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O Canto da Redenção

O Canto da Redenção

Autor:: Yue Man Shuang
Gênero: Romance
A neve caía lá fora, mas o frio dentro do estúdio era ainda mais cortante, um frio que vinha dos ossos e congelava a alma. Eu sentia o gosto metálico de sangue na garganta, minha voz, antes um dom divino, agora apenas um sussurro rouco e dolorido, enquanto Pedro de Luca, o magnata da música, o homem que um dia curei, me forçava a cantar para um cadáver: o corpo congelado de Carolina. Ele gritava, seus olhos injetados de sangue, que eu a fizesse acordar, que a minha voz não era divina? Eu implorava para ele parar, que ela estava morta há um ano, que minha voz curava a alma, não ressuscitava os mortos. Mas Pedro rosnava que a culpa era minha, por tê-lo curado, por ter aceitado nosso casamento forçado, um pagamento que fizera Carolina cair no precipício. Eu cantei até minhas cordas vocais se romperem, até o sangue escorrer por meus lábios, manchando o vestido branco. Cantei até a escuridão tomar conta da minha visão, até meu último suspiro se perder no ar gelado, o arrependimento amargo sendo meu último pensamento. Então, tudo ficou silencioso. E de repente, eu abri os olhos novamente, na rica mansão de Luca, vendo Pedro jovem, quebrado pela depressão, e sua mãe me oferecendo uma fortuna para salvá-lo, como se a minha dor nunca tivesse existido. Eu conhecia aquele lugar, aquele dia. Mas desta vez, o medo se fora. A ingenuidade desaparecera, substituída por uma clareza cortante. "A inspiração do Sr. Pedro se foi", eu disse, olhando para o homem que me destruíra. "Ninguém pode trazê-la de volta." Minha voz, em vez de curar a alma dele, se tornou uma profecia gélida: "A melodia que ele tanto procura está no fundo de um precipício. Assim como a alma dele." Eu me recusei, mas ele era um monstro, e dessa vez, ele ia se destruir. Mal sabia eu que o passado não estava morto, apenas esperando sua chance de ressurgir.

Introdução

A neve caía lá fora, mas o frio dentro do estúdio era ainda mais cortante, um frio que vinha dos ossos e congelava a alma.

Eu sentia o gosto metálico de sangue na garganta, minha voz, antes um dom divino, agora apenas um sussurro rouco e dolorido, enquanto Pedro de Luca, o magnata da música, o homem que um dia curei, me forçava a cantar para um cadáver: o corpo congelado de Carolina.

Ele gritava, seus olhos injetados de sangue, que eu a fizesse acordar, que a minha voz não era divina?

Eu implorava para ele parar, que ela estava morta há um ano, que minha voz curava a alma, não ressuscitava os mortos.

Mas Pedro rosnava que a culpa era minha, por tê-lo curado, por ter aceitado nosso casamento forçado, um pagamento que fizera Carolina cair no precipício.

Eu cantei até minhas cordas vocais se romperem, até o sangue escorrer por meus lábios, manchando o vestido branco.

Cantei até a escuridão tomar conta da minha visão, até meu último suspiro se perder no ar gelado, o arrependimento amargo sendo meu último pensamento.

Então, tudo ficou silencioso.

E de repente, eu abri os olhos novamente, na rica mansão de Luca, vendo Pedro jovem, quebrado pela depressão, e sua mãe me oferecendo uma fortuna para salvá-lo, como se a minha dor nunca tivesse existido.

Eu conhecia aquele lugar, aquele dia.

Mas desta vez, o medo se fora.

A ingenuidade desaparecera, substituída por uma clareza cortante.

"A inspiração do Sr. Pedro se foi", eu disse, olhando para o homem que me destruíra. "Ninguém pode trazê-la de volta."

Minha voz, em vez de curar a alma dele, se tornou uma profecia gélida: "A melodia que ele tanto procura está no fundo de um precipício. Assim como a alma dele."

Eu me recusei, mas ele era um monstro, e dessa vez, ele ia se destruir.

