FRANCESCA
Mamãe arruma a gola da camisa que um dia foi branca do uniforme. Mesmo sendo meu primeiro dia de aula, na escola para moças Mingotti, uma das mais conceituadas de Florença, minha vestimenta não é nova. Infelizmente, mamãe não teve condições de comprar um novo para mim, já que teve que gastar com o material escolar que não foi pouco e muito menos barato.
Por ela ser professora de Literatura nessa renomada escola, obtive bolsa integral, agora os outros gastos não tivemos como fugir e ela teve que arcar.
Desde que se teve início a minha vida acadêmica, já passei por pelo menos umas dez escolas diferentes, todas frequentadas por pessoas de classe social superior à nossa.
Tudo porquê minha mãe é mãe solo, nova e bonita.
Ela não consegue passar muito tempo na mesma instituição, pois, após um breve tempo de serviço prestado é ser convidada a pedir as contas para não "manchar" seu impecável currículo.
Sim, minha mãe é uma excelente professora.
Ela é muito querida pelas diretoras e outras professoras, devido seu profissionalismo, mas ou os pais dão em cima dela, ou as mães ficam com ciúmes por se sentirem ameaçadas pela sua presença.
Professora Rosa, ou mamãe, para mim, corajosamente deu à luz a minha pessoa quando tinha apenas dezesseis anos, o que foi um escândalo na época. Meu avô, que fez hora extra na Terra, a expulsou de casa quando descobriu a gravidez. Já minha avó, que Deus a tenha, quis protegê-la, mas era submissa e nunca foi contra seu marido, mesmo que isso significasse ficar longe da sua amada e única filha.
Minha mãe diz que ainda foi atrás do meu pai, um camponês que a ignorou e deu um jeito de sumir no mundo.
Mas acho que já ficou claro o que aconteceu, né?
Ele a abandonou a própria sorte, assim que soube que ela me carregava em seu ventre. Foi então que minha mãe se viu sem amparo e grávida. Sem ter para onde ir, ela conseguiu abrigo em um convento que fazia parte da paróquia onde minha avó frequentava e tinha amizade com o pároco. Lá, ela foi acolhida e conseguiu se preparar para ser a profissional que é hoje.
Ela se formou em pedagogia e se especializou em Literatura, por amar as obras de Willians Shakespeare.
Foi graça a bondade das irmãs que minha mãe conseguiu seu primeiro emprego como professora após eu completar três anos.
Cheguei a conhecer minha avó que vinha nos ver e trazer algumas coisas para nos ajudar.
Tudo escondido do meu avô, que não podia nem sonhar com aquilo, ou minha avó seria castigada.
Assim que completei oito anos, minha amada avó nos deixou e seguiu para seu descanso eterno.
Infelizmente, tivemos que nos despedir de longe, pois, meu avô impediu nossa presença na casa deles, onde foi feito o velório e as últimas homenagens. Ela foi muita amada por todos da comunidade onde viveu sua vida toda, por isso o local estava cheio durante a cerimônia.
Um ano depois, meu avô se foi e mesmo tendo sido muito cruel com minha mãe, ela foi se despedir do homem que ela amou apesar de tudo.
Minha mãe tem um coração enorme e não carrega mágoa, mesmo com as marcas que tem na alma. Ela é muito religiosa e diz que Jesus nos ensinou a sempre dar a outra face, além de sempre amar o próximo.
Seguimos para nosso primeiro na escola e como sempre sofri bullying por ser pobre e não ter pai, prefiro chegar na escola sem a presença de minha mãe.
Me despeço dela ainda faltando um quarteirão para a entrada do enorme prédio e seus jardins, mesmo ela pedindo para me acompanhar pelo menos até o portão.
Percebo que ela se chateia, inclusive vejo que seus olhos se enchem de lágrimas, mas não quero dar mais motivos para falarem de mim.
Não me entendam mal, eu amo minha mãe, ela é meu exemplo de vida, mas em todas as escolas que passei sofri demais por conta da minha origem e não pretendo passar por isso tão cedo. Preciso de pelo menos uns dias de tranquilidade antes de descobrirem que estou lá por ser a filha da professora.
Será a primeira vez que estudo em uma escola somente para meninas e espero que elas sejam mais gentis comigo. Pelo menos aqui não serei uma "ameaça", como ouvi nas duas últimas escolas que frequentei de algumas meninas.
Não me considero bonita, mas sei que chamo a atenção por onde passo, inclusive minha mãe já me orientou sobre a vida e como os bebes são feitos.
