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O CEO ENTRE O PRECONCEITO E O AMOR

O CEO ENTRE O PRECONCEITO E O AMOR

Autor:: Annie Ferreiraa
Gênero: Romance
Em meio a uma sociedade preconceituosa, Maria Júlia, uma jovem negra, humilde e sonhadora, que sempre teve uma vida difícil, porém, terá que interromper seus sonhos e assumir as funções de sua mãe na casa da família Albuquerque. Andrey Albuquerque, 27 anos, lindo e arrogante, é um dos empresários mais bem sucedido do mundo, sempre foi frio e calculista. Cresceu em uma família preconceituosa, que se acha superior pela posição e prestígio que ocupam na sociedade.Um simples olhar mudará a vida dos dois.Entre medo e esperança, ódio e amor.Será possível o amor resistir a tanto preconceito?

Capítulo 1 PRECONCEITO

Prólogo

ISABEL SILVA

-Mamãe, Mamãe, socorro!

- Fique calma Maju foi só um pesadelo, não precisar chorar meu anjo a mamãe sempre vai estar com você.

-Agora vamos levantar que preciso que você fique com a tia Nana para que a mamãe possa trabalhar.

-Quero ficar com a senhora, não me deixar lá por favorzinho , o Bielzinho sempre diz que não posso pegar nos brinquedos dele porque minhas mãozinhas são escuras, porque mamãe sou diferente dele, estou dodói?

- Você esta ótima Maju , sei que ainda não entendi , mas a mamãe vai te falar uma coisa , Deus nos fez assim porque nem tudo no mundo é igual, assim como tem o dia , também existir a noite , as cores fazem desse mundo algo mais divertido.

-Sim mamãe o Bielzinho é tão branco que parece um papel, gosto de ser assim .

Assim que terminei de dar o café da minha princesa seguimos para casa de Nana , cobrando um valor simbólico, ela vem a dois anos cuidando da Majú enquanto vou trabalhar, tive que mudar para o Rio de Janeiro, após ser renegada pela minha família quando a cinco anos atrás fui vítima de um estupro, que resultou na gravidez da melhor coisa que tenho na vida . Fecho as portas das minhas lembranças, ao chegar em frente a casa da Nana, a chamei por um bom tempo até a dona Maria sua vizinha me informar que a mesma tinha passado muito mal a noite e teve que ser hospitalizada.

Olho para minha princesa que mantém seus olhos fixos em mim, não posso deixar de ir ao trabalho dentro de dois dias será o aniversário de onze anos do primogênito dos Albuquerque e tenho muita coisa para fazer.

- Filha a tia Nana não vai poder cuidar de você hoje, então a mamãe vai te levar para o trabalho dela, mas você vai prometer que será uma boa menina e vai ficar quietinha.

- A Majú promete de dedinho mamãe que vou ficar paradinha.

Depois de quase uma hora chegamos na mansão , deixei minha princesa sentada no cantinho e dei alguns biscoitos para ela se distrair, assim poderia começar a organizar tudo. Mesmo atarefada sempre levanto o olhar para vê como a Majú estava. Saio dos meus devaneios quando uma voz conhecida me chamar, me deixando desnorteada, ele sabe que não é permitido que venha até a cozinha.

Ao me vira olho para Andrey com os olhos fixos em Majú, ela parece assustada , mas não desviar o olhar dele é como se de alguma forma já se conhecesse. Para minha surpresa em passos lentos ele caminhar até ela e estende sua mãozinha.

- Oi! me chamo Andrey Albuquerque.

- Me... Meu nome é Majú.

Nunca tinha visto ela gaguejar, ao contrário das outras crianças da sua idade , ela falar um português perfeito, desde um ano quando começou a dizer que era perita em falar e nunca mais parou .

Para meu desespero ele se sentou no chão ao lado dela , pedir que se levantasse , mas ele sempre foi um menino teimoso e faz sempre o que bem entendi. Fiquei petrificada ao ouvir a única pessoa que não esperava o chamando, tentei me mover mais minhas pernas não me obedeciam e quando levantei o olhar ela estava paralisada, olhando com fúria a imagem a sua frente, imediatamente sua voz ecoou no ambiente.

