Luna, uma jovem brasileira de apenas 18 anos de idade, é determinada e forte e não mede esforços para realizar seu sonho de ser modelo. Ela deixou tudo para trás e partiu em busca de reconhecimento e sucesso. Criada em um orfanato após ter sido abandonada por sua mãe, Luna enfrentou muitos desafios ao longo de sua vida.
Ao chegar nos Estados Unidos, na cidade de Los Angeles, Califórnia, Luna descobre que foi enganada por Vivian, uma mulher cruel e ardilosa. Vivian é responsável por trazer Luna e outras jovens para trabalhar em uma boate, prometendo transformá-las em grandes modelos de sucesso.
Ao descerem do carro, Luna e as outras jovens se deparam com a sombria atmosfera interna da boate, situada no centro dos Estados Unidos. As luzes coloridas piscam freneticamente, e o som alto da música eletrônica preenche o ambiente.
- O que está acontecendo aqui? Isso não é uma agência de modelos, é uma boate!- Luna fala confusa.
- Oh, querida Luna, acredito que tenha havido um pequeno mal-entendido. Essa é exatamente a "agência" para a qual eu te trouxe.- Vivian fala maliciosamente.
- O que? Me diz que isso é mentira...- Luna fala segurando as lágrimas abraça em uma das meninas que também acreditou nas mentiras dela.
- Oh minha doce ruivinha, você achou mesmo que iríamos trazer vocês para ser modelos?
- Como você pôde fazer isso comigo? Eu confiei em você, Vivian!
Vivian fica de frente para a Luna a enfrentando de forma ameaçadora.
- A confiança é uma coisa engraçada, querida. Ela pode te derrubar sem que você perceba. E na minha linha de trabalho, a confiança... bem, ela não existe.
As sete meninas se abraçam fortemente, todas desesperadas por saber que agora essa será a realidade que as aguarda.
- Luna, eu também fui enganada por ela. Ela nos trouxe aqui para trabalhar como... prostitutas. - Cassidy fala cabisbaixa.- Cheguei acreditando que poderia mudar a vida da minha família e tudo que consegui foi envergonhar minha mãe, colocando a vida da minha família inteira em perigo.
- Isso não pode ser verdade. Eu vim aqui para seguir meus sonhos, não para isso!
Vivian agarra o braço de Luna com força fazendo ela gemer de dor.
- A vida é cruel, minha querida. E você não é exceção. Agora, vamos. Você precisa se preparar para o seu primeiro número.
O palco da boate, esta iluminado por luzes vermelhas e azuis. Luna está vestida de forma exagerada e vulgar, enquanto as outras garotas dançam ao seu redor.
Chorando silenciosamente, Luna murmura para si mesma ainda sem acreditar em como sua vida inteira foi um verdadeiro pesadelo e quando ela enfim achou que iria começar a ser feliz, é enganada covardemente.
- Eu não acredito que isso está acontecendo comigo...
Vivian que estava observando Luna de longe sobe ao palco, andando lentamente com um sorriso malicioso.
- Todos os olhos estão em você, Luna. Você é a nova estrela desta boate. Dance... e faça como eu mando. Não percebeu? Você é a única Ruiva e virgem no meio de tantas mulheres.- Luna com os olhos embaçados pelas lágrimas olha em volta e constata o que ela disse.- Você nasceu para brilhar querida Luna.
- Eu não posso fazer isso...- Ela fala se abraçando na tentativa insana de cobrir seu corpo.
- Oh, você pode, e vai...- Vivian fala com um tom ameaçador.- Faz o que estou mandando, ou as consequências serão muito graves.
Luna sem saída abaixa a cabeça e começa a dançar mesmo relutantemente. Até que seu corpo se pedrifica no lugar quando ela vê que uma jovem aparentemente 18 anos, é trazida ao palco por alguns homens.
- O que eles vão fazer com ela?- ela fala horrorizada vendo os homens arrastando ela com brutalidade.
- Eu já vi isso antes. Acredite em mim, Luna, nós precisamos fazer exatamente o que ela nos diz.- Cassidy fala num sussurro.
- Vejam bem, queridas.- Vivian fala com um olhar sádico.- Se uma de vocês me desobedecer, pode ser que algo desagradável aconteça, como estão prestes a testemunhar.
Os homens começam a agredir a jovem, que mal tinha forças para se defender, e, para o choque de todas, Vivian tira uma arma de sua bolsa e atira nela, sem hesitar.
