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O Contrato - Minha Ragazza

O Contrato - Minha Ragazza

Autor:: Karyelle Kuhn
Gênero: Máfia
Liz Navarro perdeu os pais aos 16 anos. Sozinha no mundo, viu-se obrigada a seguir as rígidas instruções deixadas no testamento de seu pai. Aos 18, foi forçada a se casar com um homem que nunca tinha visto: seu próprio tutor. A condição? Permanecer casada até os 25 anos, formar-se em Direito e só então assumir o império da família. Criada em uma redoma, cercada por regras com as quais nunca concordou, Liz levava uma vida monótona, sem sonhos, sem aventuras. Até que, certo dia, cruzou o olhar com o novo professor de Direito Penal. Henry McNight era tudo o que ela considerava perigoso: charmoso, atlético, inteligente. Um homem mais velho que despertava nela sentimentos até então desconhecidos. Mas o que ele não imaginava era que aquela jovem de aparência doce era, na verdade, a misteriosa mulher com quem havia aceitado se casar no lugar de seu tio. Entre o certo e o errado, o previsível e o improvável, Liz e Henry embarcam em uma conexão que desafia todas as regras. Quando finalmente parecia haver espaço para o amor, o destino intervém: Liz está em perigo e agora, Henry precisa correr contra o tempo para salvá-la. Entre reviravoltas, conflitos, segredos e alianças, os dois se aproximam da verdade... e de descobrir quem é o traidor dentro da própria Famiglia. Será que esse mafioso e sua ragazza sobreviverão ao jogo do poder?

Capítulo 1 Liz Andrade Navarro

Há três anos, me casei, no entanto não conhecia meu marido.

Com certeza, era estranho, uma jovem de 21 anos de idade ser casada com um completo desconhecido, mas a vida nem sempre é justa. Quando meus pais morreram em um acidente aéreo, fiquei sozinha no mundo, com apenas 16 anos. Descobri que meu pai já havia deixado um testamento para assegurar que eu ficaria bem, caso acontecesse algo com eles. Então, assim que completei 18 anos, me casei com meu tutor.

Entretanto, nada me preparou para as condições absurdas que tinham descritas no testamento. Uma delas, era que eu deveria permanecer casada com meu tutor até completar 25 anos. A outra, era ser formada em Direito, para atuar como advogada e enfim herdar as empresas da minha família, já que todas eram do ramo da advocacia. Depois de tudo isso, eu poderia tomar o controle dos meus bens e da minha vida ao optar pelo divórcio, óbvio.

Meu tutor faleceu logo após os meus pais, decorrente de um infarto, com apenas 32 anos. Depois do ocorrido, eu tive que me casar com outra pessoa. Por infortúnio do destino, ele era o tio do meu tutor; outro desconhecido, mas desta vez com 27 anos.

Engraçado, não acha?! O sobrinho era bem mais velho do que o tio. Também achei estranho.

No dia do nosso casamento, eu não o vi. Ele apenas enviou a papelada pelo Bruno, o advogado que meu pai indicou para me auxiliar. Assinei um documento que dizia que eu era oficialmente casada com Henry McNight e isso foi tudo; sem festa, sem vestido ou convidados.

Depois, aconteceu outra mudança: eu teria que me mudar para a mansão que pertencia a Henry. No primeiro momento, fiquei ressabiada com a possibilidade de estar dividindo o mesmo teto com um estranho, mas logo me acostumei com o que o destino havia reservado para mim. A casa não era nada modesta, o lugar era enorme: dois andares e uma garagem, em que ficavam três carros.

Fazia três anos que estava vivendo aqui. Embora ainda existisse o medo de dividir o teto com um estranho, isso ainda não havia acontecido. A governanta, uma senhora de 50 anos de idade, era quem me fazia companhia. Sandra era uma mulher dedicada que me tratava como se fosse sua própria filha, e eu nutria um sentimento único por ela.

Estávamos tomando café da manhã quando tomei uma decisão.

- Sandra, você pode pedir ao Bruno para vir aqui?

- Claro, Liz. Mas posso saber o motivo? - ela me encarou por cima dos óculos.

- Quero o meu divórcio. Não aguento mais ficar casada com um homem que eu nem conheço. - Bufei.

- Calma, minha filha. Em três anos, você estará livre.

Eu só o havia visto por foto, uma que Sandra me mostrou uma vez. Apenas por isso, sabia que ele era loiro, alto, tinha olhos verdes intensos e cabelos castanho-claros. Na foto, sua barba estava por fazer e ainda assim o achei lindo. Nunca olharia para uma adolescente que, na época, tinha acabado de fazer 18 anos.

 - Não, Sandra. Quero viver minha vida, aproveitar as coisas - afirmei. Ela deixou sua xícara de café e apenas me observou. - Não posso fazer nada disso sendo casada.

- Claro que pode. Saia com os seus amigos, aproveite!

- Senhora Navarro - disse Petter, o meu motorista.

-Já estou indo. Tchau, Sandra. - Peguei minha bolsa antes de dar um beijo em sua testa e seguir para a faculdade.

- Tchau, minha menina.

Nestes anos, morando na mansão, sempre tratei todos os funcionários com carinho. Eles foram a família que eu, há muito tempo não tinha e eram eles quem me faziam companhia.

