Eu estava chegando em casa após uma noite intensa com uma morena incrível. Os momentos que passamos juntos ainda ecoavam em minha mente, mas eu precisava voltar à realidade. Assim que saí do carro, percebi dois jovens parados na portaria, claramente esperando por mim. Eu os reconheci de imediato - eram membros da minha equipe.
Com um aceno casual, cumprimentei os rapazes e dei sinal para o porteiro liberar a entrada deles. Não havia necessidade de formalidades. Eles eram parte do meu círculo mais próximo, e eu confiava neles como confiava em mim mesmo.
Subimos juntos no elevador, e durante o curto trajeto até meu apartamento, observei os olhares determinados nos rostos dos jovens. Eles tinham uma energia palpável, uma mistura de entusiasmo e respeito que eu sempre valorizava em meus homens. Era evidente que estavam prontos para o que quer que estivesse por vir.
Ao chegarmos ao meu andar, a porta se abriu e entramos no apartamento. O ambiente luxuoso contrastava com a atmosfera tensa que pairava entre nós. Meus pensamentos voltaram para os negócios, para os desafios que enfrentamos diariamente nesse mundo perigoso que escolhemos habitar.
Sentei-me em uma poltrona confortável na sala de estar e fiz um gesto para que os jovens se acomodarem também. Era hora de negócios.
― Então, o que temos para hoje? ― perguntei, meu tom de voz firme e determinado. Sabia que podia contar com esses rapazes para lidar com qualquer situação que surgisse, mas ainda assim, eu precisava estar a par de tudo.
Um dos jovens, JP, tomou a palavra e começou a relatar os últimos acontecimentos no submundo do tráfico. Ele falava com confiança e clareza, demonstrando um profundo conhecimento da situação atual e das estratégias necessárias para mantermos nosso controle sobre o morro.
Enquanto ele falava, eu observava atentamente, absorvendo cada detalhe, cada informação crucial que poderia influenciar nossas próximas jogadas. Era assim que eu operava - com precisão, determinação e uma mente afiada para os negócios.
Conforme a reunião avançava, discutimos planos, analisamos riscos e tomamos decisões estratégicas. Não era fácil liderar um império como o nosso, mas com uma equipe leal e dedicada ao meu lado, eu sabia que era capaz de enfrentar qualquer desafio que surgisse.
Quando a reunião chegou ao fim, eu agradeci aos jovens pela sua dedicação e comprometimento. Eles eram o coração pulsante da minha operação, e eu nunca deixava de reconhecer e valorizar seu trabalho árduo.
― Para não falarem merda, reconheço o trabalho e a fidelidade de vocês. Então recebam isso com agradecimento. ― Abrir a gaveta da mesa e joguei dois malotes de dinheiro na direção deles, que abriram um largo sorriso.
― Caraca chefia. Muito obrigado. ― respondeu o JP pegando o malote e colocando na mochila.
― Valeu mesmo. Quando precisar é só chamar. ― respondeu o outro. Ficou olhando o malote por um tempo. Era a primeira vez que aquele menor estava pegando no dinheiro, ainda mais aquele monte de dinheiro. Faz um mês que ele está trabalhando comigo nesse negócio, quem trouxe foi o próprio JP. Foi expulso de casa por fumar maconha pelo pai conservador, estava precisando de dinheiro e por isso que está na minha equipe. Tenho que dizer, ele trabalha direitinho.
Sentados na sala, com uma atmosfera um tanto mais leve após a breve troca de risos, eu os encaro com seriedade. JP e João, esses jovens são da minha confiança, estavam ali diante de mim, prontos para discutir os assuntos mais importantes.
― Agora que todos estão felizes, podemos falar do trabalho. ― digo com firmeza, deixando claro que é hora de abordarmos os negócios.
Os olhares dos jovens se voltam para mim, e posso ver a determinação em seus rostos. Eles sabiam que a conversa agora seria séria e crucial para os nossos negócios.
― Estou pensando seriamente em mudar o local de vendas. ― Assim que disse isso, noto que eles se entreolham por tempo, depois o menor fala.
― Mas por que chefia? Estamos vendendo pra caralho lá no morro, até gringo tá comprando. O material é de qualidade. ― indaga o João, não entendendo o motivo de eu querer mudar o local das vendas.
