Ayla era conhecida como coração de gelo, de uma beleza exuberante, com cabelos encaracolados, longos, onde ela passava encantava os rapazes assim que a viam, entretanto, todos acabavam de coração partido.
Ainda estudante e de família respeitada, que residia em um bairro humilde de uma cidade que se encontrava em desenvolvimento. Para contrariar, isso no pensamento de seus pais, decidira que iria trabalhar, ela não precisava, contudo, queria ter sua independência financeira.
Sentada no sofá que ficava na sala, em frente a uma televisão que passava uma novela qualquer, Ayla perdida em seus pensamentos não prestava atenção no que acontecia na novela, ela matutava como faria para convencer seus pais a deixarem que trabalhasse. Isso é o que mais queria em sua vida.
De supetão, se vira para sua mãe que estava ao seu lado, contudo, diferente de Ayla, D. Sofia se encontrava vidrada no que acontecia na novela.
- Mãe, vou trabalhar! - Afirmou de uma vez, o mais rápido que podia, com medo da reação de sua mãe fechou os olhos se encolhendo no canto do sofá.
O medo tomava conta do ser de Ayla, medo de apanhar, mesmo sabendo que sua mãe não era esse tipo de pessoa, ela num primeiro momento, escutava o que tinham a dizer para depois tomar uma decisão mais drástica. O que a categorizava como uma pessoa mais da conversa primeiro.
Sofia lhe lança um olhar atravessado e que ao mesmo tempo transmitia confusão. Sua mãe já esperava que algo do tipo viesse a acontecer, só não esperava que fosse tão cedo, infelizmente o dia em que seu bebê abriria as asas e voaria chegara, com uma dor no coração teve de aceitar, mesmo contrariada.
- Minha filha, vem cá. - D. Sofia disse se ajeitando no sofá, abrira os braços para que sua filha se aninhasse em seu colo uma última vez. Ayla, meio acanhada, se aconchega no colo de sua mãe que automaticamente começara a fazer um cafuné na filha - Meu bebê nunca precisou trabalhar, por que agora viu a necessidade de procurar um emprego?
- Sei lá, mãe, é que eu quero ter a minha independência - Ayla disse se aconchegando mais no colo de sua mãe.
- Minha filha, pode ser tanto uma boa experiencia quanto uma má experiencia, você pode se machucar, ou não aguentar calada os abusos que pode vir a ocor...
- Mas mãe, eu sei muito bem me cuidar, e sei me defender desse tipo de pessoa, eu sei lidar com elas. E a senhora sabe melhor que todos que quando eu quero uma coisa eu a consigo. - Irmã disse interrompendo a mãe se levantando do sofá em um pulo.
Dona Sofia se levantou do lugar em que estava, segurou o rosto da filha com as duas mãos acariciando suas bochechas com os dois polegares, abrindo um sorriso, disse:
- Sim, eu sei que sabe se cuidar minha filha, mas como você sabe é a preocupação de mãe que fala mais alto. - Sofia disse fazendo uma pausa, pega o controle da tv a desligando. - Você nunca nos deu uma decepção, e ficaríamos muito decepcionados e tristes, não sei se conseguiríamos aguentar caso nos decepcione, Ayla.
Ela olha para sua mãe séria, como nunca antes tinha ficado.
- Caso algo aconteça espero que tenha a ajuda e o apoio de vocês que são o meu porto seguro - Ayla disse se encaminhando para a cozinha, depois de tanta conversa sua garganta seca necessitava de água urgente.
Enquanto bebia água em um copo de vidro, sua mente não parava, pensava em n possibilidades de poder convencer seus pais a deixarem ela trabalhar, de forma alguma queria esperar seus vinte e um anos, Ayla já se considerava velha demais, apesar de seus dezessete anos serem considerados jovem demais, ela se sentia mais velha do que realmente era, já vendo a necessidade de sair para trabalhar e finalmente ter sua independência financeira.
**
Vestida com uma blusa azul de alça fina, uma calça jeans surrada de tanto que Ayla a usava, e um tênis All star preto de cano alto, que ganhou de aniversário a uns anos atrás. Agora estava pronta, iria na casa de sua amiga.