-Levante-se agora Andrey -falou em um tom grosseiro.

Olhei para às duas crianças a minha frente que estavam assustadas pela forma que ela falou, o menino permaneceu no mesmo lugar, mas logo foi puxado pelos braços.

- Nunca mais quero te ver perto dessa menina, você é um Albuquerque e não deve se misturar com pessoas inferiores a nós , agora vamos.

Sentir um nó se formando em minha garganta , olhei para minha filha que tinha o rosto coberto pelas lagrimas, pensei em ir atrás e avança em cima dessa água de arroz , mas o choque da realidade caiu sob mim, não posso deixar minha princesa passar necessidade .

Fui até ela e sentei ao seu lado, enxuguei suas lágrimas e peguei em seu rostinho e comecei a falar.

-Dedicarei a minha vida a trabalhar, nunca mais você passará por isso novamente. Você terá tudo que não me foi permitido ter e algum dia mostrará para todos que não importa as diferenças todos somos iguais.

Anos depois...

Mansão Albuquerque...

ISABEL

DOR! Durante esses últimos dias por mais que eu venha tentando agir normalmente, como se nada estivesse acontecendo está cada vez mais difícil aguentar esse desconforto que traz consigo uma dor insuportável . Tenho vivido na última semana os piores dias da minha vida, tendo que suportar tudo em silêncio para que ninguém sabia que eu não estou bem, agora mais do que nunca preciso desse emprego pois tenho fé e esperança que a minha princesa terá o seu grande sonho realizado e por ela eu preciso ser forte. Deixo meus pensamentos de lado e após pegar o pequeno balde com alguns utensílios de limpeza caminho em direção a sala, a cada passo que eu dava a dor se tornava mais intensa e as minhas pernas estavam quase sem vinda. Assim que adentrei o ambiente senti minhas pernas fraquejar me levando a cai no chão eu tentei gritar por socorro , mas uma dor muito mais forte do que eu já havia sentido antes atravessou a minha espinha ao mesmo tempo que sentir uma pontada em minha cabeça e tudo que me lembro foi da dona Helena surgindo em minha frente e em seguida uma escuridão sem fim se apoderou de todo o meu ser.

MAJU

FELICIDADE ! GRATIDÃO! Essas palavras descrevem tudo que estou sentimento nesse momento. Nunca pensei que entre tantos participantes, e após ter ouvindo várias pessoas sussurrando que alguém como eu nunca teria a chance de ser aprovada entre tantos candidatos que estudaram em escolas de alto nível , ao contrário de mim que sempre estudei em escolas públicas. Hoje vejo que tudo depende da nossa capacidade, do esforço , dedicação e nunca desistir dos nossos objetivos. Com os olhos fixos no papel a minha frente um misto de sensações pairou sobre mim, ao mover minha cabeça vejo que todos os olhares estão voltados em um único alvo "EU". Algumas patricinhas as mesma que ouvir sussurrando alguns meses atrás que eu jamais seria aprovada , agora tudo que vejo em seus olhos e ódio, raiva e inveja pelo fato de uma negra , filha de uma empregada doméstica ter seu nome estampado como o primeira da lista do curso de direito de uma das faculdades mais renomadas e privada do Rio de Janeiro.

Entrar na Escola de Direito do Rio de Janeiro (FGV-Rio), sempre foi o meu maior sonho e jamais teria chegado até aqui se não fosse por Deus e pela minha mãe que sempre fez de tudo para que eu concluísse os meus estudos . Com um giro rápido nos calcanhares e com vários pares de olhos me avaliando de cima a baixo, em passos largos caminhei pelo enorme corredor que dava acesso a saída do lugar. Assim que passei pela grande porta sentir um vento frio bater em meu rosto, a vontade que eu tinha era de saí gritando a todo vapor que eu tinha conseguido, a minha felicidade era tanta que meus batimentos estavam no ritmo alucinante, uma sensação tão boa atravessou todo o meu corpo e a única coisa que se passava em minha mente era chegar logo em casa e dizer para minha mãe que eu tinha sido aprovada.

