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O Despertar de Isabela: Cinco Anos no Passado

O Despertar de Isabela: Cinco Anos no Passado

Autor:: Sable
Gênero: Moderno
Acordei em um hospital, com o cheiro de antisséptico invadindo minhas narinas e uma dor surda na cabeça. Então, ele apareceu: Thiago Almeida, o homem que um dia me traiu, dizendo ser meu marido. "Casados há quatro anos", ele afirmou, e meu mundo desabou. Minha melhor amiga, Clara, confirmou a verdade brutal: eu não tinha 19, mas 24 anos. Eu havia abandonado minha paixão pela arte e capoeira, vendendo meu berimbau, para me tornar a esposa perfeita que ele nunca quis. Ele me tratava com desprezo, revelando que nosso casamento era uma farsa arranjada, um mero "dever conjugal". A humilhação era profunda. Descobri que perdi um filho, nosso filho, enquanto ele viajava com a amante, Sofia. Para ele, eu era apenas uma "imitação barata e rebelde" da mulher que ele realmente amava. Como minha vida se tornou essa mentira vazia? A raiva me consumiu. Desafiei-o para um jogo de capoeira, a única coisa que me restava. "Se eu ganhar, me dá o divórcio!", eu gritei. Eu caí. Minha cabeça bateu com força no chão. E então, um clarão. Acordei no meu quarto. A data no calendário? Cinco anos atrás. Eu tinha 20 anos. Eu me lembrava de TUDO.

Introdução

Acordei em um hospital, com o cheiro de antisséptico invadindo minhas narinas e uma dor surda na cabeça.

Então, ele apareceu: Thiago Almeida, o homem que um dia me traiu, dizendo ser meu marido.

"Casados há quatro anos", ele afirmou, e meu mundo desabou.

Minha melhor amiga, Clara, confirmou a verdade brutal: eu não tinha 19, mas 24 anos.

Eu havia abandonado minha paixão pela arte e capoeira, vendendo meu berimbau, para me tornar a esposa perfeita que ele nunca quis.

Ele me tratava com desprezo, revelando que nosso casamento era uma farsa arranjada, um mero "dever conjugal".

A humilhação era profunda.

Descobri que perdi um filho, nosso filho, enquanto ele viajava com a amante, Sofia.

Para ele, eu era apenas uma "imitação barata e rebelde" da mulher que ele realmente amava.

Como minha vida se tornou essa mentira vazia?

A raiva me consumiu.

Desafiei-o para um jogo de capoeira, a única coisa que me restava.

"Se eu ganhar, me dá o divórcio!", eu gritei.

Eu caí.

Minha cabeça bateu com força no chão.

E então, um clarão.

Acordei no meu quarto.

A data no calendário? Cinco anos atrás.

Eu tinha 20 anos.

Eu me lembrava de TUDO.

Capítulo 1

O cheiro de antisséptico invadiu minhas narinas, forte e limpo. Uma luz branca e ofuscante feria meus olhos. Pisquei, tentando focar.

Um teto branco. Paredes brancas.

Eu estava em um hospital.

Um bipe constante e rítmico vinha de uma máquina ao meu lado. Senti uma dor surda na cabeça e meu corpo inteiro parecia pesado, como se não fosse meu.

"Bela? Você acordou."

Uma voz masculina, grave e fria, soou perto de mim. Virei a cabeça devagar.

Thiago Almeida estava sentado em uma poltrona de couro cara, ao lado da minha cama. Ele usava um terno impecável, sem um único vinco. Seus olhos escuros me analisavam, mas não havia calor neles.

"Thiago?", minha voz saiu rouca, um sussurro.

O que ele estava fazendo aqui?

A última imagem que eu tinha dele era nítida. O suor, a música alta de um bloco de Carnaval, as cores vibrantes. E ele, num canto escuro, beijando Sofia. Seus lábios pressionados contra os dela.

Eu tinha 19 anos e meu coração de adolescente se partiu naquele momento.

"O médico disse que você bateria a cabeça com força. Sofreu um acidente de moto na estrada do Corcovado."

Ele falou de forma mecânica, como se estivesse lendo um relatório.

"Acidente?", repeti, confusa. "Eu não tenho moto."

Um lampejo de irritação cruzou seu rosto. "Isabela, não temos tempo para jogos. Você tem uma moto há anos."

"Eu não... eu não entendo."

Ele se levantou, a sua altura imponente preenchendo o quarto luxuoso. "Eu sou seu marido, Isabela. Estamos casados há quatro anos."

Eu ri. Um som seco e dolorido.

"Marido? Impossível. Eu vi você com a Sofia."

"Isso foi há cinco anos", ele disse, sua voz cortante. "Você tem 24 anos agora."

Meu mundo girou. Vinte e quatro? Casada?

Não. Eu era a Bela, a artista de rua, a capoeirista que vivia com um sorriso no rosto e tinta nas mãos. Eu tinha acabado de entrar na faculdade de Belas Artes.

"Você está mentindo", acusei, tentando me sentar, mas uma tontura forte me forçou a deitar de novo.

Nesse momento, minha melhor amiga, Clara, entrou no quarto. Seus olhos estavam vermelhos e inchados.

"Bela! Graças a Deus!", ela correu para o meu lado, segurando minha mão. Sua mão estava quente, real.

