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O Dia do Casamento Dele, A Vingança Perfeita Dela

O Dia do Casamento Dele, A Vingança Perfeita Dela

Autor:: Neilla Steedly
Gênero: Bilionários
Eu encontrei Caio Arruda sangrando em um beco e o transformei em um rei da Faria Lima. Eu ensinei tudo a ele, dei um império e fiz dele meu marido secreto. Ele era minha obra-prima. Então, a nova namorada influencer dele me mostrou uma gravação. Ouvi a voz que eu mesma criei me chamar de sua "carcereira", sua "muleta", a "velha que acha que é minha dona". Mas isso era só o começo. Ele usou o poder que eu lhe dei para demolir a ala de oncologia pediátrica que construímos em memória de nossa filha natimorta, Esperança. Ele estava erguendo um spa de luxo sobre os escombros como presente para sua nova amante. Ele ainda teve a coragem de me dizer na cara: "Talvez se você não fosse tão obcecada pelo trabalho, Esperança ainda estaria aqui." O homem que eu ergui do nada estava tentando apagar toda a nossa história, incluindo nossa filha morta. Ele achou que podia simplesmente me destruir e construir sua nova vida sobre minhas cinzas. Então, quando me enviaram um convite para o casamento deles, eu aceitei. Afinal, é importante dar a um homem um dia de felicidade perfeita antes de destruí-lo por completo.

Capítulo 1

Eu encontrei Caio Arruda sangrando em um beco e o transformei em um rei da Faria Lima. Eu ensinei tudo a ele, dei um império e fiz dele meu marido secreto. Ele era minha obra-prima.

Então, a nova namorada influencer dele me mostrou uma gravação. Ouvi a voz que eu mesma criei me chamar de sua "carcereira", sua "muleta", a "velha que acha que é minha dona".

Mas isso era só o começo.

Ele usou o poder que eu lhe dei para demolir a ala de oncologia pediátrica que construímos em memória de nossa filha natimorta, Esperança. Ele estava erguendo um spa de luxo sobre os escombros como presente para sua nova amante.

Ele ainda teve a coragem de me dizer na cara: "Talvez se você não fosse tão obcecada pelo trabalho, Esperança ainda estaria aqui."

O homem que eu ergui do nada estava tentando apagar toda a nossa história, incluindo nossa filha morta. Ele achou que podia simplesmente me destruir e construir sua nova vida sobre minhas cinzas.

Então, quando me enviaram um convite para o casamento deles, eu aceitei. Afinal, é importante dar a um homem um dia de felicidade perfeita antes de destruí-lo por completo.

Capítulo 1

Glória Franco era doze anos mais velha que Caio Arruda.

Era um número do qual ela se lembrava toda vez que olhava para ele.

Ela o encontrou em um beco sujo atrás de um boteco imundo no Capão Redondo, sangrando por um corte acima do olho.

Ele era bolsista na FGV, brilhante e quebrado, lutando em rinhas ilegais para pagar as contas do hospital da mãe.

Naquela noite, ele parecia um animal encurralado.

Havia fome em seus olhos, não apenas de comida, mas de tudo que ele não tinha.

Ele era selvagem.

Ele era resiliente.

Ela viu a matéria-prima de um predador, do tipo que poderia dominar a Faria Lima se recebesse as armas certas.

Então, ela o acolheu.

Ela o limpou, pagou suas dívidas e lhe deu um lugar à sua mesa.

Ela o ensinou a se vestir, a falar, a desmontar uma empresa peça por peça e vendê-la com lucro.

Ele aprendeu rápido.

Em dez anos, ele passou de um lutador de beco a um prodígio dos fundos de investimento, o menino de ouro do mercado financeiro de São Paulo.

Ele era sua maior criação.

Sua obra-prima.

Seu marido secreto.

Então veio Kaila Contreras.

Ela era uma influencer, mal tinha idade para beber legalmente, com um rosto esculpido por cirurgias e uma ambição tão afiada e suja quanto uma faca de prisão.

Glória a conheceu em uma gala de caridade. Kaila, de braços dados com Caio, olhou Glória de cima a baixo, com um sorrisinho nos lábios.

