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O CEO vai implorar pelo amor da esposa desprezada

O CEO vai implorar pelo amor da esposa desprezada

Autor:: Alice L Mazzo
Gênero: Romance
Vivian entregou seu coração a Eduardo, acreditando que seu amor poderia quebrar todas as barreiras. Mas, para ele, ela era apenas uma jogada fria, uma peça descartável. Quando ela finalmente decide partir, o arrogante CEO se vê consumido por um vazio profundo, uma dor que nunca quis sentir: a ausência da mulher que sempre desprezou. Agora, entre sombras de arrependimento e desespero, Eduardo lutará com todas as forças para reconquistar a única pessoa capaz de salvá-lo - antes que o tempo os condene para sempre.

Capítulo 1 Um

Vivian

Ela estava linda demais para ser apenas um enfeite.

Vivian girava lentamente em frente ao espelho iluminado do camarim do Hotel Imperial - o mais luxuoso da cidade. O vestido azul safira ondulava como mar calmo a cada passo que ela dava. O tecido era leve, sedoso, e a modelagem abraçava seu corpo como se tivesse sido feito sob medida - porque, claro, tinha sido. Cada detalhe, da cor ao corte, revelava o gosto apurado de quem o escolhera.

Eduardo.

Seu marido.

Ela suspirou e se observou uma última vez. Os cabelos presos com grampos cravejados, a maquiagem impecável, os brincos de pérola que ela mesma escolhera - discretos, como ela sempre foi ensinada a ser.

- Você está... deslumbrante - disse Alice, a melhor amiga, com os braços cruzados, recostada na porta. A expressão dela era de quem tentava não dizer "eu te avisei" desde que entraram ali.

- Ele lembrou que hoje é meu aniversário, Ali. Escolheu o vestido. Mandou fazer meu bolo favorito. - Vivian sorria, um brilho infantil e doce nos olhos. - Acho que... talvez ele esteja começando a me ver de verdade.

Alice cruzou a sala e começou a soltar um pouco o zíper do vestido nas costas da amiga, com delicadeza.

- Ele sempre te vê, Vivi. Só nunca do jeito certo.

Vivian não respondeu. Não hoje. Não naquela noite.

Lá fora, no salão de festas, o som abafado de violinos preenchia o ar com uma melodia elegante. O barulho de passos apressados nos corredores se misturava com o tilintar de talheres sendo posicionados com precisão sobre mesas que pareciam saídas de um conto de fadas moderno. Candelabros de cristal, arranjos florais em tons de branco e azul, garçons alinhados esperando os convidados. Tudo aquilo parecia... surreal.

Uma batida discreta na porta do camarim interrompeu o momento. Um funcionário entrou com uma caixa de veludo preta, com letras douradas gravadas. Ao abri-la, Vivian encontrou uma gargantilha de safiras deslumbrante, acompanhada de um bilhete curto, escrito com a letra firme e elegante de Eduardo:

"Vista isso e sorria. Esta noite é sua."

Ela levou a mão à boca, surpresa. Seus olhos marejaram por um instante.

- Está vendo? - disse, mostrando a mensagem à amiga com um sorriso esperançoso. - Ele pode não dizer... mas está tentando. Eu sei que está.

Alice respirou fundo, como quem segurava um comentário ácido dentro da garganta.

- Talvez. Só espero que não seja tarde demais pra ele perceber o que tem nas mãos.

Vivian, com mãos delicadas, prendeu a gargantilha no pescoço. As pedras geladas tocaram sua pele como se acordassem algo adormecido dentro dela. Por um instante, ela se imaginou entrando no salão, com todos os olhares voltados para ela - e o dele, principalmente. Talvez Eduardo a enxergasse como mulher, não apenas como um acordo conveniente.

- Vamos - disse Alice, animada de repente. - Vamos mostrar pro seu príncipe encantado o que ele está perdendo por não olhar direito.

As duas saíram pelo corredor de camarins. Vivian caminhava com passos graciosos, ainda que um pouco hesitantes. A cada passo, o som firme dos saltos ecoava como batidas de coração. Mas antes de alcançarem a sala principal, risadas masculinas romperam o ar.

Elas pararam.

- Você realmente casou com a Vivian? - a voz carregada de sarcasmo cortou o ar. Christopher, amigo de Eduardo dos tempos de faculdade, recém-chegado do exterior, não perdeu a oportunidade de provocar.

