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O Cowboy e a Patricinha

O Cowboy e a Patricinha

Autor:: Ronald_P
Gênero: Romance
Thiago Bellucci é herdeiro da família mais poderosa da Itália e desde garoto aprendeu a derramar sangue. Ele se tornou assassino da máfia, cruel, impiedoso e temido pelos inimigos. Não havia motivos para que um homem como ele se envolvesse com mulher alguma. Sem a obrigação de ter herdeiros, todas eram apenas passatempos. Juliana Kouris era uma garota simples, que nasceu em uma ilha de pescadores. Com uma vida pacata, nunca imaginou que seus caminhos se cruzariam com o de um mafioso. Ela não conhecia esse mundo perigoso, mas uma decisão errada do seu pai culminou no seu sequestro e fez com que descobrisse o lado mais cruel dos seres humanos. Thiago tinha uma missão: entrar, matar aqueles que haviam desafiado a sua família e sair sem ser notado, mas ele se viu num antro de pecado onde mulheres eram vendidas para quem pudesse pagar mais. Ele não é uma alma boa e não estava ali para fazer qualquer ato de caridade. Quando o seu caminho se cruzou com o da jovem inocente, ela era só uma ferramenta para os seus planos, mas seria o início do seu caos pessoal.

Capítulo 1 Capitulo 1

Sento em minha penteadeira e começo a fazer a minha maquiagem para a festa de inauguração de mais uma empresa no ramo frigorifico que papai adquiriu recentemente, como será à noite, optei por dar um destaque maior em meus olhos, como eles são verdes, ficará lindo com um esfumado preto.

Enquanto me maquio, acabo me lembrando dessa tarde maravilhosa que eu tive com Marcos Assunção, ele me levou para um motel de luxo, estamos saindo a mais de nove meses, eu o amo tanto, não saberia viver sem ele.

O empecilho nisso tudo é que ele é sócio do meu pai, isso ocorreu após o falecimento de seu pai, então Marcos ficou em seu lugar como seu herdeiro, afinal é filho único. Sempre o achei lindo, gostoso e másculo. O problema é que ele nunca me deu moral.

Nosso caso começou no dia do meu aniversário de vinte e dois anos, ele foi sozinho na minha festa, sua esposa Beatriz não pôde ir. Isso mesmo ele é casado, mas não me orgulho disso, ele prometeu para mim que até o final desse mês pedirá o divórcio, era para ter pedido no mês passado como aconteceu alguns imprevistos, ele não pôde pedir. Quando se casou com aquela bruxa chorei tanto, não há mal que dure tanto tempo. Hoje ele pertence a mim, apesar de estar morando na mesma casa que aquela bruxa, é em mim que Marcos pensa todos os dias, o tenho em minhas mãos, ele é meu.

Fiquei extremamente feliz quando ele disse para mim que nunca amou sua esposa, que o amor da sua vida sempre fui eu, mas como eu era muito nova, lhe falou coragem para tentar algo comigo e meu pai também não iria permitir. Como se eu obedecesse a meu pai, desde

muito nova sempre faço o que quero e acabo o deixando de cabelos brancos, como ele mesmo diz.

Meu pai Antônio Vasconcelos me criou praticamente sozinho, a única ajuda que ele teve foi da minha tia Vanessa irmã da minha mãe Kira, ela é como uma mãe para mim, minha única referência feminina, ela deixou de se casar e ter filhos para ajudar o meu pai a me criar, minha mãe faleceu no meu parto, a única lembrança que eu tenho dela, além das fotos é da minha tia, elas eram irmãs gêmeas univitelinos, então olhar para a minha tia é como olhar para minha mãe.

Apesar da minha tia me amar como se fosse sua filha e me tratar como tal, ainda fica um vazio dentro de meu coração, saudades de algo que eu não vivi. Todas as festas que eu tenho que participar, sempre vem a imagem da minha mãe em meu pensamento, coisas como; será que ela sente orgulho de mim? Ela aprovaria essa roupa e make? Gostou do meu namorado? São tantas perguntas que eu nunca saberei as respostas.

