. Mas então o fantasma voltou à vida. Sua ex-esposa, Geórgia, retornou com olhos grandes e inocentes e um diagnóstico de amnésia induzida por trauma. De repente, meu marido estava pisando em ovos ao redor da mulher que o destruiu, enquanto nosso filho e eu nos tornamos figurantes em seu teatro doentio. O dia em que ele a escolheu foi o dia em que nos destruiu. Depois que Geórgia incriminou nosso filho de cinco anos por profanar o memorial do irmão falecido, meu marido, Caio, explodiu. Ele agarrou o braço de Léo e o torceu até eu ouvir um estalo medonho. Enquanto eu sangrava no chão, observei-o aninhar Geórgia, sussurrando palavras de consolo enquanto nosso filho gritava em agonia. Por cima do ombro dele, os olhos dela encontraram os meus, não cheios de confusão, mas de pura e triunfante malícia. Ele havia feito sua escolha. Agora, eu faria a minha. Meus dedos, pegajosos com meu próprio sangue, discaram 192. "Preciso de uma ambulância", eu disse, minha voz surpreendentemente firme. "E preciso da polícia."

Capítulo 1

Eu sou Sofia Salles e estou pronta para escrever. Esta história será uma cirurgia emocional, crua e direta, para a mulher brasileira que anseia por aquela jornada visceral que destrói e reconstrói o coração. Vamos começar.

Casei com um homem assombrado pelo fantasma do filho que perdeu. Dei a ele um novo filho, Léo, e tolamente acreditei que nosso amor poderia curar seu passado estilhaçado. Mas então o fantasma voltou à vida.

Sua ex-esposa, Geórgia, retornou com olhos grandes e inocentes e um diagnóstico de amnésia induzida por trauma. De repente, meu marido estava pisando em ovos ao redor da mulher que o destruiu, enquanto nosso filho e eu nos tornamos figurantes em seu teatro doentio.

O dia em que ele a escolheu foi o dia em que nos destruiu. Depois que Geórgia incriminou nosso filho de cinco anos por profanar o memorial do irmão falecido, meu marido, Caio, explodiu. Ele agarrou o braço de Léo e o torceu até eu ouvir um estalo medonho.

Enquanto eu sangrava no chão, observei-o aninhar Geórgia, sussurrando palavras de consolo enquanto nosso filho gritava em agonia. Por cima do ombro dele, os olhos dela encontraram os meus, não cheios de confusão, mas de pura e triunfante malícia.

Ele havia feito sua escolha. Agora, eu faria a minha. Meus dedos, pegajosos com meu próprio sangue, discaram 192.

"Preciso de uma ambulância", eu disse, minha voz surpreendentemente firme. "E preciso da polícia."

Capítulo 1

Alana POV:

No dia em que Caio Williams se casou comigo, Geórgia já era um fantasma assombrando nossas vidas, um espectro lindo e manipulador do qual ele não conseguia se livrar.

Nunca foi um conto de fadas. Foi um acordo, uma troca silenciosa de estabilidade por luto. Ele precisava de uma esposa, uma mãe para o filho que perdeu cedo demais, e eu precisava de um propósito. Ou assim eu pensava.

Construímos uma vida, uma fachada aparentemente perfeita com nosso próprio filho, Léo. Ele era meu sol, minha lua, meu universo inteiro. Tínhamos risadas na cozinha, histórias para dormir e o ritmo tranquilo de uma família tentando consertar um passado estilhaçado. Caio até sorria às vezes, um sorriso real, sem peso, que fazia meu coração doer de esperança. Eu tolamente acreditei que estávamos nos curando.

Então o e-mail chegou. Uma única e inofensiva mensagem de uma clínica de luxo em São Paulo. "Paciente Geórgia localizada após busca extensiva. Sofrendo de amnésia induzida por trauma." A calma em nossa casa se quebrou como vidro. O fantasma não era mais um fantasma. Ela era real. Ela estava de volta.