Vivian congelou no corredor. A porta entreaberta deixava escapar cada palavra como uma sentença. Alice prendeu a respiração ao seu lado, sabendo que aquilo não ia acabar bem.

- Casei, claro - Eduardo respondeu, relaxado, como se falasse de negócios e não de sua esposa. - O velho Gilbert sempre quis me controlar, achava que podia ditar cada passo da minha vida. Não queria que eu me casasse com uma atriz? Pois bem, escolhi a neta do mordomo.

Uma gargalhada ecoou lá dentro, seguida pelo tilintar de copos. Vivian sentiu o coração despencar, o corpo buscar apoio na parede fria.

- E ela sempre esteve ali, não é? - Christopher insistiu, venenoso. - Para alguém como a Vivian, ser chamada de senhora Braga deve ser o auge da vida. Uma bênção. Afinal, ela nunca teria nada disso sozinha.

- Ela sabe aproveitar - Eduardo completou, com um sorriso cruel. - E até que é útil... nunca me disse não. Sempre grata, sempre disposta. Confiável. Mas... insípida. Sem sal.

Vivian engoliu em seco, as palavras dele queimando como ácido.

- Bom, pelo que você descreveu, sua mulher tem o carisma de uma cerca elétrica - Christopher riu, não largando o osso.

- Acho que vocês estão indo longe demais. A Vivian tem uma origem humilde, mas é uma pessoa incrível - Lucas interveio, incomodado. Ele odiava a forma como Eduardo menosprezava a esposa.

- Lucas, você continua o defensor dos fracos e oprimidos, não é? - Christopher zombou, antes de se virar novamente para Eduardo. - Mas e a Elisa? Por que não tentou ficar com ela? Aposto que seria tudo, menos sem sal.

Eduardo suspirou, como se confessasse algo trivial. - Eu tentei. Pedi a Vivian em casamento acreditando que Elisa voltaria atrás. Achei que ela se renderia ao luxo, à segurança, ao meu sobrenome. Mas Elisa é diferente. Estonteante. Não precisa de mim para brilhar. No fim, tive que seguir adiante e casar mesmo.

As risadas foram mais altas dessa vez. Vivian levou a mão ao peito, tentando conter o nó que a sufocava.

- E agora que a Elisa voltou? - Gustavo perguntou, cuidadoso, já preocupado com os escândalos que teria de administrar.

Eduardo ergueu a taça, os olhos faiscando. - Agora vou mostrar a ela tudo que perdeu ao me rejeitar.

- E como pretende fazer isso? - Christopher quis detalhes.

- Enviei à Vivian um presente. Um colar. O mesmo que Elisa sempre desejou... Nada mais justo que minha esposa use aquilo que outra mulher sonhou em ter.

Vivian cambaleou um passo para trás, o ar preso no peito.

- E a Vivian sabe? Que você planeja usá-la assim? - Lucas questionou, desconfortável.

Eduardo riu, baixo e cortante.

- Isso não importa. Ela nasceu para sorrir e agradecer. É o que faz de melhor.

O mundo ficou mudo.

Vivian não ouviu mais nada. O som da festa sumiu. O perfume das flores enjoava. A gargantilha, antes símbolo de um gesto romântico, agora pesava como grilhões em sua garganta.

Ela se virou, passos trêmulos. O vestido roçava nas pernas como se quisesse impedi-la de andar. Alice, em silêncio, a seguiu como sombra.

- Ele... - a voz de Vivian saiu quebrada. - Ele fez tudo isso... só por causa da Elisa?

No camarim, Vivian caminhou até a penteadeira. Com dedos trêmulos, arrancou o colar como quem arranca uma armadilha cravada na pele. O som do fecho caindo sobre o tampo de vidro ecoou como um tiro.

Alice tinha os olhos marejados.

- Eu sempre soube que esse idiota não te merecia. Mas agora você também sabe. Vamos sair daqui.

Vivian não respondeu. Nem lágrimas vinham. Até o choro parecia paralisado.

Ela atravessou o hotel como um fantasma. Alguém a chamou:

- Sra. Braga? A senhora entra em cinco minutos...

Vivian não olhou para trás.

Nem explicações. Nem despedidas.