Maquiagem concluída, vou até o meu closet, onde tem um espelho enorme, conferir o meu visual. Optei por usar um vestido vermelho longo tubinho tipo sereia na cor vermelha, com um bojo na frente dando volume. Fiquei um arraso, gosto do que vejo no espelho, essa cor combinou com os meus cabelos ruivos naturais.

Essa tonalidade de ruivo veio da minha mãe que era irlandesa, meus pais se conheceram na Irlanda, meu pai foi lá para estudar e acabou conhecendo a minha mãe na universidade, ele me disse que foi amor à primeira vista. Começaram a namorar e após o noivado, vieram morar no Brasil.

Minha falecida mãe amava esse país e essa casa, por isso após sua morte, meu pai não quis se desfazer da casa e continuou a morar aqui.

Minha tia veio ao Brasil logo após a morte da minha mãe, ela não conseguia acreditar o que havia acontecido com sua irmã. Ela abdicou de sua vida, assim como o meu pai para cuidarem de mim. Sou muito grata a minha tia por isso.

Pego minha bolsa e saio do meu quarto rumo a sala, mas paro na frente da escada quando escuto vozes, o que parece ser uma discussão. Meu coração acelera ao ouvir o teor da conversa.

- Vou acabar com aquela vadia Antônio, ela vai aprender a nunca mais se aproximar do meu marido.

Eu conheço essa voz.

- Fica calma Beatriz, as coisas não são bem assim como você está pensando - essa voz é do Marcos, a outra voz é de Beatriz. Será que estão falando de mim? Ela descobriu o nosso caso? Se for isso mesmo, é até melhor, ao menos Beatriz não terá pretexto para não aceitar o divórcio.

- Cala a boca Marcos, você não vale nada, como teve coragem de fazer isso comigo, se envolver com uma vagabunda? - grita Beatriz.

- Sempre tive muita estima por você e seu marido Beatriz, e não vou tolerar que você se dirija a minha filha dessa maneira. Aliás, você tem provas do que diz? - essa é a voz do meu pai.

- Pelo jeito terei que mostrar as provas de que sua filha não vale nada. Veja com seus próprios olhos - ela tira um envelope de sua bolsa e entrega ao meu pai, ele olha horrorizado. Mas que merda tem nesse envelope.

Desço as escadas como se nada tivesse acontecendo.

- Boa noite a todos, espero não estar atrasada para o evento. Como você está Marcos? E você Beatriz? Faz tempo que não te vejo - digo na maior cara de pau. Como se eu não estivesse ciente do que estava acontecendo a menos de um minuto.

- Mas é muito descarada mesmo, sua vagabunda, ordinária, vou te matar sua puta - antes que ela avance em mim, Marcos a segura pela cintura. - Me solta Marcos, vou acabar com ela - ela tenta se soltar dele, grita e esperneia.

- O que foi que eu fiz? Que agressividade é essa, Beatriz? - coloco minhas mãos no peito, e pergunto como se não estivesse entendendo nada.

- Como você é cínica garota - rebate, Beatriz.

- Chega, calem a boca! - grita o meu pai. - Essas fotos são verdadeiras, Beatriz?

- Sim, não tenho motivos para inventar que tenho chifres - responde Beatriz.

Que fotos? Penso.

- Meu Deus! - lamenta meu pai sentando no sofá. - Como você descobriu isso?

Beatriz se solta de seu marido.

- Não precisa me segurar Marcos, não farei nada com sua amante. Meu marido chegava em casa fora do horário, com cheiro de perfume feminino. Estava muito claro que eu era uma corna. Então contratei um

detetive para investigar, e qual foi a minha surpresa ao descobrir que sua amante era Kiara Smith Vasconcelos.

- Como pôde Kiara? Estou muito decepcionado com você, minha filha. Você ultrapassou todos os limites - fala papai afrouxando o nó de sua gravata.

- Papai...

- Não vai tentar negar, não é? - Pergunta Beatriz. - Impossível né, tenho provas concretas.

