Inglaterra, 1850
Os olhos da mulher estavam fixos no belo homem a sua frente.
Emily Adams não estava em seu estado normal. Os olhos dela estavam vidrados totalmente brancos e fixos em George Taylor.
Foram amantes, porém o relacionamento dos dois havia terminado quando a esposa de George, depois de tanto tempo tentando engravidar, comunicou ao marido que ambos haviam conseguido.
Ele não podia deixá-la mais e Emily havia sido informada. Um ódio profundo explodiu nela. O amor que ela sentia por George, naquele momento se ausentou dando lugar ao ódio.
Vários anos, envolvida com aquele homem dando o seu amor para ele, e tendo a promessa de que um dia, ele deixaria a esposa para ser somente dela.
Porém um maldito filho estava a caminho. E ela desprezou e odiou essa criança e a amaldiçoou dentro do ventre da mãe. Por causa dessa criança, George não deixaria a esposa para ser somente dela.
E naquele momento, George sentiu medo. Ele sabia dos poderes malignos que a amante tinha. Eram poderes que ela podia tê-los usados para fazer o bem, porém Emily sempre os usou para fazer mal aos outros.
-- Eu amaldiçoou, essa criança desde já – Gritou diante do fogo que crepitava na lareira.
-- Emily, não! É o meu filho! – Ele não gostava quando os olhos dela ficam vidrados e brancos daquele jeito. Era aquele momento em que as trevas a envolvia.
-- Eu, amaldiçoou, o seu filho! Ele e toda geração que vier após ele! Não importa se seja homem, ou se seja mulher, todo primogênito de sua linhagem quando chegar aos dezoito anos, em noite de lua cheia se transformara em uma pantera negra e sairá para matar qualquer ser vivo que encontrar pela frente!
-- Maldita! – Gritou George desesperado, tomando posse do atiçador de lareira e golpeando-a com força total!
Mas essas não foram às últimas palavras de Emily. Antes de ser jogada dentro lareira, suas últimas palavras foi de que havia um jeito de quebrar a maldição, mas seria quase que impossível.
Inglaterra, 1985
O frio estava intenso. Havia nevado na noite anterior. Um nevoeiro havia envolvido a pequena cidade de North Wind.
Violet atravessou a rua, apertando o casaco contra o corpo para ficar mais aquecida. Não era agradável ter que sair com aquele frio, mas ela precisava ir até a casa do doutor Ross Cooper, pois o pai dela não estava passando bem. Era o único médico que havia na cidade e que cuidava dos doentes.
Violet estava com quase quarenta anos. Uma solteirona que decidiu não se casar para cuidar do pai. Suas outras duas irmãs mais jovens, haviam se casado, porém com a morte da mãe, ela optou em ficar solteira. Na verdade, ela não sentia falta de homens. Nunca sentiu desejo de ter um envolvimento íntimo com eles.
Não estava sendo fácil acertar o caminho da casa do doutor Ross com aquele nevoeiro, mesmo com a lua cheia.
A lua cheia sobre o nevoeiro não a encantava, ao contrário há deixava um pouco assustada, pois cresceu ouvindo histórias assustadoras sobre uma pantera que atacava as pessoas em noite de lua cheia.
Ali tal coisa nunca havia acontecido, mas em aldeias e vilas muitos diziam que sim.
Porém ninguém levava tal história a sério, não acreditava, e diziam que era apenas invenção do povo.
Um rugido inesperado vindo do nevoeiro sobressaltou Violet, a ponto de quase fazê-la querer correr. Mas ela não correu. Ela parou!
Seu coração havia disparado! Por Deus, não era justo o seu pai ter escolhido para passar mal justo a noite! Se pelo menos fosse uma noite sem aquele maldito nevoeiro.
Novamente o rugido quase a descabelou! E um rugido daquele não seria de nenhum animal dócil.
Não havia casa por perto para ela pedir ajuda e se abrigar. A casa do médico ficava próximo ao bosque.
Violet queria voltar a caminhar, mas ela não conseguia, pois o medo a havia paralisado! Ela olhava para todos os lados e não conseguia ver nada por causa do nevoeiro, só se ouvia o rugido.
Ela não sabia dizer de que lado estava vindo o rugido.
Saindo do meio no nevoeiro como uma figura diabólica, a imensa pantera negra pulou sobre Violet! Os dentes do animal rasgaram lhe o rosto, enquanto ela gritava. Com uma mordida, no pescoço, a pantera separou o corpo da cabeça. Cada seio foi arrancado e o seu ventre for aberto expondo as suas vísceras.