De repente, nosso lar se tornou um campo de batalha. Geórgia, com seus olhos delicados e arregalados e suas alegações sussurradas de perda de memória, era a prioridade de Caio. Cada capricho frágil dela se tornava lei. Ele pisava em ovos ao redor dela, sua culpa pela morte de Arthur uma nuvem sufocante. Ele a tratava como uma boneca preciosa e danificada, enquanto Léo e eu éramos apenas... figurantes. Ruído de fundo.

Ela começou com pouco. Pequenos comentários sobre minha comida, minhas roupas, o jeito que eu decorava. Então a coisa escalou. Ela "acidentalmente" derramava vinho nos desenhos de Léo ou "perdia" seus brinquedos favoritos. Caio sempre encontrava uma desculpa para ela.

"Ela não está bem, Alana. Ela passou por tanta coisa."

Meu coração se apertava, mas eu mordia a língua. Por Léo. Pela paz frágil à qual ainda nos apegávamos.

A humilhação pública foi a pior. Uma noite, em uma gala beneficente, Geórgia, pendurada no braço de Caio, me "confundiu" com uma assistente júnior.

"Querida, pode me trazer uma taça de champanhe? E talvez algo para... a Sra. Williams, aqui?", ela ronronou, seus olhos brilhando com malícia enquanto se inclinava para Caio, que apenas me ofereceu um sorriso tenso e apologético. Meu rosto queimou. Os sussurros começaram. Os olhares. Eu me senti como um adereço barato em seu teatro doentio.

Mais tarde naquela noite, confrontei Caio. Ele apenas suspirou, esfregando as têmporas.

"Ela realmente não se lembra, Alana. Os médicos disseram que é um mecanismo de defesa. Uma lousa em branco antes da morte de Arthur. É trágico."

Eu queria gritar. Queria sacudi-lo. Mas o olhar em seus olhos, o tormento profundo, me deteve. Ele realmente acreditava nela. Ele realmente achava que ela era uma vítima. Sua dor era uma ferida que ela sabia exatamente como cutucar. Tentei entender. Tentei ser paciente. Tentei ser a boa esposa, a compreensiva.

Então veio o dia em que soube que não podia mais entender. Era o aniversário de cinco anos de Léo. Ele estava tão animado, segurando um pequeno cartão feito à mão para seu pai. Geórgia, em um súbito ataque de "confusão", decidiu que a sala de estar precisava ser reorganizada. Ela "acidentalmente" derrubou a estante de Arthur - aquela cheia de seus troféus de futebol e fotos queridas. Vidro se estilhaçou. A bola de futebol favorita de Arthur rolou para debaixo do sofá.

Léo, assustado com o barulho e aterrorizado com o grito estridente de Geórgia, instintivamente pegou a bola. Ele só queria colocá-la de volta. Mas Geórgia viu de forma diferente. Ela gritou, apontando um dedo trêmulo para meu filho.

"Ele está profanando a memória de Arthur! Ele está tentando substituí-lo! Olhe o que ele fez, Caio!"

Caio, ouvindo a comoção, entrou correndo. Ele viu Geórgia, histérica, apontando para Léo, que estava paralisado, a bola agarrada em suas pequenas mãos. Ele não viu o medo nos olhos de Léo. Ele não viu o olhar calculado de Geórgia. Tudo o que ele viu foi o memorial de seu amado Arthur em ruínas, e Léo, segurando o símbolo da vida curta de seu filho.

Ele agarrou o braço de Léo. Com força.

"O que você fez, Léo?" Sua voz era baixa, perigosa.

Léo choramingou, tentando se afastar. "Eu só... eu só queria ajudar", ele sussurrou, lágrimas brotando.

Mas Caio não estava ouvindo. Ele torceu o braço de Léo, tentando arrancar a bola. Léo gritou, um som agudo e penetrante que me rasgou por dentro.

Eu me movi sem pensar. "Caio! Pare! Você está o machucando!"

Eu me lancei para frente, tentando libertar Léo. Mas Caio estava em fúria cega. Ele me empurrou para trás, seus olhos selvagens de dor e raiva. Eu tropecei, batendo a cabeça na quina de um aparador. A dor explodiu atrás dos meus olhos. Senti algo quente e pegajoso no meu couro cabeludo.

