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O Ceo Traído que Consegue Amar de Novo

O Ceo Traído que Consegue Amar de Novo

Autor: Silvajfo-84
Gênero: Romance
Lucas Monteiro era um homem bem-sucedido, dono de uma grande empresa e acostumado a ter tudo sob controle. Durante quase cinco anos, acreditou que havia encontrado o amor de sua vida em Alice Mendes, sua noiva. Preparava-se para pedi-la oficialmente em casamento quando descobriu a pior das traições. Ao chegar em casa inesperadamente, encontrou Alice nos braços de Carlos, o jardineiro da família. Destruído, Lucas terminou o relacionamento imediatamente. Jogou fora o anel que comprara para ela e decidiu que jamais voltaria a confiar em uma mulher. Para ele, o amor havia se transformado em uma palavra vazia. Meses depois, por causa de negócios, Lucas viajou com o amigo Romeu para um pequeno povoado no interior. Foi ali que seu destino começou a mudar. Teresa Silva era uma jovem humilde, trabalhadora e determinada, que sustentava seus dois filhos, os gêmeos Maria e Matheus. Ela trabalhava servindo mesas e enfrentava a vida com coragem, apesar das dificuldades. Teresa havia perdido o irmão Osvaldo, que morreu em um acidente de carro junto com a esposa quando os gêmeos ainda eram pequenos. Desde então, ela se dedicava completamente aos filhos. Lucas começou a perceber que Teresa era diferente de todas as mulheres que conhecera. Ela não se interessava por dinheiro nem pelo luxo que cercava sua vida. Era simples, sincera e colocava os filhos acima de tudo. Aos poucos, o homem que havia jurado nunca mais amar começou a se apaixonar. Romeu percebeu a mudança antes mesmo de Lucas admitir para si próprio. As provocações do amigo aumentavam quando ele percebia os ciúmes de Lucas, especialmente quando outros homens demonstravam interesse por Teresa. Quando Lucas contou aos pais, Amélia e Fernando Monteiro, que estava apaixonado por uma mulher do interior e que ela tinha dois filhos, eles inicialmente ficaram preocupados. Temiam que Teresa estivesse interessada apenas no dinheiro da família. Porém, ao conhecê-la, perceberam que haviam cometido um julgamento injusto. Teresa mudou-se para a capital com Maria e Matheus. Os dois passaram a ser tratados pela família Monteiro como parte da família. Lucas também assumiu cada vez mais o papel de pai para as crianças. Mas o passado ainda não havia terminado. Alice voltou à vida de Lucas determinada a recuperá-lo. Ela passou a perseguir Teresa, aparecendo na empresa, na escola e enviando ameaças. Em determinado momento, chegou a ameaçar os filhos de Teresa. A situação ficou tão grave que Teresa perdeu o medo e enfrentou Alice. Lucas procurou ajuda jurídica, enquanto Teresa tentava seguir sua vida. Mesmo cercada de problemas, ela continuou estudando e conseguiu se formar em Administração. Quando descobriu que estava grávida de Lucas, ficou assustada. Amélia encontrou Teresa chorando com o teste de gravidez e prometeu protegê-la. A família recebeu a notícia com emoção, e os gêmeos descobriram que teriam um irmão ou irmã. A felicidade, porém, foi novamente ameaçada por Alice. Depois do nascimento do primeiro filho de Lucas e Teresa, Alice conseguiu sequestrar o bebê do hospital e levou a criança para uma propriedade afastada pertencente à sua família. O desespero tomou conta de Lucas, Teresa e de todos os familiares. Foi então que Carlos, arrependido por tudo o que havia acontecido no passado, decidiu ajudar. Ele procurou Lucas em sua mansão e revelou informações importantes sobre Alice. A polícia organizou uma operação para encontrar o bebê. Depois de uma investigação arriscada, os policiais conseguiram entrar na propriedade. Um agente infiltrado conseguiu localizar a criança e retirá-la em segurança. Alice foi presa e posteriormente encaminhada para tratamento psiquiátrico. Seus pais também foram investigados por terem ajudado a esconder a criança, embora afirmassem que haviam sido ameaçados pela própria filha. O bebê voltou para os braços dos pais, mas o trauma deixou marcas profundas em Teresa. Depois do sequestro, ela tornou-se distante de Lucas. Embora ainda o amasse, carregava dentro de si medo, tristeza e insegurança. Com o apoio de Dona Bia, procurou ajuda psicológica e descobriu que estava enfrentando uma depressão pós-parto relacionada a tudo o que havia vivido. Teresa decidiu passar um período no interior com os filhos. Lucas sofreu profundamente com a distância. Em uma fase de desespero, chegou a se afundar no trabalho e na bebida, convencido de que poderia perder sua família. Uma forte tempestade ainda aumentou a distância entre eles. O telefone de Teresa quebrou, as estradas ficaram interditadas e a comunicação com o povoado foi interrompida. Lucas estava viajando a negócios e não conseguia falar com ela. Quando finalmente conseguiram se comunicar, Lucas decidiu ir buscar Teresa e as crianças. Ele passou alguns dias no interior com a família. Longe da pressão da cidade, os dois conseguiram conversar, recordar o início da história e reconstruir o amor que quase havia sido destruído pelo medo. Uma visita ao lago, onde puderam ficar sozinhos.
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Capítulo 1 O Homem que Acreditava no Amor