Petter e Sandra namoram há um certo tempo. Ambos já foram casados e já sofreram demais, então optaram pelo namoro quando se conheceram.

Todos tinham o hábito de me chamar pelo sobrenome dos meus pais e eu preferia assim, pois sentia que o sobrenome McNight não me pertencia de fato. Em especial, porque quando Henry vinha a Nova Iorque, ele preferia se hospedar em um hotel, a estar no mesmo lugar que sua esposa jovem e indesejada.

Depois de algum tempo na estrada, enfim cheguei à fachada espelhada da minha faculdade, carregada de muito luxo. Passei pela catraca e logo avistei Ana, minha amiga maluca.

- Liiiiiz, amiga vem comigo, agora! - ela me puxou pela mão, toda eufórica. - Temos um professor novo. 

- Nossa, que empolgação! Nunca te vi tão ansiosa para entrar em uma sala de aula. 

- Não é pela aula, é pelo professor. Ele é simplesmente um gato - declarou com a voz carregada de duplo sentido.

Revirei os olhos e soltei uma risada. Minha amiga e sua obsessão pelos professores, que eram sempre gatos no ponto de vista dela.

Entramos na sala e nada me preparou para aquele momento. Minhas mãos suaram e minha boca ficou totalmente seca, enquanto percebia que ele estava lá, mais sedutor do que nunca: o meu marido desconhecido, em carne e osso, e muitos músculos, Henry McNight!

Arregalei os olhos, mas logo tentei disfarçar o quanto estava desconcertada pela situação.

- Mas que merda - declarei, mais alto do que gostaria.

- Eu te disse, amiga. Ele é um gato.

Minha amiga não fazia ideia de que eu era casada. Tudo o que sabia sobre minha vida, se resumia a ter uma herança boa o suficiente para me manter bem pelo resto da minha vida e a morar em uma mansão com Sandra e Petter. Ela, com certeza, deveria achar que os dois trabalhavam para a minha família.

Fui tirada do meu devaneio, quando uma voz rouca e muito sexy disse:

- Bom dia, sou Henry McNight. Continuarei com as aulas de Direito Civil e espero que seja proveitoso para todos. - Virou-se para lousa, e escreveu algo relacionado à matéria.

Droga! Justo a matéria que me dou mal.

Assim que nos sentamos, a aula começou, mas não prestei atenção em nada do que ele disse. Apenas conseguia observar a sua beleza, em como sua boca era tentadora e no fato de que tudo aquilo ali na frente, perante a lei, me pertencia.

E, pelo jeito que as minhas colegas de turma sussurravam e soltavam risos, não tinha sido somente eu que notei o quanto aquele homem era gostoso. Sua postura séria e seu meio-sorriso discreto, me dizia que ele sabia bem a reação que estava causando, mas não se deixou levar por isso, continuou sua aula que, ainda que eu não prestasse atenção, estava melhor do que as anteriores. Me sentia tranquila até que ele me encarou. Pelos olhos semicerrados na minha direção, me questionei se ele sabia quem eu era de verdade. Não, óbvio que não! Eu esperava mesmo que não.

- Vamos, Liz. A aula já acabou. - Ana me balançou de leve.

- É mesmo! - tentei manter o meu autocontrole.

- Agora limpa a baba e vamos para a próxima aula. - Ana riu.

Saímos em direção à porta e, nesse momento, eu tropecei nos meus próprios pés. Acabei caindo e derrubando todos os meus livros.

Que merda! Até parece um maldito clichê. Agora ele virá me ajudar a recolher o meu material.

- Você está bem? - Henry pergunta, se aproximando.

Tentei dizer algo, mas as palavras ficaram entaladas na minha garganta. Com a minha falta de resposta, ele se agachou e me ajudou com os livros. Nossos olhares se encontraram por uma fração de segundos.

Ele estendeu sua mão e eu aceitei, claro! Só aí, percebi que Ana estava paralisada ao meu lado, observando tudo com uma cara bem esquisita.

- O-o-obrigada! - não gagueje, Liz.

- Disponha! Só tente prestar mais atenção da próxima vez.

- Vamos, Ana! - Foi tudo o que falei. Sem respondê-lo, apenas saí, arrastando-a pelo braço.

- Você viu o tipo dele?! - indaguei assim que saímos da sala.

- Ele faz o meu tipo, Liz! - Ana suspirou. 

- É mal-educado.

- Claro que não. Ele te ajudou.

Agradeci em silêncio quando o sinal tocou.

- Vamos! - puxei minha amiga outra vez, fazendo-a parar de encarar o professor, ou seria o meu marido?

Não posso negar que não prestei atenção em nenhuma das outras aulas. Só conseguia pensar naqueles olhos verdes. Ele era bem mais lindo do que na foto que havia visto. E, além de tudo, era meu marido. Tinha certeza de que ele não sabia quem eu era e esperava que continuasse assim, até ele assinar o divórcio.

Saí do meu devaneio, quando ouvi a voz da Ana.

- Você está bem, Liz?

- Sim - menti.

- Então, vamos. Foi a nossa última aula.

Olhei ao redor da sala, e estava vazia.

- Vamos!

- Hoje vai ter uma festa na casa da Samantha, vamos?

- Não estou muito bem. - Franzi o cenho com um olhar triste.

- O professor gostosão te deixou assim? - ela começou a rir.