Horas depois....

Depois de passar quase duas horas em pé imprensado dentro de uma lata de sardinhas ambulante com várias de pessoas, enfim cheguei ao meu destino, eu estava tão eufórica que nem me importei com o incomodo em minhas pernas . Assim que o veículo parou próximo a minha casa , em passos precisos comecei a caminhar na direção da minha casa mais de repente toda sensação boa de segundos atrás que se apoderou de mim se esvaiu e assim que dona Maria a nossa vizinha gritou o meu nome sentir um calafrio atravessa a minha espinha deixando todo o meu corpo em total alerta.

- Até que fim você chegou menina - Pela sua expressão eu sabia que algo tinha acontecido.

- Aconteceu alguma coisa vizinha?

- O motorista do trabalho da sua mãe veio avisar que a deixaram no Hospital municipal Lourenço Jorge.

Ela continuou falando mais tudo que ficou em minha mente foram suas palavras que a minha mãe estava no hospital. MEDO! DESESPERO! Um misto de sensações ruins se fizeram presentes. Agradeci pela informação e correndo feito uma louca fui em direção a parada de ônibus , não demorou muito eu já estava no veículo. Embora tenha se passado somente alguns minutos mais a sensação que eu tinha era horas e horas se passaram e o ônibus nunca chegava onde eu queria . Quando cheguei em frente ao hospital aumentei o ritmo das passadas e adentrei o ambiente, ao chegar na recepção que estava completamente lotada, tive que passa um bom tempo aguardando até que chegou a minha vez.

Assim que deram autorização fui em direção ao quarto onde minha mãe estava , ao entrar no ambiente o médico estava ao seu lado. Em segundos a pequena distância que me separava de estar ao seu lado foi quebrada, ela ao perceber minha presença tratou de colocar um sorriso em seu rosto, mas no fundo eu sabia que ela não estava bem. Sua voz mesmo fraca logo se fez presente.

- Doutor eu já posso ir embora? Deixei muita coisa para ser concluída no meu serviço.

- Dona Isabel eu sinto muito, mas depois dos exames que foram feitos e pelo seu quadro clínico enquanto a senhora estiver em tratamento não poderá trabalhar. Como eu já suspeitava a senhora tem Hérnia de disco cervical e qualquer esforço só vai afetar ainda mais a sua medula espinhal e caso insista em não fazer o tratamento tem grandes chances de nunca mais consegui andar, assim como pode vim a óbito.

Eu estava petrificada, desnorteada, pois o meu mundo tinha acabado de desabar diante dos meus próprios olhos. Olhei para minha mãe que tinha o rosto banhado pelas lágrimas grossas que caiam em sua face e antes que eu tivesse qualquer outro pensamento sua voz entrecortada pelo choro ecoou no ambiente.

- Eu não posso ficar sem trabalhar , nos temos que pagar a prestação da casa em dia ou o banco colocará a leilão. Eu tenho certeza que a minha filha foi aprovada para fazer o curso que sempre sonhou e eu não deixarei que nada falte a minha Maju - Assim que ela terminou de fala tentou se levantar e um grito estrangulador saiu entre seus lábios a fazendo cai novamente em cima da cama.

Ouvir as palavras da minha mãe e vê o estado em que ela se encontrava, só me fez perceber o quanto ela vem se sacrificando todos esses anos para não deixar que nada me faltasse , meus sonhos não são nada perto da saúde da pessoa por quem eu daria a minha vida. A única que me restava a fazer para apaziguar o sofrimento pelo qual ela estava passeando, era cuidar dela como vem feito todo esse tempo por comigo . Segurei em suas mãos e minha voz ecoou no espaço.

- Eu cuidarei da senhora como sempre fez comigo, nada e ninguém vai tirar a nossa casa. Amanhã mesmo eu irei saí a procura de um emprego e não importe o quanto eu tenha que trabalhar não deixarei que tudo que você fez durante todo esse tempo seja em vão. Eu te amo mãe e por você eu farei até o impossível.

