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O CEO da Máfia que me Odeia - Um acordo perigoso

O CEO da Máfia que me Odeia - Um acordo perigoso

Autor: Edilaine Beckert
Gênero: Romance
Sofia Kim sempre soube que seu casamento com Richard Brown era um acordo de poder. O que ela nunca imaginou era que seria traída pelo único homem em quem um dia confiou. Horas após o casamento, Sofia descobre que Richard tomou seu império, assumiu suas empresas e roubou sua liberdade. Agora, vigiada, obrigada a trabalhar como sua assistente na própria empresa, e forçada a abandonar tudo o que a fazia ser quem era, ela recebe apenas uma escolha: obedecer... ou colocar a vida de seus homens em risco. Mas Richard cometeu um erro: ele acreditou que poderia controlar Sofia Kim. Determinada a recuperar tudo o que perdeu, ela transforma cada humilhação em combustível para sua vingança. Só que, quanto mais desafia Richard, mais ele perde o controle. Por trás da frieza e das ordens existe um homem consumido por uma obsessão antiga. O que Sofia ainda não sabe é que a vingança de Richard nunca nasceu do ódio, mas de um ciúme que o consumiu por anos. Até onde Sofia está disposta a ir para recuperar seu império? E até onde Richard chegará para mantê-la ao seu lado?
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Capítulo 1 Novo chefe

Capítulo 1

Sofia Kim

Eu tinha acabado de vender minha alma perante Deus, a máfia e um altar cheio de flores brancas.

Agora, horas depois, eu estava sentada em um avião comercial... porque o jato particular de Richard havia tido um "problema técnico" de última hora.

Ajeitei o vestido de noiva que ainda vestia - um modelo longo, elegante e justo demais para a classe econômica, e cruzei as pernas, olhando pela janela enquanto deixava parte do meu império pra trás.

Pelo reflexo do vidro, percebi os olhos de Richard parados na fenda do vestido. Um sorriso escapou antes que eu pudesse conter.

- Gostou? - perguntei, sem desviar o olhar da janela.

- Não. - Franzi a testa e finalmente olhei para ele. - Esse vestido chama atenção demais.

Ignorei. Não vou mudar por causa dele.

Quando o avião tocou o solo na Flórida, um sorriso surgiu no meu rosto. Finalmente veria a filial americana da Kim Enterprises trabalhando. Passei anos administrando aquela empresa à distância e meses preparando aquela equipe. Agora pisaria ali como presidente.

Mas de repente... levantei imediatamente. Meus cinco soldados de elite, homens que me acompanhavam há anos, estavam sendo barrados pela imigração.

- O que está acontecendo com os meus homens?

Só vi os soldados do Richard andando tranquilamente enquanto os meus eram questionados.

Richard se levantou, abotoando o paletó.

- Vamos, Sofia. - Ele apenas me olhou de lado. Seus olhos escuros eram como duas lâminas bonitas, mas perigosos. - Burocracia americana. Meus advogados vão resolver. Você vem comigo.

Parei no corredor.

- Não. Eu vou resolver isso agora.

Dei meia-volta, mas a mão de Richard fechou em meu pulso.

- Solta.

- Eu disse que vou resolver. Não me envergonhe no primeiro dia de casamento, Sofia. Você agora é uma Brown.

Arranquei o braço de sua mão.

- Eu continuo sendo uma Kim.

Ele inclinou a cabeça até nossos rostos ficarem a centímetros um do outro, analisando-me como se aquela ameaça tivesse acabado de entretê-lo.

- Eu gosto quando lembra quem é. - Estreitei os olhos e o empurrei.

- Então lembre também.

Ele era diferente do garoto que eu conheci na infância, muito diferente. O Richard de agora era mais frio, calculista, um homem que eu não conhecia, e meus soldados estavam esperando que eu fizesse algo.

Não esperei resposta. Corri pela pista em direção aos meus homens.

- Afastem-se deles! Vocês não têm ordem para detê-los!

Richard apareceu logo atrás, segurando minha cintura antes que eu avançasse mais.

