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O Carro Rosa de Traição

O Carro Rosa de Traição

Autor:: Jun Shang Ye
Gênero: Moderno
Meu marido revelou um carro rosa personalizado ao vivo na TV, chamando-o de "um tributo ao nosso amor". A internet o aclamou como o homem perfeito. Mas eu sabia a verdade. Aquele carro era o lugar exato onde ele me traiu com sua vice-presidente, Karina. E a mancha de batom no banco do passageiro não era minha. Ele pensou que eu estava em casa, esperando para celebrar seu sucesso. Em vez disso, eu estava em uma clínica, assinando um termo de responsabilidade para remover cirurgicamente minhas memórias. Eu abortei a criança que ele desesperadamente queria. Eu esmaguei o medalhão de platina que ele dizia unir nossas almas. Eu queimei meu passaporte, minha carteira de motorista e todas as nossas fotos na pia da cozinha. Quando ele finalmente chegou em casa, não encontrou nada além de uma casa vazia e uma caixa de presente contendo os restos do nosso filho não nascido. Um ano depois, ele invadiu minha festa de noivado em Florianópolis, caindo de joelhos e implorando por perdão. Olhei para o bilionário chorando e não senti absolutamente nada. - Sinto muito, senhor - disse eu calmamente. - Mas eu conheço você?

Capítulo 1

Meu marido revelou um carro rosa personalizado ao vivo na TV, chamando-o de "um tributo ao nosso amor".

A internet o aclamou como o homem perfeito.

Mas eu sabia a verdade.

Aquele carro era o lugar exato onde ele me traiu com sua vice-presidente, Karina.

E a mancha de batom no banco do passageiro não era minha.

Ele pensou que eu estava em casa, esperando para celebrar seu sucesso.

Em vez disso, eu estava em uma clínica, assinando um termo de responsabilidade para remover cirurgicamente minhas memórias.

Eu abortei a criança que ele desesperadamente queria.

Eu esmaguei o medalhão de platina que ele dizia unir nossas almas.

Eu queimei meu passaporte, minha carteira de motorista e todas as nossas fotos na pia da cozinha.

Quando ele finalmente chegou em casa, não encontrou nada além de uma casa vazia e uma caixa de presente contendo os restos do nosso filho não nascido.

Um ano depois, ele invadiu minha festa de noivado em Florianópolis, caindo de joelhos e implorando por perdão.

Olhei para o bilionário chorando e não senti absolutamente nada.

- Sinto muito, senhor - disse eu calmamente.

- Mas eu conheço você?

Capítulo 1

Ponto de Vista: Giovana Ribeiro

- Tem certeza absoluta disso, Sra. Ribeiro? - A voz do médico era calma, quase calma demais. Ela ecoava na sala branca e estéril da clínica do Projeto Mnemosyne.

Agarrei os braços da poltrona de couro macio. Meus nós dos dedos estavam brancos.

- Sim - respondi. Minha voz estava firme, até para os meus próprios ouvidos. - Tenho certeza.

Ele assentiu lentamente, o olhar inabalável.

- O procedimento é irreversível. As memórias alvo, uma vez suprimidas, não podem ser recuperadas. É como uma remoção cirúrgica, mas para a sua mente.

Um leve tremor percorreu meu corpo, um fantasma de medo. Mas desapareceu rapidamente. *O que havia para perder?* pensei. Meu passado parecia um buraco negro, sugando toda a minha luz.

Fechei os olhos por um momento. Flashes de uma vida que eu costumava amar, uma vida que agora eu odiava, tremeluziram atrás das minhas pálpebras. O riso dele. Minhas lágrimas. As promessas dele. Meu coração partido. Nada que valesse a pena manter. Nada mesmo.

- Eu entendo - disse, abrindo os olhos. Alcancei o tablet na mesa. O formulário de consentimento brilhava. Meu dedo pairou sobre a linha de assinatura. Era isso. A fuga que eu ansiava.

