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O Contrato Que Mudou a Minha Vida

O Contrato Que Mudou a Minha Vida

Autor:: Fire Books
Gênero: Romance
Fernanda Gusmão, é uma jovem de apenas vinte anos, e que apesar da pouca idade, já enfrentou muitas batalhas para sobreviver na vida. Mas tudo o que ela imaginava ser difícil, nem se compara com a cilada que o destino a colocará, quando seu caminho se cruza com o de Antônio Castelamari. Um magnata do ramo de cosméticos, que tem apenas um objetivo: encontrar uma mulher para seu futuro sucessor, seu filho Pietro Castelamari. Pietro é um homem que após sofrer uma grande perda, se fechou para qualquer relacionamento amoroso. Mas sua vida e convicções mudam vorazmente quando o seu caminho cruza com o de Fernanda, que será a sua namorada de mentira e a pedra no seu sapato. O que será que o destino reserva para esses dois? Será que através de uma farsa, pode surgir um sentimento verdadeiro?

Capítulo 1 Prólogo

3 anos atrás

Roma | Itália

Mansão Grecco

- Não chore minha pequena, esse maledetto do Pietro Castelamari, vai pagar muito caro por tê-la humilhado dessa maneira. Ninguém faz a filha de Domenico Grecco sofrer. Esse bastardo vai pagar e com o que mais dói.

- Eu quero que Pietro sofra e que implore pela morte, mas ela nunca chegue. Esse desgraçado me tratou pior do que uma puttana babo e isso não pode ficar assim. Estamos prometidos um ao outro desde nossa infância e esse maledetto casou com outra. Ele tem que pagar!

Enquanto sua filha Anna chorava e soluçava em seus braços, Domenico apenas planejava em sua mente a sua vingança. Se tinha uma coisa que os Grecco honravam como ninguém, era a palavra. Para eles a palavra uma vez dada, tinha que ser honrada, mesmo que custasse a sua própria vida. E seria isso que aconteceria, sangue seria derramado e nem mesmo a amizade de anos que tinha com Antônio Castelamari, o faria voltar atrás.

- Não chore mais pequena, tu nasceste para brilhar, como a estrela que és. Recomponhasse e antes do nascer do Sol tudo já estará resolvido.

- Te amo babo.

- Tu és minha vida e o que me motiva a permanecer vivo. Por isso, saiba que enquanto eu existir ninguém te fará mal. Agora vá! Chame sua mãe para fazer compras, divirta-se e sorria, pois foi para isso que tu vieste ao mundo.

Anna beija a mão de seu pai e com um sorriso no rosto, se afasta saindo do escritório. Em seguida Domienico coloca seu plano em ação e dá uma única ordem à Brutus, seu homem de confiança.

- Quero que dê um fim em Ariela Castelamari, hoje!

Brutus com as mãos rente ao corpo e com olhar mortal, apenas assente em positivo.

- Sem vestígios e tudo limpo como sempre. Agora vá!

Brutos dá meia volta e em instantes o som da gigantesca porta de madeira do escritório é fechada. Domenico apenas tem tempo de fumar um charuto e beber duas doses de whisky, quando o som do telefone ecoa por todo o ambiente. Segurando o copo em uma das mãos e com o charuto na boca, ele atende a ligação, colocando no viva-voz. Ouvindo apenas uma respiração pesada e um grito ensurdecedor, já estava ciente de que sua ordem havia sido executada.

A ligação é finalizada e outra é feita logo em seguida.

Antônio: - Alô!

Domenico: - Meus pêsames Antônio!

Antônio: - Domenico? Do que estás falando?

Domenico: - Vendetta! Ela nunca falha! Olho por olho e dente por dente. Agora teu filho vai sentir na própria pele o que é sofrer.

Antônio: - Temos um pacto Domenico, e tu sabes disso.