- Agora que todos já sabem, não irei negar. Marcos e eu realmente temos um relacionamento, eu o amo e ele me ama, não é meu amor? - quando vou me aproximar dele, minha tia me segura.

- Kiara, já chega garota, você foi longe demais - múrmura minha tia em meu ouvido.

- Vamos embora Beatriz - fala Marcos.

- Escute o seu marido Beatriz - fala o meu pai se levantando do sofá. - Deixe que com minha filha eu me entendo, e você Marcos - aponta o dedo para ele. - Quero você longe da minha casa e da minha filha.

- Isso será difícil papai, nós nos amamos muito.

- Vou te dar um último recado garota. Nunca mais ouse se aproximar de meu marido ou não responderei por mim - aponta o seu dedo para mim. - O recado foi dado, e espero que você o siga.

Ela se retira, e o Marcos a segue, ele não olhou nenhuma vez para mim, não acredito que ele vai me dar gelo?

- Vou estar te esperando em meu escritório Kiara - fala papai.

- Mas a festa? Nós...

- Não terá festa para você garota - grita. - Sério que no meio de toda essa confusão você ainda está pensando em festa?

- Mas papai...

- Sem mais, Kiara - volta a gritar. - Vou estar em meu escritório te esperando.

Ele se retira, indo em direção ao escritório.

- O que deu em você, Kiara? Se envolver com um homem casado e sócio de seu pai. Estou muito decepcionada com você - fala minha tia sentando no sofá.

Minha tia está linda em um vestido azul esvoaçante, com renda em suas mangas. Ela é uma mulher de cinquenta e dois anos, extremamente elegante. As pessoas que não nos conhecem, pensam que ela é minha mãe, já chegaram a cogitar a ideia dela ser namorada

ou esposa do meu pai, o que é um grande absurdo. Meu pai jamais se envolveria com a irmã da sua falecida esposa. Ele tem olhos apenas para mim. Jamais aceitaria meu pai com outra mulher que não seja minha mãe.

Capítulo 2 Capitulo 2

- O amor, foi que deu em mim tia. Nós nos amamos.

- Por favor Kiara, você realmente acredita que Marcos te ama. Meu bem, ele só te usou - diz minha tia, se levantando do sofá vindo até a mim.

- Não tia, ele me ama. Jurou que me ama - digo firmemente. - E não será você, meu pai ou a sua esposa que impedirá que fiquemos juntos.

Ela arregala os olhos e me olha fixamente.

- Você está se ouvindo Kiara? Pelo amor de Deus, além dele ser sócio do seu pai é casado e mais velho que você, meu anjo.

- Marcos tem vinte nove anos, tia. Quanto a ser casado, em breve ele vai se divorciar dela, ele me prometeu - digo com lágrimas nos olhos, só de imaginar não estar ao lado de Marcos.

- Meu bem, nesse tempo todo que ele e Beatriz estiveram aqui, Marcos sequer te defendeu dos insultos que ela te fez e muito menos demonstrou querer o divórcio, muito pelo contrário, nem olhar para você, ousou fazer - diz se lamentando.

- Pode ser apenas impressão sua tia, ele me ama, tenho certeza - afirmo com veemência.

- O tempo mostrará que não estou errada. É melhor você conversar com o seu pai. Ele está arrasado, não piore as coisas.

- Está bem, tia. Acredito que não terá mais festa.

Sigo até o corredor direito rumo ao escritório de meu pai.

Não bato, entro direto e o encontro olhando para o nosso jardim, através da janela de vidro.

- Estou aqui - falo de cabeça baixa, preciso demonstrar um pouco de culpa por me envolver com um homem casado.

- Não precisa fingir arrependimento, Kiara. Sei que não se arrepende do que fez, conheço bem a filha que tenho - agora ele me pegou. - Quero que você se sente.

Faço o que ele diz, não quero mais problemas.