Lucas Monteiro era um homem acostumado a tomar decisões importantes.

Como CEO de uma empresa que crescera rapidamente sob sua administração, estava habituado a reuniões difíceis, contratos milionários e negociações que poderiam mudar o rumo de grandes projetos. Ainda assim, havia uma coisa que não conseguia controlar: o próprio coração.

Aos olhos de quem o conhecia apenas pelos negócios, Lucas poderia parecer um homem frio e distante. Na realidade, era exatamente o contrário. Gentil, educado e compreensivo, fazia questão de tratar todos com respeito, independentemente da posição que ocupassem.

O dinheiro nunca foi motivo para se sentir superior a ninguém.

Talvez por isso tenha se apaixonado tão profundamente por Alice Mendes.

Os dois estavam juntos havia quase cinco anos. Quando se conheceram, Alice era uma mulher que parecia combinar perfeitamente com aquilo que Lucas procurava. Bonita, elegante, inteligente e pertencente a uma família tradicional, ela sabia circular entre pessoas importantes sem demonstrar insegurança.

Lucas acreditou ter encontrado a companheira ideal.Nos primeiros anos, tudo parecia perfeito.

Os dois viajavam, jantavam juntos, frequentavam eventos e passavam os finais de semana entre as duas famílias. Lucas gostava de surpreendê-la com flores, presentes e pequenos gestos que demonstravam o quanto ela era importante.

Alice sabia que ele a amava.E, durante muito tempo, pareceu corresponder.Entretanto, nos últimos meses, algo havia mudado.

Alice começara a demonstrar uma personalidade que Lucas ainda não conseguia enxergar completamente. Tornava-se impaciente, exigente e arrogante, principalmente quando estava longe dele.

Quando Lucas estava em casa, ela mantinha a aparência de mulher educada diante dos funcionários da mansão. Bastava ele viajar para que sua verdadeira personalidade aparecesse.

Naquela manhã, por exemplo, uma funcionária entrou no quarto carregando algumas roupas.

- Senhora Alice, onde deseja que eu coloque estas peças?

Alice continuou olhando para o celular.

- No meu closet.

- Certo. E as outras roupas que estão na lavanderia?

Alice levantou os olhos lentamente.

- Você precisa mesmo perguntar tudo?

A funcionária ficou sem graça.

- Desculpe, senhora.

- Apenas faça seu trabalho. Não tenho tempo para explicar coisas tão simples.

- Sim, senhora.

A mulher saiu cabisbaixa,Alice voltou ao celular como se nada tivesse acontecido.

Aquele tipo de comportamento havia se tornado frequente.Mesmo assim, Lucas não sabia.