- Mãe - Ayla gritou não esperando por uma resposta logo continuou - Estou indo na casa da Sara - Disse já saindo portão afora.
Ela andava apressada pela rua, a ansiedade palpitava em seu peito, um sorriso estampava sua face, para todos naquela tarde era perceptível que Ayla se encontrava feliz.
Andava cada vez mais rápido, precisava ver Sara o mais rápido possível, sentia uma urgência em contar tudo para a amiga, necessitava de uma opinião que não fosse a sua. Ela nunca se sentia tão feliz como se encontrava naquele momento.
"Todos devem estar estranhando o comportamento da 'coração de gelo'." Pensou rindo por ter pensado de si própria em ter pensado em terceira pessoa, ao mesmo tempo que era estranho acabava sendo engraçado, o que causou uma crise de risos.
Sara morava a dois quarteirões da casa em que Ayla morava, o que levava cerca de 17 minutos para ela percorrer a pé, já na metade do caminho, cansada, e esbaforida fez uma pausa, se escorando em uma árvore que ficava em frente a uma casa.
Ali, pingando suor, o dia estava extremamente quente, quase se arrependia de ter saído de casa quando veio a sua mente o motivo de ter saído. Com as energias renovadas continuou seu caminho, precisava ver sua amiga.
Finalmente tinha chegado ao portão da casa de Sara, tocou a campainha duas vezes, não demorou muito para escutar a voz de sua amiga com um "Já vai".
Quando Sara abriu o portão, abrira um sorriso, logo começando a fazer mil e uma perguntas que acabara por deixar Ayla zonza, contudo, se não perguntasse não era sua amiga.
- E que sorriso bobo no rosto é esse? - Sara perguntou logo que entraram na casa - E não finja de egípcia pois seus olhos te entregam, estão com um brilho diferente.
Sara disse sugestiva segurando no pulso de Ayla a conduzindo para seu quarto.
- Não tenho nada demais para cont...
Ayla foi interrompida por Sara.
- O que disse mesmo? - Perguntou.
- Para não fingir de egípcia? - Ayla perguntou fingindo insegurança, Sara simplesmente concordou com um aceno de cabeça.
- Agora desembucha que não tenho o dia todo. - Brincou, ambas sabiam que Sara não iria a lugar algum.
- Calma! - Ayla pediu - Vou te contar tudo, mas já te adianto que não é nada demais. - Conclui na tentativa de acalmar a ansiedade da amiga.
- Mesmo assim eu quero saber... - Sara disse implorando para que Ayla contasse logo e parasse de enrolação.
Assim que entraram no quarto de Sara, Ayla foi logo se sentando na cama da amiga, que também se sentou.
- Agora conta vai. - Sarah disse segurando no braço direito de Ayla o balançando em súplica.
Com um revirar de olhos, Ayla se soltou do agarre da amiga.
- Tá bom, então. - Ela disse sendo vencida pela insistência de Sara. - Eu vou trabalhar!
- Tá bom, então. - Ela disse sendo vencida pela insistência de Sara. - Eu vou trabalhar!
Sara a olhou diferente, Ayla não sabia dizer o que se passava na mente de sua amiga, o receio e a curiosidade, ambas tomam conta do ser de Ayla, que infelizmente não fazia a menor ideia do que esperar de Sara, com certeza viria algum questionamento.
- O que seus pais falaram? - Perguntou demonstrando uma curiosidade genuína logo emendou - Deixaram você trabalhar?
Foi nesse instante que o sorriso de Ayla cresceu, realmente não esperava por essa pergunta, nem pensou muito já respondendo:
- É claro que deixaram. - Ayla disse alegremente, já não se aguentando de tanta felicidade.
- Mas você sabe que é bem complicado o que você quer, não sabe? - Sara perguntou se ajeitando no lugar onde estava sentada.
- Sara, você sabe muito bem que o que eu quero eu consigo, e não é por ser difícil que abaixarei a cabeça e me darei por vencida, muito menos deixarei que coloquem um cabresto em minha cabeça assim me controlando. - Começou a responder timidamente, na medida em que ia falando seu tom de voz ia ganhando força e convicção.