Domenico: - Eu honro com minha palavra, mas seu filho não fez o mesmo. O que pensava Antônio, que a humilhação que minha Anna sofreu nas mãos do bastardo do teu filho, ficaria por isso mesmo? - Domenico estala a boca - Não meu caro. A justiça foi feita e logo terá a notícia.

Antônio: - Mas, eu...

"Antonioooooooo... Aconteceu uma desgraça. Ariela, nossa nora, está morta."

Ao ouvir isso, Domenico finaliza a ligação e satisfeito termina de fumar. Sabendo que Pietro Castelamari pagaria em vida, por tudo o que fez sua pequena sofrer, e não existe dor maior, do que perder quem amamos e nada podermos fazer para evitar.

"Essa é a minha lei e ela sempre será cumprida, até o dia da minha morte. Aqui se faz e aqui se paga. Olho por olho, dente por dente." [Domenico Grecco]

********

Dias atuais...

Mansão dos Castelamari

Antônio Castelamari

- Até quando ficará agindo dessa maneira Pietro? - Antônio esbraveja com o filho, que mais uma vez, chega se arrastando em casa, após passar a noite inteira farreando

- Deixe-me em paz! - Pietro esbraveja fechando a porta do quarto, mas Antônio o segue continuando a falar

- Como posso te deixar em paz, se você está a cada dia se afundando mais e mais. Você é meu primogênito e como tal precisa tomar posse dos negócios da família. Pietro, olhe para mim enquanto falo com você.

- Merda! Me deixe em paz! Tudo o que sempre te importou foram essas malditas empresas e comigo, porque não se importa? Não percebe que perdi a mulher que amo? Que estou morto por dentro? Tudo isso é por sua culpa, por ter me prometido a uma mulher que eu nunca amei.

Ao esbravejar tais palavras, Pietro sente os dois lados da face queimar, após levar dois tapas de Antônio.

- CALE-SE P0RRA! Agora mesmo arrume suas malas.

- Para que? - Pietro questiona ainda sentindo o rosto arder

- Vamos viajar para o Brasil. Tenho uma empresa em São Paulo e você ficará a frente dos negócios. E mesmo que não queira, encontrarei uma mulher para posar ao seu lado e te fazer voltar a ter um pouco de dignidade como sempre teve. Já chega de noitadas, mulheres vulgares e de manchar nosso sobrenome. JÁ BASTA!

Antônio esbraveja, contudo consegue o que deseja e no mesmo dia viaja com o filho para o Brasil. Mas, Pietro Castelamari não se curvaria tão facilmente as vontades do pai, e seu único pensamento era:

"Pobre será da infeliz que cair nas minhas mãos. Ela sofrerá as conseqüências por aceitar fazer parte dessa farsa e pela minha vida ter virado esse inferno desde a morte da minha Ariela. Eu sofro, mas todos a minha volta sofrerão comigo. Eu juro!"

Capítulo 2 Fernanda Gusmão

Fernanda Gusmão

- Nanda, filha, onde você está? O café vai esfriar! - minha mãe grita da cozinha minúscula que ficava localizada nos fundos da casa

- Já vou mãe! Estou só terminando de me maquiar. - grito de volta dando o último retoque na minha maquiagem, que precisava estar perfeita, pois hoje tenho uma entrevista de emprego na empresa Castelamari, a maior da América Latina, no ramo de cosmética e perfumes, a qual meu amigo Luan trabalha, e graças à ele consegui essa entrevista e espero que tudo dê certo, porque estou desempregada à mais de seis meses e preciso urgentemente conseguir uma oportunidade de emprego, para ter como arcar com as despesas de casa ou então as coisas poderão se complicar ainda mais por aqui.

Me chamo Fernanda Gusmão, moro no interior de São Paulo com minha mãe Celina e com meus pets, Filó, uma cadelinha cor de caramelo e o Melado, um gatinho super fofo nas cores marrom e branco. Não tenho irmãos, mas tenho o Luan, que supre toda essa ausência muito bem. Já o meu pai, um dia foi comprar margarina e nunca mais voltou, bom foi assim que minha mãe contou, era mais fácil ela dizer isso, do que dizer ele não nos amava e por isso se pirulitou.