"Então você é a lenda", Kaila disse, sua voz escorrendo uma falsa reverência. "Caio fala de você o tempo todo. A... mentora dele."

A palavra foi um insulto cuidadosamente escolhido.

Naquela noite, Kaila a procurou novamente, encontrando Glória na quietude de sua cobertura com vista para o Parque Ibirapuera.

Kaila estava parada ali, segurando o celular.

"Achei que você deveria ouvir isso", disse ela, com um sorriso largo e cruel.

Ela apertou o play.

Uma gravação começou. A voz de Kaila, dando risadinhas. "Me diz de novo como você a chama."

Então a voz de Caio, suave e familiar. A voz que ela havia moldado.

"A carcereira", disse ele, seguido por uma risada baixa. "Minha linda, brilhante e sufocante carcereira."

"E o que mais?", Kaila insistiu.

"Minha coleira. Minha muleta. A velha que acha que é minha dona porque me tirou da sarjeta."

A gravação continuou, cada palavra um golpe calculado para ferir.

Ele falou da idade dela, de seu controle, de seu sentimentalismo patético por sua filha natimorta.

Ele a chamou de um mausoléu ambulante.

Glória ouviu sem vacilar, seu rosto uma máscara de pedra.

Ela o construiu do nada. Ela lhe deu um mundo com o qual ele só podia sonhar e, em troca, ele a via como uma prisão.

A ironia era cortante. Ele reclamava da jaula, mas havia esquecido que foi ele quem implorou para entrar.

Quando a gravação terminou, Kaila parecia triunfante.

"Ele é meu agora", declarou ela.

Glória não respondeu. Ela simplesmente olhou para além de Kaila, em direção ao corredor.

Seu assistente, Marcos, apareceu, seguido por dois seguranças. Eles carregavam um objeto grande, embrulhado em lona.

"Um presente de casamento", disse Glória, com a voz calma. "Para você e o Caio."

Eles colocaram o objeto no chão e o desembrulharam.

Era a cabeça empalhada do garanhão negro premiado de Caio, um cavalo pelo qual ele pagara um milhão de reais. Seus olhos de vidro estavam arregalados e aterrorizados.

Kaila gritou, um som estridente e feio que ecoou na vasta sala.

A porta do escritório se abriu com um estrondo.

Caio estava lá, o rosto pálido de fúria. Ele tinha uma arma na mão, uma Sig Sauer preta e elegante.

Ele a apontou diretamente para o coração de Glória.

"Sua desgraçada", ele rosnou.

Glória nem sequer olhou para a arma. Ela encontrou os olhos dele, seu próprio olhar vazio e frio.

"Você sabe que eu tenho um atirador do outro lado da rua mirando na sua cabeça agora mesmo, Caio."

Ela estava mentindo, mas ele não sabia disso.

"Eu te ensinei a calcular riscos", ela continuou, sua voz um murmúrio baixo. "Esse é um risco que você está disposto a correr?"

Ele deu um passo à frente, a arma firme. Ele não era mais o garoto que ela encontrou no beco, mas ainda tinha aquele mesmo brilho selvagem nos olhos.

Ele estava maior agora. Mais perigoso. Polido pelo dinheiro dela e pelo próprio sucesso.

"Você foi longe demais, Glória."

"Guarde o drama, Caio. É entediante."

Ela assentiu levemente.

Um zumbido baixo começou, e os olhos de Caio piscaram para cima.

Ele seguiu o som até o teto alto e abobadado da sala de estar, onde uma seção do gesso ornamentado havia se retraído.

Kaila estava lá.

Ela estava suspensa a quinze metros no ar, presa a um sistema de guincho, seus braços e pernas se debatendo.

"Caio!", ela gritou, sua voz fina de terror.

O rosto de Caio ficou branco. Ele olhou, paralisado, enquanto o guincho a baixava lentamente alguns metros, depois parava com um solavanco.

"Toda vez que você disser algo que eu ache cansativo", disse Glória, em tom de conversa, "ela desce três metros. O chão é de mármore. O impacto, me disseram, seria bastante definitivo."