- Prefeito, peço desculpas pelo transtorno. São apenas os seguranças da minha esposa. Houve um mal-entendido.

Virei a cabeça para ele.

- Prefeito?

Richard sequer me olhou.

- Se puder liberá-los em nome da nossa parceria, eu agradeço.

O prefeito fez um sinal para os policiais. Em segundos, meus homens estavam livres. Talvez eu tivesse julgado Richard cedo demais.

Olhei para frente... uma verdadeira frota de carros nos esperava. SUVs blindados, seguranças armados, tudo impecável. O império Brown era visível. Eu nunca tinha visto tanto poder concentrado em um só lugar fora da Rússia. Até o prefeito o ouviu.

Mas quando meus homens foram liberados, eles não vieram até mim, foram direcionados para outros carros, longe do veículo principal.

Entrei num carro ao lado de Richard.

- Porque meus soldados não estão nos escoltando?

Assim que a porta blindada fechou, percebi que tinha me enganado. A pequena esperança que eu alimentara naquele acordo morreu antes mesmo de nascer.

Richard não era mais o homem calmo de segundos atrás. Ele virou o corpo com violência, agarrou o meu, e me empurrou contra o banco de couro. Em um segundo estava em cima de mim, o peso do corpo prendendo o meu contra o assento.

- Você ousou me desrespeitar na frente dos meus homens? - rosnou, o rosto a centímetros do meu. Os olhos escuros estavam quase negros de raiva. - Na frente do prefeito?

Eu empurrei o peito dele com força, o afastando. O vestido de noiva subiu pelas minhas coxas com o atrito. Ele olhou descaradamente, agora.

- Tem sorte que estou desarmada! - respondi, empurrando-o novamente. - E porque diabos está reclamando se são meus soldados?

Ele segurou meus pulsos acima da minha cabeça com uma mão só. O outro braço apoiado ao lado do meu rosto. Nossos corpos estavam colados. Eu sentia o calor dele, a respiração pesada, o coração batendo forte contra o meu.

Reparei na barba impecavelmente aparada, no perfume discreto e no corte perfeito do cabelo escuro. Richard era o tipo de homem que parecia ter sido esculpido para transmitir poder. Era imponente, ocupava espaço calado.

- Você ainda não entendeu, não é?

Ele desceu o rosto pelo meu pescoço e me deixou desconcertada. Uma sensação predatória, mas não me fez querer afastar, mesmo sabendo o que ele faria.

Richard me beijou. Por um instante, correspondi sem pensar. Meu corpo relaxou contra o dele, lembrando do beijo que me fizera aceitar aquele acordo. O calor de seus lábios, o perfume, a firmeza de suas mãos... tudo parecia igual.

Então percebi que não havia carinho naquele beijo. Havia raiva.

Tentei recuar, mas ele aprofundou o beijo, impedindo que eu me afastasse, e minha irritação explodiu.

Mordi o lábio dele com força suficiente para fazê-lo me soltar.

Richard recuou com um grunhido. Um filete de sangue escorria do canto da sua boca. Eu o empurrei com toda a força que consegui, tirando-o de cima de mim.

- Você não vai me tocar com raiva! - rosnei, ofegante, o peito subindo e descendo rapidamente.

Richard limpou o sangue do lábio com o polegar, olhando para a mancha vermelha em sua mão. Então sorriu lentamente frio. Terrivelmente perigoso.

- Ah não? A partir de agora você vai fazer tudo o que eu disser. - deu uma pausa - Você sabe para onde estão indo seus homens agora?

Meu estômago gelou. Arranquei o celular da bolsa e liguei para meu chefe de segurança. Nada, não havia sinal. Tentei de novo, e de novo.

Richard enfiou a mão no bolso interno do paletó e tirou cinco celulares - todos os aparelhos dos meus homens. Ele os balançou na frente do meu rosto como troféus.

- Está procurando por isso? - perguntou, sorrindo. - Ah, querida esposa... tem tantas coisas que você não sabe.

O pânico, um sentimento que eu não experimentava há anos, subiu pela minha garganta.

