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O Diário Que Nunca Foi Meu

O Diário Que Nunca Foi Meu

Autor:: Luana Souza
Gênero: Romance
Éris nunca quis se meter na vida de ninguém - até encontrar um diário perdido no campus. Um diário confessional, cheio de raiva, desejo, confissões intensas e segredos demais para pertencer a qualquer pessoa normal. O plano era simples: devolver e fingir que nunca leu. Só que o diário é dele. Noah Hale. Arrogante. Fechado. Competitivo. O único cara capaz de transformar qualquer conversa em uma competição... e qualquer competição em guerra. Eris detesta Noah. Noah parece detestar Éris ainda mais. Mas o homem que escreve aquele diário não tem nada a ver com o inimigo que ela conhece. Ali, no papel, ele é vulnerável. Brutalmente honesto. Quente demais. Cheio de medos que ele jamais mostraria. E quanto mais Éris lê, mais percebe que está se apaixonando... não pelo Noah que existe, mas pelo Noah que ele tenta esconder. O problema? Ele descobre que ela leu. E quando isso acontece, o jogo muda completamente. Agora Noah não quer distância. Quer respostas. Quer controle. Quer ela. E Éris precisa decidir se devolve o diário... ou se devolve o coração que ele nem sabe que colocou ali. Um romance leve, afiado e cheio de tensão - onde o maior perigo não é o diário ser encontrado, mas o que acontece quando duas pessoas que se detestam descobrem que se desejam mais do que deveriam.

Capítulo 1 O Diário que Nunca Foi Meu

Eu só queria chegar na sala sem levar advertência.

Mas, como sempre, minha vida decidiu complicar tudo.

O corredor estava vazio, exceto por um armário aberto - daqueles que ninguém usa faz meses - com uma pilha de coisas caindo pra fora.

Eu ia ignorar.

Juro que ia.

Mas quando passei rápido, algo caiu no chão bem na minha frente.

Um livrinho preto, pequeno, com a capa meio gasta.

Peguei no automático.

Não era meu.

Não tinha nome.

Não tinha nada.

Olhei pros lados.

Ninguém.

Nem sinal de quem largou ali.

- Ótimo... - murmurei. - Agora eu sou a idiota que coleta lixo perdido.

Guardei o livro na bolsa porque o professor já estava chamando os atrasados.

Só no intervalo eu abri.

E aí tudo começou a ficar estranho.

O diário estava cheio.

Páginas e páginas de letra bonita, organizada, mas... intensa.

A primeira frase que li me deixou estática:

"Eu passo o dia inteiro fingindo que estou bem.

Ninguém percebe.

Ninguém nunca percebe."

Engoli seco.

Virei outra página.

"Não sei o que é pior: me importar demais ou não conseguir dizer nada."

Aquilo não parecia de alguém que eu conhecia.

Mas ao mesmo tempo... parecia.

Continuei lendo.

Devagar.

Com medo de parar.

"Às vezes sinto tanta raiva que não sei o que fazer com as mãos."

"Hoje quase explodi. Ela nem percebeu."

Eu franzi a testa.

Ela quem?

Alguma namorada desesperada?

Alguma menina sem noção?

Ou só alguém que esse autor inventou?

Fechei o diário por um segundo.

Meu coração estava estranho - acelerado sem motivo.

Quando levantei a cabeça, vi ele.

Noah.

Entrando no corredor, fones no pescoço, expressão irritada, aquele jeito de que acordou brigando com o próprio reflexo.

Ele passou por mim sem olhar.

Mas quando passou, senti um arrepio idiota subir pela minha nuca.

O cheiro dele sempre vinha antes: quente, amadeirado, marcante.

Balancei a cabeça.

Nada a ver.

Eu estava só impressionada com o diário.

Noah nunca falaria daquele jeito.

Ele era frio demais.

Duro demais.

Ou eu achava que era.

Coloquei o diário na bolsa rápido, como se alguém pudesse me acusar de alguma coisa.

Mais tarde, na biblioteca, abri de novo.