Capítulo 2 Doença

MAJU

Alguns dias depois...

Meus pés parecem que estão em carne viva de tanto andar de um lado para outro. Quando minha mãe teve alta, saímos do hospital e gastamos o pouco que tínhamos com todos os remédios que o médico tinha receitado, aproveitei e comprei o jornal. Minha mãe não parava de chorar e se lamentar pelo fato de ter pedido a alguns meses atrás para darem baixar em sua carteira, e foi com esse dinheiro que ela deu entrada e financiou o restante da nossa casa no banco que já é cliente alguns anos. Fecho as portas dos meus pensamentos assim que chegamos em casa. Tratei de levar ela até o seu quarto e após vê que a mesma estava dormindo, voltei para sala e peguei o jornal . Ao olhar para o objeto meus olhos logo foram ao encontro de uma vaga para secretaria , meu coração começou a bater em um ritmo alucinante, minha respiração alterada, no impulso me levantei e peguei rapidamente o cartão telefônico e sair feito uma louca correndo em direção ao orelhão. Depois de fornecer alguns dados e assim que a mulher do outro lado da linha disse que eu deveria ir até o local indicado no anúncio para uma entrevista, minhas esperanças se renovaram depois do momento de pura angustia que passamos horas atrás, encerrei a ligação e com o coração dando pulos de alegria caminhei em direção a minha casa.

Resolvi não dizer nada ainda a minha mãe, pois farei uma surpresa a ela se caso consegui a vaga. Horas depois terminei de fazer o jantar e com minha mãe já alimentada dei boa noite e resolvi tomar um banho e dormir, pois queria chegar bem cedo a entrevista. Acordo em um sobressaltado assim que uma forte luz adentrou o meu quarto, instintivamente me levantei e fui em direção ao banheiro. Minutos depois de banho já tomando e arrumada , fiz o café rapidinho e quando deixei tudo já pronto segui em direção a parada de ônibus.

Depois de horas que mais pareciam uma eternidade enfim cheguei ao meu destino, ao adentrar o prédio tinha uma grande movimentação no ambiente , levantei o olhar e tinha várias mulheres em uma fila o que me deu a confirmação que todas vieram pelo mesmo motivo que eu , não demorou muito e uma mulher loira e muito bonita por sinal começou a distribuir algumas senhas e assim que chegou a minha vez ela me olhou de cima a baixo e logo sua voz de fez presente.

- Eu sinto muito em te informar que as senhas já acabaram , sem contar que você não corresponde aos critérios para vaga em aberto.

Ao ouvir as palavras da mulher a minha frente sentir minha garganta se fechar no mesmo instante que um nó se formou em minha garganta e antes que eu tivesse qualquer outra reação ela levantou a mão e dois brutamontes surgiram no meu campo de visão, novamente a voz enjoativa da desconhecida se fez presente.

- Mostre a mocinha aqui o caminho da saída. E não deixem mais ninguém entrar pois já temos um número suficiente de candidatas que correspondem ao perfil da vaga.

A minha vontade era avança em cima da infeliz, pois eu sei que tudo isso era por eu ser negra pois todas que olhei na fila eram brancas e ainda tinha algumas fichas em sua mão. Respirei fundo e antes que os dois indivíduos se manifestassem minha voz ecoou no ambiente.

- Você sabia que preconceito é crime? E ao contrário do que você disse eu jamais iria querer trabalhar em um local com pessoas tão preconceituosas que julgam as outras pela sua aparência. Não sou eu que não estou me enquadrando ao perfil desde lugar e sim ele que de fato nem deveria existir.

Com um giro nos calcanhares nem esperei que a mulher voltasse a se pronunciar, deixei o lugar sem olhar para trás. Desde esse dia eu venho andando por toda cidade procurando um emprego. Três dias se passaram e tudo que consegui foi uma vaga em uma lanchonete , além de pagar uma miséria eu teria que trabalhar dois turnos e cuidar de toda limpeza do ambiente. Não que eu esteja reclamando mais até o salário que a minha mãe recebia na casa dos Albuquerque era três vezes maior do que haviam me oferecido.