- Claro que não - tentei mentir. - Estou com cólica. Ou acho que foi algo que comi e não me fez muito bem.

Seguimos para fora do corredor.

- Amiga, queria muito te fazer companhia, mas vou tentar dar uns beijos no Igor - ela afirmou, sem me surpreender. Ana sempre foi atirada e um pouco comportada.

- Boa sorte com ele.

Igor era a paixão platônica dela, não se interessava nem um pouco pela minha amiga. Infelizmente, todos viam isso, menos ela.

- Tá bom, obrigada. Até segunda. - Ana me abraçou e seguiu em direção ao portão. 

Fiquei ali parada, apenas observando enquanto ela se afastava.

- Você está bem, senhorita? - ouço aquela voz rouca e sexy atrás de mim. Ainda que eu percebesse que ele não fazia a mínima ideia de que era casado comigo, meu corpo se arrepiou.

- Navarro! Liz Navarro - falei ao me virar, com um ar de ironia. Se ele pensou que me esqueci o quão grosseiro foi comigo, estava muito enganado!

- Desculpa. Levará um tempo até eu aprender o nome de todos os alunos.

Que voz maravilhosa a desse homem. E ele me tratou como uma simples aluna.

Não respondi nada, apenas me virei e segui em direção ao portão. Não olhei para trás.

- Senhorita Navarro? Senhorita?

Afastei-me enquanto o ouvia chamar por mim, e sequer olhei para trás. Ao passar pelo portão, senti um alívio descomunal quando vi o carro do Petter parado à frente e agradeci em silêncio por ele ser tão pontual. Entrei de súbito.

- Aconteceu alguma coisa, Liz?

- Nada não, Petter. - Tentei disfarçar, mas ele continuou a me encarar pelo retrovisor. - Acho que comi algo que não me fez bem.

- Quer ir ao médico?

- Não precisa. Um chá da Sandra já será o suficiente.

- Ok.

Ele ligou o carro e seguimos. Passei o caminho todo pensando nele. Assim que cheguei em casa, Bruno estava me esperando. O homem sempre tinha as feições sisudas, como se estivesse com um humor infernal.

 - Bruno?!

- Oi, minha menina. - Sandra veio ao meu encontro. - Você está pálida. Aconteceu alguma coisa?

 - Comi algo que não me fez bem. - Fiz uma careta para ela acreditar.

 - Vou fazer um chá pra você - proferiu e foi à cozinha.

 - Obrigada. - Coloquei minha bolsa no chão e me sentei no sofá oposto ao que o advogado estava.

 - Tudo bem, Liz?

 - Tudo bem, Bruno. A que devo a honra?

 - O senhor Henry deseja falar com a senhorita sobre o divórcio.

 - Não tem necessidade. Ele nunca teve interesse nenhum em saber quem eu era e agora do nada, apenas para assinar o divórcio, ele quer? Nem no nosso casamento ele veio. Não vejo necessidade de continuar com essa palhaçada, já durou mais do que deveria. Só mandar os papéis que eu assino, não é assim que funciona? - declarei, por fim.

 - Ele virá à cidade pra fazer isso - explicou.

 - Ele já está na cidade! - disse. Às vezes, não conseguia controlar a língua.

 - Como?

 - Eu vi em um jornal que ele já chegou aqui - tentei mentir.

- Ah, sim. - Pareceu acreditar.

 - Fala pra ele só assinar os documentos. Quero viver minha vida, apenas isso. Diga o que for necessário.

 - Olha, Liz, eu vou tentar. Não garanto nada. O senhor McNight tem um gênio muito forte.

 - Isso é porque ele nunca me viu brava.

 - Vou ver o que consigo, certo? - o olhar do advogado carregava uma certeza de que não daria certo a sua tentativa. - Eu te ligo.

 - Agradeço muito!

Bruno se levantou e foi em direção à porta.

Será que meu marido é um "demônio"? Todos que falam dele parecem temê-lo. 

Sandra voltou com o meu chá que, diga-se de passagem, era um chá horrível de boldo, mas tive que tomar tudo, pois não queria contar para ela o que tinha acontecido.

Capítulo 2 Liz Andrade Navarro

Passei o sábado todo em casa, mas continuei pensando nele. Ainda bem que o Petter e a Sandra estavam comigo. Como de costume, estávamos nós três na sala, maratonando "Supernatural" e comendo pipoca.

- Liz, quando quiser me contar o que está acontecendo, é só falar. 

- Obrigada. - Me aconcheguei no abraço dela. 

- Menina.

- Oi, Petter!

- Eu e a Sandra vamos jantar em um restaurante hoje. - Ele faz uma pausa. - Quer nos acompanhar?

- Não - respondi, não poderia atrapalhar este momento tão deles.

- Tem certeza? Nós também podemos ficar. - Sandra depositou um beijo em minha testa.

- Não, Sandra. Podem ir. - Ela hesitou por um segundo. - Não se preocupem, estou bem. E Ana me chamou pra ir em uma festa hoje.

- E você vai?

- É claro. - Olhei a hora no relógio de parede da sala. - Aliás, preciso me arrumar.

Dei um sorriso para ela, me levantei e fui em direção as escadas.

- Ok. Talvez não voltemos hoje - Petter avisou enquanto eu subia os degraus.