Com o passar do tempo minha mãe começou a ter graves problemas de saúde, principalmente nas articulações, ela tem trombose e infelizmebte não conseguia mais trabalhar. Com muito custo se aposentou, mas o que ela ganhava, mal dava para suprir as necessidades dela mesma e por isso, desde os meus doze anos eu trabalho. Assim ajudava em casa e não deixaria que nada faltasse para nós duas. Mas, como eu disse, fui demitida há seis meses da lanchonete que eu trabalhava e preciso urgente de um emprego, ou caso contrário tudo o que eu mais temia poderia acontecer, minha mãe e eu poderíamos passar grandes apertos nessa casa. E isso, seria o mesmo que a morte para mim. Somos pobres, mas graças à Deus nunca faltou o pão de cada dia em nossa mesa e sou muito grata à Ele por isso. Pois sei que se estamos aqui até hoje, é porque Ele assim permitiu. E por isso tenho esperança que conseguirei um emprego muito mais rápido do que imagino.

Hoje com vinte e dois anos, não posso me dar ao luxo de ficar sem trabalhar, mas só espero que meu próximo patrão seja um homem correto, porque o meu penúltimo chefe era um velho tarado e asqueroso. Eu trabalhava como garçonete e ele pagava bem mais que o cargo oferecia, com certeza não era por causa do brilho dos meus olhos. Mas, isso eu só descobri no dia em que ele tentou me violentar. Sinto asco só de lembrar daquele nojento, colocando aquela mão suja nos meus seios e os apertando com força. Na hora dei um grito, que acho que toda cidade ouviu, e para não deixar por menos, ainda enfiei uma faca em sua perna esquerda, acertando em cheio em uma veia que deixou ele paralisado na hora. Eu saí ilesa, mas deu ruim pra ele, pois teve que vender a lanchonete pra conseguir pagar a fiança e não cair no sistema com o título de estuprador.

Desde então, não consigo achar nada que preste, e a maioria dos lugares que fui, se fosse pelos homens, já estava contratada, mas quando as esposas, noivas ou namoradas olhavam para mim, sempre davam uma desculpa qualquer e me dispensavam na hora.

Eu sou morena clara, cabelos castanhos lisos em cima e cacheado nas pontas, olhos cor de mel, tenho 1,68m de altura, peso sessenta quilos bem distribuídos, pernas grossas, bumbum médio redondo, e um belo par de seios que chamam atenção por onde passo. Resumindo, sou uma verdadeira destrói casamentos, pois essa é a única explicação que tenho para todas as portas na cara que tenho recebido nesses últimos seis meses.

Termino de me arrumar e enfim desço para tomar café.

- Que demora filha, assim vai se atrasar para a entrevista que o Luan conseguiu para você. - Minha mãe diz me entregando uma xícara com café pingado e um pratinho com queijo quente

- Preciso me arrumar bem, mamãe, quem sabe dessa vez não consigo o emprego. - falo e logo em seguida dou uma mordida no pão

- Deus te ouça minha filha e que você consiga logo um emprego. Porque a nossa situação pode ficar complicada, só o dinheiro da minha aposentadoria não vai ser suficiente para nós duas e ainda arcar com a dívida da casa. - minha mãe fala entristecida e volta para a pia, terminando de lavar a louça do café da manhã

- Não se preocupe mamãe, vamos dar um jeito. A senhora vai ver. Deus é mais! - falo a olhando e rapidamente terminando de tomar meu café

Minutos depois me levanto e vou até ela, lhe dando um abraço e um beijo no rosto. Ela sorri, mas no fundo sei que está preocupada e que também se sente culpada por não poder mais trabalhar. Já a peguei chorando no canto do quarto várias vezes e ver triste quem sempre fez de tudo para me oferecer o melhor, acaba comigo. Mas não posso esmorecer, somos só nós duas, uma pela outra sempre e por ela continuarei lutando dia após dia, na tentativa de oferecer sempre o melhor.

