Capítulo 1
Sua noite já estava bem sem graça, apesar das tentativas de Margô de atrair sua atenção o tempo todo. E agora estava ficando pior ainda, era só o que faltava para deixar sua noite mais sem graça do que já estava. Ficar atolado no meio da estrada.
Margô era bonita, educada até, mas era tão fresquinha e cheia de manias que ele já tinha se arrependido de ter aceitado o convite para sair com ela vinte minutos depois de chegarem á festa na casa de um amigo dela. Só tinha aceitado para ficar mais por dentro de como aconteciam as coisas ali na cidade.
Ele tinha se mudado há poucos dias para Torres e estava em um hotel próximo do centro, assim ficava mais fácil de caminhar pelo local e ver como tudo funcionava ali.
Torres era uma cidade pitoresca e pequena. Ele nunca tinha estado ali e gostava de se enturmar com os locais para entender melhor a vida na cidade. Era um costume que tinha desde que começou a andar pelo mundo, perseguindo seu sonho.
Ele tinha conhecido margô no terceiro dia em que chegara em Torres e claro que não iria rejeitar o convite de uma garota tão bonita e educada como ela, ainda mais que queria conhecer mais pessoas da cidade para ficar por dentro de como as coisas rolavam por ali, já que tinha intenção de ficar por Torres, caso ele gostasse mesmo do lugar.
E Margô tinha muitos contatos, sendo de uma família rica e antiga da cidade.
Ele estava indo rápido demais, querendo logo chegar na casa de Margô para terminar o encontro. A rua estava começando a formar uma camada de neve, mesmo com o carro de limpeza passando o tempo todo. Isso e a pressa dele, fizeram os pneus do carro deslizarem e acabou no canto da pista, atolado.
Ficou impaciente porque não poderia pedir a ela que descesse de saltos altos e com aquela roupa cara para empurrar o carro e suas costas doíam. Isso o incomodava muito.
Ele ainda estava tomando muitos medicamentos para as dores que o incomodavam, mas sabia que isso iria demorar um tempo. A equipe médica já o avisara disso.
E foi bem na hora em que fazia uma curva mais aberta que suas costas deram uma fisgada forte e ele apertou o volante com força, tentando não soltar uma exclamação de dor.
Acabou perdendo a curva e ali estavam eles, enfiados na neve branquinha e fofa. De nada adiantou ter um carro possante agora. Ele tentou sair, mas os pneus deslizavam e só afundavam mais ainda o carro.
Começava a se irritar com isso. Até porque Margô não ficava calada e nem parecia perceber a situação.
Olhou em volta buscando um ponto de referência. Desceu para ver melhor e analisar a situação de fora.
Não havia mais ninguém por perto e ele decidiu aguardar um pouco até tentar retirar o carro de novo, mas quando entrou no carro e Margô começou a falar suas futilidades como se estivessem na sala da casa dela e não presos nas neve, ele preferiu sair de novo e tentar desatolar o carro, nem que fosse sozinho. E com as costas doendo.
Escavou um pouco a neve em volta dos pneus. Por sorte sua luva de couro era de qualidade e grossa, protegendo suas mãos.
Por sorte, não demorou em aparecer alguém.
Um instante depois ele viu que havia uma pessoa que se aproximava de cabeça baixa pela estrada. Pecebeu se tratar de um rapaz franzino, mais baixo do que ele, mas sua ajuda serviria para retirar o carro do lugar.
Detestava pedir ajuda aos outros e menos ainda para pessoas que ele não conhecia, mas o momento pedia isso. Não poderia ficar mais tempo travado ali.
Não iria aguentar o frio da neve e tinha dúvida se teria saco para a conversa de Margô por mais tempo. Esperou que o rapaz chegasse perto.
- Ei... Será que pode me dar uma mão e me ajudar a sair daqui? – gesticulou mostrando o pneu - Margô, passe para o banco do motorista. Vamos tentar empurrar.
Beatriz vacilou um momento. O homem pelo jeito não tinha percebido que era uma mulher. Tudo bem que estava um pouco escuro e a neve que caía atrapalhava a visão.
Mas será que ela não parecia uma mulher?
Tinha trabalhado todo o dia e por azar seu carro estava lá atrás na estrada, quebrado também. O dele era só sair do atoleiro.