Não deixou apenas o colar para trás - com ele, um pedaço do próprio coração, arrancado pelo homem que ela amava desde os dezesseis anos.

Capítulo 2 Dois

Eduardo

O camarim masculino estava tomado por risos e taças se chocando. O cheiro de uísque caro e charutos preenchia o ambiente, misturado ao burburinho de vozes conhecidas. Eduardo ocupava a poltrona mais próxima ao espelho, o copo na mão, mantendo aquele sorriso calculado de anfitrião.

Tudo corria como planejado - até a porta se abrir e Elisa entrar.

- Mas se não é o Clube dos Veteranos... - Ela surgiu como se o ar tivesse mudado de densidade. O vestido vermelho colado ao corpo brilhava sob as luzes, e cada passo tinha o ritmo certo para ser notado. Perfume doce, olhar direto.

Christopher foi o primeiro a se levantar, exagerando na saudação. Gustavo seguiu, enchendo-a de elogios. Alguns convidados que nem eram da turma original se aproximaram, hipnotizados. Só Lucas permaneceu imóvel, com um aceno breve.

Eduardo observou tudo. Elisa sempre fora assim: expansiva, magnética, como se a vida fosse uma plateia esperando por ela. Vivian, ao contrário, era silêncio, delicadeza, compostura. Não entraria em um ambiente como se fosse dona dele. E, embora jamais admitisse em voz alta, às vezes ele sentia falta desse fogo.

Quando Elisa tocou o braço de Christopher e soltou uma risada alta, Eduardo apertou o copo na mão. Não era ciúme. Era questão de território.

Tirou o celular do bolso e digitou:

"Coloque o colar e venha até aqui. Agora."

Mensagem enviada.

Guardou o telefone, já imaginando a cena: Vivian entrando, usando o presente que ele havia escolhido, todos olhando, e Elisa percebendo o que tinha perdido.

O tempo passou. Ele disfarçava, participando de conversas, mas olhava a tela a cada minuto.

Nada. Nem visualização.

Quando Elisa terminou seu circuito de charme, finalmente se aproximou. Encostou no encosto da poltrona dele, inclinando-se o suficiente para que o perfume a envolvesse.

- E a sua esposa? - perguntou com um meio sorriso carregado de intenção. - Achei que ela não fosse perder a chance de reencontrar os velhos amigos.

Eduardo sustentou o olhar dela.

- Está se arrumando.

Por dentro, algo queimava. Pegou o celular outra vez e digitou uma nova ordem:

"Vivian, estou esperando. Venha. Agora."

Mensagem enviada.

Silêncio. Nenhuma resposta.

Foi então que Gustavo, já um pouco alterado pelo álcool, se recostou na cadeira e soltou em voz alta:

- Estranho a Vivian não aparecer... ela sempre esteve em todas.

Christopher ergueu as sobrancelhas, malicioso:

- Vai ver se cansou de ser sombra, né? Sempre na retaguarda, organizando, sorrindo... mas nunca no centro da cena.

Lucas, o mais contido, tentou mudar de assunto, mas a provocação já pairava no ar. Elisa, com um brilho de triunfo nos olhos, aproveitou para completar:

- É... algumas mulheres sabem quando é hora de brilhar. Outras preferem... desaparecer.

O riso dela ecoou como uma facada. Eduardo manteve o semblante impenetrável, mas o celular pesava em sua mão como chumbo.

- Vivian não desaparece. - A voz dele saiu firme, mais cortante do que pretendia. - Ela sabe o lugar dela.

O silêncio que se seguiu foi incômodo. Christopher pigarreou, fingindo interesse no uísque. Gustavo mexeu no celular. Lucas apenas observava Eduardo, como se fosse o único a perceber a tensão que se acumulava sob aquela fachada de aço.

Eduardo respirou fundo, forçando o sorriso de volta ao rosto. Levantou o copo em um brinde improvisado, tentando retomar o clima de camaradagem. Mas por dentro, a fúria crescia.

Vivian não estava ali. Não atendia, não respondia. E cada minuto que passava sem que ela surgisse à porta tornava a ausência dela mais estrondosa - quase uma afronta pública.

Capítulo 3 Três

Vivian

A porta da mansão Braga se fechou atrás de Vivian com um som seco que ecoou pelo saguão vazio.

O silêncio dali não era diferente do silêncio que ela conheceu desde o primeiro dia como esposa de Eduardo.