Ouvi outro grito. Não meu. Não de Geórgia. Era Léo. Seu braço torcido em um ângulo antinatural. Um estalo medonho. Ele desabou, agarrando o braço, gritando. Seu pequeno corpo convulsionava em soluços.

Minha cabeça girava. Eu me levantei, minha visão embaçada. "Léo!"

Geórgia, ainda "soluçando", se jogou nos braços de Caio. Ele a segurou com força, acariciando seu cabelo. "Está tudo bem, querida. Está tudo bem. Ele não quis te chatear."

Meu filho estava no chão, gritando, seu braço dobrado do jeito errado. E meu marido estava confortando a mulher que causou tudo isso.

Uma percepção fria e dura se instalou em meu estômago. Isso não era mais luto. Isso era uma escolha. A escolha dele.

Eu os vi então, Caio segurando Geórgia, suas cabeças próximas. Ela sussurrava algo para ele, o rosto enterrado em seu ombro, mas seus olhos, por cima do ombro dele, encontraram os meus. Não estavam cheios de trauma ou amnésia. Estavam cheios de triunfo. Pura e absoluta malícia.

Meu coração não apenas se partiu. Ele se estilhaçou. Dissolveu-se em pó.

"Caio", eu disse, minha voz um sussurro rouco, quase inaudível sobre os gritos de Léo. "Olhe para ele. Olhe para o nosso filho."

Ele não se virou. Ele segurou Geórgia com mais força. "Ela é muito frágil, Alana. Isso foi um choque terrível para ela."

As palavras me atingiram como um golpe físico. Ele a escolheu. Em vez do nosso filho. Em vez de mim.

Uma clareza súbita e afiada perfurou a névoa de dor e traição. Minha mente, antes nublada pela esperança e pelo compromisso, tornou-se afiada como uma navalha.

Isso acabou. Isso estava além de qualquer conserto.

Minha mão ainda agarrava a lateral do aparador, meus dedos pegajosos com meu próprio sangue. Meu olhar caiu sobre um canto esquecido da sala. Um pequeno e familiar documento estava escondido atrás de um vaso decorativo. O acordo pré-nupcial. Inquebrável. Assinado anos atrás, quando eu ainda acreditava em finais felizes, mas com previsão suficiente para me proteger, por via das dúvidas.

Ele me garantia a guarda total. Ele me garantia a independência financeira. Eu pensei que era apenas uma formalidade. Agora, era minha arma. Minha fuga. Meu poder.

Fiquei ali, balançando levemente, o mundo inclinando-se ao meu redor. Mas por dentro, algo novo estava criando raízes. Algo feroz. Algo inquebrável.

Minha mão alcançou meu celular, meus dedos trêmulos. Disquei 192. Minha voz estava surpreendentemente firme. "Meu filho foi ferido. Preciso de uma ambulância. E... preciso da polícia."

Caio finalmente olhou para cima, seus olhos arregalados. "Alana, o que você está fazendo?"

Eu encontrei seu olhar, meus próprios olhos frios, desprovidos de emoção. "Estou protegendo meu filho, Caio. De vocês dois."

Ele deu um passo em minha direção, Geórgia ainda agarrada a ele. "Não seja ridícula. Foi um acidente. Léo apenas caiu."

"Ele não caiu", afirmei, minha voz ganhando força. "Você o machucou. E ela causou isso." Apontei para Geórgia, que ofegou dramaticamente, enterrando o rosto mais fundo no peito de Caio.

"Alana, você enlouqueceu?", Caio começou, seu rosto contorcido em descrença.

Mas eu não estava ouvindo. Meus olhos estavam fixos em Léo, que ainda chorava, embora agora mais suavemente, exausto pela dor. Meu filho. Meu menino lindo e sensível. Ele precisava de mim. E eu queimaria o mundo inteiro para mantê-lo seguro.