Estava usando um velho casaco de couro marrom que pertencia ao irmão mais novo, Bruno. Por baixo um moleton cinza que já tinha visto dias melhores, um par de botas grossas e luvas para aquecer suas mãos.
Estava frio demais. Apesar de estar acostumada com esse clima, não podia negar que o frio muitas vezes a incomodava.
Mas realmente ele precisava de ajuda para sair dali. E logo a neve ficaria mais alta. Não poderia deixar de ajudar, apesar dele ter chegado de modo até um pouco rude. Afinal, ele nem mesmo prestou atenção nela e não esperou que lhe desse uma resposta.
Ele apenas assumiu que iria ajudar e pronto. Isso foi um tanto arrogante da parte dele, mas sempre gostava de ajudar aos outros. era algo que já estava nela, crescera assim.
Se aproximou do carro, não sabia que modelo era, mas dava pra ver que era caro e novo. Tinha deslizado para fora da pista e estava enfiado na neve, meio torto na lateral da estrada e por pouco não acertou uma árvore que havia ao lado.
O homem se posicionou perta dela e meio sem querer acabou se afastando. Foi uma reação natural.
- Margô, ligue o carro - gritou.
Nesse instante Beatris deu uma olhada rápida nele. Vestia um sobretudo escuro, sapatos de bico fino e luvas grossas de couro. Ele colocou as mãos sobre o carro e ela fez o mesmo.
A lataria estava fria, é claro, bem fria e cheia de neve já se acumulando. Ela limpou um pouco para ter mais apoio.
- Vamos cara, empurre comigo - ele disse - Faça força.
Ela não gostou do modo como ele falou, achou-o mandão.
- Vamos, rapaz. Não seja mole – rosnou - O carro não vai sair sozinho. Força!
Margô pisou no acelerador e os pneus giraram rápido deslizando na neve que agora virava uma papa de lama com o atrito das rodas. Ela tentou, estava fazendo força, o máximo que podia, mas o carro era pesado e grande demais.
O homem rosnou de novo, forçando o carro para a frente.
Beatriz queria ir embora, mas não ia desistir agora. Ela pisou forte e apoiou as botas melhor, pegando um apoio a mais e encostou o peito na traseira do carro, empurrando de novo.
Ambos fizeram um esforço grande em conjunto. O carro balançou de um lado para outro, começando a deslizar para fora da lateral e finalmente se mexeu.
- Vamos... Isso... Está indo... - fez força - De novo... Está saindo... Empurre.
O carro era um Mercedez. Com Margô acelerando e os dois forçando juntos, o sedã deslizou um pouco mais e como era um carro potente as rodas giraram rápido, saindo do atoleiro.
Com isso a neve foi jogada para todos os lados, se espalhando por eles. Sujou as calças e sapatos dos dois. Pelo menos saiu do canto cheio de neve e continuou um pouco mais adiante e parou.
Gustavo bateu os pés olhando com uma careta para os sapatos. Beatriz recebeu neve até no rosto e cuspiu, limpando o queixo e batendo na roupa para cair a sujeira mais grossa.
Gustavo bateu a mão pelo sobretudo buscando a carteira para dar um agrado de ajuda ao rapaz pelo esforço.
Parte 2 - capítulo 1
Talvez ela também estivesse atolada em algum lugar por ali. E estava, só que pior, com o carro quebrado.
Não deveria, mas isso a aborreceu um pouco. Balançou a cabeça. Era impressionante como as pessoas só se preocupavam com elas próprias, eram egoístas demais nesses dias atuais.
Nem mesmo um simples obrigado se dizia. Queriam que todos fizessem seus gostos e depois não sabiam porque o mundo andava tão difícil e ruim atualmente.
Ela sabia bem que Margô era uma pessoa egoísta e mimada. e de certa forma, a culpa não era só dela, mas de seus pais que a criaram como se ela fosse a dona do mundo.
Ou pelo menos a dona da cidade de Torres. O que aliás, a cidade quase toda sabia e pensava igual.
Não tinha muito contato com ela ou com a família em geral. Conhecia de vista alguns tios e primos dela. Margô vinha de uma família das mais antigas da cidade e era muito rica e próspera.
