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O Embrião Trocado

O Embrião Trocado

Autor:: Apache
Gênero: Moderno
Minha filha, Sofia, tinha leucemia e precisava desesperadamente de um transplante de medula óssea. Eu, Clara, passei por fertilização in vitro, injecções e procedimentos dolorosos, tudo para lhe dar um irmão compatível. Finalmente, engravidei, pensando que a esperança havia chegado. Mas então, a notícia que desmoronou o meu mundo: "Seu bebé não é do seu marido, Pedro." O meu coração afundou, e liguei para o Pedro, apenas para ouvir a voz doce e calculista da minha cunhada, Ana, dizendo que ele estava a dar-lhe banho. Pedro, cego pela acusação, explodiu: "Estás louca? Andaste a dormir com outro homem? O único erro aqui és tu!" Ele não acreditou em mim, desligou na minha cara, e poucos minutos depois, a minha sogra ligou, exigindo o aborto do "bastardo" e ameaçando tirar-me a Sofia. Fui abandonada e acusada pelo meu próprio marido e família, por um erro que eu sabia que não era meu. Como era possível que o bebé que eu carregava, a única esperança de Sofia, não fosse do Pedro? Será que tinha havido um erro médico, ou uma traição que eu não conseguia conceber? O choque, a dor e a raiva viraram-se para o desespero de ser a única a lutar por este bebé e pela minha filha. No auge do meu desespero, recebi um telefonema da clínica de fertilidade, com uma voz grave a pedir-me para ir lá urgentemente. Houve um "incidente" com o meu procedimento de FIV. Naquele momento, eu soube: Eu não estava louca, e a verdade, embora terrível, começaria a vir à tona. E a verdade era mais sombria do que eu poderia imaginar.

Introdução

Minha filha, Sofia, tinha leucemia e precisava desesperadamente de um transplante de medula óssea.

Eu, Clara, passei por fertilização in vitro, injecções e procedimentos dolorosos, tudo para lhe dar um irmão compatível.

Finalmente, engravidei, pensando que a esperança havia chegado.

Mas então, a notícia que desmoronou o meu mundo: "Seu bebé não é do seu marido, Pedro."

O meu coração afundou, e liguei para o Pedro, apenas para ouvir a voz doce e calculista da minha cunhada, Ana, dizendo que ele estava a dar-lhe banho.

Pedro, cego pela acusação, explodiu: "Estás louca? Andaste a dormir com outro homem? O único erro aqui és tu!"

Ele não acreditou em mim, desligou na minha cara, e poucos minutos depois, a minha sogra ligou, exigindo o aborto do "bastardo" e ameaçando tirar-me a Sofia.

Fui abandonada e acusada pelo meu próprio marido e família, por um erro que eu sabia que não era meu.

Como era possível que o bebé que eu carregava, a única esperança de Sofia, não fosse do Pedro?

Será que tinha havido um erro médico, ou uma traição que eu não conseguia conceber?

O choque, a dor e a raiva viraram-se para o desespero de ser a única a lutar por este bebé e pela minha filha.

No auge do meu desespero, recebi um telefonema da clínica de fertilidade, com uma voz grave a pedir-me para ir lá urgentemente.

Houve um "incidente" com o meu procedimento de FIV.

Naquele momento, eu soube: Eu não estava louca, e a verdade, embora terrível, começaria a vir à tona.

E a verdade era mais sombria do que eu poderia imaginar.

Capítulo 1

O médico entregou-me o relatório do teste de paternidade.

"Senhora, o resultado mostra que a probabilidade de paternidade entre si e a criança é de 99,99%."

Olhei para o pedaço de papel fino na minha mão, o meu coração afundou.

A minha filha, Sofia, tinha leucemia. A única esperança era um transplante de medula óssea de um irmão compatível.

Por isso, o meu marido, Pedro, e eu tentámos ter um segundo filho.

Mas falhámos. Três vezes.