Meu nome, Giovana Ribeiro, parecia pesado e estranho. Pressionei a tela, assinando com um floreio que não reconheci. Uma parte de mim já tinha ido embora.

- Excelente - disse o médico, um leve sorriso tocando seus lábios. - Agendaremos o início do seu tratamento para daqui a três dias. Por favor, mantenha contato mínimo com estímulos externos até lá.

- Contato mínimo - repeti, sentindo uma leveza se espalhar pelo meu peito. O peso sufocante que carreguei por semanas pareceu diminuir, apenas uma fração. Levantei-me, sentindo uma estranha sensação de libertação. O ar fora da clínica parecia mais limpo, mais nítido.

Peguei meu celular ao pisar na rua, a tela vibrando com notificações. Uma mensagem de Diogo. *'Ligue a TV agora, amor. Tenho uma surpresa para você.'*

Meu coração deu um solavanco enjoado. Claro que ele tinha. Ele sempre tinha uma surpresa.

Toquei no link. A tela se encheu com as luzes deslumbrantes de um grande palco. Diogo Werneck, meu marido, estava sob um holofote, carismático e confiante. Atrás dele, um objeto enorme estava coberto por um tecido cintilante.

A voz do apresentador retumbou.

- Diogo Werneck, o visionário por trás da Werneck Motors, está prestes a revelar sua mais recente obra-prima! Um testamento à inovação e um tributo... ao amor!

Diogo sorriu, aquele sorriso ensaiado e deslumbrante que encantava milhões.

- Este não é apenas um carro - anunciou ele, a voz cheia de emoção. - Este é um sonho. Um sonho no qual derramei minha alma, para a mulher que possui minha alma.

Ele gesticulou dramaticamente. O tecido caiu, revelando um veículo elétrico elegante e futurista. Era inteiramente, ostensivamente rosa.

- O Alma Gêmea - declarou ele.

Um suspiro percorreu a plateia. Mulheres no chat da transmissão ao vivo explodiram com emojis de coração e inveja. *'Ele é tão romântico! Ele venera a esposa!'*

O apresentador voltou-se para Diogo.

- Sr. Werneck, o design é absolutamente deslumbrante. Qual foi sua inspiração?

Os olhos de Diogo suavizaram, olhando diretamente para a câmera, como se falasse apenas comigo.

- Giovana, minha linda esposa, às vezes se sente um pouco perdida. Eu queria projetar um carro que a mantivesse sempre segura, que sempre a trouxesse para casa. Um carro que simboliza que o amor verdadeiro não é sobre restrição, mas sobre dar liberdade.

A multidão explodiu em aplausos. Meu celular vibrou com mil comentários de adoração. *'Melhor marido de todos! Meta de relacionamento!'*

Encarei a tela do meu celular, depois, lenta e deliberadamente, fechei-o. Meu estômago revirou. Uma onda de náusea me invadiu, mais forte do que qualquer enjoo matinal.

Minha mente repassou o vídeo que recebi há um mês. Não de Diogo, mas de Karina Paiva, sua vice-presidente de marketing. Era explícito. Diogo, meu marido de dez anos, naquele mesmo protótipo de carro rosa, com Karina. A risada zombeteira dela. A mão dela alcançando-o. Os olhos dele, cheios de luxúria, não por mim.

O carro, seu "tributo ao amor". Era o mesmo carro. O que eles usaram.

Lembrei-me do batom, um fúcsia brilhante, manchado no encosto de cabeça do banco do passageiro, deixado lá deliberadamente. A mensagem triunfante de Karina: *'Ele diz que você é muito sem graça para rosa, Giovana. Mas ele adora em mim.'* Em seguida, uma foto de um teste de gravidez positivo.

Ele era sujo. Nosso amor era uma mentira.

Ele nunca me traria para casa.