- Nunca pensei que você um dia cometeria uma atrocidade dessas

- ele se vira e olha em minha direção. - Se envolver com um homem casado, naquele envelope tinha fotos dos seus encontros com Marcos em restaurantes e indo a motéis.

- Pai...

- Olha Kiara, estou muito irritado com você, você passou de todos os limites.

- Eu o amo.

- Ele te ama? Não foi o que ele demonstrou.

- Sim, me disse inúmeras vezes.

- O amor não é apenas dizer um "eu te amo", falar frases bonitas, mas demonstrado com atitudes, e ele não demonstrou sentir amor por você, tenho certeza que ele te usou.

- Não pai, você...

- Estou muito decepcionado com ele também, o vi crescer e nunca me passou pela cabeça que ele fosse um safado, mau-caráter, quero você longe dele.

- Isso não vai acontecer - digo firme, não vou largar do Marcos. - Sinto muito, pai.

- Você não estuda, não quer saber de trabalhar, não se interessa pelas nossas empresas, dorme fora de casa quando lhe dá na telha, quando vai em festas se embriaga, correndo risco de ser assediada ou até estuprada, só falta usar drogas. Estou de saco cheio de tudo isso, você diz que vai mudar, mas nunca muda - grita.

- Sou muito nova para ter maiores responsabilidades.

- Nova? Você tem vinte e dois anos, já era para saber o que quer da vida. - Ele suspira pesadamente. - Sei que te mimei demais, fiz isso pensando estar suprindo a ausência de sua mãe, errei fazendo isso, passei do ponto. Mas não se preocupe filha, se você não sabe o que quer, eu vou decidir por você.

- Como assim? - Pergunto indignada.

- Na hora certa, você saberá. O que ele quis dizer com isso?

- Agora vá para o seu quarto. Não estou no clima para festa. Aproveite e repense nos seus atos, será que sua mãe sentiria orgulho da mulher que se tornou hoje? Pense nisso, filha.

Faço o que ele diz, subo até o meu quarto, deito em minha cama e choro. Falar na mamãe mexe comigo. Sei que talvez ela não sentiria orgulho de mim. Faço coisas que nenhuma mãe se orgulharia.

Ah mamãe, por que você teve que ir tão jovem? Como sinto falta de você, agora você diria para mim o que fazer.

Termino de ajudar o José a verificar as colheitadeiras de grãos, que adquiri na feira Agrishow. É uma feira internacional de tecnologia agrícola, uma das maiores do mundo destinada ao agronegócio, apresentando tendências e inovações desse setor.

Quando vi essa belezinha eu sabia que teria que comprá-la, o seu tanque possui capacidade para 14,5 mil litros e pode ser descarregado em dois minutos, seu sistema permite que percorra terrenos inclinados, além de não precisar interromper a colheita para a descarga dos grãos.

Adquiri seis belezinhas dessas, três para a plantação de soja e três para a plantação de milho, cada uma custou dois milhões de reais, mas valeu muito apena.

A fazenda da minha família é uma das maiores produtoras de soja e milho do Brasil, com quinhentos e oitenta mil hectares, gerando milhares de empregos.

Tudo começou com meu avô Francisco Alvarez, que veio de Portugal com seus dois filhos e esposa para o Brasil e adquiriu essa fazenda, que fica localizada no Mato Grosso do Sul próximo ao Pantanal, isso no começo dos anos setenta. Hoje o Brasil é o segundo maior produtor de soja do mundo, claro que tudo isso também é graças a minha família, além de vendermos a nossa soja e milho no mercado nacional, exportamos para outros países.

Espero que esse ano possamos bater a safra recorde. Estou com muita expectativa com essa colheita de soja e de milho. Apesar de não termos tido prejuízos no ano passado, a safra não foi muito boa devido à falta de chuva e baixa qualidade de insumos. Estou com muita expectativa de que esse ano será o oposto, ao que parece o clima não irá prejudicar, porque segundo os meteorologistas terá chuva e não será

em excesso, pois assim como a falta de chuva pode arruinar a safra, chuva demais também pode prejudicar.