Mal sabia eu que o passado não estava morto, apenas esperando sua chance de ressurgir.

Capítulo 1

A neve caía lá fora, mas o frio dentro do estúdio era ainda mais cortante, um frio que vinha dos ossos e congelava a alma.

Sofia sentia o gosto metálico de sangue na garganta.

Sua voz, antes um dom divino capaz de curar as almas mais atormentadas, agora era apenas um sussurro rouco e dolorido.

Diante dela, Pedro de Luca, o magnata da música de São Paulo, o homem que ela um dia curou, tinha o rosto contorcido por uma fúria insana.

Ao lado dele, no chão, estava o corpo congelado de Carolina, sua musa. Ela parecia dormir, a pele pálida sob a luz fraca, um anjo de gelo.

"Cante, Sofia! Cante até ela acordar!", Pedro gritava, seus olhos injetados de sangue.

"Pedro, por favor...", a voz de Sofia falhou, lágrimas escorrendo por seu rosto pálido. "Ela está morta há um ano. Minha voz cura a alma, não ressuscita os mortos."

"Mentira!", ele rosnou, avançando sobre ela. "Sua voz não é divina? Então faça um milagre! Se Carolina tivesse voltado com aquela melodia, nós teríamos envelhecido juntos! Você a matou! Você roubou o meu futuro!"

A culpa era dela, ele dizia. Por ter curado a depressão dele. Por ter aceitado o casamento forçado que a família De Luca impôs como pagamento. Um casamento que fez Carolina, ao saber da notícia no alto da serra onde buscava uma melodia rara para Pedro, se distrair e cair no precipício.

Ele a culpava por tudo.

E agora, ele a forçava a cantar para um cadáver, um ato de crueldade sem fim.

Sofia cantou. Cantou até suas cordas vocais se romperem, até o sangue escorrer por seus lábios, manchando o vestido branco. Cantou até a escuridão tomar conta de sua visão, até seu último suspiro se perder no ar gelado do estúdio.

Seu último pensamento foi de um arrependimento amargo.

Então, tudo ficou silencioso.

E de repente, ela abriu os olhos.

A luz do sol invadia uma sala luxuosa, decorada com móveis caros e obras de arte. O cheiro de lírios frescos pairava no ar. Sofia piscou, confusa. Ela conhecia aquele lugar. Era a mansão da família De Luca.

Sentado em uma cadeira de rodas no centro da sala, com uma expressão sombria e vazia, estava Pedro. Jovem, vibrante, mas com a alma quebrada pela depressão que o impedia de compor.

Ao seu lado, sua mãe, a matriarca Helena de Luca, olhava para Sofia com uma esperança desesperada.

"Senhorita Sofia", disse Helena, a voz controlada, mas cheia de ansiedade. "Nós ouvimos falar do seu dom. Dizem que sua voz pode curar. Por favor, ajude meu filho. Quem o curar, se tornará a herdeira do nosso império musical."

Sofia olhou para a cena. Era o mesmo dia. O dia em que sua vida anterior se transformou em um pesadelo. A mesma promessa tentadora, o mesmo homem que a levaria à morte.

Mas desta vez, algo estava diferente. O medo se fora. A ingenuidade desaparecera. Em seu lugar, havia uma calma fria, uma clareza cortante.

Ela caminhou lentamente até ficar em frente à cadeira de rodas. Pedro não levantou o olhar, perdido em seu próprio inferno particular.

Sofia sorriu. Um sorriso leve, quase imperceptível, mas carregado com o peso de uma vida de dor.

Ela se inclinou um pouco, sua voz clara e firme, sem o menor traço da dor que sentira momentos antes de morrer.

"A inspiração do Sr. Pedro se foi."

Helena e os outros membros da família a olharam, chocados com sua ousadia.

Sofia continuou, seu olhar fixo no homem que a destruíra.

"Ninguém pode trazê-la de volta."

Um silêncio pesado caiu sobre a sala. A expressão de esperança no rosto de Helena se desfez, substituída por pura incredulidade e, em seguida, raiva.

