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O BEBÊ DO PIANISTA

O BEBÊ DO PIANISTA

Autor:: Bella Mancini
Gênero: Romance
Quando Heitor, um pianista renomado, topou se casar com Daniela, acreditou que a amava e que poderiam construir um futuro juntos. Encarou a sociedade perante o preconceito de se envolver com uma mulher muito mais velha, porém não imaginava que seu maior desafio seria resistir a instantânea atração que nasceria entre ele e a jovem Bianca, filha de sua noiva. Bianca Dantas se envolveu em um romance proibido com o noivo de sua mãe e terminou grávida e com o coração partido! Depois de anos acreditando que sua filha estava morta, tudo mudará quando seu destino e o de Heitor voltar a se unir.

Capítulo 1 Primeiro Encontro

*BIANCA*

Sequer acreditei quando o avião pousou e tive a visão perfeita de minha terra natal.

Parecia loucura voltar depois de tanto tempo, mas o casamento de minha mãe me parecia ser a ocasião perfeita para relembrar tudo que deixei para trás quando resolvi morar com papai em uma cidade grande e distante do pequeno interior onde mamãe cresceu e amava.

Não era fácil aceitar que Daniela Dantas, minha querida e jovial mãe, se casaria novamente após longos anos enfatizando que os homens "não prestavam".

"Nunca se case, querida. Homem, depois que deixam nossa cama, apenas dão dor de cabeça! ".

Segui caminhando em direção ao desembarque e procurando entre as pessoas qualquer indicio de minha mãe, algo que não era fácil.

- Já não a vejo tem tantos anos que posso me considerar sortuda se a encontrar primeiro... - Sussurrei para mim e segui entre as pessoas, tentando proteger meu leopardo de pelúcia da multidão. Abaixei um pouco meus óculos quando notei ao fundo, de pé ao lado de um balcão, um homem segurando uma placa escrita com meu nome "Pequena Bianca". Sem hesitar, caminhei em sua direção - Boa tarde, senhor. Desculpe, mas quem é você?

Observei-o dos pés à cabeça, mas não pude ter uma análise muito detalhada, uma vez que o jovem homem também usava óculos de sol. Constatei, no entanto, que era muito alto, tinha cabelos claros e um corpo de quem ralava muito na academia. A placa colorida que estava em sua mão se abaixou quando me dirigi a ele.

- Você é Bianca Dantas? - Questionou e abriu um sorriso de lado.

- Não sei se posso te responder tal pergunta. Se você me disser o motivo de meu nome estar na placa, talvez possamos conversar. - Cruzei meus braços contra o peito para tentar esconder o decote do vestido preto que minha madrasta tinha insistido para que eu usasse ao viajar.

Nunca fui fã de vestidos e coisas muito femininas, mas a chegada dos vinte anos fez com que Anne, esposa de meu pai, insistisse para que eu ficasse mais adulta e me vestisse com mais formalidade.

- É um prazer te conhecer, Bianca! - Esticou a mão em minha direção, mas sequer me movi, apenas encarando-o em busca de respostas. Certamente tratava-se de um dos modelos bonitões que minha mãe contratava na agência e sempre que podia empurrava para cima de mim, desde os meus quinze anos - Sou um amigo de sua mãe, Daniela. Ela lamentou muito não poder buscá-la, pois está em uma reunião inadiável na agência e não pôde sair agora.

- Não é uma novidade que não faço parte das prioridades dela. - Suspirei e ele pareceu confuso - Mas Daniela não me disse nada sobre mandar alguém e costuma ser enfática quando o faz.

- Daniela me pediu como um favor especial. - Sua expressão era tranquila e, apesar de me parecer boa pinta, ainda fiquei com um pé atrás.

- Favor especial, é? Isso é bem a cara dela... - Olhei ao redor - Mas você ainda pode ser um maníaco sexual ou coisa do tipo. Por favor, me empreste o celular. Quero ligar para minha mãe e confirmar sua história.

- Estiquei a mão em direção a ele, que apenas olhou para minha palma aberta.

Em nenhum momento houve hesitação, pois rapidamente enfiou a mão no bolso e tirou de lá seu aparelho. Antes de colocá-lo em minha mão, deteve-se.

- Você, por acaso, não é uma ladra de celulares, é? - Não pude evitar sorrir e neguei ironicamente. O celular prateado foi posto em minhas mãos e o envolvi para discar as teclas do número de minha mãe.