- O que você fez com eles, Richard? Se tocar em um fio de cabelo deles...

- Você não está em posição de fazer ameaças, Sofia. Olhe para fora.

Virei o rosto para o vidro fumê do SUV. O carro não estava pegando a rodovia que levava para a mansão dos Brown. Nós estávamos entrando no centro empresarial de Miami. O coração financeiro da cidade.

O motorista reduziu a velocidade e entrou no estacionamento subterrâneo privativo, o logotipo reluzia na entrada.

Era a sede da filial americana da minha empresa. Kim Enterprises.

O carro parou na vaga da presidência. A vaga que pertencia a mim.

- O que estamos fazendo aqui? - perguntei, tentando manter a voz firme, embora meu estômago estivesse revirando.

- Viemos trabalhar - Richard respondeu com simplicidade, abrindo a porta do carro e saindo.

Um dos seguranças dele abriu a minha porta.

Richard estendeu a mão para mim, simulando o cavalheirismo de um recém-casado para as câmeras de segurança do local. Eu ignorei a mão dele, juntei a saia do meu vestido de noiva e saí do carro de cabeça erguida, mesmo descalça. Eu ainda era a chefe ali. Os funcionários daquele prédio respondiam a mim.

Richard caminhou ao meu lado até o elevador privativo que levava direto para a cobertura. O silêncio dele era pior do que qualquer ameaça.

Quando as portas do elevador abriram no andar da presidência, eu esperei ver minha secretária executiva. Em vez disso, a mesa da recepção estava vazia. Todo o andar parecia silencioso demais.

Ele entrou na minha sala e sentou-se na minha cadeira de couro presidencial, apoiou os cotovelos na mesa, cruzando os dedos, olhando para mim como um rei olhando para uma súdita.

Em cima da mesa, havia uma sacola de papel pardo e uma pasta preta de documentos.

- Sente-se, Sofia - ele ordenou, apontando para a cadeira desconfortável de visitas do outro lado da mesa.

- Essa sala é minha. Essa empresa é minha - sibilei, aproximando-me da mesa. - Saia da minha cadeira antes que eu...

- Não é mais sua - ele interrompeu, a voz calma e fria como o gelo da Sibéria. Ele abriu a pasta preta e girou um documento na minha direção. - Seu pai confia cegamente em mim. Tanto que assinou o contrato de casamento de olhos fechados. E você... leu as cláusulas de fidelidade, mas não leu as letras miúdas sobre a fusão de bens.

Meus olhos correram pelas primeiras linhas.

Não...

Voltei para o início, li outra vez, mas o ar começou a faltar, porque tinha minha assinatura e a do meu pai. O selo da família Kim.

Não...

Continuei lendo até que as letras começaram a embaralhar diante dos meus olhos.

Richard Brown era agora o administrador universal de todas as minhas contas bancárias, ações, imóveis e empresas. Eu não tinha mais um centavo no meu nome. Legalmente, dependia dele para tudo.

Richard fechou a pasta.

- Você pertence a mim, Sofia.

Ele inclinou levemente a cabeça, como se estivesse encerrando uma negociação qualquer.

- Diga sim ao seu novo chefe.

Capítulo 2 Nova assistente

Capítulo 2

Sofia Kim

- Você me deu um golpe - sussurrei, a voz falhando por um milésimo de segundo antes da raiva assumir o controle.

- Eu só coloquei ordem na bagunça que seu pai criou. Se é tão boa profissional como se diz, me prove que consegue gerenciar essa empresa melhor que eu e eu te devolvo tudo.

Pegou uma caneta e deixou em pé sobre a mesa.

- Não preciso te provar nada. Se é realmente o homem de confiança que meu pai acredita... Deixe as minhas empresas e meu dinheiro fora disso. Ainda posso tentar fingir que isso nunca aconteceu. Considerar o que vivemos na infância.

Richard sorriu, bateu a caneta sobre a mesa.

- Não tem mais o direito de negociar. As cartas estão claras sobre a mesa.