- Oh, meu Deus!- Luna grita desesperada. Como suas forças estivessem deixado seu corpo ela cai de joelho chorando.
- Ela... ela matou aquela garota!- Cassidy fala horrorizada, ela viu de tudo nesse lugar, menos alguém sendo morta na sua frente.
Vivian levanta Luna agarrando ela com força pelos braços, seu olhar é pura maldade e crueldade.
- E você será a próxima, se não fizer tudo o que eu mandar. Agora dance, minha querida, dance como se sua vida dependesse disso. Porque talvez, apenas talvez, ela realmente dependa.
- Por quê está fazendo isso conosco?
- Eu quero dinheiro Luna e vocês irão trazer muitos dólares para minha conta bancária.- Vivian fala rindo, logo ela estreita os olhos e segura no queixo dela.- Tive uma brilhante ideia, a vida dessas meninas estará em suas mãos, então se não quiser ver ninguém morrer, trate de remexer essa bunda gostosa e dançar.
Enquanto Luna é forçada a continuar dançando, a adrenalina e o medo se misturam dentro dela. Ela percebe que a sua luta para escapar dessa terrível armadilha acaba de se intensificar.
Depois daquela tortura psicológica as meninas são levadas a um barracão, Luna se encontrava sentada no chão frio, com os olhos fixos no vazio. A tortura psicológica que haviam lhe feito presenciar havia quebrado seu espírito, deixando-a sem vontade de falar ou reagir. Ao seu redor, diversas outras garotas estavam na mesma condição, vítimas deste terrível pesadelo.
O lugar era assustador. O barracão era escuro e úmido, com um odor desagradável de descaso e desespero. As meninas ali presentes tinham diferentes aparências e histórias, mas todas compartilhavam da mesma triste situação de escravidão e abuso. Todos os dias, eram obrigadas a dançar para homens cruéis e perversos, que as viam apenas como objetos descartáveis.
Os homens gritavam palavras sujas e obscenas, cometendo abusos contra as meninas, como se estivessem em um leilão de carne e a mais macia seria deles. Luna podia sentir o desespero de todas elas que, como ela, tinham sido reduzidas a meros corpos sem voz. O gosto amargo de impotência doía em sua alma.
No momento em que Luna pensava que não poderia suportar mais aquele inferno, seus olhos se fixaram em Vivian, ela segurava uma arma e pressionava o cano contra a cabeça de uma das garotas. Luna não podia suportar a ideia de ver mais uma vida ser ceifada diante de seus olhos.
Sem escolha, Luna se levantou da cadeira que tinha no palco para performance da dança e, apesar do nojo que sentia de si mesma e da situação na qual estava envolvida, começou a se mover timidamente. Ela dançava desajeitadamente, com movimentos sensuais, esperando que aquilo satisfizesse a sede de violência dos homens à sua volta.
Enquanto dançava, Luna sentia um misto de revolta e desespero. Sentia-se suja, explorada e traída, mas também percebia que aquela era a única maneira de evitar mais derramamento de sangue. Ela fazia um sacrifício por suas companheiras, mas carregava em sua mente e em seu corpo a marca daquela vergonha. O nojo que sentia de si mesma só aumentava.
A cada batida da música, Luna sentia o peso de sua própria consciência, lutando para que a voz de sua alma fosse ouvida. Ela prometeu a si mesma que, um dia, elas seriam livres. Um dia, todas aquelas meninas teriam a sua liberdade de volta. Era isso que as mantinha vivas, mesmo que por enquanto estivessem presas em um horrível ciclo de dor e sofrimento.
Enquanto os homens comemoravam e aplaudiam sua dança, Luna olhava para Vivian, uma mistura de medo e raiva em seu olhar. Vivian é sombria e sádica, a maldade está estampada no seu rosto, ela só demorou para enxergar. Luna se questionava como alguém poderia causar tanta dor e ainda assim manter conseguir dormir a noite.
Fernando Shimit está na boate, observando as lindas mulheres dançar, ele saboreia um gole do seu champanhe, até que com a taça na mão seus olhos param em uma jovem ruiva, que se destaca entre as demais no palco de dança. Ele acha sua beleza fascinante e seu poder de sedução irresistível.
- Que mulher impressionante.- Ele fala num sussurro. Levantando da poltrona ele caminha em passos firmes e logo se aproxima de Vivian, decidido a fazer uma oferta tentadora.- Vivian, não posso deixar de admirar sua presença aqui nesta noite tão maravilhosa. Sou Fernando Shimit, um homem de recursos... e estou disposto a pagar uma fortuna pela companhia de Luna.