― Verdade, não sei por que o senhor quer mudar o local? Estamos faturando muito com as vendas. Por dia estamos tirando cinco mil. Ainda mais com o turismo lá na favela e sem contar dos bailes que está tendo lá na Maré. ― Afirma o JP. E o João balança a cabeça concordando com ele.
― Sim, pode até ser. ― comecei, os olhos fixos no horizonte enquanto deixava escapar um suspiro pesado. ― Mas estou cansado dessa porra. Meu produto é o melhor do Rio de Janeiro e não merece ficar nessas favelas. E é por isso que quero mudar, ampliar minhas vendas.
Cansado da rotina opressiva das favelas, onde a violência e a instabilidade eram constantes, eu sentia que era hora de alçar voos mais altos. Meu produto era de qualidade superior, e eu sabia disso. Não fazia sentido mantê-lo confinado a esses ambientes caóticos.
Olhei para Pedro e João, meus dois parceiros mais próximos, esperando que eles entendessem a gravidade da situação. Eles conheciam meu compromisso com a excelência e sabiam que não tolerava nada menos que o melhor para minha operação.
― Estou falando sério. ― continuei, meu tom de voz firme e determinado. ― Quero expandir nossas vendas para áreas mais lucrativas e menos voláteis. É hora de darmos o próximo passo.
Pedro e João trocaram olhares significativos, compreendendo a seriedade da minha decisão. Eles sabiam que isso significaria enfrentar novos desafios e possíveis obstáculos, mas confiavam em minha visão e estavam prontos para seguir adiante.
Eu me levantei da cadeira, a determinação pulsando em minhas veias. Era hora de agir, de fazer acontecer. Minha decisão estava tomada, e eu estava determinado a levar meu produto ao topo, não importando os obstáculos que surgirem no caminho.
Com passos firmes, eu me dirigi à janela, olhando para o horizonte com uma nova determinação. Estava na hora de mudar o jogo, de mostrar ao mundo do que éramos capazes. E eu estava pronto para liderar essa revolução.
― Chefe, está pensando aonde vamos vender? ― perguntou o João. Me virei e olhei para eles com um sorriso largo no rosto.
― Sim e já tenho lugar certo e não vamos ter problema com as vendas.
― Que maneiro, mas vai ser aonde? ― inquiriu o JP me fitando.
― Vai ser numa boate. E não vai ser qualquer boate, vai ser na minha! ― afirmo, depois de me sentar no meu sofá. Eles me olham confusos.
Depois de expor minha decisão de expandir nossas vendas para uma boate, encarei JP e João, observando a confusão estampada em seus rostos. Era compreensível. Eles não esperavam essa reviravolta nos nossos planos, e eu entendia perfeitamente suas dúvidas.
- Sim, é isso mesmo. - respondi, mantendo minha expressão séria. - Vou abrir uma boate, e será lá que vamos vender nosso produto.
Os olhares de incredulidade dos jovens me atingiram, mas eu estava decidido a seguir adiante com minha ideia. Era arriscado, eu sabia, mas também era uma oportunidade única para expandirmos nossos negócios de uma forma completamente nova.
- Mas você tem uma boate? - perguntou JP, ainda tentando processar a informação.
- Não ainda. - admiti, - MAS vou abrir uma. E será a melhor boate da cidade.
Expliquei-lhes minha visão para o empreendimento, detalhando os planos de transformar o local em um ponto de encontro exclusivo, onde a elite da cidade se reuniria para se divertir e, é claro, consumir nosso produto de qualidade superior.
À medida que eu falava, podia sentir a energia mudando na sala. A incredulidade dos jovens estava sendo substituída por um brilho de entusiasmo em seus olhos. Eles começaram a entender a magnitude da oportunidade que se apresentava diante de nós.
- É uma ideia ousada. - comentou João, com um sorriso se formando em seus lábios. - Mas se alguém pode fazer isso acontecer, é você, chefe.
Eu retribuí o sorriso, sentindo uma onda de determinação renovada inundar meu ser. Eles estavam certos. Essa era minha chance de mostrar do que éramos capazes, de elevar nossos negócios a um novo patamar.