E li um trecho que fez meu estômago virar:

"Se ela soubesse o que eu penso quando passa por mim...

se soubesse o que eu imagino...

ela nunca mais chegaria perto."

Eu encostei no encosto da cadeira.

Ok.

Isso já era informação demais.

O problema?

Eu queria saber mais.

Muito mais.

Fechei o diário devagar.

E antes de sair, sem querer, olhei pela janela.

Noah estava lá fora, encostado no muro, mexendo no celular, dando chutes numa pedra com expressão de quem estava irritado com o mundo inteiro.

Por um segundo, só um segundo, me ocorreu algo absurdo:

E se o diário fosse dele?

Mas eu sacudi a cabeça na mesma hora.

Ridículo.

Impossível.

Noah mal falava com alguém, muito menos escrevia sentimentos.

Guardei o diário na bolsa.

E mesmo sem saber por quê...

Eu fiquei com medo de abrir de novo.

E com muito mais medo do que eu iria sentir se eu abrisse.

________________________________________

Capítulo 2 A primeira fagulha

O corredor parecia menor do que realmente era. Talvez fosse por causa da quantidade de gente saindo das salas ao mesmo tempo, talvez fosse por causa da minha cabeça que ainda latejava desde o momento em que abri o diário pela primeira vez.

Ou talvez fosse por causa dele.

Eu estava andando rápido, tentando chegar na aula seguinte antes do sinal, quando ouvi vozes altas atrás das minhas costas.

- Fala direito comigo, porra! - uma voz masculina, irritada, quase um rosnado.

Virei só o suficiente para ver Noah parado no meio do corredor, tensionado, peito subindo e descendo, maxilar marcado de tão travado. Ele estava cara a cara com um garoto mais baixo que ele, mas igualmente exaltado.

- Não esconde minhas coisas de novo, retardado! - Noah avançou meio passo, empurrando o ombro do cara.

As pessoas em volta já estavam parando, abrindo espaço. Era sempre assim: Noah brigando com alguém, e todo mundo fingindo que não estava olhando.

Eu ia simplesmente continuar andando. Não era minha briga. Não era minha vida. E definitivamente não era problema meu.

Mas o corredor era estreito, e quando o garoto com quem ele discutia deu um passo para trás, tropeçou em alguém, e cambaleou... eu vi tarde demais que esse "alguém" era eu.

- Ei-! - tentei me afastar, mas antes que o garoto caísse em cima de mim, Noah o empurrou de novo, bem no meu caminho.

O cotovelo dele acertou meu ombro com força. Eu desequilibrei. O diário quase caiu da minha bolsa.

- Cuidado, mer- - comecei, tentando recuperar o equilíbrio.

Não deu tempo.

Noah veio logo atrás, avançando para cima do garoto, mas não viu (ou não se importou) que eu estava no meio. Ele passou, me empurrando com o antebraço sem o mínimo esforço, sem o mínimo olhar.

Empurrão seco. Forte. Rude.

Quase fui parar na parede.

- Anda. - ele rosnou, sem olhar pra mim. - Você atrapalha.

As palavras me cortaram mais do que o empurrão.

Eu parei ali, com o coração acelerado e a respiração presa no peito por um segundo inteiro.

Foi curto, mas suficiente para me deixar quente - quente de irritação, de raiva, de... outra coisa que eu não queria nomear.

- Qual o seu problema?! - eu soltei antes de pensar.

Não alto o bastante pra causar um escândalo, mas alto o suficiente pra ele ouvir.

Ele ouviu.

Noah virou a cabeça devagar. Só a cabeça. Não virou o corpo. Só os olhos, escuros e afiados, caíram sobre mim.

Ele me avaliou.

De cima a baixo.

Sem pressa.

O olhar dele desceu pelo meu rosto, pelo meu pescoço, pelo meu ombro que ele tinha empurrado - e subiu de volta. E eu senti cada segundo como se fosse um toque.

Um toque frio.

E irritado.

- Meu problema? - ele repetiu, com a voz baixa. - Você estava no caminho.

