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O Beijo Que Custou Uma Vida

O Beijo Que Custou Uma Vida

Autor:: Mu Xiao Ou
Gênero: Xuanhuan
Hoje, no nosso quinto aniversário de casamento, Thiago finalmente me beijou. Meu coração tolo se encheu de uma esperança que eu achei que estava morta. Mas então, ele se afastou, seus olhos frios, e pediu: "Luana, preciso que você doe sangue." A esperança murchou, porque eu sabia para quem era – Laura, a mulher que ele amava. De repente, memórias vívidas me atingiram. Não eram imagens, mas lembranças de uma vida passada, de um destino cruel. Lembrei-me de Laura sorrindo enquanto um cronômetro marcava segundos na bomba em meu colo. Lembrei-me do meu carro explodindo, e mesmo assim, Thiago ligando para pedir meu sangue para ela. Eu renasci, e toda a dor, humilhação e traição da minha vida anterior vieram à tona. O homem à minha frente não era meu marido, mas um monstro que me observou morrer. Sua voz fria repetiu: "Laura precisa. O médico já está esperando." Foi o sangue que ele me pedia repetidamente, as "emergências" que nunca eram para um banco de sangue, mas sempre para ela. Eu era sua bolsa de sangue pessoal. A compreensão me afogou em raiva e desespero. Olhei para ele, o homem que me deixou morrer, e disse: "Não." Sua frieza se transformou em fúria. "Luana, isso não é um pedido." "Eu não me importo", respondi, sentindo o gosto amargo na boca. Meu corpo, já fraco, cedeu. Enquanto a escuridão me engolia, um único pensamento permaneceu: Desta vez, vai ser diferente.

Introdução

Hoje, no nosso quinto aniversário de casamento, Thiago finalmente me beijou.

Meu coração tolo se encheu de uma esperança que eu achei que estava morta.

Mas então, ele se afastou, seus olhos frios, e pediu: "Luana, preciso que você doe sangue."

A esperança murchou, porque eu sabia para quem era – Laura, a mulher que ele amava.

De repente, memórias vívidas me atingiram.

Não eram imagens, mas lembranças de uma vida passada, de um destino cruel.

Lembrei-me de Laura sorrindo enquanto um cronômetro marcava segundos na bomba em meu colo.

Lembrei-me do meu carro explodindo, e mesmo assim, Thiago ligando para pedir meu sangue para ela.

Eu renasci, e toda a dor, humilhação e traição da minha vida anterior vieram à tona.

O homem à minha frente não era meu marido, mas um monstro que me observou morrer.

Sua voz fria repetiu: "Laura precisa. O médico já está esperando."

Foi o sangue que ele me pedia repetidamente, as "emergências" que nunca eram para um banco de sangue, mas sempre para ela.

Eu era sua bolsa de sangue pessoal.

A compreensão me afogou em raiva e desespero.

Olhei para ele, o homem que me deixou morrer, e disse: "Não."

Sua frieza se transformou em fúria. "Luana, isso não é um pedido."

"Eu não me importo", respondi, sentindo o gosto amargo na boca.

Meu corpo, já fraco, cedeu.

Enquanto a escuridão me engolia, um único pensamento permaneceu: Desta vez, vai ser diferente.

Capítulo 1

Hoje marcava o quinto aniversário do meu casamento.

Cinco anos. Mil oitocentos e vinte e cinco dias.

Eu estava casada com Thiago há cinco anos, e ele nunca tinha me beijado.

Esta noite, sentada em frente a ele na mesa de jantar que eu preparei com tanto cuidado, a luz das velas dançando em seu rosto bonito, mas frio, ele se inclinou.

Pela primeira vez, Thiago me beijou.

O beijo foi leve, quase imperceptível, um toque gelado em meus lábios. Meu coração, que eu pensei que tinha morrido há muito tempo, deu um salto doloroso. Uma esperança tola e teimosa floresceu no meu peito.

Talvez, depois de cinco anos, ele finalmente estivesse me vendo.

Mas então ele se afastou, seus olhos escuros e impenetráveis fixos nos meus. Sua voz era baixa e sem emoção, como sempre.

"Luana, preciso que você doe sangue."

A esperança murchou e morreu instantaneamente.

"De novo?", perguntei, minha voz um sussurro. "O médico não disse que meu corpo já está no limite? Da última vez..."

"Desta vez é diferente", ele me cortou, sua paciência claramente se esgotando. "São 800ml."

O ar saiu dos meus pulmões. Oitocentos mililitros. Era uma quantidade perigosa, letal. Nenhuma pessoa sã pediria isso.