Capítulo 2

Ponto de Vista: Giovana Ribeiro

Entrei em casa, o silêncio ensurdecedor. Os cômodos grandes e vazios ecoavam com o vazio da minha vida. Fui ao meu escritório, abri uma gaveta e tirei minha certidão de nascimento, minha carteira de motorista, meu passaporte. Todos os pedaços frágeis de papel que provavam que eu era Giovana Ribeiro.

Levei-os para a pia da cozinha, uma pequena chama desafiadora tremeluzindo em minha mão. Um por um, assisti às chamas consumirem minha identidade. O papel enrolou, escureceu e virou cinza. Meu nome, quase, se foi.

Um sorriso pequeno e genuíno tocou meus lábios. Uma sensação de leveza, de liberdade, que eu não sentia há anos.

Então, um fantasma de memória. Diogo, dez anos atrás. Éramos namorados de colégio, cheios de sonhos, construindo nossa primeira startup em uma garagem apertada. Ele me prometeu o mundo, e eu acreditei nele. Éramos pobres, mas tínhamos um ao outro. Não parecia dificuldade na época. Parecia uma aventura.

Ele jurou que me amaria para sempre. Suas palavras, gravadas tão profundamente em meu coração, agora pareciam uma piada cruel. Para sempre. Que mentira patética.

Fui até minha mesa de cabeceira, abrindo a gaveta forrada de veludo. Dentro, aninhado na seda, estava o medalhão de platina vintage que Diogo me dera no dia do nosso casamento. Uma antiguidade que ele caçou por meses. Ele disse que as duas metades interligadas representavam nossas vidas.

- Esta platina, Giovana - dissera ele, com os olhos sinceros -, é resiliente. É feita para nos unir, para sempre. Enquanto permanecer inteira, nós também permaneceremos.

Segurei-o na palma da mão. Parecia frio, pesado, uma relíquia de uma vida diferente. Abri a mão. Ele caiu no chão de azulejo. Peguei um peso de papel de latão pesado da mesa de cabeceira e o desci com força. *Crack.* A dobradiça delicada se partiu. A face do medalhão torceu. Não se estilhaçou como vidro, mas deformou, o fecho quebrando, o metal rasgando.

Minha respiração engatou. Não de tristeza, mas de uma satisfação fria e silenciosa. Finalmente.

Reuni cuidadosamente os pedaços retorcidos, cada um um pequeno monumento a uma mentira despedaçada. Coloquei-os gentilmente em uma pequena e elegante caixa de presente. Eu adicionaria um bilhete mais tarde. Um adeus.

A porta da frente se abriu.

- Giovana, amor? Cheguei! - A voz de Diogo, irritantemente alegre, perfurou o silêncio frágil.

Ele entrou na sala de estar, uma caixa de bolo de grife em uma mão, um buquê dos meus lírios favoritos na outra. Ele sorriu, aquele sorriso público e performático.

- Surpresa! Mil-folhas frescos daquela padaria que você ama!

Ele veio por trás de mim, envolvendo os braços na minha cintura, pressionando um beijo no meu pescoço. Instintivamente enrijeci, virando a cabeça ligeiramente. O cheiro de um perfume desconhecido agarrou-se a ele, doce e enjoativo. Era o de Karina. Eu sabia.

- Sem fome - disse, minha voz inexpressiva. Olhei para os doces. Ele lembrou. Ele sempre lembrava das pequenas coisas que eu gostava. Só não importava mais. Ele se importava com minhas preferências, mas não com meu coração.

Ele se afastou, fazendo bico.

- Você está brava comigo? Sei que me atrasei, mas o lançamento demorou mais do que o previsto. E o trânsito na Marginal estava um pesadelo. - Ele parecia tão contrito, tão menino. Um ator tão bom.

Meu estômago revirou novamente. O perfume era sufocante.

- Não, não estou brava - murmurei. Era verdade. Eu não sentia nada além de uma aceitação fria e vazia.