"Como ousa?", a matriarca sibilou. "Você sabe com quem está falando? Oferecemos a você uma fortuna, a chance de uma vida inteira!"

"Eu sei exatamente com quem estou falando", respondeu Sofia, sua voz ainda calma. "Estou falando com uma família que vê as pessoas como ferramentas. E com um homem cuja alma já está morta. Minha voz cura a alma, não preenche o vazio da falta de talento."

Pedro, pela primeira vez, levantou a cabeça. Seus olhos escuros, antes vazios, agora queimavam de ódio. Ele viu o desafio no rosto de Sofia, uma força que ele não lembrava de ter visto antes.

"Tire-a daqui", ele ordenou, a voz rouca pelo desuso.

Sofia não esperou ser expulsa. Ela se virou, caminhando em direção à porta com uma dignidade que não possuía em sua vida passada.

Antes de sair, ela parou e olhou para trás, um último aviso.

"A melodia que ele tanto procura está no fundo de um precipício", disse ela, as palavras soando como uma profecia. "Assim como a alma dele."

Ela fechou a porta atrás de si, deixando para trás uma família em choque e um homem consumido pela fúria.

Lá fora, o sol de São Paulo parecia mais brilhante. O ar, mais fresco. Sofia respirou fundo, sentindo-se livre pela primeira vez em duas vidas.

Enquanto descia os degraus da imponente mansão, um carro preto elegante parou ao seu lado. A janela do passageiro se abriu.

Um homem de terno, com um rosto sério, olhou para ela.

"Senhorita Sofia? Meu nome é Ricardo. Sou assistente do Sr. Marcos Varela."

O nome a pegou de surpresa. Marcos Varela. O único rival de Pedro no cenário musical, um gênio discreto e recluso.

"O Sr. Varela soube de seu dom", continuou o homem. "Ele gostaria de saber se você poderia ajudá-lo."

Sofia olhou para o carro, depois para a mansão dos De Luca. Uma porta se fechara, mas outra, completamente inesperada, acabara de se abrir.

Uma nova vida. Uma nova escolha. E desta vez, ela faria tudo diferente.

Capítulo 2

Sofia olhou para o assistente de Marcos Varela, Ricardo, e uma sensação de cautela a invadiu. A última vez que ela aceitou ajudar um magnata da música, acabou morta.

"Agradeço a oferta", ela disse, sua voz polida, mas firme. "Mas no momento, não estou aceitando novos clientes."

Ricardo pareceu surpreso com a recusa imediata.

"Senhorita Sofia, o Sr. Varela está disposto a pagar qualquer preço. A situação dele é... delicada."

"Eu imagino que sim", ela respondeu, lembrando-se dos rumores sobre o acidente que quase tirou a vida de Marcos. "Mas minha decisão está tomada. Tenha um bom dia."

Ela se virou e começou a andar, deixando o assistente e o carro de luxo para trás. Ela precisava de tempo para processar sua nova realidade, para se afastar de tudo que a lembrava de Pedro e de sua vida passada. Ela alugou um pequeno apartamento no centro da cidade, um lugar simples onde ninguém a conhecia, e tentou viver uma vida normal.

Mas o mundo da música em São Paulo era pequeno.

Duas semanas depois, um convite chegou. Um envelope grosso, com o selo dourado da Associação de Músicos. Era para a festa anual de gala, o evento social mais importante do setor. Em sua vida anterior, ela fora como a esposa de Pedro, um troféu silencioso ao seu lado.

Desta vez, ela iria sozinha.

Na noite da festa, Sofia escolheu um vestido preto simples, mas elegante. Ela queria passar despercebida, apenas observar.

Assim que entrou no salão opulento, sentiu os olhares. As pessoas cochichavam. A notícia de sua recusa em ajudar Pedro de Luca havia se espalhado como fogo.

Ela ignorou os murmúrios e pegou uma taça de champanhe. Do outro lado do salão, ela viu Helena de Luca conversando com outro empresário. A matriarca parecia tensa, seu rosto marcado pela preocupação.