- Ah! Uuum. Não acredito que o senhor pagou tão caro nessas

colheitadeiras - diz José espantado. - Tu só pode estar despelhotado.

Dou risada do seu comentário.

- Larga de ser xarope homem. Na minha fazenda só entra o melhor.

José é o nosso capataz há anos, para ser mais preciso são trinta e cinco anos trabalhando em nossa fazenda.

- O senhor tem razão, é graças aos melhores produtos usados aqui na fazenda, que estamos entre os melhores produtores se soja e milho.

- Exatamente - concordo.

- Patrão, Patrão - Escuto ao longe o que parece ser a voz da Tininha.

- Ala! O que será que aconteceu para essa menina gritar dessa maneira? - diz José.

- Estou aqui Tininha - José e eu saímos do depósito onde estávamos e encontramos Tininha aos prantos.

Tininha é o apelido de Tina, ela tem vinte e cinco anos, e está concluindo seu curso de pedagogia, minha avó por gostar muito de sua falecida mãe que trabalhou aqui desde muito nova, mas que infelizmente morreu há quatro anos, faz questão de pagar seus estudos. Tininha aceitou que ela pagasse desde que pudesse ficar no lugar de sua mãe ajudando Mariana nos afazeres domésticos, de tanto ela insistir, minha avó acabou deixando.

Ela é uma mulher linda, tem traços indígenas, cabelos longos, pretos e lisos, linda morena da cor do pecado, e um corpão que tirava o meu fôlego.

Desde que ela fez dezoito anos começou a me atentar, fazendo insinuações, falando coisas de duplo sentido, me seguia pela fazenda dizendo que queria perder sua virgindade comigo, claro que sempre me segurava para não fazer nenhuma loucura, primeiro pela sua mãe que é muito querida pela minha vó, segundo por ela ser muito nova apenas dezoito anos. Mas a carne é fraca, no dia de seu aniversário de dezenove anos eu tirei a sua virgindade no riacho ao lado da fazenda. E de lá para cá sempre transávamos, o sexo com Tininha era selvagem e fogoso do jeito que eu gosto. Isso tudo durou até eu conhecer minha noiva, depois disso nunca mais tivemos algo, sei que ela tem esperanças, mas não voltará a acontecer mais nada entre nós.

- O que aconteceu Tininha, por que você está chorando? - pergunto desesperado, achando que pode ser algo com o meu filho ou com a minha avó.

- A vó Isabel... ela tá passando muito mal - volta a chorar.

- O que ela está sentindo?

- Aquela mesma dor.

Não espero que ela fale mais nada, corro até a casa da fazenda, subo a escada entro no seu quarto, Mariana está a ajudando se deitar.

- O que está acontecendo com ela, Mariana? - Pergunto, me aproximando da minha vó que está sonolenta.

- Dona Isabel voltou a sentir dor no pé da barriga, dei para ela o remédio que o doutor havia receitado, mas como você sabe, esse medicamento é muito forte e uma de suas reações é a sonolência. Acho melhor voltar ao médico para saber o motivo disso, meu filho. Ela tem noventa anos. Com isso não se brinca.

Capítulo 3 Capitulo 3

- O médico disse que o câncer está em remissão, não era para ela estar sentindo essa dor - falo preocupado.

- É melhor você chamar o médico - sugere dona Mariana.

- Farei isso.

Ligo para o médico da família que também é um dos responsáveis pelo seu caso, e conto todo o ocorrido, ele sugere que eu a leve até o hospital urgentemente para realizar novos exame e descobrir o que está acontecendo.

- No meio dessa confusão, esqueci do meu filho - falo. - Cadê o Eduardo?

- Ele está com a Ana Júlia e Maria Clara, elas o levaram até mangueiro, você sabe que aquele menino adora ficar perto do seu potrinho - diz sorrindo.

- Tudo bem, fico mais aliviado de saber que ele está bem, cuide dele para mim, vou levar minha vó ao médico.

- Sim, meu filho não se preocupe. Eu e as meninas cuidaremos muito bem dele.