― Vamos fazer isso. ― declarei, minha voz ecoando com confiança. ― Vamos transformar essa boate no ponto de referência da cidade, e nossas vendas vão disparar.
Com um novo sentido de propósito, mergulhamos de cabeça na elaboração dos planos para nossa nova empreitada. Cada detalhe foi meticulosamente planejado, discutido e refinado até alcançarmos uma visão clara do que queríamos construir.
Primeiro, decidimos sobre a localização ideal para a boate. Queríamos um lugar que fosse acessível, mas também exclusivo o suficiente para atrair uma clientela de alto nível. Depois de examinarmos várias opções, encontramos um prédio histórico no coração da cidade que se encaixava perfeitamente em nossos critérios. Era espaçoso, elegante e oferecia um ambiente ideal para o tipo de experiência que queríamos proporcionar aos nossos clientes.
Com a localização definida, passamos para o design interior da boate. Queríamos criar um ambiente luxuoso e sofisticado, com uma atmosfera que cativasse os sentidos e convidasse as pessoas a se entregarem à diversão e ao prazer. Contratamos os melhores designers de interiores da cidade para transformar nossos conceitos em realidade. Desde a disposição dos móveis até a escolha das cores e texturas, cada detalhe foi cuidadosamente planejado para criar uma experiência única e inesquecível para os nossos clientes.
Ao mesmo tempo, desenvolvemos uma estratégia de marketing abrangente para promover a boate e atrair a atenção do público. Utilizamos uma combinação de publicidade tradicional, mídias sociais e eventos especiais para gerar interesse e criar expectativa em torno da inauguração. Queríamos que as pessoas falassem sobre nossa boate muito antes de ela abrir suas portas pela primeira vez.
Enquanto trabalhávamos nos detalhes finais, a empolgação e a energia eram palpáveis. Todos estavam comprometidos com o sucesso do empreendimento, e isso se refletia em cada decisão que tomávamos. Sabíamos que estávamos prestes a lançar algo verdadeiramente especial, algo que iria deixar uma marca indelével na cidade e no mundo do entretenimento noturno.
***
Finalmente, o grande dia chegou. A boate estava pronta, os convidados estavam chegando e a expectativa estava no ar. Eu olhei em volta, maravilhado com a transformação que havíamos realizado. O prédio que antes estava vazio e sem vida agora pulsava com energia e vitalidade, pronto para receber seus primeiros clientes.
À medida que as portas se abriam e as pessoas começavam a entrar, senti um misto de emoções: nervosismo, excitação, gratidão. Este era o momento que tanto esperávamos, o culminar de meses de trabalho árduo e dedicação. Eu sabia que não importava o que o futuro reservasse, esta noite seria lembrada como o início de algo grande.
E então, com um sorriso nos lábios e um brilho nos olhos, eu dei um passo à frente e entrei na boate. Estava um espetáculo, está melhor do que imaginei. Enquanto estava admirando a minha ideia que acabou virando realidade. Logo os caras vieram até mim.
― Caraca chefia. Isso aqui ficou irado mesmo! ― exclamou o João quando parou do meu lado. Estava ainda observando a boate.
― Tenho que concordar com você, não com essas palavras. Mas está incrível mesmo. E o melhor, que não para de vir gente para cá. Só gente de alto nível: empresários, jogadores de futebol e etc. ― mencionei para eles que sacudiram a cabeça concordando.
― Não podemos esquecer de falar das gatas que tem aqui. Só mulher gostosa! ― declarou o JP que estava encantando por uma loira que acabou de entrar com um jogador de futebol muito famoso.
― Sim, mas não esquecem que vocês estão trabalhando. Isso aqui não é para ser divertir e sim trabalhar, vender o meu produto. ― lembrei os dois, olhando com firmeza e sério. Eles são meus braços direito nesse negocio, mas não podem esquecer que eu mando nessa porra.
― Claro chefia. Sem problemas. ― respondeu o João, depois saíram e foram acatar o que tinha ordenado.
Também decidi dar uma volta pela boate para ver como as coisas estavam indo. Enquanto caminhava pelos salões, cumprimentei algumas pessoas que me reconheceram e troquei alguns acenos amigáveis. Era reconfortante ver rostos familiares e sentir a energia positiva que permeia o ambiente.