Ontem quando estava alguns metros da nossa e olhei um carro parado em nossa porta, senti um calafrio atravessar por todo o meu corpo aumentei o ritmo das passadas e ao adentrar o ambiente encontrei um senhor na sala conversando com a minha mãe, notando o estado de confusão em que eu me encontrava ela logo tratou de se manifestar.

- Filha esse é João o motorista da família Albuquerque. Ele acabou de me dizer que a vaga que eu ocupava ainda está disponível, pois dona Helena não gostou de nenhuma candidata que foram até a mansão para serem entrevistadas e como ela sabe que você tem mãos de fada na cozinha, mandou o João vim até aqui. Enquanto você não consegue um emprego melhor e eu possa voltar a trabalhar seria bom que ocupasse a vaga, pois todo o dinheiro que tínhamos gastamos com os medicamentos.

Mesmo depois de tantos anos eu jamais consegui esquecer do jeito que aquela mulher me olhou. Helena Albuquerque sempre foi uma mulher que tem um ar de soberba , que pensar ser melhor que todos a sua volta e jamais cogitei voltar a sua casa ou ter que trabalhar para sua família, mas vendo o jeito que minha mãe estava e sabendo que logo teríamos que comprar mais remédios e pagar a prestação no banco eu não poderia pensar só em mim e esquecer tudo que essa mulher que é meu maior orgulho, meu porto seguro já fez por mim, sem pensar duas vezes minha voz ecoou no cômodo.

- O senhor pode dizer a dona Helena que eu irei amanhã bem cedo. Que a vaga que era da minha mãe será ocupada pela sua filha.

Na manhã seguinte...

Olho para o grande portão a minha frente e uma sensação ruim apoderou-se de todo o meu ser, a minha vontade era de dar meia volta e retornar para minha casa . Assim que o portão foi aberto em passos largos caminhei até a entrada que minha mãe havia me dito. Quando adentrei a grande cozinha me deparei com Francisca que era responsável pelas roupas da casa, ela logo tratou de mim dizer que todos não estavam em casa , pois tinham passado a noite na casa de praia mais no final da tarde dona Helena já estaria de volta.

Aproveitei que não tinha ninguém em casa e comecei a limpa todo o ambiente. Depois de ter passado boa parte do dia entre passar pano nos dois andares da casa , lava os quatros banheiros e ainda deixar os vidros brilhando , tomei um banho rápido na área dos funcionários e voltei para cozinha para deixar a mesa da sala já pronta . Pelo menos não teria que fazer jantar pois eles sempre tomavam café ou comiam alguma coisa mais leve, então fiz um bolo e assim que deixei a mesa toda arrumada ao me mover para sair do cômodo a mulher que por anos sempre surgiu em meus sonhos apareceu em minha frente , meus lábios se mexeram e antes que algum som saísse entre eles sua voz grave ecoou no espaço.

- Eu espero que a sua mãe tenha te informado como funcionar as regras aqui. Se limite a fazer o teu serviço e não se esqueça que aqui você é somente uma empregada e não deve jamais se pronunciar se não for solicitada.

Ela nem deixou que eu falasse nada e começou a subir os degraus da escada. Agora eu sei o motivo pelo qual, mesmo tentando disfarçar sempre que minha mãe chegava em casa tinha uma tristeza no olhar. Um sentimento que eu nunca tinha sentido antes pairou sobre mim, nem que eu arrume um serviço de varrer as ruas dessa cidade mais não ficarei sendo tratada como escrava nesse lugar.

Olhei para o relógio na parede que marcava 17:30 da tarde, fui até o quartinho dos funcionários peguei a minha bolsa e deixei o lugar. Depois de alguns minutos na parada não demorou muito e o ônibus surgiu em minha frente, passei todo percurso de volta para casa pensando no que irei fazer no dia seguinte a única certeza que tinha era que não vou voltar para mansão dos Albuquerque. Passei tanto tempo perdida nos meus pensamentos que perdi a noção do tempo transcorrido só me dei contar quando já estava chegando próximo a parada que eu iria descer.