- Entendi. - Sara disse pensando no que dizer logo em seguida. - Você é bem diferente das outras garotas que conheço. - Disse fazendo uma pausa, umedecendo os lábios ressequidos continuando logo em seguida - Você não se preocupa com o que está vestindo, não dá a mínima com o que falam ou deixam de falar de você, e muito menos se enfeita na tentativa de conquistar os rapazes, em contrapartida sempre tem uns na sua, e que vivem atras de você.
Ao ouvir uma descrição tão precisa de si, Ayla fica desconcertada, logo procurando mudar de assunto.
- Vamos na praça? - Perguntou se sentindo um tanto mal por mudar de assunto tão repentinamente, contudo esperava que Sara a compreendesse. Ayla nunca foi o tipo de pessoa que gostava de falar sobre si, muito menos curtia levar seus problemas para sua amiga, que já tinha tantos em sua vida. Ela acreditava ser desnecessário incomodar os outros com seus problemas bestas.
Sara em um primeiro momento não entendeu a mudança de assunto, mas logo em seguida compreendeu que a amiga não queria falar sobre sua vida, o que se tratando de Ayla era normal, ela nunca contava muito de sua vida, gostava de resolver seus problemas sozinha.
Elas saíram animadas, ambas sorridentes, caminhavam lado a lado, a felicidade transbordava das duas amigas inseparáveis. A casa de Sara ficava relativamente perto da praça, a distância era de um quarteirão.
Ao chegarem no seu destino, Ayla e Sara perceberam que a praça não estava cheia, havia alguns grupos de rapazes e moças que conversavam distraidamente.
O lugar estava muito bonito segundo Ayla que não passeava por ali a bastante tempo, as árvores, bem cuidadas, os bancos que antes eram escalpelados, agora pintados em diversas cores. O clima começara a esfriar, que era indicativo de uma noite fresca e agradável.
- Vamos nos sentar naquele banco! - Ayla afirmou de repente, o que pegou Sara totalmente de surpresa. - Não sei, mas me sinto tão bem aqui!
Sem saber bem o que dizer, Sara anui em concordância, seguindo Ayla para onde a amiga desejava se sentar.
- Sabe de uma coisa que me veio a mente, - Sara começou tocando no ombro direito de Ayla, ambas já tinham se sentado. - Me lembro de quando nos sentamos aqui, e conversamos horrores... Você sempre fazendo o possível para me entender, a unica coisa que não me recordo é de você me procurar para lhe ajudar a resolver algum pepino que se encontrava, ou até mesmo para desabafar sobre algum fato que estivesse lhe incomodando.
Ayla não sabia o que dizer ou até mesmo o que fazer para que sua amiga se sentisse melhor, realmente ela estava magoada. Sara acreditava que Ayla não confiava nela, o que não era verdade. Ayla, em um silêncio incômodo que já durava séculos, pensava em uma forma de responder sua amiga que esperava ansiosa por sua resposta.
- Sara - Começou se virando para sua amiga, nesse momento olhava dentro dos olhos de Sara, torcia para que estivesse passando confiança - Nunca te procurei para pedir ajuda ou um conselho, porque nunca algo de importante tinha acontecido em minha vida, ou melhor, nunca tive pepinos a serem resolvidos.
Ambas riram com a última frase que Ayla acabara por dizer.
Já mais aliviada por ver que a amiga não estava mais magoada, e feliz por ter encontrado as palavras certas para dizer.
- Quando tiver um problema você será a primeira a saber. - Ayla disse completando o que disse anteriormente.
Sara anui em concordância, exibindo um sorriso exuberante de felicidade.
- Já que confia em mim, quero lhe fazer duas perguntas. - Sara disse só a pura animação. Já Ayla viu sua felicidade ir por água abaixo, o que ela menos gostava era das perguntas de sua amiga, na maioria das vezes elas eram intrusivas demais para o seu gosto. Sem muito saber o que fazer, concordou em um sussurro praticamente inaudível.
- Porque você não fala nos seus irmãos?
Ayla não gostava de falar de seus irmãos, mas teria que dizer algo, mesmo não gostando, assim tentou dizer de uma forma sucinta.
