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O Bebê Secreto da Cupido

O Bebê Secreto da Cupido

Autor:: Chloe Reymond
Gênero: Romance
Um herdeiro. Uma "mãe" má. Um anjo. Daniel se apaixonou por Crystal, a garota que seu pai adotou. Tudo que ele mais desejava era viver esse amor. Porém sua mãe a odeia com todas as forças causando um mal entendido que afasta os dois. Crystal, grávida e sem memória de quem é o pai, foge para longe da mulher que a odeia e do homem que supostamente a despreza. Mas o destino é traiçoeiro e coloca Daniel novamente frente a frente com a mulher que ocupa seu coração... e com ela uma criança que pode ser sua filha. * Pode conter gatilhos.

Capítulo 1 I - A cupido

No céu azul, grandes e belas asas brancas se destacavam. Crystal voava observando as pessoas pequenininhas lá embaixo. Todos os cupidos eram chamados pela sequência em que foram criados, mas alguns não gostavam e Crystal fazia parte desse pequeno grupo. Eles se chamavam pelos nomes que escolhiam. Ela escolheu esse nome por causa da pedra brilhante que carregava no pingente que continha o seu número de identificação. Ela era o cupido de número 325.

Voava despreocupadamente em busca de almas gêmeas para unir. Precisava unir o dobro dos seus colegas para pagar a sua penitência. Havia sido repreendida pela enésima vez por unir casais que não são almas gêmeas. Às vezes sentia ímpetos de rebeldia e sempre era repreendida. O resultado era que tinha que desfazer a união incorreta e unir as almas gêmeas com os seus verdadeiros pares.

Se os humanos soubessem que grande parte dos divórcios se dava por conta de brincadeiras entre os cupidos ficariam revoltados.

Mesmo com a sua punição, fazia dias que Crystal não acertava a sua flecha em um humano. Não sentia vontade de procurar por almas gêmeas para uni-las. Faltava alguma coisa que ela não sabia o que era. Vinha sentindo isso há muito tempo, mas nos últimos dias o sentimento se intensificou.

Pensou em fazer alguma travessura novamente unindo pessoas que jamais poderiam ficar juntas, mas nem isso a atraia.

Passou um tempo sobrevoando acima das nuvens, de onde podia ver sem ser vista, até que algo chamou a sua atenção. Uma família composta de três pessoas: uma mulher, um homem e um bebê, faziam piquenique em uma clareira atrás de um pequeno sítio. Eles pareciam tão felizes.

Curiosa, Crystal apertou o pingente em seu pescoço, concentrada em se manter invisível aos olhos humanos, e desceu até onde a família estava. Enquanto cobrisse o pingente com as mãos eles não poderiam vê-la.

Permaneceu horas observando-os e quando eles se foram não conseguiu se afastar, então os seguiu.

Viu a mãe trocar a frauda e dar banho no bebê que tinha uma pequena marca de nascença em formato de estrela no bumbum. Viu o pai contando histórias para o filho e, depois que o bebê dormiu, indo descansar nos braços da esposa.

"Eu quero isso! Quero crescer em uma família. Quero saber como é ser amada. Quero saber como é amar. Quero saber como é segurar um filho nos braços. Quero saber o que os humanos sentem ao se fundirem em um só." - pensou animada e ao mesmo tempo temerosa sobre as suas chances de conseguir realizar tal desejo.

Rapidamente ela voltou para entre os seus em busca do arcanjo Anael.

O lugar onde existiam era como um sonho de um humano criativo. Muito branco, paz e anjos voando em busca de realizar as missões que lhes eram designadas. Não havia casas, pois não precisavam descansar, comer ou dormir. Por causa da constante falta de cor, muitos usavam as suas missões como forma de buscar a vivacidade que pertencia apenas aos humanos.

Antes que Crystal encontrasse Anael, ele a encontrou e, com os braços cruzados, questionou:

- Qual vai ser a desculpa de hoje?

- Quero ser humana! - Crystal declarou empolgada.

- Não é uma desculpa. - Anael permaneceu inabalável. - Tive acesso aos seus pensamentos e ações de hoje. Quer mesmo isso?