Com um turbilhão de pensamentos ecoando em minha cabeça fui caminhando até chegar em minha casa e ao entregar no cômodo ouvir algumas vozes vindo da direção do quarto da minha mãe, aumentei o ritmo das minhas passadas e ao chegar em seu quarto a vizinha estava próximo a sua cama . Olhei para minha mãe que estava com os olhos inchados e antes que eu perguntasse o que tinha acontecido a mulher do seu lado começou a falar.

- Sua mãe passou muito mal hoje , assim que recebeu a correspondência do banco com o boleto para o pagamento da prestação. Mas por sorte eu tinha vindo trazer um pouco do almoço que fiz e estava aqui para cuidar dela. Como eu disse a sua mãe agora que você está trabalhando na casa dos Albuquerque ela não deve se preocupar, pois terão como continua pagando as prestações.

Engoli em seco ao ouvir as palavras da mulher a minha frente. Vê o estado que ela ficou por medo de não conseguir pagar a prestação imagina como ficaria se soubesse que eu desistir do emprego. Eu não suportaria vê-la sofrendo por minha culpa, eu sei que vou precisar ser forte para suportar todos os obstáculos e não importa quanto isso me queime por dentro, Helena Albuquerque nada do que você possa fazer poderá me ferir mais do que vê a tristeza nos olhos da minha rainha . Eu Maria Júlia Silva farei até o impossível para vê novamente o brilho nos olhos da minha rainha.

Capítulo 3 Reencontro

MAJU

Horas depois ...

Acorda ! Filha !

Acordo em um sobressalto, meu corpo banhado pelo suor. Meus olhos se abriram indo de encontro aos da minha mãe. O forte incômodo que eu sentia na minha garganta me impedia de falar, tudo parecia tão real. Saio do estado catatônico que me encontrava quando ouço a voz da minha mãe.

___ Você está bem meu amor? Foi só um pesadelo.

Seus olhos negros estavam fixos em mim, percebi como ela estava preocupada. Então fiz o que achei ser o certo naquele momento.

___ Sim mãe. Acho que acabei sonhando com o filme que assistir mais cedo.

Ainda atordoada notei que ainda estava escuro. Então voltei minha atenção novamente para ela e disse:

____ A senhora pode volta a dormir já passou.

Ela deu um beijo na minha bochecha e aos poucos sumiu do meu campo de visão. Puxei o meu lençol e fiquei encolhida, ao lembrar do que aconteceu minutos atrás senti um tremor percorrer pelo meu corpo todo, era como se o sonho ruim e aquele homem fossem reais. O mais estranho era por está claro e mesmo assim uma sombra estivesse em volta do seu rosto me impedindo de vê sua verdadeira face.

Passava um pouco mais da cinco da manhã quando sai do meu quarto . Estava acordada fazia algum tempo, pois não conseguia parar de pensar naquele desconhecido, me levantei e tomei um banho para esquecer aquela sensação ruim. Quando entrei na cozinha encontrei a minha mãe que já tinha feito o café, ficamos entretidas conversando e quando olhei para o relógio e vi que já passava das seis . Eu precisava me apressar, terminei o café, lavei as louças, peguei a minha bolsa e após dá um beijo na minha mãe eu saí.

A rua estava tranquila , mas quando entrei no ônibus e o mesmo entrou em movimento, alguns minutos depois me deparei com a cidade do Rio de janeiro bem acordada, com sua energia inesgotável.

Uma hora depois cheguei ao meu destino. Passei voando pelos grandes portões e depois de ir até o pequeno quarto destinada aos funcionários, troquei de roupa e caminhei até a cozinha. Nos minutos seguintes tratei de providenciar tudo para o café da manhã, faltando só colocar na grande mesa o bolo favorito de Helena Albuquerque. Caminhei pelo corredor até chegar à sala grande e luxuosa da grande mansão e depois de colocar o objeto que estava em minhas mãos sob a mesa ouvi uma voz que fez todo o meu corpo estremecer.