Arqueei uma sobrancelha.

- O corredor é de todo mundo, não só seu.

Ele respirou pelo nariz, um movimento quase imperceptível, como se estivesse segurando algo por dentro. Raiva, provavelmente. Aquele tipo de raiva silenciosa que dá mais medo do que gritaria.

- Então anda mais rápido. - ele disparou, virando de volta pro garoto.

Como se eu fosse um atraso. Um detalhe. Uma distração insignificante.

E aquilo me queimou por dentro de um jeito estranho.

Não porque doía - mas porque era absurdo que alguém conseguisse ser tão... tão...

Tão Noah.

O garoto com quem ele estava brigando tentou falar algo, mas Noah o interrompeu com outro empurrão no ombro.

- Some da minha frente antes que eu faça você sumir de verdade.

O garoto não discutiu. Saiu quase correndo.

Noah ficou parado ali por um segundo, respirando, a mão direita fechada em punho, os tendões aparecendo no braço. Ele parecia... prestes a explodir.

E então, quando eu achei que ele ia embora sem nem olhar pra mim de novo... ele olhou.

De repente. Seco. Direto.

E ficou olhando.

Foi um olhar rápido, mas intenso o suficiente pra gelar minha barriga.

Eu deveria ter olhado pra outro lado. Fingido que não notei. Saído andando.

Mas eu não fiz nada disso.

Eu encarei.

E no momento em que nossos olhares se prenderam, algo ficou elétrico.

Como se o corredor inteiro tivesse encolhido até virar um ponto entre nós.

Ele ergueu um canto da boca - não um sorriso. Um desafio.

Um aviso.

Depois se virou e foi embora, passando pelo meio da multidão como se o corpo dele naturalmente abrisse espaço.

Eu fiquei parada, respirando rápido.

Quem ele pensa que é?

O diário pesou na minha bolsa, como se me lembrasse que eu estava escondendo um segredo que nem eu entendia.

E por um segundo - só um segundo - eu pensei em como seria abrir a capa de novo naquele momento. Pra ver se tinha alguma coisa escrita sobre explosões de raiva. Sobre mãos fechadas. Sobre segurar algo que quase escapa.

Mas o sinal tocou.

E eu passei o resto do dia com uma pergunta pulsando alto, martelando no fundo da minha cabeça, me irritando quase tanto quanto ele:

Por que, caramba, eu senti alguma coisa quando ele me empurrou?

Mais tarde, na saída, quando eu estava indo pra porta principal, ouvi vozes no estacionamento. Vozes conhecidas demais.

Eu não queria olhar.

Mas meu corpo olhou antes da minha vontade.

Noah estava de novo discutindo com alguém - mas dessa vez não era um garoto qualquer. Era Mateo, capitão do time.

Os dois eram amigos? Inimigos? Nunca entendi. Eles sempre pareciam estar num meio-termo estranho entre camaradagem e vontade de quebrar a cara um do outro.

- Eu falei pra não encostar nas minhas coisas! - Noah disse, voz baixa, mas carregada.

Mateo levantou as mãos.

- Relaxa, cara. Eu só tava brincando.

- Eu não acho graça.

- Você nunca acha graça de porra nenhuma.

- Então para de tentar.

A tensão era tão densa que parecia um fio prestes a estourar.

E antes que eu percebesse, Noah olhou pro lado.

Direto pra mim.

Como se ele soubesse que eu estava ali o tempo todo.

Eu congelei.

Ele não disse nada. Só me fitou por um segundo longo demais - aqueles olhos intensos, quase furiosos, quase... outra coisa.

Quase como se ele estivesse tentando adivinhar o que eu estava pensando.

Ou escondendo o que ele estava pensando.

Mateo seguiu o olhar dele.

- Opa... - Mateo sorriu. - Interrompi algo?

Noah virou de volta tão rápido que eu quase duvidei que tinha acontecido.

- Cala a boca.

Mateo riu.

Eu virei o rosto e fui embora rápido, sem olhar pra trás, o coração batendo como se eu estivesse correndo.