"Ouvi dizer que a nova protegida de Pedro, Carolina, está cuidando dele agora", disse uma voz ao lado de Sofia. Era um produtor musical que ela conhecia vagamente. "Mas Helena não parece feliz. Ela acha que essa garota é uma aproveitadora, usando métodos pouco ortodoxos para 'inspirar' Pedro."

Sofia apenas assentiu, um sentimento de ironia amarga percorrendo seu corpo. Em sua vida passada, Carolina era a musa intocável. Agora, era vista como uma charlatã.

Nesse momento, as portas do salão se abriram e um silêncio caiu sobre a multidão.

Pedro de Luca entrou.

Ele não estava em uma cadeira de rodas. Estava de pé, apoiado em uma bengala elegante, mas caminhando com uma confiança arrogante. Ao seu lado, radiante em um vestido vermelho vibrante, estava Carolina.

Ela sorria, segurando o braço de Pedro com possessividade, como se exibisse um prêmio. Pedro parecia... diferente. Havia um brilho febril em seus olhos, uma energia artificial que não estava lá antes.

Eles eram o centro das atenções. Pedro, o gênio recuperado. Carolina, a salvadora milagrosa.

Sofia sentiu um calafrio. Ela sabia o que estava por vir.

Carolina, com seu ar de superioridade, começou a circular pelo salão, falando em voz alta sobre como ela havia "despertado" a genialidade de Pedro com uma "terapia musical revolucionária".

"Esses curandeiros tradicionais não entendem nada", disse Carolina, olhando diretamente para Sofia, sua voz alta o suficiente para que todos ao redor ouvissem. "Eles só sabem cantar canções de ninar. A verdadeira cura vem da paixão, da energia vital. Algo que certas pessoas simplesmente não têm."

A provocação era clara. Vários olhares se voltaram para Sofia, esperando uma reação. Pedro observava de longe, um sorriso de escárnio nos lábios.

Sofia permaneceu calma. Ela deu um gole em seu champanhe, o líquido borbulhando em sua língua.

Ela caminhou lentamente em direção a Carolina, parando a poucos metros de distância. O salão ficou em silêncio, todos antecipando o confronto.

"É uma teoria interessante, senhorita Carolina", disse Sofia, sua voz clara e sem emoção. "Uma pena que seja completamente falsa."

O sorriso de Carolina vacilou por um segundo.

"Como é?", ela cuspiu, ofendida.

"Você fala de energia vital, mas o que vejo no Sr. de Luca não é vitalidade. É uma febre, um consumo. Você está queimando a vela pelas duas pontas", disse Sofia, seu olhar passando de Carolina para Pedro. "Isso não é cura. É destruição."

Um murmúrio percorreu a multidão. As palavras de Sofia eram ousadas, um ataque direto ao casal do momento.

Carolina riu, um som estridente e forçado.

"Isso é inveja falando. Você teve sua chance e falhou. Eu tive sucesso. Pedro está compondo novamente, melhor do que nunca. O que você tem a mostrar?"

Sofia deu um passo à frente. Agora, todos os olhos estavam neles.

"Que tal uma aposta?", propôs Sofia, sua voz ressoando no silêncio.

Carolina ergueu uma sobrancelha. "Uma aposta?"

"Sim. Você diz que pode curar, que pode inspirar. Eu digo que você é uma fraude", disse Sofia, o desafio claro em seu tom. "Vamos provar quem está certa. Publicamente."

A atmosfera no salão estava elétrica. Ninguém ousava se mover.

"Eu escolho um paciente", continuou Sofia, seu olhar varrendo a sala e pousando em um canto escuro, onde sabia que Ricardo, o assistente de Marcos Varela, estava observando. "E você escolhe outro. Quem curar seu paciente primeiro, e de forma permanente, ganha."

Carolina olhou para Pedro, que assentiu com um sorriso presunçoso. Ele não acreditava que Sofia tivesse qualquer chance.

"E o que a perdedora faz?", perguntou Carolina, confiante.

Sofia sorriu, um sorriso frio que não chegou aos seus olhos.

"A perdedora se retira da indústria da música. Para sempre."

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