- É que meus irmãos não gostam de mim. O meu irmão me detestava, sempre que podia plantava picuinhas entre os meus pais e eu. A minha irmã sempre que se chateava com algum acontecimento do seu dia, descontava tudo em mim. - Ayla fez uma pausa, tentando colocar os pensamentos em ordem para assim poder continuar - E também porque meu pai vivia me enchendo de responsabilidades, acho que eles queriam, a todo custo, estar no meu lugar. Eu tinha a reputação de ser sempre a certinha.
Ayla terminou na expectativa de a amiga ter se sentido satisfeita com sua resposta. Olhou para Sara que instantaneamente percebera que sua amiga tinha perdido todo o brilho que antes seus olhos transmitiam. No mesmo instante Sara se arrependeu de ter tocado no assunto, realmente não deveria ter feito isso com Ayla, é verdade que tinha suspeitas de ela não se dar bem com sua família, mas o que contou a surpreendeu, não esperava por isso.
- Desculpa! Eu não deveria ter te perguntado. - Sara se repreendeu se sentindo culpada por ter tocado no assunto. - Droga! Eu e essa minha curiosidade!
- Não precisa se desculpar. Só vamos trocar de assunto, ok?
Sara nem pensou direito, logo anuindo em concordância, o que não era do seu feitio.
Nesse instante Sara olhou para um trailer que ficava ao norte da praça, algumas pessoas estavam sentadas em cadeiras comendo e conversando, e no meio dessas pessoas o primo de Ayla acabava de se sentar em uma mesa que se encontrava vazia, o mesmo acompanhado de um de seus amigos.
- Ayla, vamos tomar um refrigerante? - Sara perguntou se virando para a amiga, alegria exalava de Sara, foi naquele momento que Ayla percebera que tinha caroço nesse angu.
Como previu, o anoitecer era fresco, o que tornava muito agradável o ambiente em que se encontravam, entretanto, ela estava com calor sufocante. Ayla, prestes a aceitar o convite de Sara quando olhou para a direção do trailer e viu Jonas, ali teve a certeza de que realmente tinha caroço no angu.
"Então esse é o motivo de tanta felicidade?" Ayla se perguntou em pensamentos, incrédula com a banalidade que Sara se tratava, onde é que Ayla ficaria tão feliz com um rapaz. Só mesmo sua amiga para ficar assim.
- Acho que não, Sara. - Pensando rápido usou uma desculpa que a amiga não refutaria em hipótese alguma, pois mexer no bolso da onça era a mesma coisa que estar morto. - Sabe... é que não trouxe dinheiro.
- Isso não é problema. Eu pago a conta. - Sara continuou muito zombeteira - Amigos são para essas coisas.
Ayla sentiu vontade de sair correndo e não olhar para trás, mas mesmo relutante e se controlando para não voar no pescoço de Sara, seguindo a amiga.
Atravessaram a praça de sul a norte para chegarem no destino que desejavam. Fingindo não ter visto seu primo, Jonas, Ayla se dirige a uma mesa que se localizava em um lugar mais afastado de onde seu primo se encontrava com seu amigo. infelizmente ela não foi rápida o suficiente pois Jonas já havia a visto.
- Querida priminha do meu coração, onde pensa que vai? - Jonas disse extremamente sorridente.
- Indo sentar - Ayla respondeu em um tom seco, quase se tornando agressivo, pois da ultima vez que se viram tinham brigado, era realmente coisa de família que briga, briga e depois está bem, pelo menos Ayla era assim com seu primo, eles se davam bem, entretanto brigam muito.
- De maneira alguma! Vocês se sentaram com a gente. - Jonas disse mudando de assunto para não dar tempo de Ayla formular uma resposta negativa. - Quero te apresentar meu amigo Mauro. Mauro, essas são minha prima Ayla, que como pôde notar tem um gênio difícil e sua amiga Sara.
- Muito prazer em conhecer vocês - Mauro que era um rapaz muito gentil se levantou comprimentando-as.
- O prazer é nosso em te conhecer Mauro. - Ayla se surpreendeu em ter dito que o prazer era "nosso".
"O que diabos está acontecendo comigo?" Se perguntou ainda extasiada com sua atitude.
Ela se sentou longe de seu primo, pois, Sara havia deixado o pobre Mauro de lado após terem sido apresentados, Ayla se perguntava internamente o que seria de sua amiga? Balançou a cabeça negativamente enquanto observava sua amiga que estava praticamente se jogando para Jonas e ele era incapaz de ver.
