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O Dossiê da Traição: O Fim do Meu Marido

O Dossiê da Traição: O Fim do Meu Marido

Autor:: Barbara
Gênero: Moderno
Grávida de oito meses, a vida parecia perfeita. Estava à espera do meu filho Lucas, preparando um futuro feliz. Mas tudo desabou numa tarde, quando o nosso carro capotou. Meu mundo virou ao contrário, o meu irmão Leo inconsciente ao meu lado. Liguei desesperada ao meu marido, Miguel. Ele atendeu, zangado, com a voz da sua amante, Sofia, no fundo. Implorei por ajuda, a dor na minha barriga era insuportável. Mas ele, preocupado com o tornozelo torcido de Sofia, abandonou-nos à beira da estrada. "Chama tu a ambulância," disse, e desligou. O meu filho Lucas não sobreviveu. No hospital, Miguel e os seus pais só se importavam com a reputação. Ele chamou o abandono de "sorte" para a amante. A dor era avassaladora, a injustiça queimava. "Sem o bebé, não és nada," cuspiu Miguel. Senti-me vazia, destruída, mas no fundo, algo acendeu. Quando o meu irmão Leo acordou e revelou a traição contínua de Miguel, vi a verdade. Não foi um acidente. Foi uma escolha. Essa revelação transformou a minha dor em fúria. Ele tirou-me tudo, menos uma coisa: o medo. Agora, sem nada a perder, eu seria perigosa. Eles iriam pagar por cada lágrima.

Introdução

Grávida de oito meses, a vida parecia perfeita.

Estava à espera do meu filho Lucas, preparando um futuro feliz.

Mas tudo desabou numa tarde, quando o nosso carro capotou.

Meu mundo virou ao contrário, o meu irmão Leo inconsciente ao meu lado.

Liguei desesperada ao meu marido, Miguel.

Ele atendeu, zangado, com a voz da sua amante, Sofia, no fundo.

Implorei por ajuda, a dor na minha barriga era insuportável.

Mas ele, preocupado com o tornozelo torcido de Sofia, abandonou-nos à beira da estrada.

"Chama tu a ambulância," disse, e desligou.

O meu filho Lucas não sobreviveu.

No hospital, Miguel e os seus pais só se importavam com a reputação.

Ele chamou o abandono de "sorte" para a amante.

A dor era avassaladora, a injustiça queimava.

"Sem o bebé, não és nada," cuspiu Miguel.

Senti-me vazia, destruída, mas no fundo, algo acendeu.

Quando o meu irmão Leo acordou e revelou a traição contínua de Miguel, vi a verdade.

Não foi um acidente. Foi uma escolha.

Essa revelação transformou a minha dor em fúria.

Ele tirou-me tudo, menos uma coisa: o medo.

Agora, sem nada a perder, eu seria perigosa.

Eles iriam pagar por cada lágrima.

Capítulo 1

A chapa de metal gritou, um som agudo que rasgou o ar calmo da tarde. O nosso carro capotou duas vezes antes de aterrar de lado contra uma barreira de betão, o meu mundo virou ao contrário, e o cinto de segurança enterrou-se na minha barriga de oito meses.

O meu irmão, Leo, que estava a conduzir, ficou inconsciente ao meu lado, com sangue a escorrer-lhe pela testa.

O pânico gelou-me. Tentei alcançar o meu telemóvel, as minhas mãos tremiam tanto que o deixei cair duas vezes. Finalmente, agarrei-o e disquei o número do meu marido, Miguel.

Ele atendeu ao terceiro toque, a sua voz soava distante e irritada.

"Clara? O que foi? Estou ocupado."

"Miguel," a minha voz saiu como um sussurro rouco, "Tivemos um acidente. Na A5. O Leo não acorda."

Fez-se silêncio do outro lado, apenas o som de uma voz feminina a queixar-se ao fundo. A voz de Sofia, a sua amiga de infância.

"Um acidente? Estás bem? O bebé?"

"Não sei, Miguel, dói-me muito a barriga. Preciso de ti. Por favor, vem."

Ouvi-o a suspirar, um som pesado de impaciência. "Ouve, Clara, não posso ir agora. A Sofia torceu o tornozelo a descer as escadas, está a chorar de dores. Tenho de a levar ao hospital."

A voz dela soou mais perto do telefone, chorosa e mimada. "Miguel, dói tanto... Acho que o parti."

O meu coração parou por um segundo. Um tornozelo torcido. O meu irmão estava inconsciente e eu podia estar a perder o nosso filho, mas ele estava preocupado com um tornozelo torcido.

"Miguel, isto é sério," implorei, o desespero a subir-me pela garganta. "Chama uma ambulância para nós, pelo menos."

"Claro, claro, chama tu uma ambulância. É mais rápido. Tenho mesmo de ir agora, a Sofia não para de chorar. Vemo-nos no hospital, está bem?"

Antes que eu pudesse responder, ele desligou.

O som do tom de chamada cortado foi mais violento do que o próprio acidente.

Olhei para o meu irmão, para a minha barriga, para o vidro estilhaçado à minha volta. Estava sozinha. Completamente sozinha.

Com a mão que ainda me obedecia, marquei o 112.

Capítulo 2

A luz branca do hospital era fria e impessoal. Levaram-me para uma sala de observação, a dor na minha barriga era agora uma presença constante e aguda. Uma enfermeira tentou encontrar os batimentos cardíacos do bebé.

O silêncio do aparelho de ultrassom era um grito.

Ela tentou de novo, o seu rosto profissional a tornar-se tenso.

"Vou chamar o médico," disse ela, evitando o meu olhar.

Eu já sabia. Sentia-o no vazio que se instalava dentro de mim, um frio que a dor física não conseguia alcançar. O nosso filho, o nosso pequeno Lucas, que devia nascer dentro de poucas semanas, estava a ir-se embora.

O médico chegou, um homem de meia-idade com olhos cansados. Ele repetiu o procedimento, o seu silêncio a confirmar o meu pior medo.

Finalmente, ele pousou o aparelho e olhou para mim.

"Lamento muito, Sra. Almeida. O descolamento da placenta foi demasiado severo. O atraso na chegada ao hospital foi crítico."

As suas palavras eram factos, ditas com uma calma clínica que me quebrou.

"Fizemos o que pudemos, mas perdemos o bebé."

Não chorei. Não gritei. Apenas assenti, um movimento minúsculo da cabeça. O meu corpo sentia-se oco, uma casca vazia. Onde antes havia vida e movimento, agora havia apenas silêncio e dor.

Perguntei pelo meu irmão.

"O seu irmão está nos cuidados intensivos. Sofreu um traumatismo craniano grave. As próximas horas são cruciais."

Mais más notícias. Era como se o mundo estivesse a desmoronar-se à minha volta, e eu estava presa no epicentro, incapaz de me mover.

Fecharam-me numa sala privada para recuperar do parto de emergência. A barriga que antes era redonda e cheia de promessas estava agora flácida e vazia. A única prova do que tinha acontecido era a dor surda no meu útero e no meu coração.

Horas mais tarde, a porta abriu-se. Era Miguel, com os pais dele, Helena e Jorge. Sofia não estava com eles.

Ele parecia preocupado, mas era uma preocupação superficial, como a de um ator a desempenhar um papel.

"Clara, meu amor. Como estás? Fiquei tão preocupado."

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