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O Despertar da Leoa

O Despertar da Leoa

Autor:: Callista
Gênero: Moderno
Acordei no hospital, depois de um terrível acidente de carro. Havia perdido o meu filho, Leo. O meu mundo desabou quando a médica confirmou a perda do bebé. Agarrei-me à esperança no meu marido, Pedro, mas ele não estava lá. Liguei-lhe, a voz embargada pela dor, a contar o inconcebível. A sua resposta fria e impaciente ecoou: "Já me disseram. A Clara deslocou o ombro, precisa de mim. Não sejas egoísta." Egoísta? Ele ignorou a morte do nosso filho e a minha agonia para consolar a irmã com um ferimento superficial. A raiva gelou o meu luto. Quando tive alta, a família dele estava à minha espera, não para me apoiar, mas para me humilhar. Chamaram-me louca, egoísta, e disseram que a casa em que vivíamos não era minha. Pedro desviou o olhar, concordando com a mãe. Eu não era esposa; era um inconveniente descartável. Como puderam ser tão cruéis? Como pôde o homem que eu amei permitir isto? Será que o meu sofrimento não significava nada? Mas a verdade é sempre mais sombria do que a imaginação. O relatório policial do acidente e o testemunho de uma enfermeira revelaram que Pedro me abandonou a sangrar para acudir Clara. E o mais chocante: o acidente não foi um acaso. Foi Clara, por ciúmes, que puxou o volante propositadamente, atirando-nos para o abismo, tirando-me o meu Leo. Não era apenas divórcio. Era justiça. Pelo meu filho, pelo meu futuro, por mim. Eles iriam pagar caro por tudo o que tiraram de mim.

Introdução

Acordei no hospital, depois de um terrível acidente de carro.

Havia perdido o meu filho, Leo.

O meu mundo desabou quando a médica confirmou a perda do bebé.

Agarrei-me à esperança no meu marido, Pedro, mas ele não estava lá.

Liguei-lhe, a voz embargada pela dor, a contar o inconcebível.

A sua resposta fria e impaciente ecoou: "Já me disseram. A Clara deslocou o ombro, precisa de mim. Não sejas egoísta."

Egoísta?

Ele ignorou a morte do nosso filho e a minha agonia para consolar a irmã com um ferimento superficial.

A raiva gelou o meu luto.

Quando tive alta, a família dele estava à minha espera, não para me apoiar, mas para me humilhar.

Chamaram-me louca, egoísta, e disseram que a casa em que vivíamos não era minha.

Pedro desviou o olhar, concordando com a mãe.

Eu não era esposa; era um inconveniente descartável.

Como puderam ser tão cruéis?

Como pôde o homem que eu amei permitir isto?

Será que o meu sofrimento não significava nada?

Mas a verdade é sempre mais sombria do que a imaginação.

O relatório policial do acidente e o testemunho de uma enfermeira revelaram que Pedro me abandonou a sangrar para acudir Clara.

E o mais chocante: o acidente não foi um acaso.

Foi Clara, por ciúmes, que puxou o volante propositadamente, atirando-nos para o abismo, tirando-me o meu Leo.

Não era apenas divórcio.

Era justiça.

Pelo meu filho, pelo meu futuro, por mim.

Eles iriam pagar caro por tudo o que tiraram de mim.

Capítulo 1

Quando abri os olhos, o teto branco do hospital foi a primeira coisa que vi. O cheiro de desinfetante enchia as minhas narinas.

Ao meu lado, a minha mãe, Lúcia, ainda dormia, o seu rosto pálido sob a luz fraca.

A médica, uma mulher de meia-idade com uma expressão cansada, estava a verificar os meus sinais vitais.

"Como te sentes, Sofia?"

A voz dela era suave.

"O meu bebé..." A minha voz saiu rouca, um sussurro fraco.

A médica fez uma pausa, o seu olhar suavizou com pena. "Sofia, lamento muito. Devido ao acidente de carro e à tua hemorragia grave, não conseguimos salvar o bebé. Tivemos de realizar uma cesariana de emergência para te salvar a ti."

As palavras dela pairaram no ar, pesadas e frias.

O meu bebé. Desaparecido.

Senti um vazio oco no meu peito, um espaço frio onde antes havia vida.

"E o meu marido, Pedro? Ele está aqui?" perguntei, agarrando-me a um último fio de esperança.

A médica hesitou. "Ele veio mais cedo, mas... teve de sair. A irmã dele, a Clara, também estava no acidente e precisava dele."

Clara. Claro.

A minha mão foi instintivamente para a minha barriga, agora estranhamente lisa sob o lençol do hospital. O meu telemóvel estava na mesa de cabeceira. Peguei nele com as mãos a tremer.

Inúmeras chamadas não atendidas para o Pedro. Nenhuma resposta.