___ Bom dia!

Levantei o olhar e fiquei paralisada no meio da sala com os olhos fixos na direção da escada ao me deparar com um homem estonteante. Ele parecia poderoso e confiante em seu terno impecável, cabelos perfeitamente alinhados , ele era lindo.

As minhas pernas pareciam que a qualquer momento iam fraquejar. Ele se moveu e parou em minha frente, seus olhos percorrem o meu corpo me avaliando de baixo a cima até seus olhos ficarem fixos no meu. O jeito como ele olhava para o meu corpo era como um animal prestes a devorar sua presa. Novamente sua voz ecoou.

___ Suponho que você seja a filha da Isabel!

Consegui abrir a boca e respondi.

____ Sim! E você deve ser o Andrey Albuquerque.

Antes que qualquer som saísse entre seus lábios uma voz enjoativa ecoou no ambiente.

____ Para você senhor Andrey Albuquerque.

Voltei minha atenção para mulher que tinha um ar de soberba. Descendo os degraus da escada, e assim que parou em nossa frente voltou a se pronunciar.

____ Como te falei ontem se quiser continuar trabalhando nessa casa, mantenha-se ocupada nos seus afazeres.

Senti um nó se formando em minha garganta, a raiva percorrendo em minhas veias , e assim que ia me manifestar a voz de Andrey novamente se fez presente.

____ Chega mãe! Eu quem falei com ela e como uma boa funcionária estava respondendo a minha pergunta. Agora preciso ir que tenho uma reunião daqui a meia hora.

Ele deu um beijo na testa da mulher a minha frente e com um giro nos calcanhares caminhou em direção a porta. Volto minha atenção para mulher a minha frente quando ouço a sua voz.

____ Não quero nenhuma aproximação sua com o meu filho. Então se mantenha afastada do Andrey ou te mostrarei o caminho da rua.

Cerrei os punhos , e a raiva tomou conta de mim, mas ouvir suas últimas palavras fizeram o nó que estava preso em minha garganta não se libertar.

___ Acredito que pelo estado da sua mãe você precise desse emprego.

Com os olhos nublados pelas lágrimas de ódio. Respirei fundo pois tudo que vinha na minha mente era a imagem da minha mãe. Depois de dizer a ela que não tinha intenção alguma em me aproximar do seu filho me afastei indo em direção a cozinha.

Assim que cheguei no cômodo . Fechei os olhos e me concentrei em um único pensamento. A minha mãe vale qualquer sacrifício, enquanto não arranjar outro emprego eu terei que suportar tudo isso. Durante o resto das horas o meu tempo se resumiu entre limpar a casa e fazer a comida. Com uma dor insuportável em minhas pernas olhei para o relógio e faltava vinte minutos para o meu expediente terminar, foi quando Helena Albuquerque surgiu em minha frente e pediu para deixar alguns lanches prontos pois mais tarde uma amiga viria com sua filha para mansão.

As horas passaram voando e depois de duas horas concluir tudo , olhei para o relógio e já estava bem tarde se não me apressasse perderia o ultimo ônibus. Com tudo já pronto, tomei um banho e já arrumada, deixei a mansão. Olhei para céu que estava escuro e tudo indicava que um temporal estava se aproximando, em passos largos caminhei em direção a parada de ônibus. Tudo estava deserto, passaram quase uma hora e nada do ônibus passar . Eu já estava nervosa quando começou a cai algumas pingos de água .

Fiquei tão distraída com os pensamentos em minha mãe que já devia está preocupada que nem me dei conta

quando um veículo obscuro parou em minha frente, o vidro escurecido escondia até o assento do motorista me deixando em total alerta, mais logo o vidro foi abaixado revelando a última pessoa que não imaginei que surgiria em minha frente. Meus pensamentos foram interrompidos quando sua voz grave se fez presente.

____ Vamos! Eu levo você.

Fiquei totalmente paralisada.

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