- Quero sim. Eu posso? - mal conseguia controlar a ansiedade. Estranhamente, alguns anjos desenvolviam sentimentos inerentes aos mortais. Era algo que nenhum deles conseguia explicar.

- Por um preço. Todos os seres celestiais têm a chance de viver como humano, mas precisam pagar por isso. - Anael explicou. Já tinha escutado pedidos de vários anjos curiosos sobres os humanos. Geralmente tinha finais trágicos, mas ele não podia negar. Errar também era direito dos anjos. O Pai os permitia experimentar o livre arbítrio pelo menos uma vez em suas existências.

Crystal nem precisava responder. Anael já sentia que ela estava disposta a qualquer coisa para conseguir realizar o tal desejo.

Talvez isso a ajude a se encontrar - pensou um pouco preocupado com o que poderia acontecer com ela. Os cupidos eram puro amor, pouco ou nada conheciam dos outros sentimentos humanos.

Decidido a ajudar na aventura de Crystal, ele começou a explicar tudo que ela precisava saber para viver entre os mortais.

Capítulo 2 II – Orfanato

Pessoalmente, Anael deixou a pequena cesta com a bebê Crystal na porta de um orfanato. Junto com a bebê, deixou um pequeno bilhete onde descrevia o pedido de pais que amam a criança, mas não tinham condições de criá-la. Incluiu no bilhete um pedido para que conservassem o nome Crystal e que entregassem a ela o pingente de cristal que deixou na cesta, quando ela crescesse o bastante para usá-lo sem o risco de acidentes.

- Você vai lembrar de tudo e poderá voltar quando quiser - disse sorrindo para a bebê antes de sair.

A pequena Crystal foi acolhida e passava os seus dias, meses e anos no orfanato Raio de Sol.

Por causa de uma campanha de doações da empresa, a família Garret marcou uma visita ao orfanato Raio de Sol.

Lino Garret, sempre que possível, fazia questão de participar das entregas das doações. Se sentia bem em ver os sorrisos que pequenas coisas podiam proporcionar. Hannah Garret acompanhava o marido, apesar de não gostar nem um pouco de estar entre pessoas que considerava inferiores; isso incluía qualquer pessoa abaixo do seu nível social.

Daniel, o único filho deles, estava com seis anos; e logo que chegou ao local se encantou pela menina de cabelos vermelhos e cacheados, que passou correndo em direção aos brinquedos.

Eles começaram a brincar no parquinho do orfanato entre outras crianças.

Logo o senhor e a senhora Garret foram em busca do filho.

Encantado com as características inusitadas da pequena, Lino perguntou, se ajoelhando para ficar à altura dela:

- Qual é o seu nome, minha linda?

- Crystal - respondeu com sua melodiosa voz infantil.

- Que nome lindo! O meu nome é Lino. Quantos anos tem, Crystal?

Lino se perguntava como uma criança tão linda não foi adotada, quando Crystal respondeu sem titubear:

- Da minha existência, devo estar chegando aos quatrocentos, mas como humana vou fazer cinco.

Ao ouvir suas estranhas palavras, Hannah puxou Daniel e olhou para o marido, sinalizando para se afastarem. Poderia ser uma criança louca.

Lino apenas sorriu. Amava crianças e o quanto podiam ser criativas.

- É mais velha que eu - comentou. Não conseguia se afastar, os olhinhos cinzentos de Crystal o prendia.

- Apenas como anjo - Crystal gostou dele. Era o primeiro adulto que não a repreendia por dizer quem era.

- Que tipo de anjo você é?

- Um cupido.

- Que legal! E gosta de ser um cupido?

- Quase sempre. Às vezes é chato.

- E gosta de conversar comigo?

Como resposta, ela balançou a cabeça fazendo os cachos cobrirem parcialmente o seu rosto.

Lino estava muito tentado a adotar a criança a sua frente. Sentia que a menina precisava de ajuda para não se perder na fantasia e parecia que o orfanato não oferecia a assistência necessária.