Me despeço da minha mãe e sigo meu caminho para a entrevista. Vou caminhando até o ponto de ônibus e demorou quinze minutos para que o ônibus 354 chegasse. Subi e segui meu caminho até o centro da cidade. Ao chegar, fui direto para a estação de metrô e em menos de cinquenta minutos já estava em frente à empresa Castelamari. Olho para o prédio e era gigantesco, até onde consegui contar eram uns vinte e cinco andares, todos eles com vidros espelhados. Ao entrar fui recebida pelo segurança, que me anunciou, me entregou um crachá de visitante e disse o andar que eu deveria ir. Luan estava de folga hoje, então tudo seria por minha conta e risco. E que Deus me ajude.

Chego no andar indicado pelo segurança e ao sair do elevador me deparo com uma sala luxuosa, repleta de detalhes em dourado e preto, as mesmas cores da marca de cosméticos. E na parede, bem à minha frente, havia uma placa enorme com o nome da empresa. Fico boquiaberta observando todo aquele luxo e levo um susto quando ouço:

- Veio pela vaga de assistente do departamento pessoal?

Uma senhora aparentemente com a idade da minha mãe, vestindo um conjunto de saia e blazer preto, usando óculos de grau e com um semblante sério, me analisa. Timidamente eu me aproximo e falo:

- Sim. Eu me chamo Fernanda Gusmão e fui indicada pelo Luan Ferraz. - falo com um sorriso fraco e estendendo a mão direita, mas a mulher não retribui o cumprimento, continua com seu olhar de reprovação, em seguida ajeita os óculos e com um desdém diz:

- Já sei quem você é, o segurança me comunicou. Aguarde um momento, que irei ver se poderão te receber.

- Tudo bem. Obrigada!

Falo timidamente e a mulher sequer responde. Apenas se afasta da tela do computador e segue em passos largos para uma sala, que com certeza pertencia a pessoa que iria me entrevistar. Nesse momento eu era só nervosismo. Minhas mãos estavam geladas, nunca fui de sentir calor, mas naquele momento eu estava quase pingando de tanta ansiedade. Alguns minutos depois a mulher retorna para a recepção, senta em sua cadeira acolchoada, me lança um olhar sério e diz:

- Sinto muito, mas a vaga já foi preenchida. Sendo assim, pode se retirar.

Fico indignada com a sua frieza e por praticamente ter sido enxotada como se tivesse uma doença contagiosa.

"Quem essa mulher pensa que é para me tratar desse jeito?"

"Posso ser pobre, sim, mas tenho minha dignidade. E perante Deus somos todos iguais, mas se ela não sabe disso, deixarei bastante claro e será agora."

Penso a olhando de cima a baixo, da mesma maneira que ela fez comigo desde o princípio, cruzo os braços e falo:

- Quê? Como assim, a vaga já foi preenchida? Não tem nenhuma candidata aqui nessa recepção, além de mim. A senhora sequer me olhou desde que cheguei, e com certeza deve ter fingido que iria me anunciar e ao entrar naquela sala deve ter gargalhado da minha cara, enquanto procurava essa desculpinha esfarrapada para me dar.

Solto tudo de uma vez, sempre fui atrevida e nunca levei desaforo para casa, e não seria agora que isso iria mudar. Estava sim dentro de uma multinacional, mas como eu disse antes, ninguém é melhor do que o outro e jamais devemos tratar nosso semelhante com desprezo, seja ele quem for.

Continuo com os braços cruzados a encarando, a mulher sequer retira os olhos da tela do computador, apenas bufa e com desdém diz:

- Não me faça perder tempo mocinha e se retire daqui imediatamente. Ou prefere que chame o segurança para te ajudar?

Bufei de ódio, revirei os olhos, mas nada disse. Com certeza estavam me monitorando pelas câmeras e o dono deve ser casado, e a mulher já me jogou para escanteio antes mesmo de me conhecer. Olho pela última vez para a mulher grosseira, que me olha de um jeito irônico e debochado, como se estivesse adorando me ver daquele jeito.