- Eu confiei em você. - Falei sentindo um nó na garganta. Por mais que eu soubesse que isso foi um arranjo desde pequena, eu sempre me senti confortável perto dele. Pensei que Richard seria não um protetor, mas um aliado diferente.

- Não deveria ter confiado nas palavras de uma criança. - ele corrigiu, sem um pingo de remorso, então empurrou a sacola de papel pardo na minha direção. - Tire esse vestido. Você não é mais a presidente da Kim Enterprises. A partir de hoje, você é minha assistente pessoal. E vai se vestir como uma.

A raiva me queimou por dentro. Respirei tentando me controlar pra não matar meu marido no primeiro dia de casada.

Puxei o conteúdo da sacola. Meu coração despencou. Era um conjunto de saia e blazer cinza-escuro e longo, de um tecido barato, folgado, completamente sem corte. Uma roupa de senhora, feita sob medida para apagar qualquer traço da minha beleza, do meu poder e da minha dignidade.

- Eu prefiro morrer a vestir isso - rosnei, jogando a roupa na cara dele.

Richard pegou o tecido no ar sem alterar a expressão. Ele se levantou, caminhou até mim e segurou meu queixo com força, me obrigando a olhar para o monstro que eu tinha colocado na minha vida. É claro que poderia quebrar seu nariz ou qualquer parte do corpo dele, mas esperei pra ver...

- Você tem duas opções, Sofia. Ou você veste isso e assume o seu novo lugar, ou os seus cinco soldados, que estão trancados em um galpão no porto agora mesmo, começam a voltar para a Rússia dentro de sacos de lixo. Um por um. A escolha é sua, minha querida esposa.

Ele soltou meu queixo com um empurrão e apontou para o banheiro privativo da sala.

- Você não faria isso... Eu te mataria antes. E outra... Como pretende explicar tudo isso para meus pais?

- Não se preocupe porque passei mais de um ano planejando. E, acredite... Seus pais nunca saberiam realmente o que aconteceu. - Por um segundo parei pra pensar e talvez ele realmente pudesse machucar aqueles homens. Primeiro preciso descobrir o que aconteceu e porque Richard está assim. Se sempre foi esse imbecil que está sendo... Ou tem algo aí que ainda não sei.

- Hm... - levantei da cadeira e me aproximei dele.

- Você tem cinco minutos para se trocar. O seu primeiro dia de trabalho começa agora.

- Sim chefe. - Respondi com tanto entusiasmo que percebi que ficou desconcertado. Ajeitou a gravata, engolindo seco.

Vou fazer esse idiota cair no próprio jogo. Vamos brincar um pouco, Richard.

Sorri, soltei com facilidade o penteado deixando meus cabelos caírem sobre as costas. Então levando as mãos pra trás alcancei o zíper, abrindo com facilidade.

- O que está fazendo?

- Não me mandou trocar de roupa? - encarei Richard praticamente debruçando sobre a mesa.

Ele levantou apressado e foi até a porta fechando.

- Você é muito descarada, mesmo! Tá querendo mostrar seu corpo para todos os funcionários? - olhei ao redor enquanto continuava descendo o vestido.

- Não vejo ninguém aqui.

- Eu estou aqui. - veio mais perto. Sua respiração estava ofegante, suas mãos na cintura e seu rosto parecia transpirar.

- Bom, tanto faz. Você faz um drama danado.

Quando o vestido deslizou pelos meus ombros, Richard ergueu os olhos por reflexo, e seu maxilar travou. Durante um segundo inteiro, ele apenas me encarou, depois virou o rosto.

- Vista essa droga, Sofia. - Continuei descendo o vestido lentamente. Ele respirou fundo, fechou os olhos por um instante e passou a mão pelo rosto como quem tentava recuperar o controle.

- Está surda?

- Achei que quisesse que eu me trocasse.

- Está me provocando Sofia? - mas no mesmo instante eu coloquei a mão a frente do corpo, deixando claro que estava impedido.

Antes que Richard tentasse qualquer coisa, virei de costas como se apenas procurasse a roupa.