As sirenes soaram à distância, cada vez mais altas. Meu coração martelava contra minhas costelas, mas não era medo. Era uma fúria primal, materna.

Era isso. O fim de nós. E o começo de mim.

Capítulo 2

Alana POV:

O mundo voltou a ter foco, uma luz fluorescente forte me cegando. Minha cabeça latejava. Eu estava em uma maca, um paramédico de rosto gentil checando minhas pupilas.

"Léo", eu grasnei, minha voz rouca. "Onde está o Léo?"

"Seu filho está com o pai", disse o paramédico suavemente. "Eles estão no fim do corredor. Ele está fazendo um raio-X."

Meu sangue gelou. O pai dele. O homem que torceu o braço do meu filho.

Caio apareceu na porta, seu rosto pálido e tenso. Ele olhou para mim, depois para o paramédico. "Ela chamou a polícia." Sua voz era seca, acusadora.

"Sim, chamei", eu disse, me erguendo. Uma onda de tontura me atingiu. "E faria de novo."

Ele ignorou minhas palavras, aproximando-se. "Você vai mesmo fazer uma cena, Alana? Arrastar nossa família para essa bagunça pública?"

"Nossa família?", zombei, uma risada amarga escapando dos meus lábios. "Não existe mais 'nossa família', Caio. Não depois do que você fez com o Léo."

Seus olhos endureceram. "Foi um acidente. E você está exagerando. Geórgia é delicada. Você a abalou."

Eu recuei, me afastando quando ele tentou pegar minha mão. "Não me toque." Minha voz era um rosnado. "Acabou, Caio. Eu quero o divórcio."

Ele congelou, a mão ainda suspensa no ar. Sua mandíbula caiu ligeiramente. "Divórcio? Alana, você está falando sério?"

"Mortalmente sério. Cansei. Vou pegar o Léo e vou embora."

Nesse momento, Geórgia, ainda parecendo frágil, mas com um brilho perturbador nos olhos, flutuou para dentro do quarto, apoiando-se pesadamente em uma enfermeira. "Oh, Caio, querido, a Alana está bem? E o pobre Léo? Eu me sinto tão mal com tudo isso. Minha cabeça... ela dói tanto." Ela pressionou a mão na testa, um retrato de sofrimento delicado.

Eu quase engasguei. A atuação dela era impecável.

Ela ainda está te manipulando, Caio. Você não consegue ver?

"Você se sente mal?", cuspi, minha voz carregada de veneno. "Você quase quebrou o braço do meu filho. Você o colocou no hospital. E ainda está se fazendo de vítima?"

Geórgia ofegou, seus olhos se arregalando com uma dor fingida. "Alana, como pode dizer uma coisa dessas? Eu mal me lembro do que aconteceu. O médico disse que minha amnésia piora quando estou estressada. Você só está... piorando as coisas para todo mundo." Ela começou a tremer, o lábio inferior tremendo.

"Não se preocupe, querida", Caio murmurou, envolvendo-a com um braço. Ele me fuzilou com o olhar. "Alana, pare com isso. Você está a perturbando."

Meu olhar encontrou o de Geórgia por cima do ombro de Caio. Seus olhos, geralmente tão suaves e perdidos, estavam penetrantes e frios. Uma mensagem silenciosa passou entre nós: Eu venci.

"Ah, entendi", eu disse, minha voz perigosamente calma. "Então agora eu sou o problema. Não a mulher que atormentou sistematicamente meu filho e a mim desde que voltou para nossas vidas. Não a mulher que usa a memória de Arthur como uma arma. Não a mulher que acabou de colocar a vida de Léo em perigo."

Geórgia choramingou, seu corpo tremendo. "Você é tão cruel, Alana. Comparando Léo com Arthur... Arthur era um campeão. Um talento nato. Um menino tão forte e corajoso. Léo... bem, ele é tão sensível, não é? Se assusta com tanta facilidade." Suas palavras, suaves e pingando falsa preocupação, eram um punhal apontado diretamente para o coração de Léo.