Ou talvez não quisesse saber.Ele estava viajando naquele momento, participando de reuniões importantes fora do país. Como sempre, ligava para Alice todos os dias.

Naquela noite, o telefone tocou.

Alice sorriu ao ver o nome de Lucas na tela.

- Oi, meu amor.

- Oi, Alice. Como você está?

- Estou bem. E você?

- Cansado, mas feliz. A reunião de hoje foi muito boa.

- Que bom.

Lucas se sentou na varanda do hotel.

- Estou com saudade.

Alice sorriu.

- Eu também.

- Quero voltar logo.

- Você disse que ficaria mais alguns dias.

- Talvez consiga antecipar meu retorno.

Alice ficou em silêncio por alguns segundos.

- Já?

Lucas franziu levemente a testa.

- Sim. Você não ficou feliz?

- Claro que fiquei. Só achei que ainda demoraria.

Lucas sorriu.

- Quero aproveitar cada minuto que puder com você.

Alice mudou de assunto.

- Como estão as coisas por aí?

- Corridas, mas tudo está indo bem.

Ele não contou que já havia começado a pensar em algo muito maior ele visitou uma joalheria que havia visitado dias antes e que estava pesquisando anéis.Não contou que imaginava uma vida ao lado dela.Lucas queria fazer uma surpresa.

Depois de quase cinco anos juntos, acreditava que estava na hora de transformar o namoro em casamento.

Para ele, Alice era a mulher com quem queria construir uma família.

A conversa terminou depois de alguns minutos.

- Eu te amo - disse Lucas.

- Também te amo.

A ligação foi encerrada.

Alice colocou o celular sobre a mesa e suspirou.

Uma amiga que estava sentada no outro lado da sala perguntou:

- Era o Lucas?

- Era.

- Ele volta quando?

- Talvez amanhã.

A amiga sorriu.

- Vocês ainda estão juntos depois de tantos anos. Impressionante.

Alice deu um sorriso discreto.

- Lucas não vai me deixar.

- Você tem tanta certeza?

Alice se levantou.

- Tenho.

Ela caminhou até o espelho.

- Ele é completamente apaixonado por mim.

A amiga ficou em silêncio.

Alice ajeitou os cabelos.

- E homens como Lucas não encontram facilmente uma mulher como eu.

Naquele momento, ela tinha certeza de que controlava o futuro.

Não sabia que a própria arrogância estava prestes a destruir tudo.

No dia seguinte, Lucas encerrou a última reunião antes do previsto.

Romeu Tavares, seu melhor amigo e parceiro em alguns negócios, percebeu a ansiedade do amigo.

- Você está olhando para o relógio desde que chegou.

Lucas riu.

- Quero voltar para casa.

- Por causa da empresa?

- Por causa da Alice.

Romeu balançou a cabeça.

- Você ainda está apaixonado como no primeiro ano.

- Mais do que no primeiro.

- Então quando vai tomar coragem?

Lucas fingiu não entender.

- Coragem para quê?

- Você sabe.

Romeu apontou para a mala.

- Para tirar aquela pequena caixa de dentro dela.

Lucas ficou surpreso.

- Como descobriu?

- Você não sabe esconder nada de mim.

Lucas sorriu.

Tocou discretamente o bolso interno da mala.

- Quero fazer tudo direito.

- Ela vai aceitar.

Lucas olhou para o amigo.

- Espero que sim.

Romeu riu.

- Depois de quase cinco anos, se ela disser não, eu mesmo vou conversar com ela.

Lucas também riu.

Mas, naquele momento, ninguém poderia imaginar que aquela caixa carregava um sonho prestes a ser destruído.

O avião partiria naquela mesma noite.

Lucas acreditava estar voltando para casa para começar uma nova fase da vida.

Não sabia que estava indo ao encontro do pior momento de sua história.

E, enquanto o avião decolava, ele fechou os olhos com um sorriso.

No bolso, o anel de noivado esperava pelo momento em que seria colocado no dedo de Alice.