"Clara, diz pra ele que é mentira", pedi, desesperada. "Diz pra ele que eu tenho 19 anos. Nós estávamos no bloco ontem, não estávamos?"

Clara baixou o olhar, evitando o meu. Seu silêncio foi a resposta mais cruel.

"É verdade, Bela", ela sussurrou, a voz embargada. "Você tem 24 anos. E... você e o Thiago são casados."

Senti um frio percorrer minha espinha. Olhei para minhas mãos. Elas pareciam diferentes. Mais maduras. Havia uma aliança de ouro branco no meu dedo anelar. Uma aliança que eu nunca tinha visto na vida.

"E a minha arte? Minha capoeira?", perguntei, o pânico crescendo na minha garganta.

Clara hesitou. Olhou de relance para Thiago, que permanecia em silêncio, uma estátua de gelo.

"Você... você não pinta mais na rua. Só faz umas aquarelas... delicadas. E a capoeira... você parou. Vendeu seu berimbau."

"Vendi meu berimbau?", a frase soou absurda. "O berimbau do Mestre João? Nunca."

Aquele berimbau era minha alma. Feito à mão, um presente do meu mestre. Era uma extensão de mim.

"Você fez isso para agradar a família dele", Clara disse, com a voz cheia de uma tristeza antiga. "O casamento de vocês foi... discreto. Nunca foi anunciado publicamente. Para proteger a imagem séria dele."

A imagem séria dele. As palavras me atingiram como pedras.

Então eu tinha me apagado. Tinha me tornado uma sombra, uma imitação de mulher que eles queriam que eu fosse.

Uma raiva súbita e quente ferveu dentro de mim. Era a raiva da Bela de 19 anos, impulsiva e que não levava desaforo para casa.

Arranquei o acesso intravenoso do meu braço.

"Onde você vai?", Thiago perguntou, sua voz finalmente demonstrando alguma emoção: irritação.

"Vou tirar essa história a limpo", respondi, vestindo as roupas que estavam dobradas em uma cadeira.

Ignorei os protestos de Clara e a dor no meu corpo. Saí do hospital e peguei um táxi. Dei o endereço da sede do Grupo Almeida. O império de café que a família dele comandava.

Eu entrei no prédio imponente de vidro e aço como um furacão. A recepcionista tentou me parar, mas eu a ignorei, indo direto para o elevador executivo.

A porta do escritório de Thiago estava aberta.

Ele estava lá, em sua mesa enorme, e ao seu lado, revisando alguns papéis, estava ela.

Sofia.

Ela usava um tailleur elegante, o cabelo perfeitamente penteado. Ela sorriu para Thiago, um sorriso íntimo, cúmplice. A mulher perfeita e submissa.

A mulher que eu, aparentemente, tentei ser.

"Thiago!", chamei, minha voz ecoando no silêncio do andar.

Ele levantou a cabeça. Seus olhos se arregalaram por um segundo, depois se tornaram duas pedras de gelo.

"Segurança", ele disse no intercomunicador, sem desviar o olhar de mim. "Tirem essa mulher daqui."

"Essa mulher?", repeti, incrédula. "Eu sou sua esposa!"

Sofia me olhou com um misto de pena e desprezo. "Senhora, acho que se enganou de andar."

Dois seguranças enormes apareceram e me seguraram pelos braços. Eu me debati, mas era inútil.

"Thiago, seu covarde! Me diz na minha cara!", gritei, enquanto era arrastada para fora.

Ele não disse nada. Apenas me observou ser humilhada na frente de todos os seus funcionários, com a mesma expressão fria e distante.

De volta à mansão, que eu nem sabia que era minha casa, a verdade se tornou ainda mais feia.

Clara, que tinha me seguido, me contou tudo. O casamento arranjado para salvar os negócios da minha família. O segredo. Os quatro anos de uma vida que não era minha.

"Por que você não me contou antes?", perguntei, sentada na beira de uma cama gigantesca em um quarto que parecia um hotel de luxo, mas sem nenhuma foto, nenhum objeto pessoal.

"Você me fez prometer, Bela. Você dizia que estava feliz. Que era o certo a fazer."

Eu não conseguia acreditar. Eu tinha mentido para minha melhor amiga. Eu tinha mentido para mim mesma.

Tentei ligar para Thiago. Caixa postal. Mandei mensagens. Nenhuma resposta.

Lembrei do berimbau. Procurei pela casa inteira, um palácio frio e impessoal. Não o encontrei. Era verdade. Eu o tinha vendido.

Sentei no chão da sala de estar vazia e chorei. Chorei pela garota de 19 anos que eu era e pela mulher de 24 que eu não reconhecia.

Eu estava perdida.

Mas no fundo da minha dor, uma faísca de desafio se acendeu.

A Bela de 19 anos não desistiria tão fácil. Se essa era a minha vida, eu não ia mais aceitá-la. Eu ia lutar.

Eu não sabia como, mas eu ia pegar minha vida de volta.

Capítulo 2

Quando Thiago finalmente chegou em casa, já passava da meia-noite. O som do carro de luxo dele no cascalho da entrada foi o único ruído a quebrar o silêncio da mansão.

Eu o esperei na sala de estar, sentada no escuro.

Ele acendeu a luz, e a expressão dele se endureceu ao me ver.

"O que você ainda está fazendo acordada?", ele perguntou, afrouxand

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