"Meu Deus, mais uma porta fechada, até quando isso?"

Penso deixando escapar uma lágrima no canto do olho direito, mas limpo rapidamente antes que àquela mulher percebesse e se sentisse vitoriosa ao me ver destruída.

Sai do prédio como um foguete. Eu queria fugir e desaparecer, mas não poderia fazer isso, não era justo, a minha mãe precisava de mim. Então eu tinha ser forte, por ela, por nós. Continuei caminhando sem destino, até que avistei uma praça, me sentei no banco pra descansar um pouco e em cima do mesmo encontrei um jornal todo amassado. Abri e lá havia o seguinte anuncio:

"Procura-se acompanhante..."

Só consegui ler esse trecho, porquê o restante estava rasgado.

- Droga! Que falta de sorte! - esbravejo com raiva e sinto uma gota de orvalho cair no meu rosto, estávamos na estação do inverno e o frio já estava a todo vapor

Continuo olhando aquele anúncio e a única coisa que dava pra ver era o endereço. Olho bem e não acredito no que vejo.

"Não pode ser, isso deve ser alguma brincadeira do destino."

"Acabei de sair desse lugar praticamente enxotada e agora o Senhor me envia esse papel? É alguma piada?'

Olho para o céu e balanço a cabeça em negação.

"Eu não vou lá. Não vou ser humilhada outra vez por aquela nojenta." - falo mentalmente, mas quando estava prestes a jogar o jornal no lixo uma borboleta esverdeada pousa no meu ombro, olho para ela e penso:

"Deve ser um bom sinal. Não custa tentar ir até lá pra ver, quem sabe dessa vez tenho mais sorte. Mas vou fazer isso amanhã, porque agora está tarde e minha mãe deve estar preocupada."

Peguei o jornal, coloquei dentro da minha bolsa e fui direto para casa. Ao chegar, encontro meu amigo Luan me esperando com um sorriso largo no rosto. Eu o amo de paixão, fomos criados praticamente juntos, temos um ano de diferença de idade, mas nunca rolou nada entre a gente. Confesso que de vez enquando o peguei me olhando, principalmente para o meu decote, ou quando eu andava pela casa de calcinha e sutiã quando estávamos só ele e eu. Nunca vi problema nisso, pois sempre o enxerguei como um irmão, mas confesso que eu adorava provoca-lo. Minha mãe dizia que ele não arrumava namorada por minha causa, e vice versa, que ainda iríamos nos casar. Eu sempre gargalhava daquilo, mas confesso que o Lu me excitava, quando ele ficava sem camisa, aquele corpo esbelto, forte, aqueles olhos cor de mel, era difícil segurar. Mas, por algum motivo, ainda não rolou nada.

O cumprimentei, disse que não rolou a vaga de assistente, ele fucou um pouco triste, disse que iria tentar me ajudar, mas pedi para ele deixar isso quieto, pois o que eu menos desejava era que ele tivesse problemas no trabalho por minha culpa. Entramos em casa e nós três conversamos muito, porém decidi não falar do anúncio, até porque não queria deixa-los preocupados, pois poderia ser tudo, mas estou torcendo que seja apenas acompanhante de algum idoso ou doente. Porém, não sei o que vou fazer se não der certo, meu dinheiro da recisão e do seguro desemprego praticamente estão no fim, e já temos quatro prestações da casa atrasadas. E se a gente perder aquela casa, não teremos pra onde ir e aí sim ficaremos num beco sem saída.

Nós jantamos, em seguida minha mãe foi descansar, porque estava com muitas dores no corpo. Luan e eu ficamos arrumando a cozinha, e depois ficamos até tarde assistindo a série Arrow na Netflix. Já era quase meia noite quando nos despedimos e logo depois fui dormir, ansiosa para que amanhã seja melhor do que hoje. Fiz uma breve oração e dormi em paz, pensando:

"Seja o que Deus quiser."