Lucas ainda acreditava que aquele pequeno objeto representava o futuro.

Mal sabia que, dentro de poucas horas, ele seria usado para selar o fim de uma história de quase cinco anos.

Capítulo 2 O Pedido que Nunca Aconteceria

O avião pousou na capital no início da tarde.

Lucas Monteiro saiu do aeroporto cansado, mas com um sorriso no rosto. Depois de tantos dias longe, tudo o que queria era encontrar Alice.

O motorista já o esperava.

- Para casa, senhor Lucas?

Lucas entrou no carro.

- Primeiro vamos ao escritório.

- Sim, senhor.

Durante o trajeto, Lucas pegou o telefone.

Precisava fazer uma ligação antes de encontrar Alice.

Procurou o número do pai dela e chamou.

- Lucas! Você já voltou?

- Acabei de chegar.

- Sua viagem terminou antes do previsto?

- Sim. E preciso conversar com o senhor.

- Aconteceu alguma coisa?

Lucas sorriu.

- Aconteceu. Mas é uma coisa boa.

O homem ficou curioso.

- O que foi?

- Quero pedir Alice em casamento.

Do outro lado, houve alguns segundos de silêncio.

Depois, o pai dela soltou uma risada emocionada.

- Finalmente!

Lucas riu.

- Eu estava esperando o momento certo.

- Minha esposa vai ficar muito feliz.

- Quero fazer uma surpresa para Alice. Pensei em organizar um jantar hoje à noite.

- Pode deixar conosco. Nós vamos organizar tudo.

- Quero alguns familiares e amigos próximos.

- Será feito.

- Mas, por favor, não contem nada a ela.

- Não vamos contar.

Lucas respirou aliviado.

- Obrigado. Quero que seja uma noite inesquecível.

- Será.

Depois de desligar, Lucas ficou olhando pela janela.Em sua cabeça, já imaginava o momento. Ele e Alice chegando ao restaurante.

Os convidados reunidos.

Ele se levantando.

O anel, o pedido e o abraço.

Talvez algumas lágrimas e a felicidade que imaginava que compartilhariam.

Tudo parecia perfeito.

Enquanto isso, os pais de Alice começaram a organizar o jantar.

O restaurante foi reservado.Os convidados receberam as orientações.Ninguém deveria mencionar o motivo daquela reunião.Lucas chegaria mais tarde.Tudo estava sendo preparado em segredo.

Na mansão dos Mendes, Alice continuava sem desconfiar de nada.

Ela acreditava que Lucas chegaria apenas para descansar depois da viagem.

Não imaginava que ele estava prestes a pedir sua mão.

No final da tarde, Lucas deixou o escritório.Antes de seguir para o restaurante, tomou uma decisão.Queria surpreender Alice pessoalmente.

Passaria na mansão.

Levaria flores.Depois iria com ela para o jantar.

O buquê estava no banco ao lado do motorista e o anel estava no bolso interno do paletó.Lucas sorriu sozinho.Estava nervoso.

Pela primeira vez em muitos anos, uma decisão profissional parecia muito mais fácil do que aquela.Quando chegou à mansão, deixou o carro estacionado em frente à propriedade.

O segurança abriu o portão.

- Boa tarde, senhor Lucas.

- Boa tarde. Alice está em casa?

- Acredito que sim, senhor.

- Obrigado.

Lucas entrou.

O jardim privado estava silencioso.Ele caminhou até a porta principal e entrou sem anunciar sua presença.Conhecia a casa, corredores e o quarto de Alice.Subiu as escadas.

A casa permanecia silenciosa.Lucas segurou o buquê.O coração batia mais rápido.

Chegou diante da porta, sorriu. Levantou a mão e girou a maçaneta.Abriu a porta e parou.

O sorriso desapareceu, o mundo pareceu perder o som, Alice estava na cama, nua nos braços de outro homem, Lucas conhecia aquele homem.

Era o jardineiro da família.Durante alguns segundos, ninguém se mexeu.