- Sem problemas! Aproveitem! - gritei do topo das escadas.

Até eles têm encontros românticos, e eu?! Estou aqui, sem fazer nada, devido a um mísero contrato.

Entrei no meu quarto e me joguei na cama. Encarei o teto imaginando as possíveis chances de Henry assinar aquele contrato sem me conhecer. Inúmeras possibilidades passaram pela minha mente e dentre todas, a mais absurda: ele se apaixonar por mim. Era só loucura da mente de uma mulher carente, mas confesso que tê-lo visto de perto, despertou em mim algum tipo de sentimento. Continuei encarando o teto e não demorei para pegar no sono.

Acordei com o meu celular tocando e olhei o visor: Ana. Já são 1h da madrugada.

- Ana?

- Liz, vem pra cá! - ela soava bêbada.

- O Igor... O professor gostosão está com aquela Britney. - Sam gritou antes que Ana terminasse a frase.

Será que a Ana comentou alguma coisa com a Sam!?

- O que eu tenho com isso?

- Vem Liz, você nunca sai - ela gaguejou. - Preciso de ajuda com o Igor.

- Estamos naquela boate dos caras gostosões. - Sam gritou e elas começaram a rir. - Ela está tirando a roupa.

- Quem está tirando a roupa? - Meu Deus! Será que era a Ana?! - ANA, SAM. - Elas não responderam mais. - Não saiam daí. Já estou chegando. - Desliguei o celular e dei um pulo da cama.

Sem muito tempo pra pensar no que vestir, peguei um vestido azul justo, com um decote em V bastante generoso, com as costas abertas até a cintura, que eu estava guardando para uma ocasião especial. Como ela nunca chegou, resolvi usá-lo hoje. Encarei meus sapatos e escolhi calçar saltos pretos meia pata. Não poderia usar alguma coisa mais alta, pois não sabia o que me aguardava. Resolvi não abusar na maquiagem: apenas o essencial, olhos bem delineados, cílios marcantes e um batom vermelho carmesim, para realçar meus lábios.

Se o senhor McNight pode ir à balada como solteiro, então à senhora McNight vai ensinar que também sabe participar desse jogo.

Fui à garagem e entrei na Mercedes GLA, toda branca. Amava carros brancos e esse, eu havia comprado assim que fiz 18 anos. Odiava dirigir, mas no momento, era o que eu teria que fazer.

Cheguei à balada e uma fila imensa na entrada me fez bufar. Me lembrei de que não precisaria ficar na fila, já que a boate era do pai do Pedro, um amigo querido, e já fui tantas vezes naquele lugar, que os seguranças já me conheciam. Só era bem raro eu aparecer aqui. Sempre ia à casa do Pedro com a Ana. Ele tinha uma queda por ela, mas ela não via isso e ficava chorando pelos cantos pelo Igor.

Me aproximei da entrada.

- Senhorita Navarro! - assim que o segurança me cumprimentou, retribuí com um aceno de cabeça.

Ele liberou a passagem e entrei.

O lugar estava lotado, a música alta reverberava enquanto as luzes piscavam. Quando mexi na bolsa em busca do meu celular, me lembrei que ele estava no carro.

Voltei a minha atenção à música que estava tocando: – Alive, do Alok.

- É, Liz, que desatenta! - murmuro para mim mesma.

Sigo andando pela multidão, tentando não pisar no pé de ninguém, o que foi quase impossível.

- Licença! - gritei e algumas das pessoas abriram passagem.

Depois de alguns minutos, vi Ana e Sam, dançando com Igor e Pedro.

- Liz! Liz! - Ana gritou.

- Vocês estão bem?

- Viu, era só dizer que alguma de nós duas ia tirar a roupa que ela viria correndo! - Ana e Sam deram risada.

- Não acredito! Vocês jogaram sujo. - Torci o nariz.

- Não fique brava, Liz - Ana fez cara de coitada. - Você nunca sai. 

- Vamos dançar. - Sam me puxou pelo braço e a Ana veio logo atrás.

Chegamos na pista e começamos a dançar. Eu mexia meu corpo conforme sentia as batidas da música. As minhas amigas já estavam bem loucas.

 Já que o meu marido pode ir a uma boate, eu também posso. Ainda não o tinha visto, mas meus olhos procuravam por ele a cada oportunidade. Será que elas estavam falando a verdade ou só fizeram isso para eu vir até aqui? Pelo menos, elas conseguiram me tirar de casa.

Igor apareceu e começou a dançar comigo. A música invadiu o meu corpo todo, me fazendo dançar no ritmo certo.

Voltei a procurar por ele outra vez. Olhei na parte de cima da boate, havia um homem de costas que me chamou atenção. Ele estava usando uma camisa branca e uma calça jeans preta que marcava todo o seu corpo. E a propósito, é muito lindo.

Ele se virou, nossos olhos se encontraram, então perdi o fôlego.

Henry me encarava com intensidade, mas seu cenho estava franzido, dando a ele um aspecto sisudo de quem não gostou nem um pouco de me ver dançando nesta boate.

Igor me tirou do transe, me oferecendo uma bebida.

- Toma, você vai gostar. - Peguei o copo da sua mão e tomei tudo em um gole só. - Calma - Igor gritou em meu ouvido.