Vivian olha Fernando de cima a baixo, intrigada pois nunca tinha visto ele na boate.
- De quantos estamos falando?- Vivian fala de uma forma sedutora, ela desliza os dedos sobre o peitoral de Fernando.
- O preço que quiser, não a quero para mim, bom, não agora, quero para Adrian, meu amigo de infância que chegou a pouco na cidade.
- Você quer me pagar para que Luna passe a noite com Adrian? Desculpe, mas essa não é a minha área de negócios.- ela finge de ofendida para ver até onde vai seu interesse.
Fernando sorri, sabendo que Vivian está jogando com ele.
- Não é uma compra, Vivian, mas sim um presente. Adrian é um homem solitário e merece desfrutar da companhia de uma mulher tão encantadora como Luna. Estou disposto a pagar tudo o que você quiser para tornar isso possível.
Vivian continua a provocá-lo, sua curiosidade despertada.
- E por que Luna? Ela é especial de alguma forma?
Fernando olha em direção ao palco, onde Luna ainda dança, hipnotizando todos ao seu redor.
- Luna tem uma beleza única, uma aura magnética que atrai a todos. Ela é diferente de todas as outras mulheres desta boate. E tenho certeza de que Adrian ficará encantado com ela.
Vivian pensa por um momento, ela queria aproveitar os lucros que Luna dava a ela somente com a dança, mas sabendo que Fernando quer pagar milhões somente para satisfazer o amigo, ela concorda de imediato, sem ficar fazendo jogos.
- Tudo bem. Mas não será barato. Estou falando de uma grande quantia em dinheiro, Luna é minha preciosidade aqui dentro, já faturei muito dinheiro somente com ela dançando. Luna é uma garota virgem, então prepara o bolso, por que vou aproveitar tudo que acredito que ela vale.
Fernando para por um instante, ponderando. Ele sabe que os serviços de Vivian são caros, mas está disposto a pagar qualquer preço para realizar o desejo de ver seu amigo vivo como homem novamente.
- Faça a sua oferta, Vivian. Estou certo de que chegaremos a um acordo.
Enquanto isso, Adrian espera impaciente do lado de fora da boate, observando a movimentação ao redor. Ele não entende por que Fernando está demorando tanto. Quando finalmente decide Fernando decide sair, ele seu amigo conversando com Vivian de forma íntima. Adrian se aproxima, visivelmente irritado. Ele sabe o que aquela mulher é capaz por dinheiro. Adrian se enoja só de olhar para ela.
- O que está acontecendo, Fernando? Pensei que fosse apenas tomar uma bebida, por que tanta demora?
- Pelo mal humor, parece que realmente seu amigo precisa de uma mulher. Você é um ótimo amigo Fernando.- Vivian fala provocando Adrian, acreditando que ele é igual o Fernando.- Vou preparar sua garota.- Ela deixa os dois sozinhos e sai sorridente com o comprovante da transferência que Fernando fez.
Fernando olha surpreso para Adrian, tentando encontrar as palavras certas para explicar a situação.
- Adrian, eu... nos conhecemos há tanto tempo, e sabendo da sua solidão, quis fazer algo especial para você. Conheci uma mulher incrível e pensei que ela poderia te fazer companhia. Eu só queria te fazer feliz.
Adrian solta uma risada amarga demonstrando toda sua irritação.
- Você acha que eu sou uma criança que precisa de uma babá? Eu não quero nenhuma mulher, Fernando, muito menos ter que pagar por uma noite com alguém. Eu estava feliz apenas com sua companhia, mas como sempre, você estragou tudo.
- Andrian...- Fernando tenta se explicar.
- Você não tem noção do que essas garotas passam, acha que estão ali por que quer? Acha mesmo que está ajudando algumas delas? Você só está confirmando para esses exploradores de que não se importa com o que elas pensam ou sentem. Você sempre soube como repúdio tal tratamento contra mulheres, elas não são objetos Fernando.
A discussão esquenta, com Adrian expressando todo o desapontamento que seu amigo lhe trouxe. Fernado logo percebe que cometeu um grave erro ao tentar interferir na vida de Adrian.
Luna, com lágrimas nos olhos esgotada de ouvir tantas palavras que a machucam, gritos que ela não entende o idioma, está sentada numa poltrona enquanto Vivian, a cafetina, se aproxima dela.