Tinham vários tipos de negócios em Torres, inclusive um banco e uma concessionária de carros importados. Era a única que vendia esse tipo de veículo de luxo em Torres.
A própria Margô cansava de desfilar pela cidade com um desses de luxo. Margô era muito bonita com seus olhos azuis e seu cabelo preto com mechas mais claras, sempre bem vestida, sorrindo, mas com pessoas de seu nível.
Com ela e com pessoas que não eram de seu círculo de amizades era muito desagradável.
Não entendia bem dessas coisas de relacionamento, mas parecia que todos os homens a achavam irresistível. Não era difícil ver algum deles que frequentava sua casa, fazer tudo o que ela queria, era só ela sorrir ou falar o que queria.
Piscava o olho e pronto, o que ela queria aparecia sem esforço nenhum. Magê estava acostumada a ser paparicada. E até que não deveria ser uma coisa ruim.
Ás vezes ela se cansava de lutar sozinha por tudo. Não era mimada como Margô, mas se pudesse ter alguém ao lado para dividir as obrigações seria muito bom.
Nunca tinha visto o homem que estava com ela agora. Com certeza um novo namorado.
Ela conhecia bastante gente na cidade desde pequena. Tinha nascido e crescido ali em Torres e provavelmente ficaria ali até envelhecer e morrer.
Nem mesmo uma viagem longa ela tinha feito. Só conhecia as cidades mais próximas. Por causa de seu trabalho e de sua família ela tinha muitos conhecidos. Tinha quase certeza de nunca ter visto esse namorado de Margô.
"E que me importa isso? Tanto faz quem ele seja"
Ela se recriminou.
O homem era muito mandão e nem tinha notado que ela era uma mulher. Nem mesmo a olhou duas vezes para conferir quem era.
Tudo bem que não estava vestida adequadamente. Mais parecia um garoto malvestido do que uma mulher de vinte e três anos que cuidava de dois irmãos mais novos.
E também achou o homem bem arrogante e mal educado. Vai ver por isso que estava namorando com Margô. Deveria ser mais um de seu grupinho de esnobes que se achavam superiores aos outros.
Se não estivesse precisando de ajuda para tirar o carro talvez nunca nem olhasse para ela. Nunca iria notar sua presença.
Sabia que tinha certas coisas que poderia aprender, mas não tinha uma pessoa mais próxima para a ensinar, como uma boa amiga ou uma irmã mais velha.
Não tentava se maquiar sozinha porque nas poucas vezes em que tentou ficou parecendo uma palhaça ou então que tinha entrado em uma briga corporal.
Não tinha ideia certa de como usar maquiagem. Gostava e achava bonito, mas quando precisava sair mais arrumada, pedia ajuda de Suzana, uma vizinha que tinha um salão.
O máximo que ela sabia usar direito era batom e delineador. Também não precisava mais do que isso. Gostava de sua aparência limpa e isso não era um problema para ela.
Não tinha e nunca teve um namorado. Não havia motivo para ficar se maquiando o tempo todo e menos para trabalhar.
Seu cabelo era bem comprido, castanho escuro quase um ruivo. Liso como o de sua mãe, mas a cor puxara de seu pai. Era longo e chegava quase na cintura, vivendo preso a maior parte do tempo por causa do trabalho.
Seu irmão Bruno tinha o cabelo idêntico ao dela, porém curtinho. Já Bianca era loirinha como sua mãe. Os traços dos três eram semelhantes. De longe se via que eram irmãos.
Ela não quis olhar diretamente para o homem, mas conseguiu perceber que ele tinha o rosto quadrado, cabelo curto escuro e o que parecia ser uma cicatriz que descia da lateral de sua testa e seguia até se perder na gola alta do sobretudo.
Os olhos ela teve a impressão de serem castanho escuro e a boca era grande de lábios bem vermelhos talvez pelo frio. A iluminação era fraca, o poste ficava um pouco mais á frente.
Não gostou de ser confundida com um homem, foi estranho. A roupa e a falta de iluminação não ajudavam muito, mas ainda assim ela não parecia um homem.
Andava encolhida por causa do frio e com o casaco um pouco folgado, mas ele poderia ter percebido que era uma garota.
Realmente o homem lhe pareceu esnobe, assim como sua acompanhante, Margô.