"Caio, me ajuda!", Kaila soluçou, seu rímel escorrendo em listras pretas pelo rosto.

A cabeça de Caio se voltou para Glória, seus olhos ardendo com uma raiva desesperada e assassina.

"Eu vou te matar!"

Ele ergueu a arma novamente.

De repente, uma dúzia de seguranças pessoais de Glória materializou-se das sombras da cobertura, suas próprias armas sacadas e apontadas para ele.

O ar crepitava de tensão.

Caio estava cercado, mas seu olhar nunca deixou Glória.

Glória ergueu uma única mão, lânguida.

"Recuem", ela ordenou.

Seus homens abaixaram as armas, mas não as guardaram.

Antes que Caio pudesse processar, ela se moveu. Ela cobriu a distância entre eles em três passos rápidos, seus movimentos fluidos e impossivelmente velozes. Ela agarrou o pulso dele, torcendo-o bruscamente.

Um estalo medonho ecoou na sala silenciosa.

A arma caiu no chão.

Caio gritou, um som de pura agonia, e caiu de joelhos, agarrando o pulso quebrado.

Glória olhou para ele, sua expressão inalterada.

"Dói?", ela perguntou, sua voz desprovida de simpatia. "Ótimo."

Ele se ajoelhou no chão, o suor brotando em sua testa, seu rosto contorcido de dor.

"Deixa ela ir", ele ofegou. "Por favor. Ela não tem nada a ver com isso."

"Ela tem tudo a ver com isso", Glória o corrigiu calmamente. "Ela foi o instrumento da sua traição."

O guincho zumbiu novamente, e Kaila foi baixada em segurança até o chão. Ela se desvencilhou do cinto e correu para Caio, soluçando histericamente.

Ele a envolveu com o braço bom, puxando-a para perto, murmurando palavras de conforto em seu cabelo.

Observando-os, Glória sentiu uma estranha sensação de distanciamento.

Era um eco doloroso.

Ele costumava abraçá-la daquele jeito.

Depois que os médicos lhes disseram que sua filha, Esperança, havia nascido morta.

Ele a segurou por horas no quarto de hospital estéril e silencioso, seus braços um escudo contra o peso esmagador de sua dor.

"Eu nunca vou te deixar", ele sussurrou, a voz embargada pelas lágrimas. "Nós vamos superar isso. Juntos. Eu juro."

Ele havia escolhido o nome Esperança. Ele havia projetado o quarto do bebê. Ele até comprou um cavalinho de madeira minúsculo, feito à mão, prometendo ensinar sua filha a cavalgar um dia.

Essa promessa, como todas as outras, agora era apenas cinzas.

"Ela matou o próprio bebê!", Kaila gritou de repente, apontando um dedo trêmulo para Glória. "O Caio me contou! Ela era tão obcecada por trabalho que matou o bebê dentro da barriga!"

As palavras pairaram no ar, afiadas e venenosas.

"Cala a boca, Kaila", Caio retrucou, a voz áspera. Ele sabia que aquela era a única linha que nunca deveria ser cruzada.

Era a mentira que ele havia construído para si mesmo, uma forma de absolver sua própria culpa por não estar lá quando Glória desmaiou de exaustão.

Ele estava fechando um negócio em Tóquio. Um negócio que ela havia orquestrado para ele.

Kaila começou a chorar de novo, um som teatral e engasgado.

Caio se levantou com dificuldade, puxando a mulher mais jovem com ele.

Ele a aninhou contra o peito como se ela fosse feita de vidro.

Ele olhou para Glória uma última vez antes de se virar para sair, seus olhos cheios de um ódio frio e puro.

"Você vai se arrepender disso pelo resto da sua vida."

Capítulo 2

Caio não voltou para a cobertura.

Em vez disso, sua vingança começou sutilmente, uma série de movimentos calculados no tabuleiro de xadrez da Faria Lima.

Glória sentou-se em seu escritório, ouvindo Marcos entregar o relatório da manhã, um Doberman branco descansando a cabeça em seu colo. Ela acariciou a cabeça elegante do cachorro, suas orelhas se contraindo ao som da voz calma de Marcos.