Decidiu conversar com a esposa sobre o seu desejo.

- Voltarei em breve para conversarmos mais. Agora, minha família e eu precisamos ir - se despediu de Crystal.

- Até breve, senhor!

- Pode me chamar de Lino.

- Até breve, senhor Lino.

Sorrindo, Lino se afastou. Segurava uma mão de Daniel enquanto Hannah segurava a outra. O tempo todo o menino se virava para sorrir para Crystal que acenava para ele.

Quando chegou ao sítio onde moravam, Lino chamou a esposa para uma conversa.

- Querida, fiquei tentado a adotar aquela menina.

- Ela é tão estranha. Por que pensou nisso? - Hannah sabia pelo tom de voz do marido que não tinha chance de fazê-lo mudar de ideia.

- Nós não podemos mais ter filhos e eu queria que o Daniel tivesse alguém com quem crescer. Um irmão seria bom para o desenvolvimento do caráter dele.

- Nesse caso, uma irmã - Hannah o corrigiu. Recordava claramente o motivo pelo qual não podiam ter mais filhos; a aparição de miomas , após o parto de Daniel, levaram os médicos a optarem pela retirada do seu útero.

Alheio aos pensamentos nostálgicos da esposa, ele respondeu:

- Sim. É até melhor porque ele vai se sentir o irmão mais velho de uma menina. Isso ajuda muito a desenvolver o sentimento de responsabilidade.

- Não sei. Não sabemos nada sobre aquela garota. Ela parecia ter problemas mentais.

Decidido a adotar a garotinha, Lino jogou uma isca:

- É que eu estava pensando em colocar a ilha no nome de Daniel como presente de aniversário quando ele fizer dezesseis anos, mas sinto que não vai ser bom para ele ser filho único. Temo que se torne irresponsável e não posso colocar algo tão grande nas mãos de alguém assim, mesmo que seja nosso filho.

Lino temia que o filho se tornasse alguém sem caráter, pois a mãe o mimava demais.

Completamente fisgada pela promessa de ter a ilha no nome do filho, Hannah disse:

- Pode me dar alguns dias para estudar essa adoção? Vou conversar com algumas amigas que já fizeram isso.

- Claro, querida! É uma decisão importante que devemos decidir juntos. Jamais farei algo que possa nos prejudicar.

Hannah o abraçou e disse:

- Agora vou dar uma olhada no nosso anjinho. Ele está na fase onde só sente curiosidade pelas coisas perigosas, principalmente as afiadas ou que envolvem energia elétrica.

Lino beijou seus lábios e o seu rosto antes de responder sorrindo:

- Vou com você. Quero te ajudar a dar banho nele.

De mãos dadas, o casal saiu da biblioteca em busca do filho que estava com a babá no quintal.

Capítulo 3 III – Família

Três semanas depois da visita da família Garret ao orfanato, Crystal entrou no sítio.

Era oficialmente filha de Lino Garret.

Mas ela percebeu cedo que não era querida pela mãe e que seu irmão, quase sempre, seguia a linha que ela desenhava. Ainda assim, a menina se concentrava em guardar apenas as lembranças boas de cada dia vivido entre a família Garret.

Poucos dias após chegar à casa, Crystal descobriu que ainda tinha as suas asas, bastava apertar o pingente que havia recebido no dia em que Lino foi buscá-la.

A primeira vez aconteceu quando ela estava sozinha na beira do lago. Com saudade dos outros cupidos, apertou a pequena pedra e se surpreendeu ao ver a sua imagem refletida no lago. Suas asas estavam de volta. Ela soltou a pedra para tocar as penas, mas as asas sumiram. Então apertou novamente a pedra e lá estavam, lindas e brancas, outra vez.

Com cuidado para não soltar a pedra ela tocou suas penas com a mão livre. A sensação a fez chorar de saudade e de felicidade, pois além das lembranças carregava no corpo um pedaço de quem realmente era.

Ela guardou para si esse segredo, mas um dia estava brincando com Daniel no jardim e não resistiu ao ímpeto de mostrar as suas asas para o irmão. Daniel, na época, estava com oito anos e ela com sete.

