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O Colar e o Coração Partido

O Colar e o Coração Partido

Autor:: Michael Tretter
Gênero: Romance
A música alta vibrava em meu peito, mas não era páreo para a ansiedade que me consumia. Ricardo Mendes, meu namorado há cinco anos, me segurava com uma possessividade que antes me acalmava e agora parecia uma gaiola. Eu era seu bibelô, sua boneca, e por cinco anos, cega pelo que pensei ser amor, aceitei meu papel. Então, ele pegou o microfone, e o mundo ao redor emudeceu, todos os olhos voltados para nós. "Muitos de vocês conhecem a Júlia. Por cinco anos, ela foi uma companhia divertida... uma distração adorável." A palavra 'distração' me atingiu como um tapa. "Mas toda distração tem seu fim. E hoje, apresento a mulher que realmente importa: minha alma gêmea." De repente, Clara, sua assistente, surgiu usando o "Oceano Estrelado", o colar da minha falecida mãe, que Ricardo jura ter guardado para me proteger. Ele a beijou na frente de todos, e o mundo de Júlia desabou. A humilhação foi pública, esmagadora. "O show acabou, Júlia. Você pode ir. Preciso do apartamento de volta até amanhã." Lágrimas queimavam meus olhos, mas algo dentro de mim se partiu e se refez, mais duro e afiado. A submissão de cinco anos se transformou em fúria fria. "Você se engana sobre quem é o palhaço principal." Minha voz nem sequer tremeu. "Fique com o colar. Fique com a sua 'alma gêmea' . Vocês se merecem, pessoas superficiais precisam de objetos superficiais para provar algo que não existe." Eu não dei a ele a satisfação de uma única lágrima. "E não se preocupe com o apartamento, Ricardo. Eu nunca gostei da decoração mesmo. É tão sem alma quanto o dono." Deixei para trás as ruínas de minha antiga vida, respirando, pela primeira vez em cinco anos, o ar da liberdade.

Introdução

A música alta vibrava em meu peito, mas não era páreo para a ansiedade que me consumia.

Ricardo Mendes, meu namorado há cinco anos, me segurava com uma possessividade que antes me acalmava e agora parecia uma gaiola.

Eu era seu bibelô, sua boneca, e por cinco anos, cega pelo que pensei ser amor, aceitei meu papel.

Então, ele pegou o microfone, e o mundo ao redor emudeceu, todos os olhos voltados para nós.

"Muitos de vocês conhecem a Júlia. Por cinco anos, ela foi uma companhia divertida... uma distração adorável."

A palavra 'distração' me atingiu como um tapa.

"Mas toda distração tem seu fim. E hoje, apresento a mulher que realmente importa: minha alma gêmea."

De repente, Clara, sua assistente, surgiu usando o "Oceano Estrelado", o colar da minha falecida mãe, que Ricardo jura ter guardado para me proteger.

Ele a beijou na frente de todos, e o mundo de Júlia desabou.

A humilhação foi pública, esmagadora.

"O show acabou, Júlia. Você pode ir. Preciso do apartamento de volta até amanhã."

Lágrimas queimavam meus olhos, mas algo dentro de mim se partiu e se refez, mais duro e afiado.

A submissão de cinco anos se transformou em fúria fria.

"Você se engana sobre quem é o palhaço principal."

Minha voz nem sequer tremeu.

"Fique com o colar. Fique com a sua 'alma gêmea' . Vocês se merecem, pessoas superficiais precisam de objetos superficiais para provar algo que não existe."

Eu não dei a ele a satisfação de uma única lágrima.

"E não se preocupe com o apartamento, Ricardo. Eu nunca gostei da decoração mesmo. É tão sem alma quanto o dono."

Deixei para trás as ruínas de minha antiga vida, respirando, pela primeira vez em cinco anos, o ar da liberdade.

Capítulo 1

A música alta do evento de caridade vibrava no peito de Júlia Silva, mas não conseguia abafar a ansiedade. Ricardo Mendes, seu namorado há cinco anos, segurava sua cintura com uma possessividade que costumava lhe dar segurança, mas que agora parecia uma gaiola.

Ele se inclinava e sussurrava em seu ouvido, a voz um ronronar perigoso.

"Você está linda esta noite, meu bibelô. Exatamente como eu mandei."

Júlia forçou um sorriso. O vestido de seda vermelha, caro e justo demais, era uma escolha dele. A maquiagem, os sapatos, o penteado. Tudo era escolha dele. Sempre foi.

Ricardo era um empresário de sucesso, charmoso para o mundo, mas em particular, ele era um mestre de jogos estranhos. Ele a cobria de luxo, mas o preço era a submissão absoluta. Ela era sua boneca, sua criação. E por cinco anos, cega pelo que acreditava ser amor, ela aceitou o papel.