Completei quinze anos no último mês, tenho cabelo longo liso e preto, assim como meus olhos. Sou magra, alta e meu corpo ainda está em formação, tanto que comecei a menstruar não faz muito tempo e meus seios só apontaram no último ano.
Deixo minha mãe para trás e aperto meus passos, morrendo de medo do que me espera.
Chego no portão e faço o sinal da Cruz.
"Seja o que Deus quiser."
Assim que entro, passo pelos grupinhos de meninas e percebo que todas se viram na minha direção, algumas dão risadinha, já outras fazem careta. Não sei se é pela minha roupa ou por eu ser um rosto desconhecido.
Sigo diretamente de cabeça baixa para a sala da diretoria, onde devo pegar meu horário, turma e sala. Assim que me aproximo da secretaria, a senhora Ruth, a diretora, me vê e sorri.
- Menina Francesca, cadê sua mãe? Logo começa a aula e precisamos nos reunir antes disso.
Sinto meu rosto queimar enquanto olho para os lados e digo envergonhada:
- Ela já está chegando, vim na frente para saber sobre minha turma e me localizar.
- Ah, sim. Venha, me acompanhe.
Sigo a diretora até sua sala e ela me pede para me sentar na cadeira à sua frente.
- Bom, sua mãe já deve ter te falado sobre as regras da escola, mas nunca é demais frisar, né? Tome aqui as regras. - Arrasta um papel na mesa, deixando na minha frente. - Lembre-se, nada de garotos aqui, sabe que a escola de garotos está do outro lado do muro, mas o contato entre vocês não é permito no perímetro dessa escola, exceto em campeonatos e algumas datas religiosas, já que pertencemos a mesma paróquia. Entendido?
- Sim, entendido.
- Agora aqui está seu horário das aulas. Vou pedir para chamar uma aluna para te mostrar as dependências da escola.
A diretora aperta um botão no aparelho telefônico que está ao seu lado e no viva-voz pede para sua secretária chamar a monitora da sala do nono ano A. Logo, ela desliga o telefone e fica me observando, enquanto olho para minhas mãos que estão suadas.
Não demora muito e escutamos batidas à porta. A diretora pede para que a pessoa entre e uma menina um pouco menor do que eu, loira, com cabelo longo e encaracolado, olhos verdes e sardas está ao meu lado.
- Mandou me chamar, diretora Ruth?
- Sim, Giovanna, essa é Francesca, ela é nova na escola e está na sua sala. Poderia, por favor, mostrar as dependências principais da escola para ela?
- Claro.
Olho para a menina que me dá um sorriso que parece ser sincero, algo que não estou acostumada a receber.
Eu me levanto e depois de nos despedir da diretora e seguimos para o corredor.
- Olá, eu sou a Giovanna, a monitora de sala. Qualquer dúvida pode me chamar e que você se sinta acolhida.
- Obrigada, Giovanna. Espero que sejam bons dias aqui. - Dou um sorriso amarelo.
- No que depender de mim, será.
Na época, não sabíamos, mas ali foi o primeiro passo para a construção de uma grande e sincera amizade.
FRANCESCA
Faz três meses que venho frequentando a escola e diferente do que imaginava as outras meninas não são nada gentis, pelo contrário, elas são até mais malvadas do que as que já havia encontrado em minha vida.
No começo, elas comentavam das minhas roupas surradas, ou do meu sapato gasto, ou até da minha mochila que não era da última moda.
Quando vou ao banheiro e encontro algumas delas retocando a maquiagem, ou até fumando escondida, como já vi algumas vezes, elas se calam e logo saem me deixando sozinha.
Isso sem contar a aula de esportes, onde elas fazem questão de sempre jogar a bola em mim, a fim de me machucar.
O pior é que a professora muitas vezes faz vista grossa por saber a que famílias essas mesmas meninas pertencem.
Sim, percebi que aqui o sobrenome que você carrega tem um grande peso. E o meu não tem peso algum, o que não difere muito das outras instituições que frequentei.
Para piorar, Rafaella Givadotti, a aluna mais respeitada da escola por ser filha de um dos maiores benfeitores da instituição, não gostou de mim. Segundo ela, por simplesmente eu existir e ter cruzado seu caminho.
Ela conseguiu todas as informações referentes a minha origem e espalhou para todas as alunas, expondo a mim e a minha mãe. Porém, como minha mãe é professora, a pior parte de humilhação ficou para mim.
A única que me acolheu e me trata com carinho é a Giovanna, ou Gio, que se tornou minha amiga. Assim como eu, ela vem de uma família humilde, sua mãe é a secretária da diretora, Ruth, mas diferente de mim, a Rafaella suporta a presença dela e não a atormenta. Devido às notas de Gio serem sempre as maiores da sala, os professores a elegeram como monitora e foi aí que ela começou a ser "respeitada".