O médico disse que eu tinha problemas de fertilidade. A minha última esperança era a fertilização in vitro.

Finalmente, depois de inúmeras injeções e procedimentos dolorosos, engravidei.

Mas agora, este relatório dizia-me que o bebé que eu carregava não era do Pedro.

Como era possível?

Liguei imediatamente ao Pedro, a minha voz a tremer.

"Pedro, onde estás? Preciso de falar contigo. É urgente."

Do outro lado da linha, ouvi a voz suave da minha cunhada, a Ana.

"Cunhada, o Pedro está a dar-me banho. O que se passa? Podes dizer-me."

"Dar-te banho?" A minha mente ficou em branco. "Porque é que ele te está a dar banho?"

A Ana riu-se suavemente. "Oh, eu caí e magoei as minhas costas. O médico disse para não me molhar. O Pedro está apenas a ajudar-me. Somos família, não é?"

Senti um nó no estômago.

"Põe o Pedro ao telefone. Agora."

Houve uma pausa, depois a voz impaciente do Pedro. "O que é? Estou ocupado."

"Ocupado a dar banho à tua irmã? Pedro, o relatório de paternidade saiu. O bebé não é teu."

O silêncio do outro lado foi pesado.

Depois, ele explodiu. "Estás louca? Como é que o bebé não é meu? Andaste a dormir com outro homem?"

A acusação dele atingiu-me como um soco.

"Claro que não! A única pessoa com quem estive foste tu! Tem de haver um erro no hospital!"

"Um erro?" Ele riu-se, um som frio e cruel. "O único erro aqui és tu. Deves ter feito alguma coisa. Não me ligues mais com estas tolices. A Ana precisa de mim."

Ele desligou.

Fiquei ali, a segurar o telefone, o mundo a girar à minha volta.

Ele não acreditou em mim. Nem por um segundo.

Olhei para a minha barriga. Este bebé era a única esperança da Sofia.

E agora, era a fonte da minha ruína.

Capítulo 2

Tentei ligar novamente, mas o telefone do Pedro já estava desligado.

Sentei-me no banco frio do hospital, o relatório de paternidade a amassar-se na minha mão.

A minha sogra, a Dona Elvira, ligou-me nesse momento. A sua voz era sempre aguda e cheia de desdém.

"Clara, porque é que o Pedro está tão zangado? O que é que lhe fizeste agora? Não consegues passar um dia sem causar problemas?"

Respirei fundo, tentando manter a calma. "Mãe, o hospital cometeu um erro. O relatório de paternidade diz que o bebé não é do Pedro."

"O quê?" Ela gritou. "Sua desavergonhada! Eu sabia que não eras boa coisa! Engravidar do filho de outro homem e tentar impingir à nossa família! Queres matar o meu filho de preocupação?"

"Não é verdade! Eu nunca traí o Pedro!" A minha voz falhou. "Foi a fertilização in vitro, deve ter havido uma troca de embriões!"

"Troca de embriões? Achas que somos estúpidos? Achas que vamos acreditar numa mentira tão ridícula?"

Ela continuou a gritar, as suas palavras a perfurarem-me.

"Vais abortar esse bastardo agora mesmo! A nossa família não vai criar o filho de outro homem! E a Sofia? Já não te importas com a tua própria filha? Estás disposta a deixá-la morrer só para teres o filho do teu amante?"

Cada palavra era um golpe.

"Eu nunca faria isso!"

"Então prova! Aborta o bebé!"

Ela desligou.

As lágrimas que eu tinha segurado finalmente caíram.

Eu não podia abortar este bebé. Era uma vida. Uma vida inocente.

Mas a Sofia... a minha Sofia estava a morrer.

Fui para o quarto da Sofia. Ela estava a dormir, pálida e frágil. O seu cabelo tinha caído por causa da quimioterapia.

Ela era o meu mundo inteiro.

Eu faria qualquer coisa por ela.

Mas como podia eu escolher entre um filho e outro?

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