Alice arregalou os olhos.

- Lucas.

Ele permaneceu parado.

O buquê escorregou de sua mão e caiu no chão, o homem ao lado de Alice levantou-se rapidamente, Lucas olhou para os dois, depois para a cama e depois para o homem.

Seu rosto perdeu completamente a cor, Alice puxou o lençol para cobrir o corpo.

- Lucas, espera.

Ele não respondeu.

- Não é o que você está pensando.

Lucas finalmente soltou uma pequena risada.

Era uma risada sem alegria.

- Não é?

Alice desceu da cama.

- Eu posso explicar.

Lucas colocou a mão no bolso e retirou a pequena caixa e abriu o anel estava ali brilhando,Alice olhou para ele.

Seu rosto mudou.

- Lucas.

Ele segurou a caixa por alguns segundos.

- Eu estava voltando para casa para pedir você em casamento.

Alice começou a chorar.

- Me escuta.

Lucas deu um passo para trás.

- Eu liguei para seus pais.

- Lucas, por favor.

- Organizei um jantar.

A voz dele começou a falhar.

- Com nossos amigos. Com nossa família.

Ele olhou para o anel.

- Eu passei quase cinco anos acreditando que você era a mulher da minha vida.

Alice tentou se aproximar.

- Eu amo você.

Lucas levantou a mão.

- Não.

Ela parou.

Lucas jogou a pequena caixa sobre a cama o anel caiu entre os lençóis.

Depois pegou o buquê do chão e colocou ao lado.

- Fique com os dois.

- Lucas!

Ele se virou.

Alice correu atrás dele.

- Espera!

Lucas atravessou o corredor.

- Lucas, por favor!

Ele continuou descendo as escadas.

- Eu posso explicar!

Ele abriu a porta principal.

Alice apareceu atrás dele.

- Lucas!

Ele não olhou para trás Atravessou o jardim saiu e entrou no carro.

Ligou o motor.

Alice correu até a frente da mansão.

- Lucas, não faça isso!

Ele arrancou.Não olhou para trás uma única vez.

O restaurante estava cheio, os pais de Alice estavam sorrindo.

Os convidados conversavam animadamente.Romeu também estava presente.

Todos esperavam pelo momento em que Lucas faria o pedido.

Quando o carro de Lucas apareceu, o pai de Alice levantou-se imediatamente.

- Ele chegou.

Mas, assim que Lucas entrou, o sorriso desapareceu do rosto do homem.

Lucas estava pálido, não carregava flores, nem trazia o sorriso de quem acabara de realizar um sonho.

Romeu percebeu primeiro.

Levantou-se.

- Lucas?

Ele parou diante da mesa, todos ficaram em silêncio.

O pai de Alice se aproximou.

- Filho, o que aconteceu?

Lucas olhou para ele e depois para a mãe de Alice, por fim, olhou para os convidados.

Respirou fundo.

- Eu preciso pedir desculpas a todos vocês.

A mãe de Alice sentiu o coração apertar.

- Lucas.

Ele engoliu em seco.

- Esta noite não haverá pedido de casamento.

Ninguém entendeu.

- Por quê? - perguntou o pai de Alice.

Lucas fechou os olhos por um instante.

Quando os abriu, havia apenas dor.

- Porque encontrei sua filha na cama com outro homem.

O restaurante inteiro ficou em silêncio.

Lucas continuou:

- E o homem era o jardineiro.

A mãe de Alice levou a mão à boca, o pai dela ficou imóvel.

Romeu olhou para o amigo, sem conseguir acreditar.

Lucas respirou fundo.

- Não haverá noivado.

Fez uma pausa.

- E muito menos casamento.

Então se virou para sair.

Mas, antes que chegasse à porta, ouviu a voz do pai de Alice atrás dele.

- Lucas... espere.

Ele parou.

Sem se virar, respondeu:

- Não existe mais nada para esperar.

E saiu.

Naquela noite, diante de todos, o amor de quase cinco anos chegava ao fim.