Aqui diferente das outras escolas são os professores que escolhem os monitores pelas notas altas e a Rafaella não conseguiu atingir essa marcas mesmo sendo muito respeitada por todos daqui.
Giovanna é doce e ama ler romances, é a típica menina que sonha com um príncipe chegando em um cavalo branco para salvá-la das maldades do mundo.
Eu confesso que nunca acreditei em príncipe em cavalo branco, afinal desde cedo a vida não me apresentou esse lado doce e bonito, mas sonho em ter algo que nunca tive, uma família.
Gio é a única que conversa comigo e ainda tenta me defender dos ataques gratuitos das outras meninas. Já minha mãe não pode se envolver para não correr o risco de ser convidada a se retirar da instituição e perder sua renda, além de um ensino de qualidade para mim.
Como também gosto de ler, Gio e eu passamos muito tempo na biblioteca, um lugar calmo onde consigo ter paz. Porém, diferente da minha amiga, amo ler livro sobre mitologia romana, grega. Sou apaixonada pelas narrativas dos deuses e deusas do Olimpo, inclusive descobri que meu nome do meio é de uma deusa.
Diana é a deusa dos animais selvagens e da caça, bem como dos animais domésticos. Filha de Júpiter e Latona, irmã gêmea de Febo, obteve do pai permissão para não se casar e se manter sempre casta. Júpiter forneceu um séquito de sessenta ocêanidas, ninfas dos fundos inacessíveis do mar, e vinte ninfas, espíritos naturais femininos, ligados a um local ou objeto particular da natureza, que, como ela, renunciaram ao casamento.
Como disse sonho em ter uma família e um marido que me ame e me faça feliz. Eu não desejo ficar sozinha e sofrer como vejo que acontece com minha mãe.
Eu nunca vi minha mãe com alguém, afinal sua vida é a escola e eu, mas acredito que ela se sente sozinha e inclusive já a vi chorando muitas noites, quando dividia o quarto com ela. Geralmente isso acontecia quando ela acreditava que já estava dormindo.
Nessa instituição, por ser um internato, infelizmente nós nos separamos. Minha mãe todo dia volta para a casa que ela herdou dos pais.
Sim, ela ficou com a casa depois que meu avô morreu.
Já eu acabei dividindo um quarto com a Gio, pelo menos nisso dei sorte.
Saio dos meus pensamentos com minha amiga me cutucando.
- Fran, estou aqui te chamando há um tempão e você parece estar longe. O que aconteceu?
- Nada, Gio, só pensando na vida. Mas o que está acontecendo? - pergunto olhando em volta.
A sala de aula está com um verdadeiro borburinho e as meninas riem enquanto a professora de Artes pede por silêncio.
- Amiga, pelo jeito você não ouviu nada mesmo. Está chegando os festejos de Sant´Ana, nossa padroeira, dia em que teremos folgas e vamos para a igreja de Orsanmichele, perto da Piazza della Signoria, junto com os meninos do colégio ao lado. É quando conseguimos flertar com alguns e quem sabe ser correspondida. Pena que ao anoitecer voltamos para o colégio e temos que ficar à espera de uma nova data para poder encontrá-los novamente.
- Ah, é isso... Gio, eu nem me animo, pois, sei que serei invisível aos olhos de todos e até prefiro assim. Quem sabe a Rafaella encontre alguém e me esqueça de vez.
- A Rafaella é apaixonada pelo Lorenzo Rocatelli, um dos meninos mais populares do colégio Romano. Ele é lindo, mas pelo que sei não dá muita bola para ela. Então, nem se aproxime dele, senão aí sim, você terá mais problemas.
- Credo em cruz, quero distância e espero nem cruzar com ele. Não quero correr qualquer risco da Rafaella achar que quero roubar o que é dela.
- Ele não é dela, mas é melhor mesmo.
- Meninas, silêncio! Para a festa ainda falta um mês, então vamos nos atentar a aula. Hoje vamos pintar uma tela sobre a história de Sant´Ana. Que tal usar essa empolgação toda para transmitir na tela uma pintura rica e cheia de emoção. Saibam que as melhoras serão expostas no salão principal da igreja - diz a professora muito animada.
Admito que odeio pintar, não tenho qualquer talento e minhas obras parecem ter sido feitas por uma criança de cinco anos.
Pensando bem, acho que a única coisa que gosto além de ler, é escutar música. Amo sentir a melodia invadir meus ouvidos e viajar nas notas musicais.
A professora começa a contar a história de Sant`Ana, a santa protetora de Florença, avó de Jesus e decido prestar atenção em suas palavras.