Meu coração acelerou. Faltavam apenas três passos até o cofre... Dois, um...

Richard permaneceu onde estava, encostei a ponta do dedo no leitor biométrico. Foi nesse instante que ele percebeu.

- Sofia...

Já era tarde. Em dois segundos minha Glock automática estava apontando pra ele.

Richard olhou para a Glock, depois voltou os olhos para mim. Nem piscou.

- Vai atirar? - Permaneci em silêncio. Ele deu mais um passo.

- Então atira.

- Isso é meu. Não tem nenhum documento que diga que essa arma não é minha. Aliás, tenho mais algumas ali dentro e estou pensando que posso fazer um estrago com elas. O cofre só abre ou fecha com a minha ordem.

Sem desviar a Glock de mim, Richard sacou a própria arma. Em vez de apontá-la para minha cabeça... Encostou o cano na minha cintura.

Depois me puxou para perto.

- Não preciso das suas armas. Só mandei largar.

O jeito como ele olhava era estonteante. Não parecia querer me punir, parecia querer me beijar.

- Você virou exatamente o tipo de problema que imaginei que se tornaria... Agora entendo por que tantos homens morrem por sua causa. - Sua mão segurou minha cintura com mais força e sua arma estava de frente para a minha.

Interessante... então esse era o ponto fraco dele. Preciso trabalhar no ponto certo. Abaixei a arma, suavizei meu corpo, cheguei bem perto dele.

- O que mudou desde a nossa infância Richard? Você era tão diferente. - Com a mão esquerda acariciei seu peitoral - Pensei que a nossa primeira noite de casados seria... - subi os dedos lentamente pelo seu pescoço até chegar no seu queixo. - No mínimo interessante...

Ele soltou o ar pela boca, segurou melhor a minha cintura. Aproximou o rosto, sua respiração tocava meus lábios.

Ficamos assim durante vários segundos, bastava um centímetro. Apenas um.

Então encostei o cano da Glock no peito dele.

- Não estrague a única lembrança boa que tenho de você.

- Você esqueceu que é minha esposa?

- Não, me lembro a cada maldito segundo. É uma pena que não consigo mais confiar em você e você não confia em mim. Quando eu recuperar minha empresa e você cair em si, poderemos voltar a ter essa conversa. Agora se afasta que estou em horário de trabalho.

Segurei as peças pra vestir sem soltar minha arma, mas ele segurou meu pulso.

- Eu não disse que era pra vestir.

- Disse sim. Só estou cumprindo ordens.

- Não, isso foi antes. Agora vamos pra casa. - Ergueu meu vestido de noiva do chão. - Vista.

- Você precisa decidir o que quer Richard. Não vai poder ter a funcionária e a mulher ao mesmo tempo.

- Vista o vestido. - Repetiu entre dentes.

- Não. - Ele olhou para o relógio.

- Tem dez segundos.

- E se eu não vestir?

- Um dos seus soldados perde um dedo.

"Merda!"

Peguei o vestido.

Arrumei a arma pra colocar por baixo, e vi que ele iria me barrar, mas fui mais rápida.

- Nem tente. Ou a gente vai descobrir quem morre primeiro. - Ele ficou vermelho, apertando a arma dele. Mas seu celular tocou, e Richard virou as costas abrindo a porta.

Acho que consigo lidar com isso.

Vamos ver o quanto o senhor Brown consegue aguentar?

Mas de repente... Me assustei ao ver meus funcionários do lado de fora. Não muitos, mas pessoas que sempre liderei e enviei pra cá.

Todos olharam para mim, Richard caminhou primeiro, sem sequer me olhar e nem atender seu celular, disse:

- Apresento a nova assistente da presidência.

Todos me reconheceram, mas ninguém teve coragem de dizer uma palavra.

Eu sorri. Certo.

Se ele queria uma assistente... Ia descobrir como era perigoso contratar Sofia Kim.

Capítulo 3 Me conhece bem

Capítulo 3

Sofia Kim

(Meia hora depois)

Eu não fazia ideia de que uma prisão pudesse ter vista para o mar.