À medida que me aproximava do bar, fui saudado pelo bartender com um sorriso caloroso. Fiz um sinal para ele preparar a minha bebida, vodka no gelo. Peguei minha bebida e continuei minha caminhada pela boate, observando os convidados dançando e conversando animadamente.
Enquanto observava as pessoas se divertindo, senti um orgulho imenso do que havíamos conseguido criar. A boate estava cheia de clientes para os meus produtos, pulsando com energia e vibração. Era exatamente o tipo de atmosfera que eu havia imaginado quando tive a ideia de abrir este empreendimento.
Conversando com alguns dos clientes, ouvi elogios sobre a decoração, a música e a vibe da boate. Suas palavras de aprovação encheram meu coração de satisfação e gratidão. Saber que estávamos proporcionando uma experiência memorável para as pessoas era uma recompensa por todo o trabalho árduo que havíamos dedicado a este projeto.
Enquanto eu continuava a percorrer os salões, aproveitando o clima festivo e a animação dos convidados, senti uma sensação de realização profunda. Este era o resultado de meses de planejamento, sacrifício e determinação. Ver a boate prosperando era a confirmação de que havíamos tomado a decisão certa ao seguir nossos sonhos.
Com um sorriso nos lábios e o coração cheio de gratidão, eu sabia que este era apenas o começo de uma jornada emocionante. Havia muito trabalho a ser feito, muitos desafios a serem superados, mas eu estava pronto para enfrentar-los de cabeça erguida. Esta boate era mais do que apenas um negócio para mim; era uma expressão da minha paixão, da minha visão e do meu compromisso em oferecer o melhor para os nossos clientes.
Enquanto eu caminhava pela boate, observando os clientes se divertindo e desfrutando da minha boate, meus olhos foram atraídos para uma mesa no segundo andar. Lá estava ela: uma bela morena, sentada sozinha, envolta em uma aura de mistério e elegância.
Seus cabelos escuros caíam em cascata pelos ombros, destacando seus traços delicados e sua pele suave. Seus olhos, profundos e intensos, pareciam capturar a luz da boate, brilhando com um brilho sedutor que me deixou hipnotizado.
Por um momento, parei no meu caminho, incapaz de desviar o olhar. Havia algo magnético nela, algo que me puxava para mais perto, me fazendo esquecer tudo ao meu redor. Era como se o tempo tivesse parado e só existíssemos nós dois naquele momento.
Com um impulso irresistível, fui até ela, precisava falar com ela. Porém, na mesma hora, parei quando vi um homem de terno se aproximando da mesa onde ela estava sentada. Estava recuando daquela mesa, mas, quando estava saindo, ouvi uma voz.
― Ei? Ei, não está ouvindo eu chamar? ― a voz rude do homem me tirou de meus devaneios, e eu me virei para encará-lo, perguntando-me o que ele queria comigo.
― Porra, finalmente! Agora vem aqui! ― ele acenou para que eu me aproximasse da mesa, e eu olhei ao redor, confirmando que era comigo mesmo que ele estava falando. Respirei fundo, me preparando para lidar com a situação.
― Vai ficar aí parado? Estou te chamando, não está vendo? Vem logo aqui e pegue mais bebida para mim! ― sua voz era áspera e exigente, como se eu fosse apenas um serviçal à sua disposição.
Antes que eu pudesse responder, a voz suave da morena ao meu lado interveio.
― Por favor, não fale assim com ele ― ela disse, sua expressão preocupada ― ele não é um garçom.
No entanto, o homem não pareceu se importar com sua intervenção.
― Cale a boca ― ele ordenou, cortando-a abruptamente ― você não sabe de nada. Você é paga para transar, não para opinar.
A raiva queimou dentro de mim ao ouvir suas palavras cruéis. Como ele ousava falar assim com ela? Ela era uma pessoa digna de respeito, não apenas um objeto para ser usado e descartado.
― Hey, cara ― disse eu, minha voz calma, mas firme ― não fale assim dela. Ela merece respeito, assim como qualquer outra pessoa.