"E você", ela continuou, voltando seu olhar para mim, sua voz agora um sussurro afiado, "é uma péssima mãe, deixando-o ser tão fraco. Você o mima demais."

Meu sangue ferveu. "Como ousa! Você não tem o direito de falar sobre meu filho, ou sobre como eu o crio!"

De repente, Geórgia agarrou a cabeça, soltando um grito agudo. "A dor! É tão intensa!" Ela balançou, desabando dramaticamente contra Caio.

Caio imediatamente entrou em modo de proteção total. Ele me empurrou para longe, com força, quase me fazendo cair. "Geórgia! Você está bem?" Ele a segurou com força, de costas para mim. "Alana, olhe o que você fez! Você a desencadeou! Não vê que ela não está bem?"

Meu cotovelo bateu na parede sólida, uma nova dor aguda se acendendo. Minha cabeça pulsava. "Ela não está bem?", repeti, minha voz rouca de incredulidade. "Ela é uma monstra manipuladora, Caio! E você está cego demais, consumido demais pela sua própria culpa, para ver isso!"

Ele se virou, seus olhos em chamas. "Não ouse falar da Geórgia assim! Ela está sofrendo! Ao contrário de você, que parece prosperar no drama. Você está causando tudo isso! Você está a piorando!" Sua voz se elevou, atraindo a atenção das enfermeiras.

"E o Léo?", exigi, minha voz quebrando. "E o Léo? Ele é um menino sensível, sim! Mas ele é gentil. Ele é amoroso. Ele é nosso filho, Caio! Não um substituto para o Arthur! Não um saco de pancadas para a doença da Geórgia!"

Seu rosto se contorceu. "Léo é mole demais. Ele precisa endurecer. Precisa aprender a ser resiliente. Como Arthur era." Ele balançou a cabeça, seu olhar varrendo-me com desdém. "Você está o estragando. Deixando-o fraco. E se você acha que vai tirá-lo de mim, está muito enganada. Vou lutar com você a cada passo. Vou garantir que você não receba nada. Nem um centavo. Nem mesmo o direito de visita."

Uma dor lancinante atravessou minha cabeça, juntamente com a pulsação no meu cotovelo. Senti-me fraca. Mas em meio à dor, uma determinação fria e dura se solidificou.

Geórgia, vendo a raiva de Caio, soltou outro gemido suave, pressionando as têmporas. "Oh, minha cabeça, Caio. Parece que vai rachar."

Sem outra palavra, Caio a pegou nos braços, ignorando-me completamente. "Vamos voltar para o seu quarto, querida. Você precisa de descanso. De paz." Enquanto ele a carregava para passar por mim, os olhos de Geórgia, arregalados e triunfantes, encontraram os meus. Um lampejo de satisfação cruel passou por eles antes que ela enterrasse o rosto no ombro de Caio.

Eu os observei ir, uma estranha calma me invadindo apesar da dor. Ele acha que pode me ameaçar. Ele acha que tem todo o poder. Ele acha que ainda sou a mulher ingênua que se casou com ele por pena e um desejo desesperado por uma família.

Ele está errado. Tão terrivelmente errado.

Um sorriso sombrio tocou meus lábios. Caio, com toda a sua inteligência e sucesso, estava prestes a aprender uma lição muito dura sobre subestimar uma mulher que não tem mais nada a perder, mas tudo a proteger.

O acordo pré-nupcial. Aquele em que ele insistiu, pensando que era apenas uma formalidade para proteger seu vasto império. Ele nunca imaginou que me protegeria. Estava tudo lá, cuidadosamente negociado pelo meu advogado astuto, mas discreto, com cláusulas garantindo a guarda total de quaisquer filhos nascidos de nós, juntamente com uma substancial independência financeira, caso o casamento se dissolvesse sob circunstâncias específicas. Circunstâncias que acabavam de ser atendidas, e com sobras.

Ele queria lutar? Ótimo. Eu tinha tudo o que precisava. E eu lutaria por Léo com cada fibra do meu ser.

Eu o deixaria. E ele nem veria o que o atingiu.