"Thiago, isso... isso pode me matar", eu disse, o choque me deixando tonta.

Ele não vacilou. Seus olhos permaneceram frios como gelo. "Laura precisa. A condição dela piorou."

Laura.

O nome pairou no ar entre nós, pesado e venenoso. Laura, a estudante universitária que ele protegia com uma ferocidade que nunca me mostrou. Laura, a mulher que todos sabiam que ele amava. A razão pela qual nosso casamento era uma farsa.

De repente, uma dor aguda atravessou minha cabeça. Não era uma dor comum, era algo mais profundo, uma fratura na própria realidade. A sala começou a girar, e as velas na mesa se transformaram em chamas altas e furiosas.

Uma imagem explodiu na minha mente.

Eu estava em um armazém abandonado, amarrada a uma cadeira. Laura estava na minha frente, seu rosto doce contorcido em um sorriso vitorioso. "Luana, você não entende? Thiago nunca te amou. Ele só se casou com você por causa da sua família. O coração dele sempre foi meu."

Thiago estava lá também, parado nas sombras, seu rosto impassível.

"Thiago, me ajude!", eu gritei, a voz rouca de pânico.

Ele não se moveu. Ele apenas observou enquanto Laura colocava uma bomba com um cronômetro no meu colo.

"Tic-tac, Luana", ela cantou. "É o fim da linha para você."

A imagem mudou. Eu estava em um carro, dirigindo desesperadamente em uma estrada escura e chuvosa. Meu telefone tocou. Era Thiago.

"Luana, onde você está? Laura sofreu um acidente. Ela precisa de sangue. O tipo de sangue raro dela... só você tem."

Eu pisei no acelerador, a preocupação superando a dor da traição. "Estou a caminho do hospital!"

Então, a explosão. Um clarão branco, uma dor excruciante, e depois, nada.

Eu voltei a mim, ofegando, o suor frio escorrendo pela minha testa. Eu estava de volta à mesa de jantar. Thiago ainda me encarava, sua expressão se tornando impaciente.

Não era uma imagem. Era uma memória.

Eu renasci.

Eu vivi essa vida antes, e ela terminou em fogo e traição. Toda a dor, toda a humilhação, todo o amor não correspondido... eu passei por tudo isso antes. E agora, o ciclo estava começando de novo.

Meu corpo inteiro tremia. Eu olhei para Thiago, mas não vi mais o homem que eu amava desesperadamente. Eu vi um monstro. Um homem que me observou morrer.

"Laura precisa", ele repetiu, sua voz me tirando do meu transe aterrorizante. "O médico já está esperando."

O sangue que eu doei. Todas as vezes. As "emergências médicas", as "doações anônimas" que ele me pedia para fazer. Nunca foi para um banco de sangue. Foi sempre para ela. Ele estava me usando como uma bolsa de sangue pessoal para a mulher que ele amava.

A compreensão me atingiu como uma onda gelada, me afogando em desespero e raiva.

Eu olhei para ele, o homem a quem dediquei cinco anos da minha vida, o homem que me deixou para morrer. O amor no meu coração se transformou em pó, substituído por um ódio profundo e gelado.

"Não", eu disse, minha voz surpreendentemente firme.

Uma ruga apareceu entre suas sobrancelhas. "O que você disse?"

"Eu disse não."

A frieza em seus olhos se transformou em fúria. Ele nunca gostou de ser contrariado.

"Luana, isso não é um pedido."

"Eu não me importo", eu respondi, o gosto amargo da bile subindo pela minha garganta.

A pressão na minha cabeça se intensificou. Meu corpo, já fraco por doações anteriores, não aguentou o choque. Minha visão escureceu nas bordas. A última coisa que vi antes de desmaiar foi o rosto de Thiago, não com preocupação, mas com desprezo e irritação. Ele estava zangado porque sua bolsa de sangue estava sendo desobediente.

Enquanto a escuridão me engolia, um único pensamento claro permaneceu.

Desta vez, vai ser diferente.

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Capítulo 2

Eu acordei com o cheiro familiar de antisséptico. As paredes brancas e o bipe constante de uma máquina ao meu lado confirmaram que eu estava em um hospital.

Fiquei lá por dois dias. Thiago não apareceu. Nem uma vez.

Não me surpreendeu. Na minha vida passada, ele também me ignorou. Sua preocupação era apenas com Laura.

Desta vez, a indiferença dele não me machucou. Pelo contrário, me deu clareza. A enfermeira me disse que eu estava severamente anêmica e sofria de exaustão. Se eu tivesse doado mais sangue, teria morrido.