A mansão dos Brown era enorme e ficava bem de frente para o mar escuro de Coconut Grove. Parecia uma fortaleza moderna, cercada de muros altos e seguranças armados por todos os lados. Saí do carro ainda vestindo o mesmo vestido de noiva, todo amassado. O tecido pesado e desconfortável grudava na minha pele.

Richard caminhava à frente, sem olhar para trás.

Assim que entramos no hall principal, não consegui mais segurar a raiva.

- Precisamos conversar, Richard. Tem muita coisa que ainda não entendi, e nem se quer sei onde estão as minhas malas e meus...

- Seu quarto fica à esquerda - interrompeu ele, a voz neutra. - Segundo andar, última porta do corredor oeste.

Não disse mais nada. Apenas subiu as escadas como se eu fosse um incômodo passageiro.

- Você não vai nem conversar? - Eu o segui, pisando duro.

A raiva queimava tão forte que mal prestava atenção nos degraus.

- Olha pra mim enquanto falo, Richard! - No quarto lance, meu pé esquerdo prendeu na barra do vestido, meu corpo desequilibrou para trás.

Por um segundo, o tempo parou, a mão de Richard disparou e envolveu minha cintura com firmeza, puxando-me contra seu peito antes que eu caísse. Meu corpo colidiu com o dele.

"Como ele voltou tão rápido pra me segurar?" Será que estava me olhando quando reclamei?

Por longos segundos, ficamos assim, peito contra peito, meu rosto a centímetros do seu. Senti o calor do seu corpo através da camisa, o cheiro familiar do seu perfume, a respiração quente roçando minha testa. Seus dedos apertaram minha cintura quase possessivamente. Nossos olhares se encontraram. O ar ficou preso na minha garganta.

Eu odiava admitir, mas Richard sempre teve uma beleza irritante. Quanto mais frio parecia...

Mais impossível era ignorá-lo.

Tem um nariz discreto que combina perfeitamente com o volume da boca. Seus olhos parecem desenhados.

Por um instante, pareceu que ele ia me beijar, mas nada aconteceu. Levei a mão até seu rosto devagar.

- Talvez não seja tão frio quanto parece... - deixei escapar. Então antes que minha mão o tocasse - tão rápido quanto me segurou, ele me soltou.

Sem uma palavra, nenhuma expressão. Apenas retirou a mão como se tocar-me tivesse queimado sua pele.

Então foi só um reflexo...

- Presta mais atenção nos próprios pés - e continuou subindo as escadas.

Fiquei parada por dois segundos, o coração disparado, antes de conseguir me mover novamente.

Grosso.

Cheguei ao quarto e bati a porta com toda a força. Quando me virei, o ar ficou preso em meus pulmões mais uma vez, mas por um motivo completamente diferente.

Dentro era exatamente como eu descrevia aos quinze, dezesseis anos, quando ainda sonhava que um dia teria um espaço só meu. Um piano de cauda preto brilhava perto da varanda aberta. Prateleiras embutidas exibiam primeiras edições de clássicos russos - Tolstói, Dostoiévski, Tchékhov e os volumes de poesia que eu escondia debaixo da cama.

Flores brancas (lírios e rosas) estavam dispostas em vasos altos por todo o ambiente, exatamente como eu gostava. A varanda dava para o mar, com uma poltrona antiga de leitura posicionada perfeitamente para ver o horizonte.

Tudo tinha sido preparado com cuidado obsessivo..., mas porque se ele me odeia?

Toc-toc - ouvi batidas na porta.

Quando abri, uma mulher de meia-idade, com uniforme impecável, entrou carregando uma bandeja.

- Boa noite, senhora Brown. Sou Elena, a governanta-chefe.

Ela colocou a bandeja sobre a mesinha de centro e sorriu com gentileza.

- Eu não pedi nada. Porque essa comida?

- O senhor Brown pediu que eu trouxesse isso. Disse que a senhora fica extremamente irritada quando passa muitas horas sem comer.