Ele a guiou pelo salão, parando para cumprimentar sócios e rivais. Em cada aperto de mão, em cada sorriso falso, a mão dele em suas costas a lembrava de quem mandava.

De repente, ele a parou no centro do salão, perto do pequeno palco onde os leilões de caridade aconteceriam em breve.

"Tenho uma surpresa para você. Para todos, na verdade."

O coração de Júlia acelerou, uma mistura de esperança e medo. Uma surpresa de Ricardo podia ser qualquer coisa, de uma viagem extravagante a uma nova regra humilhante em seu jogo particular.

Ele pegou um microfone. As conversas diminuíram. Todos os olhos se voltaram para eles.

"Boa noite a todos. Obrigado pela presença. É um prazer apoiar uma causa tão nobre."

Ele fez uma pausa, o olhar varrendo a multidão antes de pousar em Júlia. O sorriso dele era largo, mas seus olhos estavam frios como gelo.

"Muitos de vocês conhecem a Júlia. Por cinco anos, ela foi uma companhia... divertida. Uma distração adorável."

A palavra "distração" atingiu Júlia como um tapa. O murmúrio na multidão começou, baixo e curioso. O sorriso dela vacilou.

Ricardo continuou, o tom de voz agora cruelmente divertido.

"Mas toda distração tem seu fim. E hoje, eu gostaria de apresentar a mulher que realmente importa. A mulher que não é um passatempo, mas sim minha alma gêmea."

Ele estendeu a mão para o lado do palco. De lá, saiu Clara Santos, sua assistente. A mesma Clara que sempre parecia tão tímida e inofensiva, com seus olhos baixos e voz suave.

Agora, Clara caminhava até Ricardo com uma confiança que Júlia nunca tinha visto. Ela usava um vestido branco que a fazia parecer um anjo, e no seu pescoço, brilhava um colar que Júlia conhecia muito bem.

Era o "Oceano Estrelado" , a joia mais preciosa de sua falecida mãe. Uma peça que Júlia acreditava estar segura em um cofre. Ricardo havia insistido em guardá-la, dizendo que era para "protegê-la" .

"Ricardo, o que significa isso?" , Júlia sussurrou, o choque paralisando seus membros.

Ele a ignorou completamente. Puxou Clara para perto e a beijou na frente de todos. A multidão ofegou. As câmeras dos fotógrafos de colunas sociais dispararam.

Quando se separaram, Ricardo pegou a mão de Clara e a levantou.

"Esta é Clara, minha noiva. E para provar meu amor, eu dei a ela algo que realmente tem valor. Algo que uma mulher como ela merece."

Ele apontou para o colar no pescoço de Clara.

O mundo de Júlia desabou. A humilhação era pública, esmagadora. Não era apenas o fim do relacionamento; era uma execução de sua dignidade. Ele não apenas a descartou, ele a expôs como um objeto sem valor.

Ricardo finalmente se virou para ela, o desprezo evidente em seu rosto.

"O show acabou, Júlia. Você pode ir. O motorista não vai te levar, então pegue um táxi. Ah, e preciso do apartamento de volta até amanhã. Foi bom enquanto durou."

Ele falou como se estivesse dispensando uma empregada. As pessoas ao redor olhavam para Júlia com uma mistura de pena e curiosidade mórbida.

Por um instante, ela sentiu que ia desmaiar. As lágrimas queimavam seus olhos. Mas então, algo dentro dela se partiu e se refez, mais duro, mais afiado. A submissão de cinco anos se desfez em pó, substituída por uma fúria fria.

Ela deu um passo à frente, o queixo erguido. Sua voz, quando saiu, não tremeu.

"Você tem razão, Ricardo."

Ele pareceu surpreso com a calma dela.

"O show acabou. Mas você se engana sobre quem é o palhaço principal."

Ela olhou diretamente para ele, depois para Clara, que se encolheu um pouco sob seu olhar.

"Fique com o colar. Fique com a sua 'alma gêmea' . Vocês se merecem. Pessoas superficiais precisam de objetos superficiais para provar algo que não existe."

Júlia se virou, sem dar a ele a satisfação de uma única lágrima.

Ela caminhou para a saída, as costas retas, cada passo um ato de desafio. Ela podia sentir centenas de olhos nela, mas não se importava.

Ao passar pela porta, ela falou uma última vez, alto o suficiente para que ele ouvisse.

"E não se preocupe com o apartamento, Ricardo. Eu nunca gostei da decoração mesmo. É tão sem alma quanto o dono."

E com isso, ela saiu para a noite, deixando para trás as ruínas de sua antiga vida e, pela primeira vez em cinco anos, respirando o ar da liberdade.

Capítulo 2

A noite no apartamento que Ricardo chamava de "dela" era sufocante. Cada objeto de luxo, cada peça de mobília de design, parecia zombar de Júlia. Ela se sentou no chão frio de mármore da sala, abraçando os joelhos.