A ironia era dolorosa. Ele estava disposto a me matar para salvar outra mulher.

Quando recebi alta, a primeira coisa que fiz não foi ir para casa. Peguei um táxi e fui para a universidade. Eu precisava vê-la. Eu precisava ver a mulher por quem Thiago me destruiu, duas vezes.

Encontrei Laura facilmente. Ela estava sentada sob uma árvore no campus, lendo um livro. Parecia exatamente como eu me lembrava das fotos que Thiago guardava: jovem, bonita, com um ar de inocência e fragilidade que a fazia parecer uma boneca de porcelana. Ela usava um vestido branco simples e seu cabelo comprido caía sobre os ombros.

Ela parecia... gentil.

Isso tornou tudo mais difícil. Era mais fácil odiar um monstro óbvio. Mas Laura parecia a personificação da doçura.

Eu a observei de longe, meu coração uma pedra de gelo no peito. Eu estava prestes a ir embora quando um garoto de skate passou em alta velocidade, perdendo o controle. Ele estava vindo direto na minha direção.

Eu congelei, meu corpo ainda fraco demais para reagir a tempo.

De repente, alguém me empurrou para o lado com força. Eu caí na grama, e a pessoa que me empurrou caiu ao meu lado com um grito de dor.

Era Laura.

O skate tinha atingido sua perna. Ela estava no chão, o rosto pálido de dor, segurando o tornozelo.

"Você está bem?", ela perguntou, sua voz trêmula, mas seus olhos cheios de preocupação genuína. Comigo.

Eu fiquei chocada. Ela se machucou para me salvar. A mulher que, na minha vida passada, sorriu enquanto uma bomba contava os segundos para a minha morte, acabou de me salvar de um acidente estúpido.

Minha mente girou. Isso fazia sentido? As memórias estavam erradas? Ou isso era apenas outra forma de manipulação, mais sutil e confusa do que antes?

"Eu... eu estou bem", gaguejei, me levantando. "Você está machucada."

"Não foi nada", ela disse, tentando sorrir, mas fazendo uma careta de dor. "Fico feliz que você não tenha se machucado."

Eu a ajudei a se sentar em um banco próximo. Seu tornozelo já estava inchando. A sinceridade em seus olhos me desarmou. A linha entre vítima e vilã ficou turva, e eu me senti perdida.

Mas então eu me lembrei do fogo. Lembrei-me do desprezo de Thiago. Não importava se Laura era um anjo ou um demônio. O problema era Thiago e o que ele estava disposto a fazer por ela.

Nada mudou o fato de que meu casamento era uma prisão e meu marido era meu carrasco.

Eu a deixei lá, prometendo chamar ajuda, e fui embora. A confusão deu lugar a uma resolução fria.

Naquela noite, quando cheguei em casa, a casa estava vazia e silenciosa, como sempre. Fui direto para o escritório de Thiago. Em sua mesa, encontrei o que procurava: os papéis do divórcio. Ele os tinha preparado há muito tempo, apenas esperando o momento certo. Talvez quando eu não fosse mais útil.

Peguei uma caneta. Minha mão não tremeu.

Liguei para ele. Ele atendeu no terceiro toque, sua voz impaciente. "O que foi?"

"Eu quero o divórcio", eu disse, sem rodeios.

Houve uma pausa do outro lado da linha. Eu esperava uma discussão, raiva, qualquer coisa. Em vez disso, ouvi um suspiro de alívio.

"Tudo bem", ele disse, sua voz casual, como se estivéssemos discutindo o tempo. "Deixe os papéis na minha mesa. Eu os assinarei quando voltar."

"Não precisa se preocupar", eu disse, olhando para os papéis em minhas mãos. "Eu já assinei por você."

Com um floreio deliberado, eu escrevi o nome dele na linha pontilhada. Thiago. A caligrafia era uma imitação perfeita, praticada ao longo de cinco anos de uma devoção tola.

"O que você quer dizer?", ele perguntou, um tom de irritação em sua voz.

"Quero dizer que está feito. Eu vou embora. Não quero nada de você. Apenas minha liberdade."

Desliguei antes que ele pudesse responder.

Olhando para a assinatura dele, forjada pela minha própria mão, um sorriso amargo tocou meus lábios. Por cinco anos, eu vivi como sua sombra, sua posse. Assinar o nome dele foi o primeiro ato de verdadeira rebelião. Foi um ato de roubo, pegando de volta a vida que ele me negou.

Estava acabado.

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