- Luna, você tem sido uma ótima dançarina. Sua performance é incrível e tem atraído muitos clientes. Mas chegou a hora de dar um passo adiante.
Luna sente um frio na barriga, seu corpo todo está tenso.
- O que você quer dizer com "passo adiante", Vivian?
Vivian se senta ao lado de Luna, colocando a mão em seu ombro e apertando de uma forma que Luna sabe que é ameaçador.
- Você vai começar a fazer programas, Luna. Os homens estão pagando milhares de dólares para passar uma noite com você, e acabei de receber uma quantia significativa e não tem como voltar atrás.
Luna fica chocada, seu rosto se transforma em uma mistura de medo e desespero.
- Você não pode fazer isso comigo, Vivian! - ela fala em desespero, Luna mal conseguia respirar.- Por favor, não me obriga a fazer isso.
Vivian olha para Luna com uma expressão desinteressada e começa rir de forma cínica.
- Ah, Luna, você não entende? Aqui quem manda em você sou eu. Se você quer continuar viva e proteger as outras meninas, vai ter que fazer o programa da melhor forma possível.
Luna se levanta bruscamente, a raiva tomando conta de seu corpo.
- Eu me recuso a me entregar dessa maneira. Eu vou encontrar uma forma de sair daqui e tirar todas nós desse inferno!
Vivian se levanta calmamente, olhando para Luna com superioridade, como se não se importasse em quantas lágrimas ela terá que derramar. Levantando com um dedo o queixo da Luna, Vivian sorri.
- Boa sorte, Luna. Você não vai conseguir. Ninguém escapa daqui e se você tentar, provavelmente irá morrer no meio do caminho.
Luna a olha como se estivesse sem chão seus olhos mal enxergava pelo tanto que chorou.
- Eu vou encontrar uma saída, Vivian. Eu não vou desistir. E quando eu conseguir, você vai pagar por tudo o que fez conosco, eu juro vou destruir você, isso eu posso garantir.
Vivian ri maquiavélica novamente, mas desta vez Luna não demonstra ter se abalado. Luna sai da sala e entra em uma porta que é o Galpão, ela chora sem parar encolhida num canto da parede.
Na boate o mundo noturno continua agitado, vários homens com uma foto de Luna, oferecendo altas quantias de dinheiro indiscriminadamente, todos queriam ser o primeiro a passar a noite com a bela ruiva e quando caiu nos ouvidos deles que ela é uma menina pura, ficaram loucos para conquistar essa chance.
Luna permanece imóvel, ela está deitada em um canto escuro e sujo do galpão, seus olhos ainda marejados de lágrimas. Cassidy se aproxima, preocupada com a amiga.
Cassidy se abaixa ao lado de Luna.
- Luna, o que aconteceu? Por que você está chorando?
Luna tenta controlar sua voz embargada enquanto conta para Cassidy sobre a conversa com Vivian.
- Cassidy, Vivian disse que eu tenho que começar a fazer programa. Mas eu me recusei, não posso me entregar dessa maneira.
Cassidy fica em choque, ela sabe o quão perigosa é a situação em que estão.
- Luna, eu entendo que é horrível, mas temos que pensar nas consequências. Nossa segurança está em risco. Se você não aceitar, quem sabe o que Vivian vai fazer conosco?- ela fala com uma mistura de medo e egoísmo.
Luna olha para Cassidy, seus olhos cheios de desespero e mágoa.
- Você está me pedindo para me vender, Cassidy? Para me humilhar ainda mais?
Cassidy sente um aperto no coração, mas tenta argumentar.
- Não é isso, Luna. É uma questão de sobrevivência. Nós todas estamos presas aqui, sem comida, sem descanso. Se você fizer isso, pelo menos teremos algum dinheiro para nos proteger. E outra você ou nenhuma de nós temos escolhas.
Luna sente uma mistura de revolta e medo. Ela sabe disso, sabe que ela terá que se vender de qualquer jeito.
- Eu não si o que fazer, Cassidy. Eu não aguento mais. Acredito que a morte seria a melhor opção nesse lugar, nunca tive medo de morrer, eu não tenho nada e nem ninguém, a única coisa que eu tinha era a minha dignidade e agora nem isso. Eu não quero colocar a vida de vocês em risco.
Cassidy segura as mãos de Luna, olhando profundamente em seus olhos.
- Eu sei que é difícil, Luna. Mas pense em todas as outras garotas que estão aqui. Se nós fizermos tudo que ela manda, talvez todas tenhamos uma chance de escapar dessa vida. Precisamos ser fortes.