Mas claro que olhei de canto de olho.

Noah ainda estava lá.

Me vendo ir.

E isso acendeu outra fagulha - quente, irritada, perigosa - no meio do meu peito.

Algo estava começando.

Algo que eu não sabia nomear.

Algo que eu DEFINITIVAMENTE não queria admitir.

Mas estava ali.

Entre o empurrão, o olhar dele, e o peso do diário na minha bolsa.

A primeira fagulha.

Capítulo 3 Três testemunhas e um segredo

Eu mal dormi naquela noite.

O diário ficou na minha mesa, me encarando como se tivesse olhos.

Eu queria ignorar. Juro que queria.

Mas, antes de sair de casa, abri uma página aleatória.

"Às vezes eu encaro ela como se pudesse atravessar a pele dela e descobrir se ela pensa em mim também."

Fechei o diário na mesma hora.

Não.

Não agora.

Não antes da escola.

Guardei na mochila e tentei fingir que não existia.

________________________________________

No corredor, antes da primeira aula, minhas três amigas apareceram como uma avalanche coordenada.

- ERIIIIS! - Val gritou, puxando meu braço como se estivéssemos em um filme. - O que foi aquilo ontem? Você simplesmente sumiu.

- E estava PÁLIDA - Bianca completou, meio séria. - Tipo, morta-viva estilosa.

- Aconteceu alguma coisa? - Lia perguntou com um olhar que sempre me dava medo, porque ela reparava em tudo.

Eu engoli em seco.

Mentira número 1 do dia:

- Só cansei. Drama normal.

Val estreitou os olhos.

- Sei...

Bianca cruzou os braços.

- Você está escondendo alguma coisa.

Lia deu um sorrisinho de quem está a um centímetro de adivinhar.

- É um BOY?

- NÃO! - falei rápido demais.

Rápido demais.

As três arregalaram os olhos como se eu tivesse confessado um crime.

- Então é. - Val concluiu, satisfeita. - Quem? Mateo? Arthur? Ou aquele aluno novo, o do cabelo grande?

- Ah, pelo amor de Deus - resmunguei.

Mas não adiantou.

Elas cercaram meu corpo como se fossem três detetives.

- Eris... - Bianca começou, séria. - Quando você mente, sua sobrancelha tenta se esconder no cabelo.

- Não é um garoto. - repeti.

Outra meia mentira.

Lia colocou a mão no peito num gesto dramático:

- Então é DUAS pessoas. Um triângulo. Perigosa.

- Lia... - fiz uma careta. - Para.

Val inclinou a cabeça.

- Tem a ver com o Noah?

Aquilo fez meu estômago cair.

- Meu Deus, não! - minha voz subiu meio tom, e as três PERCEBERAM.

Lia bateu palmas.

- Eu sabia! Eu vi ele olhando pra você ontem no estacionamento.

Meu coração errou o passo.

- Ele não tava olhando pra mim. - murmurei, olhando pro chão.

- Ah, tava sim. - Val riu. - Ele parecia que ia quebrar a porta do carro só com pensamento.

- Ciúme - Lia cantou.

- Irritação total - Bianca corrigiu. - O que ainda é interessante.

Antes que eu pudesse responder, alguém esbarrou no meu ombro.

Não alguém.

Ele.

Noah.

Passou entre mim e Val como se Val não existisse.

Na verdade, como se ninguém existisse.

O corpo dele roçou no meu braço, e um arrepio elétrico subiu direto até a nuca.

- Olha por onde anda - Noah disse, sem olhar para trás.

- VOCÊ que esbarrou nela, imbecil! - Val gritou automaticamente.

Noah parou.

Apenas dois passos depois, ele parou.

Virou a cabeça devagar.

Olhou pra Val primeiro.

Depois pra Bianca.

Depois pra Lia.

E depois para mim.

E ficou.

Meu peito apertou sem minha permissão.

- Tô falando com ela. - ele disse, a voz baixa, quase rouca. - Não com vocês.