Capítulo 3

Alana POV:

A dor na minha cabeça e no meu cotovelo era uma pontada surda comparada à fúria escaldante no meu peito. As ameaças de Caio, seu descarte descarado do sofrimento de Léo, sua devoção cega a Geórgia - tudo se solidificou em uma certeza ardente e absoluta.

Ele tinha acabado de sair, carregando Geórgia como um artefato precioso, deixando-me sozinha no corredor estéril do hospital, sangrando e quebrada.

"Caio!", eu gritei, um som cru e gutural arrancado da minha garganta.

Ele parou, a alguns metros de distância, ainda parcialmente de costas. Geórgia espiou por cima do ombro dele, um sorriso zombeteiro brincando em seus lábios.

"Acabou!", gritei, mais alto desta vez, minha voz ecoando no corredor silencioso. "Você e eu terminamos! Vou levar o Léo, e você nunca mais vai nos ver!"

Ele ainda não se virou completamente, mas seus ombros enrijeceram. "Alana, não seja dramática. Sei que você está chateada, mas não quer dizer isso. Podemos consertar isso."

Consertar isso? A audácia de suas palavras acendeu uma nova onda de fúria. Minha mão encontrou uma bandeja médica descartada em um carrinho próximo. Eu a agarrei, o metal frio um conforto em minha mão trêmula. Eu a arremessei. Ela se chocou contra a parede logo depois da cabeça de Caio, o barulho ensurdecedor. Ele se encolheu, finalmente se virando, Geórgia ofegando em seus braços.

"Não me diga o que eu quero dizer!", gritei, minha voz rachando. "Eu quero dizer cada palavra, Caio! Você a escolheu! Em vez do seu filho! Em vez de mim! Você o machucou! Você o abandonou quando ele mais precisava de você!"

Seus olhos se arregalaram, finalmente registrando a profundidade da minha fúria. "Alana, acalme-se. Isso é irracional. Estou cuidando da Geórgia. Ela não está bem. E o Léo... Léo vai ficar bem. Um pequeno hematoma, só isso. Meninos precisam ser fortes."

"Um pequeno hematoma?", ri, um som amargo e quebrado. "Você torceu o braço dele, Caio! Você o fez gritar! E ficou lá, confortando-a, enquanto nosso filho jazia no chão em agonia! Como ousa! Como ousa se chamar de pai!"

Minha cabeça latejava. Senti-me tonta, mas a raiva me mantinha de pé.

Ele deu um passo em minha direção, sua expressão mudando de raiva para uma espécie de preocupação distorcida. "Alana, você está ferida. Deixe-me chamar um médico para te examinar." Ele fez menção de colocar Geórgia no chão.

Mas Geórgia, sempre a mestra manipuladora, soltou um grito agudo. "Não! Não me deixe, Caio! Ela é louca! Ela vai me machucar!" Ela se agarrou a ele com mais força, suas unhas cravando em seu terno caro.

Caio, dividido, olhou de mim para Geórgia. Aquele momento de hesitação. Era tudo que eu precisava.

Meus olhos se estreitaram. "Você quer saber o que é loucura, Caio? O que é realmente loucura? É você. É sua devoção cega a essa mulher que abandonou seu filho moribundo, que então voltou para nossas vidas, fingindo amnésia, para destruir tudo o que construímos!"

Os olhos de Geórgia, arregalados de pânico, encontraram os meus. Ela sabia. Ela sabia que eu sabia.

Ela se lançou. Uma explosão súbita e inesperada de força, um grito selvagem rasgando sua garganta. Ela arranhou meu rosto, suas unhas rasgando minha bochecha.

A dor foi aguda, imediata. Mas apenas alimentou minha fúria. Eu a empurrei para trás, com força. Ela tropeçou, caindo contra Caio, que mal conseguiu segurá-la.

"Você é uma vadia doente e perversa, Geórgia!", rosnei, limpando o sangue da minha bochecha. "Você não esqueceu o Arthur! Você o abandonou! Você o deixou para morrer, e então voltou aqui para terminar o serviço, para destruir qualquer coisa boa que Caio ainda tinha!"