Os lustres cintilavam, os arranjos impecáveis nos aparadores exalavam um perfume caro e frio - mas nada ali parecia pertencer a ela.

Não havia fotos nas paredes. Não havia lembranças espalhadas. Uma memória se impôs, tão nítida que parecia acontecer de novo diante de seus olhos.

Pouco depois de se mudar pra mansão Braga. O casarão era majestoso, mas frio - cada cômodo parecia mais um cenário de revista do que um lar. Vivian, cheia de entusiasmo, decidiu que poderia mudar isso.

Passou horas escolhendo flores frescas, almofadas coloridas, pequenas peças que trouxessem calor à sala principal. Queria criar um espaço onde ambos pudessem se sentir em casa, onde ele pudesse relaxar sem a pressão do mundo dos negócios.

Quando Eduardo chegou naquela noite, cansado do trabalho, encontrou-a posicionando um vaso com girassóis sobre a lareira. Ela virou-se para ele, ansiosa pela reação.

- O que acha? - perguntou, o sorriso brilhando como uma esperança.

Ele olhou em volta, e o silêncio durou segundos demais. Finalmente, sua voz cortou o ar:

- Tire isso daqui.

O sorriso dela vacilou.

- Mas... eu pensei que a sala podia ficar mais aconchegante, menos... fria.

Ele se aproximou, ajeitando a gravata com irritação.

- Vivian, esta é a casa foi decorada por um especialista. Não é uma vitrine de feira. Tudo aqui tem uma ordem, um propósito. Não precisamos desses enfeites ou almofadas para parecer uma casa de bonecas.

Ela tentou argumentar, mas o olhar dele já havia encerrado a conversa. Na manhã seguinte, cada objeto que ela havia colocado desaparecera, levado pelos empregados.

Vivian entendeu a mensagem. Ali não havia espaço para o gosto dela, para o toque dela. Era uma mansão, sim. Mas jamais seria um lar.

- Quer que eu suba com você? - a voz de Alice trouxe Vivian de volta a realidade e quebrou o eco, mas não a tensão.

Vivian apenas assentiu, subindo as escadas com passos lentos, como se cada degrau fosse um adeus.

No quarto, o vestido azul safira ainda refletia a luz suave do abajur, mas já não tinha nada de bonito. Vivian largou-o sobre a poltrona e começou a abrir o armário.

Três anos.

E tudo o que cabia na sua vida com ele eram duas malas pequenas.

- Eu sempre soube - disse Vivian, a voz quase engolida pelo silêncio, enquanto dobrava com cuidado um vestido de verão que nunca chegou a usar. O tecido macio escorria pelos dedos como algo precioso... e inútil. - Que ele não me amava.

Alice, encostada ao batente da porta, hesitou antes de falar, como se temesse quebrar a frágil muralha que mantinha a amiga de pé.

- E por que você aceitou isso? Eu nunca entendi.

Vivian ajeitou o vestido dentro da mala, bem ao lado do álbum de fotos que passara noites montando e que Eduardo jamais folheou.

- Porque eu... sempre o amei - respondeu, com um riso curto, sem qualquer alegria. - E fui ingênua o suficiente para acreditar que um dia ele poderia sentir alguma coisa por mim também.

Ela fechou os olhos por um instante, respirando fundo, como se quisesse expulsar um nó que crescia na garganta, e continuou:

- Mas nunca imaginei... que eu era só uma pirraça. Uma vingança mesquinha contra o avô. - Sua voz falhou, mas ela prosseguiu, forçando-se a encarar a verdade. - Ou pior... contra uma ex.

Alice caminhou até ela, pousou a mão no ombro de Vivian, transmitindo força.

- Você merece mais que isso. Muito mais.

Vivian olhou para a mala quase fechada, sentindo o peso das memórias embaladas ali. Tudo o que ela construiu naquele casamento virou um fardo leve demais para segurar, e ainda assim, impossível de deixar para trás com facilidade.

- Essa casa nunca foi um lar - murmurou, quase para si mesma. - Era só um cenário onde eu encenava um amor que nunca existiu.

Ela olhou pela última vez para o vestido azul safira, agora amassado, estendido sobre a cama como uma promessa quebrada. Ao lado dele, repousava uma pasta com os documentos que formalizam o fim daquela vida que nunca foi sua.

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