O nome estava salvo na memória como "Dani" e fiz a chamada sem qualquer problema.

- Heitor, querido... - Mamãe disse do outro lado da linha - O que houve?

Capítulo 2 Pequena Bianca

- Não é o Heitor, mãe. - Ao ouvir-me dizer seu nome, ele sorriu abertamente - Sou eu, Bianca, sua filha.

- Bianca! Minha linda filha! Como você está? Já chegou no país? O que está fazendo com o telefone de meu... De Heitor?

- Apenas quero saber o motivo de você ter enviado um homem estranho para me buscar no aeroporto e não ter me dito nada! - Ele me encarava com ar engraçado, talvez por eu ter duvidado e estar constatando que sua história era real.

- Ah, querida... Fique tranquila! Heitor é muito chegado a mim. - Sua voz parecia confusa - Pode confiar nele, pois pedi que te trouxesse logo para casa.

- Tudo bem, mãe. E o velhote, já está morando com você? - Olhei para minhas unhas ao dizer, buscando ignorar o olhar atento do tal Heitor.

- Velhote? - Riu baixinho - Querida, estou em reunião, não estou em casa!

- Me refiro ao seu noivo, mãe, o velhote! Você não se ofende que eu o chame assim, não é? Se fui indelicada, me perdoe. É apenas uma brincadeira... Não quero ter atritos com meu segundo pai. - Heitor seguia parado em minha frente com uma expressão confusa, mas engraçada, algo que eu não conseguia desvendar, de fato.

- Está tudo bem, querida. Vejo que hoje teremos muitas surpresas, mas agora preciso desligar. Obedeça ao Heitor, pequena Bianca! - Tirei o celular do ouvido e fitei o estranho conhecido que estava prostrado frente a mim.

- "Obedeça ao Heitor, pequena Bianca". - Heitor repetiu a última frase de minha mãe com a mão estendida e reivindicando seu celular.

- Pequena Bianca é um apelido de infância, se quer saber. - Passamos a caminhar ao lado - Ninguém me chama assim, apenas mamãe.

- Como acabei de te conhecer, acho que mereço um crédito. - Apontou para o bicho de pelúcia que eu carregava em meus braços e não pude evitar corar.

- Nada de pequena Bianca, por favor! - Pedi um tanto envergonhada.

Heitor me ajudou a levar as malas para o carro e sequer precisei perguntar se era dono do bonito modelo estacionado em um lugar privilegiado, pois a luz das travas brilharam quando Heitor apertou o botão no controle da chave que carregava em mãos. Abriu a porta para mim, em seguida, e me apontou - Avante, pequena Bianca.

Entrei com meu animal de pelúcia em mãos e a porta foi fechada. Um aroma deliciosamente másculo invadiu meus sentidos como uma pancada forte e lá estava ele, ao meu lado, acomodando-se no banco da direção.

- Então, grande Heitor... De onde conhece minha mãe? - A pergunta pareceu colocá-lo para pensar.

- Sua mãe é basicamente a melhor amiga de minha tia. Nos conhecemos através dela.

- Cheguei a pensar que você fosse um dos modelos da agência de minha mãe. Sabe, ela costuma escolher os melhores para servirem em sua vida pessoal. - Após o silêncio ensurdecedor por parte dele, passei a observar as estradas e me parecia incrível como tudo estava igual à quando fui morar com meu pai, ainda criança - Você é daqui?

- Sou. Você também é. - Afirmou com os olhos fixos na estrada a sua frente.

- Como sabe disso?

- Daniela me contou... Falamos muito de você, Bianca.

- Daniela falando de mim? - Cruzei os braços - Posso saber o quê?

Capítulo 3 Atração repentina

- O melhor passatempo de Daniela é falar sobre você. - Sincero, tinha um sorriso nos lábios ao dizer - Sei que você tem medo de água porque se afogou na piscina de sua avó aos seis anos. Sei que aos quinze anos era motivo de piada no colégio por usar um aparelho dentário horrível e não ter seios... - Corei e me afundei no banco - Ah, também sei que é alérgica a mel e odeia cerejas.

- Parece que você sabe mesmo sobre mim e mamãe adora me constranger, como de costume! - Pousei o braço na janela e desviei o olhar do dele - Contou até sobre meu trauma com os seios! Não posso esperar mais nada positivo vindo dela... - Heitor riu sonoramente.

- Não se preocupe! Comigo seus segredos estarão bem guardados, posso prometer.