Ela estava diante do imenso espelho escovando os cabelos, quando a imagem da pantera negra assaltou a sua mente e a fez estremecer.
A escova caiu de sua mão e a imagem do corpo sendo destroçado devorou o seu cérebro e a luz das velas que iluminava o quarto se apagaram.
Era como se a fera estivesse ali, dentro do quarto. Ela podia ouvir o seu rugido e sentir a sua fome de matar. Não só as velas do seu quarto se apagaram, mas também a dos outros candelabros espalhados pela mansão.
A morte havia chegado à cidade e qualquer um poderia ser a próxima vítima. Assim como qualquer um que vivesse ali, ou nos arredores poderia ser a pantera negra.
Oliver Cole percebeu o tumulto assim que entrou na cidade, ou seja, em North Wind.
Ele estava em sua moto, o capacete ocultava o seu rosto.
Elas conversavam agitadamente e pareciam apavoradas. Dava para perceber que algo de muito grave havia acontecido naquela cidade que ficava quase no fim do mundo.
North Wind era o paraíso dos esquecidos. Luz elétrica não havia ali, á noite as pessoas iluminavam as suas casas com velas, lampiões, e os mais favorecidos tinham geradores.
Um homem de quase setenta anos, chorava desesperado e era consolado por algumas pessoas. Elas tentavam acalmá-lo dizendo que não era culpa dele.
Porém ninguém conseguia arrancar o sentimento de culpa.
O corpo musculoso de Oliver, mesmo com o rosto oculto pelo capacete, não passou despercebido por algumas mulheres. Usando jeans e uma jaqueta de couro sobre a camiseta branca, o rapaz exalava masculinidade sobre o seu cavalo de aço.
Quando ele tirou o capacete e o seu rosto ficou visível para todos, se ouviu naquele momento um murmúrio feminino ao ver o belo homem ruivo de barba e profundo olhos verdes.
O belo homem chegava há cidade, poucas horas depois de a fera ter feito a sua primeira vítima naquele lugar.
Perguntando aqui e ali, ele soube o que havia acontecido. Algum tipo de animal feroz havia atacado e matado Violet, filha do alfaiate da cidade.
Como a noite havia sido de intenso nevoeiro, ninguém tinha visto nada e não sabia dizer que tipo de animal era.
Mas Oliver sabia, e por isso estava ali. Por isso ele tinha vindo de tão longe. A pantera negra estava á caça, ele precisava detê-la antes que mais pessoas morressem.
Quando ele atravessou a porta da única pousada da cidade que havia lhe sido indicada, todos os que estavam presentes no lugar se voltaram para ele. Afinal ele era um forasteiro em terra desconhecida.
Tudo que ele precisava era de um bom banho e um prato de comida. Estava cansado, moído. A pousada era simples, mas a boa senhora que governava o lugar parecia de bom coração.
Oliver de um graças a Deus quando soube que havia chuveiro e que ele poderia tomar um banho quente, graças ao gerador que tinha na pousada.
-- Estamos no fim do mundo. – Disse a senhora Nancy enquanto passavam pelo corredor em direção ao quarto que seria dele. – Fomos esquecidos aqui, meu filho. Mas conseguimos sobreviver. A cidade é pequena, mas é bonita. Temos lindas praias, mesmo não podendo usufruir devido ao intenso frio que faz aqui quase o ano todo. Aqui até o sol se esquece de nós. Neve, nevoeiro e chuva. Mas você vai gostar daqui. Só sinto por você ter chegado num péssimo dia. Você já soube que um animal feroz atacou a pobre Violet? Ela era uma boa pessoa e com certeza está num bom lugar.
A senhora Nancy abriu a porta do quarto.
-- Esse é o seu quarto, meu filho. Tome o seu banho que daqui a pouco trago lhe algo para comer. Nessa cidade algumas pessoas não tomam banho todos os dias devido ao frio.
-- Eu não consigo ficar sem tomar banho. Pode fazer o frio que for que eu não dispenso um bom banho. – Disse ele colocando a mala sobre a cama.
A senhora Nancy sorriu e deixou o quarto. Oliver já ia desfazer a mala, quando viu a sua imagem no espelho. O espelho parecia hipnotizá-lo e algo pareceu puxá-lo em direção a ele.
Quando ele fixou bem os seus olhos no espelho, ele viu a pantera negra. Era como se ela estivesse do outro lado do espelho.