Seu rosto se contorceu. "Eu não sei do que você está falando! Minha cabeça! Dói!" Ela começou a se bater, uma exibição frenética e teatral. "Eu quero morrer! Não quero me lembrar! Faça parar!"

Caio, assustado, imediatamente caiu de joelhos, tentando conter suas mãos agitadas. "Geórgia! Pare com isso! Não faça isso!" Ele estava em pânico total. "Alguém! Chame um médico! Ela está tendo um colapso!"

Ele nem olhou para mim. Nenhuma vez. Seu mundo inteiro girava em torno da crise fabricada dela.

"Alana, por favor", ele implorou, olhando para mim, seus olhos arregalados de desespero. "Apenas... nos dê um pouco de espaço. Deixe-me lidar com isso. Eu prometo, vou falar com ela. Vou fazê-la ir embora. Apenas... não agora."

Eu me encostei na parede, a adrenalina se esvaindo, deixando-me fraca e trêmula. Minha cabeça girava. O sangue do meu couro cabeludo escorria pelo meu pescoço, misturando-se com os arranhões frescos na minha bochecha. Senti o gosto de cobre.

Enquanto Caio chamava as enfermeiras, frenético, Geórgia, ainda "soluçando" e agarrando a cabeça, me lançou um olhar de ódio puro e absoluto. Uma promessa silenciosa de mais dor, mais destruição.

Eu soube então, com clareza absoluta, que este ciclo nunca terminaria enquanto eu permanecesse. Enquanto Caio permanecesse cego.

Minha mente repassou cada palavra cruel, cada desprezo calculado, cada ato manipulador de Geórgia. A maneira como ela "acidentalmente" apagava os jogos salvos de Léo. A maneira como ela "esquecia" de buscá-lo na escola, deixando-o esperando sozinho. A maneira como ela sussurrava coisas sobre a superioridade de Arthur ao alcance dos ouvidos de Léo.

E Caio. Suas desculpas intermináveis. Sua crença inabalável na fragilidade dela. Sua disposição para sacrificar o bem-estar do meu filho pelo conforto emocional dela. Sua culpa pela morte de Arthur havia criado um monstro, e ele o estava alimentando com nossas vidas.

"Vá, Caio", eu disse, minha voz mal um sussurro. "Vá cuidar da sua preciosa Geórgia. Mas quando você voltar, eu terei ido embora. E Léo também."

Ele olhou para cima, o rosto manchado de suor e lágrimas. "Alana, não. Não seja precipitada. Eu... eu vou consertar isso. Eu juro. Vou mandá-la embora. Vou garantir que ela receba ajuda. Apenas... não me deixe." Ele estendeu a mão em minha direção, mas seus olhos ainda estavam em Geórgia, que agora estava sendo gentilmente levada por duas enfermeiras.

"É tarde demais", afirmei, as palavras frias e finais. "Você sempre esteve atrasado."

Ele observou Geórgia desaparecer pelo corredor, depois voltou seu olhar para mim, a mão ainda estendida. Seu rosto era uma máscara de súplica. "Alana..."

Eu balancei a cabeça, me afastando da parede, minhas pernas instáveis. "Cansei. Não venha nos procurar."

Ele me encarou, de coração partido, enquanto eu dava um passo para trás, depois outro. Ele parecia querer dizer mais, prometer mais, mas as palavras morreram em seus lábios. Ele deixou a mão cair, derrotado.

Eu o deixei lá, emoldurado pelas luzes duras do hospital, um homem quebrado agarrando-se à memória de uma mulher que nunca o amou de verdade, sacrificando a mulher que o amava. E sacrificou nosso filho no processo.

Minha garganta estava em carne viva. Meu corpo doía. Mas meu coração sentia um vazio estranho e arrepiante. A dor não havia desaparecido, mas era diferente. Era a dor da separação, de cortar laços, de finalmente escolher a mim mesma e ao meu filho.

A escolha tinha sido brutal. Mas estava feita. E eu nunca mais olharia para trás.

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