[...]

Capítulo 3 Candidata perfeita

Fernanda

Depois de apagar por completo, agendo o despertador do celular para umas três horas antes do tempo da entrevista, mas eu esqueço de colocar o aparelho no carregador, por sorte ou um milagre, acordo bem cedo, até um pouco mais do que eu tinha programado. Tomo um bom banho e desço para ajudar minha mãe a preparar o nosso café. Depois de ficar um tempo conversando com ela, subo para o meu quarto e começo a me arrumar bem bonita. Sei que estava muito cedo para sair, mas como a ansiedade gritava dentro de mim, decidi não ficar em casa por muito tempo, pois isso me deixaria ainda mais nervosa. Me despeço da minha mãe e como a empresa era longe da minha casa, eu decidi chamar um taxi. Sei que era um dinheiro extra e que nessa altura do campeonato qualquer gasto poderia nos fazer falta, mas eu estava esperançosa de que dessa vez as coisas seriam diferentes e essa quantia no final, seria muito bem gasta.

Pouco tempo depois chegamo na empresa. Pago o taxista e desço já com o coração à ponto de saltar pela boca. Primeiro por puro nervosismo e segundo pelo que aconteceu no dia anterior. Mas, nada me faria parar, se Deus me fez vir aqui novamente foi por alguma razão, e espero que seja para receber boas novas, porquê de pedradas já estava cheia.

Cumprimento um novo segurança que estava próximo aos elevadores, que logo me entrega o crachá de visitante e diz que posso seguir direto para a recepção. Faço isso, e mesmo já conhecendo um pouco esse lugar, não pude deixar de observar com mais atenção, era enorme e cada detalhe mais luxuoso do que o outro. Entro no elevador e em segundos chego no quinto andar e avistando uma outra recepcionista, logo penso:

"Graças à Deus, àquela velha chata não está aqui, a bruxa deve ter pego a vassoura e levantado voo." - penso caminhando e sorrindo por dentro imaginando a cena da bruxa na vassoura, mas me contenho e me aproximo da mesa dizendo:

- Oi, eu me chamo Fernanda Gusmão! Eu vim por causa do anúncio com vaga para acompanhante, como o jornal estava rasgado, eu não tinha o número do telefone e não pude ligar antes. A vaga já foi preenchida? - disparo a falar e a recepcionista me observa com um sorriso no rosto respondendo em seguida

- Ah sim! A vaga ainda não foi preenchida. Qual é a sua idade? Já fez isso alguma vez? - a recepcionista pergunta e ao mesmo tempo digitando algo no computador

- Tenho vinte e dois anos, e nunca fiz isso, mas estou disposta, e modéstia a parte sou uma ótima companhia. - respondo sorridente, sequer imaginando do que realmente se tratava a vaga de emprego

- Hum, isso é excelente! Por favor, preencha essa ficha, e aguarde que o senhor Castelamari, nosso cliente já vai te chamar. - a recepcionista fala e eu arregalo os olhos assustada

- Como assim cliente? Então a vaga anunciada era para... - engasgo e sequer consigo terminar de pronunciar a frase

- Sim acompanhante de luxo, e o senhor Castelamari ira te analisar, até o momento não foi encontrado ninguém que si encaixe no perfil que ele deseja.

A recepcionista fala tranquilamente empurrando uma folha diante de mim mas levanto na hora e nervosa falo:

- Ah não, ouve um engano da minha parte. Eu não sirvo para isso, quando eu li o anúncio, ou melhor, metade dele, eu pensei que fosse outro tipo de acompanhante! Jamais esse tipo de trabalho. - falo sem jeito e quando viro meu olhar me deparo com um par de olhos esverdeados me examinando minuciosamente

Era um homem de aparentemente cinquenta ou sessenta anos, mas muito conservado, com um porte másculo e um olhar intimidador, que me causava arrepios. Ele estava acompanhado pelo segurança do dia anterior, que ao me ver, lançou um olhar curioso, pois pelo visto estranhou o meu retorno depois do, não, bem grande que eu havia recebido no dia anterior.