Peguei o copo da Ana e da Sam e tomei cada bebida em apenas um gole. Meu corpo todo esquentou e aos poucos a minha visão foi ficando um pouco turva, enquanto uma alegria começou a me invadir.

Olhei para o mesmo lugar em que Henry deveria estar, e para minha surpresa, ele já havia sumido.

Outro cara começou a dançar comigo, mas não me virei para ver quem é. Ele apenas acompanhava o meu ritmo, a bebida já estava fazendo efeito. Começamos a dançar bem grudados. Ele segurou minha cintura e comecei a rebolar em seu pau, então percebi que ele estava bem excitado. Quando me virei, me deparei com um cara lindo, olhos cor de mel e um cavanhaque. Meu Deus! Nossos lábios se tocaram no mesmo instante.

Que beijo gostoso! Faz tempo que não beijo ninguém. Aliás, eu só beijei uma única vez, no segundo ano do ensino médio, quando estava com 16 anos. Depois que beijei o Edward, nunca mais beijei ninguém.

Naquele momento, alguém esbarrou em mim e assim que me virei para reclamar e xingar a pessoa que estava me atrapalhando, senti algo gelado no meu corpo. Sim. Fico toda molhada, e não do jeito legal. Não vejo o rosto da pessoa, apenas fecho meus olhos e respiro fundo.

Quando abro meus olhos, é ele!

- Me desculpa - ele proferiu no meu ouvido, - senhorita Navarro! - fecho meus olhos outra vez. - Você está bem?

Que voz esse homem tem. Porra, Henry! Tinha que ser você.

- Ah, claro! Estou perfeitamente bem - retruquei, abrindo meus olhos. 

- Venha! - ele segurou a minha mão e me guiou. Senti um choque quando ele encostou em mim. - Deixa que eu te ajudo. 

Olhei para trás em busca do meu companheiro de dança, mas ele já não estava mais no mesmo lugar.

Henry me levou até o bar e não sei de onde tirou o pano que começou a usar para me secar. Quando sua mão chegou entre os meus seios, simplesmente me encarou e meu corpo todo se arrepiou com o seu toque. 

- Me dê aqui! - peguei o pano da sua mão e, enquanto terminava de me secar, ele apenas me observava com os olhos estreitos.

- Me desculpa? - ele faz uma cara de piedade.

- Dá licença! - não respondi mais nada, apenas saí por entre a multidão, procurando pelo desconhecido dos lábios de mel.

- Liz, Liz, Liz... - ele continuou me chamando.

Encontrei as minhas amigas.

- O que aconteceu? - Ana perguntou, apontando para o meu vestido.

- O idiota do McNight derrubou a bebida em mim.

- Como foi isso?

- Eu estava beijando um cara lindo - sorrio quando lembro dele. - Alguém esbarrou em mim e, quando me virei para xingar a pessoa que tinha feito isso, fui surpreendida por algo gelado no meu corpo. 

- Ele está te querendo - afirmou, com ar divertido.

- Para de falar asneira, Ana.

- Está sim. Se não tivesse, ele não teria interrompido o seu beijo com esse cara.

Ana até pode estar certa, só que ele não me conhece e não sabe o tipo de relação que temos de verdade. 

Ficamos mais um pouco na boate, até percebermos que já eram quase 5h da manhã.

- Vamos! Estou exausta - Sam nos chamou.

- Você vai com a gente, Liz? - Igor perguntou, assim que chegamos ao estacionamento.

- Não, eu vim de carro.

- E está bem pra dirigir? - indagou e respondi, assentindo. - Então, até segunda.

Depois de nos despedirmos, eles entraram no carro e saíram. Entrei no meu veículo e parei alguns segundo, descansando a cabeça no encosto do banco, enquanto pensava no que tinha acontecido naquela noite.

Levei um susto quando alguém bateu na janela do meu carro. Fiquei surpresa quando abri meus olhos e dei de cara com Henry. Fiz sinal com as mãos para perguntar o que ele queria, mas apenas recebi um sinal para que eu abaixasse os vidros.

- O que você quer? - revirei os olhos assim que perguntei.

- Poderia me dar uma carona? - perguntou, com um meio-sorriso.

- Isso já é demais, né?!

Ele alargou o sorriso, ficando ainda mais lindo.

- Meu carro não quer funcionar - objetou, apontando para o veículo parado logo à frente.

- Peça um táxi.

- Perdi minha carteira.

Uma parte de mim, queria dar a carona, mas a outra parte não queria. Poderia deixá-lo aí, claro, mas será que a minha consciência ficaria pesada?

- Senhorita Navarro! - ele estalou os dedos na minha frente e só então saí do meu transe.

- Com uma condição.

- Qual?

- Não iremos conversar - afirmei.

- Nossa! Tudo bem.

- Entre - ordenei.

Ele deu a volta e entrou, sentando-se ao meu lado. Respirei fundo, ajustei-me no banco e dei partida, saindo do estacionamento da boate a contragosto, com meu marido desconhecido, que agora resolveu estar em todo lugar que eu vou.

- Lindo carro - declarou, me encarando.

Revirei os olhos e o ignorei.

- Ok! Já entendi. - Ergue as mãos em forma de rendição.

- Coloca no GPS o seu endereço - pedi e evitei o encarar.