Ele sorriu, aliviado. Inclinou-se, pressionando outro beijo nos meus lábios. Então tirou uma pequena caixa de veludo. Dentro, uma chave de carro brilhante em forma de coração.

- E isso, meu amor, é para você. O primeiro 'Alma Gêmea' a sair da linha de produção. Meu presente para a única mulher digna de dirigi-lo.

Ele começou um monólogo sem fôlego sobre o sucesso do carro, as encomendas transbordando, as ações disparando. Seus olhos brilhavam de autossatisfação. Ele não notou minha imobilidade.

Peguei a chave. Parecia pesada, um símbolo não de amor, mas de traição.

- Diogo - interrompi, minha voz baixa. - Você sempre vai me amar?

Ele riu, um som estrondoso e confiante. Puxou-me para mais perto, enterrando o rosto no meu cabelo.

- Claro, amor. Sempre. Você é meu destino. Minha alma gêmea.

Ele tinha dito isso tantas vezes. Já tinha sido música para meus ouvidos. Agora, era um insulto grotesco.

- Você disse uma vez - continuei, empurrando-o gentilmente -, que se algum dia me traísse, eu deveria ir embora. Que você não me culparia.

Seus olhos claros e inocentes encontraram os meus. Nem um pingo de culpa.

- E eu quis dizer isso, Giovana. Claro.

Nesse momento, o celular dele vibrou. Uma chamada de vídeo. O nome de Karina brilhou na tela. Ele pegou o telefone, o rosto empalidecendo, e moveu-se para recusar a chamada.

- Não - disse eu, um leve sorriso brincando em meus lábios. - Atenda.

Ele hesitou, então, vendo minha expressão calma, relaxou. Atendeu e saiu da sala, indo para o corredor, baixando a voz.

Eu não precisava ouvir as palavras dele. Os murmúrios suaves e sedutores do lado de Karina passavam claramente pelas paredes finas.

- Amor, você foi tão bom ontem à noite... Já estou com saudades...

Fechei os olhos. Então os abri, serena. Caminhei para a cozinha, o calor do dia desaparecendo com o sol.

Diogo voltou alguns minutos depois, parecendo satisfeito consigo mesmo.

- Tudo bem, querida? Só uma ligação rápida de trabalho. Nada importante.

Ele estendeu a mão.

- Vamos. Vamos comemorar seu aniversário. Reservei aquele restaurante francês chique que você adora.

Capítulo 3

Ponto de Vista: Giovana Ribeiro

Levantei-me e os olhos de Diogo caíram imediatamente sobre a caixa de presente que eu havia colocado na mesa de centro. O rosto dele se iluminou.

- O que é isso? Outra surpresa? - Ele caminhou em direção a ela, uma excitação infantil na voz.

- É para você - disse, minha voz plana. - Seu presente de aniversário.

Ele riu, pegando a caixa.

- Meu aniversário é só semana que vem! Você é sempre tão atenciosa, meu amor. - Seus olhos brilhavam. Ele era tão alheio. *Ele vai descobrir em breve*, pensei, uma satisfação fria se espalhando por mim.

- Abra no seu aniversário - disse a ele, com um toque de aço na voz.

Ele colocou cuidadosamente a caixa sobre a lareira, ao lado de uma foto emoldurada nossa do casamento.

- Eu vou - prometeu, os olhos cheios de afeto. - Você me faz o homem mais feliz do mundo.

Ele pegou minha mão, me puxando em direção à porta.

- Vamos. O jantar nos espera.

Descemos para a garagem subterrânea. Lá estava ele. O carro "Alma Gêmea", brilhando sob as luzes fluorescentes, sua pintura rosa quase cegante. Sua traição final, agora estacionada em nossa casa.

- Quer dar uma volta com ela? - perguntou ele, os olhos praticamente saltando das órbitas de orgulho.