O homem, que com certeza era o dono daquilo tudo, se aproximou da recepcionista perguntando se já havia encontrado alguém pra vaga de acompanhante, e em seguida ele me olhou de cima embaixo, como se eu fosse uma peça de carne fresca.

- Não senhor Castelamari. Essa moça veio, mas houve um engano, e essa vaga não é o que ela estava esperando.

A rexepcionista responde, e o homem torna a me olhar, mas dessa vez de um jeito analítico e eu tremo por dentro. Mas antes de aguardar qualquer resposta, viro de costas e com passos largos desaparecendo dali.

"Empresa de loucos. Uma hora é assistente do departamento pessoal e outra é acompanhante de luxo. É Fernanda, as coisas não estão fáceis para você. Precisa orar mais menina."

Penso enquanto caminho até o ponto de ônibus, sem emprego, preciso economizar, já basta ter gasto dinheiro no táxi em vão. Já estava subindo no ônibus, quando ouço alguém me chamar pelo meu nome. Olho de relance, pois não conhecia ninguém por esses lados, e quando vejo, era a mesma recepcionista simpática que me atendeu a pouco, me chamando.

O que será que essa mulher quer comigo?

*******

Castelamari Cosméticos

[Minutos após Fernanda sair da recepção]

- Quem era àquela garota que estava na recepção? - Pietro pergunta enquanto se servia de uma dose de whisky

- Era uma garota que imaginou que a vaga de acompanhante fosse para outra finalidade. - Antônio diz observando o filho que a cada dia o decepcionava mais, Pietro sempre odiou álcool, não suportava sequer sentir o cheiro, quisera beber. Mas desde o que houve em Roma, ele tem se afundando cada vez mais nesse vício maldito e Antônio não sabia mais o que fazer para ajudar o filho. Afinal, ele se sentia culpado pelo fato de ter feito esse arranjo para tentar casa-lo com Anna Grecco, uma mulher que ele nunca amou, e praticamente arrancou de seu filho a oportunidade de viver por si.

- Eu quero que seja ela! - Pietro fala num tom autoritário, surpreendendo até mesmo Antônio, que nunca ouviu o filho falar dessa maneira

- Por que exige isso? Gostou da moça? - Antônio pergunta curioso

- Ela é perfeita! Só isso que o senhor precisa saber. - Pietro fala grosseiramente e Antônio respira fundo, falando tranquilamente

- Pode ser mais explícito? Quais são os seus planos para querer tanto essa moça?

- O senhor não deseja me obrigar a viver uma farsa, para ficar a frente dos nossos negócios? - Antônio assente curioso e Pietro continua - Então, tenho ao menos o direito de escolher uma mulher que me agrade, é só isso!

Pietro fala com um sorriso no rosto, Antônio o observa desconfiado e do jeito que conhecia o filho, sabia muito bem tudo o que ele poderia fazer com aquela moça e o quão mal poderia ser com ela. Mas, como para os Castelamari, tudo o que importava era o prestígio e manter seu status, Antônio cederia à vontade do filho, fazendo até o impossível para que Fernanda fosse a acompanhante de Pietro e com a esperança de que ela pudesse transforma-lo no homem que ele já foi algum dia.

Antônio liga para a recepção, e Ruth, a recepcionista substituta, já estava no seu lugar de costume e prontamente atende:

- Sim, senhor Castelamari.

- Alcance aquela moça que esteve a pouco aqui e diga para vir imediatamente, tenho uma proposta para ela.

- Sim senhor.

Antônio finaliza a ligação com a recepcionista, torna a sentar na sua cadeira e faz outra ligação, dessa vez para o seu advogado.

- Jarbas?

- Sim, Antônio, em que posso ajudar?

- Prepare o contrato, imediatamente, acabo de encontrar quem eu procurava.

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