Liguei novamente. O telefone tocou, uma, duas, três vezes. Finalmente, ele atendeu. A sua voz estava tensa, irritada.

"O que foi, Sofia? Estou ocupado."

"Ocupado?", repeti, a minha voz a tremer. "Pedro, o nosso bebé... o nosso bebé morreu."

Houve um silêncio do outro lado da linha. Não um silêncio de choque ou dor, mas um silêncio impaciente.

"Eu sei. A médica disse-me. Ouve, a Clara está a passar por um momento difícil. Ela deslocou o ombro e está em pânico. Preciso de ficar com ela."

A voz calma e racional dele era mais dolorosa do que qualquer grito.

"Ela deslocou o ombro", disse eu lentamente, a incredulidade a transformar-se em raiva fria. "Eu perdi o nosso filho, Pedro. O filho que tentámos ter durante três anos."

"Não tornes isto mais difícil do que já é, Sofia", retorquiu ele. "Foi um acidente. Estas coisas acontecem. A Clara é a minha irmã, ela precisa de mim agora. Não sejas egoísta."

Egoísta. A palavra atingiu-me com a força de um soco.

"Vamos divorciar-nos, Pedro."

A decisão formou-se na minha mente, clara e final. A única coisa que me ligava a ele tinha desaparecido.

"Divórcio? Estás a falar a sério?", ele riu, um som áspero e incrédulo. "Depois de tudo o que fiz por ti e pela tua mãe? Estás a ser ridícula. Vamos falar quando estiveres a pensar com clareza."

Ele desligou.

Olhei para o ecrã escuro do telemóvel. As lágrimas que eu não sabia que estava a segurar começaram a rolar pelo meu rosto, silenciosas e quentes.

Ele nem sequer perguntou como eu estava.

Capítulo 2

Dois dias depois, recebi alta do hospital. A minha mãe, ainda a recuperar da sua própria cirurgia para remover um tumor benigno, insistiu em vir comigo para o meu apartamento.

O apartamento que eu partilhava com o Pedro parecia estranho, frio. O quarto do bebé, que tínhamos decorado com tanto amor, estava silencioso. A porta estava fechada. Eu não conseguia olhar para lá.

A minha sogra, a Dona Helena, estava sentada na sala de estar, de braços cruzados e com uma expressão severa no rosto. A Clara estava ao lado dela no sofá, com o braço numa tipóia, a choramingar baixinho.

O Pedro estava de pé ao lado delas, a olhar para mim como se eu fosse uma estranha.

"Sofia, finalmente", disse a Dona Helena, a sua voz cortante. "Viemos falar contigo sobre esta tolice do divórcio."

Ignorei-a e olhei diretamente para o Pedro.

"Onde estavas, Pedro? Quando eu acordei, quando precisei de ti."

"Eu já te disse", respondeu ele, impaciente. "A Clara precisava de mim. Ela estava em choque."

"Eu estava a morrer!", a minha voz elevou-se, a tremer de raiva e dor. "O nosso filho estava a morrer dentro de mim, e tu estavas a consolar a tua irmã por causa de um ombro deslocado?"

"Não fales assim da minha filha!", gritou a Dona Helena, levantando-se. "Ela também sofreu! Tu és tão egoísta! Só pensas em ti mesma!"

A Clara começou a soluçar mais alto. "Eu não queria causar problemas, Sofia. Eu sinto muito pelo bebé, sinto mesmo..."

A sua voz era fraca e trémula, mas os seus olhos, quando encontraram os meus por uma fração de segundo, continham um brilho de triunfo.

"Sofia, já chega", disse o Pedro, a sua voz dura. "Pede desculpa à minha mãe e à Clara. Estás a agir como uma louca."

Eu ri, um som oco e sem alegria. "Pedir desculpa? Eu não vou pedir desculpa por nada. Eu quero o divórcio. Peguem nas vossas coisas e saiam da minha casa."

"Tua casa?", a Dona Helena riu-se. "Querida, esta casa foi comprada com o nosso dinheiro. Tu não tens direito a nada."

O meu coração gelou. Era verdade. O adiantamento tinha sido um "presente" deles. Um presente que eles agora estavam a usar como uma arma.

"Pedro?", olhei para ele, à procura de qualquer sinal de apoio.

Ele desviou o olhar. "A minha mãe tem razão, Sofia. Talvez devesses ir para casa da tua mãe por uns tempos, até te acalmares."

Naquele momento, eu percebi. Eu não era a sua esposa. Eu era um inconveniente. O nosso filho tinha sido a única cola que nos mantinha juntos, e agora que ele se fora, eu era descartável.

"Tudo bem", disse eu, a minha voz surpreendentemente calma. "Eu vou-me embora. Mas vocês vão arrepender-se disto."

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