Logo estamos com nossas telas em branco à nossa frente e um paleta de cores ao lado.
Não terei como fugir, irei começar a colorir e seja o que Deus quiser.
***
A aula termina e estou suja de tinta até onde não deve, porém consegui pintar algo. Enquanto estou apreciando minha obra, Rafaella passa por mim, me olha com nojo e esbarra seu pincel na minha tela, estragando a pintura recém-feita.
- Oh, me desculpa, não tinha te visto - diz com ironia.
As lágrimas tomam conta dos meus olhos e logo estão escorrendo, mesmo eu tentando evitar.
Saio correndo da sala, passo pelos corredores, até que me vejo no muro que limita as duas escola.
Eu me sento em uma pedra que há no jardim e deixo que as lágrimas corram livres pelo meu rosto.
Passo um tempo ali, tentando me acalmar e quando consigo respirar, sem deixar que as lágrimas voltem a rolar, percebo que já é noite. Olho em volta e percebo que estou sozinha em meio as flores e árvores. Só há o som de alguns pássaros que sobrevoam o lugar atrás de um lugar para se recolherem.
Fico olhando para o céu estrelado e penso em minha vida.
Meu pai me abandonou, meu avô virou as costas para nós e a pessoa que me dava amor, além da minha mãe, morreu.
Será que não vim para esse mundo para ser amada?
- Oi, posso ajudar?
Abro os olhos, assustada e encontro um lindo par de olhos azuis, me observando atentamente.
- Quem é você? O que faz aqui? - pergunto olhando para o lindo rapaz a minha frente.
LORENZO
Sigo para o quarto lembrando da loucura que o início da minha noite foi, está ficando tarde e preciso voltar antes que percebam minha ausência.
- Nossa quanta pergunta. Mas acho que antes de respondê-las quero saber o motivo de uma menina tão linda estar sozinha e chorando aqui, um lugar isolado e que até onde sei apenas eu vinha - digo observando a menina que parece estar mais calma.
- Bom, não te conheço e pelo que sei não deveria estar aqui na escola de moças. Então acho que quem tem que responder algo é você - diz empinado seu lindo nariz.
- Justo. Bom, me chamo Fernando, estudo na escola ao lado e realmente não deveria estar aqui, mas descobri nesses jardins um refúgio. Pensando bem, não me importaria de dividir com você que parece estar tão triste.
Percebo que ela não me reconhece, talvez seja a única que não me conheça nessa escola e isso é bom porque posso conhece-la melhor sem meu sobrenome falar mais alto.
- Não vale a pena, mas enfim eu me chamo Francesca e estudo aqui. Sou nova, na verdade, quer dizer faz três meses que estou nessa escola e a primeira que venho aqui. As coisas estão difíceis sabe...
- A adaptação não está sendo fácil?"
Saio dos meus pensamentos com meu amigo, Guiseppe, correndo em minha direção parecendo estar afobado.
- Cara, vamos rápido! A inspeção vai começar e devemos estar em nossos quartos. Você demorou hoje, o que aconteceu, quer dizer, onde você estava?
- Estava no meu refúgio, mas, enfim, vamos que preciso te contar algo interessante que aconteceu comigo.
- Cara, você brinca com o perigo, sabe que se te pegarem nos jardins da escola ao lado a coisa pode ficar feia pro seu lado. Se isso acontecer nem seu sobrenome irá te salvar.
- Eu sei, mas foi me arriscando que conheci uma menina linda e que cativou minha atenção.
- Como é? Alguém te viu?
- Sim, mas ela pareceu não me reconhecer, acredita? Eu até aproveitei disso e me presentei como Fernando apenas, não quero que meu sobrenome se sobressaia a minha pessoa. E pensando bem não menti, apenas omiti meu primeiro nome.
Todos me conhecem como Lorenzo Rocatelli, mas se esquecem que meu nome mesmo é Lorenzo Fernando Rocatelli.
- Cara, isso é bizarro. Quem em Florença não te conhece, o único herdeiro da maior empresa de massa da Itália. Será que ela não está te enganando.
- Cara, vi sinceridade nela, sem comentar a maneira como se portou. Ela não se jogou em cima de mim como qualquer outra e ainda tentou me intimidar ao falar que estava errado ao entrar nas terras da escola de moças. - Dou uma risada.
- Ela não estava errada.
- Sim, não estava. Mas se fosse outra poderia usar isso para me chantagear, principalmente se essa outra fosse a Rafaella.
Entramos no nosso quarto e nos deitamos, esperando a inspeção passar.