- Quer saber um segredo? - ela perguntou deixando de lado o buraco que abria com as mãos nuas para plantar algumas sementes que achou pelo sítio.

Daniel, que abria um buraco ao lado do dela, perdeu todo o interesse na atividade.

- Quero - respondeu curioso sobre o segredo.

- Tá, mas tem que prometer que não vai contar para ninguém. Nem mesmo para os nossos pais.

- Prometo.

- Melhor eu te mostrar - disse enquanto olhava para todo lado confirmando se a babá ou outra pessoa estava por perto. - Não se assuste.

- Não me assusto com nada. Pode mostrar.

Ela então apertou a pedra do pingente.

Daniel arregalou os olhos e deu alguns passos para trás. Ficou maravilhado com as gigantescas asas de penas brancas da menina.

- É verdade! Você é um anjo! Mamãe disse que era mentira. - A sua voz deixava claro todo o seu espanto.

- Eu não minto - Crystal resmungou e soltou a pedra.

- O que fez com elas? Doí quando aparece? - o garoto estava no limite da curiosidade. Queria saber tudo e ao mesmo tempo.

Crystal riu da sua empolgação com algo que para ela era natural.

- Somem quando solto a pedra do pingente. E não doí. É natural como abrir os braços.

Ele ia falar algo mais, porém o grito da babá chamando por eles fez com que Crystal repetisse:

- Não conte para ninguém. - E saiu correndo em direção a voz da babá. As sementes ficariam para depois.

Daniel a seguiu, mas passou o dia todo pensando no motivo pelo qual não tinha asas. Se perguntava se realmente só os anjos e os pássaros podiam ter. Queria saber de onde surgiam os anjos e se podia se tornar um.

Quando a sua mãe foi conferir se ele fez as atividades da escola, Daniel acabou questionando:

- Mãe, como surgem os anjos?

Alheia aos motivos da pergunta, ela simplesmente respondeu:

- Os meus pais costumavam me contar que anjos são pessoas boas que, ao morrer, se tornam seres celestiais para proteger as pessoas.

Ele ficou pensativo e ela declarou:

- Termine o seu dever e desça para jantar.

- Sim, senhora. Já estou quase terminando - mentiu. Não conseguia se concentrar.

E assim foi até o dia seguinte quando, por acaso, ele viu um vídeo onde um anjo era empurrado de um prédio e suas asas se abriam no meio do caminho.

Não pensou duas vezes, sequer pensou na loucura que era imaginar que poderia ter asas como Crystal. Correu até uma das árvores do jardim, subiu e se jogou.

Como resultado ele precisou usar gesso nos braços por vários dias. Além de sofrer com várias escoriações pelo corpo.

Quando Hannah perguntou o motivo pelo qual ele pulou, ele chorou e questionou:

- Por que não tenho asas como a Crystal?

As palavras dele deixaram Hannah furiosa. Ela nem quis saber o motivo pelo qual o menino acreditava que a irmã adotiva tinha asas, simplesmente queria alguém para culpar e odiar.

Resultado: Crystal ficou de castigo por um mês.

Foi o primeiro de muitos castigos.

Por causa do incidente e do castigo de Crystal, a família quase desistiu do fim de semana na praia que haviam programado para o fim daquele mês, mas, depois de muita insistência das crianças, os pais acabaram cedendo. Os braços de Daniel já estavam livres do gesso.

A casa onde passariam o fim de semana era na ilha que Lino pretendia colocar no nome de Daniel. Uma bela casa onde na construção prevalecia madeira e vidro.

Partiram na sexta-feira de manhã.

Crystal era a mais empolgada. Queria muito descobrir a sensação da água do mar em seu corpo humano. Trajada com um biquini rosa e muito protetor solar foi a primeira a entrar nas ondas. Se assustou um pouco com a força com a qual a água a derrubava e não gostou muito da água salgada em seus olhos, mas ainda assim não conseguia ter vontade de sair. A sensação era viciante.

Logo Daniel se juntou a ela, e eles só saíram da água quando os pais chamaram para comer as coisas que levaram para o piquenique.