Luna suspira, sua decisão ainda não está clara, mas ela entende a gravidade da situação.
Luna se prepara mentalmente para a dura tarefa que lhe espera, sabendo que ela está sozinha, as garotas não se importam com ela, cada uma quer sair viva, nem que para isso seja a destruição da Luna.
Luna, vestida de forma provocante, está pronta para seguir com os capangas de Vivian para o hotel marcado. Ela olha para trás, preocupada com o destino das outras meninas, mas sabe que essa é sua única chance de protegê-las.
- Eu preciso fazer isso... pelas outras garotas.
Os capangas empurram Luna em direção à porta da boate, enquanto a multidão na entrada cria uma distração. Enquanto Luna é puxada pelos capangas, uma confusão se instala na porta da boate. Pessoas gritam e empurram uns aos outros. Nesse momento de caos, Luna entende que essa é sua única oportunidade dela fugir.
Sem pensar duas vezes Luna consegue se desvencilhar de um dos capangas e, com um rápido movimento, morde a mão dele com força. Ele solta um grito de dor e Luna corre em direção à liberdade.
Adrian e Fernando estavam do outro lado da rua bebendo num barzinho esperando por seu irmão Lorenzo.
- Adrian, o horário que eu marquei com a garota já está chegando, eu gastei muito dinheiro para você aproveitar a noite.
- Sério Fernando, não cansa de ser idiota? Já disse que não vou. Gastou dinheiro por que quis, não pedi nada.
- Onde diabos esse cara está?! Já era para estar aqui!- Fernando fala impaciente tentando mudar o foco da conversa, pois sabe que Adrian não voltará atrás com sua opinião.
- Ele disse que já estava vindo, deve ter se distraído pelo caminho.
De repente, Adrian ouvir gritos ecoando pelas ruas e um tiro dado para o alto. Seus instintos em alerta, ele virou-se para a direção do tumulto e avistou uma figura pequena correndo desajeitadamente em seu salto alto. Seus cabelos vermelhos como fogo contrastavam com a expressão desesperada em seu rosto.
Sem pensar duas vezes, Adrian se ergueu rapidamente da cadeira em que estava sentado e deu alguns passos apressados em direção à menina. Ele percebeu que ela estava em perigo e precisava de ajuda imediata.
Conforme se aproximava da garota, Adrian estendeu a mão para ajudá-la a se equilibrar, envolvendo seus dedos nos dela com firmeza.
- Me ajude, por favor! Eles estão atrás de mim!
- Vem! Não se preocupe, eu vou te proteger. Vamos encontrar um lugar seguro.
Sem trocarem mais nenhuma palavra, os dois começaram a correr juntos, escapando dos capangas que a procuravam incansavelmente. Luna sente uma mistura de alívio, medo e gratidão. Ela se segura firmemente na mão de Adrian, confiando nele no momento de incerteza.
Enquanto corriam pelas ruas estreitas e cheias de vida, Fernando, amigo de Adrian, observou a cena dos dois correndo sem rumo. Sem pensar duas vezes, ele pulou para dentro do veículo e foi atrás do amigo, decidido a ajudar em qualquer situação que se apresentasse.
Após alguns minutos exaustivos de fuga, Adrian diminuiu a velocidade e eles passaram a caminhar, permitindo que Luna pudesse recuperar um pouco do ar que lhe faltava. A menina estava claramente assustada, perdida e sem rumo.
Luna e Adrian se afastam dos perigos, correndo pelas ruas movimentadas de Los Angeles em busca de segurança. Enquanto isso, as luzes da cidade iluminam seus rostos, trazendo uma sensação de esperança para o futuro desconhecido.
Adrian reparou então em sua situação vulnerável, percebendo que os capangas haviam retirado partes de suas roupas. Movido por um impulso de proteção, ele tirou seu casaco e o envolveu ao redor do corpo de Luna, protegendo-a o máximo que pôde.
- Obrigada, muito obrigada.
Luna agradeceu, visivelmente sem jeito, pelo gesto de gentileza e proteção de Adrian. Nesse momento, Fernando estacionou seu carro próximo a eles, oferecendo um refúgio momentâneo para que pudessem ganhar um respiro e planejar o próximo passo.
Sem hesitar, os dois entraram no carro sob o olhar preocupado de Fernando. Enquanto o veículo estava em movimento, ela conta brevemente sua história, de como veio parar naquele lugar. Enquanto Adrian orientava Luna sobre a importância de manter-se segura e fora do alcance dos capangas.