Caminhei lentamente ao redor do carro, minha respiração presa na garganta. A placa personalizada: "GIOVANA". Meu nome. Estampado no veículo de sua infidelidade. Meu corpo começou a tremer, um pavor frio penetrando em meus ossos. Vi o rosto de Karina, seu sorriso zombeteiro, a mão dela na coxa de Diogo no vídeo. Tudo dentro do meu carro.

Diogo viu minha hesitação.

- O que foi, amor? Não gostou? - Ele parecia genuinamente preocupado.

Balancei a cabeça.

- Não, é lindo - menti. - É só que... não estou acostumada a dirigir um carro tão grande. Faz tempo que não dirijo na cidade. - Minha desculpa era fraca, mas ele acreditou.

Ele pegou as chaves da minha mão trêmula.

- Sem problemas! Eu dirijo. Eu até te ensino. Pense em todos os lugares que iremos. - Ele abriu a porta do passageiro com um floreio.

Tirei um lenço umedecido antisséptico, esfregando o couro suntuoso do banco do passageiro antes de me sentar. Esfreguei e esfreguei, como se pudesse apagar a presença de Karina, seu cheiro, seu toque. Era inútil.

Diogo riu novamente.

- É um carro novo, querida. Por que você está limpando?

- Não gosto que outras pessoas toquem nas minhas coisas - disse, minha voz cortante. As palavras pairaram no ar, pesadas com um significado não dito.

O sorriso dele vacilou. Um lampejo de algo - vergonha? medo? - cruzou seu rosto. Ele limpou a garganta rapidamente.

- Certo. Bem, vamos lá. Aquele macarrão trufado não vai se comer sozinho.

Ele tagarelou sobre o restaurante estrelado, o menu requintado, a harmonização perfeita de vinhos. Eu mal o ouvia. Minha mão roçou em algo duro sob o assento. Um batom. Fúcsia.

Eu o peguei. Ele viu. Seus olhos dispararam nervosamente. O rosto dele ficou vermelho carmesim.

- Ah, isso! É... um novo truque de marketing. Uma cor popular. A Karina deve ter deixado cair. - Ele tropeçou nas palavras.

Levantei o objeto, um sorriso fraco e arrepiante nos lábios.

- Isso também é um presente, Diogo?

Ele gaguejou:

- Não, não! Apenas uma amostra. A equipe de vendas provavelmente colocou lá por engano.

Zombei internamente. Girei a tampa. A ponta do batom estava gasta, claramente usada. Olhei para ele, meu olhar penetrante.

- Odeio coisas de segunda mão, Diogo - disse suavemente. - Homens também.

Ele recuou, como se tivesse levado um tapa. Sua mão disparou, agarrando meu pulso.

- Giovana, por favor! Sinto muito. Eu... - A voz dele estava grossa de pânico.

Não respondi. Simplesmente levantei a mão e joguei o batom na lixeira da esquina enquanto estávamos parados no sinal.

Meu celular vibrou. Karina. *'Ops, deixei meu batom no Alma Gêmea de novo! Não queria sujar minha bolsa nova, rs. Diga ao Diogo que pego amanhã de manhã, tá?'*

Olhei para Diogo, o rosto dele uma máscara de arrependimento suplicante. Era tudo uma performance. Era tudo tão absolutamente sem sentido.

Virei a cabeça, observando as luzes da cidade passarem borradas. Eu só queria que este dia acabasse. Queria comemorar meu último aniversário com ele, e depois cair fora.

Chegamos ao restaurante. Ele abriu minha porta, um marido encantador e devoto. As pessoas ao redor arrulhavam. "Que cavalheiro!" "Ele está tão apaixonado!" "Ela é tão sortuda!"

Diogo se empavonou, absorvendo a admiração. Ele me conduziu para dentro. Uma mesa carregada com meus pratos favoritos nos esperava. Cozinhados por outra pessoa. Pagos por ele. A ilusão suprema.

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