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O Brilho da Traição

O Brilho da Traição

Autor:: Mireille
Gênero: Romance
O ar frio do hospital sempre me pareceu familiar, quase um abraço gélido em meio à rotina exaustiva de médica, e Lucas, meu noivo, era o sol na minha vida. Éramos o casal perfeito: anos de cumplicidade, sonhos de casa com jardim e filhos, tudo parecia se encaixar. Naquela manhã, meu pingente de presente dele brilhava no meu pescoço, simbolizando a segurança que ele me dava. De repente, a voz adocicada de Sofia, uma estudante de artes ousada e que eu conhecia vagamente de eventos sociais, cortou o silêncio. Ela se inclinou sobre minha mesa, o perfume forte enchendo o ar. "Aquele seu colar... é lindo. Foi o Lucas que te deu?" , sussurrou ela, com uma intimidade que me arrepiou. Meu desconforto aumentou quando ela, sem cerimônia, revelou detalhes do "jantar de trabalho" de Lucas com ela, no La Mar, e exibiu uma pulseira idêntica à minha, presenteada por ele, dizendo que era a "estrela guia" dele. A raiva me subiu à garganta. No meu ambiente de trabalho, diante dos meus colegas, ela esfregava a traição na minha cara, com uma arrogância que me nauseava. "As coisas estavam muito tensas em casa", as palavras dela ecoavam, machucando mais que um tapa. Lucas mentiu. Meu noivo, meu porto seguro, me traía. A vida que eu construíra desmoronava sob meus pés, e eu, a médica capaz de lidar com qualquer emergência, me sentia impotente diante da dor da traição. Como ele pôde? Como o homem que me abraçou e consolou, o pai dos meus futuros filhos, podia ser a fonte de tanta dor? A ironia era sufocante. Eu tinha investido minhas economias, meu tempo, minha própria capacidade de ser mãe por ele. A felicidade que eu pensava ter alcançado era uma farsa cruel. Naquele instante, quando vi o celular dele vibrar com o nome "Sofia" , e ele gaguejar uma desculpa esfarrapada, a dor se transformou em uma calma fria e cortante. Não era hora de chorar. Era hora de agir. Meu cérebro, treinado para resolver problemas sob pressão, entrou em modo de ataque. Eu não ia ser vítima. Eu ia lutar.

Introdução

O ar frio do hospital sempre me pareceu familiar, quase um abraço gélido em meio à rotina exaustiva de médica, e Lucas, meu noivo, era o sol na minha vida. Éramos o casal perfeito: anos de cumplicidade, sonhos de casa com jardim e filhos, tudo parecia se encaixar. Naquela manhã, meu pingente de presente dele brilhava no meu pescoço, simbolizando a segurança que ele me dava.

De repente, a voz adocicada de Sofia, uma estudante de artes ousada e que eu conhecia vagamente de eventos sociais, cortou o silêncio. Ela se inclinou sobre minha mesa, o perfume forte enchendo o ar. "Aquele seu colar... é lindo. Foi o Lucas que te deu?" , sussurrou ela, com uma intimidade que me arrepiou. Meu desconforto aumentou quando ela, sem cerimônia, revelou detalhes do "jantar de trabalho" de Lucas com ela, no La Mar, e exibiu uma pulseira idêntica à minha, presenteada por ele, dizendo que era a "estrela guia" dele.

A raiva me subiu à garganta. No meu ambiente de trabalho, diante dos meus colegas, ela esfregava a traição na minha cara, com uma arrogância que me nauseava. "As coisas estavam muito tensas em casa", as palavras dela ecoavam, machucando mais que um tapa. Lucas mentiu. Meu noivo, meu porto seguro, me traía. A vida que eu construíra desmoronava sob meus pés, e eu, a médica capaz de lidar com qualquer emergência, me sentia impotente diante da dor da traição.

Como ele pôde? Como o homem que me abraçou e consolou, o pai dos meus futuros filhos, podia ser a fonte de tanta dor? A ironia era sufocante. Eu tinha investido minhas economias, meu tempo, minha própria capacidade de ser mãe por ele. A felicidade que eu pensava ter alcançado era uma farsa cruel.

Naquele instante, quando vi o celular dele vibrar com o nome "Sofia" , e ele gaguejar uma desculpa esfarrapada, a dor se transformou em uma calma fria e cortante. Não era hora de chorar. Era hora de agir. Meu cérebro, treinado para resolver problemas sob pressão, entrou em modo de ataque. Eu não ia ser vítima. Eu ia lutar.

Capítulo 1

A umidade fria do ar condicionado do hospital parecia penetrar até os meus ossos. Eu estava no meio do meu turno, revisando os prontuários dos pacientes, quando uma voz feminina, adocicada e um pouco alta demais, soou perto de mim.