"Arruda iniciou uma aquisição hostil das Indústrias Chen, um de nossos principais parceiros estratégicos no setor de tecnologia."

A mão de Glória parou na cabeça do cachorro.

"Ele também está vendendo a descoberto nossa posição na Bio-Gen, aproveitando as informações que obteve enquanto trabalhava aqui."

Ela permaneceu em silêncio, o olhar fixo no horizonte.

"E, Sra. Franco", Marcos continuou, sua voz hesitante pela primeira vez. "Há mais uma coisa."

Ele fez uma pausa.

"As licenças de demolição para a ala leste do Sírio-Libanês foram aprovadas esta manhã."

O Doberman choramingou, sentindo a tensão súbita em sua mão.

A ala leste.

A Ala Pediátrica de Oncologia Esperança Franco.

A ala que eles haviam financiado em memória de sua filha.

O aperto de Glória se intensificou na coleira do cachorro, um espasmo involuntário de raiva. O Doberman latiu de dor.

Ela imediatamente soltou o aperto, sua respiração presa na garganta.

"Repita isso", disse ela, a voz perigosamente baixa.

"O Sr. Arruda usou sua posição no conselho do hospital para acelerar a demolição", relatou Marcos, com o rosto sombrio. "Ele está citando problemas de integridade estrutural, mas é mentira."

"Por quê?", a palavra foi quase um sussurro.

"Ele está construindo um spa e centro de bem-estar de luxo de última geração. Um presente... para a Sra. Contreras."

Um som escapou dos lábios de Glória, algo entre um suspiro e um rosnado.

Ela se levantou tão abruptamente que sua cadeira voou para trás e bateu na parede.

O copo de cristal Baccarat em sua mesa, cheio de água, tremeu e depois se estilhaçou no chão de mármore.

"Prepare o carro", disse ela, a voz como gelo.

O trajeto até o Sírio-Libanês foi um borrão. Quando ela chegou, a destruição já havia começado.

Um guindaste com uma bola de demolição balançava preguiçosamente em direção ao prédio, arrancando pedaços de tijolo e vidro.

A grande placa de bronze que dizia "Ala Esperança Franco" havia sido arrancada da parede e jazia descartada em uma pilha de escombros.

E ali, em meio à poeira e ao caos, estava Kaila.

Ela usava um capacete amarelo brilhante e dirigia os operários com gestos alegres e expansivos.

Ela segurava um buquê de balões cor-de-rosa.

Caio estava por perto, encostado em seu Bentley, um sorriso afetuoso no rosto enquanto a observava. Pareciam um casal feliz supervisionando a construção da casa dos seus sonhos.

O carro de Glória parou com um rangido.

Ela saiu, foi até o porta-malas e o abriu. Pegou a espingarda que guardava para viagens à sua fazenda.

Ela bateu o porta-malas. O som foi como um trovão no canteiro de obras barulhento.

Kaila se virou, seu sorriso vacilando ao ver Glória se aproximando.

"Glória! Que surpresa", ela chilreou, tentando parecer casual.

Glória ergueu a espingarda.

Ela não mirou em Kaila.

Ela mirou nos balões.

Ela atirou.

A explosão ecoou nos prédios ao redor. Os balões cor-de-rosa se desintegraram em pedaços de borracha.

Kaila gritou e se escondeu atrás de uma pilha de entulho.

"Você está louca?", Caio berrou, correndo para a frente.

Glória o ignorou. Ela engatilhou a espingarda, o som agudo e ameaçador, e atirou novamente para o ar.

Desta vez, a equipe de demolição largou suas ferramentas e correu para se proteger. O operador do guindaste congelou, com as mãos para o alto.

O silêncio caiu sobre o local.

"Todos que não são Caio Arruda ou Kaila Contreras", a voz de Glória soou, clara e imponente, "têm cinco segundos para sair. Depois disso, vou considerá-los um alvo."

Os trabalhadores não precisaram ouvir duas vezes. Eles fugiram.

Kaila espiou por trás dos escombros, o rosto pálido.

"Você é só uma velha amargurada que não suporta vê-lo feliz", ela cuspiu.