Já estava ficando tarde e com certeza seus irmãos estariam preocupados com ela, mas não teve culpa. A velha pick-up resolveu parar de vez e a deixou na mão.
Sabia que isso aconteceria uma hora. O carro já estava com eles há muito tempo e já tinha feito até demais. Passou de seu pai para sua mãe e depois para ela.
Tinha tempo demais nas costas e era usada para tudo o que eles precisavam. Já vinha dando sinais de que precisava de uma boa manutenção, mas ela ainda não tinha o valor suficiente para deixá-la em uma oficina para dar uma geral.
E chegava a ser irônico. Ela tinha parado para ajudar alguém que estava em dificuldade com o carro e estava voltando para casa á pé e sozinha. Á noite. Com seu próprio carro parado bem perto, alguns metros antes de onde os encontrou.
Poderia até dizer que isso era uma piada de mau gosto.
E é claro que isso só poderia acontecer com ela. Quando contasse aos irmãos com certeza iriam rir e depois reclamar por ela não ter pedido ajuda em troca.
Autora: Ninha Cardoso
Parte 3 - o Ceo Conhece O Amor
Até que ela era uma pessoa positiva, apesar de tudo o que já tinha passado na vida, mesmo jovem como era. Só que de vez em quando ficava desanimada com a demora em algumas coisas para acontecer.
Estava acostumada a esperar o momento de cada coisa acontecer, mas isso não queria dizer que ficava tranquila sempre. Já tinha imaginado tantas coisas boas para ela e os irmãos, mas elas aconteciam devagar e nem sempre da mesma forma como planejara.
Mas continuava positiva. Fazer o que?
Quando era mais jovem, até tinha muitos sonhos, mas muitos foram ficando pelo caminho diante das dificuldades e escolhas que precisava fazer. Chegava a sonhar acordada com coisas que queria realizar e ter, mas com o tempo e com as obrigações exigindo muito, isso foi ficando sempre para depois e algumas foram ficando esquecidas.
De vez em quando ela ainda tinha algum tipo de desejo ou sonho para realizar e se fosse com calma, acabava conseguindo o que ajudava a amenizar um pouco a dificuldade da vida.
Não podia reclamar de seu último ano. Tinha sido muito bom com relação ao trabalho e também em casa. Tinha aprendido a ser paciente com a vida e com os rumos que ela criava.
Gostava de ficar atenta ao que ocorria em volta para não perder uma boa oportunidade quando ela aparecia e sempre dizia o mesmo aos irmãos.
O vento soprou mais forte e ela se arrepiou de frio. Suspirando ajeitou o capuz sobre a cabeça e cruzou os braços para se esquentar e continuou seu caminho solitário até chegar em casa, apressando o passo.
********
Gustavo deu uma olhada na garota ao seu lado. Balançou a cabeça ao ouvir sua conversa boba que não mudou desde que saíram do atoleiro lá atrás.
Margô era muito bonita, sem dúvida nenhuma e fazia questão de mostrar isso, não só para ele, mas no momento estava sem paciência para flertes e conversas bobinhas de futilidades. Ainda mais depois de ter que fazer um esforço pesado pra retirar o carro do atoleiro de neve.
Suas costas doíam mais agora e o estavam matando. Ele queria chegar logo ao hotel para poder tomar seus remédios e um bom banho quente para ajudar a relaxar e deitar em sua cama. Queria dormir o resto da noite e não ficar ouvindo bobagens sobre artistas e fofocas sobre os moradores da cidade.
Ele já estava saindo quando ela chegou apressada ao seu lado e lhe pediu que a levasse em casa.
Tudo o que queria era voltar para o hotel e descansar, mas não queria ser mal educado e depois da conversa melosa dela, ofereceu levá-la, mas não queria perder tempo com sua paquera.
Ele sabia bem o que ela esperava dele, mas não estava ali para isso e nem estava com humor nessa noite.
Quando aceitou o convite dela para sair, não achou que a garota fosse tão fútil e que seus amigos seriam iguais. Logo que a viram com ele já começaram as perguntas bobas.
Ele até aproveitou a festinha para observar as pessoas e conhecer alguns moradores do lugar. Conversou um pouco com eles, perguntando sobre como era morar em torres, seu comércio, o que faziam para movimentar o lugar e outras perguntas básicas para ajudar a decidir se ficaria ou não morando ali por um tempo.