"Doutora Ana, que coincidência encontrar você aqui."

Levantei os olhos. Era Sofia, uma estudante de artes alguns anos mais nova que eu. Eu a conhecia de alguns eventos sociais. Ela estava usando um vestido justo que não parecia apropriado para o ambiente de um hospital, e o perfume forte que ela usava se espalhou pelo ar, fazendo meu nariz torcer.

"Sofia. Aconteceu alguma coisa? Alguém da sua família está doente?" perguntei, mantendo meu tom profissional.

Ela sorriu, um sorriso que não alcançou seus olhos.

"Não, não. Eu só vim visitar um amigo. Mas já que te encontrei, queria te perguntar uma coisa."

Ela se inclinou sobre a minha mesa, baixando a voz como se fosse um segredo.

"Aquele seu colar... é lindo. Foi o Lucas que te deu?"

Eu toquei instintivamente o pequeno pingente no meu pescoço. Era um presente de aniversário do Lucas, meu noivo.

"Sim, foi ele," respondi, sentindo um desconforto estranho.

"Ah, que fofo," ela disse, e a doçura na sua voz era enjoativa. "Ele tem um gosto tão bom, não é? Ele sempre sabe exatamente o que uma mulher gosta."

A maneira como ela disse "uma mulher" em vez de "você" me deixou em alerta. Havia algo na sua entonação, uma intimidade insinuada que não fazia sentido.

"Ele é atencioso," eu disse de forma neutra, voltando minha atenção para os papéis na minha frente, esperando que ela entendesse a dica.

Mas Sofia não se moveu. Em vez disso, ela continuou, sua voz agora carregada de uma arrogância mal disfarçada.

"Atencioso é pouco. O Lucas é incrível. Outro dia mesmo, ele me levou para jantar naquele restaurante novo, o La Mar. Você conhece? A comida é divina. Ele disse que precisava relaxar um pouco, que as coisas estavam muito tensas em casa."

Ela me olhou diretamente, esperando uma reação. O nome do restaurante, La Mar. Lucas me disse que tinha ido a um jantar de trabalho naquela noite. Uma mentira. A primeira de quantas? Senti um frio na barriga, uma sensação oca que começou a se espalhar pelo meu peito.

Outros colegas no corredor começaram a olhar em nossa direção, atraídos pela sua voz alta e sua presença chamativa.

"Ele também me deu um presente," Sofia continuou, estendendo o pulso. Havia uma pulseira delicada, com um pequeno pingente de estrela. "Ele disse que eu sou a estrela guia dele. Não é romântico?"

A raiva começou a subir pela minha garganta, quente e amarga. Ela não estava apenas insinuando, estava esfregando o caso na minha cara, no meu local de trabalho, na frente dos meus colegas. Ela queria me humilhar.

Eu respirei fundo, forçando a calma. Eu era uma médica, uma profissional. Não ia dar a ela o show que ela queria.

"Sofia," eu disse, com a voz baixa e controlada. "Como estudante, você deve saber que o estresse pode causar vários problemas de saúde. E espalhar boatos pode levar a consequências legais bastante sérias, como processos por difamação. Isso pode afetar seu futuro acadêmico e profissional. Aconselho você a ter mais cuidado com o que diz em público."

Usei meu tom de médica, o mesmo que usava para dar diagnósticos sérios. Falei sobre fatos, não sobre sentimentos. Ameaças veladas, mas profissionais.

Meu tom clínico e a menção de "consequências legais" pareceram finalmente atingi-la. O sorriso arrogante em seu rosto vacilou. Ela olhou ao redor e viu os olhares de desaprovação dos meus colegas. Uma enfermeira mais velha balançou a cabeça em desdém. O rosto de Sofia ficou vermelho. A caçadora de repente se tornou a presa.

"Eu... eu só estava brincando," ela gaguejou, recuando um passo.

"Não pareceu uma brincadeira," eu respondi, friamente.

Sem dizer mais nada, ela se virou e saiu apressada, quase correndo pelo corredor. A humilhação que ela pretendia para mim ricocheteou e a atingiu em cheio.

Por um momento, senti uma pontada de satisfação. Mas durou pouco. Assim que ela desapareceu de vista, a força que me mantinha de pé pareceu se esvair. As palavras dela ecoavam na minha cabeça. "As coisas estavam muito tensas em casa." "Ele disse que eu sou a estrela guia dele."

As letras no prontuário à minha frente começaram a borrar. Minhas mãos tremiam. Eu não conseguia me concentrar. Não conseguia mais trabalhar.