Logo após se acomodarem na mesa, o garçom veio na direção em que o grupo se encontrava para atendê-los, por consequência impediu que a conversa começasse para o alívio de Ayla.
- Priminha do meu coração. - Jonas começou de um jeito que Ayla já sabia o que viria pela frente, mesmo com raiva decidiu esperar e ver o que seu amado primo tinha a lhe dizer. - Será que me dará a honra em saber como está sua vida ultimamente, porque da ultima vez que te fiz a pergunta você acabou nao me respondendo.
Ayla abriu a boca para responder seu amado, nem tanto assim, primo, quando fora impedida por Sara.
- Você ainda não sabe Jonas? Ela vai trabalhar!
Com raiva, não raiva era pouco para o que Ayla sentia naquele momento, lançou um olhar raivoso e ao mesmo tempo discreto para Sara, sua vontade naquele exato momento era de matar Sara, como ela podia fazer uma coisa dessas com ela?
Jonas, ignorando totalmente a existência de sua amiga, o que era um tanto engraçado, atravessou o braço pela mesa pegando a mão de Ayla.
- Que maravilha, priminha! Porque não me contou que queria trabalhar? Eu poderia ter a ajudado a encontrar um emprego.
Ayla já se estressara com a maneira que Jonas a estava tratando, ela nunca gostou que a tratassem com diminutivos, e seu querido primo sabia muito bem disso, e se fazia era simplesmente para estressá-la.
- Agradeço sua generosidade e seu interesse - Ayla disse calma e sarcasticamente - Mas decidi a alguns dias.
Jonas não conseguiu crer na calma em que Ayla proferiu as palavras, pois o tom de sarcasmo nas palavras não o surpreendia, além de seus olhos estarem fartos daquela conversa. Ele decidiu deixá-la de lado, se voltando para Sara, com um interesse excessivo, apesar de não ter nada de interesse amoroso nela.
- E você Sara, não vai trabalhar também? - Jonas pegou Sara de surpresa com sua pergunta.
- Eu? Imagine, eu trabalhando? Nunca. Os meus pais nunca me deixariam trabalhar. Além do mais, trabalhar é pra quem precisa ou não tem nada de mais interessante para fazer.
Jonas olhou para o lado, certificando-se de ter entendido bem a indireta para sua prima, que lançava um olhar raivoso para Sara.
- Vejo que tem um pensamento muito "prático". - Jonas disse zombeteiro, mal conseguindo conter o riso. - E o que você vai fazer quando se casar?
- Vou ter uma empregada. - Sara disse como se fosse a coisa mais normal na vida ter uma empregada.
Ayla pensou como os dois tinham paciência de conversar coisas tão banais. Não conseguindo mais aguentar, olhou para o relógio, eram 20:00 horas. Achou que já havia demorado demais na rua.
- Acho que já está na hora de ir. - Levantou rápido, pois ansiava em acabar com aquela conversa sem sentido - Prometi para minha mãe que não iria demorar. - Ayla disse se justificando para os demais que estavam à mesa.
- Eu acompanho você! - Mauro disse se oferecendo com muita cortesia - Será um grande prazer te acompanhar até sua casa - Finalizou sorrindo esbanjando uma alegria que Ayla não compartilhava.
Ayla não gostou nem um pouco da ideia que Mauro deu, mas não podia ficar ali por mais tempo.
- Está bem! - Ayla concordou tentando esconder a infelicidade transparente em sua voz - Até mais gente.
- Ei, espera um minuto. - Jonas disse contrariado, o que a pegou totalmente de surpresa. - Você vai saindo assim, sem se despedir de mim. - Como sempre Jonas reclamou do tratamento recebido. Ayla sempre brigava com o primo por esse motivo, ele era meloso demais para seu gosto.
- Já me despedi de todos. - Disse com raiva continuando com sarcasmo transparente na voz. - Você não ouviu?
Jonas se levantou no automático, parecia um robô, não deixava transparecer nenhuma emoção, no que ele se aproximou, Ayla pode ver um brilho diferente em seu olhar, infelizmente ou felizmente não prestava tanta atenção em Jonas para detectar que emoção seu olhar transmitia, raiva ou ódio, realmente ela não se importava. Ayla estava nenhum pouco interessada em saber.