A chance de ir embora surgiu e ele se despediu do grupo que conversava, mas Margô o viu se afastar e foi logo correndo, entrando no carro e fazendo uma cara de menina dengosa. Pediu que a levasse para casa e claro que ele disse que sim.
Desde o dia em que conheceu Margô, ela já tinha começado a dar em cima dele, mas fazia que não entendia. Só que depois de duas semanas na cidade, o flerte dela começava a ficar mais intenso.
Agora ele tinha que se fazer de calmo e educado, deixá-la em casa para só depois poder voltar para o conforto de seu quarto de hotel.
Nem sempre ser gentil é bom, muitas vezes é um saco. Como no caso agora. Lembrou-se do rapaz lá atrás que o ajudou e de que nem mesmo tinha lhe dado um obrigado, nem perguntou se precisava de algo.
De repente estava por ali pelo mesmo motivo que ele. Foi um relaxado, deveria ter perguntado.
- Você conhece aquele rapaz lá atrás?
- Que rapaz? – ela riu franzindo a testa - Ah, você quer dizer a garota. O nome dela é Beatriz – abanou a mão.
- Era uma garota? - olhou admirado.
Ela começou a rir e bateu as mãos.
- Meu Deus, não acredito nisso, que divertido. Você não viu que era uma mulher? Achou que era um homem? - cobriu a boca com a mão _ Ah, essa eu tenho que contar ao pessoal assim que chegar em casa - riu mais - Vai ser a nova piada interna. Eles vão rir muito comigo.
- É sério isso? – ele balançou a cabeça - Eu não olhei direito. Estava um pouco escuro no local. Só queria sair dali logo.
"Ótimo, tinha sido um babaca completo".
Ouvir isso só fez sua cabeça começar a doer e sua perna direita a ficar dormente. Detestava sentir dor. Esfregou a perna com força para a circulação retornar ao normal.
Assim que chegasse ao hotel iria tomar logo seu remédio.
Queria muito se ver livre de Margô. A pressa tinha sido sua inimiga mais uma vez. Se tivesse tido a calma de falar com a pessoa que o ajudou, saberia que se tratava de uma mulher.
Já tinham se passado nove meses desde que sofrera o acidente e ainda sentia no corpo as consequências disso. O que mais o incomodava era a dor na perna e nas costas. De vez em quando sua cabeça, mas só quando se sentia frustrado, como agora.
Sabia que o clima em Torres seria frio, mas não pensou que teria tanta neve. Quando procurou saber, as fotos mostravam ruas com neve baixa. Esse frio contribuía para sentir dores.
Ele tinha alguns pinos e parafusos em sua perna e nesse tempo parecia que gelava de dentro para fora.
Na tarde anterior sua perna tinha começado a incomodar e á noite as costas deram uma fisgada de leve. Ele tinha até tido cuidado de não se abaixar de mau jeito para não estirar os músculos.
Olhando sua imagem no espelho retrovisor viu que parecia estranho, talvez até um pouco assustador. Estava todo de preto e com a cicatriz que saía da lateral de sua testa e descia até quase seu peito, se ramificando pelo ombro e costas, ele parecia mais um vampiro do que um homem comum. No mínimo parecia com um bruxo suspeito.
Até que se ele fosse um bruxo ou vampiro seria bom. Isso queria dizer que ele teria vida longa oua té seria imortal.
Sorriu de leve sem que Margô percebesse. Se fosse mesmo um imortal, mandaria todos á merda e viveria do modo que quisesse, sem precisar ter contato com certos tipos de pessoa.
Depois de um tempo enfiado nesse meio dos negócios, se começa a perceber que nem tudo é como parece. Estava cansado da maioria das pessoas.
Ficou aliviado ao ver a casa de Margô se aproximando.
- Pronto, chegamos, está entregue senhora – ele nem desligou o carro porque queria que ela saísse logo.
- Ai, não me chame de senhora - fez uma careta - Parece coisa de velha - jogou o cabelo para trás - Não quer entrar e tomar algo para se aquecer? – de novo ela fez um biquinho que achava ser sexy e piscou - Ainda está cedo.
Autora: Ninha Cardoso