- Eu poderia ir te guiando - lancei um olhar mortal. - Faz pouco tempo que me mudei, não sei os nomes das ruas aqui. - O silêncio se fez presente por alguns segundos, antes que ele continuasse: - Você é sempre assim?

- Assim como?

- Estressada. Pavio curto - declarou, olhando para a estrada.

- Se continuar falando, vou te largar em qualquer lugar aqui. - Respirei fundo.

- Ficarei feliz se responder a minha pergunta.

- Não sou obrigada a te responder. Exceto, se estiver em uma das suas aulas e, pelo que vejo, não estamos em aula alguma.

- Tenho certeza de que se estivéssemos em uma sala de aula, você já teria sido castigada! 

Meu rosto esquentou quando ele usou essas palavras. 

- Não precisa ficar corada! - ele sorriu. Que debochado!

- Falta muito? - Tentei mudar de assunto.

- Mais umas duas quadras.

Muitas coisas passaram pela minha cabeça, mas uma delas era que ele não se dava ao respeito, sendo um homem casado. Mas tudo bem, eu entraria no seu jogo. Usaria isso ao meu favor e queria só ver se ele não assinaria o divórcio.

- O próximo condomínio. - Aponta mais adiante. - Aqui! - Parei o carro, mas ele continuou sentado. - Você não vai descer? Pode entrar se quiser.

- Não, obrigada.

- Tenho certeza de que você não vai se arrepender. - Havia malícia naquele olhar.

- Não posso, sou uma mulher casada. - Sua expressão voltou a ficar séria.

- Você não é muito jovem para isso? - falou, descendo do carro, e se apoiou na janela.

- A vida me obrigou.

- E como o seu marido deixa você sair assim, sozinha?

- Isso não é da sua conta!

Ele ficou pensativo por um instante.

- Até amanhã.

Para variar, eu não o respondi, apenas arranquei o carro com tudo. Olhei pelo retrovisor e ele continuou me encarando.

Capítulo 3 Henry McNight

Alguns anos atrás.

- Você vai ter que assumir o império da sua família - disse meu pai.

- Eu não posso. Tenho apenas 15 anos.

Estávamos na sede da máfia.

- Você tem que começar desde agora. - Ele respirou fundo. - E esse é o seu tutor. Ele vai te ensinar tudo o que precisa para continuar honrando o nome da nossa família.

O homem era careca, franzino e muito alto.

Meu pai sempre foi muito rude. Amor, era um sentimento que não fazia parte da sua vida. Minha mãe faleceu quando eu tinha 12 anos. Ela tinha um tumor maligno no fígado, mas quando o descobrimos, já era tarde demais para qualquer tentativa de tratamento.

Ainda bem que eu tinha a Sandra. Sempre foi a minha babá e veio comigo quando me mudei para Nova Iorque. Sempre cuidou de mim.

Minha família pertencia à máfia italiana. Mas, eu nunca quis ser o Capo. Como o cargo era passado de geração em geração, não tive alternativa a não ser aceitá-lo. Com o tempo, treinei o meu irmão mais novo para cuidar da máfia para mim e ele apenas precisava me deixar ciente de todas as atividades que aconteciam.

- Olha, Henry, eu cuido de tudo pra você, mas com uma condição.

- Qual, Hendrick?

- Você terá que assumir tudo isso quando eu me casar. - Ele apontou para a sala do prédio em que estávamos.

- Até lá, terei que treinar outro.

- Por que você nunca falou isso para o papai?

- Sabe como é. Quando é de geração, não se questiona, apenas aceita.

Três anos atrás:

Meu passado era repleto de esqueletos escondidos em armários. Eu não matava ninguém, mas era a mão que mandava executar. Isso fazia de mim, um criminoso do mesmo jeito. Tudo tinha que ser do meu jeito e quando eu queria, em especial com as mulheres. Comigo não existia a arte da conquista. Eu queria, eu tinha, simples assim. Se eram casadas, o dinheiro resolvia. Meus soldados compravam seus maridos, ou os ameaçavam.

Claro que isso sempre funcionou.

Criei um afeto pelo meu tutor e o chamava de tio, o que só após muita relutância ele aceitou. Seu filho era mais velho do que eu e fomos treinados juntos. Eric sempre amou essa vida na máfia e gostava de viajar. Trabalhava em um escritório de advocacia em Nova Iorque, comandava tudo lá e era o braço direito do dono. Mas, em uma de suas viagens, foi assassinado. Nada me tirava da cabeça que a máfia alemã quis nos mandar um recado.

Decidi voltar para Nova Iorque e tentar ter a vida de um homem comum, pois só assim descobriria o que aconteceu com Eric.

Assim que cheguei lá, recebi uma correspondência relatando que o avião em que a família Andrade estava, havia explodido no ar. Fiquei um pouco receoso com essa história, pois eles morreram e, logo em seguida, o Eric também.

Será que eles tinham alguma coisa com a máfia alemã? Eric nunca tinha entrado em detalhes de como a família Andrade era, mas enfim, iria descobrir o que estava acontecendo.

- Que bom que você voltou, meu menino. - Sandra me esperava na porta da mansão em que eu morava em Nova Iorque.

- Também estava com saudades, Sandra! - sibilei, abraçando-a.

- Me fala que você vai ficar aqui por muitos e muitos dias?