Pedi licença ao meu supervisor, dizendo que não estava me sentindo bem. Dirigi para casa em um estado de torpor, o trânsito da cidade passando por mim como um borrão. O apartamento, que sempre fora meu refúgio, agora parecia um palco de mentiras.

Para minha surpresa, Lucas estava em casa. Ele raramente chegava antes de mim. Ele estava na cozinha, preparando um chá.

"Ana, meu amor. Chegou mais cedo? Você está pálida. Aconteceu alguma coisa no hospital?"

Ele veio até mim, seu rosto transbordando preocupação. Ele pegou minhas mãos frias nas suas e as aqueceu. O cheiro familiar dele, a maneira como ele me olhava... por um instante, eu quis acreditar que tudo o que Sofia disse era uma mentira cruel.

"Só um dia cansativo," eu murmurei.

"Vem, senta. Eu fiz seu chá de camomila favorito. Vai te ajudar a relaxar."

Ele me guiou até o sofá, me cobriu com uma manta e colocou a xícara quente nas minhas mãos. Aquele gesto, tão familiar e carinhoso, foi a gota d'água. A barragem que eu havia construído no hospital se rompeu.

As lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto, silenciosas a princípio, depois se transformando em soluços que sacudiam meu corpo inteiro. A dor e a traição que eu estava tentando reprimir vieram à tona com uma força avassaladora.

"Ei, ei, o que foi?" Lucas me abraçou forte. "Pode chorar, meu amor. Coloca tudo pra fora. Eu estou aqui com você."

Eu chorei em seus braços, o abraço dele era ao mesmo tempo um consolo e uma tortura. Chorei pela mulher que apareceu no meu trabalho, chorei pela mentira descarada, chorei por nós.

Nós estávamos juntos desde a faculdade. Eu, na medicina, ele, na arquitetura. Passamos por tantas dificuldades juntos. Eu trabalhava em turnos duplos para ajudar a pagar as contas enquanto ele terminava seu mestrado. Eu o apoiei quando ele decidiu abrir seu próprio escritório, investindo minhas economias no sonho dele. Sacrifiquei viagens, noites de sono, tempo com amigos, tudo por um futuro que construiríamos juntos.

No ano passado, o escritório dele finalmente decolou. Ele se tornou um arquiteto de renome na cidade. Nós compramos este apartamento, ficamos noivos. Eu finalmente pensei que poderíamos colher os frutos de tanto esforço. Pensei que a felicidade tinha finalmente chegado para ficar.

Enquanto eu soluçava nos braços dele, a ironia da situação era esmagadora. O homem que me consolava era a causa da minha dor. Aquele abraço seguro era a fonte da minha mais profunda insegurança. A felicidade que eu pensava ter alcançado era uma ilusão, e a verdade, feia e cruel, estava prestes a destruir tudo.

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Capítulo 2

Lucas me segurou até meus soluços diminuírem. Ele afastava o cabelo do meu rosto, sussurrando palavras de conforto.

"Vai ficar tudo bem, Ana. Seja o que for, vamos passar por isso juntos. Você sabe disso."

Ele se afastou um pouco para olhar nos meus olhos.

"Sabe, eu estava pensando... talvez seja a hora de darmos o próximo passo. Comprar uma casa maior, nos arredores da cidade. Com um jardim. Para quando tivermos nossos filhos."

Filhos. A palavra pairou no ar, pesada. Falávamos sobre isso há anos. Era o nosso sonho. Ouvir isso dele agora, depois do que eu tinha ouvido de Sofia, me causou um calafrio. Era tudo uma farsa? Ele estava tentando me acalmar com promessas de um futuro que talvez não incluísse apenas a mim?

Enquanto eu tentava processar suas palavras, o celular dele, que estava sobre a mesa de centro, vibrou e a tela se acendeu. O nome que apareceu foi "Sofia".

Lucas viu meu olhar se fixar no aparelho. Seu corpo ficou tenso instantaneamente. Ele pegou o celular rapidamente, como se fosse algo radioativo, e virou a tela para baixo. Um pânico mal disfarçado passou por seus olhos.

"É... é do trabalho," ele gaguejou. "Uma estagiária nova, meio sem noção."

O silêncio na sala era ensurdecedor. O ar ficou denso com a mentira. Eu o observei, meu rosto sem expressão, mas por dentro, meu coração batia descontroladamente. A calma que eu forcei no hospital voltou. Uma calma fria, cortante.

"Atenda," eu disse. Minha voz saiu firme, sem tremor. "Pode ser importante."

Ele me olhou, surpreso com a minha calma.

"Não, não é nada. Eu ligo depois. Agora eu quero cuidar de você."

"Lucas," eu insisti, meu olhar fixo no dele. "Atenda o telefone."

A forma como eu disse seu nome, sem o carinho de sempre, o deixou desconfortável. Ele sabia que algo estava errado. Ele se levantou, o celular na mão.

