Na minha caixa de correio, encontravam-se dezasseis convites de casamento.
Todos para o mesmo casamento, o do meu noivo, Pedro.
Só que o nome da noiva não era o meu. Era Sofia, a minha melhor amiga e madrinha de honra.
A cerimónia estava marcada para o dia seguinte, com TUDO o que eu tinha planeado e pago para o MEU casamento.
Pedro ligou, pedindo-me para acalmar Sofia, que estava em pânico com O CASAMENTO DELA.
Ele justificou, com uma desfaçatez aterradora, que era um "casamento falso" para cumprir o último desejo da mãe de Sofia.
"Tu és forte, Clara", ele disse, como se a minha força pudesse apagar a facada no peito.
Quando confrontei Sofia, vestida no MEU vestido de noiva, ela sorriu cinicamente: "Ele sempre me amou. Tu eras apenas... conveniente."
O ar faltou-me. A humilhação, a fúria, a traição de quem eu mais amava incendiaram cada célula do meu corpo.
Como puderam eles fazer isto? Como puderam transformar o dia mais feliz da minha vida num palco para a sua traição descarada?
Conveniente? Veremos.
Eles queriam um casamento? Teriam a festa de casamento mais inesquecível de sempre. Mas não da forma que esperavam.
Na minha caixa de correio, encontravam-se dezasseis convites de casamento, todos para o mesmo casamento, o do meu noivo, Pedro.
O nome da noiva não era o meu. Era Sofia.
Sofia era a minha melhor amiga, a madrinha de honra que eu tinha escolhido.
A cerimónia estava marcada para amanhã.
Apanhei os convites, o papel grosso e caro parecia queimar-me os dedos.
O meu telemóvel tocou. Era Pedro.
Atendi, a minha voz surpreendentemente calma.
"Olá?"
"Clara, onde estás? A Sofia está a ter um ataque de pânico por causa do casamento. Ela precisa de ti."
A voz dele estava cheia de uma preocupação que ele nunca me tinha mostrado.
"O casamento dela?" perguntei, sentindo um gosto amargo na boca. "Que casamento?"
Pedro fez uma pausa. Um silêncio pesado instalou-se entre nós.
"Clara, não compliques as coisas. A mãe dela acabou de falecer, ela está vulnerável. Eu só estou a ajudá-la a ultrapassar isto."
"Ajudá-la casando com ela?"
"Não sejas ridícula. É um casamento falso para cumprir o último desejo da mãe dela. A mãe dela queria vê-la casada e feliz antes de morrer. A Sofia pediu-me, e eu não podia dizer que não. Tu sabes como ela é sensível."
Um casamento falso. Ele disse-o com tanta facilidade, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
"E os nossos planos, Pedro? O nosso casamento?"
"Tivemos de o adiar, obviamente. A Sofia precisa de mim agora. Tu és forte, Clara, tu compreendes, certo? É apenas uma formalidade. Depois disto, voltaremos ao normal."
A sua lógica era tão distorcida que me deixou sem fôlego.
"Não, Pedro. Não compreendo."
Desliguei a chamada antes que ele pudesse responder.
Olhei novamente para os convites na minha mão. A foto deles. Ele a olhar para ela com uma adoração que eu pensei que estava reservada para mim. Ela, a sorrir, a agarrar-se ao braço dele.
Eles pareciam um casal real. Um casal feliz.
O meu telemóvel vibrou novamente. Uma mensagem de Sofia.
"Clara, por favor, vem. Não consigo fazer isto sem ti. Preciso da minha melhor amiga."
Senti uma onda de náusea. A minha melhor amiga estava a roubar-me o noivo e a pedir-me para a ajudar a planear o casamento.
Decidi ir.
Eu tinha de ver isto com os meus próprios olhos.
Quando cheguei a casa da Sofia, o caos reinava.
Decoradores corriam de um lado para o outro, floristas arranjavam enormes bouquets de lírios brancos, os meus favoritos.
Pedro estava no meio da sala de estar, a dar ordens, a sua testa franzida em concentração. Ele parecia um noivo a preparar-se para o seu grande dia.
Ele viu-me e o seu rosto suavizou-se com alívio.
"Clara, graças a Deus que vieste. A Sofia está lá em cima no quarto dela, ela não sai."
Ele agarrou o meu braço, tentando puxar-me em direção às escadas.
Afastei a sua mão.
"Não me toques."
A sua expressão mudou de alívio para irritação.
"Clara, agora não é altura para isto. Já te expliquei. É um favor para a Sofia."
"Um favor que envolve anular o nosso local de casamento e usar o nosso catering?" apontei para os homens que montavam as mesas no jardim. Eram da empresa que tínhamos contratado para o nosso casamento em Setembro.
Pedro passou a mão pelo cabelo, um sinal de que estava a perder a paciência.
"Foi mais fácil assim. Já estava tudo pago. Estás a ser egoísta. A mãe da Sofia morreu! Tens alguma compaixão?"
A sua acusação atingiu-me com força. Ele estava a usar a morte da mãe dela como um escudo para a sua traição.
"A minha compaixão não se estende a ajudar a minha melhor amiga a casar com o meu noivo."
Subi as escadas, deixando-o para trás.
A porta do quarto da Sofia estava entreaberta. Ouvi soluços.
Entrei sem bater.
Ela estava sentada no chão, a usar um lindo vestido de noiva. O vestido que tínhamos escolhido juntas para o meu casamento.
Quando ela me viu, os seus olhos arregalaram-se.
"Clara! Tu vieste!"
Ela correu para me abraçar, as suas lágrimas a mancharem o meu ombro.
Não a abracei de volta.
"Tira o meu vestido, Sofia."
Ela recuou, o seu rosto a contorcer-se em confusão.
"O quê? Clara, o que se passa? O Pedro não te explicou? Isto é tudo para a minha mãe..."
"A tua mãe está morta, Sofia. Ela não vai ver este espetáculo. Tira o vestido."
A minha voz era fria, desprovida de qualquer emoção.
As lágrimas dela pararam. O seu rosto endureceu.
"Não podes simplesmente estar feliz por mim, nem que seja por um dia? Depois de tudo o que passei?"
"Estar feliz por estares a casar com o meu noivo, no meu vestido, na data que deveria ser minha? Não, não posso."
Ela riu, um som seco e feio.
"O teu noivo? Clara, acorda. Ele ama-me. Ele sempre me amou. Tu eras apenas... conveniente."
As suas palavras confirmaram a verdade feia que eu tinha tentado ignorar.
"Ele escolheu-me", continuou ela, alisando o vestido. "Ele está lá em baixo, a planear o nosso futuro. E tu? Estás aqui, sozinha."
Senti o meu telemóvel a vibrar no bolso. Era a minha mãe. Ignorei.
Olhei para a Sofia, a mulher que eu pensava conhecer.
"Aproveita o teu casamento falso, Sofia."
Virei-me e saí do quarto, deixando-a com o meu vestido e o meu noivo roubado.