- Vejo que vocês são bem amigos. - Dei uma ênfase na palavra "bem" - Então acredito que você conheça o senhor que ela namora, não é? Quero dizer, o meu novo padrasto... Você o conhece?

Heitor paralisou por alguns instantes, antes de prosseguir.

- Sim, o conheço. - Assentiu levemente, ainda concentrado em dirigir.

- Mamãe não tem jeito! Sei que somente vai se casar para pôr a mão no dinheiro do coitado! Ela passou a vida repudiando casamento e agora quer se casar com um milionário? - Balancei a cabeça de maneira indignada - Isso porque ela dizia que jamais se casaria por dinheiro, hein? - Heitor continuava com expressão relaxada enquanto dirigia - Aposto que ele tem uma doença terrível ou mais de oitenta anos e vai logo partir. Não há outro motivo para mamãe querer casar aos quarenta e nove anos!

- Não existe idade para o amor, Bianca. - Sua voz soou grave - Isso é algo incontestável.

- Oh, eu sei! - Tirei meus óculos de sol da face - Mas minha mãe não ama esse homem e isso eu posso garantir. Daniela ama somente a ela mesma.

Não demorou até chegarmos na garagem da casa de minha mãe, uma luxuosa propriedade aos arredores da pequena cidade. Heitor estacionou o carro com cuidado e se voltou para mim assim que o fez, avaliando meu rosto minunciosamente.

- Você não se parece com Daniela... - Tinha o olhar fixo em minha face por trás dos escuros óculos dele - Em nada, realmente.

Algo indescritível me fez paralisar enquanto Heitor me estudava o rosto cuidadosamente. Senti as bochechas corando e pigarreei pelo desconforto que senti quando certo calor me dominou o corpo, dos pés à cabeça.

- Me pareço com papai. Pelo menos é o que dizem... Podemos ir?

Desci do carro com a ajuda dele e, ao firmar os pés no chão, dei um giro completo pelo lugar. Tratava-se da mesma vista de antes, aquela guardada em minha mente. Aquela era a casa que deixei aos dez anos para morar com papai, a antiga mansão de meus pais, um renomado médico que se casou com uma modelo famosa.

Ambos viveram um casamento tortuoso, tiveram uma filha e tudo piorou. No fundo, eu sabia que parte da culpa era minha. Talvez o fato de nunca ter me dado bem com Daniela influenciou meu pai a deixar tudo e me levar com ele. Tudo que ele não queria era continuar sofrendo ao lado da tempestuosa Daniela e também me tirou de sua mira.

Apesar de tudo, ainda ficávamos juntas em minhas férias de verão em todos os anos e nos encontrávamos por ela ser minha mãe, não por minha livre vontade.

Eu a amei, amo e sempre irei amar, mas dentro de mim, sinto como se Daniela fosse uma irmã mais velha ou uma tia inconsequente. Não tínhamos um vínculo grande e a palavra maternidade não se encaixa no vocabulário dela. Em meu mundo, minha única mãe era minha madrasta Anne e nada parecia mudar essa percepção.

Nossa relação, além de tudo, era uma grande amizade. Conversámos sobre homens, sobre minha virgindade, o sexo em si e meus planos para quando finalmente minha vida desprender da barra das calças de meu pai.

Eu a respeitava e amava, talvez não como aos olhos de uma filha, mas como uma melhor amiga. A melhor amiga que há vinte anos me deu a vida.

- Ainda é como você se lembra? - Ouvi a voz dele ecoando atrás de mim, quase colada ao meu ouvido. Um arrepio estranho percorreu todo meu corpo e me movi com a sensação.

- Sim, está exatamente igual...

Para me livrar de sua proximidade, caminhei em direção a casa e Heitor, de maneira educada, abriu a porta para mim. Sua gentileza o tornava formidável, mas tentei não me impressionar, principalmente por perceber a maneira diferente como me olhava.

De fato, era lindo, mas eu não tinha experiência com homens e não estava disposta a arrumar problemas com os "amigos" de minha mãe. A maioria não costumava prestar, apesar de Heitor parecer ser diferente dos demais.

- Você sabe quando Daniela chega? - Questionei ao entrar na casa familiar e me sentar no sofá confortável.

- Após o almoço, acredito. - Heitor parou ao lado da janela de vidro aberta com as mãos enfiadas nos bolsos. A paisagem me permitia ver o jardim e a pequena plantação de flores coloridas em meio a ele.

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