Assim que nos ajeitamos a porta abre e o monitor coloca a cabeça para dentro.
- Está na hora de apagar as luzes - diz e espera as luzes serem apagadas.
Assim que aperto o interruptor acima da minha cama, a luz se apaga e ele sai fechando a porta.
Dou um tempo e ligo a luz do abajur.
- Cara, essas regras são chatas demais, não é nem nove da noite e precisamos estar na cama. Não somos mais crianças, temos dezesseis anos - Giuseppe diz se sentando na cama. - Mas me conta mais da menina que você encontrou e que não te reconheceu.
- Ela é linda, uma beleza natural que não tinha visto por aí. Sem contar que a conversa fluiu bem, sem ficar falando sobre fortuna, apenas sobre a vida de uma forma mais profunda. Não sei explicar, mas ela me tocou. Ela parecia carregar uma tristeza profunda. Tive vontade abraçá-la e protegê-la do mundo.
- Meu amigo foi laçado? Vivi para ver isso. Se prepare que quando a Rafaella descobrir fará da sua vida e da menina um inferno.
- A Rafaella é um saco, pode ser linda, mas se torna horrível devido a forma que age com os outros. E outra, ela não é minha dona nem nada minha. Meu pai pode até querer que eu me case com ela, mas isso não vai acontecer, pode anotar. Não sinto nada por ela a não ser dó pela pessoa horrível que ela é.
- Bom não está mais aqui quem falou, só tenha cuidado para essa menina não ser uma golpista e te enrolar.
- Fica tranquilo, eu sei me cuidar. Agora vamos dormir que amanhã as aulas começam cedo. Boa noite.
- Boa noite, meu amigo.
Guiuseppe é um bom amigo, o conheço desde que vim estudar aqui com oito anos de idade, nos identificamos de primeira e nos tornamos inseparáveis, tanto que nas férias geralmente ele vai para minha casa e juntos viajamos por aí.
Nos aproximamos mais quando seus pais faleceram em um acidente de avião.
Foi um momento muito difícil na vida do meu amigo, mas estive ao seu lado em todos os momentos e felizmente ele se reergueu.
Ele é herdeiro de uma grande empresa de máquinas agrícolas e a empresa do meu pai é um dos seus principais cliente.
Como meu amigo é menor de idade, seu tio é seu tutor e cuida da empresa até ele se chegar a maioridade e assumir a empresa.
Considero meu amigo, o irmão que não tive.
Desligo a luz do abajur, mas não consigo fechar os olhos lembrando da conversa que tive com a menina mais instigante que conheci.
Por que será que ela estava tão triste?
- Vamos fazer assim, você me conta só o que se sentir confortável e toda vez que se sentir sozinha venha aqui para conversar um pouco. Sempre venho aqui para pensar na vida e ter sua companhia será algo muito agradável.
- Geralmente não sou bem tratada assim, mas obrigada. Vou me lembrar disso.
- Então você é nova aqui? Pelo jeito não está gostando muito.
- Não é isso, é que não é fácil ser a diferente. Não sou como as outras meninas, não tenho um sobrenome de peso, mas enfim não quero falar sobre isso.
- Entendo.
Ali entendi que ela não deveria pertencer a alta sociedade, provavelmente deve estar estudando na escola de moças devido uma bolsa de estudo, inclusive sua vestimenta me chamou a atenção.
Não que ligo para isso, mas percebi que não parecia ser nova, ainda mais para alguém que está na escola a tão pouco tempo.
Sabendo disso, acredito que Rafaella e suas amigas devem estar tornando a vida da menina um inferno. Conheço aquelas meninas e elas amam pisotear as menos abastadas.
Por que essa menina me intriga tanto?
Algo nela grita por proteção e irei fazer isso, mas como?
Não sei.
Tentarei saber mais dela e quem encontrar uma maneira de ajudá-la a pelo menos ser mais aceita.
Como conseguirei chegar até ela se não aparecer lá no jardim novamente?
Preciso vê-la novamente, preciso conversar mais com ela.
Reviro na cama e nada do sono vir. Fecho os olhos e só vejo lindos olhos negros como a noite. Seu olhar baixo, envergonhada, suas bochechas coradas, seu lindo cabelo...
Ela é linda, simplesmente linda.
Seu nome é lindo como ela e parece até uma doce melodia ao ser pronunciado.
Francesca...
O que será que você passa ou passou, Francesca?
Qual será a sua história?
Preciso ganhar sua confiança para descobrir, preciso te ver novamente.
Amanhã tentarei encontrá-la de novo mesmo sendo arriscado, só precisarei que meu amigo me ajude a não pego e sei que ele fará isso com prazer.