Ana Júlia com vinte anos e Maria Clara com dezoito anos, são as filhas de dona Mariana com o José, gosto muito dessas garotas, as vejo como minhas irmãs mais novas, inclusive sou padrinho da mais nova Maria Clara.

Coloco minha avó no carro com a ajuda de José e partimos rumo ao hospital.

Após horas de vários exames o médico responsável pelo seu caso vem falar comigo. Ele era muito amigo da minha família, principalmente de meu pai, se ele estivesse vivo teria a mesma idade do doutor.

- E então, senhor Paulo. Como minha avó está? - Não o chamo formalmente de doutor porque ele é mais que um médico, é quase da família.

- Sinto muito meu filho, mas o câncer voltou e dessa vez veio mais forte, se espalhou pelo corpo todo, não podemos fazer nada, ela tem poucos dias de vida.

Caio sentado na cadeira da sala de espera, fico totalmente desnorteado, eu não sei o que pensar.

Primeiro o meu avô que se foi há dez anos de causas naturais, por mais que tenha chegado a sua hora, ainda assim ele deixou um vazio enorme.

Há quatro anos foi a morte de meus pais, eles estavam indo para uma reunião de negócios com o senhor Antônio Vasconcelos, ele é dono de um conglomerado que engloba várias indústrias alimentícias. O jatinho da empresa em que eles estavam caiu perto do aeroporto de Congonhas. Apesar de ter se passado anos dessa tragédia, algo me diz que foi uma sabotagem, mesmo as caixas pretas não terem apontado alguma anomalia, meu pai era um empresário muito rico, responsável por toda a fazenda Alvarez, ao lado do seu irmão e meu tio Miguel. Então seria natural que eles estivessem incomodando a concorrência.

Desde esse acontecido minha avó começou a definhar aos poucos, não comia direito, a sua alegria desapareceu. Eu também sentia vontade de desistir de tudo, mas não fiz isso, eu tinha a minha avó, minha noiva na época, e vários funcionários que dependiam de mim, alguém tinha que ser forte e esse alguém seria eu.

Por último a minha esposa que era a minha noiva na época da trágica morte dos meus pais. Ela morreu após dar à luz ao nosso Eduardo que hoje está com um ano e seis meses. A perda da minha mulher, me deixou devastado do mesmo modo que fiquei, quando recebi a notícia da morte dos meus pais. Uma dor que parece não ter fim, que ao invés de diminuir com o tempo, acontece ao contrário só piora.

- Tome essa água meu filho, vai te fazer bem - diz o doutor Paulo. Faço o que ele diz e tomo toda a água.

- Quanto tempo exatos ela tem? - pergunto com um nó na garganta.

- Não sei te dizer, pode ser uma semana, duas, ou até mesmo um mês. A única coisa que sabemos é que ela não viverá muito tempo.

- Vou avisar aos meus familiares e amigos mais próximos - indago com os olhos cheios de lágrimas.

- Faça isso, meu filho. Eu sinto muito.

- Quando poderei vê-la?

- Os remédios que demos a ela, fará com que durma até a amanhã de manhã. Sugiro que você vá embora e descanse, amanhã cedo você vem.

- Farei isso Paulo.

Minha avó descobriu o câncer do colo do útero há mais de um ano, começou com uma dor na pélvis, secreção vaginal com um pouco de sangue. Então ela realizou alguns exames que detectaram o câncer, fez quimioterapia e entrou em remissão. Pelo jeito não tem mais jeito, ela não vai sobreviver.

Despeço-me dele e volto para a fazenda, quando chego, vou para o meu quarto tomar um banho para tentar dormir. É nesse momento que choro, coisa que não fazia um bom tempo, choro pelos meus pais, minha esposa e avó, espero que seja minha última perda se não, não irei aguentar.