- Não sei. - Suspirei fundo. - Apenas quero saber o que aconteceu com o Eric.

- Ainda não consigo acreditar no que aconteceu, meu menino. - Sandra me acompanha até o escritório enquanto conversamos. - Você acha que foram os alemães?

- Não sei, Sandra, não sei. Primeiro de tudo, eu tenho que saber no que Eric estava envolvido.

- Chegou uma correspondência para o Eric. - Levantei uma das sobrancelhas e fiquei um pouco receoso. - Essa aqui. - Ela me entrega o papel.

- Estranho. - Não tinha nenhum remetente.

Assim que abri o envelope, comecei a ler os dois papéis que vieram.

"Sim, Eric, se essa carta chegou até você, é porque fomos embora antes do esperado. O destino foi cruel conosco, não tivemos a oportunidade de ver nossa pequena se tornando uma mulher. Mas, como a vida e os negócios não foram generosos, espero que siga com o nosso contrato. Cuide da minha filha e, caso você não consiga, espero que esse tal de McNight seja tão bom quanto você."

- Que porra é essa?!

- O que aconteceu, meu menino?

Não respondi, apenas abri o outro papel que tinha no envelope.

No contrato dizia que, se acontecesse alguma coisa com a família Andrade, Eric teria que se casar com a filha deles e só poderiam se divorciar assim que ela terminasse a faculdade ou quando completasse 25 anos. Se acontecesse algo a ele, teria que designar alguém de sua confiança. Caso contrário, seu segredo seria vazado para toda a imprensa.

Será que era sobre a máfia? Sobre o que Eric estava envolvido? A família Andrade estava no meio de tudo isso?

Minha atenção estava no trecho em que dizia que a pessoa de confiança seria eu. Não acreditava que ele havia me colocado nesse problema.

Mas não poderia arriscar. Não sabia qual era o segredo do Eric e não podia deixar que a máfia corresse perigo.

- Sandra?

- Pois não, meu menino!

- Você conhece a família Andrade?

- O Senhor Andrade vinha aqui às vezes. Ele e o seu Eric se davam muito bem!

Não fazia sentido aquela carta de ameaça se eles eram amigos.

- Sabe se eles têm filhos?

- Sempre ouvia o senhor Andrade dizendo que era para o senhor Eric se casar com a filha dele.

- Ok. - Massageio minhas têmporas. 

- Vai jantar?

- Não, vou para o meu quarto. Tenho várias coisas pra resolver. - Dei um beijo na testa dela antes de subir.

Meu quarto estava todo arrumado, pois sempre avisava um dia antes da minha chegada para Sandra. Ela é a única que sabe dos meus gostos, além de sempre me tratar como um filho.

Decidi ligar para o meu advogado, Guilherme, pois precisava que ele resolvesse tudo sobre o meu casamento.

- Guilherme?

- Henry, a que devo a honra?

- Vou me casar! - anuncio.

- Como assim? Encontrou o amor da sua vida? - ele ri.

- Não, são apenas negócios.

- Pode falar.

- Aconteceu alguma coisa com o Eric, mas ainda não sei bem o que é. - Dei um suspiro longo.

- E? -me incentivou a continuar.

- E vou me casar com a senhorita Andrade.

- Onde você quer chegar com isso? Você só pode se casar com alguém de dentro da máfia. - Me lembrou.

- Sou o Capo di tutti Capi. Sou eu quem faço as regras! - proferi. - Vou me casar, não quero divulgação e nem nada do tipo. Aliás, não quero nem a ver. Apenas assinarei a certidão e quero que ela faça o mesmo.

- Tem certeza?

- Tenho. Quando der os sete anos, eu me separo.

- Ok, vou falar com o Bruno.

- Quem é ele?

- O advogado da...

- Não quero saber nem o seu nome - interrompi. - Então você já sabe dessa história?

- Ok, mas é estranho se casar com alguém que você nem sabe o nome. - Respirei fundo, com certeza ele já sabia o que isso significava. - Sim, o senhor Eric já tinha me instruído. Eu só poderia falar sobre isso com alguém se a pessoa tocasse no assunto, o que queria dizer que ele havia morrido.

- Por que você não me disse nada?

- Sabe que sou leal aos meus clientes.

- Tá certo. - Não poderia ficar bravo, sempre gostei dos trabalhos de Guilherme, justo por sua discrição. - Assim que ela assinar o papel, me avise.

- É claro, Henry.

Os dias foram passando, Guilherme fez todos os trâmites do casamento e apenas recebi um envelope com a certidão assinada por ela. Junto aos papéis, também tinha uma foto sua, mas não quis ver. Era apenas uma menina, e meu único objetivo era saber quem tinha feito isso com o Eric.

 Deixei tudo encaminhado para que Sandra morasse com ela, pois era a melhor e faria bem para a garota ter uma companhia.

 Voltei para Itália e, quando vinha para Nova Iorque, ficava em outra mansão que havia comprado em um outro condomínio.

 Às vezes, saía para tomar um café com Sandra e ela me deixava a par da situação. Nesses três anos, a menina não tinha me dado nenhuma dor de cabeça, era caseira e se dava muito bem na faculdade. Eu sabia, pois sempre recebia suas notas. E, como eu, ela nunca tinha tocado no assunto sobre me conhecer.