Depois de comer, as crianças se sentaram embaixo de um guarda-sol com pequenas pás e baldes. Os pais disseram para fazerem castelos de areia, pois só poderiam voltar para a água depois de uma hora.

Depois de um tempo cavando, Daniel disse empolgado:

- Olha o que eu achei! - estendeu uma correntinha prateada na frente do rosto.

- Que linda! Vai ter uma correntinha especial, assim como eu. - Crystal tocou a correntinha do irmão.

Rapidamente Daniel teve uma ideia.

- Vamos trocar? - sugeriu olhando com cobiça o pingente no pescoço dela.

Instintivamente, Crystal fechou a mão ao redor da pedra, mas tirou ao ver a expressão dele. Os olhos do garoto denunciaram que as suas asas apareceram. Felizmente ninguém estava olhando.

- Não posso. Esse pingente é parte de mim - declarou.

- Quanta bobagem! - sem aviso, Daniel puxou com força o colar do pescoço da irmã e, assim que conseguiu arrancar, jogou a sua correntinha na areia perto dela. - Fica com essa aí. É a minha vez de ser anjo.

Crystal tentou tomar dele, mas o menino foi esperto e correu para perto da mãe. A menina começou a chorar copiosamente, mas Daniel escondeu o objeto e jurou para os pais que não fez nada. Também mentiu que tinha dado a ela a correntinha que achou porque ela perdeu a dela. O garoto nem tentou justificar a marca que ficou no pescoço da menina, simplesmente disse que não sabia o que era.

Hannah deu a história por encerrada e Lino se viu de mãos atadas diante da convicção do filho. Tentou argumentar com a menina que compraria um pingente novo igual ao que ela tinha. Crystal simplesmente chorou até cansar.

O resto do fim de semana perdeu a graça. Lino incomodado com a possibilidade de o filho estar mentindo, Hannah com enxaqueca, Crystal rondando triste pela praia e Daniel preso no quarto apertando o pingente na frente do espelho e com raiva porque nada acontecia.

Voltaram para o sítio na segunda-feira de manhã. A rotina recomeçou, mas Crystal continuava cada vez mais triste. E ver que Daniel pegou a correntinha que achou e estava usando as duas a deixava mais triste. Tanto que ela acabou ficando doente.

Quando viu o médico sair do quarto da irmã, Daniel perguntou a mãe:

- Por que o senhor Hernandes estava no quarto da minha irmã?

- Crystal está com um resfriado. Nada sério.

- Vou ver ela. - Ele se virou para correr até o quarto de Crystal, mas a mãe o segurou pelo braço.

- Não, meu filho. Sua irmã está descansando. Logo ela vai ficar boa. - Lino, que chegou na hora, respondeu pela esposa. No fundo, ele ainda tinha dúvidas sobre a história do pingente na praia. Queria ter certeza de que o filho não faria maldades contra a irmã.

Daniel não ficou muito satisfeito com a resposta. A noite, entrou sorrateiramente no quarto da irmã e a encontrou dormindo.

Ele ficou um longo tempo olhando a irmã e se sentindo culpado por ela estar doente. Acreditava que perder o pingente a deixou daquele jeito.

Impulsivamente a balançou e chamou até acordá-la.

- O que foi? - a menina questionou sonolenta.

- Toma. - Ele estendeu o pingente na direção dela. - Desculpa.

Crystal rapidamente pegou o objeto da mão dele. Só depois perguntou:

- Por que está me devolvendo?

- Porque não funciona comigo e não quero que fique doente.

- Obrigada! - a tristeza de Crystal sumiu instantaneamente.

- Agora chega para lá. Vou cuidar de você.

A menina deu espaço para ele subir na cama. Daniel colocou a mão na cabeça dela imitando o que a mãe fazia com ele. Como não sabia o que procurar, apenas segurou a mão da irmã e dormiram juntos.

No dia seguinte, nem lembravam mais do desentendimento na praia. Crystal voltou a usar o seu pingente e Daniel adotou a correntinha que achou na praia, não tirava para nada.

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