A medida que o carro avançava pelas ruas da cidade, Adrian sentiu algo estranho crescer em seu coração, coisa que nunca aconteceu.
- Eu vou cuidar de você, não tenha medo.- Adrian fala encarando seus olhos.
Luna sem desviar os olhos de Adrian, fica confusa e com medo de confiar em mais alguém. Mas ali ela ve a oportunidade de se manter segura, decide ficar por perto.
O apartamento era de luxo, Luna nunca sonhou em um dia entrar em algo desse jeito. Apesar do medo ela sentiu como se fosse um refúgio seguro. Ela olhou ao redor, sentindo uma mistura de gratidão e insegurança. Ajudada pelos dois rapazes desconhecidos, Adrian e Fernando, ela encontrou um pouco de esperança em meio ao caos que sua vida se tornou.
- Muito obrigada, vocês não têm ideia do quanto isso significa para mim. Eu realmente não sei como agradecer.
Adrian sorriu gentilmente para ela, enquanto Fernando lançou-lhe um rápido olhar de desejo que não passou despercebido por ela.
- Estamos aqui para ajudar, Luna. Você é corajosa por confiar em nós, mesmo com tudo o que aconteceu.
Adrian estende as peças de roupas que conseguiu com uma das zeladoras do hotel. Luna chorava muito, grata por eles estarem a ajudando, ela entrou no banho tirando todo o cheiro do suor e também como se estivesse lavando a alma, veste as roupas que caíram como uma luva, ali olhando no espelho ela fica um tempo pensando.
Quando ela sai do quarto ouve sem querer Fernando falando com Adrian.
- Cara estou sem acreditar de como o destino age. Ela foi a mesma mulher que comprei para passar a noite com você.
As palavras de Fernando ecoaram pelos ouvidos de Luna, causando uma onda de choque e tristeza. Ela parou, incapaz de processar completamente o que acabara de ouvir.
Adrian arregalou os olhos, visivelmente perturbado pelas palavras de seu amigo. Ele fecha as mãos em punho, quando ele ia chamar a atenção de Fernando. Ouvem a porta bater com força.
As lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de Luna, enquanto a desesperança e a traição a sufocavam. Ela não conseguia acreditar que confiou novamente nas pessoas erradas.
Adrian correu atrás dela, quando alcançou ela encara os olhos de Adrian demostrando toda a sua dor.
- Vocês... vocês só me ajudaram para se aproveitar de mim? Eu achei que finalmente havia encontrado pessoas boas, mas estava enganada.
- Luna, por favor, não é verdade!
Adrian tentou se aproximar para consolá-la, mas ela deu um passo para trás, seus olhos cheios de dor e desconfiança.
- Eu não quero ouvir mais nada! Não quero acreditar que fui enganada novamente. Vocês não são melhores do que qualquer outra pessoa que me transformaram nisso.
Sem esperar por uma resposta, Luna deu meia-volta e correu para o elevador, ela apertava o botão para fechar as portas freneticamente, assim que as portas se fecham ela encosta no metal gelado do elevador, as lágrimas turvando sua visão. A dor da traição ecoava em seu coração, e a esperança que a havia impulsionado agora se transformava em desespero.
- Luna, espere! Por favor, deixe-nos explicar!
Adrian bate na porta tentando se explicar, sem pensar duas vezes ele corre para as escadas com intuito de pelo menos contar sua versão. Mas era tarde demais. Luna desapareceu pelas ruas, deixando Adrian atordoado e arrependido por não conseguir protege-la. Adrian subiu para o apartamento e olhou para Fernando com raiva e decepção.
- Sua maldita imprudência! Por que você fez isso? Destruímos a única chance que ela tinha de volta para casa.
Fernando baixou a cabeça, percebendo o impacto de suas palavras impulsivas. Ele sabia que havia causado um estrago irreparável.
- Eu não pude evitar... minha curiosidade falou mais alto. Eu nunca quis prejudicá-la. Agora é tarde demais, esquece ela, você não conseguiria ajuda-la de qualquer forma.
- Cara você é um completo idiota.
- Não sei por que está tão bravo, nem a conhecia, se tivesse aceitado a ir no hotel que reservei, talvez as coisas seriam diferentes.
Adrian encara ele com um olhar de derrota, ele não consegue entender do por que doeu tanto ver o olhar de desapontamento dela sobre ele.