"Ok, ok. Eu vou resolver isso rápido. Vou lá fora para não te incomodar."

Ele praticamente correu para a varanda, fechando a porta de vidro atrás de si. A pressa dele, a forma como ele queria privacidade, confirmou tudo. Não era uma estagiária sem noção. Era ela.

Meu cérebro, treinado para resolver problemas complexos sob pressão, entrou em ação. Eu não ia ficar sentada chorando. Eu precisava de provas. Provas concretas, irrefutáveis.

Peguei meu tablet na bolsa. Alguns meses atrás, depois que o carro dele foi roubado, eu o convenci a instalar um aplicativo de rastreamento em seu celular, conectado ao meu tablet. "Para emergências," eu disse na época. A emergência havia chegado.

Abri o aplicativo. Um pequeno ponto azul piscava na tela, mostrando a localização dele: a varanda do nosso apartamento. Respirei fundo e esperei.

Poucos minutos depois, o ponto azul começou a se mover. Rápido. Vi pelo aplicativo que ele desceu pelo elevador, atravessou o lobby e entrou no carro. Ele não estava resolvendo um problema de trabalho. Ele estava indo encontrá-la.

Vesti um casaco por cima do pijama, peguei as chaves do meu carro e o tablet. Eu o segui, mantendo uma distância segura, o ponto azul no meu mapa me guiando pelas ruas escuras da cidade. A perseguição me pareceu surreal, como uma cena de filme ruim. Mas era a minha vida.

Ele parou em frente a um pequeno parque a uns vinte minutos de casa. Um lugar escuro e isolado. Desliguei os faróis e estacionei do outro lado da rua, atrás de uma árvore. E então eu a vi.

Sofia estava esperando em um banco. Ela se levantou assim que viu o carro de Lucas. Ele saiu e foi até ela. Mesmo à distância, eu podia ver a urgência no corpo dele.

Abri o aplicativo de gravação de áudio do meu celular e apontei na direção deles, esperando captar alguma coisa. O vento da noite trazia fragmentos da conversa.

"...você não podia me ligar assim! E se a Ana visse?" a voz de Lucas era um sussurro irritado.

"Eu não aguento mais, Lucas!" a voz de Sofia era chorosa e manhosa. "Você disse que ia conversar com ela! Por que você ainda está com aquela sem graça? Ela nem te faz feliz!"

Sem graça. A palavra me atingiu como um tapa. Para ele, eu era a esposa troféu, a médica bem-sucedida. Para ela, eu era apenas "aquela sem graça".

"Sofia, por favor, agora não é a hora," ele tentou acalmá-la.

"Eu fui até o hospital hoje," ela confessou.

O corpo de Lucas ficou rígido. "Você o quê? Você ficou louca? Eu te disse para ficar longe dela!"

"Eu queria ver a cara dela! Eu queria que ela soubesse que você é meu!" A voz de Sofia era possessiva, infantil.

Enquanto eu ouvia, vi Lucas passar a mão pelo rosto, um gesto de frustração. Mas em vez de ir embora, ele a puxou para um abraço. Ele acariciou o cabelo dela, beijou sua testa. As mesmas coisas que ele tinha feito por mim menos de uma hora atrás. Meu estômago se revirou de nojo. A hipocrisia dele era sufocante.

"Meu amor, me desculpa," ele sussurrou, e desta vez o vento trouxe suas palavras claras para mim. "Você sabe que é você que eu amo. É com você que eu quero ficar."

Cada palavra era uma facada. Eu estava ali, no escuro, ouvindo o homem com quem planejei uma vida inteira prometer essa mesma vida para outra mulher.

"Então por que você não larga ela?" Sofia pressionou, sua voz agora mais forte. "Peça o divórcio. Vamos ficar juntos de uma vez por todas."

Houve uma pausa. A atitude de Lucas mudou.

"Nós vamos, eu prometo," ele disse, mas sua voz não tinha a mesma convicção. "Só preciso de um pouco mais de tempo. As coisas são complicadas. Temos muitas coisas em comum, os bens, a família... Não é tão simples."

Ele a estava enrolando. Ele queria as duas. A segurança e o status que eu proporcionava, e a emoção e a novidade que ela representava.

"Eu te amo, Sofia. Confie em mim," ele disse, beijando-a.

Eu desliguei a gravação. Eu tinha ouvido o suficiente. Vi o suficiente. Sentei-me no meu carro, no escuro, tremendo de raiva e de dor. A imagem do beijo deles estava gravada na minha mente. A verdade não era mais uma suspeita. Era um fato, cruel e irrefutável. A vida que eu conhecia tinha acabado naquele exato momento.

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