- Eu só queria que você se despedisse de mim direito. - Jonas disse fazendo um bico de todo tamanho, o que fez com que Ayla revirasse os olhos.
Em um gesto rápido ele segurou o rosto de Ayla, beijando sua testa, ela não moveu um músculo, odiava quando Jonas agia de forma tão amável. Controlando os nervos para não pular no pescoço de seu "amado primo" se despedindo mais uma vez.
- Você não tem medo de andar sozinha a noite? - Mauro disse depois de alguns minutos que andavam em um silencio, que para Ayla estava muito agradável, entretanto pelo que pôde perceber não era tão agradável para Mauro que tentando puxar assunto a todo custo. Ayla não gostava de conversas fúteis, se sentia menos do que era com conversas daquele cunho.
- Não vejo problema nenhum, além do mais é aqui perto. - Respondeu tentando esconder que não estava tão à vontade com a conversa.
Um silêncio predominou o restante do caminho, o que Ayla dera graças a Deus. Ao chegarem na esquina da rua onde morava, ela apressada se virou para Mauro dizendo um até mais rápido e direto saindo andando o mais rápido que conseguia.
- Ayla! - Mauro a chamou que assim que escutou parou, olhou para tras olhando-o como se dizia o que foi? Com um sorriso de canto nos lábios Mauro se aproximou de Ayla. - Tem uma coisa que preciso te dizer..., mas você pode me achar um estranho.
- Se não falar não vou saber dizer se é ou não é um estranho. - Ayla disse sucinta.
- Desde o primeiro momento que te vi eu me encantei, amei o seu jeito, queria te conhecer melhor, e quem sabe poder namorar... - Marcus fez uma pausa, olhou para ela,, seus olhos mesmo em um lugar pouco iluminado como sua rua era, ela conseguia perceber um brilho diferente neles. - Pode achar que estou brincando, mas não estou.
Ayla assustada com tudo aquilo que saíra da boca do rapaz que conhecia a pouco tempo, para ser mais preciso a poucas horas e vendo que a expressão dele era séria e sincera, o medo a assolou, não sabia o que responder, por isso desviou o olhar dos dele, permanecendo em silêncio.
- Será que posso ter alguma esperança?
Ela notou que ele queria falar mais, entretanto a insegurança tomava conta dele, era muito provável que estivesse esperando-a falar alguma coisa para depois continuar seja lá o que estivesse falando. Ayla não podia mentir e muito menos falar algo que o machucasse, mas preferiu dizer a verdade mesmo que doa mais nele do que nela.
- Não posso te prometer nada, Mauro. - Ayla disse respirando fundo. - Mas podemos ser amigos.
Agora quem se sentia insegura era Ayla, esperava por uma resposta favorável para aquela situação embaraçosa em que ambos se encontravam.
- Você está certa. - Mauro disse com um enorme nó em sua garganta que impedia sua voz de sair limpa, mesmo com a voz rouca continuou. - Devo estar parecendo um louco varrido de falar tal coisa para uma garota que conheço a horas. - Finalizou segurando um riso de nervoso.
Ao escutar o que Mauro acabara de dizer seus pensamentos se acalmaram. Ayla podia ser considerada a "coração de gelo", entretanto isso era só uma grossa camada de proteção. Ao que tudo indicava para ela, Mauro conseguira rachar essa grossa proteção.
- E você também é um rapaz diferente dos outros acredito que seremos grandes amigos - Ayla disse tentando ignorar seu coração que batia acelerado, sem entender muito bem o que acontecia com seu corpo, aquilo nunca lhe aconteceu, para ela era uma situação totalmente nova.
- Eu queria ser mais que um amigo, mas aprendi a me satisfazer com o que as pessoas estão dispostas a me oferecer. - Mauro disse se despedindo de Ayla com um forte abraço.
Ali, dentro daquele abraço, seu coração bateu cada vez mais rápido, Ayla teve a impressão de que o órgão sairia pela boca.
"Pelo visto seremos grandes amigos!" Exclamou em pensamentos à medida em que saía do abraço. Sem dizer mais nenhuma palavra, Ayla dá as costas para Mauro indo para casa.