Capítulo 3 A Promessa de Lucas

O silêncio que tomou conta do restaurante parecia pesar sobre todos. Ninguém sabia o que dizer depois da revelação de Lucas. Os convidados, que poucos minutos antes esperavam assistir a um pedido de casamento, agora trocavam olhares constrangidos. Os pais de Alice permaneciam imóveis, incapazes de assimilar a vergonha que acabara de cair sobre a família.

Lucas, porém, não queria mais permanecer ali.

Romeu, que havia acompanhado tudo de perto, percebeu imediatamente que o amigo precisava sair daquele ambiente antes que a dor o consumisse diante de tantas pessoas.

Aproximou-se dele e tocou seu braço.

- Lucas, vamos embora. Aqui não é lugar para você continuar.

Lucas olhou para o amigo. Seus olhos estavam vermelhos, mas ele se esforçava para manter a expressão firme.

- Eu não quero falar com ninguém.

- Então não fale. Vamos sair daqui.

Lucas assentiu.

Os dois deixaram o restaurante sem dizer mais nada.

Do lado de fora, o ar da noite parecia diferente. Lucas respirou profundamente, como se estivesse tentando expulsar do peito tudo aquilo que havia acontecido nas últimas horas. Entrou no carro ao lado de Romeu e permaneceu em silêncio durante todo o trajeto.

Romeu conhecia o amigo há muitos anos. Sabia que Lucas não era homem de esconder sentimentos, mas também sabia que, quando sofria, preferia se fechar.

Por isso não o pressionou.

Depois de alguns minutos, o carro parou diante de um pequeno bar próximo à praia. O estabelecimento era tranquilo naquela noite, com poucas mesas ocupadas. Do lado de fora, era possível ouvir o som das ondas quebrando na areia.

Romeu olhou para Lucas.

- Vamos entrar?

Lucas abriu a porta.

- Vamos.

Os dois escolheram uma mesa mais afastada. Pouco depois, uma garrafa de uísque chegou acompanhada de dois copos.

Lucas serviu o primeiro.

Ficou observando o líquido por alguns segundos antes de levar o copo aos lábios.

Bebeu devagar.

Romeu permaneceu em silêncio.

Lucas serviu novamente.

- Sabe o que mais dói? - perguntou, finalmente.

Romeu apoiou os braços sobre a mesa.

- O quê?

- Eu não desconfiava de nada.

Sua voz falhou por um instante.

- Nada, Romeu. Eu estava planejando pedir aquela mulher em casamento.

Ele soltou uma risada amarga.

- Eu estava com um anel no bolso. Tinha organizado tudo. Liguei para os pais dela. Reuni pessoas naquele restaurante. Passei horas imaginando o rosto dela quando eu fizesse o pedido.

Lucas apertou o copo entre os dedos.

- E enquanto eu fazia tudo isso, ela estava com outro homem.

Romeu respirou fundo.

- Lucas, você não teve culpa.

- Eu confiei nela.

- E confiar em quem amamos não é um erro.

Lucas ficou alguns segundos olhando para o mar através da janela.

- Talvez seja.

- Não diga isso.

- Eu deveria ter percebido.

- Percebido o quê? Você amava Alice. Ela sabia esconder muito bem o que fazia.

Lucas abaixou os olhos.

- Durante quase cinco anos, eu fiz tudo por ela.

- Eu sei.

- Nunca faltou nada.

- Eu sei.

- Então por quê?

Romeu não encontrou resposta.

Lucas tomou outro gole.

- É isso que não consigo entender. O que faltou?

- Talvez nada tenha faltado a você. Talvez o problema sempre tenha estado nela.

Lucas permaneceu calado.

As palavras do amigo faziam sentido, mas naquele momento nenhuma explicação conseguia diminuir a dor.

Ele pegou a garrafa e serviu mais um pouco.

- Eu não vou passar por isso novamente.

Romeu ergueu os olhos.

- Lucas.

- Estou falando sério.

- Você acabou de descobrir uma traição. Não tome decisões para o resto da sua vida baseado no que aconteceu hoje.