Caio se moveu para ficar na frente dela, protegendo-a com seu corpo. Foi um gesto protetor que revirou algo profundo dentro de Glória.

"Acabou, Glória", disse Caio, sua voz tingida de uma pena cruel. "Temos que seguir em frente do passado. Kaila é o meu futuro agora. Ela vai me dar um filho. Um novo começo."

Ele estendeu a mão para trás e pegou a de Kaila.

"Você sempre foi tão obcecada por trabalho, por controle. Talvez se você não fosse, Esperança ainda estaria aqui."

As palavras a atingiram com a força de um golpe físico.

"Kaila é pura", ele continuou, sua voz cheia de uma sinceridade doentia. "Ela não está manchada por todo o... pecado que nós estávamos. Este lugar... guarda muitas memórias ruins. É hora de construir algo novo. Algo lindo."

As mãos de Glória tremeram. Por um segundo, sua visão embaçou, e ela não conseguiu focar a mira da espingarda.

"Senhora?", Marcos estava ao seu lado, sua voz um murmúrio baixo de preocupação.

Ela balançou a cabeça, afastando-o gentilmente.

Ela abaixou a espingarda.

Ela passou por eles, em direção aos escombros onde a placa de bronze jazia. Ela se abaixou, seus movimentos rígidos, e ordenou que dois de seus homens a levantassem.

"Estamos de saída", disse ela, a voz rouca.

Ela se virou e começou a caminhar de volta para o carro, seus homens a seguindo com a placa pesada.

Um padre do departamento de pastoral do hospital, Padre Miguel, que esteve lá na dedicação da ala, correu até ela. Ele colocou em suas mãos a pequena caixa da pedra fundamental que havia sido deslocada. Continha uma foto dela e de Caio, e uma mecha de seu próprio cabelo.

Ela apertou a caixa contra o peito. A memória daquele dia era tão clara. Caio, com o braço ao redor dela, sorrindo para as câmeras. Ele havia prometido a ela que a memória de sua filha seria um farol de esperança para outras crianças doentes.

"Espere", Caio chamou atrás dela.

Ela parou, mas não se virou.

"Você não pode simplesmente levar isso", disse ele. "Faz parte da história do hospital. Nós podemos... incorporá-lo ao novo design do spa. Uma homenagem."

"Sim!", Kaila acrescentou ansiosamente. "Poderíamos colocar na sala de banho de lama!"

Glória não respondeu. Ela apenas continuou andando.

Caio se lançou sobre ela, tentando pegar a caixa.

Seus guarda-costas o interceptaram instantaneamente, prendendo seus braços atrás das costas.

Ela finalmente se virou para encará-lo, seus olhos tão mortos quanto um céu de inverno.

"Isso nunca foi sobre negócios, Caio", disse ela, sua voz plana e uniforme. "Mas você transformou em extermínio."

"A partir de agora, cada vez que você respirar será um presente meu. E eu virei cobrar."

Capítulo 3

Caio não voltou para a cobertura por duas semanas.

Quando ele finalmente reapareceu, foi na capa de todas as revistas e tabloides da cidade.

Ele e Kaila foram fotografados em todos os lugares: na primeira fila da semana de moda, de férias em um iate em St. Barts, se beijando sob a Torre Eiffel.

Eles eram o novo casal de ouro de São Paulo.

Em entrevistas, Caio falava com entusiasmo de Kaila. Ele a chamava de sua salvadora, a mulher que o tirou de uma espiral sombria e tóxica. Ele nunca mencionou Glória pelo nome, mas a implicação era clara.

Glória assistiu a tudo de sua cobertura, uma observadora silenciosa em sua fortaleza nas alturas.

"Ele está ficando arrogante", observou Marcos, colocando um tablet com as últimas manchetes em sua mesa. "Ele acha que você está derrotada."

Glória não disse nada.

Para o mundo exterior, ela manteve sua fachada poderosa e imperturbável. Ela participou de reuniões de conselho, fechou negócios bilionários e organizou jantares para arrecadação de fundos políticos.