O homem me encarou com surpresa, como se não estivesse acostumado a ser desafiado.
― E quem você pensa que é para me dizer o que fazer? ― ele rosnou, sua raiva aumentando.
― Eu sou o dono dessa boate ― respondi, minha voz agora tingida com autoridade ― e não tolero desrespeito em meu estabelecimento. Agora, ou você trata minha cliente com respeito, ou terá que sair.
O homem olhou para mim, avaliando minhas palavras com cautela. Por um momento, pareceu que ele ia argumentar, mas então ele pareceu pensar melhor e se levantou abruptamente da mesa.
― Você não vai ouvir a última de mim ― ele murmurou, antes de se afastar em direção à saída.
Assim que ele se foi, eu me virei para a morena ao meu lado, preocupado com sua reação.
― Você está bem? ― perguntei, colocando minha mão gentilmente em seu ombro.
Ela assentiu, um sorriso grato brilhando em seus olhos.
― Obrigada por intervir ― ela disse, sua voz suave ― você é diferente da maioria dos homens que conheço.
Eu sorri, sentindo um calor reconfortante se espalhar dentro de mim.
― Você merece ser tratada com respeito ― eu disse sinceramente ― e eu farei de tudo para garantir isso enquanto estiver sob o meu teto.
― Agradeço mais uma vez por isso. Mas não posso ficar, meu acompanhante foi embora e não posso ficar. E não sei como vou pra casa... ― ela mencionou, estava pegando sua bolsa e levantando da mesa, se preparando para sair dali. No impulso, me levanto da mesa e ergo a minha mão até o seu braço, a segurando.
― Olha, você não precisa sair desse jeito. Pode ficar mais um pouco ― peço, depois me afasto, mas não tiro os olhos dela e continuo ― depois, chamo um Uber para levá-la pra casa. Mas fica mais um pouco. Pode desfrutar, é por minha conta, pode pedir qualquer bebida. ― ela me fita por um tempo, acho que está pensando se vai aceitar o meu convite.
Logo chega o João vindo na minha direção.
― Chefia, posso falar com o senhor?
― Agora não dá, depois você volta aqui ― me viro para dar atenção naquela morena linda, mas ele continua.
― Mas chefe... ― ele dá um passo, mas parou por conta daquela morena que ficou olhando para ele, depois desviou o olhar ― é importante. É sobre as vendas...
― Sim, isso eu entendi! Se não viu, estou ocupado, estou falando pra você voltar depois! ― determino para aquele menor, acabei alterando o meu tom de voz e lancei um olhar severo para ele.
Ele logo me obedeceu e se afastou, saindo de perto da mesa. Em seguida, volto minha atenção para ela, aceno para ela se sentar, me fita por um momento, mas não se senta.
― Acho melhor eu ir embora. Agora o senhor tem coisas importantes para resolver. Dá licença ― antes que eu diga alguma coisa, aquela mulher deu as costas e saiu da mesa. Não posso acreditar nisso! Fui atrás dela para tentar explicar ou convencê-la a ficar, mas quando cheguei lá fora, ela já tinha pego um táxi e foi embora. Que merda! E nem sei o nome dela.
Fernanda
Tinha acabado de chegar no meu apartamento. Bom, na verdade, um micro apartamento. Paguei a corrida com o último dinheiro que tinha na carteira. Ainda por cima, não consegui fazer o programa, a Miriam amanhã vai falar pra cacete por conta disso, já estou vendo.
Estava no meu quarto, sentada na beira da cama para tirar o sapato caríssimo que usei para ir nessa bendita boate que inaugurou hoje. Está certo que não gastei nada, o tal jogador mandou uma para ir bem vestida nessa ocasião. Vou esquecer isso, agora preciso de um banho e não quero lembrar dessa situação desagradável.
Quando estava indo para o banheiro tomar um banho para depois dormir, escuto um barulho que estava vindo do meu quarto. Parece o celular tocando. Quem está me ligando a essa hora? Que droga! Volto para o meu quarto, vou até a minha cama e minha bolsa estava sobre ela. Me jogo para pegar, tiro da bolsa e olho para tela do celular para ver quem era que estava me ligando. Puta merda! Não pode ser? É a Miriam! O que eu faço?