Lucas balançou a cabeça.

- Não é apenas por causa de hoje. É por tudo.

- Tudo o quê?

Lucas encostou-se à cadeira.

- Mulheres como Alice não querem um homem. Querem o que ele pode oferecer.

Romeu franziu a testa.

- Não generalize.

- Você não viu o que eu vi.

- Sinto muito.

- Não sabe do que estou falando.

Romeu tentou interrompê-lo, mas Lucas continuou.

- Eu passei quase cinco anos acreditando que tinha encontrado alguém que me amava pelo homem que eu sou. Agora percebo que talvez ela tenha amado apenas a vida que eu podia proporcionar.

- Você não pode colocar todas as mulheres no mesmo lugar.

Lucas olhou para ele.

- Eu posso, sim.

- Não pode.

- Posso porque não vou permitir que outra pessoa tenha poder sobre mim desse jeito.

Romeu ficou sério.

- E o que pretende fazer?

Lucas demorou a responder.

Mais uma vez, olhou para o mar.

- Nunca mais vou me apaixonar.

- Lucas.

- Nunca mais.

- Você está machucado.

- Estou. E justamente por isso aprendi.

Ele apoiou os dois braços sobre a mesa.

- A partir de hoje, acabou. Não quero casamento, namoro, promessa, nada disso.

Romeu soltou o ar lentamente.

- E pretende viver sozinho?

Lucas deu de ombros.

- Posso viver muito bem sozinho.

- Você sempre disse que queria formar uma família.

- Eu queria. Com Alice.

A resposta saiu tão baixa que Romeu percebeu o tamanho da ferida.

Lucas fechou os olhos por alguns segundos.

- Aquela pessoa morreu para mim hoje.

Romeu não respondeu.

Lucas abriu os olhos novamente e continuou:

- Se algum dia eu quiser uma mulher, será apenas para uma companhia passageira. Nada de sentimentos. Nada de compromisso. Nada de colocar meu coração nas mãos de alguém novamente.

Romeu o encarou.

- Você está dizendo isso agora porque está ferido.

- Pode ser.

Lucas pegou o copo.

- Mas vou cumprir.

- Não faça uma promessa dessas.

Lucas levantou o copo diante do amigo.

- Eu faço uma promessa, Romeu. Nunca mais vou me apaixonar.

Romeu não brindou.

Apenas observou o amigo beber.

Porque conhecia Lucas o suficiente para saber que aquela promessa havia nascido da dor, não da razão.

E, naquele momento, parecia impossível convencê-lo do contrário.

A noite avançou lentamente.

Lucas continuou bebendo, mas sem perder completamente a consciência do que dizia. Entre um gole e outro, falava sobre os planos que havia feito, sobre o anel, sobre o jantar e sobre a vida que imaginara ao lado de Alice.

Romeu escutava.

Não havia conselho capaz de consertar aquilo naquela noite.

Quando finalmente se levantaram para ir embora, Lucas parou diante da porta do bar e olhou para o céu escuro.

O vento vindo do mar mexeu em seus cabelos.

- Amanhã eu vou voltar ao trabalho.

Romeu colocou as mãos nos bolsos.

- Tem certeza?

- Tenho.

- Você deveria descansar.

- Descanso depois.

Lucas caminhou até o carro.

- Minha vida não vai parar por causa dela.

Romeu o acompanhou.

- Essa é a primeira coisa sensata que você disse hoje.

Lucas esboçou um sorriso.

- Eu não vou deixar Alice destruir minha vida.

Eles entraram e fecharam a porta do carro

Por alguns segundos, o sorriso desapareceu.

A imagem dela com outro homem voltou à sua mente.

Ele apertou os olhos, tentando afastá-la.

Não conseguiu.

Naquela noite, Lucas descobriu que algumas dores não desapareciam com uísque, distância ou silêncio, mas tinha uma única certeza. A certeza de que seu coração jamais voltaria a amar.

Romeu então se ofereceu de levá-lo para casa.

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