A mente dela voltava para os últimos cinco anos.

Ricardo gostava de jogos. Um de seus favoritos era o "jogo do silêncio" , onde ele a ignorava por dias se ela fizesse algo que o desagradasse, como dar uma opinião não solicitada sobre negócios. Ele só voltava a falar com ela quando ela pedia perdão, mesmo sem saber o que tinha feito de errado.

Outro era o "jogo do presente" . Ele lhe dava algo incrivelmente caro, como uma bolsa de grife, e depois dizia que ela não o merecia e o tomava de volta, deixando-o em exibição na casa para que ela visse todos os dias o que tinha "perdido" por seu mau comportamento.

E o pior de tudo, o controle sobre seu corpo. Ele escolhia suas roupas, sua dieta, até mesmo a cor de seu esmalte. Ele dizia que a estava esculpindo na mulher perfeita. Na verdade, ele a estava apagando.

Para agradá-lo, Júlia havia se afastado de amigos, abandonado sua paixão pela pintura e se tornado uma sombra. Ela sacrificou sua identidade no altar de um amor que nunca foi real. Ela se convenceu de que sua felicidade dependia da dele. Que erro terrível.

A cena do evento de caridade se repetia em sua mente como um filme de terror.

A voz de Ricardo ecoava: "Uma companhia divertida... uma distração adorável."

Ele a reduziu a um brinquedo. E o fez na frente de toda a cidade, na frente de pessoas que ela conhecia, que a respeitavam. Ele não apenas a traiu, ele a aniquilou socialmente.

E Clara... a frágil e inocente Clara. Júlia se lembrou das inúmeras vezes em que Clara lhe trouxe café, perguntando com uma voz doce se ela precisava de algo. Quantas vezes Clara a observou com pena, sabendo o tempo todo que era a amante, a substituta esperando nos bastidores?

O desprezo que ele demonstrou era a parte mais dolorosa. "Preciso do apartamento de volta até amanhã." Nem mesmo a decência de uma conversa particular. Ele a chutou para fora da vida dele como se chuta um cachorro de rua.

O telefone vibrou no chão ao lado dela. Era Ricardo.

Por um momento, ela pensou em ignorar. Mas a nova força dentro dela a fez atender. Ela queria ouvir o que mais ele tinha a dizer.

"Júlia?" , a voz dele era calma, quase entediada.

"O que você quer, Ricardo?"

"Só ligando para ver se você já entendeu a situação. Sem dramas, por favor. Eu odeio dramas."

Júlia riu, um som seco e sem alegria.

"Você cria um circo na frente de centenas de pessoas e me pede para não fazer drama? A sua audácia é impressionante."

"Não foi um circo. Foi um anúncio. Eu estou seguindo em frente. A Clara me entende de uma forma que você nunca entendeu. Ela é dócil, ela não me desafia."

"Você quer dizer que ela é uma capacho melhor do que eu era" , retrucou Júlia.

Houve um silêncio do outro lado da linha. Então, ele suspirou, como se estivesse lidando com uma criança teimosa.

"Olha, não precisa ser assim. Eu ainda gosto de você, do meu jeito. Você foi uma boa garota por muito tempo."

O estômago de Júlia se revirou.

"Não me chame de 'boa garota' ."

"Tudo bem, tudo bem. O que eu quero dizer é que... podemos ter um novo arranjo. Você pode se mudar para um apartamento menor, um que eu vou providenciar. Podemos nos ver de vez em quando. Você não precisa sair da minha vida completamente."

A oferta a deixou sem ar. Ele não estava apenas a deixando. Ele a estava rebaixando de namorada oficial para amante secreta.

"Você está me oferecendo para ser sua outra mulher?" , ela perguntou, a incredulidade em sua voz.

"Não use esses termos feios. Pense nisso como... uma continuação da nossa diversão. Eu cuido de você financeiramente, e você continua disponível para mim. É um bom negócio. Muitas mulheres aceitariam."

A náusea subiu pela garganta de Júlia. Era o nojo. Nojo dele, nojo da situação, nojo de si mesma por ter amado um homem como aquele. A imagem dele beijando Clara enquanto ela usava o colar de sua mãe invadiu sua mente.

"Ricardo, escute com atenção" , disse ela, a voz baixa e perigosa. "Eu prefiro morar na rua e comer lixo a aceitar um centavo seu. Eu prefiro nunca mais ver seu rosto na minha vida."

"Não seja infantil, Júlia. Você não sabe se virar sem mim."

"Isso é o que você vai descobrir. A mulher que você conhecia morreu esta noite, no salão daquele evento. Você mesmo a matou. A que sobrou... ah, você não vai gostar nada dela."

Ela desligou o telefone antes que ele pudesse responder, o som do clique final ecoando como um tiro de largada para sua nova vida.

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