Olhei para a bandeja, havia blinis quentes, dourados, com caviar vermelho fresco, creme azedo espesso e endro picado por cima. Ao lado, um pequeno prato de pelmeni caseiros, servidos com manteiga derretida e um fio de vinagre - exatamente do jeito que minha mãe preparava quando eu estava nervosa ou com saudade de casa em alguma missão com eles. O cheiro me atingiu como uma onda de nostalgia.

Fiquei sem reação.

- Quem... quem escolheu tudo isso? - perguntei, a voz mais fraca do que eu gostaria. - O quarto, a decoração... comida.

Elena respondeu com naturalidade:

- O senhor Brown fez isso pessoalmente. Ele mesmo projetou este quarto.

- Quando? - Elena sorriu.

- Há bastante tempo. - Fiquei confusa agora... Preparou tudo isso antes..., mas também preparou minha ruína? O que está fazendo Richard?

- Certo. Obrigada Elena.

Comi em silêncio, estava morrendo de fome. Cada garfada parecia uma pequena traição ao meu ódio. Quando terminei, me senti menos furiosa e mais confusa.

A porta da varanda deslizou atrás de mim.

Não precisei olhar, reconheci o perfume antes mesmo da voz.

Richard estava encostado no batente, sem paletó, mangas da camisa dobradas, parecendo quase humano sob a luz fraca da lua. Um humano bonito, aliás.

- Então você tem acesso ao meu quarto?

- Sim. - Balancei a cabeça incrédula. Não teria minha privacidade.

- Você não precisava ter feito isso - murmurei, olhando para o mar.

- Eu me lembrava de como você falava desse quarto quando era mais nova - respondeu ele, a voz baixa.

- Então ainda se importa comigo Richard? - ele me olhou, sorriu com o canto da boca.

- Isso é coisa simples pra mim, Sofia. Não confunda planejamento com carinho. Eu gosto das coisas exatamente onde quero que estejam. - Vi que falava enquanto observava meus lábios.

Por um momento, o ar entre nós ficou leve. Quase doce. Quase como nos velhos tempos. Eu quase sorri para ele.

Quase. Até lembrar que tínhamos pendências importantes...

- Onde estão meus homens, Richard? - A mudança foi brutal.

O rosto dele endureceu instantaneamente. Os olhos escureceram, e a temperatura pareceu cair. Ele deu dois passos à frente, invadindo meu espaço pessoal. A suavidade de segundos atrás evaporou por completo.

- Seus homens - repetiu ele, com nojo na voz, sorrindo sem humor - Sempre os seus homens. Especialmente o Viktor, não é?

Ele sabia o nome. E o jeito como pronunciou "Viktor" deixava claro que não era simples informação.

- Eles estão bem? - insisti.

Richard inclinou o rosto para perto do meu, a voz baixa e letal:

- Por enquanto, sim. Estão no galpão, alimentados e inteiros. Mas escute bem o que eu vou te dizer... se você continuar falando deles como se fossem mais importantes do que o homem com quem acabou de se casar, Sofia... Se eu ouvir o nome de qualquer um daqueles cinco saindo da sua boca novamente - fora de uma ordem minha -, um deles perde a mão. E eu vou começar pelo Viktor.

- Hm?

- Ouse Sofia... E você vai descobrir exatamente o quanto eu posso ser cruel quando algo meu é ameaçado. - Ele não estava falando de poder. Estava falando de mim. Não era ciúmes dos soldados, era posse.

Senti um arrepio.

Ele sustentou meu olhar por mais um segundo, deixando a ameaça pairar no ar. Então se virou e caminhou até a porta.

- Durma. Amanhã você começa como minha assistente, eu espero obediência total. Suas roupas ficam no closet. - Bateu a porta.

Fiquei olhando o mar, o coração batendo forte contra as costelas, porque estava me enganando outra vez com ele.

Richard Brown não era apenas um monstro. Era um monstro que me conhecia melhor do que ninguém. Isso o tornava muito, muito mais perigoso.

Caminhei até o closet procurando as minhas coisas, mas quando abri a porta...

Parei de respirar.

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