As três ficaram em silêncio absoluto.

Eu senti minha boca secar.

- Eu... não fiz nada. - murmurei.

Ele aproximou meio passo.

Meio.

Mas pareceu um quilômetro.

- Então por que tá olhando como se tivesse feito? - ele sussurrou.

O mundo inteiro desapareceu por um segundo.

Bianca pigarreou alto.

- A gente... tem aula. - ela disse, puxando Lia pelo braço.

Val me olhou como se quisesse me sacudir.

- Depois você me conta TUDO. - ela avisou antes de ser arrastada pelas outras.

E assim que elas sumiram, Noah desviou o olhar e simplesmente... foi embora.

Sem explicação.

Sem motivo.

Sem nada.

Eu fiquei parada por alguns segundos, respirando como se tivesse corrido uma maratona.

Na hora do intervalo, minhas amigas já estavam me esperando com expressões que variavam entre "fala logo" e "vamos te espremer até falar".

- Anda. - Val disse, batendo a mão na mesa. - O que rolou com o anti-social mais lindo da escola?

- Nada.

- Mentira.

- Nada!

- MENTIRA! - Lia e Bianca responderam juntas.

Eu já estava perdendo a paciência.

- Eu JURO que não rolou nada. Ele só é... irritante.

- Irritantemente lindo. - Lia corrigiu.

- Sociopata gostoso. - Val acrescentou.

- Cheio de rosnados silenciosos. - Bianca finalizou.

Eu tampei o rosto com as mãos.

- Por que eu sou amiga de vocês?

Val riu.

- Porque somos as únicas que vão te ajudar quando você finalmente admitir que tem alguma coisa ali.

- NÃO TEM.

- Tem sim - Bianca rebateu, num tom tão neutro que doeu. - Eu vi a forma como você ficou depois que ele falou contigo.

Eu ia responder, mas elas começaram a discutir entre si, e eu aproveitei pra abrir minha mochila discretamente.

O diário estava lá.

Pesado. Quente. Vivo.

Eu puxei só o suficiente pra ver a borda das páginas.

Não para ler - não ali, com elas olhando cada mínimo movimento meu.

Mas só pra sentir que ainda estava comigo.

Lia arqueou a sobrancelha.

- O que é isso?

Eu fechei a mochila num golpe.

- Nada.

- Você tá muito "nada" hoje - Val disse, desconfiada. - Começo a achar que esse nada tem rosto.

- Ou letra - Bianca murmurou.

Meu coração parou.

- Letra? - perguntei, engolindo seco.

- É. - Bianca apontou pra minha mão. - Você tá segurando essa mochila como quem protege um bebê. Ou um segredo.

De novo, o aperto no peito.

- Gente... eu tô só cansada. De verdade.

As três se entreolharam.

Lia suspirou.

- Tá. Vamos fingir que acreditamos.

Val não fingiu.

Bianca muito menos.

Mas pelo menos elas me deixaram respirar.

________________________________________

Depois das aulas, me escondi na biblioteca vazia.

O coração já sabia o caminho.

Me sentei no canto mais escuro e finalmente abri o diário.

A página parecia esperar por mim.

"Hoje eu quase perdi o controle de novo.

Eu odeio isso.

Odeio sentir tanto.

Odeio não conseguir dizer."

Virei a página.

"Quando ela me olha, eu travo.

Quando não olha, fico com raiva."

Meu corpo inteiro gelou.

"Eu queria poder empurrá-la pra longe e puxá-la de volta ao mesmo tempo."

As palavras batiam forte demais.

Fechei o diário.

Olhei pela janela.

E... claro.

Noah estava no pátio.

Sozinho.

Tenso.

Com aquele jeito de quem queria socar o ar.

E por um momento assustador, eu me perguntei:

Será que o diário... poderia mesmo...

Não.

Impossível.

Eu desviei o olhar.

Mas o meu coração não.

E foi assim que percebi:

As fagulhas já não eram pequenas.

Elas estavam crescendo.

E eu estava começando a queimar.

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