Nesses três anos, ainda não sabia o que tinha de fato acontecido com o Eric. Tinha algumas pistas, mas nada concreto.

Tempos atuais:

Tinha acabado de chegar em Nova Iorque e, como o voo era sempre longo, estava super cansado.

Mal coloquei os pés em casa e já percebi que Bruno, o advogado da minha esposa, estava me aguardando.

 - O que é tão importante que não podia esperar que eu descansasse? - não fazia nem dez minutos que tinha chegado.

 - Desculpa, senhor McNight. - Bruno ficou sem jeito. - Mas a senhora McNight quer o divórcio.

 - Como assim? Ela está maluca? - comecei a gritar. - Ainda faltam quatro anos para essa merda acabar.

 - Eu sei senhor McNight, mas ela disse...

 - Eu não quero saber o que ela disse! - não poderia dar o divórcio ainda, tinha poucas pistas sobre o que havia acontecido com o Eric e não poderia colocar o meu legado e muito menos a minha família em risco.

Já se passaram três anos desde a sua morte e não obtive nenhuma pista concreta. Até matei um infiltrado, mas nada além disso.

 - Eu sei, ela quer se casar com outra pessoa - Bruno cuspiu as palavras.

 - Como assim? Quem ela pensa que é? - dei um soco na mesa.

 - Ela...

 - Já que ela quer a merda desse divórcio, sem problemas - interrompi outra vez. Bruno me encarou, surpreso. - Mas diga, que só assinarei se ela vir até mim e me pedir pessoalmente.

 - Senhor, ela não quer te conhecer.

 - Como essa garota ousa?! - não conseguia acreditar que ela era assim, de nível baixo e ainda estar me traindo. Na verdade, isso nem era um casamento de verdade. Fazia poucas horas que tinha transado com a comissária do meu jatinho particular, que nunca era a mesma, já que não queria correr o risco delas se apaixonarem. - Essa é a minha condição.

 Saí andando assim que terminei de falar. Bruno resmungou alguma coisa, mas não entendi, apenas o ignorei.

 Voltei ao meu quarto e me deitei na cama, cansado da viagem.

Meu celular tocou, olhei na tela e vi que era uma ligação do Thiago, um delegado.

- Tudo bem, Henry?

- É claro. A que devo a honra?

- Já chegou, né?!

- Já tinha esquecido como as notícias correm por aqui.

- Esqueceu que sou delegado? Descubro tudo o que quero. - Essa era uma das vantagens em ser delegado por aqui.

- Podemos marcar uma bebida? - sugeri.

- Não posso, vou fazer uma cirurgia amanhã cedo. - Fazia alguns anos que conhecia o Thiago, pois ele também era da máfia.

- Como assim? - ele deveria ter me avisado.

- É uma coisa de emergência, ficarei alguns meses afastado. - Ele fez uma pausa. - Estava pensando em deixar a delegacia em suas mãos.

- Eu?

- Sim! Esqueceu que ainda não sabemos o que aconteceu com o Eric? Não posso pausar a investigação, não sei por quanto tempo irei me afastar. - Respirou fundo ao pausar. - Já estou me cansando de apenas matar os infiltrados, tem alguém nos traindo e olha que está fazendo isso muito bem - confessou.

- Eu sei, eu sei. Por isso que voltei para o meu posto. - Realmente, não poderia deixar as coisas como estavam, já tinha três anos que Eric havia sumido e não tínhamos nenhuma pista concreta. Hendrick era muito bom no que fazia, mas precisava de mim.

- Vou te mandar um e-mail com tudo o que você precisa saber, incluindo casos e funcionários. Já falei com o meu superior e enviei o seu currículo para ele.

- Meu currículo? - zombei. - Um Capo tem um currículo?!

- Henry, você é o único que pode descobrir o que está acontecendo. Nesse tempo que apenas o Hendrick cuidou de tudo, não evoluímos nada.

- Hendrick é ótimo no que faz. - Me ajeitei na poltrona. - Deixei muitas responsabilidades para ele.

- Aliás, ele achou incrível suas recomendações. - Ele deu uma gargalhada. - Ah, e tem uma coisinha.

- Qual?

- Você terá que dar aula para uma turma da Universidade Central.

- Porra, Thiago! Isso já é demais!

- São aulas de direito civil, você sempre se deu bem nessa área.

- Merda! - Eu era formado em direito, havia feito o curso devido à máfia. Era bom ter alguém que entendesse sobre a lei, para quando o Thiago e Guilherme não estivessem por perto. - Ok, Thiago.

- Tem umas alunas gatas - gargalhamos. Thiago era pior do que eu, quando o assunto era mulher.

- Me envie um e-mail falando sobre isso.

- Enviado com sucesso!

- Até mais! Me dê notícias.

- É claro.

Desliguei o celular e o joguei em cima da mesa. Caminhei até o bar que tinha na sala e me servi com um bom uísque.

Mal cheguei em Nova Iorque e já estava cheio de problemas para resolver.

Após saborear a minha bebida, tomei um banho demorado. Fiquei imaginando como minha esposa era e com quem ela queria se casar. Nunca a quis ver pessoalmente. Quando nos casamos, ela era apenas uma menina e eu preferia mulheres mais experientes, que conseguiriam acompanhar o meu ritmo na cama. Não queria uma pirralha se apaixonando por mim.

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