Chego em casa de manhã após mais uma noite de diversão com minhas amigas, cansei de ficar mais de uma semana em casa esperando alguma mensagem, ou até mesmo ligação do Marcos. Sei que ele me ama, ao menos deveria dar alguma satisfação, acredito que ele quer esperar a poeira abaixar, afinal de contas, meu pai está muito puto com ele e comigo também, só consegui sair porque fiz isso escondido, esperei ele ir dormir. Rio ao lembrar da cena.

Meus pés estão doloridos por isso tiro as minhas sandálias que estão me matando, mais tarde estarei com calos enormes, dancei durante toda a madrugada.

Entro em nossa mansão localizada no bairro do Morumbi, ando sem fazer nenhum barulho, mas quando chego na escada para subir ao meu quarto, ouço um pigarreio. Viro para trás e dou de cara com o meu pai, sua expressão não é das melhores.

- Onde estava? - pergunta papai. - Você sabia que eu não a queria saindo para baladas. Me desobedeceu de novo.

- Tinha saído com as minhas amigas.

- Hum! Amigas? Me poupe Kiara, essas garotas que dizem ser suas amigas - faz aspas com as mãos. - Não passam de aproveitadoras que querem te levar para o mesmo buraco de onde elas saíram.

- Vai me dizer que quando você tinha a minha idade não saia com os seus amigos? Me poupe você, papai.

- Fale direito comigo garota - esbraveja. - Quando eu tinha a sua idade estava na Irlanda cursando administração para administrar a empresa do meu pai, seu avô.

- Já conheço essa história pai, agora tô morrendo de sono, depois continuamos essa conversa chata - quando estava prestes a subir a escada, ele pega no meu braço.

- Escute aqui Kiara, você ultrapassou todos os limites do aceitável, não vou mais tolerar sua arrogância e desobediência. Você me entendeu?

- Sim, pai. Agora pode me soltar? Você vai machucar o meu braço. Ele faz o que eu peço.

- Fico feliz que ao menos não tenha bebido, agora vá dormir, quando a senhorita acordar teremos uma conversa muito séria.

Meneio um sim, com a cabeça e subo as escadas e entro em meu quarto. Tiro o meu vestido, vou direto ao banheiro tomar um banho relaxante, após o banho, seco meu cabelo e vejo que já são 8h00 da manhã.

Ligo meu celular para ver se tem alguma mensagem do Marcos, mas até agora nada. Tento ligar e ele também não atende, será que me bloqueou? Ele não é louco de fazer algo desse tipo.

Coloco meu celular na mesa de cabeceira e volto a dormir, preciso recuperar minhas energias, sei que ao acordar vou ouvir muita coisa do meu pai.

Acordo Com uma fome danada, olho no meu celular e constato que são 14h00 da tarde.

- Caramba! Como eu dormi tanto assim?

Levanto da minha cama, vou ao banheiro escovar os dentes e lavar o meu rosto. Entro no meu closet tiro o meu baby-doll da Minnie. Tenho vinte e dois anos, mas ainda sou apaixonada pelos personagens da Disney, principalmente as princesas, quando eu era criança fingia ser uma princesa da Disney.

Aliás, a minha paixão não fica apenas na Disney e suas princesas, eu também sou apaixonada pela Barbie, minha segunda paixão, tenho uma pequena coleção de suas bonecas. Coleção que toda garota apaixonada por ela adoraria ter.

Pego uma calça jeans skinny preta, bem básica, e uma blusa de seda da alça fina branca, calço uma sapatilha bege, prendo meus longos cabelos ruivos em um coque.

Quando chego na sala não vejo minha tia e nem meu pai, o que acho estranho. Como hoje é domingo eles estariam nesse horário na sala conversando, minha tia é advogada das nossas empresas.

Antes de escutar o sermão do meu pai, primeiro vou matar a minha fome, vou até à cozinha e esquento a comida que dona Ângela deixou no micro-ondas, ela era a minha babá quando eu era criança e hoje é a nossa governanta, Ângela sabe que não acordo cedo, principalmente nos finais de semana e deixa a comida pronta para que eu possa esquentar.

Tiro a comida do micro-ondas e sento à mesa para comer. Vejo pela janela, Ângela vindo do jardim.

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