Ninguém sabia que ela e Caio eram casados. Era um segredo que eles guardaram por oito anos.

Ela se lembrou da noite em que ele veio até ela, seu fundo de investimento à beira do colapso após uma aposta desastrosa em uma empresa de biotecnologia. Ele estava arruinado.

Ele se ajoelhou diante dela, assim como havia feito no beco todos aqueles anos atrás.

"Me ajude, Glória", ele implorou. "Eu faço qualquer coisa."

Ela olhou para o homem que havia criado, o homem que amava, e viu sua chance de prendê-lo a ela para sempre.

"Case-se comigo", disse ela.

Não foi um pedido. Foi um termo do acordo. Ela o resgataria, o tornaria mais poderoso do que nunca e, em troca, ele seria dela. Completamente.

Ele hesitou por apenas um momento.

"Com uma condição", disse ele, seu orgulho ainda intacto mesmo em seu desespero. "Manteremos isso em segredo. Minha carreira... minha reputação... não posso ser visto como o Sr. Franco."

Ela soube então o que ele era. Ele queria o poder dela, mas não o nome dela. Ele queria os benefícios de seu império sem a vergonha percebida de ser seu consorte.

Ela havia concordado. Era um preço pequeno a pagar pela posse.

Eles construíram um império juntos, uma parceria silenciosa que dominava o mundo financeiro. Ele era o rosto carismático; ela era a mente implacável.

Agora, essa parceria era uma guerra.

O leilão de caridade foi realizado no MASP, um evento brilhante para a elite da cidade.

Glória sentou-se à sua mesa, entediada com o desfile de arte e joias superfaturadas.

Então, o item final foi trazido ao palco.

Era um colar. Uma peça delicada e vintage da Cartier com uma enorme esmeralda colombiana.

Pertenceu à sua mãe. Era a última peça do legado de sua família, perdida depois que o negócio de seu pai faliu décadas atrás. Ela o procurava há anos.

Glória levantou sua placa sem hesitar.

"Cinco milhões de reais", anunciou o leiloeiro.

"Seis milhões", uma voz gritou do outro lado da sala.

Era Kaila. Ela estava sentada ao lado de Caio, agitando sua placa com um sorriso triunfante.

Caio encontrou o olhar de Glória e deu-lhe um pequeno sorriso condescendente. Ele sussurrou algo no ouvido de Kaila, e ela riu.

Glória sinalizou para Marcos. Ele levantou a placa novamente.

"Dez milhões."

"Quinze", Kaila rebateu imediatamente.

A guerra de lances escalou rapidamente. A multidão assistia em silêncio atônito enquanto os números subiam a uma altura absurda.

"Trinta milhões", Marcos ofereceu, sob instrução de Glória.

Caio se levantou.

"Cinquenta milhões", ele anunciou, sua voz ecoando pelo salão silencioso. "E pagaremos em dinheiro."

Um suspiro percorreu a sala.

Marcos se inclinou para Glória. "Ele não tem esse tipo de capital líquido", ele sussurrou. "Não capital limpo, de qualquer maneira."

Glória sorriu levemente.

"Ah, eu sei", disse ela, sua voz um murmúrio suave. "É do cartel Villalobos. Ele tem lavado o dinheiro deles através de seu fundo no último ano."

Ela sabia disso há meses. Ela até facilitou a conexão inicial, uma bomba-relógio escondida que ela havia plantado no coração de suas operações.

Ela se levantou, seus movimentos graciosos e sem pressa.

Ela alisou seu vestido e saiu da casa de leilões sem olhar para trás.

Marcos a seguiu até o carro que esperava.

"O colar, Sra. Franco?", ele perguntou enquanto segurava a porta para ela.

"Objetos são apenas objetos, Marcos", disse ela, acomodando-se no assento de couro macio. "Eles podem ser comprados, vendidos ou perdidos. Seu único valor verdadeiro é o que alguém está disposto a pagar por eles."

Ela olhou pela janela enquanto o carro se afastava do meio-fio.

"E esta noite", ela acrescentou, um sorriso frio tocando seus lábios, "Caio acabou de pagar muito mais do que ele poderia imaginar."

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